Thursday, June 13, 2013

Americas South and North - Get to Know a Brazilian - Vera Sílvia Magalhães



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Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic.
Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico.
Get to Know a Brazilian – Vera Sílvia Magalhães
Conheça um Brasileiro – Vera Sílvia Magalhães
April 7, 2013
7 de abril de 2013
While recent posts in this series focused on the presidents of Brazil’s military dictatorship, no country’s history, society, or politics is defined merely by its (male) political leaders. During the dictatorship, millions of Brazilians resisted the military’s authority (even while millions more supported it), and support and/or opposition from various social groups ebbed and flowed throughout twenty-one years of military rule. While there is no shortage of materials on resistance to the dictatorship, especially in the 1960s, such work tends to focus on the men (often university students) who challenged the regime (and who later went on to play roles in the post-dictatorship state), even while women played key roles in the student movements that challenged military rule in a number of ways. Thus, this week we begin looking at the lives of these women, often ignored in the narrative of resistance to the dictatorship , by focusing on one of the most important yet most overlooked figures of student politics and resistance in the 1960s: Vera Sílvia Magalhães.
Embora recentes afixações desta série tenham focado os presidentes da ditadura militar do Brasil, a história, a sociedade ou a política de nenhum país é definida meramente por seus líderes políticos do sexo masculino. Durante a ditadura, milhões de brasileiros resistiram à autoridade da instituição militar (embora outros milhões a apoiassem), e houve fluxos e refluxos na maré de apoio e/ou oposição de vários grupos sociais durante os vinte e um anos do regime militar. Embora não haja racionamento de materiais acerca da resistência à ditadura, especialmente nos anos 1960, tal obra tende a focar os homens (amiúde estudantes universitários) que desafiaram o regime (e que mais tarde vieram a desempenhar papel no estado pós-ditadura), embora as mulheres, de diversas maneiras, tenham desempenhado papéis decisivos nos movimentos estudantis que desafiaram o regime militar. Assim, pois, esta semana começaremos a considerar a vida dessas mulheres, amiúde ignoradas em a narrativa da resistência à ditadura, mediante focar uma das mais importantes e, nada obstante, mais negligenciadas figuras da politica estudantil e da resistência nos anos 1960: Vera Sílvia Magalhães.
Vera Sílvia Magalhães in 2001. [Photo available at Folha de São Paulo.]
Vera Sílvia Magalhães em 2001. [Foto disponível na Folha de São Paulo.]
Vera Sílvia Magalhães was born to a middle-class family in Rio de Janeiro in 1948. Although her family was from the carioca upper middle class, they did not shy away from communism; she allegedly first read Marx and Engels after a family member gave her the Communist Manifesto. Although apocryphal, what is certain is that, from an early age, she was exposed to the ideas of the left, and by the age of 15, she was a member of the Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas (Municipal Association of Secondary Students; AMES). One year after she joined AMES, the military overthrew constitutional president João Goulart in a coup, ushering in a right-wing military regime.
Vera Sílvia Magalhães nasceu em família da classe média do Rio de Janeiro em 1948. Embora a família dela fosse da classe média alta carioca, não fazia restrições ao comunismo; ela teria lido Marx e Engels pela primeira vez depois de membro da família ter-lhe dado o Manifesto Comunista. Embora isso não tenha sido confirmado, é certo que, desde tenra idade, ela ficou exposta às ideias da esquerda e, com 15 anos de idade, era membro da Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas (Municipal Association of Secondary Students; AMES). Um ano depois de ter-se filiado á AMES, a instituição militar derrubou o presidente constitucional João Goulart num golpe, inaugurando um regime militar de direita.
Although president Humberto Castelo Branco’s government had made early attempts to crack down on the student movements in Brazil, they were not as thorough or persistent as efforts to persecute labor activists, high-ranking politicians, or members of Brazil’s Leninist Partido Comunista Brasileiro (Brazilian Communist Party; PCB). Thus, less than two years after the coup, university students had become one of the main groups still openly challenging the military dictatorship, criticizing it both along ideological lines while also making more quotidian demands that reflected their experiences as middle-class university students. While some students participated in protests through the “semi-clandestine” National Students Union (UNE), by 1967, other students were becoming more radical. Discontent with the failures of the PCB to adequately address the “Brazilian reality” and frustrated by the fact that, far from ending the dictatorship, street protests only seemed to lead to intensifying police violence under president Artur Costa e Silva, some leftist students looked for more radical solutions to transform Brazilian politics and society. Yet the older members of the PCB, Brazil’s first communist party, refused to endorse the armed struggle as a path towards social change and the end of the dictatorship. As a result, university students turned to alternate offshoot groups. Drawing on the model of the Cuban revolution and abandoning the “Old left” of Leninism for Maoist and/or “Dissident” versions of communism, a small number of urban youth began to see the luta armada, or armed struggle, as the only path to bring down the dictatorship.
Embora o governo do presidente Humberto Castelo Branco  tivesse feito tentativas iniciais de esmagar os movimentos estudantis no Brasil, elas não foram tão amplas ou persistentes quanto esforços de perseguir ativistas do trabalho, políticos de alto escalão, ou membros do leninista Partido Comunista Brasileiro (Brazilian Communist Party; PCB). Assim, menos de dois anos depois do golpe, estudantes universitários haviam-se tornado um dos principais grupos que ainda desafiavam abertamente a ditadura militar, tanto criticando-a ao longo de linhas ideológicas quanto fazendo exigências mais quotidianas que refletiam suas experiências como estudantes universitários de classe média. Embora alguns estudantes tenham participado de protestos por meio da “semiclandestina” União Nacional dos Estudantes (UNE), ao chegar o ano de 1967 outros estudantes estavam-se tornando mais radicais. Descontentes com as insuficiências do PCB para endereçar-se adequadamente à “realidade brasileira” e frustrados pelo fato de que, longe de acabarem com a ditadura, protestos de rua apenas pareciam levar a intensificação da violência da polícia no governo do presidente Artur Costa e Silva, alguns estudantes esquerdistas procuraram soluções mais radicais para transformar a política e a sociedade do Brasil. No entanto, os membros mais velhos do PCB, primeiro partido comunista do Brasil, recusaram-se a endossar a luta armada como via rumo a mudança social e ao fim da ditadura. Em decorrência, estudantes universitários voltaram-se para grupos derivados alternativos. Recorrendo ao modelo da revolução cubana e abandonando a  “velha esquerda” do leninismo em favor de versões maoístas e/ou “dissidentes” do comunismo, pequeno número de jovens urbanos começou a ver a luta armada como o único caminho para derrubada da ditadura.
Vera Magalhães was one such student. Amidst the regime’s increasing repression and its efforts to silence critics (even moderate ones), in 1968 Magalhães, now 20 and enrolled in university, joined the clandestine Movimento Revolucionário 8 de Outubro (Revolutionary Movement of October 8), or MR-8, named after the day CIA-supported Bolivian troops captured Ché Guevara in 1967 [they executed him one day later]. Another group had been operating with the name MR-8, but the regime had captured almost all of its members, trumpeting the regime’s triumph to the public. In an attempt to discredit the regime, Magalhães and other members of the MR-8 began launching increasingly high-profile actions under the MR-8 moniker to indicate that opposition did not end with the arrest of a handful of individuals. Throughout 1968 and 1969, these armed groups mobilized in high-profile actions, even while the student movement faced increasing repression. They attacked banks, where they “expropriated” money from foreign capital and from the bourgeoisie, abandoning the student movement for armed struggle and bank robberies that helped fund the organization and marked an ideological attack on capital both foreign and domestic. In these expropriations, Magalhães, with her blonde wig and her two .45-caliber pistols, captured the attention of the media, which named her “Blonde ’90.”
Vera Magalhães era um desses estudantes. Em meio à crescente repressão do regime e aos esforços deste para silenciar críticos (mesmo moderados), em 1968 Magalhães, agora com 20 anos e inscrita na universidade, juntou-se ao clandestino Movimento Revolucionário 8 de Outubro (Revolutionary Movement of October 8), ou MR-8, de nome inspirado no dia em que tropas bolivianas apoiadas pela CIA capturaram Che Guevara em 1967 [executaram-no um dia depois]. Outro grupo havia operado com o nome de MR-8, mas o regime havia capturado quase todos os seus membros, trombeteando para o público o triunfo do regime. Numa tentativa de desacreditar o regime, Magalhães e outros membros do MR-8 começaram a deflagrar ações cada vez mais conspícuas sob a sigla MR-8 para sugerir que a oposição não acabara com a detenção de um punhado de indivíduos. Ao longo de 1968 e 1969, esses grupos armados mobilizaram-se em ações conspícuas, mesmo com o movimento estudantil enfrentando crescente repressão. Atacaram bancos, de onde “expropriaram” dinheiro de capital estrangeiro e da burguesia, abandonando o movimento estudantil pela luta armada e roubos de bancos que ajudavam a financiar a organização e caracterizavam ataque ideologico ao capital tanto estrangeiro quanto doméstico. Nessas expropriações, Magalhães, com sua peruca loura e duas pistolas calibre .45, captou a atenção da mídia, que a alcunhou de “Loura ’90.”
In this context, Magalhães came to play a vital role in one of the boldest moves against the dictatorship. As the military  used the new repressive Institutional Act Number 5 and Decree-Law 477  increase arrests and the use of torture against prisoners even while censoring the media, Magalhães and the MR-8 decided to act more boldly. She and a few of her colleagues came up with a plot to kidnap Charles Burke Elbrick, the US Ambassador to Brazil. No ambassador had ever been kidnapped before, and so the move was as innovative as it was daring. Magalhães spent time watching Elbrick’s route from his home to the US embassy in Botafogo, and even flirted with the chief of security in order to get him to reveal information about Elbrick’s routine. With the information she had gathered and the plans she had helped create, the MR-8 moved, and on September 4, 1969, they kidnapped Elbrick, the first time in world history that an ambassador had been kidnapped. MR-8 pledged Elbrick’s safe release in return for the release of 15 political prisoners and the reading on television of a declaration that expressed the MR-8′s visions and would break through the censorship the military had imposed; if the military refused to meet their conditions, they promised to kill the ambassador. The conditions put thus put Elbrick’s fate as much in the hands of the military as in the hands of his captors.
Nesse contexto, Magalhães veio a desempenhar papel vital em uma das mais ousadas manobras contra a ditadura. Enquanto a instituição militar usava o novo repressivo Ato Institucional Número 5 e o Decreto-Lei 477 para aumentar as detenções e o uso da tortura contra prisioneiros enquanto ao mesmo tempo censurava a mídia, Magalhães e o MR-8 decidiram agir mais ousadamente. Ela e alguns de seus colegas idealizaram um plano para sequestrar Charles Burke Elbrick, Embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Nenhum embaixador fora, jamais, sequestrado antes e, pois, a manobra foi tão inovadora quanto ousada. Magalhães gastou tempo observando a rota de Elbrick da casa dele à embaixada dos Estados Unidos em Botafogo, e até flertou com o chefe da segurança para levá-lo a revelar informações acerca da rotina de Elbrick. Com as informações que coletara e os planos que ajudou a criar, o MR-8 movimentou-se e, em 4 de setembro de 1969, sequestrou Elbrick, a primeira vez na história mundial que um embaixador foi sequestrado. O MR-8 prometeu libertação segura para Elbrick em troca da libertação de 15 prisioneiros políticos e a leitura, na televisão, de uma declaração que expressava os pontos de vista do MR-8 e furava o cerco da censura que a instituição militar havia imposto; se a instituição militar se recusasse a atender a suas condições, prometeu matar o embaixador. As condições estipuladas colocaram portanto o destino de Elbrick nas mãos da instituição militar, tanto quanto nas mãos de seus captores.
Charles Burke Elbrick, the US Ambassador to Brazil from July 1969 to May 1970.
Charles Burke Elbrick, Embaixador dos Estados Unidos no Brasil de julho de 1969 a maio de 1970.
Although they did not realize it, Magalhães and her colleagues had perfectly, albeit accidentally, timed the kidnapping. At the end of August, president Costa e Silva had a massive stroke that had left the president incapacitated; not wanting to make clear that the country was presently effectively leaderless, the military had not announced his condition to the country. The regime thought it could safely pretend everything was fine until it found a way to replace the now-semi-paralyzed president. Unfortunately for military brass, the kidnapping of Elbrick had left them both unprepared and unable to quickly respond. Adding to the complications was the fact that the US, a major economic and political supporter of the dictatorship, was more than a little interested in seeing its ambassador safely released no matter the cost. In this context, the military split; some insisted that the government had to meet their demands so as to not lose the US’s support; others insisted meeting the demands would be a sign of military weakness, and that it was better to let Elbrick die.
Embora não percebessem, Magalhães e colegas haviam cronometrado perfeitamente, embora acidentalmente, o sequestro. Ao final de agosto, o presidente Costa e Silva sofrera forte derrame que o deixara incapacitado; não desejando deixar claro que o país estava na ocasião efetivamente sem presidente, a instituição militar não havia anunciado a condição dele ao país. O regime pensava que poderia, com segurança, fingir que tudo ia bem até descobrir algum modo de substituir o agora semiparalisado presidente. Infelizmente para a cúpula militar, o sequestro de Elbrick havia-a apanhado tanto despreparada quanto incapaz de reagir rapidamente. Acrescentou-se às complicações o fato de que os Estados Unidos, grande apoiadores econômicos e políticos da ditadura, estavam extremamente interessados em ver seu embaixador libertado em segurança, qualquer fosse o custo. Nesse contexto, a instituição militar cindiu-se; alguns de seus membros insistiram em que o governo tinha de atender às exigências para não perder o apoio dos Estados Unidos; outros insistiram em que atender às exigências seria sinal de fraqueza da instituição militar, e em que era melhor deixar Elbrick morrer.
A headline from the Jornal do Brasil during the kidnapping of US Ambassador Charles Elbrick. The headline reads, “The Government today settles its position regarding the kidnapping,” thus revealing the uncertainty about the military’s path. Courtesy the Jornal do Brasil Blog.
Manchete do Jornal do Brasil durante o sequestro do Embaixador dos Estados Unidos Charles Elbrick. A manchete diz: “Governo fixa hoje sua posição sobre o sequestro,” revelando assim a incerteza acerca do rumo da instituição militar. Cortesia do Jornal do Brasil Blog.
Ultimately, those in favor of meeting the demands prevailed, but barely. The government read the MR-8′s statement, which proclaimed that Brazil was living in a military dictatorship and that the fight of the people would continue, on television. The regime also released fifteen political prisoners that the MR-8 had provided them; the list included student leaders like José Dirceu and Vladimir Palmeira; members of urban guerrilla groups like Maria Augusta Carneiro Ribeiro and Ricardo Vilas; journalist Flávio Tavares; labor activists Agonalto Pacheco and José Ibrahim; and older leftists Rolando Frati and Gregório Bezerra (who had been arrested immediately after the 1964 coup and who had also spent 10 years in prison for his communist activism during the government of Getúlio Vargas). It loaded them on an airplane and sent them to Mexico. Immediately after the plane, named “Hercules 56″ (the title of an excellent documentary on the kidnapping), took off, paratroopers arrived at Rio de Janeiro’s Galeão airport to try to stop them. Nonetheless, they were late, and the prisoners safely arrived in Mexico before heading to Cuba, where they met with Fidel Castro. After receiving training in Cuba, some clandestinely returned to Brazil, while others went into exile.  [Of those who returned to Brazil, the military captured and killed two, gunning down both ex-sergeant Onofre Pinto and militant João Leonardo da Silva Rocha in 1974.] As for Elbrick, MR-8 stayed true to their word; with the release of the 15 political prisoners and the reading of the declaration, on September 8 Elbrick’s captors dropped him off at Maracanã stadium just as a soccer game was ending, and MR-8′s members disappearing into the crowd.
No final das contas, os favoráveis a ceder às exigências prevaleceram, mas por pouco. O governo leu a declaração do MR-8, a qual proclamava que a Brasil estava vivendo numa ditadura militar e que a luta do povo continuaria, na televisão. O regime também libertou quinze prisioneiros políticos que o MR-8 lhe havia informado; a lista incluía líderes estudantis tais como José Dirceu e Vladimir Palmeira; membros de grupos de guerrilha urbana tais como Maria Augusta Carneiro Ribeiro e Ricardo Vilas; o jornalista Flávio Tavares; os ativistas do trabalho Agonalto Pacheco e José Ibrahim; e os esquerdistas mais velhos Rolando Frati e Gregório Bezerra (que haviam sido presos imediatamente depois do golpe de 1964 e que haviam também passado 10 anos na prisão por seu ativismo comunista durante o governo de Getúlio Vargas). Embarcou-os num avião e os mandou para o México. Imediatamente depois que o avião, denominado “Hercules 56″ (título de excelente documentário acerca do sequestro), levantou voo, paraquedistas chegaram ao aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro para tentarem detê-lo. Todavia, chegaram tarde, e os prisioneiros chegaram sãos e salvos ao México antes de rumarem para Cuba, onde se encontraram com Fidel Castro. Depois de receberem treinamento em Cuba, alguns retornaram clandestinamente ao Brasil, enquanto outros foram para o exílio. [Daqueles que voltaram ao Brasil, a instituição militar capturou e matou dois, fuzilando tanto o ex-sargento Onofre Pinto quanto o militante João Leonardo da Silva Rocha em 1974.] Quanto a Elbrick, o MR-8 cumpriu a palavra; com a libertação dos 15 prisioneiros políticos e a leitura da declaração, em 8 de setembro os captores de Elbrick deixaram-no no Estádio do Maracanã logo quando terminava um jogo de futebol, com os membros do MR-8 desaparecendo no meio da multidão.
Thirteen of the Political Prisoners released after the kidnapping of Elbrick. Front row (L-R): João Leonardo da Silva Rocha; Agonalto Pacheco; Vladimir Palmeira; Ivens Marchetti; and Flávio Tavares. Back row (L-R): Luís Travassos; José Dirceu; José Ibrahim; Onofre Pinto; Ricardo Vilas; Maria Augusta Carneiro Ribeiro; Ricardo Zarattini; and Rolando Frati.
Treze dos prisioneiros políticos libertados depois do sequestro de Elbrick. Na frente (da esquerda para a direita): João Leonardo da Silva Rocha; Agonalto Pacheco; Vladimir Palmeira; Ivens Marchetti; e Flávio Tavares. Atrás (esquerda para direita): Luís Travassos; José Dirceu; José Ibrahim; Onofre Pinto; Ricardo Vilas; Maria Augusta Carneiro Ribeiro; Ricardo Zarattini; e Rolando Frati.
Magalhães and the others who had planned the kidnapping managed to disappear into the crowd in 1969, but they could not escape the regime’s security apparatus. In March 1970, the military arrested Magalhães while she was handing out political pamphlets; in the arrest, she was hit in the head by gunfire. Although wounded, the regime showed her little tolerance; angry at the MR-8′s ability to challenge the regime and in a period of intense repression, the security forces tortured the wounded Magalhães. She sustained three months of beatings, electrical shocks, and psychological torture; the physical abuse was so severe that she was unable to stand on her own without the support of somebody else.
Magalhães e os outros que haviam planejado o sequestro conseguiram desaparecer na multidão em 1969, mas não puderam escapar do aparato de segurança do regime. Em março de 1970, a instituição militar prendeu Magalhães enquanto ela estava distribuindo panfletos políticos; ao ser presa, ela foi atingida na cabeça por disparo. Embora ferida, o regime mostrou pouca tolerância para com ela; com raiva da capacidade do MR-8 de desafiar o regime, e num período de intensa repressão, as forças de segurança torturaram a ferida Magalhães. Ela aguentou três meses de espancamentos, choques elétricos, e tortura psicológica; o abuso físico foi tão severo que ela ficou incapaz de manter-se de pé por si própria sem ajuda de outra pessoa.
A recently-uncovered photo showing the effects of torture in Brazil. Vera Sílvia Magalhães standing only with the aid of two people after multiple torture sessions in 1970.
Foto recentemente descoberta mostrando os efeitos da tortura no Brasil. Vera Sílvia Magalhães de pé só graças a ajuda de duas pessoas após múltiplas sessões de tortura em 1970.
In spite of the physical and psychological abuse, she never revealed names. Nor could her legacy be undone; that July, members of the Ação Libertadora Nacional (National Liberating Action; ALN) and Vanguarda Popular Revolucionária (Popular Revolutionary Vanguard; VPR) followed MR-8′s model, kidnapping German ambassador Ehrenfried von Holleben and demanded the release of more political prisoners. Ultimately, in July of 1970, the regime released forty more prisoners, including Magalhães; however, the physical effects of torture on her were clear. In a photo of the prisoners, she was seated in a chair, still unable to stand on her own.
A despeito do abuso físico e psicológico, ela nunca revelou nomes. Nem pôde seu legado ser desfeito: naquele julho, membros da Ação Libertadora Nacional (National Liberating Action; ALN) e da  Vanguarda Popular Revolucionária (Popular Revolutionary Vanguard; VPR) seguiram o modelo do MR-8, sequestrando o embaixador alemão Ehrenfried von Holleben e demandando a libertação de mais prisioneiros políticos. Por fim, em julho de 1970, o regime libertou mais quarenta prisioneiros, inclusive Magalhães; entretanto, os efeitos físicos da tortura infligida a ela estavam claros. Numa foto dos prisioneiros, elas estava sentada numa cadeira, ainda incapaz de ficar de pé sozinha.
The forty political prisoners released in 1970. Vera Magalhães is seated on the far right. Fernando Gabeira (in glasses), a member of the group who kidnapped Elbrick, is squatting next to her in the photo.
Os quarenta prisioneiros políticos libertados em 1970. Vera Magalhães está sentada na extrema direita. Fernando Gabeira (de óculos), membro do grupo que sequestrou Elbrick, está de cócoras ao lado dela na foto.
After her release, Magalhães went into exile, first in Algeria and then in Chile, where many Brazilian exiles remained until the military coup of 1973 ushered in a right-wing dictatorship there as well. From there, she went to Europe with her husband (and comrade in MR-8), Fernando Gabeira (they eventually divorced). She ultimately settled in Paris, studying sociology at the Sorbonne under Brazilian professor Fernando Henrique Cardoso, who had also gone into self-imposed exile. When João Figueiredo issued a general amnesty in 1979, Magalhães joined thousands of other exiles in returning to Brazil.
Depois de libertada, Magalhães foi para o exílio, primeiro na Argélia e depois no Chile, onde muitos exilados brasileiros permaneceram até o golpe militar de 1973 dar início a uma ditadura de direita também lá. Dali, ela foi para a Europa com o marido (e camarada do MR-8), Fernando Gabeira (por fim divorciaram-se). Afinal estabelecu-se em Paris, estudando sociologia na Sorbonne com o professor brasileiro Fernando Henrique Cardoso, que também fora para exílio autoimposto. Quando João Figueiredo decretou anistia geral em 1979, Magalhães juntou-se a milhares de outros exilados retornando ao Brasil.
Although she returned to Brazil safely, Vera Magalhães was never able to shake the long-term effects of the horrible abuses and torture she suffered at the hands of the military regime. She worked as an urban planner in the state government of Rio de Janeiro for years, but ultimately retired early at the age of 54, unable to work any longer due to her health. Throughout the rest of her life, she suffered from periodic psychotic episodes, kidney problems (from the beatings), and troubles with her legs, even while the medicine she had to take caused dental problems. Though hesitant to use her long-term suffering for financial gain, in 2002, she became the first woman to receive financial reparations from the state for her suffering at the hands of the military (previously, such reparations had usually only gone to families of those who had died at the hands of the military during the dictatorship). While the financial aid helped her with her medical problems, it could not cure her of them, and in December 2007, she died of a heart attack at the age of 59.
Embora tenha retornado ao Brasil em segurança, Vera Magalhães nunca conseguiu superar os efeitos de longo prazo dos horríveis abusos e tortura que sofreu nas mãos do regime militar. Trabalhou como planejadora urbana no governo do estado do Rio de Janeiro durante anos, mas por fim aposentou-se precocemente com 54 anos de idade, incapaz de continuar trabalhando por causa da saúde. Ao longo do resto de sua vida, sofreu de episódios psicóticos periódicos, problemas renais (resultantes dos espancamentos) e problemas com as pernas, enquanto os remédios que tinha de tomar causavam problemas dentários. Embora hesitasse em usar seu longo sofrimento para ganho financeiro, em 2002 ela se tornou a primeira mulher a receber reparação financeira do estado por seu sofrimento nas mãos da instituição militar (anteriormente, tais reparações haviam usualmente ido para famílias dos que haviam morrido nas mãos da instituição militar durante a ditadura). Embora a ajuda financeira a tenha ajudado em seus problemas médicos, não pôde curá-la e, em dezembro de 2007, ela morreu de ataque cardíaco com 59 anos de idade.
Vera Sílvia Magalhães during her time in prison in 1970.
Vera Sílvia Magalhães durante seu tempo na prisão em 1970.
Other posts in this series have looked at author Clarice Lispectortropicalista Torquato Neto, and architect Oscar Niemeyer.
Outras afixações nesta série consideraram a escritora Clarice Lispector, o tropicalista Torquato Neto, e o arquiteto Oscar Niemeyer.


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