Sunday, April 21, 2013

C4SS - Moral Panics and Managerialism


ENGLISH
PORTUGUÊS
CENTER FOR A STATELESS SOCIEY
CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
building public awareness of left-wing market anarchism
pela consciência pública do anarquismo esquerdista de mercado
Moral Panics and Managerialism
Pânico Moral e Gerencismo
Posted by Kevin Carson on Apr 17, 2013 in Commentary
Afixado por Kevin Carson em 17 de abril de 2013 em Commentary
One of my favorite bloggers, Chris Dillow (“Moral Panics and the Threat to Freedom,” Stumbling and Mumbling, April 16),  recently observed that moral panics(*) reflect a managerialist ideology in which social disorder is something to be smoothed over and restored to a normal state of equilibrium.
Um de meus blogueiros favoritos, Chris Dillow (“O Pânico Moral e a Ameaça à Liberdade,” Tropeço e Resmungo, 16 de abril) observou, recentemente, que o pânico moral(*) reflete uma ideologia gerencista na qual a desordem social é vista como algo a ser resolvido e restaurado a um estado normal de equilíbrio.
 (*) According to Wikipedia, a moral panic is an intense feeling expressed in a population about an issue that appears to threaten the social order. According to Stanley Cohen, a moral panic occurs when (a) condition, episode, person or group of persons emerges to become defined as a threat to societal values and interests. For example, in the USA there is some moral panic about illegal immigrants. - TN
(*) Segundo a Wikipedia, pânico moral é o intenso sentimento expressado no seio de uma população a propósito de algo que pareça ameaçar a ordem social. Segundo Stanley Cohen, ocorre pânico moral quando surgem condição, episódio, pessoa ou grupo de pessoas vistos como ameaça a valores ou interesses da sociedade. Por exemplo, nos Estados Unidos há pânico moral a propósito dos imigrantes ilegais.- NT
That description is spot-on. Social engineers in government resemble nothing so much as industrial engineers, treating disorder as  process variation and hoping to get their black belt from Motorola for reducing it below six degrees of standard deviation.
Essa descrição é perfeita. Os engenheiros sociais no governo com nada se parecem tanto quanto com engenheiros industriais, tratando a desordem como desvio de processo e esperando ganhar sua faixa preta da Motorola por reduzirem-na para abaixo de seis graus de desvio padrão.
There’s a good reason for the resemblance: Contemporary social engineering is a direct outgrowth of industrial engineering.
Há bom motivo para a semelhança: A engenharia social contemporânea é rebento direto da engenharia industrial.
Progressivism was the ideology of the new managerial and professional classes that sprang up in the late 19th century to run the new large, hierarchical institutions dominating American society after the Civil War. The first managers of multi-unit corporations came from an industrial engineering background, and saw the corporation itself as a system to be engineered just like the industrial process in a factory. They were followed by the professional civil service and the professional managers of large universities, charitable foundations and urban public school systems.
O Progressismo foi a ideologia das novas classes gerenciais e profissionais que brotaram no final do século 19 para administrarem as novas grandes instituições hierárquicas que tomaram conta da sociedade estadunidense depois da Guerra Civil. Os primeiros gerentes das corporações de unidades múltiplas tinham formação em engenharia industrial, e viam a corporação como um sistema a ser estruturado exatamente como o processo industrial da fábrica. Foram acompanhados pelo serviço público profissional e pelos gerentes profissionais das grandes universidades, de fundações caritativas e de sistemas de escolas públicas urbanas.
Progressivism extended this approach to society as a whole, treating it as an industrial process writ large. As any quality control specialist will tell you, an industrial process results in variation because the process is structured to produce variation. So you tweak the process till it reliably produces an output with variation below some acceptable threshold.
O Progressismo estendeu essa abordagem para a sociedade como um todo, tratando esta como um processo industrial em sua forma a mais plena. Como qualquer especialista em controle de qualidade dirá a você, um processo industrial resulta em variação porque o processo está estruturado para produzir variação. Em decorrência, você calibra o sistema até que ele produza, de modo fidedigno, resultado com variação abaixo de algum limiar aceitável.
That approach is fundamentally misguided. Unlike widgets on an assembly line, human beings pursue goals of  our own, communicate with one another, anticipate the actions of the social engineers, and act to circumvent them when they interfere with their own goals. The further the engineers get from the actual physical process of linking machines sequentially and regulating their output, and the more their “planning” incorporates the human element, the less their plans have to do with reality.
Essa abordagem é fundamentalmente equivocada. Diferentemente dos elementos de uma linha de montagem, os serem humanos perseguem objetivos próprios, comunicam-se uns com os outros, preveem as ações dos engenheiros sociais, e agem no sentido de tapear estes quando eles interfiram com seus objetivos. Quanto mais os engenheiros recorrerem aos processos físicos reais de ligarem máquinas sequencialmente e controlarem o produto delas, e quanto mais do “planejamento” deles incorporar o elemento humano, menos os planos deles terão a ver com a realidade.
People respond to management’s irrational interference with their goal-seeking much as the Internet treats censorship: They treat authority as damage and route around it.
As pessoas reagem à interferência irracional da gerência em sua busca de objetivos de maneira muito parecida com aquela pela qual a Internet trata a censura: Tratam a autoridade como significando prejuízo/estrago, e contornam-na.
There’s a close resemblance between the pointy-haired bosses in a corporate C-suite trying to impose the management theory du jour, and legislators trying to regulate social behavior. The actual social systems they’re trying to regulate are a black box to them. They treat society like an inanimate assembly line when it’s actually an agile network of sentient beings who can react faster than the regulators can act.
Há estreita semelhança entre os gerentes incompetentes do escalão corporativo mais alto, tentando impor a teoria de gerência na moda, e legisladores tentando controlar o comportamento social. Os sistemas sociais reais que eles tentam controlar são uma caixa preta para eles. Eles tratam a sociedade como uma linha de montagem inanimada quando ela é, na realidade, uma rede ágil de seres percipientes que pode reagir mais depressa do que os controladores conseguem atuar.
In both realms, the suits equate “doing something” as such to effectiveness, believing the words they write on paper will be magically translated into reality when applied to the inert mass of society. But a social system isn’t inert or static. It responds, with far more agility and intelligence than the regulators, to any attempt at interference from above.
Em ambos esses contextos, os gerentes consideram “fazer algo” enquanto tal como sinônimo de eficácia, acreditando que as palavras que escrevem no papel serão magicamente traduzidas em realidade quando aplicadas à massa inerte da sociedade. Um sistema social, porém, não é inerte ou estático. Ele reage, com muito mais agilidade e inteligência do que os controladores, a qualquer tentativa de interferência vinda de cima.
In the corporation, workers respond to such initiatives with the kinds of passive-aggressive monkey-wrenching that the IWW has enshrined as “direct action,” but which workers have instinctively resorted to since the beginning of time: Working-to-rule, whistleblowing, leaking, slowdowns, and just plain smiling and nodding our heads and doing exactly what we were before.
Na corporação, os trabalhadores reagem a tais iniciativas com os tipos de sabotagem passivos-agressivos que a Trabalhadores Industriais do Mundo - IWW consagrou na expressão “ação direta,” mas aos quais os trabalhadores recorreram instintivamente desde o início dos tempos: Operação padrão, divulgação dos podres da empresa, vazamentos, operação-tartaruga, e apenas sorrir e anuir com a cabeça e fazer exatamente o que estava sendo feito antes.
In the political realm, regulatory responses to moral panics are equally stupid. They usually take the form of Post-Traumatic Stupidity Disorder: “Don’t just stand there! DO SOMETHING!” It doesn’t matter if what’s done is actually counterproductive. Like managers everywhere, the managers of the state treat the quantity of inputs — laws and directives — as a metric of output.
No domínio político, respostas normativas ao pânico moral são igualmente estúpidas. Elas usualmente tomam a forma do Distúrbio de Estupidez Pós-Traumática: “Não fique parado aí! FAÇA ALGO!” Não importa se o que é feito é em realidade contraproducente. Como os gerentes de toda parte, os gerentes do estado tratam a quantidade de insumos — leis e normas — como critério de mensuração do produto.
But their actions almost always are counterproductive. When stigmergic networks of freely associated individuals cooperate in pursuit of their own ends, they make maximum effective use of the intelligence and knowledge of those participating in them. They’re more than the sum of their parts. And they become smarter and more effective in response to attack by hierarchies. Just look at the progression from Napster to The Pirate Bay, and Pirate Bay’s migration into the Cloud as an open-source code release: After every attack, the file-sharing movement becomes more distributed and more ephemeral, eliminating dangerous bottlenecks.
As ações deles, porém, são, quase sempre, contraproducentes. Quando redes estigmérgicas de indivíduos livremente associados cooperam na persecução de seus próprios fins, fazem uso de eficácia máxima da inteligência e do conhecimento daqueles que delas participam. São mais do que a soma de suas partes. E se tornam mais aptas e mais eficazes em reação a ataque levado a efeito pelas hierarquias. Vejam só o progresso do Napster ao Baía dos Piratas, e a migração do Baía dos Piratas para a Nuvem como versão de código de fonte aberta: Depois de cada ataque, o movimento de compartilhamento de arquivos torna-se mais distribuído e mais efêmero, eliminando perigosos gargalos.
Hierarchies, in contrast, are less than the sum of their parts. They can’t trust subordinates to make full use of their distributed knowledge. They become stupider in response to attack — just look at the various forms of Security Theater implemented by the TSA after every “failed” terrorist attack. The incredibly stupid things the United States government has done — invading Iraq, turning civil aviation into something to be avoided as much as possible, making its security system more ossified and brittle — were exactly what al Qaeda wanted to achieve with 9-11.
Em contraste, as hierarquias são menos do que a soma de suas partes. Elas não podem confiar nos subordinados para fazerem uso pleno do conhecimento distribuído que eles possuem. Tornam-se mais estúpidas na reação a ataque — vejam só as várias formas de Teatro de Segurança implementadas pela Administração da Segurança dos Transportes - TSA depois de cada ataque terrorista “fracassado.” As coisas incrivelmente estúpidas que o governo dos Estados Unidos tem feito — invadir o Iraque, transformar a aviação civil em algo a ser evitado tanto quanto possível, tornar seu sistema de segurança mais ossificado e friável — foram exatamente o que a al Qaeda desejava conseguir com o 11 de setembro.
Reality is not the same as the map. It is far more complex. And the pointy-haired bosses who attempt to regulate it will always make fools of themselves.
A realidade não é a mesma coisa que o mapa. É muito mais complexa. E os chefes incompetentes que tentam controlá-la sempre farão de si próprios triste figura.
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é membro de alto nível do Centro por uma Sociedade sem Estado (c4ss.org) e titular da  Cátedra Karl Hess em Teoria Social do Centro. É mutualista e anarquista individualista cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson tem também escrito para publicações impressas como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para várias publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P, e seu próprio Blog Mutualista.



No comments:

Post a Comment