Tuesday, May 7, 2013

The Anti-Empire Report - Boston Marathon, this thing called terrorism, and the United States


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Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #116
O Relatório Anti-Império No. 116
By William Blum – Published May 3rd, 2013
Por William Blum – Publicado em 3 de maio de 2013
Boston Marathon, this thing called terrorism, and the United States
Maratona de Boston, essa coisa chamada terrorismo, e os Estados Unidos
What is it that makes young men, reasonably well educated, in good health and nice looking, with long lives ahead of them, use powerful explosives to murder complete strangers because of political beliefs?
O que é que faz homens jovens, razoavelmente instruídos, com boa saúde e boa aparência, com longas vidas à frente, usarem poderosos explosivos para assassinar pessoas completamente estranhas por causa de crenças políticas?
I’m speaking about American military personnel of course, on the ground, in the air, or directing drones from an office in Nevada.
Estou obviamente falando do pessoal militar estadunidense, em terra, no ar, ou direcionando aviões não tripulados [drones] de um gabinete em Nevada.
Do not the survivors of US attacks in Iraq, Afghanistan, Yemen, Pakistan, Somalia, Libya and elsewhere, and their loved ones, ask such a question?
Será que os sobreviventes de ataques dos Estados Unidos em Iraque, Afeganistão, Iêmen, Paquistão, Somália, Líbia e outros lugares, e seus entes queridos, não fazem tal pergunta?
The survivors and loved ones in Boston have their answer – America’s wars in Iraq and Afghanistan.
Os sobreviventes e entes queridos em Boston têm sua resposta – as guerras dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão.
That’s what Dzhokhar Tsarnaev, the surviving Boston bomber has said in custody, and there’s no reason to doubt that he means it, nor the dozens of others in the past two decades who have carried out terrorist attacks against American targets and expressed anger toward US foreign policy. 1 Both Tsarnaev brothers had expressed such opinions before the attack as well. 2 The Marathon bombing took place just days after a deadly US attack in Afghanistan killed 17 civilians, including 12 children, as but one example of countless similar horrors from recent years. “Oh”, an American says, “but those are accidents. What terrorists do is on purpose. It’s cold-blooded murder.”
Isso é o que Dzhokhar Tsarnaev, o detonador de bomba sobrevivente de Boston, disse em custódia, e não há motivo para duvidar de sua sinceridade, nem da de dúzias de outras pessoas, nas últimas duas décadas, que levaram a efeito ataques a alvos estadunidenses e expressaram raiva da política externa dos Estados Unidos. 1 Ambos os irmãos Tsarnaev já haviam expressado tais opiniões antes do ataque. 2 As bombas da Maratona aconteceram poucos dias depois de um letal ataque dos Estados Unidos no Afeganistão ter matado 17 civis, inclusive 12 crianças, como apenas um exemplo de incontáveis horrores similares em anos recentes. “Oh”, diz um estadunidense, “mas aqueles são acidentes. O que os terroristas fazem é de propósito. É assassínio a sangue-frio.”
But if the American military sends out a bombing mission on Monday which kills multiple innocent civilians, and then the military announces: “Sorry, that was an accident.” And then on Tuesday the American military sends out a bombing mission which kills multiple innocent civilians, and then the military announces: “Sorry, that was an accident.” And then on Wednesday the American military sends out a bombing mission which kills multiple innocent civilians, and the military then announces: “Sorry, that was an accident.” … Thursday … Friday … How long before the American military loses the right to say it was an accident?
Se porém a instituição militar estadunidense enviar missão de bombardeio na segunda-feira que mate múltiplos civis inocentes, e então a instituição militar anunciar: “Sentimos muito, foi acidente.” E então, na terça-feira, a instituição militar estadunidense enviar missão de bombardeio que mate múltiplos civis inocentes, e então a instituição militar anunciar: “Sentimos muito, foi acidente.” E então, na quarta-feira, a instituição militar estadunidense enviar uma missão de bombardeio que mate múltiplos civis inocentes, e a instituição militar então anunciar: “Sentimos muito, foi acidente.” … Quinta … Sexta … Quanto tempo antes que a instituição miltiar estadunidense perca o direito de dizer que foi acidente?
Terrorism is essentially an act of propaganda, to draw attention to a cause. The 9-11 perpetrators attacked famous symbols of American military and economic power. Traditionally, perpetrators would phone in their message to a local media outlet beforehand, but today, in this highly-surveilled society, with cameras and electronic monitoring at a science-fiction level, that’s much more difficult to do without being detected; even finding a public payphone can be near impossible.
Terrorismo é essencialmente um ato de propaganda, para chamar a atenção para uma causa. Os perpetradores do 11 de setembro atacaram famosos símbolos do poderio militar e econômico estadunidense. No passado, os perpetradores comunicavam por telefone, previamente, sua mensagem a um veículo de mídia local, mas hoje, nesta sociedade altamente vigiada, com câmeras e monitoração eletrônica de nível de ficção científica, é muito mais difícil fazer isso sem ser detectado; até encontrar um telefone público pode ser praticamente impossível.
From what has been reported, the older brother, Tamerlan, regarded US foreign policy also as being anti-Islam, as do many other Muslims. I think this misreads Washington’s intentions. The American Empire is not anti-Islam. It’s anti-only those who present serious barriers to the Empire’s plan for world domination.
Do que tem sido noticiado, o irmão mais velho, Tamerlan, também via a política externa dos Estados Unidos como anti-islâmica, a exemplo de muitos outros muçulmanos. Acho que essa é uma leitura equivocada das intenções de Washington. O Império Estadunidense não é anti-islâmico. É apenas anti aqueles que erigem obstáculos sérios ao plano do Império de domínio do mundo.
The United States has had close relations with Saudi Arabia, Jordan and Qatar, amongst other Islamic states. And in recent years the US has gone to great lengths to overthrow the leading secular states of the Mideast – Iraq, Libya and Syria.
Os Estados Unidos têm mantido relações próximas com Arábia Saudita, Jordânia e Catar, entre outros estados islâmicos. E, em anos recentes, os Estados Unidos foram a extremos para derrubarem os principais estados seculares do Oriente Médio – Iraque, Líbia e Síria.
Moreover, it’s questionable that Washington is even against terrorism per se, but rather only those terrorists who are not allies of the empire. There has been, for example, a lengthy and infamous history of tolerance, and often outright support, for numerous anti-Castro terrorists, even when their terrorist acts were committed in the United States. Hundreds of anti-Castro and other Latin American terrorists have been given haven in the US over the years. The United States has also provided support to terrorists in Afghanistan, Nicaragua, Kosovo, Bosnia, Iran, Libya, and Syria, including those with known connections to al Qaeda, to further foreign policy goals more important than fighting terrorism.
Ademais, é questionável que Washington sequer seja contra o terrorismo per se, sendo, antes, contra aqueles terroristas que não são aliados do império. Tem havido, por exemplo, longa e abominável história de tolerância, e amiúde de pleno apoio, a numerosos terroristas antiCastro, mesmo quando seus atos terroristas foram cometidos nos Estados Unidos. A centenas de terroristas antiCastro e outros terroristas latino-americanos foi concedido refúgio nos Estados Unidos, ao longo dos anos. Os Estados Unidos também têm proporcionado apoio a terroristas em Afeganistão, Nicarágua, Kosovo, Bósnia, Irã, Líbia, e Síria, inclusive aqueles com conhecidas conexões com a al Qaeda, para promoverem metas políticas mais importantes do que combater o terrorismo.
Under one or more of the harsh anti-terrorist laws enacted in the United States in recent years, President Obama could be charged with serious crimes for allowing the United States to fight on the same side as al Qaeda-linked terrorists in Libya and Syria and for funding and supplying these groups. Others in the United States have been imprisoned for a lot less.
Nos termos de uma ou mais das severas leis antiterroristas promulgadas nos Estados Unidos nos anos recentes, o Presidente Obama poderia ser acusado de sérios crimes por permitir aos Estados Unidos lutarem do mesmo lado que terroristas ligados à al Qaeda na Líbia e na Síria e financiarem e suprirem esses grupos. Outras pessoas, nos Esados Unidos, foram encarceradas por muito menos.
As a striking example of how Washington has put its imperialist agenda before anything else, we can consider the case of Gulbuddin Hekmatyar, an Afghan warlord whose followers first gained attention in the 1980s by throwing acid in the faces of women who refused to wear the veil. This is how these horrible men spent their time when they were not screaming “Death to America”. CIA and State Department officials called Hekmatyar “scary,” “vicious,” “a fascist,” “definite dictatorship material”. 3 This did not prevent the United States government from showering the man with large amounts of aid to fight against the Soviet-supported government of Afghanistan. 4 Hekmatyar is still a prominent warlord in Afghanistan.
Como notável exemplo de como Washington tem colocado sua agenda imperialista acima de tudo o mais, podemos considerar o caso de Gulbuddin Hekmatyar, senhor da guerra afegão cujos seguidores ganharam atenção, pela primeira vez, nos anos 1980 por jogarem ácido no rosto de mulheres que se recusassem a usar o véu. Assim aqueles homens horríveis passavam seu tempo quando não estavam gritando “Morte aos Estados Unidos”. Autoridades da CIA e do Departamento de Estadao chamavam Hekmatyar de “assustador,” “cruel,” “fascista,” “pessoa indubitavelmente de ditadura”. 3 Isso não impediu o governo dos Estados Unidos de entornar grandes quantidades de ajuda sobre o homem, para luta contra o governo do Afeganistão apoiado pelos soviéticos. 4 Hekmatyar ainda é preeminente senhor da guerra no Afeganistão.
A similar example is that of Luis Posada who masterminded the bombing of a Cuban airline in 1976, killing 73 civilians. He has lived a free man in Florida for many years.
Exemplo similar é o de Luis Posada que foi o mentor da explosão de bomba num avião cubano em 1976, matando 73 civis. Ele vem vivendo como homem livre na Flórida há muitos anos.
USA Today reported a few months ago about a rebel fighter in Syria who told the newspaper in an interview: “The afterlife is the only thing that matters to me, and I can only reach it by waging jihad.” 5 Tamerlan Tsarnaev may have chosen to have a shootout with the Boston police as an act of suicide; to die waging jihad, although questions remain about exactly how he died. In any event, I think it’s safe to say that the authorities wanted to capture the brothers alive to be able to question them.
O USA Today informou, há alguns meses, que um combatente rebelde na Síria disse àquele jornal, numa entrevista: “A vida após a morte é a única coisa que importa a mim, e só posso atingi-la conduzindo a jihad.” 5 Tamerlan Tsarnaev poderá ter escolhido ter mantido troca de tiros com a polícia de Boston como ato de suicídio; morrer levando a efeito a jihad, embora remanesçam perguntas acerca de como exatamente ele morreu. De qualquer forma, acredito ser seguro dizer que as autoridades queriam capturar os irmãos vivos para poderem interrogá-los.
It would be most interesting to be present the moment after a jihadist dies and discovers, with great shock, that there’s no afterlife. Of course, by definition, there would have to be an afterlife for him to discover that there’s no afterlife. On the other hand, a non-believer would likely be thrilled to find out that he was wrong.
Seria extremamente interessante estar presente no momento após um jihadista morrer e descobrir, com grande choque, que não há vida após a morte. Obviamente, por definição, precisaria haver vida após a morte para ele descobrir não haver vida após a morte. Por outro lado, um não crente provavelmente ficaria provavelmente entusiasmado ao descobrir que estava errado.
Let us hope that the distinguished statesmen, military officers, and corporate leaders who own and rule America find out in this life that to put an end to anti-American terrorism they’re going to have to learn to live without unending war against the world. There’s no other defense against a couple of fanatic young men with backpacks. Just calling them insane or evil doesn’t tell you enough; it may tell you nothing.
Esperemos que os ilustres estadistas, oficiais militares e líderes corporativos que possuem e gerem os Estados Unidos descubram, na presente vida, que, para porem fim ao terrorismo antiestaduniense terão de aprender a viver sem guerra sem fim contra o mundo. Não há outra defesa contra uma penca de jovens fanáticos com mochilas. Ficar chamando-os de insanos ou perversos não dirá o suficiente; poderá não dizer nada.
But this change in consciousness in the elite is going to be extremely difficult, as difficult as it appears to be for the parents of the two boys to accept their sons’ guilt. Richard Falk, UN special rapporteur on human rights in the Palestinian territories, stated after the Boston attack: “The American global domination project is bound to generate all kinds of resistance in the post-colonial world. In some respects, the United States has been fortunate not to experience worse blowbacks … We should be asking ourselves at this moment, ‘How many canaries will have to die before we awaken from our geopolitical fantasy of global domination?’” 6
Não obstante, essa mudança na consciência da elite será extremamente difícil, tão difícil quanto parece ser, para os pais dos dois rapazes, aceitar a culpa de seus filhos. Richard Falk, relator especial das Nações Unidas para direitos humanos nos territórios palestinos declarou, após o ataque de Boston: “O projeto de domínio global estadunidense necessariamente gerará todo tipo de resistência no mundo pós-colonial. Sob certos aspectos, os Estados Unidos têm sido afortunados por não experimentarem tiros pela culatra piores … Deveríamos estar-nos indagando, neste momento: ‘Quantos canários mais terão de morrer antes de acordarmos de nossa fantasia geopolítica de domínio global?’” 6
Officials in Canada and Britain as well as US Ambassador to the United Nations Susan Rice have called for Falk to be fired. 7
Autoridades de Canadá e Grã-Bretanha, bem como a Embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Susan Rice, já pediram que Falk seja demitido. 7
Notes
Notas
1. William Blum, Rogue State: A Guide to the World’s Only Superpower, chapters 1 and 2, for cases up to about 2003; later similar cases are numerous; e.g., Glenn Greenwald, “They Hate US for our Occupations”, Salon, October 12, 201
2. Huffington Post, April 20, 2013; Washington Post, April 21
3. Tim Weiner, Blank Check: The Pentagon’s Black Budget (1990), p.149-50.
4. Tim Weiner, Blank Check: The Pentagon’s Black Budget (1990), p.149-50.
5. USA Today, December 3, 2012
6. ForeignPolicyJournal.com, April 21, 2013
7. The Telegraph (London), April 25, 2013; Politico.com, April 24

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