Monday, August 12, 2013

C4SS - The Futility of State-Directed “Market Reform”: Privatization


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Commentary
Comentário

The Futility of State-Directed “Market Reform”: Privatization

A Futilidade da “Reforma de Mercado” Dirigida pelo Governo: Privatização
Kevin Carson | August 5th, 2013
Kevin Carson | 5 de agosto de 2013
If there’s one thing the libertarian establishment — that is, mainstream libertarian organizations whose main activity is lobbying the state for “free market reform” — loves, it’s so-called “privatization.” An article by Paul Buchheit at Truth-out.com (“Eight Ways Privatization has Failed America,” Aug. 5) treats the failure of privatization as a reflection on the limits of “the free market system.” But the examples he lists — water and electric utilities, prisons, “free market healthcare,” etc. — make it pretty clear it’s only “free market” insofar as it involves corporate profit and the cash nexus.
Se há coisa que o establishment libertário — isto é, organizações libertárias da corrente majoritária cuja principal atividade é fazer lobby junto ao estado em favor de “reforma de livre mercado” — adora, é a assim chamada “privatização.” Artigo de Paul Buchheit em Truth-out.com (“Oito Maneiras pelas Quais a Privatização Não Deu o que os Estados Unidos Precisavam” 5 de agosto) trata o fracasso da privatização como reflexo dos limites do “sistema de livre mercado.” Os exemplos que ele relaciona, porém — serviços públicos de água e eletricidade, prisões, “cuidados de saúde via livre mercado,” etc. — deixam bastante claro tratar-se de “livre mercado” só na medida em que envolve lucro corporativo e nexo de caixa.
To understand why, we need to see the state for what it is. Those of us on the free market Left view the state, in its essence, as a coercive instrument of ruling class power. The economic means to wealth — production, peaceful exchange, voluntary cooperation, sharing and gifting — are positive-sum. Everyone benefits. The state, on the other hand, is the political means to wealth, by which a coalition of ruling classes uses force to extract rents from everyone else.
Para entender por que, precisamos ver o estado tal como realmente é. Aqueles de nós da Esquerda de livre mercado vemos o estado, em sua essência, como instrumento coercitivo do poder da classe dominante. Os meios econômicos conducentes à riqueza — produção, troca pacífica, cooperação voluntária, compartilhamento e doação — geram saldo positivo. O estado, por outro lado, é o meio político conducente à riqueza por intermédio do qual uma coalizão de classes dominantes usa a força para extrair renda de todo mundo mais.
The earliest states were instruments by which kings, nobles and priests extracted tribute from the peasantry. In medieval times, the state was a tool mainly of the landed interests. In the early days of the capitalist era, it served the interests of  great landlords engaged in capitalist agriculture,  mercantile interests, and the alliance between mining, arms manufacture and the absolute monarchy. As the capitalist era developed, industrial capitalists joined the class alliance in control of the state, followed later by finance capitalists and the owners of “intellectual property.”
Os primeiros estados eram instrumentos por meio dos quais reis, nobres e padres extraíam tributo do campesinato. Nos tempos medievais, o estado era uma ferramenta principalmente dos interesses dos latifundiários. Nos primeiros dias da era capitalista, ele serviu aos interesses de grandes proprietários de terras engajados em agricultura capitalista, interesses mercantis e aliança entre mineração, manufatura de armas e monarquia absoluta. À medida que a era capitalista se desenvolvia, os capitalistas industriais juntaram-se à aliança da classe controladora do estado, seguidos mais tarde pelos capitalistas da finança e dos donos de “propriedade intelectual.”
Regardless of the ideological trappings it adopts, the primary beneficiaries of the state’s policies will be the economic classes that control it. This was true in the Progressive Era and New Deal: Although the policies of those eras were packaged as populist or pro-worker, the main political forces behind them were large corporate interests. And it’s just as true today of the kinds of “free market reform” we see pushed by the Heritage Foundation, the American Enterprise Institute and the American Legislative Exchange Council.
Independentemente dos trajes ideológicos que adotem, as principais beneficiárias das políticas do estado serão as classes econômicas que o controlam. Isso foi verdade na Era Progressista e no Novo Pacto: Embora as políticas daquelas eras fossem apresentadas como populistas e favoráveis ao trabalhador, as principais forças políticas por trás delas eram os grandes interesses corporativos. E é igualmente verdade hoje dos tipos de “reforma de livre mercado” que vemos promovidos pela Heritage Foundation, pelo American Enterprise Institute e pelo American Legislative Exchange Council.
That’s especially true of so-called “privatization.” Here’s how that typically works: You start with an infrastructure built at taxpayer expense. The state “privatizes” it by selling it off to a nominally private corporation, on terms basically set by the corporation behind the scenes. Those terms usually include an expenditure of taxpayer money (often in excess of proceeds from the sale) to upgrade the infrastructure and make it saleable; some sort of guarantee of profits to, or restriction on competition against, the privatized entity; and a large-scale asset-stripping and hollowing out after the sale takes place.
Isso é especialmente verdade da assim chamada “privatização.” Eis aqui como normalmente ela funciona: Você começa com uma infraestrutura construída à custa do contribuinte. O estado a “privatiza” mediante vendê-la para corporação nominalmente privada, em termos basicamente estabelecidos pela corporação nos bastidores. Esses termos usualmente incluem gasto de dinheiro do contribuinte (amiúde acima do valor da venda) para aprimorar a infraestrutura e torná-la vendável; uma espécie de garantia de lucros para, ou restrição à competição contra, a entidade privatizada; e uma evisceração de ativos e esvaziamento em larga escala depois da venda ser concretizada.
I say “so-called” privatization because a “private” entity which exists in a web of state protections and whose profits are guaranteed by the state is really just a branch of the state. The only difference between a “public service” performed directly by the state’s own employees, and one performed by a “private” corporation paid with taxpayer money, is that the cost of the latter includes a parasitic layer of shareholders and corporate managers.
Digo “assim chamada” privatização porque uma entidade “privada” que existe numa teia de proteções do estado e cujos lucros são garantidos pelo estado é em realidade uma filial do estado. A única diferença entre um “serviço público” prestado diretamente pelos próprios empregados do estado e um prestado por uma corporação “privada” paga com dinheiro do contribuinte é que o custo desta última inclui uma camada parasitária de acionistas e gerentes corporativos.
For example, the Corrections Corporation of America buys public prisons — in return for which they only ask the state to guarantee they will be kept 90 percent full for twenty years. “Privatizing” water utilities means the government — when all costs are accounted for — practically pays a corporation to take the water system off its hands, the new corporate owner strips and sells off everything that’s not nailed down, and then the customers get gouged.
Por exemplo, a Corporação de Correções dos Estados Unidos compra prisões públicas — em troca do que apenas pede ao estado para garantir que elas terão índice de ocupação de 90 por cento durante vinte anos. “Privatizar” serviços públicos de água significa que o governo — quando levados em consideração todos os custos — praticamente paga uma corporação para tirar o sistema de água de suas mãos; o novo dono corporativo eviscera e vende tudo o que pode ser removido, e em seguida os consumidores são extorquidos.
This is what the right-wing “free market” think tanks mean by “market reform.” But it’s delusional to expect anything else, no matter how much they throw around the term “free market.” It’s just as foolish to expect genuine “free market reform” from right-wing capitalists as it is to expect genuine pro-worker policies from left-wing capitalists. Trying to promote free markets or help the exploited classes through the state is like doing origami with a hammer.
Isso é o que os centros direitistas de “livre mercado” querem dizer com “reforma de mercado.” É porém ilusão esperar qualquer coisa diferente, por mais que eles recorram à expressão “livre mercado.” É tão insensato esperar geunína “reforma de livre mercado” de capitalistas da direita quanto esperar políticas genuínas favoráveis ao trabalhador de capitalistas de esquerda. Tentar promover livres mercados ou ajudar as classes exploradas por meio do estado é como fazer origami com martelo.
In most cases the only legitimate way to privatize government property is to look behind all the mystical nonsense about government, and treat it as the property of those who are actually using it to provide services or those who consume those services. That means government-owned factories and farms become worker cooperatives, and government-owned utilities become consumer co-ops owned by the rate-payers.
Na maioria dos casos o único modo legítimo de privatizar propriedade do governo é olhar por trás de toda a insensatez mística acerca do governo, e tratá-lo como propriedade daqueles que em realidade o usam para proporcionar serviços, ou daqueles que consomem esses serviços. Isso significa as fábricas e fazendas de propriedade do governo tornarem-se cooperativas de trabalhadores, e empresas de serviços públicos do governo tornarem-se cooperativas de consumidores de propriedade dos que pagam pelos respectivos serviços.
The last major head of state to propose privatization on that model was Mikhail Gorbachev, who was deposed by a conveniently timed coup that eventually brought Boris Yeltsin to power — followed by the selling-off of the state economy, under Jeffrey Sachs’ supervision, to the kleptocracy. In other words, don’t hold your breath waiting for genuine market reform from the state.
O último chefe de estado importante a propor privatização segundo esse modelo foi Mikhail Gorbachev, deposto por golpe convenientemente cronogramado que finalmente levou Boris Yeltsin ao poder — seguido pela venda da economia do estado, sob a supervisão de Jeffrey Sachs, à cleptocracia. Em outras palavras, não prenda a respiração à espera de reforma genuína de mercado oriunda do estado.

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