Tuesday, April 9, 2013

C4SS - Ignorance is Strength: Kim Jong Un Edition


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CENTER FOR A STATELESS SOCIEY
CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
building public awareness of left-wing market anarchism
pela consciência pública do anarquismo esquerdista de mercado
Ignorance is Strength: Kim Jong Un Edition
Ignorância é Força: Edição Kim Jong Un
Posted by Kevin Carson on Apr 5, 2013 in Commentary
Afixado por Kevin Carson em 5 de abril de 2013 em Commentary
In a C4SS op-ed on the Korean “crisis” (“I’m Already Against the Next War, and You Should Be Too,” April 4), Tom Knapp wrote, regarding his negative impressions of North Korea:
Num artigo opinativo acerca da “crise” coreana (“Já Desde Agora Sou Contra a Próxima Guerra, e Você Também Deveria Ser,” 4 de abril), Tom Knapp escreveu, a respeito de suas impressões negativas a respeito da Coreia do Norte:
“most of what I think I know about it is really just what other governments choose to tell me. And those other governments routinely lie — to everyone, about everything, day in and day out, as a matter of policy …”
“a maior parte do que penso que sei a respeito dela é em realidade apenas aquilo que outros governos resolveram contar-me. E esses outros governos sistematicamente mentem — para todo mundo, acerca de tudo, diariamente, como questão de política …”
The current war scare drummed up by the US government (and by cable news — if there’s any difference) fully bears out Knapp’s skepticism. Let’s take a closer look behind the official version of events in Korea over the past several decades:
O atual alarmismo de guerra martelado pelo governo dos Estados Unidos (e por notícias transmitidas por cabo — se é que há qualquer diferença) confirma plenamente o ceticismo de Knapp. Olhemos mais de perto por trás da versão oficial dos eventos na Coreia ao longo das várias décadas passadas:
The standard framing of the Korean War is an unambiguous, unprovoked aggression by the North, beginning with a sudden and massive invasion across the Demarcation Line. But in fact the years leading up to the war featured constant cross-border incursions by both sides, often involving thousands of troops.
O arcabouço padronizado acerca da Guerra da Coreia é o de agressão indiscutível e sem provocação pelo Norte, começando com uma súbita e maciça invasão cruzando a Linha Demarcatória. Na verdade, contudo, os anos que levaram à guerra caracterizaram-se por incursões através da fronteira por parte de ambos os lados, amiúde envolvendo milhares de soldados.
The North Korean version of events was that the Seoul regime had conducted a large-scale artillery bombardment across the border on the 23rd and 24th, followed by a surprise South Korean raid on the town of Haeju. The American military status report at nightfall June 25 said the North Koreans had captured all territory three miles south of the Imjin River — except for the area of the “Haeju counterattack.” John Gunther, in his biography of MacArthur, recounts being informed by a high-ranking member of the American occupation on the 25th: “A big story has just broken. The South Koreans have attacked North Korea!”
A versão norte-coreana dos eventos era a de que o regime de Seul havia conduzido ataques maciços de artilharia cruzando a fronteira nos dias 23 e 24, seguidos de incursão sul-coreana de surpresa contra a cidadezinha de Haeju. O relatório militar estadunidense da situação no crepúsculo do dia 25 dizia que os norte-coreanos haviam capturado todo o território três milhas ao sul do Rio Imjin — exceto a área do “contra-ataque de Haeju.” John Gunther, em sua biografia de MacArthur, descreve ter sido informado, no dia 25, por membro de alto escalão da ocupação estadunidense: “Acaba de acontecer uma grande reportagem. Os sul-coreanos atacaram a Coreia do Norte!”
As war broke out, South Korean dictator Syngman Rhee ordered the massacre of at least 100,000 leftist dissidents with the acquiescence of the US military command. The victims included tens of thousands of political prisoners imprisoned by Rhee in the preceding years. The regime emptied its prisons, lined up the prisoners and shot them, dumping their bodies into hastily dug trenches. US military officers were present at some of these mass killings;  the US military actually photographed some of them.
Ao eclodir a guerra, o ditador sul-coreano Syngman Rhee ordenou o massacre de pelo menos 100.000 dissidentes esquerdistas, com a aquiescência do comando militar dos Estados Unidos. Entre as vítimas contaram-se dezenas de milhares de prisioneiros políticos encarcerados por Rhee nos anos anteriores. O regime esvaziou suas prisões, enfileirou os prisioneiros e os fuzilou, despejando seus cadáveres em trincheiras cavadas às pressas. Autoridades militares dos Estados Unidos estiveram presentes a alguns dos assassínios em massa; a instituição militar dos Estados Unidos, na realidade, fotografou alguns deles.
By way of background, the Korean system of governance that had emerged in the vacuum left by Japan’s 1945 withdrawal was a loose federation of self-governing communes, in which the large and influential Korean anarchist movement played a major role. Soviet and American military authorities, in their respective spheres, quickly put an end to this. The Americans, obviously suspicious of anarchists or leftists of any kind, encouraged dispossessed aristocrats to form a military regime which imprisoned by the tens of thousands the anarchists it had dispossessed and, in a few years’ time, took advantage of the war to finish them off once and for all.
À guisa de antecedentes históricos, o sistema coreano de governo que havia emergido no vácuo deixado pela retirada do Japão em 1945 era uma federação frouxa de comunas autogovernadas, onde o grande e influente movimento anarquista coreano desempenhava papel importante. Autoridades militares soviéticas e estadunidenses, em suas esferas respectivas, rapidamente acabaram com aquilo. Os estadunidenses, obviamente desconfiados de anarquistas ou esquerdistas de qualquer tipo, estimularam aristocratas destituídos de seus bens a formarem um regime militar que prendeu, na casa das dezenas de milhares, anarquistas que houvera destituído de seus bens e, em poucos anos, aproveitou-se da guerra para dar cabo deles de uma vez por todas.
Fast forward to the present: Kim Jong Un’s threats of nuclear retaliation against American targets take place against the backdrop of large-scale joint US-South Korean naval exercises inside North Korean territorial waters. The US claims them as South Korean waters based solely on a demarcation line unilaterally drawn by the United States at the end of the Korean War. The US-drawn line is not confirmed by any treaty or recognized by any international body. And by the normal standards for calculating territorial waters under international law, North Korea’s claims to the waters in which the exercises took place are entirely legitimate.
De volta ao presente: As ameaças de Kim Jong Un de retaliação nuclear a alvos estadunidenses têm lugar no contexto de exercícios navais conjuntos de larga escala estadunidenses-sul-coreanos dentro de águas territoriais norte-coreanas. Os Estados Unidos alegam tratarem-se de águas sul-coreanas baseados unicamente numa linha de demarcação unilateralmente traçada pelos Estados Unidos, ao final da Guerra da Coreia. A linha traçada pelos Estados Unidos não é confirmada por qualquer tratado, nem é reconhecida por qualquer órgão internacional. E, pelos padrões normais para cálculo de águas territoriais segundo a lei internacional, as reivindicações da Coreia do Norte das águas onde os exercícios tiveram lugar é inteiramente legítima.
So, viewing events from outside the distorting ideological prism of official US statements and their parrots in the media, what really happened is that North Korea responded to an enormous provocation and a credible threat by warning of retaliation in the event of attack.
Assim, pois, ao serem vistos os eventos fora do prisma distorcedor das afirmações oficiais dos Estados Unidos e de seus papagaios na mídia, o que realmente aconteceu é que a Coreia do Norte reagiu a uma enorme provocação e a plausível ameaça mediante advertir de retaliação na eventualidade de ataque.
“OK,” you may be saying. “But even if all that stuff’s true, responding to an offshore provocation in North Korean waters with bluster about nuclear targets in the US is kinda nuts, isn’t it?”
“OK,” poderá você estar dizendo. “Mesmo, porém, que tudo isso seja verdade, reagir a uma provocação ao largo das águas norte-coreanas vociferando acerca de alvos nucleares nos Estados Unidos é um pouco demais, não é?”
Well, it’s certainly immoral. For one state to respond to another state’s military aggression by killing, or threatening to kill, its civilian population is monstrous. And if it’s monstrous, it’s monstrous when anyone does it. It would also be monstrous if some purely hypothetical country, the only country in the world with atomic weapons, used them to kill several hundred thousand civilians in two Japanese cities. It would be monstrous if some purely hypothetical country with hundreds of long-range bombers had had, as its official military policy, making first use of nuclear weapons and hitting every major population center in the USSR in retaliation for a conventional incursion into Western Europe.
Bem, é certamente algo imoral. Um estado reagir à agressão militar de outro estado dizendo que matará, ou ameaçando matar, sua população civil é monstruoso. E, se é monstruoso, é monstruoso quem quer que o faça. Seria monstruoso também se algum país puramente hipotético, o único país do mundo com armas atômicas, as usasse para matar diversas centenas de milhares de civis em duas cidades japonesas. Seria monstruoso se algum país puramente hipotético com centenas de bombardeiros de longo alcance tivesse tido, como política militar oficial, fazer uso em primeiro lugar de armas nucleares para atingir todo centro populacional importante na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em retaliação a uma incursão convencional na Europa Ocidental.
The US government is a state. And lying — deliberately, shamelessly — whenever it serves their interests is what states do. Don’t let millions die for a lie.
O governo dos Estados Unidos é um estado. E mentir — deliberadamente, cinicamente — onde mentir sirva a seus interesses é o que os estados fazem. Não permita que milhões de pessoas morram por causa de uma mentira.
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é membro graduado do Centro por uma Sociedade sem Estado (c4ss.org) e titular da  Cátedra Karl Hess em Teoria Social do Centro. É mutualista e anarquista individualista cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson tem também escrito para publicações impressas como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para várias publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P, e seu próprio Blog Mutualista.

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