Tuesday, July 9, 2013

C4SS - Move over Karl, Anarchism Is Back!

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Move Over, Karl, Anarchism Is Back!
Afaste-se, Karl, o Anarquismo Está de Volta!
James Tuttle | June 17th, 2013
James Tuttle | 17 de junho de 2013
GAMBONE, Larry. Move over Karl, Anarchism Is Back! (Review of Kevin A. Carson’s Studies in Mutualist Political Economy)
Anarchists tend to look embarrassed when the subject of economics comes up. Or we mumble something about Proudhon and then sheepishly borrow ideas from Karl Marx. It has always struck me as ironic that anarchism began largely as an economic theory, think only of Josiah Warren, Proudhon and Tucker, but then abandoned the field to the Marxists. A specifically anarchistic approach to economic analysis has lain dormant for the last 130 years. However, with the publication of Kevin A. Carson’s STUDIES IN MUTUALIST POLITICAL ECONOMY this period of dormancy has finally come to an end.
Os anarquistas tendem a mostrar-se embaraçados diante do tema economia. Ou então resmungamos algo a respeito de Proudhon e em seguida encabuladamente tomamos de empréstimo ideias de Karl Marx. Sempre me pareceu irônico que o anarquismo tenha começado em grande parte como teoria econômica, pensemos apenas em Josiah Warren, Proudhon e Tucker, mas em seguida abandonado o campo para os marxistas. Abordagem especificamente anarquista da análise econômica ficou dormente durante os últimos 130 anos. Entretanto, com a publicação dos ESTUDOS DE ECONOMIA POLÍTICA MUTUALISTA de Kevin A. Carson esse período de dormência finalmente teve fim.
Carson starts off by critiquing post-classical economists such as the Marginalists, Marxists, and Austrians. But his critique is not a simple dismissal of these views, but is dialectical in form. What stands up after analysis, no matter what the school of economics, is incorporated into his anarchist synthesis. Without too much exaggeration, Carson has produced our Das Capital.
Carson começa criticando economistas pós-clássicos tais como marginalistas, marxistas e austríacos. Sua crítica, porém, não é simples desqualificação desses pontos de vista, e sim é dialética quanto à forma. O que permanece válido depois da análise, qualquer seja a escola de economia, é incorporado a sua síntese anarquista. Sem grande exagero, Carson produziu o nosso Das Capital.
He begins his analysis with an examination of Adam Smith and David Ricardo’s Labor Theory of Value (hereafter LTV) and what was done to it by later economists. Early 19C economics was based upon the LTV resulting in a “revolutionary assault on entrenched power”. However, by mid-century the LTV was rejected by the new schools of Marginalist and Austrian economists. As a result economics degenerated into “an apology for… the large corporations.” The reason for this change of direction is fairly well known. The LTV shows that only labor can produce value, and thus exposes the capitalist and landlord as parasites. In order to intellectually defend the exploiting classes, the LTV had to be marginalized. (Sorry I couldn’t resist)
Ele começa sua análise por um exame da Teoria do Valor-Trabalho de Adam Smith e David Ricardo (doravante LTV) e do que dela foi feito por economistas posteriores. A economia do início do século 19 estava baseada na LTV, resultando num “ataque revolucionário ao poder estabelecido”. Entretanto, ao chegar a metade do século, a LTV fora rejeitada pelas novas escolas de economistas marginalistas e austríacos. Em decorrência, a economia degenerou em “apologia … das grandes corporações.” O motivo dessa mudança de direção é bastante conhecido. A LTV mostra que só o trabalho pode produzir valor, e portanto expõe o capitalista e o arrendador/senhorio como parasitas. Para que as classes exploradoras pudessem ser intelectualmente defendidas, a LTV tinha de ser marginalizada. (Sinto muito não ter conseguido resistir)
The chief critic of the LTV was the Austrian, Bohm-Bawerk, who built a straw man version of the theory to knock down. According to BB, the LTV didn’t hold in many instances – such as the value of antiques or rare paintings, and never exactly in other situations. Furthermore, the capitalist too created value by investing the capital which had accrued through his ’abstinence’. Landlords produced value through the use of their land. But Classical economists like Ricardo and Smith admitted the issue of scarcity of certain goods. The LTV only applied to items that could be freely reproduced. Due to the fluctuations in the supply and demand of these goods, there could never be an exact correlation between price and value. For Carson, the complaint about inexactitude “made as much sense as saying the law of gravity was invalidated… by air resistance…”
O principal crítico da LTV foi o austríaco Bohm-Bawerk, que elaborou uma versão simplista daquela teoria para mais facilmente derrubá-la. De acordo com BB, a LTV não valia em muitos casos - como no valor de antiguidades ou de pinturas raras, e nunca era aplicável exatamente nas outras situações. Ademais, o capitalista também criava valor ao investir o capital que havia acumulado graças a sua ’abstinência’. Os arrendadores de terra produziam valor por meio do uso de sua terra. Nada obstante, economistas clássicos como Ricardo e Smith admitiam a questão da escassez de certos bens. A LTV só se aplicava a itens que pudessem ser livremente reproduzidos. Devido às flutuações de oferta e procura desses bens, nunca poderia existir correlação exata entre preço e valor. Para Carson, a queixa acerca da inexatidão “fazia tanto sentido quanto dizer que a lei da gravidade era invalidada... pela resistência do ar…”
Carson then re-establishes the LTV not only through its Smithian-Ricardian base but also, with the irony of the dialectic, by using certain Marginalist and Austrian concepts. For Smith, labor was a plainly a ’hardship’. As such, the LTV has a “subjective basis” rooted in “common sense” and “the same a priori understanding of human behavior from which BB’s disciple Von Mises derived his ’praxeology’.” In essence, human beings maximize utility and minimize disutility. “The expenditure of labor is an absolute cost regardless of the quantity… the opportunity cost of labor… is non-labor.” “It is the disutility of labor and the need to persuade the worker to bring his services to the production process, unique among all the ’factors of production’, that creates value.”
Carson em seguida restabelece a LTV não apenas por meio de sua base smithiana-ricardiana como também, com a ironia da dialética, usando certos conceitos marginalistas e austríacos. Para Smith, o trabalho era simplesmente uma ’agrura’. Enquanto tal, a LTV tinha “base subjetiva” alicerçada no “senso comum” e “no mesmo entendimento a priori do comportamento humano do qual o discípulo de BB Von Mises derivou sua ’praxeologia’.” Em essência, os seres humanos maximizam a utilidade e minimizam a desutilidade. “Os dispêndios do trabalho constituem custo absoluto independentemente da quantidade... o custo de oportunidade do trabalho... é não-trabalho.” “A desutilidade do trabalho, e a necessidade de persuadir o trabalhador a levar seus serviços ao processo de produção, sem par entre todos os ’fatores de produção’, são o que cria o valor.”
There is a major difference between the situation of the laborer and the landlord-capitalist. Labor requires a “positive expenditure of effort”, ’abstinence’ and rent have to do with setting charges for access to something. Labor is an absolute sacrifice, abstinence, is at best, a relative one. The worker must work, someone with capital has a choice whether to not work or to invest. “The ’value’ created by capitalists and landlords is simply a monopoly price paid to their owners.” Furthermore, the Marginalists and Austrian critics of the LTV treated property relations as given. How did that pool of investment capital really come about ? How indeed, did the landlord get the land he rents ? The lack of property and capital that forces the worker to sell himself to a capitalist is best explained not through economic theory, but through history.
Há importante diferença entre a situação do trabalhador e a do arrendador-capitalista. O trabalho requer “dispêndio positivo de esforço”; ’abstinência’ e renda têm a ver com estabelecer preço para acesso a algo.  O trabalho é sacrifício, abstinência, absolutos, na melhor das hipóteses relativos. O trabalhador tem de trabalhar; alguém com capital tem escolha de não trabalhar ou investir. “O ’valor’ criado por capitalistas e arrendadores é simplesmente preço de monopólio pago a seus detentores.” Ademais, os críticos marginalistas e austríacos da LTV trataram as relações de propriedade como dadas. Como aquele cabedal de capital de investimento realmente se formou ? Como, com efeito, o arrendador obtém a terra que arrenda? A falta de propriedade que força o trabalhador a vender a si próprio ao capitalista é melhor explicada não pela teoria econômica, e sim por meio da história.
The facts of history are clear, the peasants were dispossessed through coercion and state intervention, transforming them into landless laborers and enforcing a situation of unequal exchange on the labor market. Carson goes into great detail about this process in the succeeding chapter, but first he turns his critical eye to the Marxist version of the development of capitalism. Marx was ambiguous on the role of coercion as a factor. Engels, on the other hand, was a market absolutist. Wage labor was “purely economic” and there was “no robbery or force or state involved” in the primitive accumulation of capital.
Os fatos da história são claros, os camponeses foram destituídos por meio de coerção e de intervenção do estado, o que os transformou em trabalhadores sem terra e impôs uma situação de troca desigual no mercado de trabalho. Carson entra em grande detalhe no tocante a esse processo no capítulo seguinte, mas primeiro volta seu olhar crítico para a versão marxista do desenvolvimento do capitalismo. Marx foi ambíguo no tocante ao papel da coerção como fator. Engels, por outro lado, era um absolutista de mercado. O trabalho assalariado era “puramente econômico” e não houvera “roubo ou força ou estado envolvido” na acumulação primitiva do capital.
Marxist refusal to admit the statist origins of capitalism are political in origin. Engels was attempting to defeat Eugene Duhring’s version of socialism. Earlier on, the project was to trash Proudhon and the Ricardian socialist Hodgskin. All three of these thinkers saw capitalism as rooted in, and perpetuated by, statism and violence. The one aspect the Marxist and non-marxist socialists did agree on, is that for capitalism to exist, workers must be separated from the means of production. Carson’s recipe for a Free Market ? 1. steal the producing classes land. 2. terrorize the former owners so they won’t organize any opposition. 3. convince them this situation is a natural result of the Free Market.
A recusa marxista de admitir as origens estatistas do capitalismo são de origem política. Engels tentava destruir a versão do socialismo de Eugene Duhring. Antes, o projeto havia sido o de estropiar Proudhon e o socialista ricardiano Hodgskin. Todos os mencionados três pensadores viam o capitalismo radicado em, e perpetuado por, estatismo e violência. O único aspecto acerca do qual socialistas marxistas e não-marxistas concordavam era: para que o capitalismo existisse, os trabalhadores precisavam ser separados dos meios de produção. A receita de Carson para um livre mercado? 1. furtar a terra às classes produtoras. 2. aterrorizar os ex-proprietários a fim de que eles não organizem qualquer oposição. 3. convencê-llos de que essa situação é resultado natural do livre mercado.
Let’s now look at those facts of history. Proudhon was right, “property is theft”. The so-called right to peasant land was a feudal legal fiction established by the Norman conquest. However, the first real mass expropriation and eviction of peasants did not occur until the seizure of Church lands by Henry VIII. More than 10% of the peasantry were reduced to landless laborers by this action and were terrorized by the brutal Poor Laws enacted about the same time. Legal changes in the 17th Century converted the limited feudal right into private property right and the remaining peasants became tenents pure and simple. These were then dispossessed over the next two centuries by a series of Enclosure Acts.
Olhemos agora para os fatos da história. Proudhon estava certo, “propriedade é roubo”. O assim chamado direito à terra do camponês foi uma ficção jurídica feudal estabelecida pela conquista normanda. Entretanto, a primeira real expropriação e desapropriação em massa de camponeses só ocorreu depois do confisco de terras da Igreja por Henrique VIII. Mais de 10% do campesinato foram reduzidos a trabalhadores sem terra por essa ação, e aterrorizados pelas brutais Leis dos Pobres promulgadas por essa mesma época. Mudanças legais no século 17 converteram o direito feudal limitado em direito de propriedade privada, e os camponeses restantes tornaram-se puros e simples arrendatários. Foram em seguida destituídos, ao longo dos dois séculos seguintes, por uma série de Leis do Cerco.
The new-found capitalist landowners loved the Enclosure Acts, and not just for the property it gave them. The workers, lacking land, were no longer independent. Independence was a situation their masters considered “one of the greatest of evils.” Peasant communal land ownership (the traditional form) was considered “a dangerous centre of indiscipline.”
Os novos arrendadores capitalistas adoravam as Leis do Cerco, e não só pelas propriedades que aquelas lhes conferiram. Os trabalhadores, sem terra, não mais eram independentes. A independência era uma situação que seus senhores consideravam “um dos maiores males.” A propriedade da terra comunal pelos camponeses (a forma tradicional) foi considerada “perigoso centro de indisciplina.”
This evil system was imposed overseas and in this manner the so-called world market came about. Ireland was the dress rehearsal for the robbery, enslavement and genocidal murder of native people everywhere. The first slaves were the Celtic peoples, shipped out to die like flies in the cane fields of Barbados. Indeed, “America was built on slave labor.” The world market was established by the European navies who protected the slavers, forced weaker countries to buy European goods and crushed any competition. State intervention shut out foreign competition, even going so far as in the case of Indian textiles, to destroy an entire industry and impoverish this populous nation. Force was used wherever the European conqueror went. The method was always the same ; convert free peasants into cheap laborers who were then usually worked to death. As for hunters and gatherers ? Extermination. After you read this chapter, you come away thinking that these people had nothing on Hitler, Stalin or Pol Pot.
Esse sistema cruel foi imposto no além-mar e desse modo o assim chamado mercado mundial veio à existência. A Irlanda foi o ensaio final de roubo, escravização e assassínio genocida de pessoas nativas em toda parte. Os primeiros escravos foram os povos celtas, embarcados para morrerem como moscas nas plantações de cana de Barbados. Na verdade, “os Estados Unidos foram construídos em cima do trabalho escravo.” O mercado mundial foi estabelecido pelas marinhas europeias que protegiam os escravizadores, forçavam países mais fracos a comprar bens europeus e esmagavam qualquer competição. A intervenção do estado barrava a competição estrangeira, indo a ponto, como no caso dos têxteis da Índia, a destruir uma indústria inteira e a empobrecer aquela populosa nação. Força foi usada onde quer que o conquistador europeu fosse. O método era sempre o mesmo; converter camponeses livres em trabalhadores baratos que em seguida eram forçados a trabalhar até à morte. E quanto a caçadores e segadores? Extermínio. Depois de ler esse capítulo, você acaba achando que aquela gente nada ficou a dever a Hitler, Stalin ou Pol Pot.
Capitalism was brought into existence by a land-owning aristocracy which transformed itself into a capitalist class when the old Medieval system broke up. From the centuries of looting and pillage by this class, came the investment capital of the Industrial Revolution. In the United States, long held up as a pillar of Free Enterprise, capitalist industrial development began as a result of mercantilism, slavery and the investments of landlords, who got their land from the government, who in turn stole it from the Native People. As Carson says, “capitalism has never been established by a free market” and “free market capitalism is an oxymoron.”
O capitalismo foi trazido à existência por uma aristocracia fundiária que se transformou em classe capitalista quando o antigo sistema medieval ruiu. De séculos de saque e pilhagem por essa classe veio o capital de investimento da Revolução Industrial. Nos Estados Unidos, há muito exaltados como pilares da livre empresa, o desenvolvimento industrial capitalista começou como resultado de mercantilismo, escravidão e os investimentos dos arrendadores, que obtinham suas terras do governo o qual, por sua vez, a tomava dos povos nativos. Como diz Carson, “o capitalismo nunca foi estabelecido por livre mercado” e “capitalismo de livre mercado é oxímoro.”
One major failing of Marxism, most especially vulgar Marxism, has been the failure to recognize the political causes of capitalism, and to reduce the social and the political to mere out-growths of economic forces. Marxism thus becomes an apologist for tyranny. “Parasitism was not necessary for progress.” State socialists and capitalist apologists (such as most so-called free market libertarians) alike, “for nearly identical reasons” have a common interest in maintaining the myth of 19th Century laissez faire.
Um dos grandes pontos fracos do marxismo, especialmente do marxismo vulgar, é a incapacidade de reconhecer as causas políticas do capitalismo, reduzindo o social e o político a meros rebentos de forças econômicas. O marxismo, assim, torna-se apologista da tirania. “O parasitismo não era necessário para o progresso.” Tanto socialistas quanto capitalistas apologistas do estado (e bem assim muitos dos assim chamados libertários de livre mercado), “por razões praticamente idênticas” têm interesse comum em manter o mito do laissez-faire do século 19.
The vast and cruel “subsidy of history” is what lay the groundwork for Monopoly Capitalism as it developed in the late 19th Century. At this point Carson introduces Benjamin Tucker’s analysis of monopoly. Patents, tariffs, the currency and banking monopolies all were forms of state-sponsored parasitism that gave rise to the giant corporations. Tucker’s “Four Monopolies” have to be coupled with land-grants, cheap loans and gifts, eminent domain (by which the state could steal your land for its corporate buddies) and a hundred and one other forms of subsidy and corporate welfare.
O vasto e cruel “subsídio da história” é que deitou as bases do capitalismo monopolista tal como se desenvolveu no final do século 19. A esta altura Carson apresenta a análise do monopólio de Benjamin Tucker. Os monopólios de patentes, tarifas, moeda e atividade bancária são, todos eles, formas de parasitismo patrocinado pelo estado que deram origem às corporações gigantes. Os “Quatro Monopólios” de Tucker têm de ser acoplados a concessões de terras, empréstimos bancários e doações, desapropriação (por meio da qual o estado pode tomar terra das pessoas para seus compadres corporativos) e cento e uma outras formas de subsídio e de assistencialismo corporativo.
The problem for corporate monopoly capitalism is its fragility, its tendency to go into crisis. One root cause of crisis is the tendency to produce more than can be profitably sold. This is exacerbated by state subsidies which create a more capital-intensive form of economy than would exist in a genuine market. In order to maintain demand and profitability, the state steps in with even more subsidy and also the welfare state to keep underclass docile. There is “snowballing irrationality as the state’s intervention further destabilizes the system, requiring yet further state intervention.” The snowballing eventually leads to the fiscal crisis of the state, which began in the 1960’s.
O problema do capitalismo de monopólio corporativo é sua fragilidade, sua tendência a entrar em crise. Uma das principais causas da crise é a tendência de produzir mais do que pode ser vendido lucrativamente. Ela é exacerbada por subsídios do estado que criam uma forma de economia mais capital-intensiva do que existiria num mercado genuíno. Para manter a procura e a lucratividade, o estado entra em cena com ainda mais subsídio e também com o estado assistencialista para manter a classe inferior dócil. Há “irracionalidade em bola de neve ao a intervenção do estado desestabilizar cada vez mais o sistema, o que torna necessária ainda mais intervenção do estado.” A bola de neve finalmente leva à crise fiscal do estado, que começou nos anos 1960.
State monopoly capitalism introduces technologies and methods which deeply harm society, replacing older more appropriate methods and technologies. Think of urban sprawl, over-dependence on petroleum and the auto, bureaucratization and so-called professionalism, as but a few examples. By pushing for ever greater size, ever greater inefficiency results. Corporations have all the problems of a Stalinist planned economy – a fundamental irrationalism. The only reason things work at all is that workers ignore the directions from above.
O capitalismo de monopólio do estado introduz tecnologias e métodos que causam danos profundos à sociedade, substituindo métodos e tecnologias mais antigos mais apropriados. Pense no alastramento urbano, na superdependência do petróleo e do automóvel, na burocratização e no assim chamado profissionalismo, como apenas alguns exemplos. Com pressão no sentido de tamanho sempre maior, resulta ineficiência cada vez maior. As corporações têm todos os problemas de uma economia planificada stalinista - irracionaismo fundamental. O único motivo pelos quais a coisas ainda funcionam é os trabalhadores ignorarem as orientações vindas de cima.
The fiscal crisis of the state combined with the resulting social breakdown due to capitalist irrationality gave rise to the neo-liberal reaction. Over the last 25 years the state has worked to shift wealth from consumption to investment as a prop for the corporate system. This action brings with it a contradiction, as the system depends on mass consumption at a profitable level to deal with the problem of over-production.
A crise fiscal do estado, conjugada com o resultante colapso social causado pela irracionalidade capitalista, deu origem à reação neoliberal. Ao longo dos últimos 25 anos o estado tem trabalhado para levar a riqueza do consumo para o investimento como escora do sistema corporativo. Essa ação traz consigo uma contradição, na medida em que o sistema depende de consumo em massa em nível lucrativo para lidar com o problema da superprodução.
The final chapter entitled “Ends and Means” discusses Carson’s alternative to capitalism. The capitalist system should be replaced with voluntary associations ; an economy of worker co-ops, mutualist associations, and syndicalist unions, based on the commons, free exchange and usufruct principles. The state abolished and replaced by a federation of communities.
O capítulo final, intitulado “Fins e Meios,” discute a alternativa de Carson ao capitalismo. O sistema capitalista deveria ser substituído por associações voluntárias; uma economia de cooperativas de trabalhadores, associações mutualistas, e sindicatos, baseados em terras comuns, transações livres e princípios de usufruto. O estado extinto e substituido por uma federação de comunidades.
Carson’s revolution would be gradual and is marked by the development of a “dual power situation”. This requires the building of an “alternative social infrastructure” giving rise of forms of “social-counter power” such as syndicalist unions, coops, tenant unions, mutualist societies, “cop watch” groups and libertarian municipalist movements. Such a development is a form of “prefigurative politics”, by which people try as much as possible by their actions to live the revolution now. The distinction between reform and revolution is thus “mainly one of emphasis”. The groundwork for the “final” revolution has to be laid beforehand and this is the task of the alternative social structure.
A revolução de Carson seria gradual e caracterizada pelo desenvolvimento de uma “situação de poder dual”. Isso requereria a construção de uma “infraestrutura social alternativa” dando origem a formas de “contrapoder social” tais como sindicatos de trabalhadores, cooperativas, sindicatos de inquilinos, sociedades mutualistas, grupos de “vigilância da polícia” e movimentos municipalistas libertários. Tal desdobramento é uma forma de “política prefigurativa”, por meio da qual as pessoas tentariam tanto quanto possível, por suas ações, viver a revolução agora. A distinção entre reforma e revolução é portanto “principalmente de ênfase”. A obra preliminar para a revolução “final” tem de ser executada antecipadamente e essa é a tarefa da estrutura social alternativa.
The modern or Corporate State, is vastly more intrusive than it’s 19th Century version, and thus presents a problem for anarchists. (Consider that in many countries 20% or more of the population depend upon the state for employment or survival.) Even Benjamin Tucker saw the need for a “staged abolition of the state” so not to give rise to a dangerous situation. Therefore, it is necessary to have a “strategic position” visa vis the state. “It is not enough to oppose any and all statism… without any conception of how particular examples of statism fit into the overall system of power.” As a result, the dismantling of the state must occur “in the right order” and to do so in the wrong way is to court disaster. The proper sequence would be to first eliminate all state measures which support and give rise to capitalist and bureaucratic power. With the exploitation of labor abolished, any social welfare still needed could be handled by mutual aid societies.
O estado moderno, ou corporativo, é vastamente mais metediço do que sua versão do século 19, e portanto constitui problema para os anarquistas. (Consideremos que, em muitos países, 20% ou mais da população dependem do estado para emprego ou sobrevivência.) Até Benjamin Tucker via a necessidade de “extinção do estado em etapas” a fim de não dar-se lugar a situação perigosa. Portanto, é necessária “posição estratégica” vis-à-vis o estado. “Não é bastante opor-se a qualquer e todo estatismo... sem qualquer concepção de como exemplos específicos de estatismo enquadram-se no sistema geral de poder.” Em decorrência, a desarticulação do estado tem de ocorrer “na ordem correta” e fazer isso da maneira errada é cortejar o desastre. A sequência adequada seria primeiro eliminar todas as medidas do estado que dão apoio e origem ao poder capitalista e burocrático. Com a extinção da exploração do trabalho, qualquer assistencialismo social ainda necessário poderia ser administrado por sociedades de ajuda mútua.
The Corporate State will fall. First, through its own internal contradictions and secondly from outside ; “from a host of movements whose only common denominator is a dislike of the centralized state and corporate capitalism.” Carson sees a need to build broad-based ad hoc coalitions, but his “political strategy” is not electoral. (More like the movement which brought down East German Stalinism, perhaps.) Nor is dismantling the state the primary function of the revolutionary-evolutionary movement. The “political” movement should exist only to get rid of those forces which stop us from pursuing our primary activity – building the new free society.
O estado corporativo ruirá. Primeiro, por meio de suas próprias contradições internas e, segundo, a partir de fora; “de múltiplos movimentos cujo único denominador comum é desgosto pelo estado centralizado e pelo capitalismo corporativo.” Carson vê a necessidade da formação de coalizões ad hoc, mas sua “estratégia política” não é eleitoral. (Talvez mais como o movimento que derrubou o stalinismo da Alemanha Oriental.) Nem é desestruturar o estado a função principal do movimento revolucionário-evolucionário. O movimento “político” só deveria existir para livrar-nos daquelas forças que nos impedem de perseguir nossa atividade principal - construir a nova sociedade livre.
Carson is a mutualist and offers a mutualist alternative to capitalism. The other schools of anarchist thought shouldn’t ignore his work because of this. In a voluntary society, people can live as they wish, providing they don’t coerce or exploit others. Thus, in a mutualist economy anyone who wanted could live according to, say, the principles of libertarian communism. Carson’s analysis can also be adapted to all forms of anarchism. The most important aspect of this book, the one that should overshadow other differences, is that the economic analysis of exploitation and capitalism has been placed on a solid anarchist basis. We need no longer play second fiddle to the Marxists.
Carson é mutualista e oferece alternativa mutualista ao capitalismo. As outras escolas de pensamento anarquista não deveriam ignorar o trabalho dele por causa disso. Numa sociedade voluntária, as pessoas podem viver como desejem, desde que não exerçam coerção sobre os outros ou os explorem. Assim, pois, numa economia mutualista, qualquer pessoa que desejasse poderia viver de acordo com, digamos, os princípios do comunismo libertário. A análise de Carson pode também ser adaptada a todas as formas de anarquismo. O mais importante aspecto do livro, aquele que deveria ofuscar outras diferenças, é a análise econômica da exploração e do capitalismo ter sido assentada em sólida base anarquista. Não mais precisamos tocar segundo violino para os marxistas.

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