Saturday, June 15, 2013

C4SS - The Banality of Condemnation



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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade sem Estado
A Left Market Anarchist Think Tank and Media Center
Centro de Políticas e de Mídia Esquerdista Anaquista de Mercado
Commentary
Comentário
The Banality of Condemnation
A Banalidade da Condenação
June 12th, 2013
12 de junho de 2013
It seems that the standard media response when whistleblowers come out these days is to twist their images in such a way that no one could ever find them sympathetic figures. It happened to Daniel Ellsberg. It happened to Pfc. B. Manning. And now, it ‘s former Booz Allen Hamilton system administrator Edward Snowden’s turn on the character assassination stage.
Parece que a reação padronizada da mídia ao surgirem denunciantes em nossos dias é distorcer-lhes a imagem de tal maneira que nunca ninguém possa vê-los como pessoas simpáticas. Assim aconteceu com Daniel Ellsberg. Aconteceu com o segundo cabo B. Manning. E, agora, é a vez do ex-administrador de sistemas da Booz Allen Hamilton, Edward Snowden, no palco do assassínio do caráter.
Snowden came out on Sunday (the Guardian‘s Glenn Greenwald) as the person who leaked information about multiple NSA programs to the press. Since then, many commentators have taken it upon themselves to not only question Snowden’s allegiance, but wonder aloud: “Who paid him off?” This task has been taken on most completely by two of journalism’s greatest hacks: New York Times columnist David Brooks and New Yorker writer Jeffrey Toobin.
Snowden tornou-se conhecido no domingo (Gleen Greenwald, do Guardian) como a pessoa que vazou informações acerca de múltiplos programas da Agência de Segurança Nacional - NSA para a imprensa. Desde então, muitos comentadores atribuíram a si próprios a incumbência de não apenas questionar a lealdade de Snowden como ainda de perguntar em voz alta: “Quem o pagou?” Essa tarefa foi assumida mais completamente por dois dos maiores escrevinhadores sem originalidade do jornalismo: o colunista do New York Times David Brooks e o escritor do New Yorker Jeffrey Toobin.
Toobin, in his “Daily Comment” piece “Edward Snowden Is No Hero,” infers from the interviews Snowden has granted that he is a “a grandiose narcissist who deserves to be in prison.” Why?
Toobin, em seu artigo no “Comentário Diário” “Edward Snowden Não É Herói,” infere das entrevistas que Snowden concedeu que ele é “exibido narcisista que merece estar na prisão.” Por quê?
“Any marginally attentive citizen, much less N.S.A. employee or contractor, knows that the entire mission of the agency is to intercept electronic communications. Perhaps he thought that the N.S.A. operated only outside the United States; in that case, he hadn’t been paying very close attention. [...] Any government employee or contractor is warned repeatedly that the unauthorized disclosure of classified information is a crime. But Snowden, apparently, was answering to a higher calling.”
“Qualquer cidadão marginalmente atento, quanto mais um empregado ou empreiteiro da N.S.A., sabe que a missão cabal daquela agência é interceptar comunicações eletrônicas. Talvez ele tenha achado que a N.S.A. funcionava só fora dos Estados Unidos; se esse o caso, ele não estava prestando muita atenção. [...] Qualquer empregado ou empreiteiro do governo é repetidamente advertido de que a revelação não autorizada de informação oficialmente secreta é crime. Snowden, porém, aparentemente, estava respondendo a algum imperativo superior.”
Toobin argues from the mindset that government legality automatically translates into universal morality. Because Snowden knew that leaking his knowledge of what the NSA was up to was illegal and did it anyway, he should be imprisoned for it. This is itself an abhorrent premise to adopt. But Toobin doubles down:
Toobin argumenta a partir da mentalidade segundo a qual a legalidade do governo automaticamente se traduz em moralidade universal. Pelo fato de Snowden saber que vazar seu conhecimento acerca do que a NSA andava aprontando era ilegal e, nada obstante, tê-lo feito, ele deveria ser preso. Essa é ela própria uma premissa de adoção repugnante. Toobin, porém, vai ainda além:
“The American government, and its democracy, are flawed institutions. But our system offers legal options to disgruntled government employees and contractors. They can take advantage of federal whistle-blower laws; they can bring their complaints to Congress; they can try to protest within the institutions where they work. But Snowden did none of this. Instead, in an act that speaks more to his ego than his conscience, he threw the secrets he knew up in the air — and trusted, somehow, that good would come of it. We all now have to hope that he’s right.”
“O governo estadunidense, e sua democracia, são instituições imperfeitas. Nosso sistema, porém, oferece opções legais para empregados e empreiteiros do governo que estejam insatisfeitos. Eles podem valer-se de leis federais de denúncia; podem levar suas reclamações ao Congresso; podem tentar protestar dentro das instituições onde trabalham. Snowden, porém, não fez nada disso. Pelo contrário: num ato que fala mais para o ego do que para a consciência dele, jogou os segredos que conhecia para o alto — e confiou, de algum modo, em que daí resultaria coisa boa. Todos nós agora temos de esperar que ele esteja certo.”
These are, almost word-for-word, the same blind appeals to authority that corporations like Walmart use to quell any thoughts in workers’ minds of doing something as outrageous as going on strike or unionizing. One has to wonder, if Toobin’s career had gone differently and he had ended up as a manager at a Walmart at the center of — for example — the largest class-action sexual discrimination lawsuit in history, whether he would use the same arguments against the women bringing attention to the problem.
Esses são, quase palavra por palavra, os mesmos apelos cegos para a autoridade que corporações como a Walmart usam para sufocar quaisquer pensamentos nas mentes dos trabalhadores de fazerem algo tão ultrajante quanto entrar em greve ou sindicalizar-se. É de se perguntar, se a carreira de Toobin tivesse seguido rumo direrente e ele se tivesse tornado gerente de uma Walmart no centro de  — por exemplo — o maior processo de ação de classe de discriminação sexual da história, se ele usaria os mesmos argumentos contra as mulheres que estão chamando a atenção para o problema.
But Toobin’s bloviations pale in comparison to the monolith of statism that is David Brooks’s latest column.
As verbosidades vazias de Toobin, porém, empalidecem em comparação com o monólito de estatismo que é a coluna mais recente de  David Brooks.
Brooks’s legendary ability to deify, rather than defy, authority bears only a slight mention. Last year, he wrote a column calling (no, this is not a joke) for statues of the elite to be erected in town squares nationwide. This time, Brooks takes his art to a new height (or nadir, depending on perspective).
A lendária capacidade de Brooks de deificar, em vez de desafiar, a autoridade merece apenas leve menção. No ano passado ele escreveu coluna pedindo (não, não é piada) fossem erigidas em praças de pequenas cidades, em todo o país, estátuas da elite. Desta vez, Brooks leva sua arte a novas alturas (ou a novo nadir, dependendo da perspectiva).
Brooks starts his magnum opus by insulting Snowden’s intelligence; a bad move, considering the position he was in (not to mention the experience he had obtained) when he left Booz Allen Hamilton. Brooks quips, “[He] could not successfully work his way through the institution of high school. Then he failed to navigate his way through community college.”
Brooks começa sua magnum opus insultando a inteligência de Snowden; má jogada, considerando-se o cargo que ele tinha (para não mencionar a experiência que havia obtido) quando deixou a Booz Allen Hamilton. Brooks satiriza: “[Ele] não conseguiu ter sucesso na instituição da escola secundária. Depois, não conseguiu navegar através da faculdade comunitária.”
This is only the beginning of Brooks’ attempts to paint Snowden as immoral because of his supposed lack of family values. He continues:
Isso é apenas o início das tentativas de Brooks de pintar Snowden como imoral por causa de sua suposta falta de valores familiares. Ele continua:
“According to The Washington Post, he has not been a regular presence around his mother’s house for years. When a neighbor in Hawaii tried to introduce himself, Snowden cut him off and made it clear he wanted no neighborly relationships. He went to work for Booz Allen Hamilton and the C.I.A., but he has separated himself from them, too.”
“De acordo com The Washington Post, ele não se faz presente nas redondezas da casa da mãe há anos. Quando um vizinho no Havaí tentou apresentar-se, Snowden interrompeu-o e deixou claro não desejar relacionamento com vizinhos. Foi trabalhar para a Booz Allen Hamilton e a C.I.A., mas rompeu com ambas, também.”
Snowden also had a girlfriend. But besides that, this doesn’t seem like deviant behavior from someone in the intelligence community. Spying is a standoffish profession.
Snowden tinha também uma namorada. Contudo, fora isso, seu comportamento não parece fora do padrão de qualquer pessoa da comunidade de inteligência. Espionagem é profissão de gente fria.
Finally, Brooks brings out the smoking gun: Snowden donated $500 to Republican US Representative Ron Paul ‘s 2012 presidential campaign. According to our favorite gumshoe columnist, that outward manifestation of dangerous libertarian ideals is what really makes Snowden a threat.
Finalmente, Brooks mostra a evidência incontroversa: Snowden doou $500 dólares à campanha presidencial de 2012 do Deputado Republicano dos Estados Unidos Ron Paul. De acordo com nosso colunista detetive favorito, essa manifestação exterior de perigosos ideais libertários é o que realmente torna Snowden uma ameaça.
And, in a way, he’s right — If not for Snowden’s libertarian tendencies, the state’s sweeping eavesdropping and data collecting programs wouldn’t have been revealed to the public. We’d still be in the dark.
E, de certo modo, ele está certo — Não fora pelas tendências libertárias de Snowden, os vastos programas de escuta e coleta de dados do governo não teriam sido revelados ao público. Ainda estaríamos na ignorância.
But that isn’t “dangerous.” At least, not in the same ways that David Brooks’ servility is dangerous.
Isso, porém, não é “perigoso.” Pelo menos, não do mesmo modo que é perigoso o servilismo de David Brooks.


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