Sunday, March 17, 2013

WSWS - The “Dirty War” Pope



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Published by the International Committee of the Fourth International (ICFI)
Publicado pela Comissão Internacional da Quarta Internacional (ICFI)
The “Dirty War” Pope
O Papa da “Guerra Suja”
16 March 2013
16 de março de 2013
For over a week, the media has subjected the public to a tidal wave of euphoric banality on the Roman Catholic Church’s selection of a new pope.
Por mais de uma semana a mídia vem sujeitando o público a um dilúvio de eufórica banalidade a propósito da seleção de um novo papa para a Igreja Católica Romana.
This non-stop celebration of the dogma and ritual of an institution that for centuries has been identified with oppression and backwardness is stamped with a deeply undemocratic character. It is reflective of the rightward turn of the entire political establishment and its repudiation of the principles enshrined in the US Constitution, including the wall of separation between church and state.
Essa comemoração ininterrupta do dogma e do ritual de uma instituição que por séculos vem sendo identificada com opressão e atraso exibe caráter profundamente não democrático. Ela reflete a guinada para a direita de todo o establishment político e o repúdio, por ele, dos princípios consagrados na Constituição dos Estados Unidos, inclusive o muro de separação entre igreja e estado.
What a far cry from the political ideals that animated those who drafted that document. It was Thomas Jefferson’s well-founded opinion that “In every country and in every age, the priest has been hostile to liberty. He is always in alliance with the despot, abetting his abuses in return for protection to his own.”
Que diferença dos ideais políticos que animavam aqueles que rascunharam aquele documento. Era bem-fundada opinião de Thomas Jefferson que “em todo país e em toda época, o padre tem sido hostil à liberdade. Ele está sempre em aliança com o déspota, apoiando os abusos dele em troca de proteção para os seus próprios abusos.”
Jefferson’s view—and the reactionary character of the media’s sycophantic coverage—finds no more powerful conformation than in the identity of the new pope, officially celebrated as a paragon of “humility” and “renewal.”
O ponto de vista de Jefferson — e o caráter reacionário da cobertura bajuladora da mídia — não encontra confirmação mais poderosa do que na identidade do novo papa, celebrado oficialmente como paradigma de “humildade” e “renovação.”
Placed on the papal throne is not only another hard-line opponent of Marxism, the Enlightenment and all manner of human progress, but a man who is deeply and directly implicated in one of the greatest crimes of the post-World War II era—Argentina’s “Dirty War.”
Colocado no trono papal está não apenas outro opositor linha-dura do marxismo, do Iluminismo e de toda espécie de progresso humano, mas também um homem profunda e diretamente implicado em um dos maiores crimes da era posterior à Segunda Guerra Mundial — a “Guerra Suja” na Argentina.
Amid the pomp and ceremony Friday, the Vatican spokesman was compelled to address the past of the new Pope Francis—the former Archbishop of Buenos Aires, Jorge Bergoglio. He dismissed the accusations against him as the work of “anti-clerical left-wing elements.”
Entre pompa e cerimônia na sexta-feria, o porta-voz do Vaticano foi compelido a tratar do passado do novo Papa Francisco — o ex-Arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio. Ele desqualificou as acusações contra ele como obra de “elementos anticlericais esquerdistas.”
That “left-wing elements” would denounce the complicity of the Church’s leaders in the “Dirty War” waged by the military junta that ruled Argentina between 1976 and 1983 is scarcely surprising. They accounted for many of the estimated 30,000 workers, students, intellectuals and others who were “disappeared” and murdered, and the tens of thousands more who were imprisoned and tortured.
Que esses “elementos esquerdistas” denunciem a cumplicidade dos líderes da Igreja na “Guerra Suja” conduzida pela junta militar que governou a Argentina entre 1976 e 1983 dificilmente constitui surpresa. Eles foram responsáveis por muitos dos estimados 30.000 trabalhadores, estudantes, intelectuais e outros “desaparecidos” e assassinados, e das dezenas de milhares mais que foram encarceradas e torturadas.
But some of Bergoglio’s harshest critics come from within the Catholic Church itself, including priests and lay workers who say he handed them over to the torturers as part of a collaborative effort to “cleanse” the Church of “leftists.” One of them, a Jesuit priest, Orlando Yorio, was abducted along with another priest after ignoring a warning from Bergoglio, then head of the Jesuit order in Argentina, to stop their work in a Buenos Aires slum district.
Nada obstante, alguns dos mais duros críticos de Bergoglio vêm de dentro da própria Igreja Católica, inclusive padres e obreiros leigos que dizem ele os ter entregue aos torturadores como parte de um esforço colaborativo para “escoimar” a Igreja de “esquerdistas.” Um deles, um padre jesuíta, Orlando Yorio, foi sequestrado, juntamente com outro padre, depois de ambos ignorarem uma advertência de Bergoglio, à época chefe da ordem jesuíta na Argentina, para que parassem seu trabalho num distrito de favelas de Buenos Aires.
During the first trial of leaders of the military junta in 1985, Yorio declared, “I am sure that he himself gave over the list with our names to the Navy.” The two were taken to the notorious Navy School of Mechanics (ESMA) torture center and held for over five months before being drugged and dumped in a town outside the city.
Durante o primeiro julgamento dos líderes da junta militar em 1985, Yorio declarou: “Estou convencido de que ele em pessoa entregou a lista com nossos nomes à Marinha.” Os dois foram levados para o centro de tortura da notória Escola de Mecânica da Marinha (ESMA) e mantidos presos por mais de cinco meses antes de serem drogados e despejados numa cidadezinha fora da cidade.
Bergoglio was ideologically predisposed to backing the mass political killings unleashed by the junta. In the early 1970s, he was associated with the right-wing Peronist Guardia de Hierro (Iron Guard), whose cadre—together with elements of the Peronist trade union bureaucracy—were employed in the death squads known as the Triple A (Argentine Anti-Communist Alliance), which carried out a campaign of extermination against left-wing opponents of the military before the junta even took power. Adm. Emilio Massera, the chief of the Navy and the leading ideologue of the junta, also employed these elements, particularly in the disposal of the personal property of the “disappeared.”
Bergoglio era ideologicamente predisposto a apoiar os assassínios políticos em massa deflagrados pela junta. No início dos anos 1970 ele estava associado à peronista direitista Guardia de Hierro (Guarda de Ferro), cujos integrantes — juntamente com elementos da burocracia dos sindicatos peronistas — foram empregados nos esquadrões da morte conhecidos como Triplo A (Aliança Argentina Anticomunista), que levou a efeito uma campanha de extermínio contra opositores esquerdistas da instituição militar mesmo antes de a junta tomar o poder. O Almirante Emilio Massera, chefe da Marinha e ideólogo líder da junta, também utilizou esses integrantes, particularmente no descarte de patrimônio pessoal dos “desaparecidos.”
Yorio, who died in 2000, charged that Bergoglio “had communications with Admiral Massera, and had informed him that I was the chief of the guerrillas.”
Yorio, que morreu em 2000, formulou a acusação de que Bergoglio “tinha comunicação com o Almirante Massera, e havia informado a ele que eu era o chefe dos guerrilheiros.”
The junta viewed the most minimal expression of opposition to the existing social order or sympathy for the oppressed as “terrorism.” The other priest who was abducted, Francisco Jalics, recounted in a book that Bergoglio had promised them he would tell the military that they were not terrorists. He wrote, “From subsequent statements by an official and 30 documents that I was able to access later, we were able to prove, without any room for doubt, that this man did not keep his promise, but that, on the contrary, he presented a false denunciation to the military.”
A junta via a mais mínima expressão de oposição à ordem social existente ou simpatia pelos oprimidos como “terrorismo.” O outro padre sequestrado, Francisco Jalics, contou num livro que Bergoglio havia prometido a eles que diria aos militares que eles não eram terroristas. Ele escreveu: “De declarações subsequentes de uma autoridade e 30 documentos aos quais tive oportunidade de ter acesso posteriormente, ficamos aptos a provar, sem qualquer espaço para dúvida, que esse homem não cumpriu sua promessa e sim, pelo contrário, apresentou falsa denúncia aos militares.”
Bergoglio declined to appear at the first trial of the junta as well as at subsequent proceedings to which he was summoned. In 2010, when he finally did submit to questioning, lawyers for the victims found him to be “evasive” and “lying.”
Bergoglio declinou de comparecer ao primeiro julgamento da junta, bem como a procedimentos subsequentes para os quais fora intimado. Em 2010, quando finalmente submeteu-se a questionamento, os advogados das vítimas acharam-no “evasivo” e “mentiroso.”
Bergoglio claimed that he learned only after the end of the dictatorship of the junta’s practice of stealing the babies of disappeared mothers, who were abducted, held until giving birth and then executed, with their children given to military or police families. This lie was exposed by people who had gone to him for help in finding missing relatives.
Bergoglio alegou que só ficara sabendo depois do fim da ditadura da prática da junta de furtar os bebês de mães desaparecidas, mães essas que eram raptadas, mantidas presas até darem à luz e, em seguida, executadas, sendo seus filhos dados a famílias de militares ou de policiais. Essa mentira foi desmascarada por pessoas que haviam recorrido a ele buscando ajuda para encontrar parentes desaparecidos. 
The collaboration with the junta was not a mere personal failing of Bergoglio, but rather the policy of the Church hierarchy, which backed the military’s aims and methods. The Argentine journalist Horacio Verbitsky exposed Bergoglio’s attempted cover-up for this systemic complicity in a book that Bergoglio authored, which edited out compromising sentences from a memorandum recording a meeting between the Church leadership and the junta in November 1976, eight months after the military coup.
A colaboração com a junta não foi mera fraqueza pessoal de Bergoglio, e sim era política da hierarquia da Igreja, que apoiou os objetivos e métodos da instituição militar. O jornalista argentino Horacio Verbitsky expôs a tentativa de encobrimento, por Bergoglio, de sua cumplicidade sistêmica, num livro da autoria de Bergoglio Bergoglio, que suprimiu sentenças comprometedoras de um memorando que historiava uma reunião entre a liderança da Igreja e a junta em novembro de 1976, oito meses depois do golpe militar.
The excised statement included the pledge that the Church “in no way intends to take a critical position toward the action of the government,” as its “failure would lead, with great probability, to Marxism.” It declared the Catholic Church’s “understanding, adherence and acceptance” in relation to the so-called “Proceso” that unleashed a reign of terror against Argentine working people.
A declaração extirpada incluía a promessa de que a Igreja “de modo algum pretende assumir posição crítica em relação à ação do governo,” pois “o fracasso do governo levaria, com grande probabilidade, ao marxismo.” Asseverava “entendimento, aderência e aceitação” pela Igreja Católica do assim chamado “Proceso” que desencadeou um reinado de terror contra os trabalhadores argentinos.
This support was by no means platonic. The junta’s detention and torture centers were assigned priests, whose job it was, not to minister to those suffering torture and death, but to help the torturers and killers overcome any pangs of conscience. Using such biblical parables as “separating the wheat from the chafe,” they assured those operating the so-called “death flights,” in which political prisoners were drugged, stripped naked, bundled onto airplanes and thrown into the sea, that they were doing “God’s work.” Others participated in the torture sessions and tried to use the rite of confession to extract information of use to the torturers.
Esse apoio de modo algum foi apenas platônico. Os centros de detenção e tortura da junta contavam com padres designados cuja tarefa era, não ministrar sacramentos àqueles que sofriam tortura e morte, e sim ajudar os torturadores e assassinos a superar quaisquer escrúpulos de consciência. Usando parábolas bíblicas tais como “separar o joio do trigo,” eles asseguravam àqueles que efetuavam os assim chamados “voos da morte,” nos quais prisioneiros polítios eram drogados, desnudados, amontoados em aeroplanos e jogados ao mar, que eles estavam fazendo a “obra de Deus.” Outros participavam das sessões de tortura e tentavam usar o rito da confissão para extrair informações úteis para os torturadores.
This collaboration was supported from the Vatican on down. In 1981, on the eve of Argentina’s war with Britain over the Malvinas (Falkland) Islands, Pope John Paul II flew to Buenos Aires, appearing with the junta and kissing its then-chief, Gen. Leopoldo Galtieri, while saying not a word about the tens of thousands who had been kidnapped, tortured and murdered.
Essa colaboração era apoiada desde o Vaticano para baixo. Em 1981, na véspera da guerra da Argentina com a Grã-Bretanha a propósito das Ilhas Malvinas (Falkland), o Papa João Paulo II voou até Buenos Aires, aparecendo com a junta e beijando seu então chefe, General Leopoldo Galtieri, enquanto não dizia uma só palavra acerca das dezenas de milhares de pessoas qsue haviam sido sequestradas, torturadas e assassinadas.
As Jefferson noted, the Church is “always in alliance with the despot,” as it was in backing Franco’s fascists in Spain, its collaboration with the Nazis as they carried out the Holocaust in Europe, and its support of the US war in Vietnam.
Como Jefferson observou, a Igreja está “sempre em aliança com o déspota,” como estava ao apoiar os fascistas de Franco na Espanha, ao colaborar com os nazistas enquanto eles levavam a efeito o Holocausto na Europa, e ao apoiar a guerra dos Estados Unidos no Vietnã.
Nonetheless, the naming of a figure like Bergoglio as pope—and its celebration within the media and ruling circles—must serve as a stark warning. Not only are the horrific crimes carried out in Argentina 30 years ago embraced, those in power are contemplating the use of similar methods once again to defend capitalism from intensifying class struggle and the threat of social revolution.
Todavia, a nomeação de uma figura como Bergoglio como papa — e sua comemoração na mídia e nos círculos do poder — precisa ser vista como séria advertência. Não apenas são os pavorosos crimes cometidos na Argentina há 30 anos apoiados, como também aqueles no poder estão cogitando do uso de métodos similares novamente para defenderem o capitalismo da luta de classes, que se intensifica, e da ameaça de revolução social.
Bill Van Auken
Bill Van Auken


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