Tuesday, July 23, 2013

C4SS - Passing Over Eisenhower



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Passing Over Eisenhower
Eisenhower Preterido
Smari McCarthy | July 18th, 2013
Smari McCarthy | 18 de julho de 2013
The Internet industries of America may just have inadvertently had their hats handed to them by the military industrial complex. Now it’s up to Europe to provide an alternative to the surveillance state.
As indústrias de internet nos Estados Unidos podem ter acabado de inadvertidamente ter recebido bilhete azul pelo complexo industrial militar. Agora compete à Europa oferecer alternativa para o estado abelhudo.
Almost all of the major Internet industry giants are based in the United States. The reasons for this are historical and economical. The tradition of strong entrepreneurship practiced in the US since their inception, mixed with their purchasing power and history of acquiring any sufficiently profitable venture or fascinating technology from abroad, has put the US into a prime position to be the global leader in provision of Internet services.
Quase todos os principais gigantes da indústria de internet estão sediados nos Estados Unidos. Os motivos são históricos e econômicos. A tradição de forte empreendedorismo praticado nos Estados Unidos desde o início do país, mesclada com poder de compra e histórico de adquirir qualquer empresa suficientemente lucrativa ou tecnologia atraente do exterior colocou os Estados Unidos em posição de supremacia para ser o líder mundial no fornecimento de serviços de internet.
That may just have ended. While US dominance over the roughly $11 trillion/year global Internet services market is still unchallenged, the damage that the revelations made about NSA’s vast global surveillance scheme may stymie their growth and perhaps even turn them into a localized recession in coming months and years.
Pode ser que isso tenha acabado de terminar. Embora o predomínio dos Estados Unidos sobre o mercado global de serviços de internet, de aproximadamente $11 triliões de dólares por ano, permaneça sem rival, o dano causado pelas revelações feitas acerca do vasto esquema de escuta global da NSA poderá tolher seu crescimento e talvez até levar a recessão localizada nos meses e anos vindouros.
The reason for this is Europe. While some Europeans are becoming increasingly comfortable with the notion of living in a surveillance state, most people on the European mainland still grow up hearing stories of totalitarian dictatorships, wars, genocides, and the Holocaust, and have a natural inclination to detest the notion of secret police. As more is learned of the US’s secret spying games - aided in part, it seems, by their English counterparts – outrage boils thickly in countries like France and Germany, where despite highly open and inclusive societies in some senses, the notions of privacy as practiced in the United States have often been thought of as quaint. While modern discourse on privacy is dominated by the philosophical foundations of the 4th Amendment, a slightly different, somewhat more subtle understanding of privacy reigns in European discourse, with an annoyingly elusive definition.
O motivo disso é a Europa. Embora alguns europeus estejam sentindo-se cada vez mais confortáveis com a noção de viverem num estado abelhudo, a maioria das pessoas do continente europeu ainda cresceu ouvindo histórias de ditaduras totalitárias, guerras, genocídios e o Holocausto, e tem natural inclinação para detestar a noção de polícia secreta. À medida que mais é sabido acerca dos jogos secretos de espionagem dos Estados Unidos - auxiliados em parte, parece, por suas contrapartes inglesas – indignação ferve intensamente em países como França e Alemanha, onde a despeito de sociedades altamente abertas e intrometidas sob alguns aspectos, as noções de privacidade, tais como praticadas nos Estados Unidos, têm amiude sido consideradas graciosamente antiquadas. Embora o moderno discurso acerca de privacidade seja dominado pelos fundamentos filosóficos da 4a. Emenda, entendimento ligeiramente diverso, de certo modo mais sutil, da privacidade domina o discurso europeu, com definição desconfortavelmente difícil de apreender.
Over coming months and years, the US government’s betrayal of the people of the world will spur a new industry in Europe, not aimed necessarily at pure technological innovation, but rather simply creating secure, privacy-respecting alternatives to the software services provided by the US based companies that can no longer be trusted. We will see Czech and Hungarian startups bringing out new search engines and Croatian and Polish companies developing secure e-mail services. We’ll undoubtedly see  surveillance-resistant chat software coming out of Austria and global map databases being developed in Estonia. Or something like that.
Nos meses e anos vindouros, a traição dos povos do mundo pelo governo dos Estados Unidos esporeará nova indústria na Europa, não necessariamente assestada para pura inovação tecnológica mas, antes, simplesmente criando alternativas seguras e respeitadoras da privacidade a serviços de software oferecidos por empresas sediadas nos Estados Unidos, não mais dignas de confiança. Veremos as novas empresas tchecas e húngaras criando novas máquinas de pesquisa e empresas croatas e polonesas desenvolvendo serviços de email seguros. Indubitavelmente veremos software de bate-papo resistente a escuta vindo da Áustria e bases de dados de mapa global sendo desenvolvidas na Estônia. Ou algo da espécie.
This is not to say that Europe is ready to take on such a massive task. There is a lot of soul-searching that needs to happen, both culturally and politically in Europe: while privacy is a shared value in most of the continent’s corners, due to the lingering fear of a return to totalitarianism – fueled in no small part by the ascension of the likes of Hungarian prime minister Viktor Orbán to power – there is still a phantom of apprehension in the interactions between the tribes that make up Europe that seems to foreshadow balkanization. On top of this we have a schizophrenic political class that speaks of free trade one minute and restrictions the next, amongst whom are those who get raging hard-ons at the merest mention of censoring pornography or anything else they find offensive or overly stimulating.
Não quer dizer que a Europa esteja pronta para empreender tal tarefa colossal. Há muita definição de valores que precisa acontecer, tanto cultural quanto politicamente, na Europa: embora a privacidade seja valor compartilhado na maior parte dos cantos do continente, por causa do duradouro temor de retorno ao totalitarismo – incentivado em não pequena parte pela ascensão de pessoas como o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán ao poder – há ainda um fantasma de apreensão nas interações entre as tribos que formam a Europa que parece augurar balcanização. Além disso há classe política esquizofrênica que fala de livre comércio em um minuto e de restrições no seguinte, em meio à qual estão aqueles que entram em robusta ereção à mera menção de censura da pornografia ou qualquer outra coisa que considerem ofensivo ou excessivamente estimulante.
That said, this may well turn out to be Europe’s decade in tech, and all because the United States failed to heed an important and timeless warning: “We must guard against the acquisition of unwarranted influence, whether sought or unsought, by the military industrial complex.” Eisenhower’s parting words to a nation being enveloped in a cold war were colder still, as a man who had seen a beast grow out of hand during his years in office was urgently pointing at the writing on the wall. But the years passed and the beast grew – premonitions turning to loathsome misery with each passing President who failed to stop the surveillance state.
Dito isso, bem poderá ocorrer a década da Europa em tecnologia, e tudo por os Estados Unidos terem fracassado em ouvir advertência importante e atemporal: “Precisamos impedir aquisição de influência não justificável, deliberada ou não, da parte do complexo industrial-militar.” As palavras de despedida de Eisenhower a uma nação em processo de ser envolvida numa guerra fria foram ainda mais frias, visto que um homem que havia visto uma besta crescer durante seus anos no cargo estava urgentemente apontando para a escrita na parede. Os anos, porém, passaram-se e a besta cresceu – as premonições transformando-se em repulsiva miséria com cada Presidente passante que fracassava em deter o estado abelhudo.
And now, the military-industrial complex may have destroyed the US’s Internet-industrial complex.
E, agora, o complexo industrial-militar pode ter destruído o complexo industrial-internet dos Estados Unidos.
Just as the last two thirds of humanity are preparing to transition into cyberspace, the NSA’s actions have revealed it to be far more of a Wild West than any government feels comfortable admitting. The rule of law breaks down really fast when there’s no clear monopoly on the legitimate use of violence. There are few acts as violent as stealing everybody’s secrets. Almost two hundred countries are screaming for legitimacy, but the one that stayed the most silent – except when berating, say, Iran, for not respecting “Internet freedom” – was the one whose legitimacy had already been eradicated by their violations of the values upon which their country was founded.
Logo quando os últimos dois terços da humanidade preparam-se para transição para o ciberespaço, as ações da NSA revelaram-se muito mais Oeste Bravio do que qualquer governo se sente confortável em admitir. O império da lei desmorona-se realmente rápido quando não há claro monopólio do uso legítimo da violência. Poucos atos há tão violentos quanto furtar os segredos de todo mundo. Quase duzentos países estão clamando por legitimidade, mas o que permaneceu mais silente – exceto quando verberando, digamos, o Irã, por não respeitar a “liberdade da internet” – foi aquele cuja legitimidade já havia sido erradicada por suas violações dos valores em cima dos quais o país foi fundado.
Passing over Eisenhower may have been the death-knell for American democracy, but it’s exposure may sound the beginning of a new era of human rights. Those coming online for the first time a few years or decades from now may be faced with a world altogether different from the one we now live in, perhaps partly in that they will have a choice between the monitored networks of Oceania or the liberal cryptarchies of Eurasia. The market will undoubtedly have its say in what happens after that.
Preterir Eisenhower bem pode ter sido o dobre fúnebre da democracia estadunidense, mas o desmascaramento pode soar o início de nova era de direitos humanos. Aqueles que vierem online pela primeira vez daqui a poucos anos ou décadas bem poderão deparar-se com mundo completamente diferente daquele no qual vivemos, talvez parcialmente por terem escolha entre as redes monitoradas de Oceania ou a criptarquias liberais da Eurásia. O mercado indubitavelmente terá voz no que acontecerá depois disso.
For now though, there is a plan emerging. The hackers and the human rights activists, the net-freedom-blah people and the technophiles have been awakening from the post-Arab spring burnout and remembering the things that need to be done to prevent the next Mubarek. Better, simpler, more usable cryptography. Peer-to-peer, verifiable, anonymous monetary systems and democratic decision making systems. Secure communications and full transparency within governance.
Por ora, entanto, há um plano surgindo. Os hackers e os ativistas de direitos humanos, as pessoas partidárias da liberdade na rede e quejandos e os tecnófilos vêm-se despertando do esmorecimento pós-primavera árabe e estão lembrando das coisas que precisam ser feitas para impedir o próximo Mubarak. Criptografia melhor, mais simples, mais usável. Sistemas monetários anônimos verificáveis, de comunicação direta, e sistemas de tomada democrática de decisão. Comunicações seguras e completa transparência dentro da governança.
During the transition to this new European future, a lot of data is going to have to be stored – refugee data seeking asylum from the terrors of the Anglo-American surveillance state. While the governments of Sweden and the UK may be somewhat too eager to share the data flowing through their resident data centers with their American pals, there are a few countries, notably Iceland, who are willing to provide a strong legal environment, cheap renewable energy, and good connectivity to the rest of the world. Data centers are not the future, but they are the present, and for now there’s an amazing business opportunity out there for countries who are willing to stand up and defend data sovereignty, the notion that individuals have the right to privacy and control over the data they generate.
Durante a transição para esse novo futuro europeu, muitos dados serão armazenados – dados refugiados buscando asilo dos terrores do estado de escuta anglo-estadunidense. Embora os governos de Suécia e Reino Unido possam estar de certo modo ávidos demais para compartilhar dados que fluem por seus centros residentes de dados com seus colegas estadunidenses, há alguns países, notavelmente Islândia, dispostos proporcionar forte ambiente legal, energia renovável barata, e boa conectividade para o resto do mundo. Os centros de dados não são o futuro, mas são o presente, e por ora há espantosa oportunidade de negócios neles para países dispostos a se erguerem e defenderem a soberania de dados, a noção de que os indivíduos têm o direito a privacidade e controle dos dados que geram.
To those who wish to practice data sovereignty before it becomes cool, I’d say: Come to Iceland. Bring data.
Para aqueles que desejem praticar soberania de dados antes de ela se tornar moda, eu diria: Venham para a Islândia. Tragam dados.




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