Wednesday, March 6, 2013

C4SS - The Strategic Defeat of Labor: Your Government at Work


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Center for a Stateless Society
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The Strategic Defeat of Labor: Your Government at Work
A Derrota Estratégica dos Trabalhadores: Seu Governo em Ação
Posted by Kevin Carson on Feb 28, 2013 in Commentary
Afixado por Kevin Carson em 28 de fevereiro de 2013 em Commentary
The decline of organized labor (from more than 30% of non-farm private sector workers in the ’50s to around 6% today) is often presented as something that “just happened” — a spontaneous fact of nature beyond human control, like glaciation or asteroid strikes. Far from it.
O declínio do trabalho organizado (de mais de 30% dos trabalhadores não rurais do setor privado nos anos 1950 para cerca de 6% hoje) é amiúde apresentado como algo que “simplesmente aconteceu” — fato espontâneo da natureza além do controle humano, como glaciação ou quedas de asteroides. Longe disso.
Both the declining bargaining power of labor since 1980, and the stagnation in real wages accompanying it, are products of deliberate human agency: A systematic revolution imposed from above, by the state in alliance with Big Business, to shift income upward on a massive scale.
Tanto o declinante poder de barganha dos trabalhadores desde 1980 quanto a estagnação de salários reais que o acompanha são produtos de intervenção humana deliberada: Uma revolução sistemática imposta a partir de cima, pelo estado em aliança com as Grandes Empresas, para transferir a receita para cima em escala maciça.
From the early ’70s on, the business press pushed scare stories — and think tanks cranked out alarmist “studies” — about a looming “capital shortage,” and the need to shift a major portion of national income from consumption to investment. A 1974 Business Week article warned:
A partir dos início dos anos 1970, a imprensa de negócios passou a publicar artigos criadores de medo — e institutos de pesquisa interdisciplinar produziram rotineiramente “estudos” — acerca de uma iminente “escassez de capital,” e de necessidade de deslocar uma porção grande da receita nacional do consumo para o investimento. Um artigo de 1974 da Business Week advertia:
“Some people will obviously have to do with less. … [I]t will be a hard pill for many Americans to swallow — the idea of doing with less so that big business can have more. … Nothing that this nation, or any other nation has done in modern history compares in difficulty with the selling job that must now be done to make people accept the new reality.”
“Algumas pessoas obviamente terão de contentar-se com menos. … [S]erá uma pílula amarga para muitos estadunidenses engolirem — a ideia de viver com menos para que as grandes empresas tenham mais. … Nada do que esta nação, ou qualquer outra nação, tenha feito na história moderna é comparável, em dificuldade, com o trabalho de venda que precisa ser feito agora para fazer as pessoas aceitarem essa nova realidade.”
That meant government “austerity” (read: Cuts in the “social safety net,” not in wealth transfers to  the Military-Industrial Complex and Big Business in general) and a cap on real wages.
Isso significava “austeridade” do governo (leia-se: Corte na “rede de segurança social,” não nas transferências de riqueza para o Complexo Industrial-Militar e para as Grandes Empresas em geral) e um teto para os salários reais.
From the Volcker Recession of the early ’80s to the present, fighting inflation has been the Federal Reserve’s priority. And fighting inflation translates, quite literally, into weakening the bargaining power of labor by throwing million out of work whenever labor threatens to get the upper hand in labor negotiations.
Da Recessão de Volcker no início dos anos 1980 até o presente, combater a inflação passou a ser a prioridade da Reserva Federal. E combater a inflação traduz-se, bastante literalmente, em enfraquecer o poder de barganha dos trabalhadores mediante lançar milhões deles para fora do emprego sempre que os trabalhadores ameacem ganhar alguma coisa nas negociações trabalhistas.
A great old Tom Tomorrow cartoon from the ’90s shows “Greenspanman,” normally a mild-mannered banker, reacting to news of falling unemployment and rising wages: He throws the lever on his interest rate machine to “raise unemployment to a nice healthy level.” In the following panel, a worker demanding a 25 cent raise is told “Hah! Don’t you know that Greenspanman has alleviated the labor shortage? Your inflation-inducing demands will fall on deaf ears now, my friend!”
Ótimas tiras antigas de Tom Amanhã dos anos 1990 mostram “Greenspanman,” normalmente um banqueiro de maneiras bem-educadas, reagindo a notícias de desemprego cadente e salários em ascensão: Ele move a alavanca de sua máquina de taxas de juros para “aumentar o desemprego até nível saudável satisfatório.” No quadrinho seguinte, um trabalhador pedindo aumento de 25 centavos recebe um “Hah! Você não sabe que Greenspanman aliviou a escassez de trabalho? Suas exigências indutoras de inflação cairão agora em ouvidos moucos, meu amigo!”
Lest you think this mere satire, consider Greenspan’s own remarks to Congress at the same time. Greenspan reassured Capitol Hill that he didn’t foresee an increase in interest rates for the time being, despite unemployment levels that threatened to fall below 5%, because the job insecurity of the tech economy was almost as good as high unemployment in reducing the bargaining power of labor (and hence upward pressure on wages).  For America’s central bankers, “inflation” = “high wages.” Do they consider a tenfold increase in profit inflationary? Um, not so much.
Para que você não pense tratar-se de mera sátira, considere as próprias observações de Greenspan ao Congresso à mesma época. Greenspan assegurou à Colina do Capitólio que não previa aumento das taxas de juros por enquanto, a despeito de níveis de desemprego que ameçavam cair abaixo de 5%, porque a insegurança no emprego da economia tecnológica era quase tão boa quanto o alto desemprego para reduzir o poder de barganha dos trabalhadores (e portanto pressão de alta dos salários). Para os banqueiros centrais dos Estados Unidos, “inflação” = “altos salários.” Consideram eles aumento decuplicador do lucro como algo inflacionário? Bem, nem tanto.
The executive branch under Reagan also made a strategic decision to bust unions, starting with the PATCO strike. The administration also packed the National Labor Relations Board with members seriously disinclined to take the side of union organizers punitively fired (illegal under the terms of the Wagner Act).
O poder executivo sob Reagan também tomou uma decisão estratégica de detonar os sindicatos, começando com a greve na Organização dos Profissionais Controladores do Tráfego Aéreo - PATCO. A administração também inseriu na Junta Nacional de Relações do Trabalho membros seriamente pouco propensos a ficar ao lado de organizadores sindicais punitivamente demitidos (ilegal nos termos da Lei Wagner).
Don’t like the Wagner Act? Good for you. Bear in mind, though, it was the federal government — acting on behalf of employers — that encouraged labor to turn to the Wagner model of certification elections in the first place. For the same reason they’d previously backed company unions under the American Plan, big employers like General Electric liked industrial unions as officially certified bargaining agents for an entire workplace. That an end to the need for negotiating with a whole host of balkanized trade unions in the same workplace, and put the union leadership in the position of enforcing contracts against its own members, in the event of slowdowns or wildcat strikes.
Você não gosta da Lei Wagner? Sorte sua. Tenha em mente, entretanto, que foi o governo federal  — atuando no interesse dos empregadores — que estimulou os trabalhadores a voltarem-se para o modelo Wagner de eleições de certificação/qualificação(*), antes de tudo. Pelo mesmo motivo pelos quais haviam antes apoiado sindicatos da empresa dentro do Plano Estadunidense(**), grandes empregadores como a General Electric gostavam de sindicatos industriais como agentes de barganha oficialmente qualificados para todo um local de trabalho. Isso punha fim à necessidade de negociar com toda uma penca de sindicatos balcanizados de trabalhadores no mesmo local de trabalho, e punha a liderança sindical na posição de fazer cumprir contratos contra seus próprios membros, na eventualidade de operações-tartaruga ou greves-relâmpago.

(*) Eleições de certificação, ou de qualificação, são eleições nas quais os trabalhadores decidem quem os representará nas negociações trabalhistas. http://labor5.blogspot.com.br/2008/03/rule-i-definition-of-terms.html

(**) Plano Estadunidense – Política dos empregadores, nos anos 1920, de não negociarem com sindicatos. Ver item da Wikipedia, American Plan.
As Adam Smith observed so cogently over two hundred years ago, when government undertakes to regulate relations between workmen and their masters, it usually has the masters for its counselors.
Como Adam Smith observou tão convincentemente há mais de duzentos anos, quando o governo se põe a controlar as relações entre trabalhadores e seus patrões, geralmente tem os patrões como seus conselheiros.
I’m all in favor of labor abandoning the Wagner model. I’d love to see workers decide, in lieu of NLRB certification, to simply start acting like a union by way of unannounced one-day walkouts and sickouts, slowdown, work to rule, wildcat strikes, open-mouth sabotage, and sympathy and boycott strikes aimed at disrupting corporate supply and distribution chains.
Sou totalmente a favor de os trabalhadores abandonarem o modelo Wagner. Adoraria ver os trabalhadores decidirem, em lugar de certificação/qualificação da Lei Nacional das Relações de Trabalho - NLRB, simplesmente começarem a atuar como sindicato por meio de deixarem o local do trabalho ou alegarem ausência por doença, operações-tartaruga, operações-padrão, greves-relâmpago, sabotagem verbal(*) e greves de simpatia e boicote voltadas para romper as cadeias de suprimento e distribuição corporativas.

(*) Ações verbais tais como contar segredos da empresa a empresas competidoras, denegir a organização junto a clientes e dizer coisas negativas acerca da empresa a trabalhadores, para diminuir a produtividade. Ver por exemplo Resistance and Power in Organizations, por John M. Jermier, David Knights, Walter R. Nord
Know what would happen if workers adopted this approach on a large scale? Employers would scramble to invite ALF-CIO organizers into the workplace. They’d encourage employees to sign union cards and canvass their workforces, holding meetings to encourage them to vote for certification.
Sabe o que aconteceria se os trabalhadores adotassem essa abordagem em larga escala? Os empregadores correriam para convidar organizadores da ALF-CIO para o local de trabalho. Eles estimulariam os empregados a assinarem cartões de sindicatos e cabalariam suas forças de trabalho, fazendo reuniões para estimulá-los a votar para certificação/qualificação.
If labor stopped playing by the bosses’ rules and adopted a strategy of full-blown guerrilla warfare, the bosses would be begging us to sign a contract — the same way they did when Wagner was passed in the first place.
Se os trabalhadores parassem de jogar pelas regras dos patrões e adotassem uma estratégia de guerra de guerrilha plena, os patrões implorariam para que assinássemos um contrato — do mesmo modo que fizeram quando a Wagner foi inicialmente aprovada.
Citations to this article:
Citações deste artigo:
Kevin Carson, The Strategic Defeat of Labor, Counterpunch, 03/01/13
Kevin Carson, A Derrota Estratégica dos Trabalhadores, Counterpunch, 01/03/2013
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é membro graduado do Centro por uma Sociedade sem Estado (c4ss.org) e titular da  Cátedra Karl Hess em Teoria Social do Centro. É mutualista e anarquista individualista cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson tem também escrito para publicações impressas como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para várias publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P, e seu próprio Blog Mutualista.

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