Thursday, June 27, 2013

FFF - Motives Aside, the NSA Should Not Spy on Us



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The Future of Freedom Foundation
A Fundação Futuro de Liberdade
FFF Articles
FFF Articles
June 18, 2013
18 de junho de 2013
You need not suspect the motives of those responsible for NSA surveillance to detest what they are doing. In fact, we may have more to fear from spies acting out of patriotic zeal than those acting out of power lust or economic interest: Zealots are more likely to eschew restraints that might compromise their righteous cause.
Você não precisa suspeitar dos motivos dos responsáveis pela escuta que é efetuada pela Agência de Segurança Nacional - NSA para detestar o que ela está fazendo. Na verdade, poderemos ter muito mais a temer de espiões atuando por zelo patriótico do que daqueles que atuam por desejo de poder ou interesse econômico: Os zelotes têm maior probabilidade de desconsiderar restrições que possam comprometer sua causa virtuosa.
For the sake of argument, we may assume that from President Obama on down, government officials sincerely believe that gathering Americans’ telephone and Internet data is vital to the people’s security. Does that make government spying okay?
Para efeito de argumentação, podemos assumir que, do Presidente Obama para baixo, as autoridades acreditam sinceramente que coletar dados de telefone e Internet dos estadunidenses é vital para a segurança do povo. Isso faz com que a espionagem feita pelo governo esteja certa?
No, it doesn’t.
Não, não faz.
“Government is not reason, it is not eloquence — it is force. Like fire it is a dangerous servant and a fearful master; never for a moment should it be left to irresponsible action.” Although often attributed to George Washington, that famous quotation was probably was not uttered by him. Nevertheless, its value lies in what it says, not in who said it.
“O governo não é razão, não é eloquência — é força. Como o fogo, ele é servo perigoso e senhor temível; nem por um momento deverá ser deixado a praticar ação irresponsável.” Embora amiúde atribuída a George Washington, essa famosa citação provavelmente não foi proferida por ele. Todavia, seu valor está no que diz, não em quem a disse.
At best, government represents a risk to the people it rules. Even under a tightly written constitution and popular vigilance — both of which are easier to imagine than to achieve — government officials will always have the incentive and opportunity to push the limits and loosen the constraints.
Na melhor das hipóteses, o governo representa um risco para as pessoas a quem governa. Mesmo sob constituição escrita com precisão e vigilância popular — ambas as quais mais fáceis de imaginar do que de concretizar — as autoridades do governo sempre terão incentivo e oportunidade para forçar os limites e afrouxar as restrições.
But if their purpose is to protect us, why worry?
Se porém o propósito dele é proteger-nos, por que preocupar-nos?
It doesn’t take much imagination to answer to this question. A purported cure can be worse than the disease. Who would accept the placement of a surveillance camera in every home as a way of preventing crime? By the same token, gathering data on everyone without probable cause in order to locate possible terrorists should be abhorrent to people who prize their freedom and privacy.
Responder a essa pergunta não requer muita imaginação. Uma pretensa cura pode ser pior do que a doença. Quem aceitaria a colocação de uma câmera de vigilância em cada casa como forma de impedir crime? Pelo mesmo raciocínio, coletar dados a respeito de todo mundo sem causa provável para localizar possíveis terroristas deveria ser odioso para pessoas que valorizam sua liberdade e privacidade.
Since we’re assuming pure motives, we’ll ignore the specter of deliberate abuse. In our hypothetical case, no one would use the information in a way not intended to promote the general welfare. Pure motives, however, do not rule out error. So the danger remains that innocent people could have their lives seriously disrupted — or worse — by a zealous agent of government who sees an ominous pattern in someone’s data where none in fact exists. Author Nassim Nicholas Taleb points out that human beings are more likely to see order in randomness than vice versa. As a result, a blameless individual could have his life turned upside down by a bureaucrat who goes the extra mile to ensure that no terrorist act occurs on his watch. Think of the turmoil created for those falsely accused of the bombing at the Atlanta Olympic games and of sending anthrax letters after the 9/11 attacks.
Visto estarmos assumindo motivos puros, ignoraremos o espectro de abuso deliberado. Em nosso caso hipotético, ninguém usaria a informação de modo não visante a promover o bem-estar geral. Motivos puros, porém, não excluem a possibilidade de erro. Assim, pois, permanece havendo perigo de pessoas inocentes poderem ter suas vidas seriamente convulsionadas — ou coisa pior — por zeloso agente do governo que enxergue padrão nefasto nos dados de alguém, onde nada de fato exista. O autor Nassim Nicholas Taleb destaca que os seres humanos tendem mais a ver ordem na aleatoriedade do que vice-versa. Em decorrência, indivíduo irreprochável pode ter sua vida virada de cabeça para baixo por um burocrata que ande a milha adicional para assegurar que nenhum ato terrorista ocorra sob sua vigília. Pense nos problemas criados para aqueles falsamente acusados da explosão nos jogos Olímpicos de Atlanta e de enviarem cartas contaminadas com antraz depois dos ataques do 11/9.
The odds of such an error for any particular individual may be slight, but they are big enough if you put yourself into the picture.
A probabilidade de erro da espécie para qualquer pessoa específica pode ser pequena, mas é grande o suficiente se você incluir a si próprio.
However, that is not the only reason to reject even a well-intentioned surveillance state.
Nada obstante, esse não é o único motivo para rejeitarmos um estado de vigilância, mesmo que bem intencionado.
Julian Sanchez, who specializes in technology and civil liberties, points out that a person who has nothing to hide from government officials — if such a person actually exists — would still not have a good reason to tolerate NSA surveillance, because the general awareness that government routinely spies on us has an insidious effect on society:
Julian Sanchez, especializado em tecnologia e liberdades civis, destaca que uma pessoa que não tenha nada a esconder das autoridades do governo — se essa pessoa existir — mesmo assim não teria bom motivo para tolerar a escuta da NSA, porque a consciência geral de que o governo sistematicamente espiona-nos tem efeito insidioso sobre a sociedade:
Even when it isn’t abused … the very presence of that spy machine affects us and poisons us.… It’s slow and subtle, but surveillance societies inexorably train us for helplessness, anxiety and compliance. Maybe they’ll never look at your call logs, read your emails or listen in on your intimate conversations. You’ll just live with the knowledge that they always could — and if you ever had anything worth hiding, there would be nowhere left to hide it.
Mesmo quando não seja abusiva … só a presença dessa máquina de espionagem afeta-nos e envenena-nos.… É algo vagaroso e sutil, mas as sociedades grampeadas inexoravelmente nos condicionam para a impotência, a ansiedade e o servilismo. Talvez ela nunca examine sua lista de telefonemas, leia seus emails ou escute suas conversas íntimas. Você apenas viverá com o conhecimento de que ela sempre poderá — e se você alguma vez tiver algo que considere conveniente esconder, não haverá lugar algum onde possa escondê-lo.
Is that the kind of society we want, one in which we assume a government official is looking over our shoulders?
É esse o tipo de sociedade que desejamos, uma sociedade na qual assumimos que uma autoridade do governo está olhando por cima de nossos ombros?
Because government is force — “a dangerous servant and a fearful master” — it must be watched closely, even — especially — when it does something you like. But eternal vigilance is hard to achieve. People outside the system are busy with their lives, and politicians generally can’t be expected to play watchdog to other politicians. Therefore, at the least, we need institutional constraints and transparency: No secret warrants. No secret courts. No secret expansive interpretations of laws and constitutional prohibitions.
Pelo fato de o governo ser força — “servo perigoso e senhor temível” — ele precisa ser vigiado de perto, mesmo — especialmente — quando faz algo de que você goste. A vigilância eterna, porém, é difícil de conseguir. As pessoas fora do sistema estão ocupadas com suas vidas, e geralmente não se pode esperar que políticos vigiem outros políticos. Portanto, no mínimo, precisamos de restrições institucionais e transparência. Nada de mandados secretos. Nada de tribunais secretos. Nada de interpretações secretas elásticas de leis e de proibições constitucionais.


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