Sunday, June 9, 2013

The Anti-Empire Report - Pipelinistan

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Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #117
O Relatório Anti-Império No. 117
By William Blum – Published June 4th, 2013
Por William Blum – Publicado em 4 de junho de 2013
Pipelinistan
Tubagemistão
I have written on more than one occasion about the value of preaching and repeating to the choir on a regular basis. One of my readers agreed with this, saying: “How else has Christianity survived 2,000 years except by weekly reinforcement?”
Já escrevi, em mais de uma ocasião, acerca do valor de pregar e repetir para o coro com regularidade. Um de meus leitores concordou, dizendo: “De que outra maneira sobreviveu o Cristianismo por 2.000 anos, se não graças a reforço semanal?”
Well, dear choir, beloved parishioners, for this week’s sermon we once again turn to Afghanistan. As US officials often make statements giving the impression that the American military presence in that sad land is definitely winding down – soon to be all gone except for the standard few thousand American servicemen which almost every country in the world needs stationed on their territory – one regularly sees articles in the mainstream media and government releases trying to explain what it was all about. For what good reason did thousands of young Americans breathe their last breath in that backward country and why were tens of thousands of Afghans dispatched by the United States to go meet Allah (amidst widespread American torture and other violations of human rights)?
Pois bem, querido coral, amados paroquianos, no sermão desta semana voltar-nos-emos mais uma vez para o Afeganistão. Enquanto autoridades dos Estados Unidos amiúde fazem declarações dando a impressão de que a presença militar estadunidense naquela triste terra está definitivamente minguando – para logo se ir totalmente, exceto os poucos milhares de praxe de membros das forças armadas estadunidenses que quase todo país do mundo necessita acantoados em seu território – vemos regularmente artigos na grande mídia e informações oficiais tentando explicar de que se tratou tudo isso. Por que bom motivo milhares de jovens estadunidenses exalam seu último suspiro naquele país retrógrado e por que foram dezenas de milhares de afegãos despachadas pelos Estados Unidos para se encontrarem com Alá (entre profusa tortura e outras violações de direitos humanos pelos estadunidenses)? 
The Washington Post recently cited a Defense Department report that states: The United States “has wound up with a reasonable ‘Plan B’ for achieving its core objective of preventing Afghanistan from once again becoming a safe haven for al-Qaeda and its affiliates.”
Washington Post citou recentemente um relatório do Departamento de Defesa que declara: Os Estados Unidos “elaboraram ‘Plano B’ razoável para atingir seu objetivo principal de impedir que o Afeganistão se torne de novo porto seguro para a al-Qaeda e seus afiliados.”
“Preventing a safe haven for terrorists” – that was the original reason given back in 2001 for the invasion of Afghanistan, a consistency in sharp contrast to the ever-changing explanations for Iraq. However, it appears that the best and the brightest in our government and media do not remember, if they ever knew, that Afghanistan was not really about 9-11 or fighting terrorists (except the many the US has created by its invasion and occupation), but was about pipelines.
“Impedir porto seguro para terroristas” – esse foi o motivo original dado, em 2001, para a invasão do Afeganistão, coerência em agudo contraste com as sempre cambiantes explicações para o Iraque. Entretanto, parece que os melhores e mais brilhantes em nosso governo e mídia não se lembram, se alguma vez tiverem sabido, que o Afeganistão não foi realmente algo relacionado com o 11-9 ou com o combate a terroristas (exceto os muitos que os Estados Unidos criaram com sua invasão e ocupação), e sim algo relacionado com tubagem. 
President Obama declared in August 2009: “But we must never forget this is not a war of choice. This is a war of necessity. Those who attacked America on 9/11 are plotting to do so again. If left unchecked, the Taliban insurgency will mean an even larger safe haven from which al Qaeda would plot to kill more Americans.” 2
O Presidente Obama declarou, em agosto de 2009: “Não podemos porém jamais esquecer que esta não é uma guerra de escolha. É uma guerra de necessidade. Aqueles que atacaram os Estados Unidos em 11/9 estão tramando fazê-lo de novo. Se deixada sem contenção, a insurgência Talibã criará porto seguro ainda maior a partir do qual a al Qaeda tramará para matar mais estadunidenses.” 2
Never mind that out of the tens of thousands of people the United States and its NATO front have killed in Afghanistan not one has been identified as having had anything to do with the events of September 11, 2001.
Pouco importa que, de dezenas de milhares de pessoas que os Estados Unidos e sua frente da OTAN mataram no Afeganistão, nem uma só tenha sido identificada como tendo qualquer coisa a ver com os eventos de 11 de setembro de 2001.
Never mind – even accepting the official version of 9/11 – that the “plotting to attack America” in 2001 was devised in Germany and Spain and the United States more than in Afghanistan. Why didn’t the United States bomb those countries?
Pouco importa – mesmo aceitando-se a versão oficial do 11/9 – que a “trama para atacar os Estados Unidos” em 2001 tenha sido concebida na Alemanha e na Espanha e nos Estados Unidos, mais do que no Afeganistão. Por que os Estados Unidos não bombardearam esses outros países?
Indeed, what actually was needed to plot to buy airline tickets and take flying lessons in the United States? A room with a table and some chairs? What does “an even larger safe haven” mean? A larger room with more chairs? Perhaps a blackboard? Terrorists intent upon attacking the United States can meet almost anywhere. At the present time there are anti-American terrorist types meeting in Libya, Syria, Turkey, Pakistan, Qatar, Saudi Arabia, London, Paris, and many other places. And the Taliban of Afghanistan would not be particularly anti-American if the United States had not invaded and occupied their country. The Taliban are a diverse grouping of Afghan insurgents whom the US military has come to label with a single name; they are not primarily international jihadists like al-Qaeda and in fact have had an up-and-down relationship with the latter.
Com efeito, o que, em realidade, era necessário para tramar comprar passagens de avião e tomar lições de pilotagem nos Estados Unidos? Um recinto com mesa e algumas cadeiras? O que significa “porto seguro ainda maior?” Recinto maior com mais cadeiras? Talvez um quadro negro? Terroristas com intenção de atacar os Estados Unidos podem encontrar-se quase em qualquer lugar. No presente, há pessoas com perfil de terroristas antiestadunidenses encontrando-se em Líbia, Síria, Turquia, Paquistão, Catar, Arábia Saudita, Londres, Paris, e muitos outros lugares. E o Talibã do Afeganistão não seria particularmente antiestadunidense se os Estados Unidos não tivessem invadido e ocupado seu país. O Talibã é grupo diversificado de insurgentes afegãos aos quais a instituição militar dos Estados Unidos veio a rotular com nome único; não são precipuamente jihadistas internacionais como a al-Qaeda e, na verdade, têm tido com esta relacionamento de altos e baixos.
The only “necessity” that drew the United States to Afghanistan was the desire to establish a military presence in this land that is next door to the Caspian Sea region of Central Asia – reportedly containing the second largest proven reserves of petroleum and natural gas in the world – and build oil and gas pipelines from that region running through Afghanistan.
A única “necessidade” que levou os Estados Unidos ao Afeganistão foi o desejo de estabelecer presença militar naquela terra que é a porta ao lado da região do Mar Cáspio da Ásia Central – a qual abrigaria as segundas reservas comprovadas de petróleo e gás natural do mundo – e construir tubagens de petróleo e gás a partir daquela região atravessando o Afeganistão.
Afghanistan is well situated for such pipelines to serve much of South Asia and even parts of Europe, pipelines that – crucially – can bypass Washington’s bêtes noire, Iran and Russia. If only the Taliban would not attack the lines. Here’s Richard Boucher, US Assistant Secretary of State for South and Central Asian Affairs, in 2007: “One of our goals is to stabilize Afghanistan, so it can become a conduit and a hub between South and Central Asia so that energy can flow to the south.” 3
O Afeganistão está bem situado para que tais tubagens sirvam grande parte do Sul da Ásia e até partes da Europa, tubagens que – crucialmente – podem contornar as bêtes noires de Washington, Irã e Rússia. Desde que o Talibã não ataque os dutos. Eis o que disse Richard Boucher, Secretário de Estado Assistente dos Estados Unidos para Assuntos de Sul e Centro da Ásia, em 2007: “Um dos objetivos é estabilizar o Afeganistão, a fim de que ele se torne um conduto e um polo entre o Sul da Ásia e a Ásia Central, de tal maneira que possa fluir energia para o sul.” 3
Since the 1980s all kinds of pipelines have been planned for the area, only to be delayed or canceled by one military, financial or political problem or another. For example, the so-called TAPI pipeline (Turkmenistan-Afghanistan-Pakistan-India) had strong support from Washington, which was eager to block a competing pipeline that would bring gas to Pakistan and India from Iran. TAPI goes back to the late 1990s, when the Taliban government held talks with the California-based oil company Unocal Corporation. These talks were conducted with the full knowledge of the Clinton administration, and were undeterred by the extreme repression of Taliban society. Taliban officials even made trips to the United States for discussions. 4
Desde os anos 1980 todo tipo de tubagem vem sendo planejado para a área, só para ser adiado ou cancelado por problema militar, financeiro ou político. Por exemplo, a assim chamada tubagem TAPI (Turcomenistão-Afeganistão-Índia) tem forte apoio de Washington, que estava ávida para bloquear uma tubulação rival que levaria gás ao Paquistão e à Índia a partir do Irã. A TAPI remonta ao final dos anos 1990, quando o governo Talibã mantinha conversações com a Unocal Corporation, companhia de petróleo sediada na Califórnia. Essas conversações eram conduzidas com pleno conhecimento da administração Clinton, e não eram desestimuladas pela extrema repressão da sociedade Talibã. Autoridades do Talibã faziam viagens aos Estados Unidos para as conversações. 4
Testifying before the House Subcommittee on Asia and the Pacific on February 12, 1998, Unocal representative John Maresca discussed the importance of the pipeline project and the increasing difficulties in dealing with the Taliban:
Depondo perante a Subcomissão da Câmara para Ásia e Pacífico em 12 de fevereiro de 1998, o representante da Unocal John Maresca discutiu a importância do projeto de tubagem e as crescentes dificuldades de lidar com o Talibã:
The region’s total oil reserves may well reach more than 60 billion barrels of oil. Some estimates are as high as 200 billion barrels … From the outset, we have made it clear that construction of the pipeline we have proposed across Afghanistan could not begin until a recognized government is in place that has the confidence of governments, leaders, and our company.
As reservas totais de petróleo da região bem podem atingir mais de 60 biliões de barris de petróleo. Algumas estimativas supõem até 200 biliões de barris ... Desde o início, deixamos claro que a construção da tubagem que propomos através do Afeganistão só poderia começar depois de estar no poder um governo reconhecido que gozasse da confiança de governos, líderes, e de nossa empresa.
When those talks with the Taliban stalled in 2001, the Bush administration reportedly threatened the Taliban with military reprisals if the Afghan government did not go along with American demands. On August 2 in Islamabad, US State Department negotiator Christine Rocca reiterated to the Taliban ambassador to Pakistan, Abdul Salam Zaeef: “Either you accept our offer of a carpet of gold [oil], or we bury you under a carpet of bombs.” 5 The talks finally broke down for good a month before 9-11.
Quando tais conversações com o Talibã foram sustadas, em 2001, a administração Bush teria ameaçado o Talibã de represálias militares se o governo afegão não acedesse às exigências de Washington. Em 2 de agosto, em Islamabad, a negociadora do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Christine Rocca, reiterou ao embaixador do Talibã no Paquistão, Abdul Salam Zaeef: “Ou vocês aceitam nossa oferta de um carpete de ouro [petróleo], ou sepultaremos vocês sob um carpete de bombas.” 5 As conversações finalmente terminaram de vez um mês antes do 11-9.
The United States has been serious indeed about the Caspian Sea and Persian Gulf oil and gas areas. Through one war or another beginning with the Gulf War of 1990-1, the US has managed to establish military bases in Saudi Arabia, Kuwait, Bahrain, Qatar, Oman, Afghanistan, Pakistan, Uzbekistan, Tajikistan, Kyrgyzstan, and Kazakhstan.
Os Estados Unidos têm levado a sério as áeas de petróleo e gás do Mar Cáspio e do Golfo Pérsico. Por meio de uma guerra ou outra, começando com a Guerra do Golfo de 1990-1, os Estados Unidos  conseguiram estabelecer bases militares em Arábia Saudita, Cueite, Bahrain, Catar, Omã, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão, Tadjiquistão, Quirguistão, e Casaquistão.
The war against the Taliban can’t be “won” short of killing everyone in Afghanistan. The United States may well try again to negotiate some form of pipeline security with the Taliban, then get out, and declare “victory”. Barack Obama can surely deliver an eloquent victory speech from his teleprompter. It might even include the words “freedom” and “democracy”, but certainly not “pipeline”.
A guerra contra o Talibã não pode ser “ganha” sem a morte de todo mundo no Afeganistão. Os Estados Unidos poderão perfeitamente tentar negociar de novo alguma forma de segurança de tubagem com o Talibã, em seguida saírem, e declararem “vitória”. Barack Obama poderá seguramente pronunciar eloquente discurso de vitória a partir de seu teleprompter. Poderia mesmo incluir as palavras “liberdade” e “democracia”, mas certamente não “tubagem”.
“We are literally backing the same people in Syria that we are fighting in Afghanistan and that have just killed our ambassador in Libya! We must finally abandon the interventionist impulse before it is too late.” – Congressman Ron Paul, September 16, 2012 6
“Estamos literalmente apoiando, na Síria, as mesmas pessoas que estamos combatendo no Afeganistão e que acabam de matar nosso embaixador na Líbia! Precisamos finalmente abandonar o impulso intervencionista antes que seja tarde demais.” – Deputador Ron Paul, 16 de setembro de 2012 6
How it all began: “To watch the courageous Afghan freedom fighters battle modern arsenals with simple hand-held weapons is an inspiration to those who love freedom. Their courage teaches us a great lesson – that there are things in this world worth defending. To the Afghan people, I say on behalf of all Americans that we admire your heroism, your devotion to freedom, and your relentless struggle against your oppressors.” – President Ronald Reagan, March 21, 1983
Como tudo começou: “Ver os corajosos combatentes pela liberdade afegãos combaterem arsenais modernos com simples armas de mão é uma inspiração para aqueles que amam a liberdade. A coragem deles nos ensina uma grande lição – que há coisas neste mundo que vale a pena defender. Ao povo afegão digo, em nome de todos os estadunidenses, que admiramos seu heroísmo, sua devoção à liberdade, e sua incansável luta contra seus opressores.” – Presidente Ronald Reagan, 21 de março de 1983
Notes
Notas
2. Talk given by the president at Veterans of Foreign Wars convention, August 17, 2009
3. Talk at the Paul H. Nitze School for Advanced International Studies, Washington, DC, September 20, 2007
4. See, for example, the December 17, 1997 article in the British newspaper, The Telegraph, “Oil barons court Taliban in Texas”.
5. Pepe Escobar, Asia Times, September 12, 2012 (Information Clearing House
6. The Hill, daily congressional newspaper, Washington, DC 


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