Friday, January 4, 2013

The American Conservative - Libertarian Left


ENGLISH
PORTUGUÊS
THE AMERICAN CONSERVATIVE
O CONSERVADOR ESTADUNIDENSE
Libertarian Left
Esquerda Libertária
Free-market anti-capitalism, the unknown ideal
Anticapitalismo de livre mercado, o ideal desconhecido
By Sheldon Richman
Por Sheldon Richman
Ron Paul’s 2008 presidential campaign introduced many people to the word “libertarian.” Since Paul is a Republican and Republicans, like libertarians, use the rhetoric of free markets and private enterprise, people naturally assume that libertarians are some kind of quirky offshoot of the American right wing. To be sure, some libertarian positions fit uneasily with mainstream conservatism—complete drug decriminalization, legal same-sex marriage, and the critique of the national-security state alienate many on the right from libertarianism.
A campanha presidencial de Ron Paul de 2008 deu a conhecer a muitas pessoas a palavra “libertário.” Como Paul é Republicano e os Republicanos, do mesmo modo que os libertários, usam a retórica dos livres mercados e da empresa privada, as pessoas naturalmente assumem que os libertários são algum tipo de rebento peculiar da direita estadunidense. Na verdade, algumas posições libertárias encaixam-se mal no conservadorismo convencional — completa descriminação das drogas, casamento legal entre pessoas do mesmo sexo, e crítica do estado de segurança nacional alienam muitas pessoas da direita do libertarismo.
But the dominant strain of libertarianism still seems at home on that side of the political spectrum. Paeans to property rights and free enterprise — the mainstream libertarian  conviction that the American capitalist system, despite government intervention, fundamentally embodies those values—appear to justify that conclusion.
Nada obstante, a cepa dominante do libertarismo ainda parece à vontade naquele lado do espectro político. Loas aos direitos de propriedade e à livre empresa — a convicção libertária convencional de que o sistema capitalista estadunidense, a despeito de intervenção do governo, encarna fundamentalmente esses valores — parece justificar essa conclusão.
But then one runs across passages like this: “Capitalism, arising as a new class society directly from the old class society of the Middle Ages, was founded on an act of robbery as massive as the earlier feudal conquest of the land. It has been sustained to the present by continual state intervention to protect its system of privilege without which its survival is unimaginable.” And this: “build worker solidarity. On the one hand, this means formal organisation, including unionization—but I’m not talking about the prevailing model of ‘business unions’ … but real unions, the old-fashioned kind, committed to the working class and not just union members, and interested in worker autonomy, not government patronage.”
Em seguida, porém, surgem passagens como esta: “O capitalismo, surgindo como nova sociedade de classes diretamente da antiga sociedade de classes da Idade Média, foi fundado num ato de roubo tão maciço quanto a mais precoce conquista feudal da terra. Tem sido sustentado, até o presente, por contínua intervenção do estado na proteção de seu sistema de privilégio sem o qual sua sobrevivência é inimaginável.” E esta: “construir solidariedade entre os trabalhadores. De um lado, isso significa organização formal, inclusive sindicalização — mas não estou falando do modelo prevalente de ‘sindicatos de empresas’ … e sim de sindicatos reais, à moda antiga, comprometidos com a classe trabalhadora e não apenas com membros do sindicato, e interessados em autonomia dos trabalhadores, não em patrocínio do governo.”
These passages—the first by independent scholar Kevin Carson, the second by Auburn University philosophy professor Roderick Long—read as though they come not from libertarians but from radical leftists, even Marxists. That conclusion would be only half wrong: these words were written by pro-free-market left-libertarians. (The preferred term for their economic ideal is “freed market,” coined by William Gillis.)
Essas passagens — a primeira do erudito independente Kevin Carson, a segunda do professor de filosofia da Universidade Auburn Roderick Long — parecem vir não de libertários, e sim de esquerdistas radicais, marxistas até. Essa conclusão seria apenas a metade errada: essas palavras foram escritas por libertários de esquerda favoráveis ao livre mercado. (O termo preferido para expressar seu ideal econômico é “mercado libertado/emancipado,” cunhado por William Gillis.)
These authors—and a growing group of colleagues—see themselves as both libertarians and leftists. They are standard libertarians in that they believe in the moral legitimacy of private ownership and free exchange and oppose all government interference in personal and economic affairs—a groundless, pernicious dichotomy. Yet they are leftists in that they share traditional left-wing concerns, about exploitation and inequality for example, that are largely ignored, if not dismissed, by other libertarians. Left-libertarians favor worker solidarity vis-à-vis bosses, support poor people’s squatting on government or abandoned property, and prefer that corporate privileges be repealed before the regulatory restrictions on how those privileges may be exercised. They see Walmart as a symbol of corporate favoritism—supported by highway subsidies and eminent domain—view the fictive personhood of the limited-liability corporation with suspicion, and doubt that Third World sweatshops would be the “best alternative” in the absence of government manipulation.
Esses autores — e crescente grupo de colegas — veem-se tanto como libertários quanto como esquerdistas. São libertários típicos na medida em que acreditam na legitimidade moral da propriedade privada e do livre intercâmbio, e se opõem a toda interferência do governo em assuntos pessoais e econômicos — uma dicotomia sem fundamento e perniciosa. No entanto, são esquerdistas por compartirem preocupações esquerdistas tradicionais, por exemplo quanto a exploração e desigualdade, que são em grande parte ignoradas, se não desqualificadas, por outros libertários. Os libertários de esquerda são favoráveis a solidariedade dos trabalhadores diante de seus chefes, ao apoio à ocupação, pelas pessoas, de propriedade do governo ou abandonada, e preferem que os privilégios corporativos sejam rejeitados de preferência a restrições normativas acerca de como esses privilégios possam ser exercidos. Veem a Walmart como símbolo de favoritismo corporativo — apoiada por subsídios a rodovias e por desapropriações — veem a pessoa fictícia da corporação de responsabilidade limitada com suspeita, e duvidam de que os locais de trabalho em condições vis do Terceiro Mundo constituam a “melhor alternativa” quando haja ausência de manipulação pelo governo.
Left-libertarians tend to eschew electoral politics, having little confidence in strategies that work through the government. They prefer to develop alternative institutions and methods of working around the state. The Alliance of the Libertarian Left encourages the formation of local activist and mutual-aid organizations, while its website promotes kindred groups and posts articles elaborating its philosophy. The new Center for a Stateless Society (C4SS) encourages left-libertarians to bring their analysis of current events to the general public through op-eds.
Os libertários de esquerda tendem a distanciar-se da política eleitoral, tendo pouca confiança em estratégias que funcionem por meio do governo. Preferem desenvolver soluções e métodos alternativos contornando o estado. A Aliança da Esquerda Libertária estimula a formação de organizações locais ativistas e de ajuda mútua, enquanto seu website promove grupos afins e afixa artigos explicitando sua filosofia. O novo Centro por uma Sociedade sem Estado (C4SS) estimula os libertários de esquerda a levar ao público em geral suas análises de eventos correntes, por meio de artigos opinativos.
These laissez-faire left-libertarians are not to be confused with other varieties of left-wing libertarians, such as Noam Chomsky or Hillel Steiner, who each in his own way objects to individualistic appropriation of unowned natural resources and the economic inequality that freed markets can produce. The left-libertarians under consideration here have been called “market-oriented left-libertarians” or “market anarchists,” though not everyone in this camp is an anarchist.
Esses libertários de esquerda do laissez-faire não devem ser confundidos com outras variedades de libertários de esquerda, tais como Noam Chomsky ou Hillel Steiner, os quais, cada um a seu modo, objetam à apropriação individualista de recursos naturais sem dono e à desigualdade econômica que os mercados libertados podem produzir. Os libertários esquerdistas ora considerados têm sido chamados de “libertários de esquerda orientados para o mercado” ou “anarquistas de mercado,” embora nem todos os nesse arraial sejam anarquistas.
There are historical grounds for placing pro-market libertarianism on the left. In the first half of the 19th century, the laissez-faire liberal economist Frederic Bastiat sat on the left side of the French National Assembly with other radical opponents of the ancien régime, including a variety of socialists. The right side was reserved for reactionary defenders of absolute monarchy and plutocracy. For a long time “left” signified radical, even revolutionary, opposition to political authority, fired by hope and optimism, while “right” signified sympathy for a status quo of privilege or a return to an authoritarian order. These terms applied even in the United States well into the 20th century and only began to change during the New Deal, which prompted regrettable alliances of convenience that carried over into the Cold War era and beyond.
Há fundamento histórico para situar o libertarismo pró-mercado na esquerda. Na primeira metade do século 19, o economista liberal do laissez-faire Frederic Bastiat sentava-se no lado esquerdo da Assembleia Nacional Francesa com outros opositores radicais do ancien régime, incluindo uma cepa de socialistas. O lado direito era reservado para defensores reacionários da monarquia absoluta e da plutocracia. Por longo tempo “esquerda” significou radical, revolucionário mesmo, oposição à autoridade política, incendido por esperança e otimismo, enquanto “direita” significava simpatia por um statu quo de privilégio ou retorno a uma ordem autoritária. Esses termos foram utilizados até nos Estados Unidos, até bem dentro do século 20, e só começaram a mudar durante o Novo Pacto, que deflagrou lamentáveis alianças de conveniência que se estenderam até a era da Guerra Fria e depois.
At the risk of oversimplifying, there are two wellsprings of modern pro-market left-libertarianism: the theory of political economy formulated by Murray N. Rothbard and the philosophy known as “Mutualism” associated with the pro-market anarchist Pierre-Joseph Proudhon—who sat with Bastiat on the left side of the assembly while arguing with him incessantly about economic theory—and the American individualist anarchist Benjamin R. Tucker.
Com risco de simplificação excessiva, há duas fontes do moderno libertarismo esquerdista pró-mercado: a teoria de economia política formulada por Murray N. Rothbard e a filosofia conhecida como “mutualismo” associada ao anarquista pró-mercado Pierre-Joseph Proudhon — que se sentava com Bastiat no lado esquerdo da assembleia enquanto argumentava com ele incessantemente acerca de teoria econômica — e o anarquista individualista estadunidense Benjamin R. Tucker.
Rothbard (1926-1995) was the leading theorist of radical Lockean libertarianism combined with Austrian economics, which demonstrates that free markets produce widespread prosperity, social cooperation, and economic coordination without monopoly, depression, or inflation—evils whose roots are to be found in government intervention. Rothbard, who called himself an “anarcho-capitalist,” first saw himself as a man of the “Old Right,” the loose collection of opponents of the New Deal and American Empire epitomized by Sen. Robert Taft, journalist John T. Flynn, and more radically, Albert Jay Nock. Yet Rothbard understood libertarianism’s left-wing roots.
Rothbard (1926-1995) foi o principal teórico do libertarismo lockeano radical conjugado com a economia Austríaca, a qual explica que os livres mercados produzem prosperidade disseminada, cooperação social, e coordenação econômica sem monopólio, depressão, ou inflação — males cujas raízes hão de ser encontradas na intervenção do governo. Rothbard, que se denominava “anarcocapitalista,” primeiro via-se como homem da “Antiga Direita,” a frouxa coleção de opositores do Novo Pacto e do Império Estadunidense personificada pelo Senador Robert Taft, o jornalista John T. Flynn e, mais radicalmente, Albert Jay Nock. Sem embargo, Rothbard entendia as raízes esquerdistas do libertarismo.
In his 1965 classic and sweeping essay “Left and Right: The Prospects for Liberty,” Rothbard identified “liberalism”—what is today called libertarianism—with the left as “the party of hope, of radicalism, of liberty, of the Industrial Revolution, of progress, of humanity.” The other great ideology to emerge after the French revolution “was conservatism, the party of reaction, the party that longed to restore the hierarchy, statism, theocracy, serfdom, and class exploitation of the Old Order.”
Em seu clássico e abrangente ensaio de 1965 “Esquerda e Direita: Perspectivas para a Liberdade,” Rothbard identificou “liberalismo” — aquilo que hoje é chamado de libertarismo — com a esquerda como “o grupo da esperança, do radicalismo, da liberdade, da Revolução Industrial, do progresso, da humanidade.” A outra grande ideologia a surgir depois da Revolução Francesa “foi o conservadoriosmo, o grupo da reação, o grupo que sonhava em restaurar hierarquia, estatismo, teocracia, servidão, e exploração de classe da Antiga Ordem.”
When the New Left arose in the 1960s to oppose the Vietnam War, the military-industrial complex, and bureaucratic centralization, Rothbard easily made common cause with it. “The Left has changed greatly, and it is incumbent upon everyone interested in ideology to understand the change… . [T]he change marks a striking and splendid infusion of libertarianism into the ranks of the Left,”  he wrote in “Liberty and the New Left.” His left-radicalism was clear in his interest in decentralization and participatory democracy, pro-peasant land reform in the feudal Third World, “black power,” and worker “homesteading” of American corporations whose profits came mainly from government contracts.
Quando a Nova Esquerda surgiu nos anos 1960 para opor-se à Guerra do Vietnã, ao complexo industrial-militar e à centralização burocrática, Rothbard prontamente fez causa comum com ela. “A Esquerda mudou muito, e é obrigação de toda pessoa interessada em ideologia entender essa mudança… . [Essa] mudança marca dramática e esplêndida infusão de libertarismo nas fileiras da Esquerda,” escreveu ele em “A liberdade e a Nova Esquerda.” Seu radicalismo de esquerda ficou claro em seu interesse em descentralização e democracia participativa, reforma agrária favorável aos camponeses no Terceiro Mundo feudal, “poder preto,” e “assunção,” pelos trabalhadores, de corporações estadunidenses cujos lucros viessem principalmente de contratos com o governo.
But with the fading of New Left, Rothbard deemphasized these positions and moved strategically toward right-wing paleoconservatism. His left-libertarian colleague, the former Goldwater speechwriter Karl Hess (1923-1994), kept the torch burning. In Dear America Hess wrote, “On the far right, law and order means the law of the ruler and the order that serves the interest of that ruler, usually the orderliness of drone workers, submissive students, elders either totally cowed into loyalty or totally indoctrinated and trained into that loyalty,” while the left “has been the side of politics and economics that opposes the concentration of power and wealth and, instead, advocates and works toward the distribution of power into the maximum number of hands.”
Entretanto, com o declínio da Nova Esquerda, Rothbard desenfatizou essas posições e moveu-se estrategicamente para o paleoconservadorismo de direita. Seu colega libertário de esquerda, o antigo escritor de discursos de Goldwater Karl Hess (1923-1994), manteve a tocha acesa. Em Caros Estados Unidos Hess escreveu: “Na extrema direita, lei e ordem significam a lei de quem manda e a ordem que atende ao interesse de quem manda, usualmente a ordem dos trabalhadores sem vontade própria, dos estudantes submissos, dos mais velhos ou totalmente intimidados até à lealdade ou totalmente doutrinados e treinados nessa lealdade,” enquanto a esquerda “tem sido o lado da política e da economia que se opõe à concentração de poder e riqueza e, pelo contrário, defende e trabalha no sentido de distribuição do poder pelo número máximo de mãos.”
Benjamin Tucker (1854-1939) was the editor of Liberty, the leading publication of American individualist anarchism. As a Mutualist, Tucker rigorously embraced free markets and voluntary exchange void of all government privilege and regulation. Indeed, he called himself a “consistent Manchester man,” a reference to the economic philosophy of the English free-traders Richard Cobden and John Bright. Tucker disdained defenders of the American status quo who, while favoring free competition among workers for jobs, supported capitalist suppression of competition among employers through government’s “four monopolies”: land, the tariff, patents, and money.
Benjamin Tucker (1854-1939) foi editor de Liberty, a principal publicação do anarquismo individualista estadunidense. Como mutualista, Tucker defendia rigorosamente livres mercados e intercâmbio voluntário isentos de todo privilégio e regulamentação do governo. Na verdade, ele se intitulava “homem de Manchester coerente,” uma referência à filosofia econômica dos livres-mercadistas ingleses Richard Cobden e John Bright. Tucker desdenhava dos defensores do statu quo estadunidense os quais, ao mesmo tempo em que favoráveis à livre competição entre trabalhadores em busca de emprego, apoiavam a supressão capitalista de competição entre os empregadores por meio dos “quatro monopólios” do governo: terra, tarifa, patentes, e dinheiro.
“What causes the inequitable distribution of wealth?” Tucker asked in 1892. “It is not competition, but monopoly, that deprives labor of its product. … Destroy the banking monopoly, establish freedom in finance, and down will go interest on money through the beneficent influence of competition. Capital will be set free, business will flourish, new enterprises will start, labor will be in demand, and gradually the wages of labor will rise to a level with its product.”
“O que causa a distribuição iníqua da riqueza?” perguntava Tucker em 1892. “Não é a competição, e sim o monopólio, que priva o trabalhador de seu produto. … Destruam o monopólio bancário, estabeleçam liberdade na finança, e cairão os juros sobre o dinheiro por meio da benéfica influência da competição. O capital será libertado, os negócios florescerão, novas empresas começarão, haverá demanda por trabalho, e gradualmente a remuneração do trabalho ascenderá ao nível de seu produto.”
The Rothbardians and Mutualists have some disagreements over land ownership and theories of value, but their intellectual cross-pollination has brought the groups closer philosophically. What unites them, and distinguishes them from other market libertarians, is their embrace of traditional left-wing concerns, including the consequences of plutocratic corporate power for workers and other vulnerable groups. But left-libertarians differ from other leftists in identifying the culprit as the historical partnership between government and business—whether called the corporate state, state capitalism, or just plain capitalism—and in seeing the solution in radical laissez faire, the total separation of economy and state.
Os rothbardianos e mutualistas têm alguns desacordos acerca de posse da terra e teorias do valor, mas sua polinização cruzada intelectual trouxe os dois grupos um para mais perto do outro filosoficamente. O que os une, e os distingue de outros libertários de mercado, é sua adoção de preocupações de esquerda, inclusive as consequências do poder corporativo plutocrático para os trabalhadores e outros grupos vulneráveis. Contudo, os libertários de esquerda diferem de outros esquerdistas ao identificarem o culpado como sendo a parceria histórica entre governo e empresas — seja ela chamada de estado corporativo, capitalismo de estado, ou simplesmente de capitalismo — e ao verem a solução no laissez faire radical, na separação total entre economia e estado.
Thus behind the political-economic philosophy is a view of history that separates left-libertarians from both ordinary leftists and ordinary libertarians. The common varieties of both philosophies agree that essentially free markets reigned in England from the time of the Industrial Revolution, though they evaluate the outcome very differently. But left-libertarians are revisionists, insisting that the era of near laissez faire is a myth. Rather than a radical freeing of economic affairs, England saw the ruling elite rig the social system on behalf of propertied class interests. (Class analysis originated with French free-market economists predating Marx.)
Assim, pois, por trás da filosofia econômica-política há uma visão da história que separa os libertários de esquerda tanto dos esquerdistas comuns quanto dos libertários comuns. As variedades comuns de ambas essas filosofias entendem que mercados essencialmente livres tiveram lugar na Inglaterra desde o tempo da Revolução Industrial, embora avaliem o resultado de maneira muito diferente. Os libertários de esquerda, porém, são revisionistas, insistindo em que a era de quase laissez faire é um mito. Em vez de radical libertação das atividades econômicas, a Inglaterra viu a elite dominante viciar o sistema social em benefício dos interesses da classe dententora de propriedades. (A análise de classes originou-se com economistas franceses do livre mercado anteriores a Marx.)
Through enclosure, peasants were dispossessed of land they and their kin had worked for generations and were forcibly turned into rent-paying tenants or wage-earners in the new factories with their rights to organize and even to move restricted by laws of settlement, poor laws, combination laws, and more. In the American colonies and early republic, the system was similarly rigged through land grants and speculation (for and by railroads, for example), voting restrictions, tariffs, patents, and control of money and banking.
Por meio do cerco, camponeses foram destituídos da terra que eles e seus familiares haviam trabalhado por gerações e foram transformados pela força em arrendatários pagadores de aluguel ou assalariados nas novas fábricas, com seus direitos de organizarem-se e até de se mudarem restringidos por leis de assentamento, leis dos pobres, e outras. Nas colônias estadunidenses e no início da república, o sistema foi similarmente viciado por meio de doações de terra e especulação (para e por ferrovias, por exemplo), restrições ao voto, tarifas, patentes, e controle do dinheiro e da atividade bancária.
In other words, the twilight of feudalism and the dawn of capitalism did not find everyone poised at the starting line as equals—far from it. As the pro-market sociologist Franz Oppenheimer, who developed the conquest theory of the state, wrote in his book The State, it was not superior talent, ambition, thrift, or even luck that separated the property-holding minority from the propertyless proletarian majority—but legal plunder, to borrow Bastiat’s famous phrase.
Em outras palavras, o crepúsculo do feudalismo e a alvorada do capitalismo não encontraram todo mundo postado na linha de largada em condições de igualdade — longe disso. Como o sociólogo pró-mercado Franz Oppenheimer, que desenvolveu a teoria da conquista do estado, escreveu em seu livro O Estado, não foram talento superior, ambição, poupança, e nem mesmo sorte que separaram a minoria detentora de propriedades da maioria proletária sem propriedade — e sim a pilhagem legal, para tomar de empréstimo a famosa expressão de Bastiat.
Here is something Marx got right. Indeed, Kevin Carson seconds Marx’s “eloquent passage”: “these new freedmen became sellers of themselves only after they had been robbed of all their own means of production, and of all the guarantees afforded by the old feudal arrangements. And the history of this, their expropriation, is written in the annals of mankind in letters of blood and fire.”
Eis aqui algo que Marx entendeu corretamente. Na verdade, Kevin Carson endossa a “passagem eloquente” de Marx: “esses novos homens livres só se tornaram vendedores de si próprios depois de terem sido roubados de todos os seus meios próprios de produção, e de todas as garantias aportadas pelos antigos acordos feudais. E a história disso, de sua expropriação, está escrita nos anais do gênero humano em letras de sangue e fogo.”
This system of privilege and exploitation has had long-distorting effects that continue to afflict most people to this day, while benefiting the ruling elite; Carson calls it “the subsidy of history.” This is not to deny that living standards have generally risen in market-oriented mixed economies but rather to point out that living standards for average workers would be even higher—not to mention less debt-based—and wealth disparities less pronounced in a freed market.
Esse sistema de privilégio e exploração tem tido efeitos de duradoura distorção que continuam a afligir a maior parte das pessoas até hoje, enquanto beneficia a elite dominante; Carson chama isso de “o subsídio da história.” Isso não significa negar que os padrões de vida têm de modo geral aumentado em economias mistas orientadas para o mercado, e sim enfatizar que os padrões de vida para os trabalhadores médios seriam ainda mais altos — para não mencionar menos baseados em dívidas — e as disparidades de riqueza menos pronunciadas num mercado emancipado.
The “free-market anti-capitalism” of left-libertarianism is no contradiction, nor is it a recent development. It permeated Tucker’s Liberty, and the identification of worker exploitation harked back at least to Thomas Hodgskin (1787-1869), a free-market radical who was one of the first to apply the term “capitalist” disparagingly to the beneficiaries of government favors bestowed on capital at the expense of labor. In the 19th and early 20th centuries, “socialism” did not exclusively mean collective or government ownership of the means or production but was an umbrella term for anyone who believed labor was cheated out of its natural product under historical capitalism.
O “anticapitalismo de livre mercado” do libertarismo de esquerda não é uma contradição, nem desdobramento recente. Ele permeava a Liberdade de Tucker, e a identificação da exploração dos trabalhadores remonta a pelo menos Thomas Hodgskin (1787-1869), radical de livre mercado que foi um dos primeiros a aplicar o termo “capitalista” depreciativamente aos favores concedidos pelo governo ao capital a expensas do trabalho. Nos séculos 19 e início do 20 “socialismo” não significava exclusivamente propriedade coletiva ou pelo governo dos meios de produção, e sim era termo abrangente, para qualquer pessoa que acreditasse que o trabalho tinha seu produto natural ilegitimamente subtraído pelo capitalismo histórico.
Tucker sometimes called himself a socialist, but he denounced Marx as the representative of “the principle of authority which we live to combat.” He thought Proudhon the superior theorist and the real champion of freedom. “Marx would nationalize the productive and distributive forces; Proudhon would individualize and associate them.”
Por vezes Tucker referia-se a si próprio como socialista, mas denunciava Marx como representante do “princípio da autoridade, que combatemos de alto a baixo.” Ele considerava  Proudhon o teórico superior e real campeão da liberdade. “Marx nacionalizaria as forças produtivas e distributivas; Proudhon as individualizaria e associaria.”
The term capitalism certainly suggests that capital is to be privileged over labor. As left-libertarian author Gary Chartier of La Sierra University writes, “[I]t makes sense for [left-libertarians] to name what they oppose ‘capitalism.’ Doing so … ensures that advocates of freedom aren’t confused with people who use market rhetoric to prop up an unjust status quo, and expresses solidarity between defenders of freed markets and workers—as well as ordinary people around the world who use ‘capitalism’ as a short-hand label for the world-system that constrains their freedom and stunts their lives.”
O termo capitalista sugere que o capital deve ser privilegiado acima do trabalho. Como o autor libertário de esquerda Gary Chartier, da Universidade La Sierra, escreve, “[F]az sentido para [os libertários de esquerda] dar àquilo a que eles se opõem o nome ‘capitalismo.’ Fazer isso … assegura que os defensores da liberdade não sejam confundidos com pessoas que usam a retórica do mercado para dar sustentação a um injusto statu quo, e expressa solidariedade entre os defensores dos livres mercados e os trabalhadores — do mesmo modo que as pessoas comuns ao redor do mundo usam ‘capitalismo’ como rótulo abreviado do sistema mundial que restringue sua liberdade e estiola suas vidas.”
In contrast to nonleft-libertarians, who seem uninterested in, if not hostile to, labor concerns per se, left-libertarians naturally sympathize with workers’ efforts to improve their conditions. (Bastiat, like Tucker, supported worker associations.) However, there is little affinity for government-certified bureaucratic unions, which represent little more than a corporatist suppression of the pre-New Deal spontaneous and self-directed labor/mutual-aid movement, with its “unauthorized” sympathy strikes and boycotts. Before the New Deal Wagner Act, big business leaders like GE’s Gerard Swope had long supported labor legislation for this reason.
Em contraste com os libertários não esquerdistas, que parecem não se interessar pelas, isso quando não são hostis às, preocupações com o trabalho enquanto tais, os libertários de esquerda naturalmente simpatizam com os esforços dos trabalhadores para melhorarem suas condições. (Bastiat, do mesmo modo que Tucker, apoiava associações de trabalhadores.) Entretanto, há pouca afinidade com sindicatos burocráticos certificados pelo governo, que representam pouco mais do que supressão corporatista do movimento  espontâneo e autodigirido/de ajuda mútua anterior ao Novo Pacto, com sua simpatia “não autorizada” por greves e boicotes. Antes da Lei Wagner do Novo Pacto, grandes líderes de negócios, como Gerard Swope, da GE, já por muito tempo haviam apoiado legislação trabalhista por esse motivo.
Moreover, left-libertarians tend to harbor a bias against wage employment and the often authoritarian corporate hierarchy to which it is subject. Workers today are handicapped by an array of regulations, taxes, intellectual-property laws, and business subsidies that on net impede entry to potential alternative employers and self-employment. As well, periodic economic crises set off by government borrowing and Federal Reserve management of money and banking threaten workers with unemployment, putting them further at the mercy of bosses.
Ademais, os libertários de esquerda tendem a abrigar viés contra emprego assalariado e a amiúde autoritária hierarquia corporativa à qual aquele está sujeito. Os trabalhadores, hoje, são prejudicados por um séquito de normas, impostos, leis de propriedade intelectual e subsídios às empresas que, em conjunto, tolhem a entrada no mercado de empregadores alternativos em potencial e a atividade de emprego autônomo. Bem assim, crises econômicas periódicas deflagradas por empréstimos contraídos pelo governo e pela gerência do dinheiro e da atividade bancária pela Reserva Federal ameaçam os trabalhadores com desemprego, colocando-os ainda mais à mercê dos chefes.
Competition-inhibiting cartelization diminishes workers’ bargaining power, enabling employers to deprive them of a portion of the income they would receive in a freed and fully competitive economy, where employers would have to compete for workers—rather than vice versa—and self-employment free of licensing requirements would offer an escape from wage employment altogether. Of course, self-employment has its risks and wouldn’t be for everyone, but it would be more attractive to more people if government did not make the cost of living, and hence the cost of decent subsistence, artificially high in myriad ways—from building codes and land-use restrictions to product standards, highway subsidies, and government-managed medicine.
A cartelização inibidora da competição diminui o poder de barganha dos trabalhadores, permitindo que os empregadores os privem de uma porção da renda que eles receberiam numa economia libertada e plenamente competitiva, onde os empregadores teriam de competir por trabalhadores — em vez do contrário — e o emprego autônomo livre de exigências de licenciamentos ofereceria, de modo geral, escape em relação ao emprego assalariado. Obviamente, a atividade autônoma tem seus riscos e não seria para todos, mas seria mais atraente para mais pessoas se o governo não tornasse o custo de vida, e portanto o custo de sobrevivência decente, artificialmente alto de mil maneiras diferentes — desde códigos de construção e restrições ao uso da terra a padrões de produtos, subsídios a rodovias, e medicina gerida pelo governo.
In a freed market left-libertarians expect to see less wage employment and more worker-owned enterprises, co-ops, partnerships, and single proprietorships. The low-cost desktop revolution, Internet, and inexpensive machine tools make this more feasible than ever. There would be no socialization of costs through transportation subsidies to favor nationwide over regional and local commerce. A spirit of independence can be expected to prompt a move toward these alternatives for the simple reason that employment to some extent entails subjecting oneself to someone else’s arbitrary will and the chance of abrupt dismissal. Because of the competition from self-employment, what wage employment remained would most likely take place in less-hierarchical, more-humane firms that, lacking political favors, could not socialize diseconomies of scale as large corporations do today.
Num mercado libertado os libertários de esquerda esperam ver menos emprego assalariado e mais empresas de propriedade dos trabalhadores, cooperativas, parcerias, e propriedades individuais. A revolução do baixo custo do desktop, da Internet e das máquinas operatrizes não dispendiosas torna isso mais viável do que nunca. Não haveria socialização de custos por meio de subsídios ao transporte para favorecer o comércio nacional em vez do regional e local. Pode ser esperado espírito de independência que dê início a movimento rumo a essas alternativas pelo simples motivo de que o emprego, até certo ponto, implica sujeitar a pessoa à vontade arbitrária de outrem, e à probabilidade de dispensa abrupta. Por causa da competição do emprego autônomo, o emprego assalariado que remanecesse mais provavelmente teria lugar em empresas menos hierárquicas, mais humanas que, sem gozar de favores políticos, não poderiam socializar deseconomias de escala tão grandes quanto as grandes corporações de nossos dias.
Left-libertarians, drawing on the work of New Left historians, also dissent from the conservative and standard libertarian view that the economic regulations of the Progressive Era and New Deal were imposed by social democrats on an unwilling freedom-loving business community. On the contrary, as Gabriel Kolko and others have shown, the corporate elite—the House of Morgan, for example—turned to government intervention when it realized in the waning 19th century that competition was too unruly to guarantee market share.
Os libertários de esquerda, abeberando-se da obra dos historiadores da Nova Esquerda, também discrepam do ponto de vista conservador e libertário comum de que as regulamentações econômicas da Era Progressista e do Novo Pacto foram impostas pelos social-democratas goela abaixo a uma comunidade de negócios amante da liberdade. Pelo contrário, como Gabriel Kolko e outros mostraram, a elite corporativa — a Casa de Morgan, por exemplo — voltou-se para intervenção do governo ao perceber, no final do século 19, que a competição era forte demais para assegurar-lhe fatia de mercado.
Thus left-libertarians see post-Civil War America not as a golden era of laissez faire but rather as a largely corrupt business-ruled outgrowth of the war, which featured the usual military contracting and speculation in government-securities. As in all wars, government gained power and well-connected businessmen gained taxpayer-financed fortunes and hence unfair advantage in the allegedly free market of the Gilded Age. “War is the health of the state,” leftist intellectual Randolph Bourne wrote. Civil war too.
Assim, pois, os libertários de esquerda veem os Estados Unidos posteriores à Guerra Civil não como era dourada de laissez faire, e sim como rebento altamente corrupto da guerra dominado pelas empresas, caracterizado pela usual contratação militar e pela especulação com títulos do governo. Como em todas as guerras, o governo ganhou poder, e homens de negócios com boas conexões ganharam fortunas financiadas pelos contribuintes e portanto vantagem injusta no alegadamente livre mercado da Era Dourada.  “A guerra é a saúde do estado,” escreveu o intelectual esquerdista Randolph Bourne. A guerra civil também.
These conflicting historical views are well illustrated in the writings of the pro-capitalist novelist Ayn Rand (1905-1982) and Roy A. Childs Jr. (1949-1992), a libertarian writer-editor with definite leftist leanings. In the 1960s Rand wrote an essay with the self-explanatory title “America’s Persecuted Minority: Big Business,” which Childs answered with “Big Business and the Rise of American Statism.” “To a large degree it has been and remains big businessmen who are the fountainheads of American statism,” Childs wrote.
Esses pontos de vista históricos conflitantes são bem ilustrados nos escritos da novelista pró-capitalista Ayn Rand (1905-1982) e de Roy A. Childs Jr. (1949-1992), escritor-editor libertário com definida inclinação esquerdista. Nos anos 1960 Rand escreveu um ensaio com o título autoexplicativo de “A Minoria Perseguida dos Estados Unidos: as Grandes Empresas,” ao qual Childs respondeu com “as Grandes Empresas e a Ascensão do Estatismo Estadunidense.” “Em grande medida foram e continuam sendo os grandes homens de negócios as fontes do estatismo estadunidense,” escreveu Childs.
One way to view the separation of left-libertarians from other market libertarians is this: the others look at the American economy and see an essentially free market coated with a thin layer of Progressive and New Deal intervention that need only to be scraped away to restore liberty. Left-libertarians see an economy that is corporatist to its core, although with limited competitive free enterprise. The programs constituting the welfare state are regarded as secondary and ameliorative, that is, intended to avert potentially dangerous social discontent by succoring—and controlling—the people harmed by the system.
Uma das maneiras de ver a distinção entre os libertários de esquerda e outros libertários de mercado é a seguinte: os outros olham a economia estadunidense e veem um mercado essencialmente livre recoberto por fina camada de intervenção Progressista e do Novo Pacto que só precisa ser raspada para que a liberdade seja restaurada. Os libertários de esquerda veem uma economia corporatista até o cerne, embora com limitada livre empresa competitiva. Os programas que constituem o estado assistencialista são vistos como secundários e remediadores, isto é, visantes a evitar descontentamento social potencialmente perigoso mediante dar assistência às — e controlar as — pessoas prejudicadas pelo sistema.
Left-libertarians clash with regular libertarians most frequently when the latter display what Carson calls “vulgar libertarianism” and what Roderick Long calls “Right-conflationism.” This consists of judging American business in today’s statist environment as though it were taking place in the freed market. Thus while nonleft-libertarians theoretically recognize that big business enjoys monopolistic privileges, they also defend corporations when they come under attack from the left on grounds that if they were not serving consumers, the competitive market would punish them. “Vulgar libertarian apologists for capitalism use the term ‘free market’ in an equivocal sense,” Carson writes, “[T]hey seem to have trouble remembering, from one moment to the next, whether they’re defending actually existing capitalism or free market principles.”
Os libertários de esquerda colidem com os libertários convencionais mais frequentemente quando esses últimos exibem o que Carson chama de “libertarismo vulgar” e o que Roderick Long chama de “equivalentismo de Direita.” Essa atitude consiste em julgar os negócios estadunidenses no ambiente estatista de nossos dias como se estivessem tendo lugar num mercado emancipado. Assim, embora os libertários não esquerdistas teoricamente reconheçam que as grandes empresas gozam de privilégios de monopólio, também defendem as corporações quando elas ficam sob ataque da esquerda, argumentando que se elas não estivessem servindo aos consumidores, o mercado competitivo as puniria. “Os libertários vulgares apologistas do capitalismo usam a expressão ‘livre mercado’ em sentido equívoco,” escreve Carson, “[E]les parecem ter dificuldade em lembrar, de um momento para o seguinte, se estão defendendo o capitalismo realmente existente ou princípios de livre mercado.”
Signs of Right-conflationism can be seen in the common mainstream libertarian defensiveness at leftist criticism of income inequality, America’s corporate structure, high oil prices, or the healthcare system. If there’s no free market, why be defensive? You can usually make a nonleft-libertarian mad by comparing Western Europe favorably with the United States.  To this, Carson writes, “[I]f you call yourself a libertarian, don’t try to kid anybody that the American system is less statist than the German one just because more of the welfare queens wear three-piece suits… . [I]f we’re choosing between equal levels of statism, of course I’ll take the one that weighs less heavily on my own neck.”
Sinais de equivalentismo de Direita podem ser vistos na defensividade dos libertários convencionais comuns diante da crítica esquerdista de desigualdade de renda, estrutura corporativa dos Estados Unidos, altos preços do petróleo, ou sistema de saúde. Se não há livre mercado, por que ser defensivo? Geralmente você pode deixar um libertário não esquerdista louco ao comparar a Europa Ocidental favoravelmente em relação aos Estados Unidos. Quanto a isso, Carson escreve: “[S]e você se denomina libertário, não tente enganar ninguém dizendo que o sistema estadunidense é menos estatista do que o alemão só porque mais aproveitadores de assistencialismo excessivo vestem terno com colete... . [S]e estivermos escolhendo entre níveis iguais de estatismo, obviamente ficarei com aquele que pese menos no meu pescoço.”
True to their heritage, left-libertarians champion other historically oppressed groups: the poor, women, people of color, gays, and immigrants, documented or not. Left-libertarians see the poor not as lazy opportunists but rather as victims of the state’s myriad barriers to self-help, mutual aid, and decent education. Left-libertarians of course oppose government oppression of women and minorities, but they wish to combat nonviolent forms of social oppression such as racism and sexism as well. Since these are not carried out by force, the measures used to oppose them also may not entail force or the state. Thus, sex and racial discrimination are to be fought through boycotts, publicity, and demonstrations, not violence or antidiscrimination laws. For left-libertarians, southern lunch-counter racism was better battled through peaceful sit-ins than with legislation in Washington, which merely ratified what direct action had been accomplishing without help from the white elite.
Fiéis a sua herança, os libertários de esquerda lutam em favor de outros grupos oprimidos: os pobres, as mulheres, pessoas de cor, gays, e imigrantes, documentados ou não. Os libertários de esquerda veem os pobres não como oportunistas preguiçosos, e sim como vítimas das miríades de barreiras do estado à ajuda autônoma, ajuda mútua, e educação decente. Os libertários de esquerda naturalmente opõem-se à opressão das mulheres e das minorias pelo governo, mas desejam também combater formas não violentas de opressão social tais como racismo e sexismo. Visto essas não serem levadas a efeito pela força, as medidas usadas para oposição a elas também não podem implicar força ou o estado. Assim, pois, discriminação sexual e racial devem ser combatidas por meio de boicotes, publicidade e manifestações, não violência ou leis antidiscriminação. Para os libertários de esquerda, o racismo sulista de balcão de lanchonete foi melhor combatido por meio de as pessoas sentarem-se pacificamente do que com legislação de Washington, que meramente ratificou o que a ação direta vinha conseguindo sem ajuda da elite branca.
Why do left-libertarians qua libertarians care about nonviolent, nonstate oppression? Because libertarianism is premised on the dignity and self-ownership of the individual, which sexism and racism deny. Thus all forms of collectivist hierarchy undermine the libertarian attitude and hence the prospects for a free society.
Por que os libertários de esquerda qua libertários se preocupam com opressão não violenta e não estatal? Porque o libertarismo tem como premissa a dignidade e a posse, por si próprio, do indivíduo, que sexismo e racismo negam. Portanto, todas as formas de hierarquia coletivista solapam a atitude libertária e portanto as perspectivas de uma sociedade livre.
In a word, left-libertarians favor equality. Not material equality—that can’t be had without oppression and the stifling of initiative. Not mere equality under the law—for the law might be oppressive. And not just equal freedom—for an equal amount of a little freedom is intolerable. They favor what Roderick Long, drawing on John Locke, calls equality in authority: “Lockean equality involves not merely equality before legislators, judges, and police, but, far more crucially, equality with legislators, judges, and police.”
Numa palavra, os libertários de esquerda são a favor da igualdade. Não igualdade material — que não pode ser conseguida sem opressão e sufocamento da iniciativa. Não mera igualdade sob a lei — pois a lei pode ser opressora. E não apenas igual liberdade — pois quantidade igual de pouca liberdade é intolerável. Eles são a favor do que Roderick Long, recorrendo a John Locke, chama de igualdade de autoridade: “A igualdade lockeana envolve não apenas igualdade perante legisladores, juízes e polícia mas, muito mais crucialmente, igualdade com legisladores, juízes, e polícia.”
Finally, like most ordinary libertarians, left-libertarians adamantly oppose war and the American empire. They embrace an essentially economic analysis of imperialism: privileged firms seek access to resources, foreign markets for surplus goods, and ways to impose intellectual-property laws on emerging industrial societies to keep foreign manufacturers from driving down prices through competition. (This is not to say there aren’t additional, political factors behind the drive for empire.)
Finalnmente, como a maioria dos libertários comuns, os libertários de esquerda opõem-se inflexivelmente à guerra e ao império estadunidense. Eles adotam uma análise essencialmente econômica do imperialismo: empresas privilegiadas buscam acesso a recursos, a mercados externos em busca de lucros, e a maneiras de impor leis de propriedade intelectual a sociedades industriais emergentes para impedir que fabricantes externos reduzam os preços graças a competição. (Isso não é dizer não haver fatores políticos adicionais por trás do ímpeto em busca de império.)
These days left-libertarians feel vindicated. American foreign policy has embroiled the country in endless overt and covert wars, with their high cost in blood and treasure, in the resource-rich Middle East and Central Asia—with torture, indefinite detention, and surveillance among other assaults on domestic civil liberties thrown in for good measure. Meanwhile, the historical Washington-Wall Street alliance—in which recklessness with other people’s money, fostered by guarantees, bailouts, and Federal Reserve liquidity masquerades as deregulation—has brought yet another financial crisis with its heavy toll for average Americans, additional job insecurity, and magnified Wall Street influence.
Nos dias de hoje os libertários de esquerda veem sua posição reconhecida. A política externa estadunidense atolou o país em infindáveis guerras abertas e secretas, com seu alto custo em sangue e tesouro, no Oriente Médio e na Ásia Central ricos de recursos — com tortura, detenção por tempo indefinido e escutas, entre mais outras agressões a liberdades civis. Enquanto isso, a histórica aliança Washington-Wall Street — na qual a irresponsabilidade com o dinheiro das outras pessoas, promovida por meio de garantias, socorros financeiros e simulacros de liquidez da Reserva Federal apresentados como desregulamentação — levou a mais uma crise financeira com seu pesado tributo sobre o estadunidense médio, com mais insegurança no emprego e potencialização da influência de Wall Street.
Such nefariousness can only hasten the day when people discover the left-libertarian alternative. Is that expectation realistic? Perhaps. Many Americans sense that something is deeply wrong with their country. They feel their lives are controlled by large government and corporate bureaucracies that consume their wealth and treat them like subjects. Yet they have little taste for European-style social democracy, much less full-blown state socialism. Left-libertarianism may be what they’re looking for. As the Mutualist Carson writes, “Because of our fondness for free markets, mutualists sometimes fall afoul of those who have an aesthetic affinity for collectivism, or those for whom ‘petty bourgeois’ is a swear word. But it is our petty bourgeois tendencies that put us in the mainstream of the American populist/radical tradition, and make us relevant to the needs of average working Americans.”
Tal nocividade só pode apressar o dia quando as pessoas descubram a alternativa libertária de esquerda. É essa expectativa realista? Talvez. Muitos estadunidenses sentem que algo está profundamente errado com seu país. Sentem que suas vidas são controladas por grandes burocracias do governo e corporativas que consomem seu patrimônio e os tratam como súditos. No entanto, não lhes agrada a social-democracia de estilo europeu, muito menos o socialismo de estado pleno. O libertarismo de esquerda poderá ser o que eles estão buscando. Como escreve o mutualista Carson, “Por causa de nossa afeição por livres mercados, os mutualistas por vezes conflitam com aqueles que têm afinidade estética com o coletivismo, ou com aqueles para os quais ‘pequeno-burguês’ é palavrão. São porém nossas tendências pequeno-burguesas que nos colocam na corrente majoritária da tradição populista/radical estadunidense, e nos tornam relevantes para as necessidades dos trabalhadores médios estadunidenses.”
Carson believes ordinary citizens are coming to “distrust the bureaucratic organizations that control their communities and working lives, and want more control over the decisions that affect them. They are open to the possibility of decentralist, bottom-up alternatives to the present system.” Let’s hope he’s right.
Carson acredita que os cidadãos comuns estão começando a “descrer das organizações burocráticas que controlam suas comunidades e vidas de trabalho, e desejam mais controle sobre as decisões que os afetam. Estão abertos à possibilidade de alternativas descentralistas, de baixo para cima, ao sistema presente.” Esperemos que ele esteja certo.
Sheldon Richman blogs at Free Association.
Sheldon Richman bloga em Livre Associação.

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