Wednesday, June 19, 2013

C4SS - Public Enemy Number One: The Public



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Centro de Políticas e de Mídia Esquerdista Anarquista de Mercado
Public Enemy Number One: The Public
Inimigo Público Número Um: O Público
Kevin Carson | June 15th, 2013
Kevin Carson | 15 de junho de 2013
It’s important, when listening to the official shapers of opinion in the media, to ask ourselves what they really mean by the words they use. As Orwell pointed out in “Politics and the English Language,” those in power use language to obscure meaning more often than to convey it.
É importante, ao ouvirmos os formadores oficiais de opinião na mídia, perguntarmo-nos o que eles realmente querem dizer com as palavras que usam. Como Orwell destacou em “A Política e a Língua Inglesa,” aqueles no poder usam a linguagem para obscurecer o significado, mais amiúde do que para torná-lo inteligível.
A good example is the recurrence of phrases like “endangered our national security” and “aided the enemy,” from people like Eric Holder, Peter King and Lindsey Graham, in reference to leaks by people like Bradley Manning and Edward Snowden. Now, they certainly intend to evoke certain associations in the minds of listeners with their word choices. If you’re not careful, you may find yourself responding in just the way the users intend — allowing their words to conjure up in your mind homes, families, neighbors, churches, a whole way of life, threatened with invasion and destruction by a nameless, faceless enemy — in the words of Orwell’s Two-Minute Hate, “the dark armies … barbarians whose only honour is atrocity.”
Bom exemplo é a recorrência de frases tais como  “colocou em perigo nossa segurança nacional” e “ajudou o inimigo,” de pessoas como Eric Holder, Peter King e Lindsey Graham, em referência a vazamentos por pessoas como Bradley Manning e Edward Snowden. Pois bem, eles, com suas escolhas de palavras, certamente pretendem provocar certas associações nas mentes dos ouvintes. Se não formos cuidadosos, poderemos ver-nos na condição de reagir exatamente como aqueles que usam essas palavras pretendem — permitindo que as palavras deles 
tragam à nossa mente lares, famílias, vizinhos, igrejas, todo um estilo de vida, ameçados de invasão e destruição por um inimigo sem nome e sem face — nas palavras dos Dois Minutos de Ódio de Orwell, “os exércitos sinistros … bárbaros cuja única honra é a atrocidade.”
But if you look behind the words, their actual meaning is something entirely different. To the kinds of people who throw around such words, “national security” is a corporate-state world order enforced by the United States, run by people like themselves, which enabling global corporations to extract resources and labor from the people of the world and live off unearned rents. “The enemy” is you. And the danger is that you might figure out what’s going on and disturb their cozy little setup.
Se porém olharmos para atrás das palavras, o significado real delas é por vezes inteiramente diferente. Para as pessoas dos tipos que enunciam essas palavras, “segurança nacional” é uma ordem corporativa-estatal imposta pelos Estados Unidos, administrada por pessoas como elas próprias, que possibilitam a corporações globais extraírem recursos e trabalho dos povos do mundo e viverem de rentismo não fruto do trabalho. “O inimigo” é você. E o perigo é você conseguir perceber o que está acontecendo e perturbar o confortável esqueminha deles.
Alex Carey, historian of propaganda, argues that the central pillar of elite rule in mass democracies is the engineering of consent. In the late 19th century two phenomena emerged simultaneously: First, the giant corporation and the power nexus between corporation and state; and second, the threat to that power nexus from universal literacy and universal suffrage. Hence the importance of propaganda, of managing public opinion, in formally representative political systems.
Alex Carey, historiador da propaganda, argumenta que o pilar central do domínio da elite em democracias de massa é a engenharia do consentimento. No final do século 19 dois fenômenos emergiram simultaneamente: Primeiro, a corporação gigantesca e o nexo de poder entre corporação e estado; e, segundo, a ameaça a esse nexo de poder a partir de alfabetização universal e sufrágio universal. Daí a importância da propaganda, de administrar a opinião pública, nos sistemas políticos formalmente representativos.
Samuel Huntington wrote in The Crisis of Democracy, in 1974, that the United States in the two decades after WWII had been the “hegemonic power in a system of world order” — a state of affairs possible only because of a domestic power structure in which the country “was governed by the president acting with the support and cooperation of key individuals and groups in the Executive office, the federal bureaucracy, Congress, and the more important businesses, banks, law firms, foundations, and media, which constitute the private establishment.” And this, in turn, was possible only because of the acquiescence, the passivity, of the American people, and their acceptance of it as a natural, inevitable, and perfectly legitimate state of affairs.
Samuel Huntington escreveu, em A Crise da Democracia, em 1974, que os Estados Unidos, nas duas décadas após a Segunda Guerra Mundial, haviam sido a “potência hegemônica num sistema de ordem mundial” — estado de coisas só possível por causa de uma estrutura interna de poder na qual o país “era governado pelo presidente atuando com o apoio e a cooperação de indivíduos decisivos no Executivo, na burocracia federal, no Congresso, e nas mais importantes empresas, bancos, escritórios de advocacia, fundações, e mídia, que constituem o establishment privado.” E isso, por sua vez, só era possível por causa da aquiescência, a passividade, do povo estadunidense, e da aceitação, por ele, desse estado de coisas como natural, inevitável e perfeitamente legítimo.
The Sixties, as you might expect, scared the crap out of these people. Until then the “New Deal social contract” had worked fairly well (at least for middle class whites): We’ll give you a suburban home, a TV, a new car every five years, and a secure union job with benefits and periodic pay raises. In return, you’ll show up for work in between contract renewal times and let us manage the factories as we see fit without bothering your pretty little heads about it. And you’ll let us manage the world in the interests of GE, GM and United Fruit Company, and look the other way when we install genocidal fascist regimes or fund death squads in Indonesia, Nigeria and Latin America.
Os anos sessenta, como poderíamos esperar, deixou essas pessoas morrendo de medo. Até então, o “contrato social do Novo Pacto” havia funcionado razoavelmente bem (pelo menos para os brancos da classe média): Daremos a vocês uma casa no subúrbio, uma TV, carro novo cada cinco anos, e emprego estável com benefícios e aumentos periódicos de salário. Em troca, vocês comparecerão ao trabalho entre as épocas de renovação de contrato e nos deixarão administrar as fábricas como entendermos correto, sem preocuparem suas lindas cabecinhas com esse assunto. E vocês nos deixarão administrar o mundo no interesse de GE, GM e United Fruit Company, e farão vista grossa quando colocarmos no poder regimes fascistas genocidas ou criarmos esquadrões da morte em Indonésia, Nigéria e América Latina.
The 1960s was the first time since WWII when it seemed to dawn on a significant portion of the public that “another world is possible.”
Os anos 1960 foram a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial em que pareceu surgir a ideia, em significativa parcela do público, de que “outro mundo é possível.”
Since then, management of public opinion to engineer consent has been doubly important to them. That’s why the “national security” community engages in psychological operations to manage public perceptions, the same way they’d manage the perceptions of a wartime enemy — in both cases,  the goal being to manipulate the desired reaction out of us.
Desde então, a administração da opinião pública para engendrar consentimento tornou-se duplamente importante para elas. Eis porque a comunidade de “segurança nacional” lança-se a operações psicológicas para administrar as percepções do público do mesmo modo que administra as percepções referentes ao inimigo em tempo de guerra — sendo a meta, em ambos os casos, manipular a reação desejada de nós.
See, we really are the enemy. Every once in a while one of them slips up and reveals that all that stuff about government representing the sovereign will of the people is so much buncombe. For example, former Clinton Press Secretary Sandy Berger’s statement in 2004: “We have too much at stake in Iraq to lose the American people.”
Vejam, nós realmente somos o inimigo. Vez por outra um deles deixa escapar algo e revela que toda aquela conversa acerca de governo representando a vontade soberana do povo é conversa para boi dormir. Por exemplo, a declaração do ex-Secretário de Imprensa de Clinton, Sandy Berger, em 2004: “Temos demasiado em jogo no Iraque para perdermos o povo estadunidense.”
That’s why they get so bent out of shape when people like Manning and Snowden tell the enemy — people like you and me — the ugly truth about how their sausage is made. Their power depends on keeping us — the enemy — in the dark.
É por isso que eles ficam tão irados quando pessoas como Manning e Snowden contam ao inimigo — a pessoas como você e eu — a feia verdade acerca de como a linguiça deles é feita. O poder deles depende de manter-nos — o inimigo — no escuro.


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