Thursday, April 25, 2013

Americas South and North - Get to Know a Brazilian - Ernesto Geisel


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Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic.
Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico.
Get to Know a Brazilian – Ernesto Geisel
Conheça um Brasileiro – Ernesto Geisel
February 24, 2013
24 de fevereiro de 2013
This week continues the recent focus on military presidents by turning to Ernesto Geisel (1907-1996), the fourth and penultimate of the presidents of Brazil’s twenty-one year military dictatorship. Geisel governed from 1974 to 1979, overseeing growing economic turmoil, the beginning of political re-openings under military rule, and internal challenges from hardliners within the military during his administration (1974-1979).
Esta semana continua o recente foco em presidentes militares, voltando-se para Ernesto Geisel (1907-1996), o quarto e penúltimo dos presidentes da ditadura militar de vinte e um anos no Brasil. Geisel governou de 1974 a 1979, supervisando crescente turbulência econômica, o início de reaberturas políticas sob domínio militar, e desafios de linhas-duras dentro da instituição militar durante sua administração (1974-1979).
Photo - Ernesto Geisel (1907-1996), who from 1974-1979 served as the fourth president of Brazil’s military dictatorship of 1964-1985.
Foto - Ernesto Geisel (1907-1996), que de 1974 a 1979 atuou como quarto presidente da ditadura militar no Brasil de 1964 a 1985.
Ernesto Beckmann Geisel was born in August 1907 to German immigrants in the southern-most state of Rio Grande do Sul, the third consecutive military president who was born there (after Artur Costa e Silva and Emílio Garrastazu Médici). Geisel was one of five children, and the youngest of four boys. In 1921, he followed the footsteps of two of his older brothers by joining the military (the other went on to become a chemical engineer and university professor), enrolling in the Military School of Porto Alegre, where he finished at the top of his class in 1924. His performance in military school was not an anomaly; he also finished first in his ongoing military training at schools in Realengo and in officer training in the 1930s.
Ernesto Beckmann Geisel nasceu em agosto de 1907, filho de imigrantes alemães no estado do extremo sul do Rio Grande do Sul, o terceiro presidente militar consecutivo nascido lá (depois de Artur Costa e Silva e Emílio Garrastazu Médici). Geisel foi um de cinco filhos, e o mais jovem de quatro meninos. Em 1921, seguiu as pegadas de dois de seus irmãos mais velhos, juntando-se à instituição militar (o outro tornou-se engenheiro químico e professor universitário), inscrevendo-se no Colégio Militar de Porto Alegre, onde formou-se em primeiro lugar em sua classe em 1924. Seu desempenho no colégio militar não foi uma anomalia; ele também ficou em primeiro lugar em seu treinamento militar posterior em escolas no Realengo e em treinamento para oficial nos anos 1930.
As had so many others of the military in his generation, Geisel actively supported the 1930 revolution that brought Getúlio Vargas into power. Like his military presidential predecessors, he also served in the Revolution of 1932 that saw the state of São Paulo revolt against the Vargas government. After a brief stint in government in the 1930s, he returned to the School of Training for Army Officers, where in 1938 he once again finished at the top of his class. He continued his officer training from 1941-1943. Although Brazil had officially entered World War II by 1944, Geisel did not see action in the European theater, instead going to the United States, where in 1945 he finished training at Fort Leavenworth’s Army Command and General Staff College.
Como tantos outros na instituição militar em sua geração, Geisel apoiou ativamente a revolução de 1930 que levou Getúlio Vargas ao poder. Como seus predecessores presidenciais militares, também atuou na Revolução de 1932 quando o estado de São Paulo rebelou-se contra o governo Vargas. Depois de breve período no governo nos anos 1930, voltou para a Escola de Treinamento para Oficiais do Exército onde, em 1938, mais uma vez formou-se em primeiro lugar em sua classe. Continuou seu treinamento para oficial de 1941 a 1943. Embora o Brasil oficialmente tivesse entrado na Segunda Guerra Mundial em 1944, Geisel não participou de ação no teatro europeu indo, em vez disso, para os Estados Unidos, onde, em 1945, terminou o treinamento na Faculdade de Comando e Estado-Maior Geral do Exército em Fort Leavenworth.
Photo - Ernesto Geisel with Getúlio Vargas in 1940. Like many military men of his age (including the three men who served as military presidents prior to Geisel), Geisel had supported the 1930 Revolution that brought Vargas to power.
Foto - Ernesto Geisel com Getúlio Vargas em 1940. Como muitos militares de sua época (inclusive os três homens que atuaram como presidentes militares antes de Geisel), Geisel apoiou a Revolução de 1930 que levou Vargas ao poder.
After the war, Geisel continued to balance his status as an officer with roles in government, serving as Brazil’s military aide to Brazil’s embassy in Uruguay before returning  to serve in various functions, including serving as a member of Brazil’s Escola Superior de Guerra (War College; ESG), in the 1950s. After Vargas committed suicide in 1954, Geisel briefly served as the sub-chief of the Military Cabinet in the presidency of (former) vice president João Café Filho. He continued to move up through the military ranks, even while his background in government allowed him as a bridge between the military and technocratic worlds. Geisel opposed what many perceived to be the increasing leftism of president João Goulart, and when the military overthrew Goulart on April 1, 1964, Geisel quickly became a member of the new military regime, serving as the chief of the Military Cabinet under the first president of the regime, Humberto Castelo Branco.
Depois da guerra, Geisel continuou a compor sua condição de oficial com cargos no governo, servindo como adido militar do Brasil na embaixada no Uruguai antes de voltar para servir em diversas funções, inclusive atuando como membro da Escola Superior de Guerra - ESG do Brasil nos anos 1950. Depois de Vargas ter cometido suicídio em 1954, Geisel por curto período serviu como subchefe do Gabinete Militar na presidência do (ex) vice-presidente João Café Filho. Continuou a ascender pelos escalões militares, ao mesmo tempo em que sua experiência no governo permitia-lhe funcionar como ponte entre os mundos militar e tecnocrático. Geisel opunha-se ao que muitos percebiam como crescente esquerdismo do presidente João Goulart e, quando a instituição militar derrubou Goulart em 1o. de abril de 1964, Geisel rapidamente tornou-se membro do novo regime militar, servindo como chefe do Gabinete Militar no governo do primeiro presidente do regime, Humberto Castelo Branco.
Photo - Ernesto Geisel (second from right) while serving as head of the Military Cabinet during the presidency of Humberto Castelo Branco (on right, in suit) from 1964-1967.
Foto - Ernesto Geisel (segundo a partir da direita) quando servia como chefe do Gabinete Militar durante a presidência de Humberto Castelo Branco (à direita, de terno) de 1964 a 1967.
Under Castelo Branco, Geisel became one of the key figures of the so-called “Sorbonne” group, thus named due to their alleged intellectual qualities. Although the military dictatorship presented a publicly unified face, behind the scenes, splits were emerging between Castelo Branco and the “Sorbonne” group on the one hand, and military hardliners (with Costa e Silva as their figurehead) who wanted more repressive measures taken against opponents. While Geisel condemned the use of torture after the coup and opposed the ascent of Costa e Silva (who was Castelo Branco’s Minister of War) behind closed doors, Castelo Branco ultimately was unwilling to divide the military regime, and stepped aside for Costa e Silva in 1967. The rise of the hardliners, first under Costa e Silva and then under Médici, meant the marginalization of Geisel in the military governments. Though he continued to serve as a minister in the Supreme Military Tribunal from 1967-1969 and as president from Petrobras, Brazil’s state-owned energy company, from 1969 to 1973, he was effectively ostracized from national politics under military rule.
Sob Castelo Branco, Geisel tornou-se uma das figuras decisivas do assim chamado grupo da “Sorbonne,” assim denominado por causa de suas alegadas qualidades intelectuais. Embora a ditadura militar apresentasse publicamente uma face unificada, nos bastidores surgiam cisões entre Castelo Branco e o grupo da “Sorbonne,” de um lado, e linhas-duras militares (com Costa e Silva como sua figura de proa) que desejavam a efetivação de medidas mais repressoras contra oponentes. Embora Geisel condenasse o uso de tortura depois do golpe e se opusesse à ascensão de Costa e Silva (que era Ministro da Guerra de Castelo Branco) atrás de portas fechadas, Castelo Branco no fim não estava disposto a dividir o regime militar, e deu lugar a Costa e Silva em 1967. A ascensão dos linhas-duras, primeiro sob Costa e Silva e depois sob Médici, significou a marginalização de Geisel nos governos militares. Embora continuasse a servir como ministro no Supremo Tribunal Militar de 1967 a 1969 e como presidente da Petrobrás, a empresa de energia de propriedade do estado do Brasil, de 1969 a 1973, ficou efetivamente no ostracismo em relação à política nacional sob domínio militar.
Though Geisel was far from the organs of government under the hardliners, he had an ally in his older brother, Orlando Geisel, also a general. Orlando ultimately served as the head of the Serviço Nacional de Informações (National Information Service; SNI) under Médici during the most repressive years of the regime. The SNI had been Médici’s launching point for the presidency; when he asked Orlando to consider succeeding him, Orlando turned it down, instead recommending his brother. Médici convinced other military leaders to support the nomination, and Ernesto Geisel became the candidate for the president, overwhelmingly winning the indirect elections of 1973 and taking office in March 1974. With his election, the hardliners left office for the last time, and the so-called “moderate” “Sorbonne” school in the military returned to the presidency for the first time since 1967.
Embora Geisel tenha ficado longe dos órgãos do governo durante o domínio dos linhas-duras, tinha um aliado em seu irmão mais velho, Orlando Geisel, também general. Orlando por fim tornou-se chefe do Serviço Nacional de Informações - SNI durante os anos mais repressores do regime. O SNI havia sido o ponto de lançamento de Médici para a presidência; quando pediu a Orlando que cogitasse de sucedê-lo, Orlando recusou, recomendando, pelo contrário, seu irmão. Médici convenceu outros líderes militares a apoiarem a indicação, e Ernesto Geisel tornou-se o candidato à presidência, vencendo esmagadoramente as eleições indiretas de 1973 e tomando posse em março de 1974. Com sua eleição, os linhas-duras deixaram o poder pela última vez, e a assim chamada escola “moderada” da “Sorbonne” na instituição militar voltou à presidência pela primeira vez desde 1967.
Photo - Orlando Geisel (1905-1979). In his position as the head of the National Information Service (SNI) under Médici, Orlando played a key role in the selection of his younger brother as president.
Foto - Orlando Geisel (1905-1979). Em sua função de chefe do Serviço Nacional de Informações - SNI Orlando desempenhou papel decisivo na seleção de seu irmão mais moço para presidente.
From the beginning, Geisel’s administration stood in marked contrast to that of his predecessor. Where Médici had been hands-off in governing, allowing his ministers to take care of matters in their departments and creating an atmosphere where the use of torture was widespread, Geisel was a micromanager, involved in the decisions of many of his ministries. Where Médici oversaw a period of heightened repression and crackdown on political rights (referred to as the anos de chumbo, or “years of lead”), Geisel initiated a program of a “gradual, slow, and secure distensão,” or “distending” the military from the government. Although he maintained some of the policies of his predecessors from both the hardliners and the Sorbonne school – notably the dual policy of “development and security” articulated in the ESG – his administration was in many ways a rupture.
Desde o início a administração Geisel apresentou nítido contraste com a de seu predecessor. Enquanto Médici havia sido omisso em governar, permitindo que seus ministros cuidassem dos assuntos de seus departamentos e criassem uma atmosfera na qual o uso da tortura era disseminado, Geisel foi um microgerente, envolvido nas decisões de muitos de seus ministérios. Enquanto Médici presidira um período de intensificação de repressão e destituição de direitos políticos (referido como os anos de chumbo), Geisel iniciou um programa de “distensão gradual, lenta e segura” ou “distendendo” a instituição militar do governo. Embora mantivesse algumas das políticas de seus predecessores tanto linhas-duras quanto da escola da Sorbonne - notavelmente a política dual de “desenvolvimento e segurança” elaborada na ESG - sua administração foi, sob diversos aspectos, uma ruptura.
However, the “gradual” opening was definitely gradual, and not always linear. While the government under Geisel eased censorship and even allowed candidates from the blanket “opposition” party Movimento Democrático Brasileiro (Democratic Brazilian Movement ; MDB) to campaign for congressional elections, his government continued to openly and brutally persecute the Leninist Brazilian Communist Party (PCB), and his regime finalized operations against guerrillas in the Araguaia region of Brazil, where the dictatorship “disappeared” dozens. And while Geisel himself privately opposed torture, he found it difficult to immediately rein it in after security apparatuses had operated with relatively free rein under Médici. Thus, in 1975, Vladimir Herzog, a journalist, was found dead in his cell; although the military officials in São Paulo claimed he had hanged himself, it was quickly clear that he had died under torture. The death of worker Manoel Fiel Filho under similar circumstances in 1976 made clear that, while Geisel might want an opening in the regime, the hardliners were less willing to acquiesce. This led Geisel to relieve of his duties the general responsible for troops in São Paulo, setting the stage for growing behind-the-scenes conflict between Geisel and the hardliners.
Entretanto, a abertura “gradual” foi claramente gradual, e nem sempre linear. Embora o governo, sob Geisel, afrouxasse a censura e até permitisse que candidatos do partido de fachada de “oposição” Movimento Democrático Brasileiro - MDB fizessem campanha para eleições do Congresso, seu governo continuou a aberta e brutalmente perseguir o leninista Partido Comunista Brasileiro (PCB), e seu regime finalizou as operações contra guerrilheiros na região do Araguaia no Brasil, onde a ditadura “desapareceu” com muita gente. E embora Geisel ele próprio privadamente se opusesse à tortura, foi-lhe difícil contê-la de imediato depois de aparatos de segurança terem funcionado com relativa carta branca no governo Médici. Assim, pois, em 1975, Vladimir Herzog, jornalista, foi encontrado morto em sua cela; embora as autoridades militares em São Paulo afirmassem que ele se havia enforcado, rapidamente ficou claro que ele havia morrido sob tortura. A morte do trabalhador Manoel Fiel Filho em circunstâncias similares em 1976 deixou claro que, embora Geisel pudesse querer abertura do regime, os linhas-duras estavam menos dispostos a aquiescer. Isso levou Geisel a dispensar de suas obrigações o general responsável pelas tropas em São Paulo, montando o cenário para crescente conflito de bastidores entre Geisel e os linhas-duras.
Photo - The body of Vladimir Herzog in his cell. Though military officials claimed Herzog had hanged himself and attempted to use this photo to prove it, the staged nature of the photo along with prisoners’ accounts and Herzog’s own history made clear he had died under torture. His death, and the death of others undermined Geisel’s claims of an opening in government and set the stage for internal conflict in the military regime; meanwhile, Herzog’s photo became a key symbol of the military’s repression, both during the dictatorship and in the decades since.
Foto- O corpo de Vladimir Herzog em sua cela. Embora autoridades militares afirmassem que Herzog havia-se enforcado e tentassem usar esta foto para prová-lo, a natureza encenada da foto, juntamente com descrições de prisioneiros e a própria história de Herzog deixaram claro que ele havia morrido sob tortura. Sua morte, e a morte de outros, solaparam as afirmações de Geisel de uma abertura no governo e montaram o cenário para conflito interno no regime militar; enquanto isso, a foto de Herzog tornou-se símbolo decisivo da repressão militar, tanto durante a ditadura quando nas décadas desde então.
Although the public was generally unaware of these tensions within the military government, behind the scenes, things were coming to a head. In October 1977, Sylvio Frota, a hard-liner and Geisel’s Minister of the Army [previously called the Ministry of War, today's Minister of Defense], began to maneuver to become the next presidential candidate against Geisel’s wishes but with the support of hardliners. As Geisel refused to acknowledge Frota’s candidacy, Frota began to plan a plot to remove Geisel, but before he acted, the president outmaneuvered him, using a national holiday to fire Frota, knowing full well troops who might have rallied to Frota would not be in the barracks that day. Though Frota tried to rally his support, Geisel had already ensured the support of the generals who were considering supporting Frota; Frota’s failed power-grab ensured that the “moderates” would continue in office.
Embora o público de modo geral não fosse sabedor dessas tensões dentro do governo militar, nos bastidores as coisas caminhavam para uma crise. Em outubro de 1977 Sylvio Frota, um linha-dura e Ministro do Exército de Geisel [antes chamado Ministro da Guerra, hoje Ministro da Defesa], começou a manobrar para tornar-se o próximo candidato presidencial contra o desejo de Geisel mas com apoio dos linhas-duras. Ao Geisel recusar-se a reconhecer a candidatura de Frota, este começou a planejar um conluio para derrubar Geisel porém, antes que ele agisse, o presidente manobrou melhor do que ele, usando um feriado nacional para demitir Frota, sabendo perfeitamente que tropas que poderiam agrupar-se em favor de Frota não estariam nos alojamentos naquele dia. Embora Frota tentasse agrupar seus apoiadores, Geisel já havia assegurado o apoio dos generais que estavam cogitando de apoiar Frota; o fracasso da tomada do poder por Frota assegurou que os “moderados” continuassem no poder.
Photo - Ernesto Geisel’s Minister of the Army Sylvio Frota (second from left), standing next to Geisel. Frota, a hardliner, attempted to run for president, but found himself outmaneuvered by Geisel in 1977.
Foto - O Ministro do Exército de Ernesto Geisel, Sylvio Frota (segundo a partir da esquerda), de pé ao lado de Geisel. Frota, um linha-dura, tentou concorrer à presidência, mas levou a pior em relação a Geisel em 1977.
Though Geisel moved against hardliners in the state under military rule, he was by no means bereft of his own authoritarianism. That distensão that he sought was to be top-down; challenges to it from society would not be tolerated. Thus, after the opposition party MDB made significant gains in the 1974 congressional elections, he enacted a law in 1976 that prohibited candidates from making live appearances on television or radio. And in 1977, when Congress refused to pass a judicial reform bill that Geisel had sent to Congress, he closed Congress for 14 days, during which he continued the indirect elections of governors at the state level and established the indirect elections of 1/3 of the senators (perjoratively labeled “bionic senators”), thus giving the government enough of a majority to ensure Geisel’s future bills would pass. Nor were such actions limited to electoral politics. Although censorship eased under Geisel, it did not disappear, leading to bizarre cases of censorship; indeed, at one point, nearly all of popular and polemic singer Chico Buarque’s songs were censored, leading to Buarque to create an alter-ego, “Julinho da Adelaide,” a name under which he not only recorded a handful of songs, but gave interviews.
Embora Geisel se tenha movido contra os linhas-duras no estado sob domínio militar, ele de modo algum estava destituído de seu próprio autoritarismo. A distensão que ele buscava teria de ser de cima para baixo; desafios a ela por parte da sociedade não seriam tolerados. Assim, depois de o partido de oposição MDB ter tido ganhos significativos nas eleições para o Congresso de 1974, ele promulgou uma lei em 1976 que proibia a candidatos fazerem aparecimento ao vivo em televisão ou rádio. E, em 1977, quando o Congresso se recusou a aprovar um projeto de lei de reforma do judiciário que Geisel havia enviado ao Congresso, ele fechou o Congresso por 14 dias, durante os quais continuou as eleições indiretas de governadores em nível estadual e estabeleceu eleições indiretas de 1/3 dos senadores (pejorativamente rotulados de “senadores biônicos”), dando assim ao governo maioria suficiente para assegurar que futuros projetos de lei de Geisel fossem aprovados. Nem ficaram tais ações limitadas a política eleitoral. Embora a censura amainasse no governo Geisel, não desapareceu, levando a casos bizarros de censura; na verdade, a certa altura, praticamente todas as canções do popular e polêmico cantor Chico Buarque foram censuradas, levando Buarque a criar um alter-ego, “Julinho da Adelaide,” nome sob o qual não apenas gravou um punhado de canções, mas também deu entrevistas.
Geisel’s administration was an eventful one in other policy areas, as well. Although the military regime had issued a widespread university reform in 1968, by 1977, the shortcomings of that reform had become painfully obvious, leading Geisel to issue another reform focusing especially on graduate education in Brazil in 1977. He also inaugurated subway lines in both Rio de Janeiro and São Paulo, and his administration oversaw a significant portion of the construction of the Itaipu Dam that Brazil and Paraguay share. Geisel also used his office to legalize divorce in Brazil, much to the consternation of many Catholics and cultural conservatives.
A administração Geisel foi marcada por eventos interessantes em outras áreas de políticas, também. Embora o regime militar tivesse promovido ampla reforma universitária em 1968, em 1977 as deficiências de tal reforma haviam-se tornado enormemente óbvias, levando Geisel a promover outra reforma concentrada especialmente na educação superior do Brasil, em 1977. Ele também inaugurou linhas de metrô tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo, e sua administração presidiu significativa porção da construção da Represa de Itaipu que Brasil e Paraguai partilham. Geisel também usou seu mandato para legalizar o divórcio no Brasil, para consternação de muitos católicos e conservadores culturais.
Although Geisel was fiercely anticommunist, he diversified Brazil’s diplomatic ties, including with Africa; indeed, under Geisel, Brazil was one of the first countries in the world to recognize the MPLA government in Angola in 1975, in spite of the fact that the MPLA was officially (if not realistically) Leninist while the Brazilian military regime was right-wing. Brazil entered into negotiations with West Germany to help Brazil get the parts and materials to start its own nuclear program in 1975 (though it would not be until ten years later that the first reactor at the Angra dos Reis plant was operational). In the final months of his presidency, he announced the expiration of the repressive Ato Institucional 5 (Institutional Act Number 5; AI-5), which Costa e Silva had issued in December 1968 and which had served as a key component in establishing the repression that followed throughout the late-1960s and throughout the 1970s. Though he hoped to continue the economic successes of Brazil’s economic “miracle” from 1967 to 1973, by 1974, global economic turmoil, including the 1973 oil crisis, hit Brazil hard, as did the fact that much of the economic growth of the “miracle” had depended on foreign loans whose repayment hit Brazil hard as global economic conditions worsened in the latter half of the 1970s. Thus, though he attempted to reduce dependency on foreign capital for infrastructure and industry, inflation was only worsening by the end of his term (though it would get much worse in the 1980s).
Embora Geisel fosse visceralmente anticomunista, diversificou os laços diplomáticos do Brasil, inclusive com a África; na verdade, no governo Geisel, o Brasil tornou-se um dos primeiros países do mundo a reconhecer o governo do MPLA em Angola em 1975, a despeito do fato de o MPLA ser oficialmente (se não realisticamente) leninista, enquanto o regime militar brasileiro era direitista. O Brasil entrou em negociações com a Alemanha Ocidental para esta ajudar o Brasil a conseguir as peças e materiais para iniciar seu próprio programa nuclear em 1975 (embora só dez anos depois o primeiro reator em Angra dos Reis se tornasse operacional). Nos anos finais de sua presidência anunciou a expiração do repressivo Ato Institucional 5 - AI-5, que Costa e Silva havia promulgado em dezembro de 1968 e que havia servido como componente decisivo no estabelecimento da repressão que se seguiu ao longo dos anos finais da década de 1960 e ao longo dos anos 1970. Embora ele esperasse continuar os sucessos econômicos do “milagre” econômico do Brasil de 1967 a 1973, em 1974 turbulência econômica global, inclusive a crise do petróleo de 1973, atingiu duramente o Brasil, como o fez também o fato de muito do crescimento econômico do “milagre” haver dependido de empréstimos externos cujo pagamento castigou duramente o Brasil, visto as condições econômicas globais terem piorado na segunda metade dos anos 1970. Assim, pois, embora ele tenha tentado reduzir a dependência do capital externo para infraestrutura e indústria, a inflação só piorava ao final de seu mandato (embora fosse ficar muito pior nos anos 1980).
After leaving office, he continued to remain in close contact with the military. In 1985, he spoke out in favor of opposition candidate Tancredo Neves, helping to quell some of the opposition within the armed forces to Neves’s candidacy. He also continued to work in the oil business, where he’d acquired experience in his time as president of Petrobras. In the 1990s, he left much of his private and public documents, including from his presidency, to the Fundação Getúlio Vargas, and even sat down for interviews to provide an oral history of his government and his life. These collections and materials have given (and continue to give) scholars unprecedented insights into the operation of the military regime, and are one of the richest fonts for research on the dictatorship in Brazil. Shortly after his 89th birthday in 1996, Geisel died. Though his legacy is a complex one, the fact remains that his administration marked an important turning point in the dictatorship and in Brazilian politics.
Depois de deixar o cargo ele continuou em estreito contato com a instituição militar. Em 1985, falou publicamente em favor do candidato da oposição Tancredo Neves, ajudando a pôr fim a parte da oposição dentro das forças armadas à candidatura de Neves. Também continuou a trabalhar no negócio de petróleo, onde havia adquirido experiência em seu período como presidente da Petrobrás. Nos anos 1990 deixou grande parte de seus documentos privados e públicos, inclusive de sua presidência, para a Fundação Getúlio Vargas, e até sentou-se para entrevistas a fim de oferecer história oral de seu governo e de sua vida. Essas coleções e materiais proporcionaram para os eruditos (e continuam a proporcionar) compreensão sem precedentes acerca do funcionamento do regime militar, e são uma das mais ricas fontes para pesquisa acerca da ditadura no Brasil. Pouco depois de seu 89o. aniversário, em 1996, Geisel morreu. Embora seu legado seja complexo, permanece o fato de que sua administração representou importante ponto de inflexão na ditadura e na política brasileira.

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