Thursday, January 17, 2013

Americas South and North - On New Forms of Feminism and Ongoing Prejudices in Brazil


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Americas South And North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic
Olhar Lançado a História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico
On New Forms of Feminism and Ongoing Prejudices in Brazil
Acerca de Novas Formas de Feminismo e de Persistência de Preconceitos no Brasil
January 16, 2013
16 de janeiro de 2013
I previously wrote about the political meanings and potential of street painting in Brazil, but in addition to providing a means for popular artistic expression, some are using street art to express another political vision in Brazil: feminism.
Já escrevi, antes, acerca dos significados políticos e do potencial da pintura de rua no Brasil, mas além de ela proporcionar meio para expressão artística popular, algumas pessoas estão usando arte de rua para expressar outra visão política no Brasil: feminismo.
Anarkia Boladona has turned the streets of Brazil into billboards against domestic violence. As a self-titled feminist political graffiti artist, she represents a new trend in women’s rights that seeks less academic and more daring and popular avenues of expression.
Anarkia Boladona transformou as ruas do Brasil em cartazes contra a violência doméstica. Como autointitulada artista de grafite político feminista, ela representa nova tendência em direitos das mulheres, que busca formas de expressão menos acadêmicas e mais ousadas.
As the interview begins, Boladona, born Panmela Castro, is painting a mural in front of a municipal school in a Rio de Janeiro suburb, along with other young people. [...]
Ao começar a entrevista, Boladona, nascida Panmela Castro, está pintando um mural em frente a uma escola municipal num subúrbio do Rio de Janeiro, juntamente com outras pessoas jovens. [...]
Anarkia Boladona has turned the streets of Brazil into billboards against domestic violence. As a self-titled feminist political graffiti artist, she represents a new trend in women’s rights that seeks less academic and more daring and popular avenues of expression.
Anarkia Boladona transformou as ruas do Brasil em cartazes contra a violência doméstica. Como autointitulada artista de grafite político feminista, ela representa nova tendência em direitos das mulheres, que busca formas de expressão menos acadêmicas e mais ousadas. [Mantive a repetição do parágrafo no original, N.doT.]
The graffitist chose to “work” with her art, with the walls as her instrument. She uses them to portray the tragedies suffered by millions of women. Sometimes graffiti begins with a theatrical play. [...]
A grafiteira optou por “trabalhar” com sua arte, tendo muros como instrumentos. Ela os usa para retratar as tragédias sofridas por milhões de mulheres. Por vezes o grafite começa com uma peça teatral. [...]
The mural that she is doing is against violence toward women. A telephone number indicates where to turn for help.
O mural que ela está fazendo é contra violência infligida às mulheres. Um número de telefone indica onde buscar ajuda.
The issue of equal rights for women, not just politically but socially and culturally as well, is part of the new struggle of what the article calls Brazil’s “new feminism.” Certainly, there had been previous generations that worked towards equality: Bertha Lutz played a key role in fighting for women’s suffrage in the first part of the 20th century, during a period when the government also increased the punishments for “crimes of passion” that men committed; a new generation of feminists began to organize in the final years of the military dictatorship, pushing for greater civil equality as Brazil prepared to write its new constitution in 1988; and in 2006, Brazil finally passed the “Maria da Penha” law that increased penalties for domestic abuse (named after a woman whose husband shot her in 1983 while she slept, leaving her paralyzed, and then tried to electrocute her two years later; he remained free for 2 decades while the case made its way through Brazil’s infamously-slow legal system).
A questão dos direitos iguais para mulheres, não apenas política, mas também social e culturalmente, é parte da nova luta do que o artigo chama de “novo feminismo” brasileiro. Certamente, já houve gerações anteriores que lutaram por igualdade: Bertha Lutz desempenhou papel decisivo na luta pelo sufrágio feminino na primeira parte do século 20, num período em que o governo também aumentou as punições para “crimes de paixão” que os homens cometiam; uma nova geração de feministas começou a se organizar nos anos finais da ditadura militar, pressionando no sentido de maior igualdade civil enquanto o Brasil se preparava para redigir sua nova constituição de 1988 e, em 2006, o Brasil finalmente aprovou a lei “Maria da Penha” que aumentou as punições para abuso doméstico (do nome de mulher cujo marido atirou nela em 1983 enquanto ela dormia, deixando-a paralisada, e dois anos depois tentou eletrocutá-la; ele continuou livre por 2 décadas enquanto o processo corria pelo sistema legal brasileiro, de lentidão de triste fama).
While legal and political equality have improved through these struggles, this new wave of feminism in Brazil pushes for equality beyond political realms, arguing that real equality has to address real lived social and cultural experiences. Thus, it is not enough for women to have the right to vote; they should be able to use their bodies and minds as they wish, without restrictions from patriarchal norms; they should be equally respected for their cultural and social contributions; the abuse and denigration, physical or verbal, of women in society should be abolished. While generalized, these goals of this new generation of feminists like Boladona does point to a subtle-but-significant shift in how women are mobilizing for equality in Brazilian society.
Embora igualdade legal e política tenham melhorado no decurso dessas lutas, a nova onda de feminismo luta por igualdade além do terreno político, argumentando que a igualdade real tem de estar voltada para experiências reais vividas social e culturalmente. Portanto, não é bastante as mulheres terem o direito de votar; elas devem poder usar seus corpos e mentes como desejarem, sem restrições oriundas de normas patriarcais; elas deveriam ser igualmente respeitadas por suas contribuições sociais e culturais; deveriam ser abolidos, na sociedade, o abuso e a difamação, fisicos ou verbais, das mulheres. Embora generalizados, esses objetivos dessa nova geração de feministas como Boladona apontam para mudança sutil mas importante em como as mulheres estão-se mobilizando por igualdade na sociedade brasileira.
Of course, in addition to dealing with the struggles women continue to face in Brazil, the article also ends up tapping into the latent classism and prejudice against those associated with the streets:
Obviamente, além de tratar das lutas que as mulheres continuam a enfrentar no Brasil, o artigo também acaba tocando no latente classismo e preconceito contra as pessoas associadas à rua:
Silvana Coelho, 23, is involved in the mural. In an atmosphere considered revolutionary like that of the “pichadores”, she knew this to be a cultural struggle.
Silvana Coelho, 23, está envolvida no mural. Numa atmosfera considerada revolucionária como é a dos “pichadores”, ela sabia que isso seria uma luta cultural.
“It’s a man’s world. I suffered a lot of harassment from the artists themselves. Sometimes they called me to paint, with ulterior motives. But I got angry and told them: ‘I am an artist of the street, I’m not any one of those street women, I’m here to do my art,’” she tells IPS.
“Este é um mundo dos homens. Sofri muito assédio dos próprios artistas. Algumas vezes eles me chamavam para pintar, com motivos ulteriores. Contudo, fiquei brava e disse a eles: ‘Sou uma artista de rua, não sou nenhuma dessas mulheres de rua, estou aqui para fazer minha arte,’” diz ao IPS.
Coelho’s statement is a complicated one. On the one hand, it works further towards pushing for the acceptance of street art as a “legitimate” art-form, and not a meaningless criminal activity (as arbitrarily defined by political and cultural elites). At the same time, the fact that she insists she’s an “artist” and not a “street woman” [i.e., homeless] sets up a clear dichotomy where her activity is justified because she’s not a member of the urban poor, in turn reinforcing the cultural and social prejudices against the urban poor in Brazil. It provides a powerful reminder that women are not the only group who continue to face inequalities and prejudice in Brazil, and that the inequalities facing the urban poor, including women, are also a real issue, even among some who claim to fight for equality in other arenas.
A declaração de Coelho é complicada. Por um lado, aumenta a pressão no sentido de aceitação da arte de rua como forma artística “legítima,” e não atividade criminosa sem propósito (como é arbitrariamente definida pelas elites políticas e culturais). Ao mesmo tempo, o fato de ela insistir em que é uma “artista” e não uma “mulher de rua” [isto é, sem teto] cria clara dicotomia na qual sua atividade é justificada pelo fato de ela não ser membro da classe dos pobres urbanos, o que por sua vez reforça os preconceitos culturais e sociais contra os pobres urbanos no Brasil. Isso nos proporciona poderoso lembrete de que as mulheres não são o único grupo que continua a enfrentar desigualdade e preconceito no Brasil, e que as desigualdades com que se defrontam os pobres urbanos, inclusive mulheres, são também problema real, mesmo entre aqueles que asseveram lutar por igualdade em outros setores.


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