Sunday, May 19, 2013

Americas South and North - Get to Know a Brazilian - Zuzu Angel



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Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic.
Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico.
Get to Know a Brazilian – Zuzu Angel
Conheça um Brasileiro – Zuzu Angel
April 21, 2013
21 de abril de 2013
While the past two weeks have looked at student activists who challenged Brazil’s dictatorship, this week we turn to a more unlikely activist and opponent to the military regime: fashion designer Zuzu Angel.
Enquanto nas duas semanas passadas tratamos de ativistas estudantes que confrontaram a ditadura brasileira, esta semana voltamo-nos para uma ativista e opositora mais improvável do regime militar: a estilista de moda Zuzu Angel.
Photo - Zuleika “Zuzu” Angel Jones, a fashion designer who became a high-profile critic of Brazil’s military regime.
Foto - Zuleika “Zuzu” Angel Jones, estilista de moda que se tornou crítica destacada do regime militar do Brasil.
Zuleika “Zuzu” Angel was born in the large interior state of Minas Gerais in the early 1920s (some source list her birth date as 1921, others as 1923). As a child, her family moved to the state capital of Belo Horizonte, where she attended school. Already as a young woman, she began making clothes for family members. In 1947, she relocated to Rio de Janeiro, where by the 1950s she was working as a seamstress. She married US citizen Norman Jones and had two children, Stuart, born in 1945, and Hildegard, born in 1949.
Zuleika “Zuzu” Angel nasceu no grande estado interior de Minas Gerais no início dos anos 1920 (algumas fontes dão sua data de nascimento como 1921, outras como 1923). Quando criança, a família mudou-se para a capital do estado, Belo Horizonte, onde ela frequentou a escola. Já jovem mulher, começou a fazer roupas para membros da família. Em 1947, passou a morar no Rio de Janeiro, onde, nos anos 1950, trabalhava como costureira. Casou-se com o cidadão estadunidense Norman Jones e teve dois filhos, Stuart, nascido em 1945, e Hildegard, nascida em 1949.
By the 1960s, Zuzu Angel was gaining an international audience in a fashion world dominated by European men like Yves Saint Laurent. Her style was unique, as she incorporated Brazilian materials, colors, and themes like tropical birds and flowers into her outfits. Her individual angel trademark signified something was a Zuzu Angel design. The bright colors and Brazilian-influenced patterns caught the eye of many in the international community; she even had a show featuring her work in the US. By 1970, she had opened her own store in the upscale Ipanema neighborhood, reflecting both her local success and international renown.
Nos anos 1960, Zuzu Angel ganhava plateia internacional num mundo da moda dominado por homens europeus tais como Yves Saint Laurent. O estilo dela era sem par, pois ela incorporava materiais, cores e temas brasileiros tais como pássaros e flores tropicais em seus modelos. Sua marca registrada do anjo individual significava que algo tinha sido projetado por Zuzu Angel. As cores vivas e os padrões de influência brasileira captaram a atenção de muita gente da comunidade internacional; ela teve até um espetáculo mostrando sua obra nos Estados Unidos. Ao chegar o ano de 1970, ela havia aberto sua própria loja no bairro elegante de Ipanema, refletindo tanto seu sucesso local quanto seu renome internacional.
Photo - Examples of Zuzu Angel’s aesthetic, drawing on the Bahiana tradition of the Northeast and incorporating the bright colors and tropical flora and fauna that defined her work and distinguished her from her European and North American counterparts.
Foto - Exemplos da estética de Zuzu Angel, abeberando-se da tradição baiana do Nordeste e incorporando as cores vivas e a flora e a fauna tropical que definiam sua obra e a distinguiam de suas contrapartes europeias e norte-americanas.
Even while her professional career was reaching new heights, her personal life suffered catastrophic loss. Stuart, her first-born child, had become an activist against Brazil’s military dictatorship, and by the end of the 1960s, he’d joined the MR-8 (the group responsible for the kidnapping of US Ambassador Charles Elbrick in 1969). However, by 1969, the military regime had escalated its use of repression, relying on torture, state-sponsored murders, and “disappearing” bodies in the hopes of stamping out all forms of resistance to military rule. Stuart Angel became a victim of such repression. The air force’s security apparatus arrested him in June of 1971, and shortly after his arrest, he was “missing.” A few days later, Zuzu Angel received a letter from Alex Polari de Alvegra, a political prisoner at the prison where Stuart had been taken. In the letter, he described Stuart’s fate, which he witnessed from his cell. Stuart had been brutally tortured, but had not provided the information the military was seeking; in the face of his silence, Polari reported, they bound Stuart and tied him to the back of a military jeep, attaching his mouth to the exhaust pipe. The jeep then proceeded to drive around the grounds of the prison, dragging Stuart behind the jeep while he was forced to inhale the exhaust coming from the jeep, which killed him. After that, the military disposed of his body; its whereabouts are still unknown, making Stuart one of the “disappeared” of the military regime. (Stuart’s wife, Sonia Maria de Moraes Angel Jones, would be arrested and killed after torture two years later, in 1973. Like her husband, her body was also “disappeared,” though her remains were ultimately found and identified decades later.) In a pattern typical of bureaucratic authoritarian regimes, the military denied they had even arrested Stuart. Ironically, by 1973, a secret session of the Military Supreme Court absolved Stuart of the alleged charge of violating the National Security Act, the original “cause” of his arrest.
Logo quando sua carreira profissional estava atingindo nova alturas, sua vida pessoal sofreu perda catastrófica. Stuart, seu primeiro filho, havia-se tornado ativista contra a ditadura militar do Brasil e, no final dos anos 1960, juntara-se ao MR-8 (o grupo responsável pelo sequestro do Embaixador dos Estados Unidos Charles Elbrick em 1969). Entretanto, em 1969, o regime militar havia aumentado rapidamente seu uso da repressão, recorrendo a tortura, assassínios patrocinados pelo estado, e “desaparecimento” de corpos, na esperança de extinguir todas as formas de resistência ao governo militar. Stuart Angel tornou-se vítima de tal repressão. O aparato de segurança da força aérea prendeu-o em junho de 1971 e, pouco depois de sua detenção, ele “desapareceu.” Poucos dias mais tarde, Zuzu Angel recebeu carta de Alex Polari de Alvegra, prisioneiro político na prisão para a qual Stuart havia sido levado. Na carta, ele descreveu o que acontecera com Stuart, que ele testemunhara a partir de sua cela. Stuart havia sido brutalmente torturado, mas não havia fornecido as informações que os militares buscavam; diante de seu silêncio, relatou Polari, amarraram Stuart e o ataram à traseira de um jipe militar, amarrando a boca dele ao cano de escapamento. O jipe em seguida circulou pelo terreno da prisão, arrastando Stuart atrás enquanto ele era forçado a inalar os gases que vinham do jipe, os quais o mataram. Depois disso, os militares descartaram seu corpo; seu paradeiro ainda é desconhecido, tornado Stuart um dos “desaparecidos” do regime militar. (A mulher de Stuart, Sonia Maria de Moraes Angel Jones, seria presa e morta depois de tortura dois anos depois, em 1973. Como ocorreu com o marido, o corpo dela também foi “desaparecido,” embora seus restos tenham sido por fim achados e identificados décadas mais tarde.) Num padrão típico de regimes autoritários burocráticos, os militares negaram até terem prendido Stuart. Ironicamente, em 1973, uma sessão secreta do Tribunal Superior Militar absolveu Stuart da alegada acusação de violar a Lei de Segurança Nacional, “causa” original de sua prisão.
Photo - Stuart Angel Jones, 1945-1971.
Foto - Stuart Angel Jones, 1945-1971.
With the horrific death of her son, Zuzu Angel became an activist and critic of the military regime. Using her international contacts, she denounced the torture, murder, and disappearance of her son both in Brazil and in the international community. At fashion shows in Europe and the US, Zuzu Angel, now dressed in all black to reflect her mourning, took every chance to tell the media what had happened to her son, in the hopes of drawing attention to the military regime’s brutal practices. Since Stuart’s father was a US citizen, Stuart was a dual-citizen of Brazil and the US, and Zuzu used this fact to try to pressure the US to act, lobbying politicians like Frank Church and Ted Kennedy. When Secretary of State Henry Kissinger, who had supported such regimes throughout South America, traveled to Rio in 1976, Zuzu Angel managed to give the dossier on her son to one of Kissinger’s aides. Nor did she rely simply on politicians to try to publicize her cause; her status as an internationally-renowned fashion designer gave her plenty of Hollywood contacts, and celebrities like Joan Crawford, Kim Novak, and Liza Minelli all came to Zuzu Angel’s and Stuart Angel’s defense. She even took her message to her medium, putting on “the first collection of political fashion in history,” replacing her traditional tropical images with military silhouettes, caged birds, and guns shooting at angels. Such efforts led the military to monitor her actions overseas, always aware of and bristling at her criticisms of torture and brutality under the dictatorship.
Com a pavorosa morte de seu filho, Zuzu Angel tornou-se ativista e crítica do regime militar. Usando seus contatos internacionais, denunciou a tortura, o assassínio e o desaparecimento de seu filho tanto no Brasil quando na comunidade internacional. Em desfiles de modas na Europa e nos Estados Unidos, Zuzu Angel, agora inteiramente vestida de preto para refletir seu luto, aproveitava toda oportunidade para contar à mídia o que havia acontecido com seu filho, na esperança de chamar a atenção para as práticas brutais do regime militar. Visto que o pai de Stuart era cidadão estadunidense, Stuart tinha cidadania dupla do Brasil e dos Estados Unidos, e Zuzu usou esse fato para tentar pressionar os Estados Unidos a agirem, fazendo lobby junto a políticos tais como Frank Church e Ted Kennedy. Quando o Secretário de Estado Henry Kissinger, que havia apoiado tais regimes em toda a América do Sul, viajou ao Rio em 1976, Zuzu Angel conseguiu dar o dossiê acerca de seu filho a um dos assessores de Kissinger. Nem contou ela simplesmente com políticos para tentar tornar pública sua causa; sua condição de estilista de moda de renome internacional dava-lhe abundância de contatos em Hollywood, e celebridades tais como Joan Crawford, Kim Novak e Liza Minelli todas vieram em defesa de Zuzu Angel e de Stuart Angel. Ela levou sua mensagem até mesmo a seu próprio meio, criando “a primeira coleção de moda política na história,” substituindo suas imagens tropicais tradicionais por silhuetas militares, pássaros aprisionados e armas de fogo disparando contra anjos. Tais esforços levaram os militares a monitorar as ações dela no exterior, sempre cientes das, e reagindo asperamente às, críticas dela de tortura e brutalidade sob a ditadura.
Photo - Zuzu Angel (left) in all black after her son’s death. To her right, a model wearing a dress from Zuzu’s “Helpless Angel” collection, a collection whose very name bore political connotations about her son’s death and her inability to find out about the fate of his remains.
Foto - Zuzu Angel (esquerda) toda de preto depois da morte do filho. À direita dela, uma modelo vestindo um vestido da coleção de Zuzu “Anjo Desamparado,” uma coleção cujo próprio nome carregava conotações políticas acerca da morte de seu filho e sua incapaciddae de saber o destino de seus restos mortais..
Zuzu Angel never learned the whereabouts of her son’s remains. While driving in Rio de Janeiro in March of 1976 (less than a month after passing her documents to Kissinger’s aides), she died in a car crash while exiting a tunnel. However, the crash appeared to perhaps be more than an accident. Eyewitnesses to the crash described a military jeep present briefly before and after the crash. The mystery surrounding the crash retroactively became more suspicious when in August of 1976, former president Juscelino Kubitschek, another outspoken critic of the regime, also died in a similar car crash under similarly mysterious circumstances, prompting some to argue that the military had found new ways to silence its critics (and leading to the Truth Commission re-investigating his death this year). However, even before the car crash, Angel knew she was a target of the military, prophetically declaring that, “If I appear dead, by accident or by other means, it will have been the work of the assassins of my beloved son.”
Zuzu Angel nunca ficou sabendo do paradeiro dos restos mortais de seu filho. Quando guiando no Rio de Janeiro em março de 1976 (menos de um mês depois de passar seus documentos aos assessores de Kissinger), ela morreu num desastre de automóvel quando saía de um túnel. Entretanto, a colisão pareceu ser talvez mais do que um acidente. Testemunhas oculares da colisão descreveram um jipe militar presente pouco antes e depois da colisão. O mistério circundando o desastre tornou-se retroativamente mais suspeito quando, em agosto de 1976, o ex-presidente Juscelino Kubitschek, outro crítico sem rodeios do regime, também morreu em desastre de carro parecido em circunstâncias similarmente misteriosas, levando algumas pessoas a argumentar que os militares haviam encontrado novas maneiras de silenciar seus críticos (e levando a Comissão da Verdade a reinvestigar a morte dele este ano). Entretanto, mesmo antes do desastre de automóvel, Angel sabia que era alvo dos militares, declarando profeticamente que “Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho.”
Zuzu Angel’s struggles serve as a powerful reminder that it was not just women students who fought against the military regime and who suffered at its hands. Her remarkable professional triumphs were met only with personal loss, and yet she persevered, and in 2006, her story was re-told and her message and suffering re-broadcast in the 2006 film Zuzu Angel.  With the death of her son, she, like hundreds of other mothers, suffered the anguish of the loss of a child and of not knowing of the fate of his remains. She remained a tireless defender of human rights and critic of the regime, even while insisting that “I do not have courage, my son had courage. I have legitimacy.” In spite of her claims otherwise, Zuzu Angel was courageous, speaking out against the regime and becoming one of the more important voices in bringing international awareness to the brutality of its repression, even while suffering a mother’s loss.
As lutas de Zuzu Angel servem como pungente lembrete de que não apenas estudantes mulheres lutaram contra o regime militar e sofreram em suas mãos. Os notáveis triunfos profissionais dela só foram comparáveis a sua perda pessoal, e no entanto ela perseverou e, em 2006, sua história foi contada de novo e sua mensagem e sofrimento retransmitidos no filme de 2006 Zuzu Angel.  Com a morte de seu filho ela, como centenas de outras mães, sofreu a angústia da perda de um filho e de não saber o destino de seus restos mortais. Ela continuou sendo incansável defensora dos direitos humanos e crítica do regime, embora insistindo em que “Eu não tenho coragem, coragem tinha meu filho. Eu tenho legitimidade.” A despeito de suas afirmações em contrário, Zuzu Angel foi corajosa, falando contra o regime e tornando-se uma das vozes mais importantes para criar consciência internacional da brutalidade de sua repressão, mesmo quando sofrendo uma perda como mãe.
This is part of a series. Other entries have looked at political and human rights activist Maria Augusta Carneiro Ribeiro and musician/tropicalista Rogerio Duprat.
Este texto é parte de uma série. Outros artigos trataram da ativista política e de direitos humanos Maria Augusta Carneiro Ribeiro e do músico/tropicalista Rogério Duprat.


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