Friday, June 21, 2013

Americas South and North - Get to Know a Brazilian - Gregório Bezerra



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Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic.
Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico.
Get to Know a Brazilian – Gregório Bezerra
Conheça um Brasileiro – Gregório Bezerra
June 16, 2013
16 de junho de 2013
This is part of an ongoing series. Previous entries can be found here.
Este texto é parte de série em andamento. Afixações anteriores podem ser encontradas aqui.
Continuing the sub-series on the fifteen political prisoners released when young leftists kidnapped US ambassador Charles Elbrick in 1969, this week we look at the oldest prisoner released: Gregório Bezerra, who witnessed and played a key part in the rise and spread of leftist ideas throughout Brazil in the twentieth century.
Continuando a subsérie acerca dos quinze prisioneiros políticos libertados quando jovens esquerdistas sequestraram o embaixador dos Estados Unidos Charles Elbrick em 1969, esta semana consideraremos o mais velho dos prisioneiros libertados: Gregório Bezerra, que testemunhou e desempenhou parte decisiva na ascensão e disseminação de ideias esquerdistas em todo o Brasil no século vinte.
Gregório Lourenço Bezerra was born 13 March 1900 in Pernambuco to poor parents in Brazil’s rural northeast, one of the last of twelve children in a family that did not own any land or even its own home. He was aware of the challenges facing workers from an extremely early age – when he was only four, he began to work in sugar fields alongside his parents in order to help them make enough money to survive. By the age of nine, both of Bezerra’s parents had died. By 10, he’d fled from a house where he worked in slave-like conditions. As a result, he was well aware of the inequalities and challenges that faced workers, and though he remained unable to read until 25, he was heavily interested in politics, and often asked people to read the newspaper to him. When the Russian Revolution broke out in February 1917, Bezerra joined other workers in marching in the streets in support of the revolution and in demanding better rights for Brazilian workers. His actions led to his arrest for “disrupting public order.” Only seventeen, he was sentenced to five years in prison for his actions; it would not be the last time he would receive such a sentence for his beliefs.
Gregório Lourenço Bezerra nasceu em 13 de março de 1900 em Pernambuco, de pais pobres no nordeste rural do Brasil, um dos últimos de doze filhos numa família que não possuía nenhuma terra e nem mesmo sua própria casa. Desde tenra idade tornou-se cônscio dos desafios com que se defrontavam os trabalhadores – quando com apenas quatro anos, começou a trabalhar em plantações de cana juntamente com os pais a fim de ajudá-los a ganhar dinheiro suficiente para sobreviverem. Quando atingiu nove anos de idade, ambos os genitores já haviam morrido. Com 10 anos fugiu de uma casa onde trabalhava em condições de escravatura. Em decorrência, estava muito cônscio das desigualdades e desafios com que os trabalhadores se defrontavam, e embora continuasse incapaz de ler até os 25 anos, estava fortemente interessado em política, e amiúde pedia a pessoas que lessem o jornal para ele. Quando eclodiu a Revolução Russa em fevereiro de 1917, Bezerra juntou-se a outros trabalhadores marchando nas ruas em apoio à revolução e exigindo melhores direitos para os trabalhadores brasileiros. Suas ações levaram a sua detenção por “perturbar a ordem pública.” Com apenas dezessete anos foi sentenciado a cinco anos de prisão por suas ações; não seria a última vez que receberia sentença da espécie por suas crenças.
Upon his release in 1922, Bezerra decided to join the army, hoping to use the opportunity to learn to read. Though already well aware of workers’ struggles and having a genuine curiosity to learn more about socialism, it was only in 1927 that he finally was directly exposed to the ideas of communism. Drawing on the Russian Revolution and Lenin, in 1922 the Partido Comunista Brasileiro [Brazilian Communist Party; PCB] formed in secret, and began publishing a newspaper, A Nação ["The Nation," an ironic title, given Marx's original stance on nationalism and nations]. When Bezerra ran into an old military colleague in downtown Rio, his friend gave him a copy of the paper, and Bezerra found the ideas he’d felt and experienced since his childhood. Another chance encounter led to this same friend giving him a copy of “The Working Class,” another leftist paper. Bezerra described this experience as his own personal “catechism.”
Ao ser libertado em 1922, Bezerra resolveu entrar no exército, esperando usar tal oportunidade para aprender a ler. Embora já muito cônscio das lutas dos trabalhadores e tendo genuína curiosidade de aprender mais acerca do socialismo, foi só em 1927 que finalmente ficou diretamente exposto às ideias do comunismo. Inspirando-se na Revolução Russa e em Lenin, em 1922 o Partido Comunista Brasileiro [Brazilian Communist Party; PCB] foi formado em segredo, e começou a publicar um jornal, A Nação ["The Nation," título irônico, dada a posição original de Marx acerca de nacionalismo e nações]. Quando Bezerra encontrou por acaso um colega militar no centro do Rio, tal amigo deu-lhe um exemplar do jornal, e Bezerra encontrou as ideias que havia acalentado e experimentado desde a infância. Outro encontro casual levou aquele mesmo amigo a dar-lhe exemplar de “A Classe Trabalhadora,” outro jornal esquerdista. Bezerra descreveu essa experiência como sendo seu “catecismo” pessoal.
In 1930, he returned to Pernambuco and became an official member of the PCB. Still in the military, he fought for the national government of Getúlio Vargas against rebels in São Paulo in the 1932 Constitutionalist Revolt. However, as the 1930s progressed, the radical right-wing, embodied by the pseudo-fascist Integralista Movement, was ascendant in Vargas’s government, and the left found itself increasingly persecuted. In an attempt to combat fascism, some leftists formed the Aliança Nacional Libertadora [National Liberating Alliance; ANL], which had ties to the PCB but was not officially a part of the Party. Bezerra joined the ANL, and in July 1935, the ANL, speaking out against fascism and defending the working class, rose up and called for an end to Vargas’s government. The movement failed, however, and the government quickly suppressed it; Bezerra himself was arrested and sentenced to 28 years in prison for his role in the ANL. The uprising was significant for other reasons, as well; though it would not be until November 1937 that Vargas’s Estado Novo dictatorship began, the repressive tactics and increasing censorship of that regime had its roots in the ANL’s failed revolt. While in prison in Rio de Janeiro, Bezerra shared a cell with PCB secretary general Luís Carlos Prestes, also in prison for his communist beliefs.
Em 1930, voltou a Pernambuco e tornou-se membro oficial do PCB. Ainda na instituição militar, lutou pelo governo nacional de Getúlio Vargas contra rebeldes em São Paulo na Revolta Constitucionalista de 1932. Entretanto, à medida que os anos 1930 progrediam, a direita radical, representada pelo pseudofascista Movimento Integralista, ascendia no governo Vargas, e a esquerda via-se cada vez mais perseguida. Numa tentativa de combater o fascismo, alguns esquerdistas formaram a Aliança Nacional Libertadora [National Liberating Alliance; ANL], que tinha vínculos com o PCB mas não era oficialmente parte do Partido. Bezerra ingressou na ANL e, em julho de 1935, a ANL, falando contra o fascismo e defendendo a classe trabalhadora, levantou-se e exigiu o fim do governo Vargas. O movimento fracassou, entretanto, e o governo rapidamente o reprimiu; o próprio Bezerra foi preso e sentenciado a 28 anos de prisão por seu papel na ANL. O levante foi importante por outros motivos, também; embora só em novembro de 1937 a ditadura do Estado Novo começasse, as táticas repressivas e a crescente censura daquele regime tiveram suas raízes na fracassada revolta da ANL. Enquanto na prisão no Rio de Janeiro, Bezerra partilhou cela com o secretário-geral do PCB Luís Carlos Prestes, também na prisão por suas crenças comunistas.
Under pressure, Vargas left power in 1945, and with the end of the Estado Novo, the government released its political prisoners, including Bezerra. The PCB was made legal again and ran candidates in elections. Ultimately, Prestes was elected the PCB’s sole representative in the Senate, but fourteen men were elected to the Chamber of Deputies; Bezerra was among them, getting more votes than any other candidate in the Chamber. As a Deputy, he used his power to speak out on behalf of workers, defending agrarian reform, the right to independent unions, the right to strike, the right of children not to work [a subject that was particularly personal to Bezerra], child care for single and working mothers, and the right to vote for those who could not read, among other issues. However, the institutional success of the PCB was short-lived; in 1947, he was stripped of his political rights (as were the other members of the PCB serving in Congress) and then arrested on trumped-up charges of arson, serving two more years before being absolved of any crime. Having already spent more than a third of his life in prison and fearing further persecution, he went into clandestinity for several years, remaining on the move but working with unions and organizing workers all the while. In 1957, he was finally caught and arrested once again, this time for his role in helping form Ligas Camponesas [Peasants' Leagues] in the Northeast, though he was released through habeas corpus. Bezerra remained active, though, and was elected to the General Committee of the PCB in 1960.
Sob pressão, Vargas deixou o poder em 1945 e, com o fim do Estado Novo, o governo libertou seus prisioneiros políticos, inclusive Bezerra. O PCB foi tornado legal de novo e teve candidatos em eleições. Por fim, Prestes foi eleito como único representante do PCB no senado, mas quatorze homens foram eleitos para a Câmara dos Deputados; Bezerra estava entre eles, obtendo mais votos do que qualquer outro candidato na Câmara. Como Deputado, ele usou seu poder para falar em defesa dos trabalhadores, defendendo reforma agrária, o direito de sindicatos independentes, o direito de greve, o direito de crianças não trabalharem [tema particularmente pessoal para Bezerra], cuidado de crianças para mães solteiras e trabalhadoras, e o direito de voto para os que não sabiam ler, entre outros pontos. Entretanto, o sucesso institucional do PCB teve vida curta; em 1947, Bezerra foi destituído de seus direitos políticos (como também os outros membros do PCB no Congresso) e em seguida preso sob falsas acusações de ser incendiário, cumprindo mais dois anos antes de ser absolvido de qualquer crime. Tendo já passado mais de um terço de sua vida na prisão e temendo perseguição adicional, entrou na clandestinidade onde ficou por diversos anos, mudando-se continuamente mas trabalhando com sindicatos e organizando trabalhadores concomitantemente. Em 1957, foi finalmente apanhado e mais uma vez preso, desta vez por seu papel em ajudar a formar as Ligas Camponesas [Peasants' Leagues] no Nordeste, embora fosse libertado por meio de habeas corpus. Bezerra permaneceu ativo, entretanto, e foi eleito para o Comitê Geral do PCB em 1960.
Like so many others from socially progressive and leftist parties and movements, Bezerra’s life changed with the military coup that overthrow constitutional president João Goulart on 1 April 1964. Given his high profile and his ties to the oldest communist party in Brazil, the military promptly arrested and tortured Bezerra. Indeed, he seemed to be the perfect example of what the military claimed was the reason for its coup (which it defined as a “revolution”): in the early 1960s, there was a growing fear among right-wing forces in both military and civilian camps that there was an “International Communist Movement” that had targeted Brazil. Given the PCB’s sympathies with and open support for the Soviet Communist Party and for Marxist-Leninism, it was the best example of the perceived threat that these right-wing forces feared and used to legitimize their rule. In arresting Bezerra, they were making a stand against the so-called “International” movement while hoping to drum up support by providing examples.  However, the arrest of Bezerra backfired somewhat. Images of Bezerra, half-naked and clearly unarmed yet surrounded by soldiers in the middle of public in Pernambuco, circulated throughout the country, and many found the regime’s treatment of the now-64-year-old to be excessive. That did not prevent the military from sentencing Bezerra to nineteen years in prison for “subversion”; under the sentence, he would have remained in prison until he was 83.
Como tantas outras pessoas de partidos e movimentos socialmente progressistas e esquerdistas, a vida de Bezerra mudou com o golpe militar que derrubou o presidente constitucional João Goulart em 1o. de abril de 1964. Dados sua notoriedade e seus vínculos com o mais antigo partido comunista do Brasil, a instituição militar prontamente prendeu e torturou Bezerra. Na verdade, ele parecia ser o exemplo perfeito do que a instituição militar alegava ser o motivo do golpe (que definia como “revolução”): no início dos anos 1960, havia crescente temor, entre as forças da direita, tanto nos arraiais militares quanto civis, de que existisse um “Movimento Comunista International” que teria selecionado o Brasil como objeto de ataque. Dadas as simpatias do PCB pelo, e seu aberto apoio ao, Partido Comunista Soviético e marxismo-leninismo, ele era o melhor exemplo da ameaça percebida que aquelas forças de direita temiam e usaram para legitimar seu governo. Prendendo Bezerra, estavam desafiando o assim chamado movimento “internacional” esperando ao mesmo tempo angariar apoio mediante proporcionarem exemplos. Entretanto, o tiro da prisão de Bezerra de algum modo saiu pela culatra. Imagens de Bezerra, seminu e claramente desarmado e ainda assim cercado por soldados, no meio do público em Pernambuco, circularam pelo país, e muitas pessoas acharam que o tratamento dado ao homem agora com 64 anos de idade era excessivo. Isso não impediu a instituição militar de sentenciar Bezerra a dezenove anos de prisão por “subversão”; pela sentença, ele teria permanecido na prisão até os 83 anos de idade.
Bezerra, under arrest and surrounded by soldiers. Given his past activism and open ties to Communism, Bezerra was one of the first people arrested. The treatment he received, captured in this photo, caused outrage among some in Brazil and made him a cause célèbre among a younger generation of leftists that often disagreed with Bezerra’s actual ideologies.
Bezerra, preso e cercado por soldados. Dados seu passado ativismo e vínculos abertos com o comunismo, Bezerra foi uma das primeiras pessoas presas. O tratamento que recebeu, captado nesta foto, causou indignação entre algumas pessoas no Brasil e tornou-o cause célèbre entre uma geração mais jovem de esquerdistas que amiúde discordavam das ideologias específicas de Bezerra.
While Bezerra was in prison, a major shift in radical politics was taking place in Brazil. Even before the military regime, some were beginning to question the PCB’s tactics; they felt that ties to the Soviet Union, discredited among the left when the horrors of Stalinism were made public in the latter half of the 1950s, undermined the party’s legitimacy. Additionally, they were increasingly critical of the PCB’s insistence on fomenting revolution through institutional means like elections and Congress. When the 1964 coup happened, many grew further discontented, saying that not only had the PCB’s tactics failed to create revolution, they’d failed to prevent a right-wing coup. Thus, a new generation of leftists, especially among university-age students and workers, began to turn to alternative models, be it the example of Ché Guevara’s foquismo as expressed by Régis Debray, or be it by the Maoist model. By 1968, a number of small guerrilla groups had formed, drawing on and adapting these newer models of leftism and swearing off the older Russian-influenced theories and models that the PCB had employed since 1922.
Enquanto Bezerra estava na prisão, tinha lugar mudança importante na política radical no Brasil. Mesmo antes do regime militar, algumas pessoas começavam a questionar a tática do PCB; achavam que vínculos com a União Soviética, desacreditada na esquerda quando os horrores do stalinismo foram tornados públicos na segunda metade dos anos 1950, minavam a legitimidade do partido. Ademais, elas se tornavam cada vez mais críticas em relação à insistência do PCB em fomentar revolução por meios institucionais tais como eleições e o Congresso. Ao acontecer o golpe de 1964, muitas pessoas ficaram ainda mais descontentes, dizendo que a tática do PCB não apenas havia falhado em criar revolução, como havia falhado em impedir golpe de direita. Assim, uma nova geração de esquerdistas, especialmente entre estudantes em idade universitária e trabalhadores, começou a voltar-se para modelos alternativos, quer para o exemplo do foquismo de Ché Guevara tal como expressado por Régis Debray, ou o modelo maoísta. Em 1968, diversos pequenos grupos guerrilheiros haviam-se formado, abeberando-se de e adaptando aqueles modelos mais novos de esquerdismo e distanciando-se das teorias e dos modelos mais antigos influenciados pela Rússia que o PCB havia empregado desde 1922.
One of these new guerrilla groups was the Movimento Revolucionário 8 de Outubro [October 8 Revolutionary Movement; MR-8], named after the day Ché Guevara had been captured in 1967. In 1969, as Brazil was entering its most repressive phase of the dictatorship, the MR-8 hatched a plan: they would kidnap US Ambassador Charles Elbrick, and offer his release in exchange for fifteen political prisoners. The plan went off nearly perfectly – such an attack had never happened before, and Elbrick and his security were unprepared. The MR-8, with help from the Ação Libertadora Nacional  [National Liberating Action], captured Elbrick, and put together their list of prisoners to be released. Near the top of the list was none other than Gregório Bezerra, who insisted on the means and instruments of revolution that groups like the MR-8 had disavowed. In spite of these differences, though, the students appreciated Bezerra’s contributions to leftism in Brazil historically and his efforts on behalf of workers, and the image of the older man under arrest in 1964 had made him a symbol of repression under the dictatorship.
Um desses novos grupos guerrilheiros era o Movimento Revolucionário 8 de Outubro [October 8 Revolutionary Movement; MR-8], com o nome do dia em que Ché Guevara havia sido capturado em 1967. In 1969, enquanto o Brasil entrava na fase mais repressiva da ditadura, o MR-8 concebeu um plano: sequestraria o Embaixador dos Estados Unidos Charles Elbrick, e ofereceria sua libertação em troca de quinze prisioneiros políticos. O plano foi implementado quase perfeitamente – ataque da espécie nunca havia acontecido antes, e Elbrick e sua segurança estavam despreparados. O MR-8, com ajuda da Ação Libertadora Nacional  [National Liberating Action], capturou Elbrick, e elaborou sua lista de prisioneiros a serem libertados. Quase no topo da lista estava ninguém outro senão Gregório Bezerra, que insistia nos meios e instrumentos de revolução que grupos como o MR8 haviam negado. A despeito dessas diferenças, entretanto, os estudantes valorizavam as contribuições de Bezerra para o esquerdismo no Brasil historicamente e os esforços dele em favor dos trabalhadores, e a imagem do homem já mais velho preso em 1964 haviam-no tornado um símbolo da repressão sob a ditadura. 
Thus it was that, only five years into his nineteen-year sentence, Bezerra was released, joining fourteen other political prisoners who were sent to exile in Mexico in exchange for Elbrick. However, Bezerra did not appear in the famous photo of the prisoners; they departed from Rio de Janeiro, and stopped in Recife to pick up Bezerra, where he had been imprisoned. The other prisoners fondly recalled that, upon boarding, he began whistling “The Internationale,” and the young soldiers guarding the prisoners did nothing, unaware of what the song signified.
Assim foi que, apenas cinco anos depois de iniciada sua sentença de dezenove anos, Bezerra foi libertado, juntando-se a outros quatorze prisioneiros políticos que foram mandados para o exílio no México em troca de Elbrick. Entretanto, Bezerra não apareceu na famosa foto dos prisioneiros; eles partiram do Rio de Janeiro, e pararam em Recife para pegar Bezerra, que estava preso lá. Os outros prisioneiros carinhosamente lembraram-se de que, ao embarcar, ele começou a assobiar “A Internacional,” e os jovens soldados que escoltavam os prisioneiros nada fizeram, ignorantes do que a canção significava.
Though grateful for his freedom, Bezerra did not fully agree with how it had come about. Given the differences in ideology and party affiliation between Bezerra and leftist university students in the 1960s, even with his release he was critical of the students’ tactics to try to spur revolution. He openly admitted that he disapproved of isolated actions on the part of small guerrilla groups, believing them to contribute nothing to developing broader processes of revolution; nor did he approve of proactive violence. Like the Marxist-Leninist he was, he spoke out against individual acts of violence, saying he fought against power systems and not against individual people (like Elbrick). As he himself put it, “I only believe in violence of the masses against the violence of reaction.” With statements like these, it is not hard to see why students of the 1960s who looked to Che and Mao found little in Bezerra’s stance that they could agree with. Nonetheless, his status as one of the key figures of both Brazilian Communism and of repression under the dictatorship made him a sympathetic figure for youth, even if they did not agree with his ideologies. And considering the inability for later movements like the guerrilla movement in Araguaia to create peasant revolution, or the urban guerrilla movements in São Paulo, Rio de Janeiro, and elsewhere to really undermine the power of the state, it is clear that Bezerra’s arguments and views were not necessarily unrealistic.
Embora grato por sua liberdade, Bezerra não  concordava inteiramente com como ela havia ocorrido. Dadas as diferenças de ideologia e de filiação partidária entre Bezerra e os estudantes universitários esquerdistas dos anos 1960, mesmo libertado ele criticava as táticas dos estudantes para deflagrar revolução. Admitiu abertamente desaprovar ações isoladas por parte de pequenos grupos guerrilheiros, acreditando que não contribuíam em nada para desenvolver processos mais amplos de revolução; nem aprovava ele violência proativa. Como marxista-leninista que era, falava contra atos individuais de violência, dizendo que combatia sistemas de poder e não pessoas individuais (como Elbrick). Nas próprias palavras dele, “só acredito na violência das massas contra a violência da reação.” Com declarações como essa, não é difícil ver por que estudantes dos anos 1960 que olhavam para Che e Mao mal encontravam na posição de Bezerra qualquer coisa com que pudessem concordar. Todavia, sua condição como uma das figuras decisivas tanto do comunismo brasileiro quanto da repressão sob a ditadura tornavam-no figura alvo de simpatia pelos jovens, ainda quando estes não concordassem com as ideologias dele. E, considerando-se o fracasso de movimentos posteriores tais como o movimento da guerrilha do Araguaia para criar revolução camponesa, ou dos movimentos guerrilheiros urbanos em São Paulo, Rio de Janeiro e outros lugares para realmente minar o poder do estado, fica claro que os argumentos e pontos de vista de Bezerra não eram necessariamente não realistas. 
These generational and ideological differences manifested themselves in exile, as well. All fifteen prisoners went to Mexico and then to Cuba, where many of the younger exiles hoped to receive training before returning to Brazil to continue to fight. Bezerra, however, was uninterested in their models of revolution, and instead continued on to the Soviet Union, where he received medical treatment for the injuries and poor health he suffered under torture and in prison. He continued to serve as an activist, fighting for workers’ rights through international organizations. In 1979, the last military president, João Figueiredo, declared a general amnesty that pardoned political prisoners and exiles (as well as those within the state who were guilty of torture, kidnapping, and murder). With the amnesty, Bezerra returned to Brazil, welcomed as a hero by many who admitted that, even if they did not agree with his ideas or beliefs, they respected his adherence to them; additionally, in spite of all he had been through in life, Bezerra never seemed to bear any anger or ill will towards the regimes or people who had mistreated him in the past, making him a more admirable figure in the eyes of many in Brazil.
Essas diferenças de geração e ideologia manifestaram-se no exílio, também. Todos os quinze prisioneiros foram para o México e depois para Cuba, onde muitos dos jovens exilados esperavam receber treinamento antes de voltarem ao Brasil para continuarem a lutar. Bezerra, contudo, não estava interessado nos modelos de revolução deles e, diferentemente, continuou até chegar à União Soviética, onde recebeu tratamento médico para os ferimentos e a saúde combalida decorrentes de tortura e prisão. Ele continuou a servir como ativista, lutando pelos direitos dos trabalhadores por meio de organizações internacionais. Em 1979, o último presidente militar, João Figueiredo, declarou anistia geral que perdoou prisioneiros políticos e exilados (bem como aqueles que, dentro do estado, eram culpados de tortura, sequestro e assassínio). Com a anistia, Bezerra voltou ao Brasil, recebido como herói por muitos que admitiam que, embora não concordassem com as ideias e as crenças dele, respeitavam a aderência dele a elas; ademais, a despeito de tudo pelo que passara na vida, Bezerra nunca pareceu guardar qualquer raiva ou ressentimento em relação aos regimes ou pessoas que o haviam maltratado no passado, tornando-o figura mais admirável ainda aos olhos de muitas pessoas no Brasil. 
Upon his return, Bezerra broke with the PCB, though he continued to proclaim himself a Marxist-Leninist. He instead supported the broader, coalition-like opposition party, the Partido Movimento Democrático Brasileiro [Brazilian Democratic Movement Party], even running once more for the Chamber of Deputies under the PMDB umbrella in 1982. Though he did not win outright election, he did win a position as a surrogate to the Congress, a sign of the respect he had gained over the years.
Ao retornar, Bezerra rompeu com o PCB, embora continuasse a proclamar-se marxista-leninista. Apoiou, pelo contrário, o partido mais amplo de oposição, tipo coalização, o Partido Movimento Democrático Brasileiro [Brazilian Democratic Movement Party], chegando a concorrer, uma vez, para a Câmara dos Deputados sob a égide do PMDB em 1982. Embora não tenha ganho a eleição diretamente, obteve cargo de suplente no Congresso, símbolo do respeito que granjeara ao longo dos anos.
Bezerra and popular songwriter/singer Chico Buarque (wearhing a shirt with Bezerra on it). The photo was taken about one year before Bezerra passed away.
Bezerra e o compositor/cantor popular Chico Buarque (com camisa com a imagem de Bezerra). A foto foi tirada cerca de um ano antes do falecimento de Bezerra.
However, he never did serve in Congress directly again. In October 1983, Bezerra had a heart attack and passed away at the age of 83 – ironically, the very age he would have been had he been forced to complete his prison sentence from 1964. His body lay in state in the Legislative Assembly of Pernambuco, and thousands turned out to offer their final respects. Overall, he’d spent more than twenty-two years of his life in prison for his beliefs. Nonetheless, he remained famous for his generosity, his story-telling abilities, and his willingness to fight for the oppressed. Throughout his life, he spoke out on behalf of the poor, the exploited, and the young. Indeed, toward the end of his life, he said he wanted to be remembered as someone who “was a friend to children, to the poor and the excluded; loved and respected by the people, by the exploited and suffering masses; hated and feared by the capitalists, considered enemy number 1 by Fascist Dictatorships.” Given the time he spent in prison during right-wing regimes, and the support he received upon his return to Brazil and the respect he was afforded in death, it seems fair to say that, in those terms, his life was a success. And even if the revolution and equality Bezerra fought for never materialized in ways he hoped, his success in improving the lives of workers in cities and countryside alike and his impact on Brazilian politics in the twentieth century are undeniable.
Entretanto, ele nunca serviu no Congresso diretamente outra vez. Em outubro de 1983, Bezerra teve um ataque cardíaco e morreu com 83 anos de idade - ironicamente, exatamente a idade que teria se tivesse sido forçado a completar sua sentença de prisão de 1964. Seu corpo ficou em velório na Assembleia Legislativa de Pernambuco, e milhares de pessoas lá foram para oferecer-lhe seus respeitos finais. No todo, ele passou mais de vinte e dois anos da vida na prisão por suas crenças. Todavia, permaneceu famoso por sua generosidade, sua habilidade de contar histórias, e sua disposição de lutar pelos oprimidos. Ao longo de sua vida, falou em favor dos pobres, dos explorados, e dos jovens. Na verdade, no final da vida, disse que desejaria ser lembrado como alguém que “era amigo das crianças, dos pobres e dos excluídos; amado e respeitado pelo povo, pelas massas exploradas e sofredoras; odiado e temido pelos capitalistas, considerado inimigo número 1 pelas Ditaduras Fascistas.” Dados o tempo que passou na prisão durante regimes de direita, e o apoio que recebeu ao voltar ao Brasil e o respeito que granjeou na morte, parece justo dizer que, nesses termos, sua vida foi um sucesso. E mesmo se a revolução e a igualdade pelas quais Bezerra lutou nunca se tenham materializado das maneiras que ele esperava, seu sucesso em melhorar a vida dos trabalhadores tanto nas cidades quanto no campo e seu impacto sobre a política brasileira no século vinte são inegáveis.
Gregorio Bezerra, 1900-1983.
Gregório Bezerra, 1900-1983.

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