Thursday, July 25, 2013

C4SS - Taking Power With or Without Chris Hedges



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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade sem Estado
A Left Market Anarchist Think Tank and Media Center
Centro de Políticas e de Mídia Esquerdista Anaquista de Mercado
Taking Power With or Without Chris Hedges
Tomada do Poder Com ou Sem Chris Hedges
Sebastian A.B. | July 21st, 2013
Sebastian A.B. | 21 de julho de 2013
Power is not to be conquered, it is to be destroyed. It is tyrannical by nature, whether exercised by a king, a dictator or an elected president. The only difference with the parliamentarian ‘democracy’ is that the modern slave has the illusion of choosing the master he will obey. The vote has made him an accomplice to the tyranny that oppresses him. He is not a slave because masters exist; masters exist because he elects to remain a slave. -Jean Francois Brient
O poder não é para ser conquistado, é para ser destruído. Ele é, por natureza, tirânico, seja exercido por rei, ditador ou presidente eleito. A única diferença da ‘democracia’ parlamentarista é o escravo moderno ter a ilusão de escolher o senhor a quem obedecerá. O voto torna-o cúmplice da tirania que o oprime. Ele não é escravo pelo fato de existirem senhores; os senhores existem porque ele escolhe continuar sendo escravo. -Jean Francois Brient
The great journalist Chris Hedges is no sycophant of power. Unlike the court-intellectuals David Brooks or Thomas Freedman, Hedges speaks iconoclastic truth to the most powerful empire of lies on the planet.
O grande jornalista Chris Hedges não é bajulador do poder. Diferentemente dos intelectuais da corte David Brooks ou Thomas Freedman, Hedges fala verdade iconoclasta ao mais poderoso império de mentiras do planeta.
Hedges has risked his life reporting throughout the Middle East, Serbia, East Germany, and most recently he has explored the deepest pockets of poverty within the United States in his book (written with Joe Sacco) Days of Destruction, Days of Revolt. He has drawn great scorn from the establishment, an heir to Chomsky, criticizing Israeli apartheid in Palestine and US imperialism in the Middle East. He is also a champion of whistleblowers, supporting Bradley Manning and Edward Snowden, calling such sources the “lifeblood of journalism.”
Hedges já arriscou a vida fazendo reportagens em todo o Oriente Médio, Sérvia, Alemanha Oriental e, mais recentemente, explorou os mais fundos bolsões de pobreza dentro dos Estados Unidos em seu livro (escrito juntamente com Joe Sacco) Dias de Destruição, Dias de Revolta. Ele tem despertado grande escárnio do establishment, herdeiro de Chomsky, criticando o apartheid israelense na Palestina e o imperialismo dos Estados Unidos no Oriente Médio. É também líder de denunciantes, apoiando Bradley Manning e Edward Snowden, chamando tais fontes de “o fluido vital do jornalismo.”
Hedges, Noam Chomsky, Daniel Ellsberg and others have recently won a lawsuit against the Obama administration over the National Defense Authorization Act, which according to the judge Katherine B. Forrest, enables the government to carry out a repeat of Japanese internment by stripping US subjects of their (illusory to begin with) “rights,” which are really temporary privileges.
Hedges, Noam Chomsky, Daniel Ellsberg e outros recentemente ganharam processo contra a administração Obama a propósito da Lei de Autorização de Defesa Nacional a qual, de acordo com a juíza Katherine B. Forrest, autoriza o governo a levar a efeito repetição do internamento japonês ao destituir os súditos dos Estados Unidos de seus “direitos” (para começo de conversa, ilusórios) os quais são, em realidade, privilégios temporários.
Again, Hedges is no pansy when it comes to speaking truth to power, and risking his own life and reputation in the name of justice. But his political philosophy appears a bit conflicted.
Repetindo, Hedges não é nenhuma florzinha quando se trata de dizer a verdade ao poder, e de arriscar a própria vida e reputação em nome da justiça. A filosofia política dele, contudo, parece um tanto conflitiva.
In a recent interview on The Real News with Paul Jay, Hedges makes a seemingly radical argument about the appropriate relationship between the people and the monopoly on violence under which they live: In light of the fascist marriage of the Democratic and Republican party, who squabble over the details in the blueprint for corporation-state oppression, Hedges advocates a tactic of mass popular uprising, to keep the power elite afraid of the people.
Em recente entrevista a The Real News com Paul Jay, Hedges desenvolve argumentação aparentemente radical acerca do relacionamento adequado entre o povo e o monopólio da violência sob o qual as pessoas vivem: à luz do casamento fascista entre os partidos Democrático e Republicano, que disputam acerca de detalhes do plano de opressão corporação-estado, Hedges defende tática de levante popular maciço, para manter a elite do poder com medo do povo.
“…[W]e as citizens have through the traditional structures of power been left powerless to respond. The only hope left is to get out in the street and build the kind of mass movements that I saw in countries like East Germany, where you had half a million people showing up in Alexanderplatz in East Berlin or half a million people showing up in the streets of Prague in Wenceslas Square during the Velvet Revolution, which I also covered.
“…[N]ós enquanto cidadãos temos sido deixados, por meio das estruturas tradicionais do poder, impotentes para reagir. A única esperança deixada é sair às ruas e construir o tipo de movimento de massa que vi em países como Alemanha Oriental, onde meio milhão de pessoas convergiu para a  Alexanderplatz em Berlim Oriental, ou como quando meio milhão de pessoas reuniu-se nas ruas de Praga na Praça Wenceslau durante a Revolução de Veludo, que também cobri.
I’m not naive enough to tell you it’s going to work, but appealing to the better nature of the Democratic Party, I can assure you is not going to work.
Não sou ingênuo a ponto de dizer que funcionará, mas posso assegurar a você que apelar para o que o Partido Democrático tem de melhor não funcionará.
JAY: But doesn’t this mass movement need some kind of electoral strategy? Otherwise you wind up in a situation, don’t you, like what happened in Egypt, where Mubarak falls but there is no electoral strategy of the left in any place, so it’s the Muslim Brotherhood that winds up–. [Author: Yes, controlling the state, you were going to say.]
JAY: Esse movimento de massa, porém, não precisaria de algum tipo de estratégia eleitoral? De outra forma você terminará numa situação, não é, semelhante àquela do Egito, onde Mubarak cai mas não há estratégia eleitoral da esquerda em parte alguma, e portanto é a Irmandade Muçulmana que acaba–. [Autor: Sim, controlando o estado, você ia dizer.]
HEDGES: No. I’ve covered totalitarian states all over the world, and they all have elections.
HEDGES: Não. Cobri estados totalitários por todo o mundo, e todos eles têm eleições.
JAY: No I didn’t–I said doesn’t it need an electoral strategy.
JAY: Não, eu não disse – eu disse se não é necessária uma estratégia eleitoral.
HEDGES: I’m not sure that it does. I think that the problem is–you know, and Karl Popper writes this in The Open Society and Its Enemies. He said the question is not how do you get good people to rule. Popper says that’s the wrong question. Most people, Popper writes, attracted to power are at best mediocre, which is Obama, or venal, which is Bush.
HEDGES: Não tenho certeza. Creio que o problema é – você sabe, e Karl Popper escreve isso em A Sociedade Aberta e os Inimigos Dela. Ele diz que a pergunta não diz respeito a como fazer com que pessoas boas governem. Popper diz que essa é a pergunta errada. A maioria de pessoas atraída pelo poder, escreve Popper, é, na melhor das hipóteses, medíocre, como Obama, ou venal, como Bush.
The question is: how do you make the power elite frightened of you? Who was the last liberal president we had? It was Richard Nixon–not because he was a liberal, but because he was frightened of movements. And there’s a scene–I think it’s in Kissinger’s memoirs, 1971, huge antiwar demonstration surrounding the White House, and Nixon has put empty buses, city buses end-to-end as a kind of barricade, and he’s standing at the window wringing his hands, going, Henry, they’re going to break through the barricades and get us.
A pergunta é: como fazer a elite no poder temer você? Quem foi o último presidente liberal que tivemos? Foi Richard Nixon – não por ser liberal, mas por temer movimentos. E eis uma cena – creio que está nas memórias de Kissinger, 1971, enorme manifestação contrária à guerra em redor da Casa Branca, e Nixon coloca ônibus vazios, ônibus urbanos um após o outro como espécie de barricada, e ele à janela torcendo as mãos, dizendo: Henry, eles vão romper a barricada e pegar-nos.
And that’s just where you want power, people in power to be. And that’s why Sarkozy, who was a cretin, was unable to do too much damage to France, because if you got up in France and told French university students that they were going to pay $50,000 a year to go to college, they’d shut the damn country down.”
E é aí mesmo que você deseja o poder, que estejam as pessoas no poder. E é por isso que Sarkozy, que era um cretino, não conseguiu causar grandes danos à França, porque se você acorda um dia na França e diz aos estudantes universitários franceses que eles terão de pagar $50.000 dólares por ano para frequentar a universidade, eles tirarão o maldito país de circulação.”
It sounds wonderfully insurrectionary, but in the very same interview Hedges applauds the incontestable, colossal power of the welfare state and advocates a strategy of taking power via the surrogate of the state.
Isso soa esplendidamente insurreicional, mas exatamente na mesma entrevista Hedges aplaude o poder incontestável e colossal do estado assistencialista e defende estratégia de tomada de poder via representação do estado.
How can Hedges have it both ways? How can he express skepticism toward Franz Oppenheimer’s political means and yet propose a more expansive state power as the solution?
Como consegue Hedges defender ambas as coisas? Como pode ele expressar ceticismo em relação aos meios políticos de Franz Oppenheimer e ao mesmo tempo propor poder mais expandido do estado como solução?
‘Civil government, so far as it is instituted for the security of property, is in reality instituted for the defense of the rich against the poor, or of those who have some property against those who have none at all.’ – Adam Smith
‘O governo civil, na medida em que instituído para segurança da propriedade, é na realidade instituído para defender os ricos dos pobres, ou aqueles que têm alguma propriedade daqueles que não a têm em absoluto.’ – Adam Smith
Why doesn’t Hedges, like Chomsky, recognize that the gang of criminals called the state, which attempts to retain a perceived-legitimate monopoly on the use of violence in a given territory (as defined by Max Weber), is ultimately an unnecessary evil? That it does more harm than good?
Por que Hedges, como Chomsky, não reconhece que a quadrilha de criminosos chamada o estado, que tenta reter monopólio percebido como legítimo do uso da violência em dado território (como definido por Max Weber), é em última análise mal desnecessário? Que faz mais mal do que bem?
Why doesn’t Hedges realize that free exchange is not the creator of his hollowed-out, poverty-stricken “sacrifice zones,” but state power buttressing the illegitimate claims of the capitalist class! Does the unfettered bazaar in Morocco or Thailand impoverish the buyers and sellers, or does the politically connected plantation owner, who crushes competition through the legal system?
Por que não entende Hedges que a livre troca não é a criadora de suas “zonas de sacrifício” esvaziadas, eivadas de pobreza, e sim o criador delas é o poder do estado dando força às reivindicações ilegítimas da classe capitalista! É o bazar livre de Marrocos ou da Tailândia que empobrece compradores e vendedores, ou é-o o dono de plantação com boas ligações políticas, que esmaga a competição por meio do sistema jurídico?
And most pressingly, hasn’t Hedges read Markets Not Capitalism?!
E, mais importante e urgenteme, será que Hedges não leu Mercados, Não Capitalismo?!
“The State represents violence in a concentrated and organized form. The individual has a soul, but as the State is a soulless machine, it can never be weaned from violence to which it owes its very existence.” -Gandhi
“O estado representa a violência em forma concentrada e organizada. O indivíduo tem alma; porém, como o estado é máquina sem alma, nunca poderá deixar de ter como parte intrínseca a violência, à qual deve sua própria existência.” -Gandhi
The Unfreedom of Party Politics
A Falta de Liberdade da Política Partidária
Direct action is an old standby of the libertarian and authoritarian left, the front line in the labor wars of the early twentieth century. But a state of perpetual revolt, where a constant vigilance is the price of liberty, is not optimal. The goal is not to have to worry about the state becoming tyrannical, ever, because there would not be a state.
Ação direta é velha presença de prontidão constante da esquerda libertária e da esquerda autoritária, linha de frente das guerras trabalhistas do início do século vinte. Entretanto, estado de revolta perpétua, onde vigilância constante é o preço da liberdade, não é situação ótima. A meta é não termos, definitivamente, de preocupar-nos com o estado tornar-se tirânico, pelo fato de não existir estado.
And while Hedges expresses skepticism about party politics, he speaks favorably of welfare states like Switzerland. Though a welfare state is preferable to a warfare state, both are ticking time bombs with varying fuse lengths.
E embora Hedges expresse ceticismo acerca de política partidária, fala favoravelmente de estados assistencialistas como a Suíça. Embora estado assistencialista seja preferível a estado beligerante, ambos são bombas de efeito retardado com diferentes comprimentos de fusível.
No matter how utopian a welfare state seems today, the existence of a dormant behemoth, capable of “giving” (stealing at gunpoint and then redistributing) the people everything they want is fully capable of taking everything they have, including their lives. The welfare state, with its established bureaucracy and high tax-theft rate, is always liable to devolve into a warfare state, or an internally oppressive force after an upwelling of fascist sentiment.
Por mais utópico que possa hoje parecer um estado assistencialista, a existência de um monstro latente, capaz de “dar” (roubar na ponta de cano de arma e em seguida redistribuir) às pessoas tudo o que elas queiram, é perfeitamente capaz de tomar tudo o que elas têm, inclusive as vidas delas. O estado assistencialista, com sua burocracia institucionalizada e alto índice de furto por meio de tributação, é sempre capaz de evoluir para estado beligerante, ou para força internamente opressora depois de algum afloramento de sentimento fascista.
Evident today with the fascist uprising throughout Europe, such liberal paradises as Sweden have witnessed the neo-fascist “Sweden Democratic” party win 11% in a poll last November. In Sweden, the grand state apparatus presently used to redistribute justice could soon be retooled as machine for mass brutality and repression.
É hoje evidente, com o levante fascista em toda a Europa, que paraísos liberais tais como a Suécia já assistiram ao partido neo-fascista “Suécia Democrática” ganhar 11% numa pesquisa em novembro último. Na Suécia, o grandioso aparato do estado atualmente usado para redistribuir justiça poderá cedo ser reinstrumentado como máquina para brutalidade e repressão em massa.
“Unfortunately, this problem is not limited to Sweden. The story of the Sweden Democrats is the story of contemporary Europe. In Hungary, the Hungarian Guard of the Jobbik party continues to persecute Jews and Romani people. In Greece, Golden Dawn assaults parliamentary politicians and destroys businesses owned by immigrants.
“Infelizmente, o problema não está limitado à Suécia. A história dos Democratas suecos é a história da Europa contemporânea. Na Hungria, a Guarda Húngara do partido Jobbik continua a perseguir judeus e ciganos. Na Grécia, a Alvorada Dourada agride políticos parlamentares e destrói empresas de propriedade de imigrantes.
In Coccaglio, Italy, the Lega Nord alliance announced a “White Christmas” during which police comb through neighborhoods in order to find immigrants without documents. In Norway, an outspoken supporter of the Sweden Democrats killed 77 people for their alleged “multiculturalism.” If the United States is progressing toward confronting its racist past, Europe seems to be spiraling deeper into the hideous pre-WWII cocktail of xenophobia and fascism. ” Daniel Strand, VICE, “The Iron Pipe of Swedish Neo-Fascism.”
Em Coccaglio, na Itália, a aliança Lega Nord anunciou “Natal Branco” durante o qual a polícia passa pente fino nos bairros a fim de encontrar imigrantes sem documentos. Na Noruega, partidário franco dos Democratas Suecos matou 77 pessoas pelo alegado “multiculturalismo” delas. Se os Estados Unidos estão progregindo rumo a confrontar seu passado racista, a Europa parece estar em espiral de aprofundamento do horrendo coquetel pré-Segunda Guerra Mundial de xenofobia e fascismo.” Daniel Strand, VICE, “A Tubagem de Ferro do Neofascismo Sueco.”
When asked in an interview when the present form of state-capitalism will collapse, and whether the aftermath will result in positive social change, Noam Chomsky said, “The most civilized part of the world, with the highest cultural standards 70 years ago was Germany. No more need be said.”
Quando indagado, em entrevista, quando a presente forma de capitalismo de estado entrará em colapso, e se a sequência resultará em mudança social positiva, Noam Chomsky disse: “A parte mais civilizada do mundo, com os mais elevados padrões culturais há 70 anos, era a Alemanha. Nada mais precisa ser dito.”
The 1920s bout of hyperinflation in Weimar Germany, brought about by a punitive indemnity forced upon the German people with the signing of the Treaty of Versailles, set the stage for the fascism in the ’30s. Today’s deepening global economic crisis (itself a premeditated $700B+ corporation-state heist of the tax-cattle cookie-jar) threatens to bring out the essential nature of temporarily net-benevolent European monopolies on violence, restoring states to their original and historical function:
O surto de hiperinflação dos anos 1920 na Alemanha de Weimar, causado por indenização forçada imposta ao povo alemão com a assinatura do Tratado de Versailles, criou as condições para o fascismo nos anos 1930. A crise econômica atual, que se aprofunda (ela própria premeditado roubo da corporação-estado de mais de $700 biliões do pote de biscoitos do rebanho tributário) ameaça fazer vir à tona a natureza essencial da temporariamente benévola rede de benefícios dos monopólios europeus da violência, restaurando a função original e histórica dos estados:
“The idea that the State originated to serve any kind of social purpose is completely ahistorical. It originated in conquest and confiscation—that is to say, in crime. It originated for the purpose of maintaining the division of society into an owning-and-exploiting class and a propertyless dependent class—that is, for a criminal purpose.” —Albert Jay Nock
“A ideia de que o estado surgiu para servir qualquer tipo de propósito social é completamente ahistórica. Ele surgiu em contexto de conquista e confisco —vale dizer, de crime. Surgiu para o propósito de manter a divisão da sociedade em uma classe proprietária e exploradora e uma classe dependente sem propriedade — isto é, para propósito criminoso.” —Albert Jay Nock
Hedges wishes to keep those in power afraid of the people. But why is it necessary to have rulers at all? Why can’t people (in the absence of state-conferred elite privilege, artificial scarcity, and the protection of illegitimately acquired property) voluntarily organize their own, decentralized institutions? (Actually, they already have, to great effect – worker cooperatives globally employ 20% more people than multinational corporations).
Hedges deseja manter aqueles no poder com medo do povo. Por que, contudo, é preciso, em absoluto, ter governantes? Por que não podem as pessoas (na ausência de privilégio de elite, escassez artificial e proteção de propriedade ilegitimamente adquirida conferidos pelo estado) organizarem voluntariamente suas próprias instituições descentralizadas? (Na verdade, elas já o fizeram, em grande maneira – as cooperativas de trabalhadores empregam 20% mais pessoas do que as corporações multinacionais).
Mass Mobilization 
Mobilização em Massa 
Anarchists don’t seek to work “within” the system — because people are suffering now and it is bourgeois to seek incremental, comfortable change while making ethical compromises with the established order. The statist tactic is to take power through the political system (which often results in co-optation and only rarely concessions like authentic welfare provisions that are inevitably exploited by corporations, like the Medicare Prescription Drug Act or agricultural subsidies for Monsanto). Hedges himself acknowledges that the welfare state is a concession designed to keep the overall capitalist architecture intact:
Os anarquistas não procuram trabalhar “dentro” do sistema — porque as pessoas estão sofrendo agora e é burguês procurar mudança incremental e confortável enquanto fazendo concessões éticas à ordem estabelecida. A tática estatista é tomar o poder por meio do sistema político (o que amiúde resulta em cooptação e apenas raramente em concessões tais como autênticas provisões assistencialistas, inevitavelmente exploradas por corporações, como a Lei de Receitas do Programa de Saúde para Idosos - Medicare ou subsídios agrícolas para a Monsanto). O próprio Hedges reconhece que o estado assistencialista é uma concessão projetada para manter intacta a arquitetura capitalista como um todo:
 ”I mean, Roosevelt was a compromise figure. You had the Communist Party, you had the Progressive Party, you had anarcho-syndicalist unions like the Wobblies, you had a radical left that was putting pressure [on him]. So Roosevelt says that his greatest achievement is that he saved capitalism. And he’s right. And most of the policies that he adopted he took from the left.”
 ”Quero dizer, Roosevelt foi uma figura de concessões. Havia o Partido Comunista, o Partido Progressista, organizações anarcossindicalistas como os Trabalhadores Industriais do Mundo - Wobblies, uma esquerda radical que fazia pressão [sobre ele]. Assim, Roosevelt diz que sua maior realização foi ter salvo o capitalismo. E está certo. E a maior parte das políticas que adotou ele as tomou da esquerda.”
The corporation state takes a dollar of labor from the masses and gives them back a mere fraction — breaking their legs and handing out crutches. We ought not to settle for the opiate of superficially redistributive justice — but cast off the chains that make such redistribution necessary in the first place!
O estado corporação toma um dólar de trabalho das massas e dá a estas mera fração — quebrando-lhes as pernas e doando-lhes muletas. Não deveríamos contentar-nos com o opiáceo da justiça superficialmente redistributiva — e sim antes de tudo lançar longe os grilhões que tornam tal redistribuição necessária!
“If employers can’t be trusted with power, how on earth can politicians and bureaucrats be so? The solution is to smash the structures of government-imposed privilege that put workers into a position of dependency on employers in the first place.” -Roderick T. Long, Bleeding Heart Libertarians, Libertarianism Means Worker Empowerment
“Se aos empregadores não se pode confiar o poder, como poderia ele ser confiado a políticos e a burocratas? A solução é despedaçar as estruturas do privilégio imposto pelo governo que coloca os trabalhadores em posição de dependência dos empregadores, antes de tudo.” -Roderick T. Long, Libertários Confrangidos, Libertarismo Significa Fortalecimento dos Trabalhadores
Even if we elected a modern Eugene Debs– who Hedges rightfully admires– power corrupts, and politicians who sound populist one day are revealed puppets of the power elite the next.
Mesmo que elegêssemos um moderno Eugene Debs – que Hedges com razão admira – o poder corrompe, e políticos que soam populistas num dia revelam-se títeres da elite de poder no dia seguinte.
The problem of faithful representation is yet another fault with the strategy of seeking to control state power, which, like nuclear energy, can be used for good but, like clockwork, when the inevitable meltdown/bombing takes place, risk appears to outweigh the benefits.
O problema da representação fiel é outra deficiência da estratégia de buscar controlar o poder do estado o qual, como a energia nuclear, pode ser usado para o bem mas, como nas engrenagens de relógio, quando o inevitável colapso ocorre, o risco parece superar os benefícios.
States, through the psuedo-racism of nationalism, regularly commit democide and there is no reason to believe this millennial trend will reverse any time soon.
Os estados, por meio do pseudorracismo do nacionalismo, cometem sistematicamente democídio e não há motivo para acreditar que essa tendência milenar será revertida em qualquer futuro próximo.
The other, libertarian strategy is to, in the words of radical labor group the Industrial Workers of the World, “build a new system within the shell of the old.” Rendering the old system obsolete — withdrawing consent in any way possible, and becoming antifragile to the inevitable blunders and institutionalized psychopathy of the corporation-state.
A outra estratégia libertária é, nas palavras do grupo trabalhista radical Trabalhadores Industriais do Mundo, “construir novo sistema dentro da concha do antigo.” Tornar o antigo sistema obsoleto — retirando consentimento de toda maneira possível, e tornando-se resistente às inevitáveis asneiras e à psicopatia institucionalizada do estado-corporação.
Worker cooperatives, polycentric legal orders, technologies of liberation, and mutual aid organizations are capable of accomplishing all the social good of states without the systematic violence and ever-present threat that psychopaths will steal everyone’s labor product, propagandize them with state-schooling and controlled media, and send them off to kill the poor subjects of another state.
As cooperativas de trabalhadores, ordens legais policêntricas, tecnologias de libertação, e organizações de ajuda mútua são capazes de conseguir todo o bem social dos estados sem a violência sistemática e a sempre presente ameaça de psicopatas que roubarão o produto do trabalho de todo mundo, farão propaganda utilizando a escola estatal e a mídia controlada pelo estado, e mandarão pessoas para matarem os pobres súditos de outro estado.
Democracy Without The Threat of Violence
Democracia Sem Ameaça de Violência
“Good people don’t need laws to tell them to act responsibly and bad people will find a way around the laws. ” – Plato 
“Pessoas boas não precisam de leis para dizer-lhes para agirem responsavelmente, e pessoas más encontrarão algum modo de contornar as leis. ” – Platão 
What happens in the vacuum of state power? Not chaos but peace. Communes, eco-villages and intentional communities are stateless — nobody goes hungry and disputes are resolved without bombs or embargoes. Zomia is stateless. The kibbutzim are stateless within a rather nasty state. The Paris Commune of 1871 was a rejection of statism. Against all odds, an effective libertarian socialist militia was raised against a well-funded fascist military during the Spanish Civil War of 1936-9, and under the control of the workers several agricultural and medical advancements were made.
O que acontece no vácuo do poder do estado? Não o caos, e sim a paz. Comunas, ecovilas e comunidades intencionais são isentas de estado — ninguém fica com fome, e disputas são resolvidas sem bombas ou embargos. Zomia não tem estado. Os kibbutzim são sem estado dentro de um estado bastante pernicioso. A Comuna de Paris de 1871 era uma rejeição do estatismo. Contra todas as probabilidades, uma milícia socialista libertária eficaz foi suscitada em contraste com uma instituição militar bem financiada durante a Guerra Civil Espanhola de 1936-9, e sob controle dos trabalhadores diversos progressos agrícolas e médicos foram feitos.
There are many examples of authentic democracy arising, like the Occupy movement’s organizational structure — and that is what really terrifies the state. But does anarchy, the absence of rulers, mean chaos and violence? Can any non-mechanized, localized violence ever compare to dropping nuclear bombs on cities full of innocent people? On the contrary, it appears when people take power directly, not through the surrogate of an elite statist class, peace and property ensue.
Há muitos exemplos de autêntica democracia surgindo, como a estrutura organizacional do movimento Occupy — e isso é o que realmente aterroriza o estado. Contudo, será que a anarquia, na ausência de governantes, significa caos e violência? Poderá qualquer violência não mecanizada, localizada, jamais comparar-se a jogar bombas nucleares em cidades cheias de pessoas inocentes? Pelo contrário; parece que, quando as pessoas assumem o poder diretamente, não por meio da representação de classe estatista de elite, seguem-se paz e propriedade.
“Anarchists take an entirely different view of the problems that authoritarian societies place within the framework of crime and punishment. A crime is the violation of a written law, and laws are imposed by elite bodies.
“Os anarquistas têm ponto de vista inteiramente diferente dos problemas que as sociedades autoritárias situam dentro do arcabouço de crime e punição. Crime é violação da lei escrita, e as leis são impostas por quadros da elite.
In the final instance, the question is not whether someone is hurting others but whether she is disobeying the orders of the elite. As a response to crime, punishment creates hierarchies of morality and power between the criminal and the dispensers of justice. It denies the criminal the resources he may need to reintegrate into the community and to stop hurting others.
No final das contas, a questão não é se alguém está ferindo outros, e sim se está desobedecendo às ordens da elite. Como reação ao crime, a punição cria hierarquias de moralidade e poder entre o criminoso e os dispensadores da justiça. Nega ao criminoso os recursos de que ele possa necessitar para reintegrar-se à comunidade e parar de ferir outrem.
In an empowered society, people do not need written laws; they have the power to determine whether someone is preventing them from fulfilling their needs, and can call on their peers for help resolving conflicts. In this view, the problem is not crime, but social harm — actions such as assault and drunk driving that actually hurt other people.
Numa sociedade dotada de poder, as pessoas não precisam de leis escritas; elas têm o poder de determinar se alguém as está impedindo de suprir suas necessidades, e podem conclamar seus pares para ajudarem-nas a resolver conflitos. Nessa abordagem, o problema não é o crime, e sim o dano social — ações tais como agressão e dirigir embriagado que realmente ferem outras pessoas.
This paradigm does away with the category of victimless crime, and reveals the absurdity of protecting the property rights of privileged people over the survival needs of others. The outrages typical of capitalist justice, such as arresting the hungry for stealing from the wealthy, would not be possible in a needs-based paradigm.
Esse paradigma acaba com a categoria de crime sem vítima, e revela a absurdidade de proteger os direitos de propriedade de pessoas privilegiadas acima da sobrevivência de outrem. Os ultrajes típicos da injustiça capitalista, tais como a prisão dos famintos por furtarem dos ricos, não seriam possíveis num paradigma baseado nas necessidades.
During the February 1919 general strike in Seattle, workers took over the city. Commercially, Seattle was shut down, but the workers did not allow it to fall into disarray. On the contrary, they kept all vital services running, but organized by the workers without the management of the bosses.
Na greve geral de fevereiro de 1919 em Seattle, os trabalhadores tomaram a cidade. Comercialmente, Seattle fechou, mas os trabalhadores não permitiram que descambasse em desorganização. Pelo contrário, mantiveram todos os serviços vitais em funcionamento, mas organizados pelos trabalhadores sem gerência dos patrões.
The workers were the ones running the city every other day of the year, anyway, and during the strike they proved that they knew how to conduct their work without managerial interference. They coordinated citywide organization through the General Strike Committee, made up of rank and file workers from every local union; the structure was similar to, and perhaps inspired by, the Paris Commune.
Os trabalhadores geriam a cidade dia sim dia não do ano, de qualquer modo, e durante a greve provaram que sabiam como conduzir seu trabalho sem interferência gerencial. Coordenaram organização de toda a cidade por meio da Comissão da Greve Geral, formada de trabalhadores comuns de todos os sindicatos locais; a estrutura era similar à da, e talvez inspirada pela, Comuna de Paris.
Union locals and specific groups of workers retained autonomy over their jobs without management or interference from the Committee or any other body. Workers were free to take initiative at the local level. Milk wagon drivers, for example, set up a neighborhood milk distribution system the bosses, restricted by profit motives, would never have allowed.
Sindicalizados locais e grupos específicos retiveram a autonomia de suas funções sem gerência ou interferência da Comissão ou de qualquer outra entidade. Os trabalhadores eram livres para iniciativas em nível local. Motoristas de veículos de entrega de leite, por exemplo, criaram sistema de distribuição de leite nos bairros que seus patrões, restringidos por motivos de lucro, nunca teriam permitido.
The striking workers collected the garbage, set up public cafeterias, distributed free food, and maintained fire department services. They also provided protection against anti-social behavior — robberies, assaults, murders, rapes: the crime wave authoritarians always forecast.
Os trabalhadores em greve coletavam o lixo, montaram bandejões públicos, distribuíam comida grátis, e mantinham serviços de corpo de bombeiros. Também proporcionavam proteção contra comportamento antissocial — roubos, agressões, assassínios, estupros: a onde de crimes que os autoritários sempre preveem.
A city guard comprised of unarmed military veterans walked the streets to keep watch and respond to calls for help, though they were authorized to use warnings and persuasion only. Aided by the feelings of solidarity that created a stronger social fabric during the strike, the volunteer guard were able to maintain a peaceful environment, accomplishing what the state itself could not.
Guarda urbana integrada por veteranos militares desarmados percorria as ruas para vigiá-las e responder a apelos de ajuda, embora autorizada a usar apenas advertências e persuasão. Ajudada pelos sentimentos de solidariedade que criaram tecido social mais forte durante a greve, a guarda voluntária manteve ambiente pacífico, logrando o que o estado ele próprio não conseguia fazer.
This context of solidarity, free food, and empowerment of the common person played a role in drying up crime at its source. Marginalized people gained opportunities for community involvement, decision-making, and social inclusion that were denied to them by the capitalist regime. The absence of the police, whose presence emphasizes class tensions and creates a hostile environment, may have actually decreased lower-class crime.
Esse contexto de solidariedade, comida grátis e poder da pessoa comum teve parte em conter o crime em sua fonte. Pessoas marginalizadas ganharam oportunidade para envolvimento na comunidade, na tomada de decisões, e para inclusão social que lhes eram negadas pelo regime capitalista. A ausência da polícia, cuja presença enfatiza tensões de classe e cria ambiente hostil, pode em verdade ter levado ao decréscimo do crime das classes mais baixas.
Even the authorities remarked on how organized the city was: Major General John F. Morrison, stationed in Seattle, claimed that he had never seen “a city so quiet and so orderly.” The strike was ultimately shut down by the invasion of thousands of troops and police deputies, coupled with pressure from the union leadership.
Até as autoridades mencionaram o quanto a cidade estava organizada: o Major General John F. Morrison, acantoado em Seattle, afirmou nunca haver visto antes “cidade tão quieta e ordeira.” A greve foi por fim debelada por meio de invasão por parte de milhares de soldados e autoridades policiais, juntamente com pressão da liderança sindical.
In Oaxaca City in 2006, during the five months of autonomy at the height of the revolt, the APPO, the popular assembly organized by the striking teachers and other activists to coordinate their resistance and organize life in Oaxaca City, established a volunteer watch that helped keep things peaceful in especially violent and divisive circumstances. For their part, the police and paramilitaries killed over ten people — this was the only bloodbath in the absence of state power.” (115-117, Anarchy Works (PDF), Paul Gelderloos)
Na Cidade de Oaxaca, em 2006, durante os cinco meses de autonomia no pico da revolta, a APPO, a assembleia popular organizada pelos professores em greve e outros ativistas para coordenar sua resistência e organizar a vida na Cidade de Oaxaca, criou vigilância voluntária que ajudou a manter as coisas pacíficas em circunstâncias especialmente violentas e divisivas. De sua parte a polícia e paramilitares mataram mais de dez pessoas — esse foi o único derramamento de sangue na ausência do poder do estado.” (115-117, A Anarquia Funciona (PDF), Paul Gelderloos)
Hedges should heed his Occupy comrade, the great anarchist anthropologist David Graeber, when he writes
Hedges deveria prestar atenção a seu companheiro de Occupy, o grande antropólogo anarquista David Graeber, ao ele escrever:
“The theory of exodus proposes that the most effective way of opposing capitalism and the liberal state is not through direct confrontation but by means of what Paolo Virno has called ‘engaged withdrawal,’ mass defection by those wishing to create new forms of community.
“A teoria do êxodo propõe que o modo mais eficaz de opor-se ao capitalismo e ao estado liberal não é o confronto direto, e sim o meio que Paolo Virno chamou de ‘retirada engajada,’ defecção em massa por parte daqueles que desejam criar novas formas de comunidade.
One need only glance at the historical record to confirm that most successful forms of popular resistance have taken precisely this form. They have not involved challenging power head on (this usually leads to being slaughtered, or if not, turning into some—often even uglier—variant of the very thing one first challenged) but from one or another strategy of slipping away from its grasp, from flight, desertion, the founding of new communities.” (60-61) Fragments of an Anarchist Anthropology
Basta vislumbre do registro histórico para confirmar que as mais bem-sucedidas formas de resistência popular tomaram precisamente essa forma. Não envolveram confrontar o poder de frente (isso usualmente leva a ser chacinado ou, se não, em tornar-se alguma — amiúde ainda mais execrável — variante exatamente da coisa antes confrontada), e sim uma ou outra estratégia de escorregar de sua prensa, por meio de fuga, deserção, fundação de novas comunidades.” (60-61) Fragmentos de Antropologia Anarquista.


1 comment:

  1. Thank you very much for the translation.

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