Monday, May 27, 2013

IPS - Hunger Rises in Great Britain



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IPS – Inter Press Service
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Hunger Rises in Great Britain
Fome Aumenta na Grã Bretanha
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Este artigo inclui imagens com qualidade de impressão -- Copyright do IPS, a serem usadas exclusivamente em conjunto com este artigo.
Photo - Volunteers at the food bank in Clay Cross in Britain. Credit: Lara Stanley/IPS.
Foto - Voluntários no banco de alimentos em Clay Cross na Grã-Bretanha. Crédito: Lara Stanley/IPS.
CLAY CROSS, Britain, May 5 2013 (IPS) - The social consequences of austerity economics have been most visible in Europe’s southern periphery. In the UK, the coalition government has brought in sharp cutbacks in welfare state provision in the name of dealing with the financial crisis. Their impact is becoming increasingly visible.
CLAY CROSS, Grã Bretanha, 5 de maio de 2013 (IPS) - As consequências sociais da economia de austeridade têm-se tornado visíveis principalmente na periferia do sul da Europa. No Reino Unido, o governo de coalizão tem efetuado agudos cortes na provisão de assistencialismo do estado, em nome da lide com a crise financeira. O impacto respectivo está-se tornando cada vez mais visível.
A survey by the Netmums website found that one in five mothers in the UK regularly goes without meals to feed their children. Thousands now rely on charities and emergency food banks to feed themselves and their families.
Levantamento pelo website Netmums revela que uma em cada cinco mães no Reino Unido fica regularmente sem refeições para alimentar os filhos. Milhares agora recorrem a instituições de caridade e a bancos de alimentos de emergência para alimentarem-se e a suas famílias.
In the last 12 months the Trussell Trust, the largest operator of food banks in the UK, says it has fed 350,000 people – 100,000 more than anticipated and an increase of 170 percent over the previous year.
Afirma o Trussell Trust, maior administrador de bancos de alimentos do Reino Unido, ter alimentado, nos últimos doze meses, 350.000 pessoas – 100.000 mais do que previsto e com aumento de 170 por cento em relação ao ano anterior.
People go to food banks for many different reasons. Some are underemployed, others are victims of domestic violence. Some have fallen victim to loan sharks who prey on the poor by offering them loans at exorbitant rates of interest. But most are unemployed, and have had their benefits removed or cut as a result of the government’s ideologically-driven onslaught on people it regards as work-shy ‘scroungers.’
Pessoas vão aos bancos de alimentos por muitos motivos diferentes. Algumas estão desempregadas, outras são vítimas de violência doméstica. Algumas foram vítimas de agiotas que predam os pobres mediante oferecer-lhes empréstimos a taxas de juros exorbitantes. A maioria, porém, está desempregada, e teve seus benefícios retirados ou reduzidos como resultado da chacina governamental ideologiamente orientada de pessoas que o governo vê como preguiçosos  ‘parasitas.’
All these factors have fuelled what the Trussell Trust calls an “epidemic” of hunger that is becoming increasingly visible in small and large towns across the UK.
Todos esses fatores alentaram o que o Trussell Trust chama de uma “epidemia” de fome que se torna cada vez mais visível em pequenas e grandes cidades do Reino Unido.
Clay Cross is a small town of 5,000 in the hilly countryside of north Derbyshire that used to be a centre of the British coalmining industry. Like many former mining towns and villages in the area, Clay Cross has fallen on hard times since the closure of its local pit back in the 1980s, but things have recently begun to  get a lot harder.
Clay Cross é uma pequena cidade de 5.000 habitantes na zona rural montanhosa de Derbyshire norte, que no passado era centro de indústria de mineração de hulha britânica. Como muitas ex-cidades pequenas e vilas da área, Clay Cross passou a viver tempos difíceis desde o fechamento de sua mina local nos anos 1980, mas recentemente as coisas começaram a se tornar muito mais difíceis.
One evening I visited the local Trussell Trust food bank in Saint Bartholomew’s Church on the high street. Inside, volunteers were setting out some of the two tons of food donated by shoppers during a two-day collection across various Tesco supermarkets the previous weekend. The food bank only opened last August, but since then it has fed 1,147 people, and is opening up other food banks in the surrounding area.
Certa noite visitei o banco de alimentos local do Trussell Trust na Igreja de São Bartolomeu na rua principal. Dentro, voluntários estavam colocando no lugar parte das duas toneladas de alimentos doadas por consumidores durante uma coleta de dois dias em diversos supermercados Tesco na semana anterior. O banco de alimentos só abriu em agosto último, mas desde então já alimentou 1.147 pessoas, e está abrindo outros bancos de alimentos na área circunjacente.
One of its clients was David, who now works as a volunteer for the Trust. A former taxi driver, David worked as a fulltime carer for his disabled wife for 12 years. But when she died last year, he lost his carer’s salary and had no income for seven weeks while he waited for unemployment benefit. During that time, he says, he lived on three carrier bags of food that he was given by the food bank.
Um de seus clientes era David, que agora trabalha como voluntário do Trust. Ex-chofer de táxi, Davi trabalhou como enfermeiro de tempo integral de sua esposa incapacitada durante 12 anos. Ela porém morreu no ano passado, ele perdeu seu salário de enfermeiro e não teve renda durante sete semanas enquanto esperava por benefício por desemprego. Durante aquele período, diz, viveu graças a três embalagens para viagem de comida a ele presenteadas pelo banco de alimentos.
Delays in benefits payments and benefits sanctions are the most common reason for people coming to the food bank, and many of those who do, find the experience deeply shameful and humiliating. “Some people wander in and crack on,” says project coordinator James Herbert. “Other people stick their heads in, see there are a lot of people, and go away, and we never see them again.”
Atrasos em pagamentos de benefícios e sanções atingindo benefícios são os motivos mais comuns das pessoas irem ao banco de alimentos, e muitas das que o fazem acham a experiência profundamente vergonhosa e humilhante.“Algumas pessoas entram e vão em frente,” diz o coordenador de projeto James Herbert. “Outras pessoas enfiam a cabeça, veem muita gente, e vão embora, e nunca as vemos de novo.”
Herbert and his team are keen to overcome these reservations and to welcome people who turn up at these drop-ins, but he is also indignant that such services are required: “It’s reprehensible. Ultimately people should be ashamed of themselves. Local and national government should be ashamed of themselves, to leave people in a situation where they have to rely on charity to feed their families.”
Herbert e sua equipe estão decididos a superar isso e a receber cordialmente pessoas que apareçam de repente, mas ele também se mostra indignado pelo fato de tais serviços serem necessários: “É algo reprovável. No final das contas, as pessoas deveriam estar envergonhadas de si próprias, por deixarem outras pessoas numa condição de terem de recorrer a instituições de caridade para alimentar suas famílias.”
Most service users come to the Trust through referrals from charities or government agencies, with vouchers that enable them to be collect food three or four times only.   Bernard (not his real name) has just come to the centre on referral from his local job centre for the first time. A 38-year-old volunteer mentor working with young offenders, Bernard was on unemployment benefit until two weeks ago, when his benefit was cut because he didn’t apply for one of the jobs offered by his local job centre.
A maior parte dos usuários dos serviços vêm ao Trust por meio de recomendações de instituições de caridade ou órgãos do governo, com vales que lhes permitem coletar comida apenas três ou quatro vezes. Bernard (não é seu nome real) chegou recentemente ao centro por recomendação de seu centro de empregos local pela primeira vez. Experiente conselheiro voluntário de 38 anos de idade que trabalha com criminosos jovens, Bernard estava em condição de recebimento de benefício de desemprego até há duas semanas, quando seu benefício foi cortado porque ele não se candidatou a um dos empregos oferecidos por seu centro local de empregos.
Bernard insists that he never received the offer, and has appealed against the decision, which may result in a 29 pounds a week hardship fund, or the full restoration of his 71 pounds benefits. If not, he will get nothing for another six weeks, even though he lives in a flat without gas, electricity, or food.
Bernard insiste em que nunca recebeu a oferta, e apelou da decisão, o que poderá redundar em um fundo de miséria de 29 libras, ou na restauração de seus benefícios de 71 libras. Se não, ele nada receberá por mais seis semanas, embora viva num apartamento sem gás, eletricidade ou comida.
I asked him what he thought of government ‘scrounger’ rhetoric. “If I’m a scrounger then I’m a scrounger, but at the end of the day, what else am I going to do? Am I going to go and rob to survive? In the 21st century, in one of the most advanced nations in the world, and people have got to come to food banks, something is not quite right is it?”
Perguntei-lhe o que achava da retórica do governo de ‘parasita.’ “Se sou parasita, então sou parasita mas, ao fim do dia, o que farei? Assaltarei pessoas para sobreviver? No século 21, numa das mais avançadas nações do mundo, se as pessoas têm de recorrer a bancos de alimentos, alguma coisa não está certa, não é?”
Colin Hampton, coordinator of the Derbyshire Unemployed Workers Centre, agrees.  “The situation is worse now than it ever was in the 1980s. People are coming to us asking for food in desperate situations, and we refer them to food banks. But while we appreciate that people are trying to help, our biggest worry is that unless we express our outrage, this will become the norm, and people need to ask why this is happening.”
Colin Hampton, coordenador do Centro de Trabalhadores Desempregados de Derbyshire, concorda.  “A situação, hoje, é pior do que jamais foi nos anos 1980. As pessoas estão vindo a nós pedindo comida em situações desesperadoras, e as remetemos a bancos de alimentos. Embora, porém, agradeçamos às pessoas que estão tentando ajudar, nossa maior preocupação é que, a menos que expressemos nossa indignação, isso se tornará a norma, e as pessoas precisam perguntar por que isso está acontecendo.”
British Prime Minister David Cameron has praised the Trussell Trust’s work, but  food banks are a direct consequence of government policies that are designed to force people off benefits, regardless of consequences. Labour MP Peter Hain recently accused the government of “terrorising” the unemployed in his constituency by forcing them to choose between starvation and low-paid work.
O Primeiro-Ministro britânico David Cameron elogiou o trabalho do Trussell Trust, mas os bancos de alimentos são consequência direta de poíticas do governo concebidas para forçar as pessoas a parar de receber benefícios, independentemente das consequências. O trabalhista Membro do Parlamento Peter Hain recentemente acusou o governo de “aterrorizar” os desempregados de seu eleitorado mediante forçá-los a escolher entre inanição e trabalho com remuneração vil.
The 19th century Poor Law system once had a similarly punitive and deterrent attitude towards the industrial poor. Today, hunger is a consequence of manufactured poverty in the seventh largest economy in the world, and the poor are once again being victimised and punished.
O sistema do século de 19 da Lei dos Pobres no passado tinha uma atitude similarmente punitiva e dissuasora em relação aos pobres industriais. Hoje, a fome é consequência de pobreza manufaturada na sétima maior economia do mundo, e os pobres são mais uma vez vitimados e punidos.
In these circumstances, food banks may become a convenient substitute for statutory assistance, enabling the political heirs of the late Margaret Thatcher to strip still further at the welfare safety net, in the knowledge that people may be hungry, but at least they won’t be starving.
Nessas circunstâncias, os bancos de alimentos poderão tornar-se substituto conveniente para assistência obrigatória por lei, permitindo que os herdeiros políticos da falecida Margaret Thatcher debilitem ainda mais a rede de assistencialismo, sabendo que as pessoas poderão ficar com fome, mas pelo menos não morrerão de inanição.

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