Sunday, April 28, 2013

Americas South and North - Today in Out-of-Touch Plutocrats



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Americas South And North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic
Olhar Lançado a História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico
Today in Out-of-Touch Plutocrats
Hoje, Acerca de Plutocratas Alienados
April 27, 2013
27 de abril de 2013
Colin M. Snider
Colin M. Snider
Former Brazilian President Luis Inacio Lula da Silva has long been a polarizing character. His working-class background and his political successes bring out an often-irrational hatred and vituperative declarations from the urban middle- and upper-classes, who see the former-union-leader-made-successful-president as nothing but a lazy drunk, an illiterate, and a man completely uncouth and uncultured (in contrast to how many in the middle class perceive themselves). In spite of the fact that Lula ultimately became president, serving from 2003-2011 and overseeing Brazil’s economic improvement even while socioeconomic inequality dropped during Lula’s two terms (though it still remains an issue), that has not been enough to stop many middle- and upper-class Brazilians for continuing to insult his intelligence through classist stereotypes.
O ex-Presidente brasileiro Luís Inácio Lula da Silva há muito tempo é personagem polarizador. Sua origem na classe trabalhadora e seus sucessos políticos suscitam ódio amiúde irracional e declarações vituperativas das classes urbanas média e alta, que veem o ex-líder sindical tornado presidente bem-sucedido como nada mais do que um bêbado preguiçoso, analfabeto, e homem completamente sem refinamento e inculto (em contraste com como muitas pessoas da classe média percebem-se a si próprias). A despeito do fato de Lula afinal ter-se tornado presidente, servindo de 2003 a 2011 e supervisando a melhoria econômica do Brasil, com a desigualdade socioeconômica caindo durante os dois mandatos de Lula (embora ainda continue sendo problema), isso não tem sido o bastante para impedir que muitos brasileiros de classe média e alta continuem a insultar a inteligência dele por meio de estereótipos classistas.
Case in point? Veja, one of the journalistic bastions of middle-class snobbery, addressed the recent announcement that the New York Times will publish a monthly column by Lula (English version here) with the headline, “The first columnist in the history of the press incapable of writing in any language.” That’s right – Nunes is suggesting that Lula, a man who served as president for two terms while leading a country into remarkable economic growth and stability, is illiterate (something that the commenters on the piece also regularly regurgitate – after all, stupidity and bigotry in comments threads is not limited to just one part of the world). And it’s not a subtle suggestion – Nunes even offers a ridiculous (and not even funny) parody of what he thinks Lula’s first piece will look like. [Sample: "In Brazil, o people me see as hero because I remove every miserables da shit," pidgin for "In Brazil, the people see me as a hero because I remove the miserable ones from the shit." And it goes downhill from there.]
Exemplo? Veja, um dos bastiões jornalísticos do esnobismo da  classe média, tratou do recente anúncio de que o New York Times publicará uma coluna mensal escrita por Lula (versão em inglês aqui) com a manchete: “O primeiro colunista da história da imprensa que não sabe escrever em nenhum idioma.” Isso mesmo – Nunes sugere que Lula, homem que serviu como presidente por dois mandatos liderando um país rumo a notáveis crescimento econômico e estabilidade, é analfabeto (algo que os comentadores do artigo também repetem regularmente - afinal de contas, estupidez e complexo de superioridade em linhas de comentários não estão limitados a apenas uma parte do mundo). E não é uma sugestão sutil – Nunes até oferece uma paródia ridícula (e nem sequer engraçada) de como ele acha que o primeiro artigo de Lula será. [Amostra: "No Brasil, o povo me vê como herói porque eu tiro todo miseráveis da titica," fala errônea para "No Brasil, o povo me vê como herói porque tiro os miseráveis da titica." E a coisa descamba a partir daí.]
Of course, this horribly classist portrayal of Lula is not new language – such characterizations have dogged him since the former union leader emerged on the national political scene in the early 1980s. In his earlier presidential campaigns in 1989, 1994, and 1998, his language was rougher and more clearly reflected his working-class background. Yet even after winning two democratic elections and eight years of policies and leadership that saw Lula leave office with an unprecedented 87% approval rating, some in the middle- and upper-classes (and their media outlets) continue to portray Lula as completely unable to write or communicate his ideas.
Obviamente, esse retrato horrivelmente classista de Lula não constitui palavreado novo – tais caracterizações o vêm perseguindo desde que o ex-líder sindical emergiu no cenário político nacional no início dos anos 1980. Em suas primeiras campanhas presidenciais em 1989, 1994 e 1998, sua linguagem era mais tosca e refletia mais claramente sua origem de classe trabalhadora. No entanto, mesmo depois de ganhar duas eleições democráticas e de oito anos de políticas e liderança que redundaram em Lula deixar o cargo com índice de aprovação sem precedentes de 87%, algumas pessoas das classes média e alta (e seus veículos de mídia) continuam a retratar Lula como completamente incapaz de escrever ou comunicar suas ideias.
Of course, that such attitudes are out of touch with the lives and opinions of most Brazilians shouldn’t be surprising. Indeed, to get a sense of the anger and disconnect between Brazil’s elites and the majority of the population, one only need to look to the legal system, where the Rio de Janeiro Justice Tribunal recently approved a living allowance of around 6,000 reais (about US$3,000) per month on top of their usual salaries (which are on average around R$26,000/month, or US$13,000/month). But that’s not all – the court also made the allowance retroactive to ten years ago. That’s right – the court system just approved a US$36,000 living allowance (give or take a few thousand, depending on one’s rank) for judges, and made it applicable to the last 10 years. And in some cases, the judges aren’t even the best-paid individuals in the courtroom – court clerks can and do make more than US$200,000 a year, and some judges’ salaries are well over $350,000 per month. This, even while the the average per capita income in Brazil is only R$11,000 and where 21% of the total population was living below the poverty line in 2009.
Obviamente, que tais atitudes estejam alienadas da vida e das opiniões da maioria dos brasileiros não é de surpreender. Na verdade, para se ter um sentimento da raiva e da desconexão entre as elites do Brasil e a maioria da população, basta olhar o sistema legal, onde o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aprovou recentemente um auxílio-moradia de cerca de 6.000 reais (por volta de US$3,000 dólares) por mês além de seus salários usuais (em média cerca de R$26.000 por mês, ou US$13,000 por mês). Isso porém não é tudo – o tribunal também tornou esse auxílio retroativo a dez anos. Isso mesmo – o sistema de tribunais acaba de aprovar um auxílio-moradia de US$36,000  (alguns milhares a mais ou a menos, dependendo do cargo) para juízes, e tornou-o aplicável aos últimos dez anos. E, em alguns casos, os juízes nem são as pessoas melhor pagas na sala do tribunal – oficiais de justiça podem ganhar mais de US$200,000 por ano, e os salários de alguns juízes são bem superiores a $350.000 por mês. Isso quando a renda per capita média no Brasil é de apenas R$11.000 e onde 21% da população total viviam abaixo da linha da pobreza em 2009.
Lula’s administration may have begun to address the socioeconomic inequalities that have plagued Brazil, but he could not eradicate them. That salaries can be so uneven, and that members of the middle- and upper-classes can and do still insult Lula on such severely classist lines, are just two reminders of the ways in which class snobbery, bigotry, and class-antagonism still operate among many of Brazil’s better-off citizens.
A administração Lula pode ter começado a tratar das desigualdades socieconômicas que têm afligido o Brasil, mas não conseguiu erradicá-las. Que os salários possam ser desiguais em tão grande medida, e que membros das classes média e alta possam insultar e insultem ainda Lula em linhas tão severamente classistas são apenas dois lembretes das maneiras pelas quais esnobismo, complexo de superioridade e antagonismo de classe ainda estão vivos em meio a muitos dos cidadãos brasileiros em melhor situação.


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