Sunday, September 29, 2013

IPS - From Tanzania to Brazil in the Hold of a Ship



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IPS – Inter Press Service
IPS – Inter Press Service
From Tanzania to Brazil in the Hold of a Ship
Da Tanzânia ao Brasil em Porão de Carga de Navio
Ornela Mbenga Sebo during the interview with IPS in Rio de Janeiro. Credit: Fabíola Ortiz/IPS
Ornela Mbenga Sebo durante a entrevista concedida ao IPS no Rio de Janeiro. Crédito: Fabíola Ortiz/IPS
RIO DE JANEIRO, Sep 24 2013 (IPS) - Ornela Mbenga Sebo, a young Congolese woman, escaped in 2011 from a rebel camp in Tanzania where she was being held as a slave and stowed away in the garbage bay of a merchant ship, with no idea where it was headed.
RIO DE JANEIRO, 24 de setembro de 2013 (IPS) - Ornela Mbenga Sebo, jovem congolesa, escapou,em 2011, de acampamento de rebeldes na Tanzânia, onde estava sendo mantida como escrava, e escondeu-se em compartimento de lixo de navio mercante, sem ideia de para onde a embarcação iria.
When the ship reached its destination two weeks later, she found out she was in Santos, an Atlantic ocean port in southeast Brazil.
Quando o navio chegou ao destino duas semanas depois, ela descobriu estar em Santos, porto do Oceano Atlântico no sudeste do Brasil.
She is one of hundreds of people from the war-torn Democratic Republic of Congo (DRC) who have sought refuge in Brazil.
Ela é uma das centenas de pessoas da assolada pela guerra República Democrática do Congo (DRC) que têm procurado refúgio no Brasil.
Mbenga Sebo was born in Walikale, in the eastern DRC province of North Kivu. Armed groups and the army are fighting over the gold, cassiterite, coltan and other minerals in that region.
Mbenga Sebo nasceu em Walikale, na província do leste da DRC de Kivu do Norte. Grupos armados e o exército estão lutando por ouro, cassiterita, coltan [columbita-tantalita] e outros minerais daquela região.
But until 2011, she appeared to be safe from the violence. Her family had a comfortable life. Her father taught at the university, and she was studying journalism and working in a bank. She had learned English and French and had travelled abroad.
Até 2011, porém, ela parecia estar a salvo de violência. A família dela tinha vida confortável. O pai dela lecionava na universidade, e ela estudava jornalismo e trabalhava num banco. Aprendeu inglês e francês, e viajara pelo exterior.
Her odyssey began in January 2011, when she was 21. Walikale became the target of an attack by insurgents, who slaughtered local residents and set fire to homes and public buildings.
A odisseia dela começou em janeiro de 2011, quando tinha 21 anos. Walikale tornou-se alvo de ataque por insurgentes, que chacinaram residentes locais e incendiaram residências e edifícios públicos.
She was at work when the rebel invasion began. She hid there until things calmed down, before running home. But her house was burning and there was no sign of her family.
Ela estava no trabalho quando começou a invasão rebelde. Ficou escondida ali até que as coisas se acalmassem, antes de correr para casa. A casa dela, porém, estava pegando fogo e não havia sinal da família.
Alone, with just the clothes on her back, she walked for weeks with other people who were running away from the violence. Her aim was to reach the capital, Kinshasa, where her grandparents lived.
Sozinha, só com a roupa do corpo, caminhou durante semanas com outras pessoas que fugiam da violência. O objetivo dela era chegar à capital, Kinshasa, onde moravam os avós dela.
“I was on foot,” she told IPS. “We walked for two weeks. I found other people who were also escaping: people who were sick, children, women and men.”
“Eu estava a pé,” disse ao IPS. “Andamos por duas semanas. Encontrei outras pessoas que também estavam escapando: pessoas doentes, crianças, mulheres e homens.”
The DRC, a vast, resource-rich country in Central Africa, has been caught up in armed conflict between government forces and different armed groups for decades. Some of the insurgent groups have ties to neighbouring Rwanda and Burundi.
A DRC, país vasto e rico de recursos da África Central, vem sendo vítima de conflito armado entre forças do governo e diferentes grupos armados há décadas. Alguns dos grupos insurgentes têm vínculos com os países vizinhos Ruanda e Burundi.
In 2010, a United Nations fact-finding mission documented a range of human rights crimes, including mass rapes, by the militias and the army itself in Walikale.
Em 2010, missão das Nações Unidas encarregada de verificação de fatos documentou espectro de crimes em direitos humanos, inclusive estupros em massa, pelas milícias e pelo próprio exército, em Walikale.
Mbenga Sebo described the terror she felt as she walked through ghost towns, abandoned and destroyed, only inhabited by the bodies strewn along the streets.
Mbenga Sebo descreveu o terror que sentiu ao caminhar cruzando cidades-fantasmas, abandonadas e destruídas, só habitadas pelos corpos espalhados ao longo das ruas.
“It’s so vivid in my mind that when I talk about it it’s like I’m back in that place again,” she said.
“Está tão vívido em minha mente que, quando falo a respeito, é como se estivesse de volta àquele lugar,” disse.
The biggest danger was running into armed groups, “who roamed from town to town looking for people to kill,” she said.
O maior dos perigos era o de dar de cara com grupos armados, “que andavam a esmo de cidadezinha em cidadezinha procurando pessoas para matar,” disse ela.
On more than one occasion she pretended to be dead, to save her life.
Em mais de uma ocasião ela fingiu estar morta, para salvar a vida.
But she ended up being captured and taken to Tanzania, where she was kept as a slave along with dozens of other people.
Acabou, porém, sendo capturada e levada para a Tanzânia, onde foi mantida como escrava, juntamente com muitas outras pessoas.
She spent all day hauling buckets of water to supply the rebel camp.
Passava o dia todo puxando baldes d'água para suprir o acampamento rebelde.
The insurgents “forced the women to sleep with them, wash their clothes, and cook their meals. I slept on the ground. They would beat me. I suffered moral, physical and mental abuse,” she said.
Os insurgentes “forçavam as mulheres a dormir com eles, lavar as roupas deles, e preparar as refeições deles. Eu dormia no chão. Eles me espancavam. Sofri abuso moral, físico e mental,” disse.
But one day she met a young man who took pity on her and helped her escape, showing her that the camp was near a port.
Um dia, porém, ela ficou conhecendo um jovem que se condoeu dela e ajudou-a a escapar, mostrando a ela que o acampamento ficava perto de um porto.
Late one night in February, she climbed over the wall surrounding the camp, and made it to a merchant ship. “It was a matter of life or death,” she said.
Tarde de uma noite, em fevereiro, ela pulou o muro que circundava o acampamento e conseguiu chegar a um navio mercante. “Era questão de vida ou morte,” disse.
The only thing she found to eat were some peanuts. Two weeks later, after discovering that she had landed in the Brazilian port of Santos, the second surprise was realising that she could understand the local language – Portuguese – because she had once spent a year in Angola with her family.
A única coisa que ela encontrou para comer foram alguns amendoins. Duas semanas depois, depois de descobrir ter desembarcado no porto brasileiro de Santos, a segunda surpresa foi perceber que conseguia entender a língua local – português – porque no passado passara um ano em Angola com a família.
She quickly made contact with people from Angola and DRC living in Brazil, and not long after her arrival, she was living as a refugee in Rio de Janeiro.
Logo entrou em contato com gente de Angola e da DRC vivendo no Brasil e, não muito depois de sua chegada, estava vivendo como refugiada no Rio de Janeiro.
This country of 198 million has no limits on the number of people who can be granted refugee status. According to the law on refugees, passed in 1997, even people who have entered the country using false documents can apply for refugee protection.
Esse país de 198 milhões de habitantes não estabelece limites para o número de pessoas que possa obter a condição de refugiada. De acordo com a lei de refugiados, aprovada em 1997, até pessoas que entraram no país usando documentos falsos podem postular proteção como refugiadas.
Destination unknown
Destino desconhecido
Fleeing overseas with no clear destination may not be so uncommon among Africans desperately escaping violence and armed conflict.
Fugir para o exterior sem destino claro pode não ser muito incomum entre africanos escapando, em desespero, da violência e de conflitos armados.
“Many young people fleeing these situations end up in Brazil by chance,” Angolan refugee Fernando Ngury told IPS in 2007, 10 years after the law on refugees took effect.
“Muitas pessoas jovens fugindo dessas situações acabam no Brasil por acaso,” disse ao IPS, em 2007, Fernando Ngury, 10 anos depois de a lei de refugiados entrar em vigência.
“Many stow away on ships that they believe are heading to Europe, and find themselves instead in Brazil. But some are thrown overboard at sea,” said Ngury, the head of the Centre for the Defence of Refugee Human Rights (CEDHUR).
“Muitos se escondem em navios que, acreditam, estão indo para a Europa, e em vez disso flagram-se no Brasil. Alguns, porém, são lançados ao mar durante a viagem,” diz Ngury, chefe do Centro de Defesa de Direitos Humanos de Refugiados (CEDHUR).
According to the latest official figures, there are 4,715 people from 74 different countries who have been granted refugee status in Brazil today. The largest groups are made up of nearly 1,700 Angolans, 700 Colombians and some 500 people from the DRC.
De acordo com as mais recentes cifras oficiais, há 4.715 pessoas de diferentes países às quais concedida condição de refugiadas atualmente no Brasil. Os maiores grupos são os compostos por 1.700 angolanos, 700 colombianos e cerca de 50 pessoas da DRC.
Of the 4,715 refugees, 2,012 still receive assistance from the Office of the United Nations High Commissioner for Refugees (UNHCR).
Dos 4.715 refugiados, 2.012 ainda recebem assistência do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR).
There are also 1,441 people who have applied, and are still waiting, for refugee status.
Há também 1.441 pessoas que apresentaram petição e ainda estão à espera de reconhecimento como refugiadas.
The process of requesting refugee protection in Brazil begins at the National Committee for Refugees (CONARE), in the Justice Ministry.
O processo de solicitação de proteção para refugiado no Brasil começa no Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), no Ministério da Justiça.
Rebuilding
Reconstrução
Now 23, Mbenga Sebo is rebuilding her life little by little. Today she shares a house with four Congolese roommates in a suburb of Rio. As a refugee, she has the right to work and has full access to public services, such as healthcare and education.
Hoje com 23 anos, Mbenga Sebo está reconstruindo a vida aos poucos. Hoje ela compartilha casa com quatro colegas de quarto do Congo num subúrbio do Rio. Como refugiada, tem direito de trabalhar e pleno acesso a serviços públicos, tais como os de saúde e educação.
The fact that she speaks several languages helped her get a job as a receptionist at the Technological Park of the Federal University of Rio de Janeiro, where she has also made friends.
O fato de falar diversas línguas ajudou-a a obter emprego como recepcionista no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde também fez amigos.
Recently, through the online social networking site Facebook, she received wonderful news: that her parents and siblings are still alive.
Recentemente, por meio do site de rede social online Facebook, recebeu esplêndida notícia: seus pais e irmãos ainda estão vivos.
She learned that her family had managed to flee by bus to Senegal, with the savings they had in their home. Today they are living in Chicago. Her mother is working as a waitress in a hotel and her father is unemployed.
Ficou sabendo que sua família conseguira fugir de ônibus para o Senegal, com economias que tinha em casa. Hoje está morando em Chicago. A mãe está trabalhando como garçonete num hotel e o pai está desempregado.
Her dream is to join her family in the U.S. Her friends and office mates are trying to raise funds over the Internet to buy her a plane ticket for Chicago.
O sonho dela é juntar-se à família nos Estados Unidos. Amigos e colegas de trabalho estão tentando levantar fundos na Internet para comprar passagem para ela para Chicago.
She said she had no intention of returning to the DRC. “I love my country, I am African, but I would only go back if the situation changes and it is safe. And even then, only to visit my grandparents, who are still there.”
Ela disse não ter intenção de voltar à DRC. “Amo meu país, sou africana, mas só voltaria se a situação mudasse e fosse seguro. E, mesmo assim, só para visitar meus avós, que ainda estão lá.”
Her workmate, George Patiño, told IPS: “She is an example of strength, conviction and hope.” It was his idea to turn to crowdfunding, on the Brazilian web site Vakinha, to send Mbenga Sebo to Chicago.
O colega de trabalho dela George Patiño disse ao IPS: “Ela é exemplo de fortaleza, convicção e esperança.” Foi ideia dele recurso ao fundo de financiamento coletivo no website brasileiro Vakinha para o envio de Mbenga Sebo a Chicago.
Patiño hopes to raise the necessary 2,500 dollars in three months. The Ornela Mundi campaign was launched on Vakinha Sept. 5, and 26 percent of the funds needed have been raised so far.
Patiño espera levantar os 2.500 dólares necessários em três meses. A campanha Ornela Mundi foi lançada no Vakinha em 5 de setembro, e 26 por cento dos fundos necessários já foram levantados até agora.
“She has always managed to overcome, and she’ll find happiness in the end,” Patiño said.
“Ela sempre deu um jeito de superar, e encontrará felicidade por fim,” disse Patiño.
Mbenga Sebo’s story deserves to be told in a book, according to Brazilian journalist Ana Paula Laport, who is preparing to write her biography.
A história de Mbenga Sebo merece ser contada em livro, de acordo com a jornalista brasileira Ana Paula Laport, que se prepara para escrever a biografia dela.


Wednesday, September 25, 2013

C4SS - Drugs Are Bad, Mmmkay? That’s All You Need to Know


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CENTER FOR A STATELESS SOCIEY
CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
A Left Market Anarchist Think Tank and Media Center
Centro de Políticas e de Mídia Esquerdista Anarquista de Mercado
Commentary
Comentário

Drugs Are Bad, Mmmkay? That’s All You Need to Know

Drogas Não Prestam, Certo? Isso É Tudo O De Que Você Precisa Saber
Kevin Carson | September 22nd, 2013
Kevin Carson | 22 de setembro de 2013
Every once in a while a government functionary slips up and inadvertently lets out the truth about how things work, in tones so frank it leaves us shaking our heads and wondering if we really heard correctly. That’s what happened when Blake Ewing, an Austin area assistant DA, expressed his true feelings (“Breaking Bad Normalizes Meth Use, Argues Prosecutor,” Time, September 20) about the TV drama Breaking Bad.  The problem, he says, is not that Breaking Bad glorifies or romanticizes meth use. It’s that — as his title suggests — it “does normalize meth for a broad segment of society that might otherwise have no knowledge of that dark and dangerous world.”
De tempos em tempos funcionário do governo descuida-se e inadvertidamente deixa escapar a verdade acerca de como as coisas funcionam, de modo tão cândido que não temos como não balançar a cabeça e indagarmo-nos se teremos ouvido corretamente. Foi o que aconteceu quando Blake Ewing, promotor assistente da área de Austin, expressou seu modo de pensar autêntico (“Breaking Bad Torna Normal o Uso de Metanfetaminas, Argumenta Promotor,” Time, 20 de setembro) acerca da série de TV Breaking Bad(*). O problema, diz ele, não é Breaking Bad glorificar ou romantizar o uso de metanfetaminas. É — como o título dele sugere — ela “tornar normal o uso de metanfetaminas para amplo segmento da sociedade que, de outra forma, poderia nem ter conhecimento desse mundo tétrico e perigoso.”

(*) Break bad é expressão proveniente de frase de gíria do sudoeste estadunidense ‘to break bad’, significando questionar convenções, desafiar a autoridade e tentar ignorar os limites legais. Ver Urban Dictionary.
“Before Breaking Bad, relatively few people knew someone whose life had been touched by meth, but now millions more people have an intense emotional connection with at least two: Walter White and Jesse Pinkman. And suddenly, for those spellbound viewers, the idea of people using meth is a little less foreign, a little more familiar. And that false sense of familiarity is inherently dangerous.”
“Antes de Breaking Bad, relativamente pouca gente conhecia pessoas cuja vida tivesse sido afetada pelas metanfetaminas, mas agora milhões mais têm intensa conexão emocional com pelo menos duas dessas pessoas: Walter White e Jesse Pinkman. E, subitamente, para aqueles tantalizados espectadores, a ideia de pessoas usarem metanfetaminas é menos estranha, um pouco mais familiar. E o falso senso de familiaridade é inerentemente perigoso.”
And this is dangerous, Ewing makes clear, mainly from the perspective of the Drug War and his friends in the law enforcement community who fight it: “Law-enforcement officers’ duties bring them into contact with the drug-addled on a daily basis, so the proliferation of dangerous drugs directly affects their lives and families more than it might affect yours or mine.”
E isso é perigoso, deixa claro Ewing, principalmente da perspectiva da Guerra às Drogas e dos amigos dele, na comunidade de repressão legal, que a conduzem: “Os deveres das autoridades de repressão levam-nas a contato diário com os afetados por drogas e, pois, a proliferação de drogas perigosas afeta diretamente as vidas e famílias delas mais do que poderia afetar as de vocês ou a minha.”
So there you have it. The very fact that a broad segment of the public has greater knowledge of an aspect of life about which they were previously ignorant makes it harder for the state to carry out its functions. Before, when almost nobody had any direct emotional connection with anybody who used meth, they depended mainly on the state’s Drug War propaganda for whatever, ahem, “knowledge” of the subject they possessed. So long as people who used drugs were a vague, menacing Other whom they’d never met in person, it was easy to mold their view of the world with crude propaganda of the Reefer Madness type, or smarmy PSAs (“Did You Know …”) from the White House Office of Drug Control Policy.  If the state thinks you need to know any more than that, in order to serve its own purposes, it will tell you what you need to know — when it gets good and ready.
Então aí está. O simples fato de amplo segmento do público ter maior conhecimento de um aspecto da vida que anteriormente ignorava torna mais difícil para o estado levar a cabo suas funções. Antes, quando quase ninguém tinha qualquer conexão emocional direta com qualquer pessoa que usasse metanfetaminas, cada um dependia principalmente da propaganda da Guerra às Drogas do estado para qualquer, digamos, “conhecimento” do assunto que tivesse. Enquanto gente que usasse drogas fosse um vago, ameaçador Outro, que as pessoas nunca encontrassem em carne e osso, era fácil moldar o ponto de vista dessa gente acerca do mundo com propaganda barata da do tipo [filme] Reefer Madness, ou com untuosas informações de utilidade pública (“Você Sabia …”) do Gabinete da Casa Branca para Políticas de Controle de Drogas. Se o estado achar que você precisa saber qualquer coisa além disso, para atender aos próprios propósitos dele, dirá a você o de que você precisará saber — quando e como lhe aprouver.
So long as the public perception of the shadowy Drug War enemy was shaped by state propaganda — breathless local TV news reporters covering heroic meth lab busts, the “thin blue line,” etc. — it could scare the public into supporting police militarization and the erosion of civil liberties. After all, the police are our friends — all that military equipment, all those warrantless searches, are to be used against … THEM.
Na medida em que a percepção do público do enigmático inimigo na Guerra às Drogas foi delineada pela propaganda do estado — ofegantes repórteres noticiosos da TV local cobrindo heroicos desmantelamentos de laboratórios de metanfetaminas, a “tênue linha azul,” etc. — essa propaganda pôde apavorar o público até o ponto de este apoiar a militarização da polícia e a erosão das liberdade civis. Afinal de contas, os policiais são nossos amigos — todo aquele equipamento militar, todas aquelas buscas sem mandado, são para ser usados contra ... ELES.
The last thing the state wants is for the enemy to have a human face. The Western Allies’ High Command had a similar reaction to the Christmas Truce of 1914, when French, British and German troops suspended hostilities in northern France entirely on their own intiative, visited each other’s campfires, exchanged gifts or bartered goods, and played football in No Man’s Land. The British and French leadership didn’t like their grunts finding out that those baby-killing Huns were just a bunch of dumb grunts like them who believed the crap their government told them and went where they were ordered — and vice versa.
A última coisa que o estado quer é que o inimigo tenha face humana. O Alto Comando dos Aliados Ocidentais teve reação similar diante da Trégua de Natal de 1914, quando tropas francesas, britânicas e alemãs suspenderam as hostilidades no norte da França, inteiramente por iniciativa própria, visitaram as fogueiras umas das outras, trocaram presentes ou barganharam bens, e jogaram futebol na Terra de Ninguém. A liderança britânica e francesa não gostou de que seus soldados descobrissem que aqueles hunos assassinos de bebês eram apenas uma penca de soldados de inteligência tolhida como a deles próprios, que havia acreditado na titica que o governo dela lhe havia impingido e ido aonde ordenado que fosse — e vice-versa.
The state’s power depends on keeping you ignorant, on controlling your perceptions of the world, on making you fear the enemies it wants you to fear. But it’s the state itself, and the classes that control it, that are your enemies. Free your mind!
O poder do estado depende de manter você na ignorância, de controlar as percepções que você tem do mundo, e de fazer você temer os inimigos que ele deseja você tema. Contudo, seus inimigos são na verdade o estado ele próprio e as classes que o controlam. Areje sua mente!