Tuesday, March 5, 2013

Americas South and North - Get to Know a Brazilian - Humberto de Alencar Castelo Branco


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Americas South And North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic
Olhar Lançado a História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico
Get to Know a Brazilian – Humberto de Alencar Castelo Branco
Conheça um Brasileiro – Humberto de Alencar Castelo Branco
January 20, 2013
20 de janeiro de 2013
Colin M. Snider
Colin M. Snider
This week marks the first of what will be a five-part series that chronologically looks at the lives of the five generals who served as president during Brazil’s military dictatorship of 1964-1985.
Nesta semana é apresentado o primeiro artigo de uma série de cinco discorrendo, cronologicamente, acerca das vidas dos cinco generais que atuaram como presidentes durante a ditadura militar do Brasil, de 1964 a 1985.
Photo - Humberto de Alencar Castelo Branco (1897-1967), the first of five military presidents during Brazil’s military dictatorship.
Foto - Humberto de Alencar Castelo Branco (1897-1967), o primeiro dos cinco presidentes militares durante a ditadura militar no Brasil.
Humberto de Alencar Castelo Branco, born in the northeastern state of Ceará in 1897, came from a relatively well-known family. An only child, Humberto’s father had been a general himself, and he was also related to the well-known nineteenth-century author José de Alencar on his mother’s side. By 1918, he had followed his father’s path into the army, attending a military school in the southern-most state of Rio Grande do Sul before becoming a member of the infantry in 1921. He became a junior officer by 1923, and returned to serve as an instructor at his military school in 1927. In this time, he also married Argentina Viana, with whom he had two children. Allegedly, his short stature and square frame allegedly led his future father-in-law to question whether he had some genetic defect, but apparently satisfied that was not the case, the marriage took place.
Humberto de Alencar Castelo Branco, nascido no estado nordestino do Ceará em 1897, veio de família relativamente conhecida. Filho único, o pai de Humberto havia sido, ele próprio, general, e era também aparentado com o bem conhecido escritor do século dezenove José de Alencar, por parte de mãe. Em 1918 ele havia seguido o caminho do pai no exército, frequentando uma escola militar no estado do extremo sul do Rio Grande do Sul, antes de tornar-se membro da infantaria em 1921. Tornou-se oficial júnior em 1923, e voltou para servir como instrutor em sua escola miitar em 1927. Por essa época também casou-se, com Argentina Viana, com quem teve dois filhos. Segundo se comenta, sua pequena estatura e corpo atarracado levaram seu futuro sogro a cogitar de se ele não teria algum defeito genético mas, aparentemente satisfeito por não ser aquele o caso, o casamento teve lugar.
Like many of his generation, Castelo Branco was a part of the Revolution of 1930 that installed Getúlio Vargas as president. During his career, Castelo Branco studied at both the US Command and General Staff College in Fort Leavenworth, Kansas, as well as at the French Ecole Superior de Guerre. He continued to move up through the ranks throughout the 1930s, becoming a captain and then, by 1943, a lieutenant-colonel. His timing coincided with Brazil’s entrance into World War II, when, in 1943, the army created the Força Expedicionária Brasileira (Brazilian Expeditionary Force; FEB); with the FEB, Brazil became the only Latin American country to send troops to fight in the war. Castelo Branco was sent to the Italian theater with the FEB, where he was responsible for military maneuvers against Italian forces. While there, he also met Vernon A. Walters, a US officer (and future Ambassador to the United Nations under Ronald Reagan) responsible as a correspondent between the FEB and the US Fifth Army; the two men’s paths would cross again twenty years later.
Como muitos de sua geração, Castelo Branco tomou parte na Revolução de 1930 que empossou Getúlio Vargas como presidente. Durante sua carreira, Castelo Branco estudou tanto na Faculdade de Comando e Estado-Maior dos Estados Unidos em Fort Leavenworth, Kansas, quanto na École Supérieure de Guerre francesa. Continuou a subir de patente ao longo dos anos 1930, tornando-se capitão e depois, em 1943, tenente-coronel. Sua trajetória coincidiu com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial quando, em 1943, o exército criou a Força Expedicionária Brasileira (Brazilian Expeditionary Force; FEB); com a FEB, o Brasil tonrou-se o único país latino-americano a mandar tropas para lutar na guerra. Castelo Branco foi mandado para o teatro italiano com a FEB, onde foi responsável por manobras militares contra forças italianas. Enquanto lá, também conheceu Vernon A. Walters, oficial estadunidense (e futuro Embaixador nas Nações Unidas no governo Ronald Reagan), responsável como correspondente entre a FEB e o Quinto Exército; os caminhos dos dois homens se cruzariam de novo vinte anos depois.
Photo - A member of the Brazilian Expeditionary Force loading artillery. The shell reads, “The Cobra is Smoking,” is a reference to the symbol of the FEB that troops wore in the Italian campaign.
Foto - Membro da Força Expedicionária Brasileira carregando artilharia. A cápsula reza: “A Cobra está Fumando,” é referência ao símbolo da FEB que as tropas usavam na campanha italiana.
With Vargas’s suicide in 1954, the military once again involved itself in politics, just as it had done in 1930, 1937, and 1945. Castelo Branco ended up supporting Minister of War General Henrique Lott, who pre-emptively moved against military leaders who wanted to prevent the inauguration of president-elect Juscelino Kubitschek and vice president-elect João Goulart; Lott’s actions ensured that the two men would constitutioally assume office. Though Castelo Branco had supported the constitutionalist faction in the army, the workers’ support of Kubitschek and his vice president (and former Minister of Labor under Vargas) led Castelo Branco to withdraw support from Lott. Castelo Branco continued to serve, becoming General overseeing the Fourth Army in Brazil’s northeast, and publishing essays on strategy and tactics for the army in the present and future. In the early-1960s, as ideological divisions widened in Brazil, he made clear his more conservative tendencies, promoting a worldview where the armed forces would play a central role in defending the  ”people” from both communism and fascism in a Cold War struggle that he (anachronistically) traced back to Lenin. His experience (including in World War II), high rank, and respect among his peers led to João Goulart, who had become president in 1961, to nominate Castelo Branco as Joint Chief of the Army in 1963; it would be a fateful decision.
Com o suicídio de Vargas em 1954, a instituição militar mais uma vez se envolveu na política, do mesmo modo que havia feito em 1930, 1937 e 1945. Castelo Branco acabou apoiando o Ministro da Guerra General Henrique Lott, que preventivamente moveu-se contra líderes militares que desejavam impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek e do vice-presidente eleito João Goulart; as ações de Lott asseguraram que aqueles dois homens assumissem constitucionalmente o cargo. Embora Castelo Branco tivesse apoiado a facção constitucionalista do exército, o apoio dos trabalhadores a Kubitschek e a seu vice-presidente (e ex-Ministro do Trabalho no governo Vargas) levou Castelo Branco a retirar o apoio a Lott. Castelo Branco continuou a servir, tornando-se General supervisor do Quarto Exército no nordeste do Brasil, e publicando ensaios acerca de estratégia e táticas para o exército no presente e no futuro. No início dos anos 1960, à medida que divisões ideológicas alargavam-se no Brasil, ele deixou claras suas tendências mais conservadoras, promovendo uma visão de mundo na qual as forças armadas desempenhariam papel central em defender o ”povo” tanto do comunismo quanto do fascismo numa luta de Guerra Fria que ele (anacronicamente) rastreava até Lênin. Sua experiência (inclusive da Segunda Guerra Mundial), alta patente e respeito entre seus pares levou João Goulart, que se havia tornado presidente em 1961, a nomear Castelo Branco como Chefe do Estado-Maior do Exército em 1963; seria uma decisão fatídica.
By March of 1964, as inflation reached more than 100% (due in part to economic practices and governmental policies from the 1950s), Goulart finally embraced a more radical stance that many of his supporters, including students and workers, had been calling for. A speech in March 1964 at the base of the Ministry of War (where Castelo Branco sat, watching from his office as Goulart addressed hundreds of thousands of workers ) and Goulart’s support of striking sergeants in what the military elites saw as an undermining of military discipline and hierarchy, led to the military moving against the president. Vernon Walters, then the CIA attache to the US embassy, used his contacts from World War II, including Castelo Branco, and assured the military that US President Lyndon Johnson would support an effort to remove Goulart due to “communism;” ultimately, the military moved. Goulart’s government collapsed so quickly that the battleships and troops that Johnson had sent to Brazil had not yet arrived, and the president called them back. Nonetheless, the US had diplomatically played a part in the coup. The military regime that took power would last 21 years and use torture, repression, censorship, and “disappearances,” among other things, all in the name of the fight against “subversion.”
Em março de 1964, ao a inflação atingir mais de 100% (devido em parte a práticas econômicas e políticas governamentais dos anos 1950), Goulart finalmente assumiu posição mais radical do que a que muitos de seus partidários, inclusive estudantes e trabalhadores, preconizavam. Discurso em março de 1964 ao pé do Ministério da Guerra (onde Castelo Branco se sentava, observando de seu escritório Goulart dirigindo-se a centenas de milhares de trabalhadores) e apoio de Goulart a sargentos em greve, que as elites militares viram como solapamento da disciplina e da hierarquia militar, levaram a instituição militar a mover-se contra o presidente. Vernon Walters, então adido da CIA na embaixada dos Estados Unidos, usou seus contatos da Segunda Guerra Mundial, inclusive Castelo Branco, e assegurou à instituição militar que o Presidente dos Estados Unidos Lyndon Johnson apoiaria esforço para remover Goulart por causa de “comunismo;” finalmente, a instituição militar movimentou-se. O governo de Goulart entrou em colapso tão rapidamente que os navios de guerra e tropas que Johnson havia mandado ao Brasil sequer haviam chegado, e o presidente chamou-os de volta. Todavia, os Estados Unidos haviam diplomaticamente tomado parte no golpe. O regime militar que tomou o poder duraria 21 anos e usaria tortura, repressão, censura e “desaparecimentos,” entre outras coisas, tudo em nome da luta contra “subverssão.”
Photo - Tanks at the base of the Ministry of War in Rio de Janeiro on April 1, 1964.
Foto - Tanques ao pé do Ministério da Guerra no Rio de Janeiro em 1o. de abril de 1964.
Though a provisional military junta, led by General Artur Costa e Silva, governed in the first days of the military regime, a consensus quickly emerged that Castelo Branco would make for the ideal president; his status as one of the highest-ranking officers in the army, the respect he earned for his service in Italy and his writings on war and the army in the Cold War, his perceived ability to reach out to the middle- and upper-classes for support, and his personal history with Walters were all seen as marks in his favor. Proclaiming itself both “revolutionary” and “democratic,” Congress indirectly elected Castelo Branco president on April 11, and he was formally inaugurated on April 15, 1964, with the expectation he would serve out the remainder of Goulart’s term (set to expire in January 1966). While many Brazilians who supported the coup expected this to be the case, the military ultimately would decide otherwise.
Embora uma junta provisória, liderada pelo General Artur Costa e Silva, governasse nos primeiros dias do regime militar, rapidamente surgiu consenso de que Castelo Branco seria o presidente ideal; sua posição como um dos oficiais de mais alta patente no exército, o respeito que ele granjeou por seu serviço na Itália e por seus escritos a respeito da guerra e do exército na Guerra Fria, sua aparente habilidade para atingir as classes média e alta na obtenção de apoio, e sua história pessoal com Walters foram todos vistos como elementos em seu favor. Proclamando-se tanto como “revolucionário” quanto “democrático,” o Congresso elegeu indiretamente Castelo Branco presidente em 11 de abril, e ele foi formalmente empossado em 15 de abril de 1964, com a expectativa de que completasse o restante do mandato de Goulart (previsto para expirar em janeiro de 1966). Embora muitos brasileiros que apoiaram o golpe esperassem que assim fosse, a instituição militar por fim decidiria de modo diferente.
Even while the military hid behind the mask of protecting “democracy” from the “dictatorship” of communism, it increasingly limited democracy in Brazil. Castelo Branco assumed office with the Ato Institucional (Institutional Act) already in place; among other things, the Act allowed the use of torture against “subversives,” imposed limited censorship, and stripped the political rights of politicians perceived as threats (including the deposed Goulart and Kubitschek himself), purging Congress of those who vociferously opposed the military regime. Though the Ato Institucional was initially perceived as an exceptional and unique act, it would ultimately be the first of seventeen institutional acts that the military leaders imposed between 1964 and 1969.
Embora a instituição militar se escondesse sob a máscara de proteger a “democracia” da “ditadura” do comunismo, ela cada vez mais limitou a democracia no Brasil. Castelo Branco assumiu o cargo com o Ato Institucional (Institutional Act) já vigente; entre outras coisas, o Ato permitia o uso de tortura contra “subversivos,” impunha censura limitada, e destituía de direitos políticos políticos considerados ameaça (inclusive o deposto Goulart e o próprio Kubitschek), purgando o Congresso daqueles que se opunham abertamente ao regime militar. Embora o Ato Institucional fosse inicialmente percebido como ato excepcional e único, ele seria por fim o primeiro de dezesssete atos institucionais que os líderes militares impuseram entre 1964 e 1969.
Though Castelo Branco governed during a period of a variety of human rights violations, he was also considered the leader of the “moderate” faction, in contraposition to “hard-liners” who wanted a harsher crackdown on a wider number of subversive threats. Castelo Branco emphasized his desire to stabilize the Brazilian economy and reduce inflation; by 1966, he seemed to have some success, as it dropped to below 30%. He also strengthened the executive branch, creating the Serviço Nacional de Informações (National Information Services; SNI), an intelligence agency that oversaw internal spying, repression, and espionage. In an attempt to crack down on student opposition, he stripped the National Students Union of its official status, creating the National Directory of Students, which was directly responsible to the military regime, as an alternative; however, these efforts failed, and university students would become the most vocal and visible opponents of the regime throughout the remainder of the 1960s. Although it would not be completed until 1968, Castelo Branco also initiated several studies and projects that would ultimately shape the widespread reform of Brazil’s higher education system.
Embora Castelo Branco governasse durante período de uma variedade de violações de direitos humanos, ele também era considerado o líder da facção “moderada,” em contraposição aos “linhas-duras” que desejavam repressão mais severa de amplo número de ameaças subversivas. Castelo Branco enfatizou seu desejo de estabilizar a economia brasileira e reduzir a inflação; em 1966, pareceu ter algum sucesso, pois a inflação caiu para abaixo de 30%. Também fortaleceu o poder executivo, criando o  Serviço Nacional de Informações (National Information Services; SNI), órgão de inteligência que supervisava coleta interna de informações, repressão, e espionagem. Numa tentativa de esmagar a oposição estudantil, destituiu de sua condição oficial a União Nacional dos Estudantes, criando o Diretório Nacional dos Estudantes, o qual era diretamente responsável perante o regime militar, como alternativa; entretanto, esses esforços fracassaram, e os estudantes universitários se tornariam os opositores mais sem papas na língua e visíveis do regime ao longo do restante dos anos 1960. Embora só viessem a ser terminados em 1968, Castelo Branco também iniciou diversos estudos e projetos que finalmente dariam forma a ampla reforma do sistema de educação superior do Brasil.
While Castelo Branco tried to reform Brazil’s economic and social landscape, he also transformed the political landscape for the worse, overseeing an intensification of repression and a reduction of democracy even while serving as a so-called “moderate” in a “democratic” regime. After the elections of 1965, when the citizens of the states of Guanabara [Rio de Janeiro city, incorporated into Rio de Janeiro state in 1975] and Minas Gerais elected opposition candidates, Castelo Branco implemented a crackdown on democracy, in part to placate those hardliners in the military. He issued Institutional Act Number 2, which, among other things: banned all political parties and created two new parties, the MDB and ARENA, which became referred to sardonically as the parties of “Yes” and “Yes, sir!”; reinstituted the removal of political rights of opponents; provided the president with the authority to establish a “state of siege” without Congressional approval, close Congress, and remove state officials;  and create indirect elections for the presidency, in which the (purged) Congress would elect president. That was followed by Institutional Act No. 3 of 1966, which declared that the elections for governor would also be indirect, and that governors would appoint mayors for the capitals of each state. This not only denied democracy for the executive branch at both the federal and state levels; it also meant that citizens of Brazil’s largest cities (such as São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, and elsewhere) would not be able to elect their mayors, as the capitals of states were often the largest cities of the states. Consequently, the democratic options for an overwhelming majority of Brazilians were almost completely removed, even while the regime proclaimed itself to be “democratic.”
Embora Castelo Branco tentasse reformar o panorama econômico e social do Brasil, ele também transformou o panorama político para pior, supervisando uma intensificação da repressão e uma redução da democracia mesmo quando atuando como um assim chamado “moderado” num regime “democrático.” Depois das eleições de 1965, quando os cidadãos dos estados de Guanabara [cidade do Rio de Janeiro, incorporada ao estado do Rio de Janeiro em 1975] e Minas Gerais elegeram candidatos de oposição, Castelo Branco implementou um esmagamento da democracia, em parte para aplacar os linhas-duras da instituição militar. Promulgou o Ato Institucional Número 2 o qual, entre outras coisas: proibiu todos os partidos políticos e criou dois novos partidos, o MDB e o ARENA, que se tornaram sardonicamente mencionados como os partidos do “Sim” e do “Sim, senhor!”; reinstituiu a destituição de direitos políticos dos opositores; atribuiu ao presidente autoridade para estabelecer um “estado de sítio” sem aprovação do Congresso, para fechar o Congresso, e para demitir autoridades do estado; e para criar eleições indiretas para a presidência, nas quais o Congresso (purgado) elegeria o presidente. Isso foi seguido pelo Ato Institucional No. 3 de 1966, que declarou que as eleições para governador também seriam indiretas, e que os governadores nomeariam prefeitos para as capitais de cada estado. Isso não apenas negava democracia para o poder executivo em níveis tanto federal quanto estadual; significava também que cidadãos das maiores cidades do Brasil (como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, e outras) não teriam como eleger seus prefeitos, visto que as capitais dos estados eram amiúde as maiores cidades dos estados. Consequentemente, as opções democráticas para esmagadora maioria dos brasileiros ficavam quase completamente anuladas, apesar de o regime proclamar-se “democrático.”
Photo - Castelo Branco (in suit) during his presidency. Hard-liners would ultimately select his successor, Artur Costa e Silva (second from left, in dark glasses). His chief of staff, Ernesto Geisel (second from right, behind Castelo Branco) would become president in 1974, marking the return of the “moderate” faction within the military.
Foto - Castelo Branco (de terno) durante sua presidência. Os linhas-duras por fim escolheriam seu sucessor, Artur Costa e Silva (segundo a partir da esquerda, de óculos escuros). Seu chefe de estado-maior, Ernesto Geisel (segundo a partir da direita, detrás de Castelo Branco) se tornaria presidente em 1974, marcando a volta da facção “moderada” dentro da instituição militar.
Though Castelo Branco had initially hoped to leave office in January 1966, the institutional acts, and the mobilization of the hard-liners, led to him remaining in office another fifteen months. Meanwhile, the hard-liners threw their support behind his minister of war, Artur Costa e Silva. Unwilling to split the army, Castelo Branco did little to prevent Costa e Silva’s election or the rise of the hard-liners in the military regime. Castelo Branco officially left office in March 1967; with his departure, the hard-liners had taken control of the regime, laying the foundation for the most repressive years of military rule, during which the regime and its security apparatuses tortured thousands of people, murdered hundreds, and led to the exile, forced or self-imposed, of thousands more.
Embora Castelo Branco tivesse de início esperado deixar o cargo em janeiro de 1966, os atos institucionais, e a mobilização dos linhas-duras, levaram-no a permanecer no cargo por mais quinze meses. No entretempo, os linhas-duras dirigiram seu apoio para seu ministro da guerra, Artur Costa e Silva. Não desejoso de cindir o exército, Castelo Branco fez pouco para impedir a eleição de Costa e Silva ou a ascensão dos linhas-duras do regime militar. Castelo Branco oficialmente deixou o cargo em março de 1967; com sua saída, os linhas-duras assumiram o controle do regime, lançando os fundamentos para os anos mais repressores do governo militar, durante os quais o regime e seus aparatos de segurança torturaram milhares de pessoas, assassinaram centenas, e levaram ao exílio, forçado ou autoimposto, milhares mais.
However, Castelo Branco himself would not live to see the fullest extent of the repressive system he played no small part in creating. Only four months after he left office, he died when the plane he was traveling in collided with another in July 1967. Though it was seen as little more than an accident at the time, recently-discovered documents show that the military investigation into the crash was “superficial” at best, raising questions as to whether or not the accident was actually an “accident” (though nothing conclusive suggests it was planned either). Regardless, when he died, Castelo Branco was celebrated as a hero who had served his country in a variety of ways, from World War II to the presidency, and was seen as a leader who had “saved” Brazil from “subversion” and inflation; the fact that he was the first president of a regime that intensified the use of torture and repression and ultimately created financial policies that led to even worse inflation than when it overthrew Goulart in 1964 were events millions of other Brazilians would have to endure, but that Castelo Branco himself escaped.
Nada obstante, o próprio Castelo Branco não viveria para ver a dimensão total do sistema repressor para cuja criação desempenhou papel não pequeno. Apenas quatro meses depois de deixar o cargo, morreu quando o avião no qual viajava colidiu com outro em julho de 1967. Embora isso fosse visto como pouco mais do que um acidente à época, documentos recentemente descobertos mostram que a investigação militar do desastre foi, na melhor das hipóteses, “superficial,” suscitando perguntas quanto a se o acidente foi ou não um “acidente” (embora nada conclusivo sugira, também, que tenha sido planejado). Independentemente disso, ao morrer, Castelo Branco foi comemorado como herói que havia servido seu país de diversas maneiras, desde a Segunda Guerra Mundial até a presidência, e foi visto como um líder que havia “salvo” o Brasil da “subverssão” e da inflação; o fato de ele ter sido o primeiro presidente de um regime que intensificou o uso de tortura e repressão e o fato de ele em última análise ter criado políticas financeiras que levaram a inflação ainda pior do que a que derrubou Goulart em 1964 foram eventos que milhões de outros brasileiros teriam de suportar, mas dos quais Castelo Branco ele próprio escapou.
Photo - The mausoleum in Fortaleza, Ceará, where Castelo Branco is buried.
Foto - O mausoléu em Fortaleza, Ceará, onde Castelo Branco está sepultado.
This is part of an ongoing series. Other entries have included Afro-Brazilian activist Abdias do Nascimento, author Clarice Lispector, and Princess Isabel.
Esta é parte de série em andamento. Outros itens já incluíram o ativista afro-brasileiro Abdias do Nascimento, a escritora Clarice Lispector, e a Princesa Isabel.


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