Wednesday, April 17, 2013

Americas South and North - Guantanamo Detainee: “Gitmo Is Killing Me”



A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic.
Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico.
Guantanamo Detainee: “Gitmo Is Killing Me”
Detento de Guantánamo: “Gitmo Está Matando-me”
April 15, 2013
15 de abril de 2013
In case you haven’t read it yet, the New York Times today published an op-ed from a prisoner at Guantanamo, providing a rare glimpse of the treatment and living conditions for those held without charge as part of the US’s “War on Terror.” Suffice to say, it is incredibly powerful:
Caso vocês ainda não tenham lido, o New York Times de hoje publicou artigo opinativo de prisioneiro de Guantánamo  que proporciona raro vislumbre do tratamento e das condições de vida daqueles presos sem acusação como parte da “Guerra ao Terror” dos Estados Unidos. Basta dizer, é incrivelmente comovente:
I’ve been detained at Guantánamo for 11 years and three months. I have never been charged with any crime. I have never received a trial.
Estou preso em Guantánamo há 11 anos e três meses. Nunca fui acusado de qualquer crime. Nunca fui levado a julgamento.
I could have been home years ago — no one seriously thinks I am a threat — but still I am here. Years ago the military said I was a “guard” for Osama bin Laden, but this was nonsense, like something out of the American movies I used to watch. They don’t even seem to believe it anymore. But they don’t seem to care how long I sit here, either. [...]
Eu poderia estar em casa há anos — ninguém seriamente acredita que eu represente ameaça — mas ainda estou aqui. Há anos os militares disseram que eu era um “guarda” de Osama bin Laden, mas isso era um disparate, como algo saído dos filmes estadunidenses que eu costumava ver. Eles parecem nem acreditar nisso mais. Porém também não parecem se importar com quanto tempo eu fique aqui.  [...]
The only reason I am still here is that President Obama refuses to send any detainees back to Yemen. This makes no sense. I am a human being, not a passport, and I deserve to be treated like one.
O único motivo de eu ainda estar aqui é o Presidente Obama recusar-se a mandar qualquer detento de volta para o Iêmen. Isso não faz sentido. Sou ser humano, não passaporte, e mereço ser tratado como tal.
And that is only concerning the abstract and philosophical question of humane treatment and speedy trials. The details of the actual force-feeding are far more harrowing:
E isso apenas concernindo à questão abstrata e filosófica do tratamento humano e de julgamentos rápidos. Os detalhes da atual alimentação à força são muito mais desanimadores:
I will never forget the first time they passed the feeding tube up my nose. I can’t describe how painful it is to be force-fed this way. As it was thrust in, it made me feel like throwing up. I wanted to vomit, but I couldn’t. There was agony in my chest, throat and stomach. I had never experienced such pain before. I would not wish this cruel punishment upon anyone.
Nunca me esquecerei da primeira vez em que eles passaram o tubo alimentador pelo meu nariz. Não consigo descrever o quanto é doloroso ser alimentado à força desse modo. À medida que ele era enfiado, fazia-me sentir com ânsia de vômito. Eu queria vomitar, mas não podia. Havia dor intensa no meu peito, na garganta, e no estômago. Eu nunca havia sofrido tal dor antes. Não quero essa punição cruel para ninguém.
I am still being force-fed. Two times a day they tie me to a chair in my cell. My arms, legs and head are strapped down. I never know when they will come. Sometimes they come during the night, as late as 11 p.m., when I’m sleeping.
Ainda estou sendo alimentado à força. Duas vezes por dia eles me atam a uma cadeira em minha cela. Meus braços, pernas e cabeça são amarrados. Nunca sei quando eles virão. Por vezes eles vêm durante a noite, tão tarde quanto 11 da noite, quando estou dormindo.
There are so many of us on hunger strike now that there aren’t enough qualified medical staff members to carry out the force-feedings; nothing is happening at regular intervals. They are feeding people around the clock just to keep up.
Há tantos de nós em greve de fome agora que não há membros qualificados da equipe médica em número suficiente para administrarem a alimentação à força; nada está acontecendo a intervalos regulares. Eles estão alimentando pessoas dia e noite só perfunctoriamente.
During one force-feeding the nurse pushed the tube about 18 inches into my stomach, hurting me more than usual, because she was doing things so hastily. I called the interpreter to ask the doctor if the procedure was being done correctly or not.
Durante uma alimentação à força a enfermeira enfiou o tubo cerca de 18 polegadas em meu estômago, machucando-me mais do que o usual, porque estava fazendo tudo às pressas. Pedi ao intérprete para perguntar ao médico se o procedimento estava sendo efetuado corretamente ou não.
It was so painful that I begged them to stop feeding me. The nurse refused to stop feeding me. As they were finishing, some of the “food” spilled on my clothes. I asked them to change my clothes, but the guard refused to allow me to hold on to this last shred of my dignity.
A dor era tanta que supliquei para que parassem de alimentar-me. A enfermeira recusou-se a parar de alimentar-me. Quando estavam acabando, parte da “comida” derramou-se nas minhas roupas. Pedi-lhes que trocassem minha roupa, mas o guarda se recusou a permitir-me agarrar-me a esse último frangalho de minha dignidade.
Regardless of what one thinks of the presumed innocence or guilt of those detained at Guantanamo (or of those doing the detaining), the fact remains that the prisoners still have not been given the opportunity to have that innocence or guilt proven in a court of law. And it is worth remembering that nearly  four and a half years ago, Obama promised to close the prison at Guantanamo, yet it still operates today in conditions that are cloudy yet repressive. Indeed, while the hunger strike has received some mild coverage (and was mentioned here, here, and here), it has not been the subject of significant reporting in the US. Not helping is the fact that the US government’s account of what is going on the base has never been forthcoming or definitive, and constant shifts (from “it’s just a minority of strikers” to “well, it’s a lot of strikers, and for a long-enough time that we’re force-feeding them,” to today’s op-ed) do nothing to suggest the government is forthcoming. Again, regardless of what one thinks of the individuals detained in Guantanamo, prisoners still have basic human rights, rights that the US has been far too slow to acknowledge.
Independentemente do que alguém pense acerca da presumida inocência ou culpa dos detidos em Guantánamo (ou dos que administram a detenção), permanece o fato de que aos prisioneiros não foi ainda dada oportunidade de ter sua inocência ou culpa provada em tribunal. E vale lembrar que perto de há quatro anos e meio Obama prometeu fechar a prisão em Guantánamo, e no entanto ela ainda funciona hoje em condições que são nada claras, porém repressivas. Na verdade, embora a greve de fome tenha recebido alguma tênue cobertura (e tenha sido mencionada aqui, aqui, e aqui), ela não tem sido objeto de reportagem significativa nos Estados Unidos. Não ajuda o fato de a descrição feita pelo governo dos Estados Unidos acerca do que vem acontecendo naquela base nunca ter clara, ou definitiva, e constantes mudanças (de “há apenas uma minoria de grevistas” a “bem, há muitos grevistas, e por tempo bastante longo temo-los alimentado à força,” e ao artigo opinativo de hoje) nada fazem para sugerir que o governo seja franco. Repetindo, independentemente do que alguém pense acerca dos indivíduos detidos em Guantánamo, os prisioneiros ainda têm direitos humanos básicos, direitos que os Estados Unidos têm sido demasiadamente lentos em reconhecer.


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