Wednesday, April 3, 2013

IPS - Catholics in Argentina Protest Church’s Complicity in Dictatorship


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IPS – Inter Press Service
IPS – Inter Press Service
Catholics in Argentina Protest Church’s Complicity in Dictatorship
Católicos na Argentina Protestam Contra a Cumplicidade da Igreja com a Ditadura
Thursday, March 28, 2013
Quinta, 28 de março de 2013
BUENOS AIRES, Mar 16 2013 (IPS) - Argentine archbishop Jorge Bergoglio was selected as pope at a time when the Roman Catholic Church in this South American country is facing a rebellion by priests and laypersons who reject the role of the church leadership during the 1976-1983 dictatorship and the lack of reparations for past omissions and complicities.
BUENOS AIRES, 16 de março de 2013 (IPS) - O arcebispo da Argentina Jorge Bergoglio foi selecionado para papa num momento em que a Igreja Católica Romana naquele país sul-americano está enfrentando uma rebelião de padres e leigos que repudiam o papel da liderança da igreja durante a ditadura de 1976-1983 e a falta de reparações por omissões e cumplicidades do passado.
The accusations against Bergoglio for his alleged ties to the dictatorship, which made headlines around the world when his appointment as pope was announced by the Vatican, are just the tip of the iceberg of a controversy that has raged for decades without a solution and which is coming to light as the regime’s human rights violators have been brought to trial since the amnesty laws were scrapped.
As acusações contra Bergoglio por seus alegados vínculos com a ditadura, que fizeram manchetes em todo o mundo quando sua nomeação para papa foi anunciada pelo Vaticano, são apenas a ponta do iceberg de uma controvérsia que fermenta há decadas sem solução e que está vindo à luz à medida que os violadores de direitos humanos do regime vão sendo levados a julgamento desde que as leis de anistia foram revogadas.
Groups like Curas en la Opción por los Pobres (Priests with an Option for the Poor), Cristianos por el Tercer Milenio (Christians for the Third Millennium) or Colectivo Teología de la Liberación (Liberation Theology Collective) have voiced increasingly harsh criticism against the Argentine bishops’ conference’s shortcomings in terms of self-criticism, in spite of an apology and pledge to investigate issued a few months ago.
Grupos tais como Curas en la Opción por los Pobres (Padres da Opção pelos Pobres), Cristianos por el Tercer Milenio (Cristãos pelo Terceiro Milênio) ou Colectivo Teología de la Liberación (Coletivo Teologia da Libertação) têm suscitado críticas cada vez mais ásperas contra as deficiências das conferências de bispos da Argentina, a despeito de pedido de desculpas e promessa solene de investigação emitidos há alguns meses.
“It’s good that this debate is happening, that we work to clarify what happened, so that the truth will come to light. That would be very healthy,” Claudia Touris, a researcher at the University of Buenos Aires and the coordinator of Relig-Ar Grupo de Trabajo en Religión y Sociedad de Argentina (Relig-Ar: Working Group on Religion and Society in Contemporary Argentina), told IPS.
“É bom que este debate esteja acontecendo, que trabalhemos para esclarecer o que aconteceu, de tal maneira que a verdade venha à luz. Isso será muito saudável,” disse ao IPS Claudia Touris, pesquisadora da Universidade de Buenos Aires e coordenadora do Religar: Grupo de Trabajo de Religión y Sociedad en la Argentina Contemporánea (Religar: Grupo de Trabalho em Religião e Sociedade na Argentina Contemporânea).
The debate that has divided Catholics in Argentina broke out as a result of a statement issued in November 2012 by the Argentine bishops’ conference, in which they apologise “to those we let down or failed to support as we should have” during the dictatorship.
O debate que tem dividido os católicos na Argentina eclodiu como resultado de uma declaração emitida em novembro de 2012 pela conferência dos bispos da Argentina, na qual eles pedem desculpas “àqueles a quem deixamos sem amparo ou deixamos de apoiar, ao contrário do que deveríamos ter feito” durante a ditadura.
They also promised to carry out “a more thorough study,” to find out the truth.
Também prometeram levar a efeito “um estudo mais completo,” para descobrirem a verdade.
The statement was issued as a “Letter to the People of God” and was titled “Faith in Jesus Christ leads us to truth, justice and peace.” It condemns the crimes committed as a result of “state terrorism” but adds that “We also know of the death and devastation caused by the violence of the guerrillas”.
A declaração foi emitida como uma “Carta ao Povo de Deus” e foi intitulada “A fé em Jesus Cristo leva-nos à verdade, à justiça e à paz.” Condena os crimes cometidos como resultado do “terrorismo de estado” mas acrescenta que “Também sabemos da morte e da devastação causadas pela violência dos guerrilheiros”.
Opponents of the regime criticise that interpretation.
Opositores do regime criticam essa interpretação.
Cristianos por el Tercer Milenio described the statement as falling short because it denies the connivance between some prelates and the dictatorship. According to the group, made up of laypersons, those who served as military chaplains should be demanded to provide information, and “scandalous situations that confuse and weaken the faithful should be brought to an end.”
Cristianos por el Tercer Milenio descrevem essa declaração como insuficiente porque nega a cumplicidade entre alguns prelados e a ditadura. De acordo com o grupo, formado de leigos, daqueles que serviram como capelães militares deveria ser exigido que fornecessem informações, e “situações escandalosas que confundem e debilitam os fiéis deveriam ser levadas a um desfecho.”
For their part, Curas en Opción por los Pobres said they were “scandalised by so many stances running counter to the Gospels” and by the fact that priest Christian von Wernich, who was sentenced for human rights violations, “was not expelled from the priesthood,” and unrepentant former dictator Jorge Rafael Videla, found guilty of crimes against humanity, continues to receive communion.
De sua parte, a Curas en Opción por los Pobres diz que está “escandalizada com tantos casos contrários aos Evangelhos” e com o fato de o padre Christian von Wernich, que foi sentenciado por violações de direitos humanos, “não ter sido destituído da condição de padre,” e de o não arrependido ex-ditador Jorge Rafael Videla, considerado culpado de crimes contra a humanidade, continuar a receber a comunhão.
On the eve of Bergoglio’s appointment as pope, Curas en Opción por los Pobres, priests who live and work in Argentina’s slums, loudly protested because the bishops had taken reprisals against one of the priests who had criticised the statement released by the bishops’ conference.
À véspera da nomeação de Bergoglio como papa, a Curas en Opción por los Pobres, formada de padres que vivem e trabalham nas favelas da Argentina, protestou em alta voz porque os bispos haviam retaliado um dos padres que havia criticado a declaração da conferência dos bispos.
Bishop Francisco Polti of the northern province of Santiago del Estero transferred Father Roberto Burell, one of the signatories of the letter that the Curas en Opción por los Pobres sent to the bishops, from his parish.
O Bispo Francisco Polti, da província nortista de Santiago del Estero, transferiu o Padre Roberto Burell, um dos signatários da carta que a Curas en Opción por los Pobres mandou aos bispos, da paróquia dele.
“We aren’t going to call you ‘estimados’ (esteemed – the formal form of address in a letter in Spanish) because we do not esteem cowards,” says the letter sent by the priests.
“Não chamaremos vocês de ‘estimados’ (estimados é a forma formal de tratamento de uma carta em espanhol) porque não estimamos covardes,” diz a carta mandada pelos padres.
The priests also told the bishops that when they are no longer bishops “only the powerful will be sorry, because the poor, the peasants and indigenous people will celebrate.”
Os padres também disseram aos bispos que quando eles não mais fossem bispos “apenas os poderosos ficarão tristes, porque os camponeses e os indígenas comemorarão.”
That was the climate among Catholics in Argentina when Cardinal Bergoglio was elected Wednesday Mar. 13 as the first pope from Latin America.
Esse era o clima entre os católicos na Argentina quando o Cardeal Bergoglio foi eleito, em 13 de março, como o primeiro papa da América Latina.
Touris said the bishops’ conference statement was considered overly timid by many Catholics, although it was a fairly novel call for those who have information on forced disappearances or the theft of the children of political prisoners – two human rights abuses widely committed by the dictatorship – to come forward.
Touris disse que a declaração da conferência dos bispos foi considerada excessivamente tímida por muitos católicos, embora fosse um chamado bastante novel para que aqueles que disponham de informações acerca dos desaparecimentos forçados ou do furto de crianças de prisioneiros políticos – dois abusos de direitos humanos largamente cometidos pela ditadura – falassem publicamente.
“We’ll have to see if this continues, and if it goes deeper,” she added.
“Temos de ver se isso continuará, e se irá mais fundo,” acrescentou ela.
She said there was no single, unanimous Church position with respect to the regime, which is why some bishops were ideologically in line with the military and helped “sweep out alleged communist infiltrators,” while other priests and bishops supported the victims of persecuation.
Ela disse que não havia uma posição única e unânime da Igreja com respeito ao regime, e por isso alguns bispos estavam ideologicamente em consonância com a instituição militar e ajudaram a  “eliminar alegados infiltradores comunistas,” enquanto outros padres e bispos apoiaram as vítimas da perseguição.
As examples of the former, Touris mentioned Cardinal Raúl Primatesta, army vicar Victorio Bonamín, and archbishops Adolfo Tortolo and Antonio Plaza – all of whom are dead – who witnesses said they had seen in clandestine detention centres.
Como exemplo daqueles primeiros, Touris mencionou o Cardeal Raúl Primatesta, o vigário do exército Victorio Bonamín, e os ascebispos Adolfo Tortolo e Antonio Plaza – todos os quais já mortos – que, disseram testemunhas, foram vistos em centros clandestinos de detenção.
But, Touris said, there were also bishops who stood alongside the victims of the regime, such as Jaime de Nevares, Jorge Novak or Miguel Hesayne, as well as dozens of priests, nuns, seminary students and laypersons who were kidnapped, “disappeared”, murdered, or forced to flee into exile.
Contudo, disse Touris, houve também bispos que se postaram ao lado das vítimas do regime, tais como Jaime de Nevares, Jorge Novak ou Miguel Hesayne, bem como dezenas de padres, freiras, estudantes de seminário e leigos que foram sequestrados, “desaparecidos”, assassinados ou forçados a ir para o exílio.
Two bishops are considered martyrs for their opposition to the regime.
Dois bispos são considerados mártires por sua oposição ao regime.
The first is Enrique Angelelli of the diocese of the northern province of La Rioja, who was killed in 1976 in a purported car accident which is suspected to have been a murder. The other is Carlos Ponce de León, bishop of the Buenos Aires district of San Nicolás, who also died in a suspicious car crash in 1977.
O primeiro é Enrique Angelelli, da diocese da província nortista de La Rioja, que foi morto em 1976 num pretenso acidente de carro que, suspeita-se, foi um assassínio. O outro é Carlos Ponce de León, bispo do distrito de San Nicolás em Buenos Aires, que também morreu num acidente de carro suspeito em 1977.
At the time, Bergoglio was the Jesuit Provincial (elected leader of the order). Two Jesuit priests who worked in poor neighbourhoods were abducted. Some accuse the new pope of turning them over, but others say that on the contrary, his influence saved them.
À época, Bergoglio era o Provincial jesuíta (líder eleito da ordem). Dois padres jesuítas que trabalhavam em bairros pobres foram abduzidos. Algumas pessoas acusam o novo papa de tê-los entregue, mas outros dizem o contrário, que a influência deles os salvou.
Touris said the superior general of the Society of Jesus was Spanish priest Pedro Arrupe, who urged the priests to assume a political and social commitment. As a result, more Jesuits were persecuted, tortured and forcibly disappeared in Latin America in the 1970s than priests from any other order.
Touris disse que o superior geral da Companhia de Jesus era o padre espanhol Pedro Arrupe, que urgiu os padres a assumirem compromisso político e social. Em decorrência, mais jesuítas foram perseguidos, torturados e desaparecidos à força na América Latina nos anos 1970 do que padres de qualquer outra ordem.
In Argentina, under Bergoglio’s leadership, the order assumed a more traditional position, the professor noted. He urged the more socially committed priests to abandon their social activism in order to avoid repression, as he himself stated in his defence.
Na Argentina, sob a liderança de Bergoglio, a ordem assumiu uma posição mais tradicional, observou o professor. Ele urgiu os padres mais comprometidos socialmente a abandonarem seu ativismo social a fim de evitarem a repressão, como ele próprio declarou em sua defesa.
Argentine human rights activist and 1980 Nobel Peace Prize-winner Adolfo Pérez Esquivel, an active believer, said this week that “the Catholic Church did not take a homogeneous stance” with respect to the regime, and “there were bishops who were complicit in the dictatorship…but not Bergoglio.”
O ativista argentino de direitos humanos e ganhador do Prêmio Nobel de 1980 Adolfo Pérez Esquivel, crente ativo, disse esta semana que “a Igreja Católica não assumiu posição homogênea” com respeito ao regime, e “houve bispos que foram cúmplices da ditadura… mas não Bergoglio.”
“I believe he lacked the courage to support our struggle for human rights at the most difficult times,” Esquivel said in a statement issued by his organisation, Servicio de Paz y Justicia (Peace and Justice Service) in Argentina.
“Eu acredito que faltou a ele coragem para apoiar nossa luta por direitos humanos nos tempos mais difíceis,” disse Esquivel numa declaração emitida por sua organização, Servicio de Paz y Justicia (Serviço de Paz e Justiça) na Argentina.
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