Sunday, March 10, 2013

Americas South and North - Get to Know a Brazilian - Artur Costa e Silva

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Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic.
Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico.
Get to Know a Brazilian – Artur Costa e Silva
Conheça um Brasileiro – Artur Costa e Silva
January 27, 2013
27 de janeiro de 2013
Continuing with presidents from Brazil’s military dictatorship, this week focuses on Artur Costa e Silva, who served from 1967-1969 as the second president of the military regime.
Continuando com presidentes da ditadura militar do Brasil, esta semana está voltada para Artur Costa e Silva, que atuou de 1967 a1969 como segundo presidente do regime militar.
Photo - Artur Costa e Silva (1899-1969), the second president of Brazil’s military dictatorship. During his administration, the hard-liners were ascendant, and he issued laws that ushered in the most repressive phase of Brazil’s military dictatorship.
Foto - Artur Costa e Silva (1899-1969), o segundo presidente da ditadura militar do Brasil. Durante sua administração os linhas-duras estiveram em ascensão, e ele promulgou leis que deram início à fase mais repressora da ditadura militar do Brasil.
Born in 1899 to parents from Madeira, Costa e Silva was the first of three military presidents born in the southern-most state of Rio Grande do Sul. He enrolled at the Military College of Porto Alegre, the state capital, where he finished at the head of his class. In 1922, he joined the Tenentismo movement, a military movement that objected to the oligarchic and slow-moving governments of Brazil’s first republic and that had its roots in a doomed uprising at the Fort of Copacabana in July 1922. Costa e Silva joined the July movement, ultimately being arrested and then pardoned.
Nascido em 1899 de pais da Madeira, Costa e Silva foi o primeiro de três presidentes militares nascidos no estado do extremo sul do Rio Grande do Sul. Inscreveu-se no Colégio Militar de Porto Alegre, a capital do estado, onde se formou em primeiro lugar em sua classe. Em 1922, juntou-se ao movimento do Tenentismo, movimento militar que se opunha aos governos oligárquicos e lentos da primeira república do Brasil e que teve suas raízes num malogrado levante no Forte de Copacabana em julho de 1922. Costa e Silva juntou-se ao movimento de julho, sendo por fim preso e depois perdoado.
Like many of his generation, Costa e Silva participated in the “Revolution of 1930″ that brought Getúlio Vargas to power, and fought for the government against rebels in São Paulo two years later.  Unlike Humberto Castelo Branco, his predecessor who had served in Europe during World War II, Costa e Silva never saw combat in the European theater, though he did help organize forces to go abroad; however, he himself did not accompany them, ending up in the United States instead. Throughout the 1940s and 1950s, he continued to rise through the ranks in a variety of posts, including time as the military aide to the Brazilian embassy in Argentina. In 1961, he was promoted to General of the Fourth Army in Recife, where he used his power to suppress student protests in the region, a harbinger of things to come later in the decade. However, he was removed from his post and was relocated Rio de Janeiro as the head of the Personnel Department of the Army.
Como muitos de sua geração, Costa e Silva participou da “Revolução de 1930″ que levou Getúlio Vargas ao poder, e lutou ao lado do governo contra rebeldes em São Paulo dois anos depois. Diferentemente de Humberto Castelo Branco, seu predecessor que havia servido na Europa durante a Segunda Guerra Mundial, Costa e Silva nunca viu combate no teatro europeu, embora tenha organizado forças para irem ao exterior; entretanto, ele próprio não as acompanhou, acabando, em vez disso, nos Estados Unidos. Ao longo dos anos 1940 e 1950 continuou a subir de posto, incluindo período em que atuou como adido militar na embaixada brasileira na Argentina. Em 1961 foi promovido a General do Quarto Exército em Recife, onde usou seu poder para reprimir protestos de estudantes na região, presságio de coisas que aconteceriam mais tarde na década. Entretanto, foi removido de seu posto e realocado no Rio de Janeiro como chefe do Departamento de Pessoal do Exército.
Photo - Costa e Silva in the mid-1950s.
Foto - Costa e Silva em meado anos 1950.
In Rio, Costa e Silva was witness to President João Goulart’s rally at Central Station in downtown Rio de Janeiro, where he spoke before hundreds of thousands of supporters and called for land reform, electoral reform, university reform, and other social programs that marked a leftward shift in Goulart’s public pronouncements. The rally seemed to confirm the military’s worst fears that Goulart was a “communist,” fears that had led to the military initially preventing his constitutionally-guaranteed ascendance from the vice-presidency to the presidency when Jânio Quadros resigned in August 1961. On March 31, General Olympio Mourão Filho launched a revolt in Minas Gerais, moving on Rio de Janeiro; by April 1, Goulart had left the country, and the military dictatorship began.
No Rio, Costa e Silva foi testemunha do comício do Presidente João Goulart na Estação Central no centro do Rio de Janeiro, onde falou para centenas de milhares de partidários e preconizou reforma agrária, reforma eleitoral, reforma universitária e outros programas sociais que marcaram uma guinada para a esquerda nos pronunciamentos públicos de Goulart. O comício pareceu confirmar os piores temores da instituição militar de que Goulart fosse um “comunista,” temores que levaram a instituição militar a inicialmente impedir sua ascensão constitucionalmente garantida da vice-presidência à presidência quando Jânio Quadros renunciou em agosto de 1961. Em 31 de março, o General Olympio Mourão Filho deflagrou uma revolta em Minas Gerais, movendo-se para o Rio de Janeiro; em 1o. de abril, Goulart havia deixado o país, e começou a ditadura militar.
In an attempt to keep up legal appearances, Chamber of Deputies leader Pascoal Ranieri Mazzilli formally assumed the presidency. However, Mazzilli’s position was just window-dressing; real power rested with a military junta (along with the heads of the Air Force and Navy). As the army was the strongest branch of the military, Costa e Silva’s power was effectively the leader of the junta, which was quick to issue the first Institutional Act (originally known as “the” Institutional Act until the regime issued a second Institutional Act in 1965). AI-1, as it came to be retroactively known, promptly ushered in military repression, giving the government the right to suspend the political rights of political opponents; the junta promptly stripped 102 politicians of their rights, allowing it to purge Congress and create an indirect election that would ensure military rule. However, though Costa e Silva had angled to be president, Castelo Branco’s higher rank (and experience in the European theater in World War II) made him the more popular choice. On April 15, Congress chose Castelo Branco as president, ending the charade of the Mazzilli “presidency.”
Em tentativa de manter aparências legais, o líder da Câmara dos Deputados Pascoal Ranieri Mazzilli assumiu formalmente a presidência. Entretanto, o cargo de Mazzilli era apenas fachada; o poder real estava numa junta militar (juntamente com os chefes da Força Aérea e da Marinha). Como o exército era a força mais forte da instituição militar, o poder de Costa e Silva era efetivamente o de líder da junta, que foi lépida em baixar o primeiro Ato Institucional (originalmente conhecido como “o” Ato Institutional até que o regime baixou um segundo Ato Institucional em 1965). O AI-1, como veio a ser retroativamete conhecido, logo abriu caminho para repressão militar, dando ao governo o direito de suspender os direitos políticos dos opositores políticos; a junta logo destituiu de seus direitos 102 políticos, sendo-lhe permitido purgar o Congresso e criar eleições indiretas que assegurariam o domínio militar. Entretanto, embora Costa e Silva estivesse cotado para ser presidente, a patente mais alta de Castelo Branco (e sua experiência no teatro europeu na Segunda Guerra Mundial) tornaram-no a escolha mais popular. Em 15 de abril, o Congresso escolheu Castelo Branco como presidente, acabando com a evidente peta da “presidência” de Mazzilli.
However, Costa e Silva was not forgotten, as Castelo Branco appointed the general his Minister of War. Using his high-ranking position and his ties to the military, he began angling behind the scenes to become the next president; while Castelo Branco allegedly initially hoped to return Brazil to civilian rule in 1965, elections in 1965 changed his mind, and the hard-liners, seeing a chance with Costa e Silva, began mobilizing to assume the presidency. While Castelo Branco and his aides, known as the “moderates” (and including future military president Ernesto Geisel), opposed the move, Castelo Branco himself did little to prevent Costa e Silva’s angling. Indeed, the hard-liners and Costa e Silva entered into a mutually beneficial relationship; he saw in them the way to the presidency, and they saw in him a man who would take a more hard-line stance against “subversion,” especially among university students; indeed, Costa e Silva’s crackdown on students in the early-1960s seemed to be a promising sign to the hard-liners. Though Geisel tried to prevent Costa e Silva’s candidacy, Costa e Silva outranked and outmaneuvered the “moderates” in Castelo Branco’s administration, and in October 1966, the pro-dictatorship Congress indirectly elected Costa e Silva to serve as the country’s next military president. He took office on March 15, 1967.
Entretanto, Costa e Silva não foi esquecido, pois Castelo Branco nomeou o general Ministro da Guerra. Usando sua posição de alto escalão e seus vínculos com a instituição militar, ele começou a movimentar-se nos bastidores para tornar-se o próximo presidente; embora, segundo se diz, Castelo Branco esperasse levar o Brasil de volta ao governo civil em 1965, as eleições de 1965 fizeram-no mudar de opinião, e os linhas-duras, vendo uma oportunidade em Costa e Silva, começaram a mobilizar-se para assumirem a presidência. Embora Castelo Branco e seus acólitos, conhecidos como “moderados” (e incluindo o futuro presidente militar Ernesto Geisel), opusessem-se à manobra, o próprio Castelo Branco pouco fez para impedir a movimentação de Costa e Silva. Na verdade, os linhas-duras e Costa e Silva entraram num relacionamento mutuamente benéfico; ele viu neles um caminho para a presidência, e eles viram nele um homem que assumiria uma posição mais dura contra a “subversão,” especialmente entre estudantes universitários; na verdade, a repressão de Costa e Silva a estudantes no início dos anos 1960 parecera um sinal promissor para os linhas-duras. Embora Geisel tivesse tentado impedir a candidatura de Costa e Silva, Costa e Silva tinha posto superior e levou a melhor sobre os “moderados” da administração Castelo Branco e, em outubro de 1966, o Congresso pró-ditadura elegeu indiretamente Costa e Silva para servir como próximo presidente do país. Ele tomou posse em 15 de março de 1967.
As president he sought to further strengthen ties to the U.S., appealing to Cold War rhetoric that pitted “democracy” against “subversives.” He also sought to continue the economic policies that had begun under Castelo Branco, pushing for industrial growth, a greater ease of access to credit, and inflation control; under his administration, the foundation was laid for Brazil’s “economic miracle,” which led to over 10% annual growth between 1969 and 1974 but that was built on a foundation of foreign debt that would send the economy spiraling out of control by the end of the 1970s. Costa e Silva also sought to establish a variety of social programs to improve Brazil’s “development” in a number of ways. He reformed the Indian Protection Services, renaming it the National Foundation of the Indian, in order to protect indigenous rights and lands. However, during his administration, the government also created the Indian Rural Guard, which became a key institution in targeting and repressing native communities. In an attempt to expand Brazil’s economy and strengthen its industry so as to appear more “developed” and compete on the global stage, he created the Empresa Brasileira de Aeronáutica, better known as Embraer, which makes military and commercial planes for the global market (and which was privatized in 1994 as part of neoliberal president Fernando Henrique Cardoso’s quest to sell of any and all state-owned companies he could). Education was also a major focus of his administration. In 1967, he created the Movimento Brasileiro de Alfabetização (Brazilian Literacy Movement; MOBRAL) to address the high illiteracy rates in the country, especially in rural areas. He launched several studies. Perhaps most importantly, he created several study-groups (both foreign and domestic) to examine the Brazilian university system; ultimately, these studies led to the dictatorship’s 1968 university reform. The new reforms, the first comprehensive higher education policy in over 30 years, would transform the university system in Brazil, leading to increasingly privatized universities throughout the 1970s and 1980s.
Como presidente, buscou fortalecer ainda mais os laços com os Estados Unidos, apelando para retórica da Guerra Fria que opunha “democracia” a “subversivos.” Procurou também continuar as políticas econômicas que haviam começado no governo Castelo Branco, pressionando no sentido de crescimento industrial, maior facilidade de acesso ao crédito, e controle da inflação; em sua administração, foram lançados os fundamentos do “milagre econômico” do Brasil, que levou a mais de 10% de crescimento anual entre 1969 e 1974 mas que foi construído em fundamentos de dívida externa que levariam a economia a espiralar fora de controle ao final dos anos 1970. Costa e Silva também buscou estabelecer diversos programas sociais para melhorar o “desenvolvimento” do Brasil de diversas maneiras. Reformou os Serviços de Proteção ao Índio, mudando-lhes o nome para Fundação Nacional do Índio, para proteção dos direitos e terras indígenas. Entretanto, durante sua administração, o governo também criou a Guarda Rural Indígena, que se tornou instituição decisiva em visar e reprimir comunidades nativas. Numa tentativa de expandir a economia do Brasil e fortalecer sua indústria a fim de o país parecer mais “desenvolvido” e competir no cenário internacional, criou a Empresa Brasileira de Aeronáutica, mais conhecida como Embraer, que fabrica aviões militares e comerciais para o mercado global (e a qual foi privatizada em 1994 como parte da procura, pelo presidente neoliberal Fernando Henrique Cardoso, de vender toda e qualquer companhia de propriedade do estado que pudesse). A educação foi também foco importante de sua administração. Em 1967, criou o Movimento Brasileiro de Alfabetização -  MOBRAL para dar tratamento aos altos índices de analfabetismo do país, especialmente nas áreas rurais. Deflagrou diversos estudos. Talvez mais importante, criou diversos grupos de estudo (tanto estrangeiros quanto domésticos) para examinar o sistema universitário brasileiro; por fim, esses estudos levaram à reforma universitária de 1968 pela ditadura. As novas reformas, a primeira política abrangente de educação superior em mais de 30 anos, transformaria o sistema universitário do Brasil, levando a universidades cada vez mais privatizadas durante os anos 1970 e 1980.
In spite of these economic and social policies, however, he faced an increasingly turbulent political landscape. As he took office, social mobilization against the regime was on the rise; a gradually-reconstituted National Students Union was increasingly mobilizing against the regime for its repression and its ties to the US through agreements between the United States Agency for International Development (USAID). Student protests prompted increasingly violent police crackdowns, which only furthered the protest movements. In March of 1968, at one protest, police opened fire, killing high-school student Edson Luís de Lima Souto. Students promptly took his body to the former Chamber of Deputies in Rio de Janeiro, putting it on display and draping it in a Brazilian flag; the funeral for the young man brought thousands to the street, marking an intensification in protests.
A despeito dessas políticas econômicas e sociais, contudo, enfrentou panorama político crescentemente turbulento. Ao tomar posse, a mobilização social contra o regime estava em ascensão; uma gradualmente reconstituída União Nacional dos Estudantes mobilizava-se cada vez mais contra o regime por causa da repressão levada a efeito por este e pelos laços que ele mantinha com os Estados Unidos por meio de acordos com a Agência de Desenvolvimento Internacional (USAID) dos Estados Unidos. Protestos estudantis levaram a repressão cada vez mais violenta da polícia, o que só fomentou os movimentos de protesto. Em março de 1968, em um protesto, a polícia abriu fogo, matando o estudante secundário Edson Luís de Lima Souto. Os estudantes prontamente levaram o corpo dele para a Câmara dos Deputados no Rio de Janeiro, colocando-o em exibição e envolvendo-o numa bandeira brasileira; o funeral do jovem levou milhares de pessoas às ruas, marcando intensificação dos protestos.
Photo - Students gathered around the body of Edson Luís de Lima Souto, a teenager whom police murdered during student protests in March 1968. Though there had been anti-dictatorship protests since 1966, the death of Edson Luís marked a new intensity that would define protests in Brazil throughout 1968.
Foto - Estudantes agrupados em torno do corpo de Edson Luís de Lima Souto, adolescente que a polícia assassinou durante protestos estudantis em março de 1968. Embora houvesse havido protestos contra a ditadura desde 1966, a morte de Edson Luís marcou nova intensidade que definiria os protestos no Brasil ao longo de 1968.
Photo - Thousands of students and protesters march through the streets of Rio de Janeiro, carrying Edson Luís’s coffin (draped in a Brazilian flag) to a cemetery in Botafogo even while protesting against the military regime.
Foto - Milhares de estudantes e manifestantes marcham pelas ruas do Rio de Janeiro, carregando o caixão de Edson Luís (envolto numa bandeira brasileira) para um cemitério em Botafogo, ao mesmo tempo protestando contra o regime militar.
From March onward, protests intensified. Artists joined students in the streets, and middle-class parents whose children were often the victims of police violence began to pine for a return to democracy after four years of military rule. In June 1968, 100,000 people marched in Rio de Janeiro in what had been up to that point the largest street protest in Brazilian history. Though the military successfully arrested nearly 900 student-leaders at the failed UNE National Congress in rural São Paulo in October 1968, students continued to mobilize, insisting that the arrest of leadership would not stop them and chanting “UNE is us, our force and our voice” ["A UNE somos nós, nossa força e nossa voz"]. Behind the scenes, the hardliners grew increasingly frustrated and looked for a way to intensify repression and strengthen their control legally.
De março em diante, os protestos se intensificaram. Artistas juntaram-se aos estudantes nas ruas, e pais da classe média cujos filhos eram amiúde vítimas da violência da polícia começaram a reclamar volta da democracia depois de quatro anos de governo militar. Em junho de 1968 100.000 pessoas marcharam no Rio de Janeiro naquele que foi, até à época, o maior protesto de rua da história do Brasil. Embora a instituição militar prendesse com sucesso cerca de 900 líderes estudantis no malogrado Congresso Nacional da UNE no São Paulo rural em outubro de 1968, os estudantes continuaram a mobilizar-se, insistindo em que a prisão dos líderes não os deteria e entoando "A UNE somos nós, nossa força e nossa voz". Nos bastidores, os linhas-duras ficavam cada vez mais frustrados e procuravam uma forma de intensificar a repressão e fortalecer seu controle legalmente.
The excuse for intensified repression came in September 1968. That month, an opposition politician, Márcio Moreira Alves, gave a speech encouraging Brazilian women not to dance with or date members of the military. Though not many civilians paid attention to what became known as the “Lysistrata” speech, the military had a pretext to act. Insisting that their honor had been attacked, the military demanded that Congress strip Moreira Alves of his congressional immunity so that they could prosecute him. In December, Congress, which had been purged to create acquiescence to military demands, refused the military’s demand, voting to allow Moreira Alves to keep his immunity and even singing the national anthem after the vote. The military moved quickly, and on Friday, December 13, Costa e Silva issued Institutional Act No. 5. This act immediately and indefinitely suspended Congress, giving the president even greater authority; it also stripped even more politicians and other civilians of their political rights, prompted a wave of arrests against students, workers, and artists, and ushered in what came to be known as Brazil’s “years of lead,” with heavy repression and the intensified use of torture and state-sponsored murder. Although street confrontations and protests continued into 1969, the new atmosphere of repression ultimately forced many groups underground or into exile by the beginning of 1970s.
O pretexto para repressão intensificada veio em setembro de 1968. Naquele mês, um político da oposição, Márcio Moreira Alves, fez um discurso estimulando as mulheres brasileiras a não dançarem ou namorarem membros da instituição militar. Embora não muitos civis prestassem atenção ao que se tornou conhecido como o discurso “Lisístrata,” a instituição militar encontrou pretexto para agir. Insistindo em que sua honra havia sido atacada, a instituição militar exigiu que o Congresso destituísse Moreira Alves de sua imunidade parlamentar a fim de poder processá-lo. Em dezembro o Congresso, que havia sigo purgado para ser criada aquiescência às exigências da instituição militar, votou no sentido de Moreira Alves manter sua imunidade e até cantou o hino nacional depois da votação. A instituição militar moveu-se rapidamente e na sexta-feira, 13 de dezembro, Costa e Silva promulgou o Ato Institucional No. 5. Esse ato imediatamente e por tempo indefinido suspendia o Congresso, dando ao presidente autoridade ainda maior; também destituiu ainda mais políticos e outros civis de seus direitos políticos, desencadeou uma onda de prisões de estudantes, trabalhadores e artistas, e deu início ao que veio a ser conhecido como os “anos de chumbo” do Brasil, com pesada repressão e uso intensificado de tortura e assassínio patrocinado pelo estado. Embora confrontos de rua e protestos continuassem durante 1969, a nova atmosfera de repressão por fim forçou muitos grupos a irem para a clandestinidade ou para o exílio no início dos anos 1970.
Though scholars and military members have debated to what degree Costa e Silva was involved in the crackdown, all generally agree he was sympathetic with the intensified repression. However, as 1969 progressed, his health began to waver under the stress of the job. In late August of 1969, he had a stroke that rendered him ineffective. Unprepared to deal with the crisis, the military leadership kept his condition a secret. His wife, Yolanda, assumed a greater degree of power behind the scenes, something that increasingly rankled many men in his cabinet. At the same time, in the first week of September, student radicals who, like the rest of Brazil, were completely unaware of Costa e Silva’s incapacitated state, kidnapped US ambassador Charles Elbrick, demanding the release of 15 imprisoned colleagues and the reading of their demands on national television and radio in exchange for the ambassador. The timing could not have been worse for the upper echelons of the military regime; with the one clear “leader” paralyzed from a stroke, they were divided over whether to fulfill the students’ demands or to let the ambassador die. Ultimately, the regime met the students’ demands; 15 political prisoners were sent to Mexico (though just barely – members of the air force arrived at the Galeão airport in Rio de Janeiro to stop the departure, but they were too late), and Elbrick was set free. Ultimately, a military junta led by the members of the Army, Air Force, and Navy once again assumed control temporarily, announcing Costa e Silva’s sickness and preparing for the selection of a new president. By the end of October, general Emílio Garrastazu Médici had been selected and “approved” by a briefly-reconvened Congress, and Costa e Silva left office formally.
Embora acadêmicos e membros da instituição militar tenham debatido em que grau Costa e Silva esteve envolvido na repressão, todos de maneira geral concordam em que ele era simpático à repressão intensificada. Entretanto, à medida que 1969 avançava, a saúde dele começou a ficar abalada com as pressões do cargo. No final de agosto de 1969 teve um derrame que o tornou incapaz. Despreparada para lidar com a crise, a liderança militar manteve a condição dele em segredo. A mulher dele, Yolanda, assumiu maior grau de poder nos bastidores, algo que causou crescente descontentamente entre muitos homens do gabinete dele. Ao mesmo tempo, na primeira semana de setembro, estudantes radicais que, como o resto do Brasil, nada sabiam da incapacitação de Costa e Silva, sequestraram o embaixador dos Estados Unidos Charles Elbrick, exigindo a libertação de 15 colegas presos e a leitura de suas exigências na televisão e rádio nacionais em troca do embaixador. A hora não poderia ter sido pior para os escalões superiores do regime militar; com o único “líder” claro paralisado por um derrame, eles ficaram divididos quanto a se atender às exigências dos estudantes ou deixar o embaixador morrer. Por fim, o regime atendeu às exigências dos estudantes; 15 prisioneiros políticos foram mandados para o México (embora por pouco – membros da força aérea chegaram ao aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro para impedirem a partida, mas já era tarde demais), e Elbrick foi libertado. Por fim, uma junta militar liderada pelos membros do Exército, Aeronátuca e Marinha de novo assumiu controle temporariamente, anunciando a doença de Costa e Silva e preparando a seleção de um novo presidente. Ao final de outubro, o general Emílio Garrastazu Médici havia sido selecionado e “aprovado” por um Congresso reconvocado por curto tempo, e Costa e Silva deixou formalmente o cargo.
His time as ex-president would be brief. He never recovered from his stroke, and on December 17, 1969, almost exactly one year after issuing Institutional Act No. 5, Costa e Silva died of a heart attack; like his predecessor, Castelo Branco, he died just a few months after formally leaving office. Though he did not survive to see the long-term effects of his policies, there is little doubt he transformed Brazil, and not for the better. His economic policies created the house of cards that (falsely) indicated success in the first part of the 1970s but that became increasingly illusory in the latter half of the decade. His educational policies often fell short of their goals, and even efforts to rapidly expand the federal university system created new infrastructural problems that needed a second reform in the mid-1970s and led to the increasing privatization of higher education. Perhaps most importantly, his issuance of Institutional Act No. 5 ushered in one of the most repressive eras in Brazil’s history, as the regime tortured thousands, murdered and “disappeared” hundreds, and forced the exile of thousands more between 1969 and 1979. Thus, though Costa e Silva’s presidency was relatively brief, its impact would play out and negatively affect the lives of hundreds of thousands of Brazilians for years to come.
Seu tempo como ex-presidente seria breve. Nunca se recuperou do derrame e, em 17 de dezembro de 1969, quase exatamente um ano depois de promulgar o Ato Institucional No. 5, Costa e Silva morreu de ataque cardíaco; como seu predecessor, Castelo Branco, morreu meses apenas depois de deixar formalmente o cargo. Embora não sobrevivesse para ver os efeitos de longo prazo de suas políticas, há pouca dúvida de que transformou o Brasil, e não para melhor. Suas políticas econômicas criaram o castelo de cartas que (falsamente) indicava sucesso na primeira parte dos anos 1970 mas que se tornou cada vez mais ilusório na última metade daquela década. Suas políticas educacionais amiúde ficaram aquém de suas metas, e até esforços para expandir rapidamente o sistema universitário federal criaram novos problemas infraestruturais que necessitaram de uma segunda reforma em meado anos 1970 e levaram a crescente privatização da educação superior. Talvez mais importante, sua promulgação do Ato Institucional No. 5 deu início a uma das eras mais repressoras da história do Brasil, durante a qual o regime torturou milhares de pessoas, assassinou e fez “desaparecer” centenas, e forçou o exílio de milhares mais entre 1969 e 1979. Assim, pois, embora a presidência de Costa e Silva tenha sido relativamente breve, seu impacto se desdobraria e afetaria negativamente a vida de centenas de milhares de brasileiros nos anos por vir.
This is part of an ongoing series. Previous posts have looked at architect Oscar Niemeyer, musician Gilberto Gil, incomparable author João Guimarães Rosa, and anthropologist Gilberto Freyre.
Este texto é parte de uma série em andamento. Afixações anteriores trataram do arquiteto Oscar Niemeyer, do músico Gilberto Gil, do incomparável autor João Guimarães Rosa, e do antropólogo Gilberto Freyre.


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