Thursday, March 14, 2013

Americas South and North - On the Selection of Jorge Mario Bergoglio as Pope Francisco


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Americas South And North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic
Olhar Lançado a História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico
On the Selection of Jorge Mario Bergoglio as Pope Francisco
Da Seleção de Jorge Mario Bergoglio como Papa Francisco
March 13, 2013
13 de março de 2013
Colin M. Snider
Colin M. Snider
As most are aware by now, Catholic cardinals selected Argentine Jorge Mario Bergoglio as Pope, the first time a Pope is from Latin America. (In addition to being the first Latin American pope, he’s also the first Jesuit pope.) There had been much hope for a non-European pope, and Bergoglio fits that bill.
Como a maioria já sabe, os cardeais católicos selecionaram o argentino Jorge Mario Bergoglio como Papa, a primeira vez que um Papa é da América Latina. (Além de ser o primeiro papa latino-americano, é também o primeiro papa Jesuíta.) Havia havido muita esperança de um papa não europeu, e Bergoglio encaixa-se nessa expectativa.
However, his election is more than a little surprising, given his past. Bergoglio was the head of the Jesuits in Argentina during the military dictatorship of 1976-1983, during which the military murdered upwards of 30,000 people (as well as kidnapping hundreds of children whose parents the regime had tortured and murdered). Unlike Catholic officials in neighboring Chile and Brazil, where priests, bishops, and even cardinals spoke out against human rights abuses and defended victims of abuses, in Argentina, the Catholic Church was openly complicit in the military regime’s repression. Bergoglio was not exempt from this involvement: military officers have testified that Bergoglio helped the Argentine military regime hide political prisoners when human rights activists visited the country. And Bergoglio himself had to testify regarding the kidnapping of two priests who he stripped of their religious licenses shortly before they were kidnapped and tortured. This isn’t just a case of Bergoglio being a member of an institution that supported a brutal regime; it’s a case of Bergoglio himself having ties, direct and indirect, to that very regime. For those who hoped for a Pope who might represent a more welcoming and open path for the Catholic Church, the selection of Bergoglio has to be a let-down.
Entretanto, sua eleição é mais do que apenas um pouco surpreendente, dado seu passado. Bergoglio era chefe dos Jesuítas durante a ditadura militar de 1976-1983, durante a qual a instituição militar assassinou mais de 30.000 pessoas (bem como sequestrou centenas de crianças cujos pais o regime havia torturado e assassinado). Diferentemente das autoridades católicas nos vizinhos Chile e Brasil, onde padres, bispos e até cardeais falaram abertamente contra abusos de direitos humanos e defenderam vítimas de abusos, na Argentina a Igreja Católica foi abertamente cúmplice da repressão do regime militar. Bergoglio não não ficou fora desse envolvimento: autoridades militares já depuseram dizendo que Bergoglio ajudou o regime militar argentino a esconder prisioneiros políticos quando ativistas de direitos humanos visitaram o país. E o próprio Bergoglio teve de depor a respeito do sequestro de dois padres que ele destituíra de suas licenças religiosas pouco antes de eles serem sequestrados e torturados. Não se trata apenas de Bergoglio ser membro de uma instituição que apoiou um regime brutal; trata-se de Bergoglio ele próprio ter mantido vínculos, diretos e indiretos, com aquele regime. Para aqueles que esperavam um Papa que pudesse representar uma vereda mais receptiva e aberta para a Igreja Católica, a seleção só pode ser uma decepção.
This is why the selection of Bergoglio over Scherer is disappointing. Thirteen years younger than Bergoglio, Scherer’s path was notably different. To be clear, the Catholic Church supported Brazil’s military dictatorship (1964-1985) in its early years; however, as Ken Serbin has demonstrated, already by the late-1960s and early-1970s, high-ranking officials in the church hierarchy were secretly meeting with representatives from the dictatorship in order to try to pressure military rulers to respect human rights, even for alleged “subversives.” By the latter half of the 1970s, the Brazilian Catholic church had become one of the more vocal opponents of human rights violations under the regime, and the Archdiocese of São Paulo ultimately played a central role in secretly accessing, collecting, and publishing files on torture, murder, and repression under the dictatorship, eventually published in 1985 as Brasil: Nunca Mais (literally Brazil: Never Again; in English, Torture in Brazil). Where Bergoglio was active in a context where the Argentine Church openly supported military regimes and human rights violations, Scherer was active in a context where members of the Brazilian Church openly took a stand against such abuses and against the regime that committed them.
Eis porque a seleção de Bergoglio em vez de Scherer é decepcionante. Treze anos mais jovem do que Bergoglio, o caminho de Scherer foi notavelmente diferente. Para ser claro, a Igreja Católica apoiou a ditadura militar do Brasil (1964-1985) em seus primeiros anos; entretanto, como Ken Serbin já mostrou, já no final dos anos 1960 e início dos 1970, autoridades de alto nível da hierarquia da igreja encontravam-se secretamente com representantes da ditadura para tentar pressionar os governantes militares a respeitar direitos humanos, mesmo no caso de alegados “subversivos.” Na última metade dos anos 1970, a igreja Católica brasileira havia-se tornado um dos opositores mais eloquentes das violações de direitos humanos sob o regime, e a Arquidiocesde de São Paulo por fim desempenhou papel fundamental ao secretamente acessar, coletar e publicar arquivos sobre tortura, assassínio e repressão sob a ditadura, finalmente publicados em 1985 como Brasil: Nunca Mais (em inglês Torture in Brazil). Enquanto Bergoglio era ativo num contexto no qual a Igreja argentina apoiava abertamente regimes militares e violações de direitos humanos, Scherer era ativo num contexto onde membros da Igreja brasileira tomavam posição abertamente contra tais abusos e contra o regime que os cometia.
A few weeks ago, a student asked me if I thought the cardinals would finally pick a Latin America pope. I commented that if they were smart, they’d diversify by picking a Brazilian and democratizing a bit, but I feared they’d pick an Italian and show a refusal to reform and democratize the church. With the selection of Bergoglio, it appears they’ve chosen to split the difference, diversifying beyond Europe while continuing the conservatism that defined recent popes.
Há poucas semanas um estudante me perguntou se eu achava que os cardeais finalmente escolheriam um papa da América Latina. Comentei que, se eles fossem espertos, diversificariam mediante escolher um brasileiro e mediante democratizar um pouco, mas eu temia que eles escolhessem um italiano e mostrassem recusa em reformar e democratizar a igreja. Com a seleção de Bergoglio, parece que escolheram uma média, diversificando para fora da Europa porém continuando o conservadorismo que definiu papas recentes.
We’ll see how it turns out – perhaps Francisco I works out well, and perhaps he uses his past and his new position to try not only to transform the Church but to provide a platform that advocates human rights and the punishment of human rights violators. However, it is disappointing that the cardinals selected somebody tied to one of the most violent and brutal of Latin American dictatorships. The cardinals could have made an implicit statement about supporting human rights under authoritarian regimes, and they failed to do so. It’s not the end of the Church, but it’s another misstep they didn’t have to make.
Veremos como se passarão as coisas – talvez Francisco I se saia bem, e talvez use seu passado e sua nova posição para tentar não apenas transformar a Igreja como para oferecer uma plataforma que defenda direitos humanos e a punição dos violadores de direitos humanos. Entretanto, é decepcionante os cardeais selecionarem alguém vinculado a uma das mais violentas e brutais ditaduras latino-americanas. Os cardeais poderiam ter feito uma declaração implícita acerca de apoio a direitos humanos em regimes autoritários, e não o fizeram. Não é o fim da Igreja, mas é outro passo equivocado que eles não precisariam ter dado.

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