Friday, August 2, 2013

The Anti-Empire Report - That most charming of couples: Nationalism and hypocrisy



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William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #119
O Relatório Anti-Império No. 119
By William Blum – Published July 29, 2013
Por William Blum – Publicado em 29 de julho de 2013
That most charming of couples: Nationalism and hypocrisy
A mais encantadora das duplas: Nacionalismo e hipocrisia
It’s not easy being a flag-waving American nationalist. In addition to having to deal with the usual disillusion, anger, and scorn from around the world incited by Washington’s endless bombings and endless wars, the nationalist is assaulted by whistle blowers like Bradley Manning and Edward Snowden, who have disclosed a steady stream of human-rights and civil-liberties scandals, atrocities, embarrassing lies, and embarrassing truths. Believers in “American exceptionalism” and “noble intentions” have been hard pressed to keep the rhetorical flag waving by the dawn’s early light and the twilight’s last gleaming.
Não é fácil ser nacionalista estadunidense de carteirinha. Além de ter de lidar com usuais desilusão, raiva e desprezo vindos de todo o mundo, incitados pelos infindáveis bombardeios e infindáveis guerras de Washington, o nacionalista é agredido por denunciantes como Bradley Manning e Edward Snowden, que revelaram fluxo contínuo de escândalos de direitos humanos e de liberdades civis, atrocidades, mentiras constrangedoras, e verdades constrangedoras. Os crentes no “excepcionalismo estadunidense” e nas “intenções nobres” estão em apuros para manter a bandeira retórica tremulando desde a primeira luz da alvorada até o último lampejo do crepúsculo.
That may explain the Washington Post story (July 20) headlined “U.S. asylum-seekers unhappy in Russia”, about Edward Snowden and his plan to perhaps seek asylum in Moscow. The article recounted the allegedly miserable times experienced in the Soviet Union by American expatriates and defectors like Lee Harvey Oswald, the two NSA employees of 1960 – William Martin and Bernon Mitchell – and several others. The Post’s propaganda equation apparently is: Dissatisfaction with life in Russia by an American equals a point in favor of the United States: “misplaced hopes of a glorious life in the worker’s paradise” … Oswald “was given work in an electronics factory in dreary Minsk, where the bright future eluded him” … reads the Post’s Cold War-clichéd rendition. Not much for anyone to get terribly excited about, but a defensive American nationalist is hard pressed these days to find much better.
Isso pode explicar o artigo do Washington Post  (20 de julho) intitulado “buscadores de asilo dos Estados Unidos infelizes na Rússia”, acerca de Edward Snowden e seu plano de talvez buscar asilo em Moscou. O artigo descreve os alegadamente maus pedaços experimentados na União Soviética por expatriados e desertores estadunidenses tais como Lee Harvey Oswald, os dois empregados da NSA de 1960 – William Martin e Bernon Mitchell – e diversos outros. A equação da propaganda do Post aparentemente é: A insatisfação com a vida na Rússia por estadunidense conta um ponto em favor dos Estados Unidos: “esperanças infundadas de vida gloriosa no paraíso dos trabalhadores” … Oswald “obteve trabalho numa fábrica de eletrônicos na deprimente Minsk, onde o brilhante futuro fugiu-lhe” … reza a descrição de clichê de Guerra Fria do Post. Não muito para alguém ficar extremamente entusiasmado, mas o estadunidense nacionalista defensivo está em apuros, nos dias de hoje, para encontrar algo muito melhor.
At the same time TeamUSA scores points by publicizing present-day Russian violations of human rights and civil liberties, just as if the Cold War were still raging. “We call on the Russian government to cease its campaign of pressure against individuals and groups seeking to expose corruption, and to ensure that the universal human rights and fundamental freedoms of all of its citizens, including the freedoms of speech and assembly, are protected and respected,” said Jay Carney, the White House press secretary. 1
Ao mesmo tempo a EquipeEstadosUnidos faz pontos ao publicar violações de direitos humanos e liberdades civis na Rússia, como se a Guerra Fria ainda estivesse em curso. “Exigimos que o governo russo cesse sua campanha de pressão contra indíviduos e grupos que buscam expor corrupção, e assegure que os direitos humanos e formas fundamentais de liberdade universais de todos os seus cidadãos, inclusive as formas de liberdade de expressão e reunião, sejam protegidos e respeitados,” disse Jay Carney, o secretário de imprensa da Casa Branca. 1
“Campaign of pressure against individuals and groups seeking to expose corruption” … hmmm … Did someone say “Edward Snowden”? Is round-the-clock surveillance of the citizenry not an example of corruption? Does the White House have no sense of shame? Or embarrassment? At all?
“Campaanha de pressão contra indivíduos e grupos que buscam expor corrupção” … hmmm … Será que alguém disse “Edward Snowden”? A escuta vinte e quatro horas por dia dos cidadãos não é exemplo de corrupção? A Casa Branca não tem senso de vergonha? Ou de constrangimento? Em absoluto?
I long for a modern version of the Army-McCarthy hearings of 1954 at which Carney – or much better, Barack Obama himself – is spewing one lie and one sickening defense of his imperialist destruction after another. And the committee counsel (in the famous words of Joseph Welch) is finally moved to declare: “Sir, you’ve done enough. Have you no sense of decency, sir? At long last, have you left no sense of decency?” The Congressional gallery burst into applause and this incident is widely marked as the beginning of the end of the McCarthy sickness.
Suspiro por versão moderna das audiências Exército-McCarthy de 1954 onde Carney – ou, muito melhor, o próprio Barack Obama – vomite uma mentira e uma nauseante defesa de sua destruição imperialista após outra. E o advogado da comissão (nas famosas palavras de Joseph Welch) seja finalmente levado a declarar: “Senhor, o senhor já fez o bastante. Não tem senso de decência, senhor? Em suma, não foi deixado ao senhor nenhum senso de decência?” A galeria do Congresso eclode em aplauso e esse incidente é amplamente registrado como o começo do fim da enfermidade McCarthy.
US politicians and media personalities have criticized Snowden for fleeing abroad to release the classified documents he possessed. Why didn’t he remain in the US to defend his actions and face his punishment like a real man? they ask. Yes, the young man should have voluntarily subjected himself to solitary confinement, other tortures, life in prison, and possible execution if he wished to be taken seriously. Quel coward!
Políticos e personalidades da mídia dos Estados Unidos têm criticado Snowden por ele ter saído para o exterior para divulgar os documentos secretos que possuía. Por que ele não permaneceu nos Estados Unidos para defender suas ações e enfrentar sua punição como homem de verdade? perguntam eles. Sim, o jovem deveria ter-se voluntariamente submetido a confinamento solitário, a outras torturas, a vida inteira na prisão, e a possível execução, se desejasse ser levado a sério. Quel covarde!
Why didn’t Snowden air his concerns through the proper NSA channels rather than leaking the documents, as a respectable whistleblower would do? This is the question James Bamford, generally regarded as America’s leading writer on the NSA, endeavored to answer, as follows:
Por que Snowden não veiculou suas preocupações por meio dos canais apropriados da Agência de Segurança Nacional - NSA em vez de vazar os documentos, como um denunciante respeitável faria? Essa é a pergunta que James Bamford, geralmente visto como escritor de proa acerca da NSA, esforçou-se para responder, como segue:
I’ve interviewed many NSA whistleblowers, and the common denominator is that they felt ignored when attempting to bring illegal or unethical operations to the attention of higher-ranking officials. For example, William Binney and several other senior NSA staffers protested the agency’s domestic collection programs up the chain of command, and even attempted to bring the operations to the attention of the attorney general, but they were ignored. Only then did Binney speak publicly to me for an article in Wired magazine. In a Q&A on the Guardian Web Snowden cited Binney as an example of “how overly-harsh responses to public-interest whistle-blowing only escalate the scale, scope, and skill involved in future disclosures. Citizens with a conscience are not going to ignore wrong-doing simply because they’ll be destroyed for it: the conscience forbids it.”
Já entrevistei diversos denunciantes da NSA, e o denominador comum é que eles se sentiram ignorados quanto tentaram levar operações ilegais ou não éticas à atenção de autoridades de escalão superior. Por exemplo, William Binney e diversos outros funcionários de alto nível da NSA protestaram contra os programas de coleta dentro do país recorrendo a escalões superiores na cadeia de comando, e até tentaram levar essas operações à atenção do procurador-geral, mas foram ignorados. Apenas então Binney falou publicamente a mim para um artigo na revista Wired. Numa Perguntas e Respostas na Guardian Web, Snowden citou Binney como exemplo de “como reações abertamente ásperas a denúncias de interesse público apenas provocam escalada da escala, abrangência e engenho envolvidos em futuras divulgações. Cidadãos com consciência não ignorarão ilícitos simplesmente porque serão destruídos por isso: a consciência o proíbe.”
And even when whistleblowers bring their concerns to the news media, the NSA usually denies that the activity is taking place. The agency denied Binney’s charges that it was obtaining all consumer metadata from Verizon and had access to virtually all Internet traffic. It was only when Snowden leaked the documents revealing the phone-log program and showing how PRISM works that the agency was forced to come clean. 2
E mesmo quando denunciantes levam suas inquietações à mídia noticiosa, a NSA usualmente nega que a atividade esteja sendo levada a efeito. A agência negou as acusações de Binney de estar obtendo da Verizon todos os metadados dos consumidores e que tivesse acesso a praticamente todo o tráfego na Internet. Foi só quando Snowden vazou os documentos revelando o programa de registro de escuta de telefones e mostrando como o PRISM funciona é que a agência foi forçada a confessar. 2
“Every country in the world that is engaged in international affairs and national security undertakes lots of activities to protect its national security,” US Secretary of State John Kerry said recently. “All I know is that it is not unusual for lots of nations.” 3
“Todo país do mundo envolvido em assuntos internacionais e segurança nacional empreende muitas atividades voltadas para proteger sua segurança nacional,” disse recentemente o Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry. “Só sei que isso não é inusitado para muitas nações.” 3
Well, Mr. K, anti-semitism is not unusual; it can be found in every country. Why, then, does the world so strongly condemn Nazi Germany? Obviously, it’s a matter of degree, is it not? The magnitude of the US invasion of privacy puts it into a league all by itself.
Ora bem, Sr. K, antissemitismo não é inusitado; pode ser encontrado em todo país. Por que, então, o mundo condena tão fortemente a Alemanha nazista? Obviamente, é questão de grau, não é? A magnitude da invasão da privacidade pelos Estados Unidos coloca-os numa categoria totalmente única.
Kerry goes out of his way to downplay the significance of what Snowden revealed. He’d have the world believe that it’s all just routine stuff amongst nations … “Move along, nothing to see here.” Yet the man is almost maniacal about punishing Snowden. On July 12, just hours after Venezuela agreed to provide Snowden with political asylum, Kerry personally called Venezuelan Foreign Minister Elias Jaua and reportedly threatened to ground any Venezuelan aircraft in America’s or any NATO country’s airspace if there is the slightest suspicion that Snowden is using the flight to get to Caracas. Closing all NATO member countries’ airspace to Venezuelan flights means avoiding 26 countries in Europe and two in North America. Under this scenario, Snowden would have to fly across the Pacific from Russia’s Far East instead of crossing the Atlantic.
Kerry esforça-se especialmente para minimizar a importância do que Snowden revelou. Ele gostaria de fazer o mundo acreditar que tudo não passa da coisas rotineiras entre nações … “Vamos em frente, não há nada para ver aqui.” Contudo, o homem fica quase maníaco no tocante a punir Snowden. Em 12 de julho, horas apenas depois de a Venezuela ter concordado em proporcionar a Snowden asilo político, Kerry pessoalmente telefonou para o Ministro do Exterior venezuelano Elias Jaua e teria ameaçado de impedir o voo de qualquer avião venezuelano no espaço aéreo dos Estados Unidos ou de qualquer país da OTAN se houvesse a mais leve suspeita de que Snowden estivesse usando o voo para chegar a Caracas. Fechar o espaço aéreo de todos os membros da OTAN a voos venezuelanos significa impedir voos em 26 países na Europa e dois na América do Norte. Nesse cenário, Snowden teria de voar cruzando o Pacífico a partir do Extremo Oriente da Rússia em vez de cruzar o Atlântico.
The Secretary of State also promised to intensify the ongoing process of revoking US entry visas to Venezuelan officials and businessmen associated with the deceased President Hugo Chávez. Washington will also begin prosecuting prominent Venezuelan politicians on allegations of drug trafficking, money laundering and other criminal actions and Kerry specifically mentioned some names in his conversation with the Venezuelan Foreign Minister.
O Secretário de Estado também prometeu intensificar o processo atual de revogar vistos de entrada nos Estados Unidos de autoridades e empresários venezuelanos associados com o falecido Presidente Hugo Chávez. Washington também começará a processar preeminentes políticos venezuelanos a partir de alegações de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outras ações criminais, e Kerry mencionou especificamente alguns nomes em sua conversa com o Ministro do Exterior venezuelano.
Kerry added that Washington is well aware of Venezuela’s dependence on the US when it comes to refined oil products. Despite being one of the world’s largest oil producers, Venezuela requires more petrol and oil products than it can produce, buying well over a million barrels of refined oil products from the United States every month. Kerry bluntly warned that fuel supplies would be halted if President Maduro continues to reach out to the fugitive NSA contractor. 4
Kerry acrescentou que Washington está bem ciente da dependência da Venezuela dos Estados Unidos quanto a produtos refinados de petróleo. A despeito de ser um dos maiores produtores mundiais de petróleo, a Venezuela precisa de mais gasolina e produtos do petróleo do que consegue produzir, comprando bem mais de um milhão de barris de produtos de petróleo refinado dos Estados Unidos todo mês. Kerry advertiu claramente que os suprimentos de combustível serão suspensos se o Presidente Maduro continuar a estender as mãos para o empreiteiro fugitivo da NSA. 4
Wow. Heavy. Unlimited power in the hands of psychopaths. My own country truly scares me.
Puxa vida. Essa é de doer. Poder ilimitado nas mãos de psicopatas. Meu próprio país com efeito me dá pavor.
And what country brags about its alleged freedoms more than the United States? And its alleged democracy? Its alleged civil rights and human rights? Its alleged “exceptionalism”? Its alleged everything? Given that, why should not the United States be held to the very highest of standards?
E que país se vangloria mais de suas alegadas formas de liberdade do que os Estados Unidos? E de sua alegada democracia? E de seus alegados direitos civis e direitos humanos? E de seu alegado “excepcionalismo”? E de seu alegado tudo? Dado isso, por que não deveriam os Estados Unidos ser guindados ao mais elevado dos padrões?
American hypocrisy in its foreign policy is manifested on a routine, virtually continual, basis. Here is President Obama speaking recently in South Africa about Nelson Mandela: “The struggle here against apartheid, for freedom; [Mandela’s] moral courage; this country’s historic transition to a free and democratic nation has been a personal inspiration to me. It has been an inspiration to the world – and it continues to be.” 5
A hipocrisia estadunidense em política externa manifesta-se em base rotineira, praticamente contínua. Eis aqui o Presidente Obama falando recentemente na África do Sul acerca de Nelson Mandela: “A luta, aqui, contra o apartheid, pela liberdade; a coragem moral [de Mandela]; a histórica transição deste país para uma nação livre e democrática tem sido inspiração pessoal para mim. Tem sido inspiração para o mundo – e continua a ser.” 5
How touching. But no mention – never any mention by any American leader – that the United States was directly responsible for sending Nelson Mandela to prison for 28 years. 6
Que tocante. Nenhuma menção, porém – nunca qualquer menção por qualquer líder estadunidense – de que os Estados Unidos foram diretamente responsáveis pelo envio de Nelson Mandela para a prisão por 28 anos. 6
And demanding Snowden’s extradition while, according to the Russian Interior Ministry, “Law agencies asked the US on many occasions to extradite wanted criminals through Interpol channels, but those requests were neither met nor even responded to.” Amongst the individuals requested are militant Islamic insurgents from Chechnya, given asylum in the United States. 7
E exigem a extradição de Snowden enquanto, de acordo com o Ministério do Interior russo, “Órgãos jurídicos pediram as Estados Unidos, em muitas ocasiões, que extraditasse criminosos procurados, por meio de canais da Interpol, mas esses pedidos não foram nem atendidos nem sequer respondidos.” Entre os indivíduos pedidos estão insurgentes islâmicos da Chechênia, que receberam asilo nos Estados Unidos. 7
Ecuador has had a similar experience with the US in asking for the extradition of several individuals accused of involvement in a coup attempt against President Rafael Correa. The most blatant example of this double standard is that of Luis Posada Carriles who masterminded the blowing up of a Cuban airline in 1976, killing 73 civilians. He has lived as a free man in Florida for many years even though his extradition has been requested by Venezuela. He’s but one of hundreds of anti-Castro and other Latin American terrorists who’ve been given haven in the United States over the years despite their being wanted in their home countries.
O Equador teve experiência similiar com os Estados Unidos ao pedir a extradição de diversos indivíduos acusados de envolvimento em tentativa de golpe contra o Presidente Rafael Correa. O mais flagrante exemplo desses dois pesos e duas medidas é o de Luis Posada Carriles, mentor da explosão de um avião cubano em 1976, matando 73 civis. Ele vive como homem livre na Flórida há muitos anos, embora sua extradição tenha sido solicitada pela Venezuela. Ele é apenas um de centenas de terroristas antiCastro e outros que encontraram refúgio nos Estados Univos ao longo dos anos, a despeito de serem procurados em seus países natais.
American officials can spout “American exceptionalism” every other day and commit crimes against humanity on intervening days. Year after year, decade after decade. But I think we can derive some satisfaction, and perhaps even hope, in that US foreign policy officials, as morally damaged as they must be, are not all so stupid that they don’t know they’re swimming in a sea of hypocrisy. Presented here are two examples:
As autoridades estadunidenses podem proclamar o “excepcionalismo estadunidense” dia sim dia não e cometer crimes contra a humanidade nos demais dias. Ano após ano, década após década. Acredito, porém, que possamos extrair certa satisfação, e talvez até esperança, disto, de que as autoridades de política externa dos Estados Unidos, por mais moralmente distorcidas como sem dúvida são, não são estúpidas a ponto de não saberem estar nadando num mar de hipocrisia. Aqui são apresentados dois exemplos:
In 2004 it was reported that “The State Department plans to delay the release of a human rights report that was due out today, partly because of sensitivities over the prison abuse scandal in Iraq, U.S. officials said. One official … said the release of the report, which describes actions taken by the U.S. government to encourage respect for human rights by other nations, could ‘make us look hypocritical’.” 8
Em 2004 foi informado que “O Departamento de Estado planeja adiar a divulgação de relatório de direitos humanos que deveria ser divulgado hoje, parcialmente por causa de melindres a propósito do escândalo de abuso prisional no Iraque, disseram autoridades dos Estados Unidos. Uma autoridade … disse que a divulgação do relatório, que descreve ações empreendidas pelo governo dos Estados Unidos para estimular respeito pelos direitos humanos por outras nações, poderia ‘fazer-nos parecer hipócritas’.” 8
And an example from 2007: Chester Crocker, a member of the State Department’s Advisory Committee on Democracy Promotion, and formerly Assistant Secretary of State, noted that “we have to be able to cope with the argument that the U.S. is inconsistent and hypocritical in its promotion of democracy around the world. That may be true.” 9
E um exemplo de 2007: Chester Crocker, membro da Comissão Consultiva do Departamento de Estado para Promoção da Democracia, e antes Secretário Assistente de Estado, observou que “temos de conseguir conviver com o argumento de que os Estados Unidos são incoerentes e hipócritas em sua promoção de democracia em todo o mundo. Isso pode ser verdade.” 9
In these cases the government officials appear to be somewhat self-conscious about the prevailing hypocrisy. Other foreign policy notables seem to be rather proud.
Nesses casos as autoridades do governo parecem estar de alguma forma conscientes da hipocrisia prevalecente. Já outros notáveis da política externa parecem bastante orgulhosos.
Robert Kagan, author and long-time intellectual architect of an interventionism that seeks to impose a neo-conservative agenda upon the world, by any means necessary, has declared that the United States must refuse to abide by certain international conventions, like the international criminal court and the Kyoto accord on global warming. The US, he says, “must support arms control, but not always for itself. It must live by a double standard.” 10
Robert Kagan, autor e de longa data arquiteto intelectual de um intervencionismo que procura impor programa neoconservador ao mundo, absolutamente necessário, declarou que os Estados Unidos têm de recusar-se a pautar-se por certas convenções internacionais, como o tribunal criminal internacional e o acordo de Kyoto acerca do aquecimento global. Os Estados Unidos, diz ele, “precisam apoiar o controle de armas, mas nem sempre para si próprios. Precisam pautar-se por dois pesos e duas medidas.” 10
And then we have Robert Cooper, a senior British diplomat who was an advisor to Prime Minister Tony Blair during the Iraq war. Cooper wrote:
E então temos Robert Cooper, diplomata britânico sênior que foi assessor do Primeiro-Ministro Tony Blair durante a guerra do Iraque. Cooper escreveu:
The challenge to the postmodern world is to get used to the idea of double standards. Among ourselves, we operate on the basis of laws and open cooperative security. But when dealing with more old-fashioned kinds of states outside the postmodern continent of Europe, we need to revert to the rougher methods of an earlier era – force, pre-emptive attack, deception, whatever is necessary to deal with those who still live in the nineteenth century world of every state for itself. 11
O desafio para o mundo pós-moderno é acostumar-se com a ideia de dois pesos e duas medidas. Entre nós, funcionamos na base de leis e de segurança cooperativa aberta. Quando, porém, lidando com tipos de estados arcaicos fora do continente pós-moderno da Europa, precisamos reverter aos métodos mais ásperos de uma era anterior – força, ataque preventivo, embuste, o que for necessário para lidar com aqueles que ainda vivem no mundo do século dezenove de cada estado por si próprio. 11
His expression, “every state for itself”, can be better understood as any state not willing to accede to the agenda of the American Empire and the school bully’s best friend in London.
A expressão dele, “cada estado por si próprio”, pode melhor ser entendida como qualquer estado não disposto a aceder ao programa do Império Estadunidense e ao melhor amigo dele, o bully escolar em Londres.
So there we have it. The double standard is in. The Golden Rule of “do unto others as you would have others do unto you” is out.
Pois é isso aí. Os dois pesos e duas medidas é que estão valendo. A Regra de Ouro do “faça aos outros o que deseja que façam a você” não vale.
The imperial mafia, and their court intellectuals like Kagan and Cooper, have a difficult time selling their world vision on the basis of legal, moral, ethical or fairness standards. Thus it is that they simply decide that they’re not bound by such standards.
A máfia imperial, e sua corte de intelectuais como Kagan e Cooper, teriam de pular miudinho para vender sua visão de mundo com base em padrões legais, morais, éticos ou de equidade. Assim, eles simplesmente decidem não estar sujeitos a tais padrões.
Notes
Notas
1. White House Press Briefing, July 18, 2013
2. Washington Post, June 23, 2013
3. Reuters news agency, July 2, 2013
4. RT television (Russia Today), July 19, 2013, citing a Spanish ABC media outlet
5. White House press release, June 29, 2013
6. William Blum, Rogue State: A Guide to the World’s Only Superpower, chapter 23
7. Reuters, July 22, 2013
8. Los Angeles Times, May 5, 2004
9. Washington Post, April 17, 2007
10. Hoover Institute, Stanford University, Policy Review, June 1, 2002
11. The Observer (UK), April 7, 2002

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