Friday, February 8, 2013

The Anti-Empire Report - American Foreign Policy – Have our war lovers learned anything?

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William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa estadunidense.
The Anti-Empire Report #113
O Relatório Anti-Império #113
By William Blum – Published February 7th, 2013
Por William Blum – Publicado em 7 de fevereiro de 2013
American Foreign Policy – Have our war lovers learned anything?
Política Externa Estadunidense – Terão nossos amantes da guerra aprendido alguma coisa?
Over the past four decades, of all the reasons people over a certain age have given for their becoming radicalized against US foreign policy, the Vietnam War has easily been the one most often cited. And I myself am the best example of this that you could find. I sometimes think that if the war lovers who run the United States had known of this in advance they might have had serious second thoughts about starting that great historical folly and war crime.
Ao longo das quatro décadas passadas, de todos os motivos que as pessoas além de determinada idade têm dado para terem-se radicalizado contrariamente à política externa dos Estados Unidos, a Guerra do Vietnã tem sido tranquilamente um dos mais amiúde citados. E eu próprio sou o melhor exemplo disso que vocês possam achar. Por vezes penso que se os amantes da guerra que administram os Estados Unidos tivessem sabido disso antecipadamente, poderiam ter reconsiderado seriamente quanto a deflagrarem aquela grande insensatez histórica e aquele crime de guerra.
At other times, however, I have the thought that our dear war lovers have had 40 years to take this lesson to heart, and during this time what did they do? They did Salvador and Nicaragua, and Angola and Grenada. They did Panama and Yugoslavia, and Afghanistan and Iraq. And in 2012 American President Barack Obama saw fit to declare that the Vietnam War was “one of the most extraordinary stories of bravery and integrity in the annals of military history”. 1
Outras vezes, porém, penso que nossos queridos amantes da guerra tiveram 40 anos para aprender essa lição e, durante esse tempo, o que fizeram? Fizeram Salvador e Nicaragua, e Angola e Grenada. Fizeram Panamá e Iugoslávia, e Afeganistão e Iraque. E, em 2012, o Presidente Barack Obama houve por bem declarar que a Guerra do Vietnã foi “uma das mais extraordinárias histórias de bravura e integridade nos anais da história militar”. 1
So, have they learned nothing? When it comes to following international law, is the United States like a failed state? The Somalia of international law? Well, if they were perfectly frank, the war lovers would insist that the purpose of all these interventions, and many others like them, was to keep the atheists out of power – the non-believers in America’s god-given right to rule the world – or to at least make life as difficult as possible for them. And thus the interventions were successful; nothing to apologize for; even the Vietnam War achieved its purpose of preventing that country from becoming a good development option for Asia, a socialist alternative to the capitalist model; precisely the same reason for Washington’s endless hostility toward Cuba in Latin America; and Cuba has indeed inspired numerous atheists and their alternatives for a better world.
Assim, não aprenderam nada? Quando o assunto é lei internacional, os Estados Unidos são como um estado falido? A Somália da lei internacional? Bem, se fossem perfeitamente francos, os amantes da guerra insistiriam em que o propósito de todas essas intervenções, e muitas outras do mesmo tipo, foi o de manter os ateus fora do poder – os não crentes no direito, dado por Deus aos Estados Unidos, de governarem o mundo – ou de pelo menos tornarem a vida deles tão difícil quanto possível. E portanto as intervenções foram bem-sucedidas; nada há do que pedir desculpas; até a Guerra do Vietnã atingiu seu propósito de impedir aquele país de tornar-se uma boa opção de desenvolvimento para a Ásia, uma alternativa socialista ao modelo capitalista; precisamente o mesmo motivo da infindável hostilidade de Washington em relação a Cuba na América Latina; e Cuba, na verdade, já inspirou numerosos ateus e suas alternativas para um mundo melhor.
If they were even more honest, the war lovers might quote George Kennan, the legendary State Department strategist, who wrote prophetically during the Cold War: “Were the Soviet Union to sink tomorrow under the waters of the ocean, the American military-industrial establishment would have to go on, substantially unchanged, until some other adversary could be invented. Anything else would be an unacceptable shock to the American economy.” 2
Se fossem ainda mais honestos, os amantes da guerra poderiam citar George Kennan, o lendário estrategista do Departamento de Estado, que escreveu, profeticamente, durante a Guerra Fria: “Se a União Soviética amanhã afundasse nas águas do oceano, a instituição industrial-militar estadunidense teria de continuar, substancialmente sem mudanças, até que algum outro adversário pudesse ser inventado. Qualquer outra coisa representaria choque inaceitável para a economia estadunidense.” 2
But after all these years, after decades of American militarism – though not a day passes without some government official or media acolyte expressing his admiration and gratitude for “our brave boys” – cracks in the American edifice can be seen. Some of the war lovers, and their TV groupies would have us believe that they have actually learned something. One of the first was Secretary of Defense Robert Gates in February 2011: “In my opinion, any future defense secretary who advises the president to again send a big American land army into Asia or into the Middle East or Africa should have his head examined.”
Ocorre, entretanto, que, depois de todos esses anos, depois de décadas de militarismo estadunidense – embora não se passe um dia sem alguma autoridade governamental ou acólito da mídia expressar sua admiração e gratidão por “nossos bravos rapazes” – podem-se ver fendas no edifício estadunidense. Alguns dos amantes da guerra, e seus fanzocas da TV, querem fazer-nos crer que realmente aprenderam alguma coisa. Um dos primeiros foi o Secretário de Defesa Robert Gates em fevereiro de 2011: “Em minha opinião, qualquer futuro secretário de defesa que aconselhe o presidente a mandar de novo um grande exército de terra à Ásia ou ao Oriente Médio ou à África deveria ter sua cabeça examinada.”
And here’s former Secretary of State George Shultz speaking before the prestigious Council of Foreign Relations last month (January 29): “Iraq and Afghanistan cannot be the template for how we go about” dealing with threats of terrorism.
E eis aqui o ex-Secretário de Estado George Shultz falando diante do prestigioso Conselho de Relações Exteriores no mês passado (29 de janeiro): “Iraque e Afeganistão não podem ser o gabarito para como atuamos” no trato de ameaças de terrorismo.
A few days earlier the very establishment and conservative Economist magazine declared: “The best-intentioned foreign intervention is bound to bog its armies down in endless wars fighting invisible enemies to help ungrateful locals.”
Poucos dias antes a revista muito do establishment e conservadora Economist declarara: “A intervenção no estrangeiro mais bem-intencionada está fadada a atolar seus exércitos em guerras infindáveis lutando contra inimigos invisíveis para ajudar habitantes locais nada gratos.”
However, none of these people are in power. And does history offer any example of a highly militaristic power – without extreme coercion – seeing the error of its ways? One of my readers, who prefers to remain anonymous, wrote to me recently:
Nada obstante, nenhuma dessas pessoas está no poder. E oferece a História qualquer exemplo de alguma potência altamente militarista que tenha visto – a não ser sob extrema coerção – o erro de seus caminhos? Um de meus leitores, que prefere permanecer anônimo, escreveu-me recentemente:
It is my opinion that the German and Japanese people only relinquished their imperial culture and mindset when they were bombed back to the stone age at the end of WWII. Something similar is the only cure for the same pathology that now is embedded into the very social fabric of the USA. The USA is a full-blown pathological society now. There is no other cure. No amount of articles on the Internet pointing out the hypocrisies or war crimes will do it.
É minha opinião que os povos alemão e japonês só abriram mão de sua cultura imperial quando bombardeados até regredirem à idade da pedra ao final da Segunda Guerra Mundial. Algo similar é a única cura para a mesma patologia hoje embutida no próprio tecido social dos Estados Unidos. Os Estados Unidos são, hoje, uma sociedade consumadamente patológica. Não há outra cura. Nenhuma soma de artigos na Internet denunciando as hipocrisias dos crimes de guerra resolverá.
So, while the United States is busy building bases and anti-missile sites in Europe, Asia and Africa, deploying space-based and other hi-tech weapons systems, trying to surround Russia, China, Iran and any other atheist that threatens American world hegemony, and firing drone missiles all over the Middle East I’m busy playing games on the Internet. What can I say? In theory at least, there is another force besides the terrible bombing mentioned above that can stop the American empire, and that is the American people. I’ll continue trying to educate them. Too bad I won’t live long enough to see the glorious transformation.
Assim, enquanto os Estados Unidos estão atarefados construindo bases e locais antimíssil em Europa, Ásia e África, espraiando sistemas de armamentos sediados no espaço e outros de alta tecnologia,tentando cercar Rússia, China, Irã e qualquer outro ateu que ameace a hegemonia mundial dos Estados Unidos, e lançando mísseis a partir de aviões não tripulados em todo o Oriente Médio, aqui estou eu ocupando-me de jogos na Internet. O que posso dizer? Em teoria, pelo menos, há outra força além dos terríveis bombardeios acima mencionados que pode deter o império estadunidense, e ela é o povo estadunidense. Continuarei tentando dar informações a ele. Pena se não viver o bastante para ver a gloriosa transformação.
1. May 28, 2012, speaking at the Vietnam War Memorial in Washington
1. Em 28 de maio de 2012, falando no Memorial da Guerra do Vietnã em Washington


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