Sunday, April 7, 2013

rsn - Pope Francis and Argentina's Dirty War: Nine Questions He Needs to Answer



ENGLISH
PORTUGUÊS
reader supported news
reader supported news
Pope Francis and Argentina's Dirty War: Nine Questions He Needs to Answer
Papa Francisco e a Guerra Suja na Argentina: Nove Perguntas Que Ele Precisa Responder
By Steve Weissman, Reader Supported News
Por Steve Weissman, Reader Supported News
22 March 13
22 de março de 2013
Like Old Testament prophets, dogged journalists from Argentina and around the world have raised concern about the election of Cardinal Jorge Bergoglio to become Pope Francis. Was he, they ask, complicit with the Argentine military that kidnapped, tortured, raped, killed, and "disappeared" tens of thousands of people starting even before the coup of March 1976? The victims included two bishops and as many as 150 priests and nuns, and the atrocities reached the absolute horror of stealing newborn babies from their mothers and throwing living prisoners from helicopters and airplanes into the South Atlantic.
Como profetas do Velho Testamento, tenazes/persistentes jornalistas de Argentina e de todo o mundo suscitaram preocupação acerca da eleição do Cardeal Jorge Bergoglio que o tornou Papa Francisco. Foi ele, perguntam eles, cúmplice da instituição militar argentina que sequestrou, torturou, estuprou, matou e "desapareceu" dezenas de milhares de pessoas começando antes mesmo do golpe de março de 1976? As vítimas incluíram dois bispos e até 250 padres e freiras, e as atrocidades atingiram o horror absoluto de bebês serem roubados de suas mães e de prisioneiros serem lançados de helicópteros e aviões no Atlântico Sul.
The journalists are simply messengers. Most of their first-hand testimony come from sources within Argentina's divided Church and will not go away no matter how often Vatican spokesmen dismiss it as old smears spread by the anti-clerical left. We have heard this spin before, over both the Church's complicity with the Nazi Holocaust and early allegations of sexual abuse and cover-up. Pope Francis needs to do better than that. If he wants to put the dirty war behind him, he needs to provide full and convincing answers to nine deeply disturbing questions.
Os jornalistas são apenas mensageiros. A maior parte de seus depoimentos em primeira mão vem de fontes dentro da dividida igreja da Argentina e não desaparecerá por mais que os porta-vozes do Vaticano desqualifiquem-na como velhas calúnias disseminadas pela esquerda anticlerical. Já ouvimos essa conversa antes, a propósito tanto da cumplicidade da Igreja com o Holocausto nazista quanto no tocante às primeiras acusações e encobrimentos de abuso sexual. O Papa Francisco tem que fazer melhor do que isso. Se ele quer deixar a guerra suja para trás de si, precisa oferecer respostas completas e convincentes para nove perguntas extremamente incômodas.
1. Gen. Jorge Rafael Videla, the imprisoned leader of the military junta, credits Papal Nuncio Pío Laghi, Archbishop Raul Francisco Primatesta, and other Church leaders with advising the military junta and helping handle the situation of the disappeared. "In some cases," the former dictator told Argentina's Revista El Sur, "the Church offered its good offices and told the relatives to give up searching for their child because he [or she] was dead." But the Church only did this, said Videla, "if it was certain that the relatives would not use the information politically" against the junta. How, Your Holiness, do you explain such close collaboration?
1. O General Jorge Rafael Videla, o líder encarcerado da junta militar, credita o Núncio Papal Pío Laghi, o Arcebispo Raul Francisco Primatesta e outros líderes da Igreja com darem assessoria à junta militar e ajudarem a administrar a situação dos desaparecidos. "Em alguns casos," disse o ex-ditador à revista argentina El Sur, "a Igreja ofereceu seus bons ofícios e disse aos parentes para desistirem de procurar sua criança porque ela estava morta." A igreja, porém, só fez isso, disse Videla, "se estava certa de que os parentes não usariam a informação politicamente" contra a junta. Como, Sua Santidade, explica tal íntima colaboração?
2. Church officials in Argentina have repeatedly asked forgiveness for their failure to speak out against the junta's human rights violations, and Bergoglio personally called for the Church to do public penance for the sins of the dirty war. The Church obviously lacked courage and moral clarity, but it was far from silent. It publicly supported the military junta. Cardinal Archbishop Juan Carlos Aramburu gave communion and his blessing to the newly installed dictator, Gen. Videla. Bishop José Miquel Medina, the head chaplain of the armed forces, and other church leaders justified torture, while providing chaplains to help the torturers overcome their moral qualms. In his visit to Buenos Aires in April 1982, Pope John II publicly embraced Videla's successor General Leopoldo Galtieri and refused to meet with the Mothers of the Plaza de Mayo, who were demanding justice for their disappeared relatives. When, Your Holiness, will the Church face up to the depth of its complicity?
2. Autoridades da Igreja na Argentina repetidamente já pediram perdão por terem deixado de falar publicamente contra as violações de direitos humanos pela junta, e Bergoglio pessoalmente perorou para que a Igreja fizesse penitência pública pelos pecados da guerra suja. Obviamente à Igreja faltou coragem e clareza moral, mas ela estava longe de ser silente. Ela publicamente apoiou a junta militar. O Cardeal Arcebispo Juan Carlos Aramburu ministrou a comunhão e deu sua bênção ao recentemente empossado ditador, General Videla. O Bispo José Miquel Medina, capelão principal das forças armadas, e outros líderes da igreja justificaram a tortura, enquanto ofereciam capelães para ajudar os torturadores a superarem seus mal-estares morais. Em sua visita a Buenos Aires em abril de 1982, o Papa João II publicamente abraçou o sucessor de Videla, General Leopoldo Galtieri, e recusou-se a encontrar-se com as Mães da Praça de Maio, que exigiam justiça para seus parentes desaparecidos. Quando, Sua Santidade, a Igreja olhará de frente a profundidade de sua cumplicidade?
3. In 2007, an Argentine court convicted Father Christian von Wernich, a police chaplain, for his complicity in seven murders, 42 abductions, and 31 cases of torture. According to BBC News, several former prisoners testified that he used his position as a priest to win their confidence and then passed what they told him to police torturers and killers. The former prisoners said that he attended several torture sessions and told the torturers that they were doing God's work. Von Wernich is now serving a life sentence. As archbishop, Bergoglio ruled against giving holy communion to politicians and health care workers who facilitate abortion, while allowing von Wernich to remain a priest and provide communion to his fellow prisoners. Does Your Holiness truly believe that Church doctrine on abortion and contraception is more important to uphold than prohibitions against torture and mass murder?
3. Em 2007, tribunal argentino condenou o Padre Christian von Wernich, capelão da polícia, por sua cumplicidade em sete assassínios, 42 sequestros e 31 casos de tortura. De acordo com o BBC News, diversos ex-prisioneiros depuseram que ele usou sua posição como padre para ganhar-lhes a confiança e em seguida passou o que eles lhe haviam contado aos torturadores e assassinos da polícia. Os ex-prisioneiros disseram que ele assistiu a diversas sessões de tortura e disse aos torturadores que eles estavam fazendo a obra de Deus. Von Wernich cumpre hoje pena de prisão perpétua. Como arcebispo, Bergoglio pronunciou-se contra dar a santa comunhão a políticos e trabalhadores de saúde que facilitassem o aborto, enquanto permitia que von Wernich continuasse padre e ministrasse a comunhão a seus companheiros prisioneiros. Acredita verdadeiramente Sua Santidade que é mais importante fazer cumprir a doutrina da Igreja acerca do aborto e da contracepção do que proibições referentes a tortura e assassínio em massa?
4. In a case directly involving Bergoglio when he was the top Jesuit in Argentina, the army kidnapped, drugged, tortured, and held captive two of his subordinates who had been living and doing social work in a Buenos Aires slum. The army held Fathers Orlando Yorio and the Hungarian-born Franz "Francisco" Jalics blindfolded and in chains for five months and then dumped them half-naked and drugged into a field on the outskirts of the city. Soon after, Father Yorio sent the Jesuit hierarchy in Rome a first-hand report in which he accused Bergoglio of promising to speak to people from the armed forces and assure them that the two priests were not working with the left-wing guerrillas. But, wrote Yorio, Bergoglio spread rumors that we were. "We began to suspect his honesty," wrote Yorio, who reportedly forgave Bergoglio, but never withdrew his charges. Would Your Holiness release the late Father Yorio's full report and your detailed response to it?
4. Num caso envolvendo diretamente Bergoglio quando ele era o jesuíta de mais alto nível da Argentina, o exército sequestrou, drogou, torturou e manteve cativos dois dos subordinados dele que viviam e faziam obra social numa favela de Buenos Aires. O exército manteve os Padres Orlando Yorio e o nascido na Hungria Franz "Francisco" Jalics vendados e agrilhoados durante cinco meses e depois os despejou seminus e drogados num campo nas cercanias da cidade. Logo depois, o Padre Yorio enviou à hierarquia jesuíta em Roma relatório em primeira mão no qual acusava Bergoglio de prometer falar com gente das forças armadas e assegurar a ela que os dois padres não estavam trabalhando com os guerrilheiros de esquerda. Contudo, escreveu Yorio, Bergoglio disseminou rumores de que estávamos. "Começamos a suspeitar de sua honestidade," escreveu Yorio, que teria perdoado Bergoglio, mas nunca retirou suas acusações. Será que Sua Santidade divulgaria o relatório completo do falecido Yorio e sua detalhada resposta a ele?
5. Father Jalics made similar charges and has never withdrawn them. Now at a monastery in Germany, he says he has forgiven Bergoglio and does not want to comment on the new pontiff's role in what happened. Would Your Holiness ask him, in the name of truth, to testify about what he knows?
5. O Padre Jalics fez acusações similares e nunca as retirou. Agora, num mosteiro na Alemanha, ele diz que perdoou Bergoglio e não quer comentar acerca do papel do pontífice no que aconteceu. Pediria Sua Santidade a ele que, em nome da verdade, depusesse acerca do que sabe?
6. In 1979, Father Jalics was living in Germany and asked Bergoglio to help him get his passport renewed. Bergoglio made the formal request, but The Guardian has published a typed note from the foreign ministry archives that "appears to prove that Bergoglio said one thing and did the opposite." The note records that Jalics and Yorio "lived in small communities that the Jesuit Superior [Bergoglio] disbanded in February 1976. They refused to obey, requesting that they be removed from the order." According to the note, the information came from Bergoglio, who recommended that the foreign ministry not renew Jalics' passport. How, Your Holiness, do you respond to this damning evidence?
6. Em 1979, o Padre Jalics estava vivendo na Alemanha e pediu a Bergoglio para ajudá-lo a ter seu passaporte renovado. Bergoglio fez o pedido formal, mas The Guardian publicou uma nota datilografada dos arquivos do ministério do exterior que "parece provar que Bergoglio disse uma coisa e fez o oposto." A nota registra que Jalics e Yorio "viviam em pequenas comunidades que o Superior Jesuíta [Bergoglio] dissolveu em fevereiro de 1976. Eles se recusaram a obedecer, pedindo que fossem removidos da ordem." De acordo com a nota, a informação viera de Bergoglio, que recomendara que o ministério do exterior não renovasse o passaporte de Jalics. Como, Sua Santidade, responde a essa incriminadora evidência?
7. Horacio Verbitsky, one of Argentina's best-known investigative journalists, uncovered the above document and interviewed many of the dissident voices within the Church, presenting their evidence in his left-leaning Peronist daily Pagina 12 and his best-selling "El Silencio: De Paulo VI a Bergoglio." He is also a direct participant in the story, having shown the courage after the coup to take up arms in the guerrilla war against the military dictators, and he is a staunch supporter of Argentine President Christina Kirshner, who fought against Bergoglio and the Church to legalize gay marriage and provide free contraception. But, whatever his politics, Verbitsky is an internationally respected journalist and human rights campaigner who interviewed and corresponded with Bergoglio, initially published the prelate's version of events, and still goes out of his way to defend the new pontiff where the evidence against him is lacking. Would Your Holiness ask your defenders to stop trying to kill the messenger and deal with the specific evidence Verbitsky offers?
7. Horacio Verbitsky, um dos mais conhecidos jornalistas investigativos da Argentina, descobriu o documento acima e entrevistou muitas das vozes dissidentes dentro da Igreja, apresentando a evidência delas em seu diário esquerdista peronista Pagina 12 e em seu bestseller "El Silencio: De Paulo VI a Bergoglio." Ele também é participante direto na história, tendo mostrado a coragem, depois do golpe, de pegar em armas na guerra de guerrilha contra os ditadores militares, e é decidido partidário da Presidente argentina Christina Kirshner, que lutou contra Bergoglio e a Igreja para legalizar o casamento gay e proporcionar livre contracepção. Contudo, qualquer sua política, Verbitsky é jornalista internacionalmente respeitado e ativista de direitos humanos que entrevistou e correspondeu-se com Bergoglio, publicou inicialmente a versão dos eventos do prelado, e ainda não mede esforços para defender o novo pontífice onde falta evidência contra ele. Poderia Sua Santidade pedir a seus defensores que parassem de tentar matar o mensageiro e lidassem com a evidência específica que Verbitsky oferece?
8. Pope Francis has long talked of making the poor central to the Church, encouraging Christian charity toward them and criticizing inadequate government and even IMF policies. But, in line with John Paul II and Benedict XVI, he worked to suppress Liberation Theology, which called for helping the poor to organize to fight for their own rights. This appears to have been an underlying issue in his treatment of Fathers Yorio and Jalics and in the heated divisions within Argentina's Catholic Church. Will Your Holiness now reopen the debate and allow defenders of Liberation Theology to speak freely within the Church?
8. O Papa Francisco há muito tempo fala de tornar os pobres essenciais para a Igreja, estimulando caridade cristã em relação a eles e criticando políticas inadequadas do governo e até do FMI. Contudo, em linha com João Paulo II e Bento XVI, ele trabalhou para suprimir a Teologia da Libertação, que preconizava ajudar os pobres a organizarem-se e a lutar por seus próprios direitos. Essa parece ter sido uma questão básica em seu tratamento dos Padres Yorio e Jalics e nas inflamadas divisões dentro da Igreja Católica na Argentina. Abrirá Sua Santidade agora o debate e permitirá que os defensores da Teologia da Libertação falem livremente dentro da Igreja?
9. Horacio Verbitsky and other critics are quick to credit Bergoglio with helping many of the junta's opponents and even hiding them from arrest. "I know people he helped," said Father Yorio's brother Rodolfo. "That's exactly what reveals his two faces, and his closeness to the military powers. He was a master at ambiguity." Over the years, Your Holiness, you have been a reluctant, vague, and often evasive witness about your role – and the role of your fellow priests – in the dirty war. Would you now, in the spirit of truth and reconciliation, give independent journalists and historians access to Church archives, which – along with in-depth interviews and already available government archives – will allow them to set the record straight?
9. Horacio Verbitsky e outros críticos são lépidos em creditar Bergoglio com ajudar muitos dos opositores da junta e até de escondê-los para que não fossem presos. "Conheço pessoas a quem ele ajudou," disse Rodolfo, irmão do Padre Yorio. "Isso é exatamente o que revela as duas caras dele, e sua proximidade dos poderes militares. Ele era um mestre da ambiguidade." Ao longo dos anos, Sua Santidade tem sido uma testemunha relutante, vaga e amiúde evasiva acerca de seu papel – e do papel de seus companheiros padres – na guerra suja. No espírito de verdade e reconciliação, daria a jornalistas independentes e a historiadores acesso aos arquivos da Igreja, os quais – juntamente com entrevistas em profundidade e já disponíveis arquivos do governo – lhes permitirão colocar a verdade nos trilhos?
A veteran of the Berkeley Free Speech Movement and the New Left monthly Ramparts, Steve Weissman lived for many years in London, working as a magazine writer and television producer. He now lives and works in France, where he writes on international affairs.
Veterano do Movimento de Livre Expressão de Berkeley e do mensário da Nova Esquerda Ramparts, Steve Weissman morou durante muitos anos em Londres, trabalhando como escritor para revistas e como produtor de televisão. Hoje mora e trabalha na França, onde escreve acerca de assuntos internacionais.
Reader Supported News is the Publication of Origin for this work. Permission to republish is freely granted with credit and a link back to Reader Supported News.
Reader Supported News é a Publicação de Origem deste texto. Permissão para republicar é livremente concedida com crédito e um link para o Reader Supported News.


No comments:

Post a Comment