Tuesday, January 1, 2013

Americas South and North - January 1, 1994: NAFTA Goes into Effect/The EZLN Emerges in Mexico



English
Português
Americas South And North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic
Olhar Lançado à História e às Questões da Terra do Fogo ao Ártico
On This Date in Latin America – January 1, 1994: NAFTA Goes into Effect/The EZLN Emerges in Mexico
Nesta Data na América Latina – 1º. De Janeiro de 1994: NAFTA Entra em Vigor/Surge o EZLN no México
January 1, 2013
1o. de janeiro de 2013
Colin M. Snider
Colin M. Snider
Nineteen years ago today, the neoliberal North American Free Trade Agreement went into effect, and in response, the Ejército Zapatista de Liberación Nacional  (Zapatista National Liberation Army; EZLN), a group of rural indigenous peoples and leftist intellectuals, rose up, using the internet and a global community of rights activists to object to the impact of neoliberalism on economically-marginalized peoples.
Nesta data, há dezenove anos, o neoliberal Acordo Norte-Americano de Livre Comércio entrou em vigor e, em reação, o Ejército Zapatista de Liberación Nacional  (Zapatista National Liberation Army; EZLN), grupo de povos indígenas rurais e de intelectuais esquerdistas, levantou-se, usando a internet e uma comunidade global de ativistas de direitos para objetar ao impacto do neoliberalismo sobre povos economicamente marginalizados.
Photo: Members of the EZLN in Mexico.
Foto: Membros do EZLN no México.
Though implemented during the Clinton administration, NAFTA had its roots in the first Bush administration. Changes in global banking networks, monetary policies, and the deregulation of financial institutions throughout the 1970s and 1980s had led to neoliberal policies becoming increasingly prevalent in the global economy by the end of the 1980s. Countries like the US and European nation-states increasingly turned to neoliberal policies, notably free trade agreements, while the International Monetary Fund and World Bank (which the US and Europe effectively controlled) pressured other countries throughout the world to adopt similar neoliberal measures. In this context, the United States, Canada, and Mexico entered into negotiations in the early-1990s to establish a free-trade agreement between the three countries (extending 1988′s Canada-US Free Trade Agreement) that would eliminate tariffs between the three countries.
Embora implementado durante a administração Clinton, o NAFTA teve suas raízes na primeira administração Bush. Mudanças em redes bancárias globais, políticas monetárias, e a desregulamentação das instituições financeiras ao longo dos anos 1970 e 1980 levaram as políticas neoliberais a tornarem-se cada vez mais prevalentes na economia global ao final dos anos 1980. Países como Estados Unidos e nações-estados europeias cada vez mais voltavam-se para políticas neoliberais, especialmente acordos de livre comércio, enquanto o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial (que os Estados Unidos e a Europa efetivamente controlavam) pressionavam outros países ao redor do mundo para que adotassem medidas neoliberais similares. Nesse contexto, Estados Unidos, Canadá e México entraram em negociação no início dos anos 1990 para estabelecer um acordo de livre comércio entre os três países (estendendo o Acordo de Livre Comércio Canadá-Estados Unidos de 1988) que eliminasse tarifas entre os três países.
In January 1993, as George H.W. Bush was preparing to exit office, he, Mexican president Carlos Salinas de Gortari, and Canadian prime minister Brian Mulroney agreed on the terms of what came to be known as the North American Free Trade Agreement (NAFTA). The three leaders had promoted the agreement,saying it would reduce illegal immigration, increase trade between the countries, create jobs, and lead to prosperity for all three countries. As it was a treaty, however, the agreement needed Congressional approval, something new president Bill Clinton pushed for and ultimately achieved in November 1993, though not without a fight: though the Senate approved the treaty 61-38, the vote in the House (234-200) was much closer. With Clinton signing the bill in December 1993, NAFTA went into effect on New Year’s Day, 1994.
Em janeiro de 1993, quando George H.W. Bush preparava-se para deixar o cargo, ele, o presidente mexicano Carlos Salinas de Gortari e o primeiro-ministro canadense Brian Mulroney concordaram quanto aos termos do que veio a ser conhecido como o Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA). Os três líderes haviam promovido o acordo dizendo que ele reduziria a imigração ilegal, aumentaria o comércio entre os países, criaria empregos e levaria a prosperidade para os três países. Como, porém, era um tratado, o acordo requeria aprovação do Congresso, algo pelo que o novo presidente Clinton pressionou e por fim conseguiu em novembro de 1993, embora não sem luta: embora o Senado tenha aprovado o tratado por 61 a 38, a votação na Câmara (234-200) foi muito mais apertada. Com Clinton assinando o projeto de lei em dezembro de 1993, o NAFTA passou a vigorar no dia do Ano Novo de 1994.
Photo - Carlos Salinas de Gortari, George H.W. Bush, and Brian Mulroney (standing, L-R) at the signing of the North American Free Trade Agreement.
Foto - Carlos Salinas de Gortari, George H.W. Bush e Brian Mulroney (de pé, esquerda-direita) na assinatura do Acordo Norte-Americano de Livre Comércio.
However, while the political elites of both Mexico and the US sang NAFTA’s praises, not all were eager to see the agreement go into effect. Coinciding with NAFTA’s official start, a group of indigenous peoples in the southern part of Mexico rose up in the last major Latin American guerrilla movement of the 20th century. Made up primarily of Maya indigenous peoples and drawing on the language of agrarian reform that they traced back to the struggles of Mexican Revolutionary Emiliano Zapata (1879-1919), a council of 24 Maya comandantes and one non-Maya known at the time only as Subcomandante Marcos demanded the repeal of NAFTA and greater rights for Mexico’s indigenous peoples and rural poor. Under this leadership, the EZLN effectively declared war on the Mexican government, hoping to spur revolution throughout the country. Hundreds of men, women, and children wearing masks launched attacks on army outposts in southern Mexico, capturing several towns, including the second-largest city in the state of Chiapas. Though they had early successes, Salinas de Gortari quickly sent troops, rocket-equipped aircraft, and helicopter gunships to the region to suppress the EZLN. By 12 January 1994, a tenuous cease-fire was agreed upon, though the EZLN did not disband, and fighting continued periodically throughout 1994, leaving at least 154 people dead, the majority of them Mayan peasants.
Entretanto, embora as elites políticas tanto do México quanto dos Estados Unidos cantassem loas ao NAFTA, nem todos estavam ansiosos para ver o acordo começar a viger. Coincidindo com o início oficial do NAFTA, um grupo de povos indígenas da parte sul do México levantou-se no último movimento guerrilheiro de grande porte da América Latina no século 20. Formado principalmente por povos indígenas maias e recorrendo à linguagem da reforma agrária que rastreavam às lutas do passado do revolucionário mexicano Emiliano Zapata (1879-1919), um conselho de 24 comandantes maias e um não-maia conhecido, à época, apenas como Subcomandante Marcos exigiram a rejeição do NAFTA e mais direitos para os povos indígenas e para os pobres rurais do México. Sob essa liderança, o EZLN efetivamente declarou guerra ao governo mexicano, esperando disseminar a revolução pelo país. Centenas de homens, mulheres e crianças usando máscaras lançaram ataques contra postos avançados do exército no sul do México, capturando diversas cidadezinhas, inclusive a segunda maior cidade do estado de Chiapas. Embora tivessem sucesso inicial, Salinas de Gortari rapidamente mandou tropas, aviões equipados com foguetes e helicópteros fortemente armados para a região para reprimir o EZLN. Em 12 de janeiro de 1994 houve precário acordo de cessar fogo, embora o EZLN não se tenha desfeito, e as lutas continuaram periodicamente durante 1994, deixando pelo menos 154 pessoas mortas, a maioria camponeses maias.
Photo - Subcomandante Marcos, one of the non-indigenous members of the EZLN, whose charisma and way with words made him a focal point of the Zapatista movement.
Foto - Subcomandante Marcos, um dos membros não indígenas do EZLN, cujo carisma e habilidade com palavras tornaram-no ponto focal do movimento zapatista.
However, the ceasefire did not mark the end of the EZLN’s efforts to counter the neoliberal policies that NAFTA embodied. While NAFTA remains in effect, the Zapatistas have drawn considerable attention to the impacts of NAFTA in particular and of neoliberal policies more generally on many of Mexico’s economically marginalized social groups.  Indeed, shifting from a guerrilla movement to a broader social movement, the EZLN has had a not-insignificant role in shaping policy and bringing attention to the causes of Mexico’s rural poor and indigenous groups. In 2001, a group of Zapatistas marched from Chiapas to Mexico City, where, led by Comandanta Esther, they spoke out in favor of indigenous rights legislation before Mexico’s congress, providing what Maylei Blackwell recently argued was a powerful counterpoint to the state’s own (gendered) language of indigenous groups in Mexico. In a mildly-ironic twist, the global reach of the internet has played no small part in the EZLN’s own efforts to call attention to the detrimental impacts of neoliberal globalization. Though the EZLN was not able to force the elimination of NAFTA or to prompt an uprising throughout all of Mexico, it continues to provide a powerful voice in opposition to neoliberalism in Mexico both in Mexican politics and, through its website and its activism, through transnational networks.
Sem embargo, o cessar-fogo não marcou o fim dos esforços do EZLN em opor-se às políticas neoliberais que o NAFTA encarnava. Embora o NAFTA continue em vigor, os zapatistas conseguiram atrair considerável atenção para os impactos do NAFTA em particular e das políticas neoliberais mais geralmente sobre muitos dos grupos sociais economicamente marginalizados do México. Na verdade, transformando-se de movimento guerrilheiro em movimento social mais amplo, o EZLN tem tido papel não insignificante no delineamento de políticas e em chamar atenção para as causas dos pobres rurais e dos grupos indígenas do México. Em 2001, grupo de Zapatistas marchou de Chiapas à Cidade do México onde, liderados pela Comandanta Esther, falaram em favor da legislação dos direitos indígenas diante do congresso do México, oferecendo aquilo que Maylei Blackwell recentemente argumentou foi poderoso contraponto à linguagem (sexista) do próprio estado acerca dos grupos indígenas no México. Num levemente irônico volteio, o alcance global da internet tem desempenhado papel não pequeno nos esforços do EZLN para chamar a atenção dos impactos perversos da globalização neoliberal. Embora o EZLN não tenha conseguido forçar a eliminação do NAFTA ou provocar levante em todo o México, continua a oferecer voz poderosa na oposição ao neoliberalismo no México tanto na política mexicana quanto, por meio de seu website e seu ativismo, ao longo de redes transnacionais.
Photo - Comandanta Esther, one of the key spokespersons and leaders of the EZLN, whose address before Congress in 2001 was a key moment in the history of the EZLN’s efforts to claim indigenous rights and to shape policy and politics in Mexico.
Foto - A Comandanta Esther, um dos porta-vozes e líderes decisivos do EZLN, cujo discurso perante o Congresso em 2001 foi momento crucial na história dos esforços do EZLN para afirmar direitos indígenas e para  delinear políticas e política no México.
Meanwhile, the actual impact of NAFTA on North American economies in many ways has been the exact opposite of what was pledged. As has been the case so often in the past, the liberalization of the economy ultimately helped society’s wealthiest members, both in Mexico and the US. North of the Rio Grande, industrialists and capitalists were able to ship jobs to Mexico, where labor was cheaper, even while Mexican economic and political elites profited the most. In the US, industrial jobs disappeared as they were relocated first to Mexico, and then later overseas. In Mexico itself, over 2 million farmers who owned small plots of land ultimately found themselves dispossessed of their land, as they lost out to the cheaper and more mechanized agricultural production of larger agribusinesses. This shift led to a growing number of farmers moving to cities in Mexico, where jobs were unavailable, leading to many migrating to the United States. Thus, while NAFTA’s proponents swore free trade would lead to a reduction in immigration to the US, it actually dramatically increased in the 1990s.
Ao mesmo tempo, o impacto real do NAFTA sobre as economias norte-americanas, sob vários aspectos, tem sido o exato oposto do que foi prometido. Como tem sucedido tão amiúde no passado, a liberalização da economia acabou ajudando os membros mais ricos da sociedade, tanto no México quanto nos Estados Unidos. Ao norte do Rio Grande, industrialistas e capitalistas tornaram-se capazes de transferir empregos para o México, onde o trabalho era mais barato, enquanto as elites econômicas e políticas do México eram maximamente beneficiadas. Nos Estados Unidos, empregos industriais desapareceram, realocados primeiro para o México e, mais tarde, para o além-mar. No próprio México, mais de 2 milhões de produtores rurais donos de pequenos lotes de terra viram-se ao final destituídos de suas terras, por incapazes de competir com a produção agrícola mecanizada dos agronegócios maiores. Essa mudança levou a crescente número de produtores rurais mudarem-se para cidades no México, onde não havia disponibilidade de empregos, levando a muitos migrarem para os Estados Unidos. Assim, embora os proponentes do NAFTA tivessem jurado que o livre comércio levaria a redução de imigração para os Estados Unidos, esta aumentou dramaticamente nos anos 1990.
Nor did NAFTA fundamentally improve the long-term industrial output in Mexico; as multinational corporations ran up against relatively progressive labor laws in Mexico, many companies that had originally established factories south of the Rio Grande ultimately relocated their businesses to countries with far less stringent labor codes, including China and Bangladesh. The economic impact of NAFTA on Mexico was immediate and devastating: between December 1994 and 1995, the Peso lost 46% of its value, inflation rose, and interest rates were above 100% in some parts of the country, even while the Mexican stock market collapsed and banks foreclosed on urban and rural properties. Mexico was learning, albeit belatedly, that the promises of economic prosperity and stability via neoliberalism was a chimera. In response, the Mexican government launched austerity measures that only reinforce the fact that, nineteen years later, the alleged rewards of NAFTA still have not actually extended to most of Mexican society, even while it has also taken its toll on millions in both the United States and (to a lesser extent) Canada.
Nem melhorou o NAFTA fundamentalmente a produção industrial de longo prazo no México; como as corporações multinacionais se viram em apuros diante das leis do trabalho relativamente progressistas do México, muitas empresas que se haviam originalmente estabelecido ao sul do Rio Grande realocaram suas atividades para países com códigos de trabalho muito menos restritivos, inclusive China e Bangladesh. O impacto econômico do NAFTA sobre o México foi imediato e devastador: entre dezembro de 1994 e de 1995, o Peso perdeu 46% de seu valor, a inflação subiu, e as taxas de juros situavam-se acima de 100% em algumas partes do pais, enquanto o mercado de ações mexicano entrava em colapso e os bancos executavam hipotecas de propriedades urbanas e rurais. O México estava aprendendo, ainda que tardiamente, que as promessas de prosperidade e estabilidade econômica via neoliberalismo eram uma quimera. Em reação, o governo mexicano adotou medidas de austeridade que apenas reforçam o fato de que, dezenove anos mais tarde, as alegadas recompensas do NAFTA ainda não se estenderam realmente à maior parte da sociedade mexicana, enquanto ao mesmo tempo o acordo também cobrou seu tributo de milhões de pessoas tanto nos Estados Unidos quanto (em menor grau) no Canadá.


No comments:

Post a Comment