Thursday, May 9, 2013

The Anti-Empire Report - President Kennedy’s speech, half a century ago

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Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #116
O Relatório Anti-Império No. 116
By William Blum – Published May 3rd, 2013
Por William Blum – Publicado em 3 de maio de 2013
President Kennedy’s speech, half a century ago
Discurso do Presidente Kennedy há meio século
I don’t know how many times in the 50 years since President John F. Kennedy made his much celebrated 1963 speech at American University in Washington, DC 8 I’ve heard or read that if only he had lived he would have put a quick end to the war in Vietnam instead of it continuing for ten more terrible years, and that the Cold War might have ended 25 years sooner than it did. With the 50th anniversary coming up June 13 we can expect to hear a lot more of the same, so I’d like to jump the gun and offer a counter-view.
Não sei quantas vezes nos 50 anos desde quando o Presidente John F. Kennedy fez seu muito celebrado discurso de 1963 na Universidade Estadunidense em Washington, DC 8 ouvi ou li que se ele tivesse sobrevivido teria posto rápido fim à guerra do Vietnã em vez de ela continuar por mais dez horríveis anos, e que a Guerra Fria poderia ter acabado 25 anos mais cedo do que acabou. Com o 50o. aniversário no próximo 13 de junho, podemos esperar ouvir muito mais da mesma coisa, e portanto antecipar-me-ei e oferecerei ponto de vista contrário.
Kennedy declared:
Kennedy declarou:
Let us re-examine our attitude toward the Soviet Union. It is discouraging to think that their leaders may actually believe what their propagandists write. It is discouraging to read a recent authoritative Soviet text on Military Strategy and find, on page after page, wholly baseless and incredible claims such as the allegation that “American imperialist circles are preparing to unleash different types of war … that there is a very real threat of a preventative war being unleashed by American imperialists against the Soviet Union” … [and that] the political aims – and I quote – “of the American imperialists are to enslave economically and politically the European and other capitalist countries … [and] to achieve world domination … by means of aggressive war.”
Reexaminemos nossa atitude em relação à União Soviética. É desanimador pensar que os líderes dela possam com efeito acreditar no que seus propagandistas escrevem. É desanimador ler recente texto oficial acerca de Estratégia Militar e encontrar, página após página, afirmações sem base e inacreditáveis tais como a alegação de que “círculos imperialistas estadunidenses estão-se preparando para deflagrar diferentes tipos de guerra … que há ameaça muito real de guerra preventiva ser deflagrada por imperialistas estadunidenses contra a União Soviética” … [e que] os objetivos políticos – e cito – “dos imperialistas estadunidenses são escravizar econômica e politicamente os países europeus e outros países capitalistas … [e] conseguir domínio do mundo … por meio de guerra de agressão.”
It is indeed refreshing that an American president would utter a thought such as: “It is discouraging to think that their leaders may actually believe what their propagandists write.” This is what radicals in every country wonder about their leaders, not least in the United States. For example, “incredible claims such as the allegation that ‘American imperialist circles are preparing to unleash different types of war’.”
É realmente estimulante um presidente estadunidense proferir um pensamento tal como: “É desanimador pensar que os líderes dela possam com efeito acreditar no que seus propagandistas escrevem.” Isso é o que os radicais em todo país perguntam-se acerca de seus líderes, especialmente nos Estados Unidos. Por exemplo: “afirmações inacreditáveis tais como a alegação de que ‘círculos imperialistas estadunidenses estão-se preparando para deflagrar diferentes tipos de guerra’.”
In Kennedy’s short time in office the United States had unleashed many different types of war, from attempts to overthrow governments and suppress political movements to assassination attempts against leaders and actual military combat – one or more of these in Vietnam, Cambodia, Laos, British Guiana, Iraq, Congo, Haiti, Brazil, Dominican Republic, Cuba and Brazil. This is all in addition to the normal and routine CIA subversion of countries all over the world map. Did Kennedy really believe that the Soviet claims were “incredible”?
No curto período de Kennedy no cargo os Estados Unidos deflagraram muitos tipos de guerra, de tentativas de derrubar governos e suprimir movimentos políticos a tentatívas de assassínio de líderes e combate militar real – um ou mais desses em Vietnã, Cambodja, Laos, Guiana Britânica, Iraque, Congo, Haiti, Brasil, República Dominicana, Cuba e Brasil. Isso tudo além da normal e rotineira subversão pela CIA de países em todo o mapa do mundo. Será que Kennedy realmente achava que as afirmações soviéticas eram “inacreditáveis”?
And did he really doubt that that the driving force behind US foreign policy was “world domination”? How else did he explain all the above interventions (which have continued non-stop into the 21st century)? If the president thought that the Russians were talking nonsense when they accused the US of seeking world domination, why didn’t he then disavow the incessant US government and media warnings about the “International Communist Conspiracy”? Or at least provide a rigorous definition of the term and present good evidence of its veracity.
E será que ele realmente duvidava que a força motora por trás da política externa dos Estados Unidos era “domínio do mundo”? De que outra maneira explicaria ele todas as intervenções acima (que têm continuado sem cessar pelo século 21)? Se o presidente achava que os russos estavam falando disparates quando acusaram os Estados Unidos de buscarem domínio do mundo, por que então ele não renegou qualquer apoio às incessantes advertências do governo dos Estados Unidos acerca da “Conspiração Comunista Internacional”? Ou pelo menos não ofereceu uma definição rigorosa dessa expressão e não apresentou boa evidência de sua veracidade?
Quoting further: “Our military forces are committed to peace and disciplined in self-restraint.” No comment.
Citando mais: “Nossas forças militares estão comprometidas com a paz e disciplinadas em autocontrole.” Sem comentários.
“We are unwilling to impose our system on any unwilling people.” Unless of course the people foolishly insist on some form of socialist alternative. Ask the people of Vietnam, Laos, Cambodia, British Guiana and Cuba, just to name some of those in Kennedy’s time.
“Não estamos a fim de impor nosso sistema a qualquer povo que não esteja a fim dele.” A menos, naturalmente, que o povo insensatamente insista em alguma forma de alternativa socialista. Perguntem aos povos de Vietnã, Laos, Cambodja, Guiana Britânica e Cuba, para citar alguns do tempo de Kennedy.
“At the same time we seek to keep peace inside the non-Communist world, where many nations, all of them our friends …” American presidents have been speaking of “our friends” for many years. What they all mean, but never say, is that “our friends” are government and corporate leaders whom we keep in power through any means necessary – the dictators, the kings, the oligarchs, the torturers – not the masses of the population, particularly those with a measure of education.
“Ao mesmo tempo procuramos manter paz dentro do mundo não comunista, onde muitas nações, todas elas nossas amigas …” os presidentes estadunidenses vêm falando de “nossas amigas” há muitos anos. O que querem dizer, mas nunca dizerm é que “nossas amigas” são governos e líderes corporativos que mantemos no poder por quaisquer meios que sejam necessários – os ditadores, os reis, os oligarcas, os torturadores – não as massas da população, particularmente aquelas com alguma medida de instrução.
“Our efforts in West New Guinea, in the Congo, in the Middle East, and the Indian subcontinent, have been persistent and patient despite criticism from both sides.”
“Nossos esforços na Nova Guiné Ocidental, no Congo, no Oriente Médio, e no subcontinente indiano têm sido persistentes e pacientes, a despeito de críticas de ambos os lados.”
Persistent, yes. Patient, often. But moral, fostering human rights, democracy, civil liberties, self-determination, not fawning over Israel … ? As but one glaring example, the assassination of Patrice Lumumba of the Congo, perhaps the last chance for a decent life for the people of that painfully downtrodden land; planned by the CIA under Eisenhower, but executed under Kennedy.
Persistentes, sim. Pacientes, amiúde. Porém morais, promovendo direitos humanos, democracia, liberdades civis, autodeterminação, sem servilismo em relação a Israel? Como apenas exemplo conspícuo, o assassínio de Patrice Lumumba do Congo, talvez a última chance de vida decente para o povo daquela penosamente oprimida terra; planejado pela CIA no governo Eisenhower, mas executado no governo Kennedy.
“The Communist drive to impose their political and economic system on others is the primary cause of world tension today. For there can be no doubt that, if all nations could refrain from interfering in the self-determination of others, the peace would be much more assured.”
“O impulso comunista para impor seu sistema político e econômico a outros é a causa primária da tensão mundial de hoje. Pois não pode haver dúvida de que, se todas as nações pudessem abster-se de interferir na autodeterminação de outras, a paz seria muito mais assegurada.”
See all of the above for this piece of hypocrisy. And so, if no nation interfered in the affairs of any other nation, there would be no wars. Brilliant. If everybody became rich there would be no poverty. If everybody learned to read there would be no illiteracy.
Vide todo o acima para esse primor de hipocrisia. E portanto, se nenhuma nação interferisse nas atividades de qualquer outra nação, não haveria guerras. Brilhante. Se todo mundo ficasse rico não haveria pobreza. Se todo mundo aprendesse a ler, não haveria analfabetismo.
“The United States, as the world knows, will never start a war.”
“Os Estados Unidos, como o mundo sabe, nunca iniciarão uma guerra.”
So … Vietnam, Laos, Cambodia, Cuba, and literally dozens of other countries then, later, and now, all the way up to Libya in 2012 … they all invaded the United States first? Remarkable.
Portanto … Vietnã, Laos, Cambodja, Cuba, e literalmente dúzias de outros países à época, mais tarde, e hoje, até a Líbia em 2012 … todos invadiram os Estados Unidos primeiro? Notável.
And this was the man who was going to end the war in Vietnam very soon after being re-elected the following year? Lord help us.
E era esse o homem que acabaria com a guerra no Vietnã bem cedo depois de ser reeleito no ano seguinte? Que Deus nos ajude.
Notes
Notas
8. Full text of speech  Texto completo do discurso 

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