Saturday, October 19, 2013

The Anti-Empire Report - “Omission is the most powerful form of lie.” – George Orwell



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William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #121
O Relatório Anti-Império No. 121
By William Blum – Published October 7th, 2013
Por William Blum – Publicado em 7 de outubro de 2013
“Omission is the most powerful form of lie.” – George Orwell
“A omissão é a mais poderosa forma de mentira.” – George Orwell
I am asked occasionally why I am so critical of the mainstream media when I quote from them repeatedly in my writings. The answer is simple. The American media’s gravest shortcoming is much more their errors of omission than their errors of commission. It’s what they leave out that distorts the news more than any factual errors or out-and-out lies. So I can make good use of the facts they report, which a large, rich organization can easier provide than the alternative media.
Ocasionalmente perguntam-me por que sou tão crítico acerca da mídia majoritária, quando cito-a repetidamente em meus escritos. A resposta é simples. O mais grave defeito da mídia estadunidense consiste muito mais em seus erros de omissão do que em seus erros de comissão. O que ela deixa de fora é que distorce a notícia mais do que quaisquer erros factuais ou completas mentiras. Portanto, posso fazer bom uso dos fatos que ela noticia, o que organizações de grande porte podem fazer mais facilmente do que a mídia alternativa.
A case in point is a New York Times article of October 5 on the Greek financial crisis and the Greeks’ claim for World War Two reparations from Germany.
Exemplo ilustrativo é artigo do New York Times de 5 de outubro acerca da crise financeira grega e da reivindicação dos gregos de indenização, pela Alemanha, por danos causados durante a Segunda Guerra Mundial.
“Germany may be Greece’s stern banker now, say those who are seeking reparations,” writes the Times, but Germany “should pay off its own debts to Greece. … It is not just aging victims of the Nazi occupation who are demanding a full accounting. Prime Minister Antonis Samarass government has compiled an 80-page report on reparations and a huge, never-repaid loan the nation was forced to make under Nazi occupation from 1941 to 1945. … The call for reparations has elicited an emotional outpouring in Greece, where six years of brutal recession and harsh austerity measures have left many Greeks hostile toward Germany. Rarely does a week go by without another report in the news about, as one newspaper put it in a headline, ‘What Germany Owes Us’.”
“A Alemanha poderá ser agora o austero banqueiro da Grécia, dizem aqueles que buscam indenização,” escreve o Times, mas a Alemanha “deveria pagar suas próprias dívidas para com a Grécia. … Não são apenas vítimas idosas da ocupação nazista que estão exigindo contabilização plena e detalhada. O governo do Primeiro-Ministro Antonis Samarass compilou relatório de 80 páginas acerca de indenizações e de um enorme, nunca pago empréstimo que a nação foi forçada a fazer sob ocupação nazista de 1941 a 1945. … A exigência de indenização causou efusão emocional na Grécia, onde seis anos de brutal recessão e severas medidas de austeridade deixaram muitos gregos hostis em relação à Alemanha. Raramente passa semana sem outra reportagem no noticiário acerca de, como um jornal colocou na manchete, ‘O Que A Alemanha Nos Deve’.”
“The figure most often discussed is $220 billion, an estimate for infrastructure damage alone put forward by Manolis Glezos, a member of Parliament and a former resistance fighter who is pressing for reparations. That amount equals about half the country’s debt. … Some members of the National Council on Reparations, an advocacy group, are calling for more than $677 billion to cover stolen artifacts, damage to the economy and to the infrastructure, as well as the bank loan and individual claims.”
“A cifra mais amiúde discutida é $220 biliões de dólares, estimativa referente a apenas os danos à infraestrutura proposta para consideração por Manolis Glezos, membro do Parlamento e ex-combatente da resistência defensor da indenização. Esse montante equivale a cerca de metade da dívida do país. … Alguns membros do Conselho Nacional de Indenizações, grupo de defesa de causa, preconizam mais de $677 biliões para cobrirem objetos de valor cultural/histórico roubados, danos à economia e à infraestrutura, e bem assim o empréstimo bancário e reivindicações individuais.”
So there we have the morality play: The evil Germans who occupied Greece and in addition to carrying out a lot of violence and repression shamelessly exploited the Greek people economically.
Em seguida temos a peça de conteúdo moral: Os perversos alemães que ocuparam a Grécia e, além de cometerem muita violência e repressão, exploraram despudoradamente o povo grego economicamente.
Would it be appropriate for such a story, or an accompanying or follow-up story, to mention the civil war that broke out in Greece shortly after the close of the world war? On one side were the neo-fascists, many of whom had cooperated with the occupying Germans during the war, some even fighting for the Nazis. Indeed, the British Foreign Secretary, Ernest Bevin, acknowledged in August 1946 that there were 228 ex-members of the Nazi Security Battalions – whose main task had been to track down Greek resistance fighters and Jews – on active service in the new Greek army. 8
Não seria apropriado tal artigo, ou artigo complementar ou de acompanhamento, mencionar a guerra civil que eclodiu na Grécia pouco depois do fim da guerra mundial? De um lado estavam os neofascistas, muitos dos quais haviam cooperado com os alemães ocupadores durante a guerra, alguns até combatendo pelos nazistas. Em verdade, o Secretário do Exterior britânico, Ernest Bevin, reconheceu, em agosto de 1946, haver 228 ex-membros dos Batalhões de Segurança nazistas – cuja principal tarefa havia sido rastrear combatentes da resistência grega e judeus – no serviço ativo do novo exército grego. 8
On the other side was the Greek left who had fought the Nazis courageously, even forcing the German army to flee the country in 1944.
Do outro lado estava a esquerda grega que havia combatido corajosamente os nazistas, conseguindo até forçar o exército alemão a abandonar o país em 1944.
So guess which side of the civil war our favorite military took? … That’s right, the United States supported the neo-fascists. After all, an important component of the Greek left was the Communist Party, although it wouldn’t have mattered at all if the Greek left had not included any Communists. Support of the left (not to be confused with liberals of course) anywhere in the world, during and since the Cold War, has been verboten in US foreign policy.
Pois adivinhem de que lado da guerra civil ficou nossa instituição militar favorita? … Isso mesmo, os Estados Unidos apoiaram os neofascistas. Afinal de contas, importante componente da esquerda grega era o Partido Comunista, se bem que não teria feito nenhuma diferença se a esquerda grega não tivesse incluído nenhum comunista. Apoio à esquerda (não confundir, obviamente, esquerda com os liberais) em qualquer parte do mundo, durante e desde a Guerra Fria, tem sido verboten na política externa dos Estados Unidos.
The neo-fascists won the civil war and instituted a highly brutal regime, for which the CIA created a suitably repressive internal security agency, named and modeled after itself, the KYP. For the next 15 years, Greece was looked upon much as a piece of real estate to be developed according to Washington’s political and economic needs. One document should suffice to capture the beauty of Washington’s relationship to Athens – a 1947 letter from US Secretary of State George Marshall to Dwight Griswold, the head of the American Mission to Aid Greece, said:
Os neofascistas ganharam a guerra civil e instituíram um regime altamente brutal, para o qual a CIA criou adequadamente repressora agência interna de segurança, nomeada e modelada segundo ela própria, a KYP. Nos 15 anos seguintes, a Grécia foi considerada em grande medida como imóvel a ser desenvolvido de acordo com as necessidades políticas e econômicas de Washington. Um só documento deveria bastar para evidenciar a essência do relacionamento de Washington com Atenas – carta de 1947 do Secretário de Estado dos Estados Unidos George Marshall a Dwight Griswold, chefe da Missão Estadunidense de Ajuda à Grécia, dizia:
During the course of your work you and the members of your Mission will from time to time find that certain Greek officials are not, because of incompetence, disagreement with your policies, or for some other reason, extending the type of cooperation which is necessary if the objectives of your Mission are to be achieved. You will find it necessary to effect the removal of these officials. 9
No curso de seu trabalho você e os membros de sua Missão descobrirão que certas autoridades gregas não estão, por causa de incompetência, desacordo com suas políticas, ou qualquer outro motivo, prestando o tipo de colaboração imprescindível para o atingimento dos objetivos de sua Missão. Você considerará necessário efetuar a remoção de tais autoridades. 9
Where is the present-day Greek headline: “What The United States Owes Us”? Where is the New York Times obligation to enlighten its readers?
Onde está a manchete grega dos dias atuais: “O Que Os Estados Unidos Nos Devem”? Onde está a obrigação do New York Times de esclarecer seus leitores?
Notes
Notas
8. Parliamentary Debates, House of Commons, October 16, 1946, column 887 (reference is made here to Bevin’s statement of August 10, 1946)
9. Foreign Relations of the United States, 1947, Vol. V (U.S. Government Printing Office, 1971), pp. 222-3. See William Blum, Killing Hope: US Military and CIA Interventions Since World War II, chapter 3 for further details of the US role in postwar Greece.


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