Monday, December 3, 2012

C4SS - The Bold and the Desirable: a Prophecy and a Proposal


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building public awareness of left-wing market anarchism
na construção da consciência pública do anarquismo esquerdista de mercado
The Bold and the Desirable: a Prophecy and a Proposal
O Ousado e o Desejável: Profecia e Proposta
Posted by Rad Geek on Nov 16, 2012 in BHL Symposium on Left Libertarianism
The following article was written by Charles Johnson and published with Bleeding Heart LibertariansNovember 16th, 2012.
O artigo a seguir foi escrito por Charles Johnson e publicado em Libertários Confrangidos, 16 de novembro de 2012.
Left-libertarians are sometimes known to stick on distinctions and the definitions of words. We contest commonly understood definitions of political ‘rightism’ and ‘leftism;’ we question the terms used in conventional economic debates over ‘capitalism’ and ‘socialism,’ ‘free trade agreements,’ ‘intellectual property,’ ‘privatization’ and ‘private ownership’ of the means of production. We have been known to do funny things with verb tenses when it comes to ‘freed’ markets; we brandish subscripts and three-way distinctions at the drop of a hat. Most famously left-wing market anarchists insist that we defend ‘free markets’ but not ‘capitalism’ – insisting that these are not synonyms, and drawing a sharp analytic distinction between the market form of exchange, and conventionally capitalist patterns of economic ownership and social control.
Os libertários de esquerda são por vezes conhecidos por pegarem-se em distinções e definições de palavras. Contestamos o entendimento comum de definições de  ‘direitismo’ e ‘esquerdismo’ políticos; questionamos os termos usados em debates econômicos convencionais acerca de ‘capitalismo’ e ‘socialismo,’ ‘acordos de livre comércio,’ ‘propriedade intelectual,’ ‘privatização’ e ‘propriedade privada’ dos meios de produção. Temo-nos tornado conhecidos por fazer coisas estranhas com tempos de verbo quando falamos de  mercados ‘libertados/emancipados; brandimos subscritos e distinções triplas de um momento para o outro. Mais famigeradamente, os anarquistas de mercado esquerdistas insistem em que defendemos  ‘livres mercados’ mas não ‘capitalismo’ – insistindo em que estes não são sinônimos, e traçando aguda distinção analítica entre a forma de mercado das permutas, e os padrões convencionalmente capitalistas de propriedade econômica e controle social.
There are some interesting discussions to be had about that distinction; but to-day I’d like to expand on a distinction sometimes left out in discussing distinctions between the “markets” that left-libertarians defend and the “capitalism” that we condemn – two different senses that are often jammed together within the first half of that distinction – within the concept of market relationships. The distinction between the two is crucial, and both advocates and critics of market economics have neglected it much too often: when we talk about “markets,” and “free markets” especially, there are really two different definitions we might be working with – one broad, and one narrow.
Há algumas interessantes discussões a terem lugar acerca dessa distinção; hoje, porém, eu gostaria de estender-me numa distinção por vezes deixada de fora na discussão das distinções entre os “mercados” que o libertarismo de esquerda defende e o “capitalismo” que condenamos – dois sentidos diferentes que amiúde são vistos como um só dentro da primeira metade dessa distinção – dentro do conceito de relações de mercado. A distinção entre ambos é crucial, e ambos defensores e críticos da economia de mercado têm-na negligenciado com demasiada frequência; quando falamos de “mercados,” e especialmente “mercados livres,” há realmente duas definições com as quais poderemos estar trabalhando – uma ampla, e outra estreita.
What is “a market,” ultimately? It is a set of human relationships. And it is a notion with a certain history and familiar examples. But in modern social and economic debates, “market” has taken on meanings far beyond any concrete marketplace. What has been abstracted away, and what has been held as essential? The kind of relationships we are likely to have in mind varies, depending on which elements of marketplaces we have chosen to focus on – in particular, whether we focus (1) on the elements of individual choice, negotiated contracts and free competition; or (2) on the elements of quid pro quo exchange and commercial relationships.
O que é “um mercado,” em última análise? É um conjunto de relacionamentos humanos. E é uma noção com certa história e exemplos bem conhecidos. Nos modernos debates sociais e econômicos, porém, “mercado” assumiu significado muito além de qualquer local de mercado concreto. O que foi abstraído, e o que foi mantido como essencial? Os tipos de relacionamentos que provavelmente teremos em mente variam, dependendo de que elementos dos locais de mercado tenhamos optado por focar  – em particular, se focamos (1) os elementos de escolha individual, contratos negociados e livre competição; ou (2) os elementos de troca de uma coisa com valor econômico por outra também com valor econômico, e relações comerciais.
Focusing on (1) gives us a concept of markets as free exchange. When market anarchists talk about markets, or especially about “the market,” we often mean the sum of all voluntary exchanges – and when we speak of freed markets, we mean the discussion to encompass any economic order based – to the extent that it is based – on respect for individual property, consensual exchange, freedom of association, and entrepreneurial discovery. So to say that something ought to be “left up to the market” is simply to say that it should be handled as a matter of choice and negotiated agreements among free individuals, rather than by coercive government.
O foco em (1) dá-nos um conceito de mercados como livre permuta. Quando os anarquistas de mercado falam acerca de mercados, ou especialmente a respeito de “o mercado,” amiúde queremos dizer a soma de todas as permutas voluntárias – e quando falamos de mercados emancipados, queremos dizer que a discussão abrange qualquer ordem econômica baseada – na medida em que esteja baseada – em respeito pela propriedade individual, permuta consensual, liberdade de associação, e identificação de oportunidades empresariais. Portanto dizer que algo deveria ser “deixado por conta do mercado” é simplesmente dizer que deveria ser tratado como questão de escolha e de acordos negociados entre indivíduos livres, em vez de por governo coercitivo.
Focusing on (2) gives us quite a different concept, markets as the cash nexus. We often use the term “market” to refer to a particular form of acquiring and exchanging property, and the institutions that go along with it – to refer, specifically, to commerce and for-profit business, typically mediated by currency or by financial instruments that are denominated in units of currency. Whereas free exchange is a matter of the background conditions behind economic and social agreements (that it is mutually consensual, not coerced), the cash nexus is a matter of the terms of the agreements themselves – of agreeing to conduct matters on a paying basis, in a relatively impersonal quid-pro-quo exchange.
Focar (2) dá-nos conceito bastante diferente, o de mercados como sendo o nexo de caixa(*).  Amiúde usamos o termo “mercado” para referir-nos a uma  forma particular de adquirir e permutar propriedade, e às instituições que funcionam nesse contexto – para referir-nos, especificamente, a comércio e negócios com intenção de lucro, tipicamente mediados por moeda ou por instrumentos financeiros denominados em unidades de moeda. Enquanto que a livre permuta diz respeito às condições subjacentes a acordos econômicos e sociais (diz respeito a que estes sejam consensuais, não objeto de coerção), o nexo de caixa diz respeito ao próprios termos do acordo – diz respeito a o assunto ser conduzido em base de pagamento, numa permuta relativamente impessoal de isto em troca daquilo.

(*) Nexo de caixa é a redução, no capitalismo, de todos os relacionamentos humanos, mas especialmente das relações de produção, à troca monetária. Essa expressão ocorre mais frequentemente nas obras de Karl Marx, e ainda é usa principalmente pelos marxistas. Ver www.encyclopedia.com, cash nexus.
Now one of the central points of free market economics is that “markets” in these two senses are positively interrelated. When they take place within the context of a system of free exchange, there can be a positive, even essential role for social relationships that are based on the cash nexus – producing, investing, buying and selling at market prices – in the sustaining and flourishing of a free society. But while linked, they are distinct. Markets taken broadly – as free exchange – can include cash-nexus relationships – but also much more. Free exchange may, in fact, include many features that compete with, limit, transform, or even undermine impersonal cash-nexus relationships in particular domains. Family sharing is part of a free market; charity is part of a free market; gifts are part of a free market; informal exchange and barter are part of a free market. In a freed market there would be nothing to outlaw the features of business as usual in our actually-existing economy – wage labor, rent, formalized business organizations, corporate insurance, corporate finance and the like would all be available as theoretically possible market outcomes.
Ora bem, um dos pontos centrais da economia de livre mercado é que “mercados” nesses dois sentidos estão inter-relacionados de maneira positiva. Quando ocorrem dentro do contexto de um sistema de livre permuta, pode haver papel positivo, essencial até, das relações sociais baseadas no nexo de caixa – produzir, investir, comprar e vender a preços de mercado – na sustentação e florescimento de uma sociedade livre. Embora ligados, porém, eles são distintos. Mercados, tomados amplamente – como livre permuta – podem incluir relações de nexo de caixa – mas também muito mais. A livre permuta pode, de fato incluir muitas características que competem com, limitam, transformam, ou até solapam relações impessoais de nexo de caisa em domínios específicos. O estreitamento dos laços de família é parte de um livre mercado; a caridade é parte de um livre mercado; presentes são parte de um livre mercado; permutas informais e escambo são parte de um livre mercado. Num mercado emancipado nada haveria que proscrevesse as características do cotidiano em nossa economia tal como de fato existe – trabalho assalariado, aluguéis, organizações empresariais organizadas, seguro corporativo, finanças corporativas e assim por diante, todos estariam disponíveis como teoricamente possíveis resultados do mercado.
But so would alternative arrangements for making a living – including many arrangements that clearly have nothing to do with business as usual or capitalism as we know it: worker and consumer co-ops, community free clinics and mutual aid medical coverage are examples of voluntary exchange; so are wildcat, voluntary labor unions. So are consensual communes, narrower or broader experiments with gift economies, and other alternatives to prevailing corporate capitalism. This broad definition of markets is so broad that you might suggestively describe a fully free market, in this sense, as the space of maximal consensually-sustained social experimentation.
Também, porém, arranjos alternativos para ganhar o sustento – inclusive muitos arranjos que claramente nada têm a ver com o cotidiano ou o capitalismo como o conhecemos: cooperativas de trabalhadores e de consumidores, clínicas comunitárias grátis e cobertura médica de ajuda mútua são exemplos de permuta voluntária; como também  sindicatos de trabalhadores voluntários e informais. E também comunas consensuais, experimentos mais estreitos ou mais amplos com economias de dádiva, e outras alternativas ao capitalismo hoje prevalente. Essa definição ampla de mercados é tão ampla que você poderia, sugestivamente, descrever um mercado plenamente livre, nesse sentido, como o espaço de máxima experimentação social consensualmente mantida.
But while the freedom and growth of spaces for economic and social experimentation is always something to be desired and defended from a libertarian standpoint, the value of a cash nexus, in economic and social relationships, depends entirely on the social context within which it is embedded. Free-market anticapitalists have pointed out the central role that “pro-business” government intervention has played in shaping our daily encounters with bills and business, livelihoods and labor, commodities and consumption. Political privileges to corporate business models, government monopolies and captive markets are deeply entrenched, centrally positioned, pervasive in the actually-existing corporate economy, and overwhelming in scale. Moreover, interlocking government interventions systematically act to restrain, crowd out, bulldoze or simply outlaw less hierarchical, less commercial, grassroots or informal-sector alternatives to corporate-dominated rigged markets for daily needs, whether in making a living, or in housing, or health care, or access to credit, or mutual aid, insurance and crisis relief.
Embora, porém, liberdade e crescimento de espaços para experimentação econômica e social sejam, de um ponto de vista libertário, algo a ser sempre desejado e defendido, o valor de um nexo de caixa, em relacionamentos econômicos e sociais, depende inteiramente do contexto social dentro do qual esteja inserido. Os anticapitalistas de livre mercado têm destacado o papel central que a intervenção do governo “em favor das empresas” tem desempenhado em dar forma a nossas escaramuças diárias com contas e negócios, sustento e trabalho, mercadorias e consumo. Privilégios políticos a modelos de negócios corporativos, monopólios do governo e mercados cativos estão profundamente arraigados, centralmente posicionados, difusos na economia corporativa realmente existente, e são enormes em escala. Ademais, intervenções interconexas do governo sistematicamente atuam no sentido de restringir, ocupar impedindo a entrada, reduzir a pó ou simplesmente proscrever alternativas menos hierárquicas, menos comerciais, das pessoas comuns ou de setores informais aos mercados manipulados dominados pelas corporações no tocante às necessidades diárias, seja no ganhar o sustento, ou em habitação, ou em saúde, ou em acesso ao crédito, ou em ajuda mútua, seguro e alívio de crises.
These deep, structural features of the economy shove us into labor, housing and financial markets on artificially desperate terms; they deform the markets we are pushed into through an intense concentration of resources in the hands of the privileged, without the fallback of small-scale enterprise and grassroots alternatives that might otherwise prove far more attractive. Left-libertarians insist on the importance of this point because in discussions of market economics it is so easily missed, mistaken simply as business as usual and everyday life in a market economy. But when it is missed, people who oppose the worst inequities of the rigged-market system too easily blame the inequities on the freedom, or unregulated character, of market institutions; while those who wish to stand up for freed markets find themselves on the defensive, trying to defend indefensible institutions when they should be pointing out that their worst features are the product of market constraints.
Esses atributos profundos, estruturais, da economia empurram-nos para trabalho, habitação e mercados financeirso em termos artificalmente desfavoráveis; eles deformam os mercados para os quais somos impelidos por meio de intensa concentração de recursos nas mãos dos privilegiados, sem alternativas de empresa de pequena escala e comunitárias/de base que pudessem em vez daquilo revelar-se muito mais atraentes. Os libertários de esquerda insistem na importância desse ponto porque, em discussões de economia de mercado, ele é facilmente esquecido, visto equivocadamente apenas como o cotidiano e a vida diária numa economia de mercado. Quando  porém ele é negligenciado, com demasiada frequência as pessoas que se opõem às piores iniquidades do sistema de mercado manipulado responsabilizam as injustiças da liberdade, ou do caráter não regulamentado das instituições de mercado; enquanto aquelas que desejam defender os mercados emancipados veem-se na defensiva, tentando defender instituições indefensáveis, quando deveriam estar destacando que as piores características destas são produto das restrições ao mercado.
When leftists complain about commercialism gone mad, about the looming presence of bosses and landlords and debts in our day-to-day lives, about the crises that workers face every month just to pay the rent or the medical bills, we must realize that they are talking about real social evils, which arise from markets in one sense, but not in another. They are talking, specifically, about what the cash nexus is made into by political privileges and government monopolies, when competing alternatives among businesses, and competing alternatives to conventional business models, have been paralyzed, crowded out, or simply outlawed by the actions of the corporate state. And they are talking about social relationships that libertarians need not, and should not, waste any energy on defending. Whatever positive and liberating roles cash-nexus relationships may have in the context of free exchange – and it is important that they have many – they can just as easily become instruments of alienation and exploitation when forced on unwilling participants, in areas of their life where they don’t need or want them, through the immediate or indirect effects of government force and rigged markets.
Quando os esquerdistas reclamam do comercialismo sem peias, acerca do assomo da presença de chefes e senhorios e dívidas em nossas vidas diárias, acerca das crises que os trabalhadores enfrentam todos os meses só para pagar o aluguel ou as contas médicas, temos de entender que eles estão falando de perversidades sociais reais, que nascem dos mercados num sentido, mas não em outro. Estão falando, especificamente, acerca daquilo em que o nexo de caixa é transformado por privilégios políticos e monopólios do governo, quando alternativas competidoras entre empresas, e alternativas competidoras dos modelos de negócios convencionais, foram paralisadas, não puderam entrar por seu espaço ter sido ocupado excluindo-as, ou simplesmente foram tiradas da lei pelas ações do estado corporativo. E eles estão falando acerca de relacionamentos sociais os quais os libertários não precisam, e não devem, gastar qualquer energia para defender. Quaisquer papéis positivos e emancipadores que os relacionamentos de nexo de caixa possam ter no contexto da livre permuta – e é importante que tenham muitos – eles podem simplesmente facilmente tornar-se instrumentos de alienação e exploração quando forçados sobre participantes não desejosos deles, em áreas da vida deles onde eles não os necessitem ou queiram, por meio dos efeitos imeditaos ou indiretos da força do governo e dos mercados manipulados.
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Suppose we grant, for argument’s sake, the modest explanatory claim about the dominant players in the capitalist economy – from the business practices of Fortune 500 corporations, to our daily confrontations with employers, landlords or financial corporations. Their size, competitive dominance, and much of their everyday business practices, are substantially the result of the subsidies they receive, the structural privileges they enjoy, and the political constraints on competing businesses, or more informal, less commercial alternatives to their business just as such – competitors who might check them, unseat them, or simply dissolve the need for them in the first place. In an age of multitrillion-dollar bank bailouts, it is not hard to accept that much of actually-existing fortunes and business as usual in the corporate economy as we know it – specifically including much of the abusive power condemned by critics on the Left – are not the result of serving willing customers or ruthlessness in market competition; they are to a great extent the product of exploiting political constraints forged by the alliance of interests between big government and big business.
Suponhamos que concedamos, para efeito de argumentação, a modesta narrativa explanatória acerca dos atores dominantes na economia capitalista –  das práticas de negócios das corporações da Fortune 500, a nossos confrontos diários com empregadores, senhorios ou corporações financeiras. O tamanho delas, seu domínio competitivo, e grande parte de suas práticas diárias de negócios são, substancialmente, o resultado dos subsídios que recebem, dos privilégios estruturais de que gozam, e das restrições políticas impostas às empresas competidoras, ou mais informais, menos comerciais, alternativas aos negócios delas enquanto tais – competidoras que poderiam contê-las, desalojá-las, ou simplesmente acabar com a necessidade delas para início de conversa. Numa época de socorros a bancos de multitriliões de dólares, não é difícil aceitar que grande parte das fortunas de fato existentes, e do cotidiano na econoia corporativa tal como a conhecemos – incluindo especificamente grande parte do poder abusivo condenado por críticos da Esquerda – não é resultado de atendimento eficaz a necessidades de clientes, ou de atitude implacável na competição no mercado; é, em grande medida, produto de explorar restrições políticas forjadas pela aliança de interesses entre o governo hipertrofiado e as grandes empresas.
Even if you accept this explanatory claim, you may may still wonder why left-libertarians insist as confidently that we do that uncontrolled economic competition will not only alter the position of these incumbents, perhaps with some ceteris paribus tendency towards less concentrated wealth and less corporate or businesslike arrangements in economic life – but will positively  and qualitatively transform the economic landscape. Left-libertarians are radicals and typically quite optimistic that from fully liberated market processes will naturally emerge the grassroots, alternative economies that they favor, with qualitative social shifts away from (among other things) wage-labor, landlordism, corporate ownership, large firms and to some significant extent corporate commerce as a whole. This is a strong claim, stronger than the explanatory claim alone – call it the bold predictive claim – not only about ceteris paribus tendencies, but about the prospects for mutualistic economies to arise from freed market processes, and to bring about the greater economic equality, social equality, cultural progress, and ecological sustainability that left-libertarians promise to achieve through libertarian means.
Mesmo se você aceitar essa asserção/pretensão explanatória, poderá ainda perguntar-se por que os libertários de esquerda insistem com tanta confiança em que a competição econômica não controlada não apenas alterará a posição desses agentes, talvez com alguma tendência, ceteris paribus, no sentido de riqueza menos concentrada e menos arranjos corporativos ou de índole típica de negócios na vida econômica – como ainda transformará positiva e qualitativamente o panorama econômico. Os libertários de esquerda são radicais e normalmente bastante otimistas quanto a de processos de mercado totalmente emancipados emergirem naturalmente as economias de comunidade/base, alternativas, às quais eles são favoráveis, com mudanças sociais qualitativas de distanciamento de (entre outras coisas) trabalho assalariado, propriedade de terras arrendáveis, propriedade corporativa, grandes firmas e, em certa medida significativa, comércio corporativo como um todo. Essa é uma asserção/pretensão forte, mais forte do que a a asserção apenas explanatória – chamemo-la de asserção preditiva ousada – não apenas acerca de tendências ceteris paribus, mas acerca das perspectivas de surgimento de economias mutualistas a partir de processos emancipados, e de desencadeamento de maiores igualdade econômica, igualdade social, progresso cultural e sustentabilidade ecológica, que os libertários de esquerda prometem conseguir mediante uso de meios libertários.
Of course, as I have argued at length, there is a straightforward case for a possibility claim that they might arise. A “market economy” in the broad sense need not be an economy dominated by cash nexus relationships, and people might choose to adopt any number of radical experiments. And as as left-libertarians have repeatedly pointed out, the empirical fact that a qualitatively different economy hasn’t yet arisen cannot be explained simply by the dynamics of free markets – we don’t have a free market, and the actually-existing dominant model is (as we have granted) dominant precisely because of the regressive redistribution of wealth and the political constraints that state capitalism has imposed.
Obviamente, como já argumentei em detalhe, há uma argumentação simples referente a uma asserção/pretensão de possibilidade de que elas possam surgir. Uma “economia de mercado” no sentido amplo não tem de ser uma economia dominada pelas relações de nexo de caixa, e as pessoas poderiam escolher adotar qualquer número de experimentos radicais. E como os libertários de esquerda têm repetidamente destacado, o fato empírico de uma economia qualitativamente diferente ainda não ter surgido não pode ser explicado simplesmente pela dinâmica dos livres mercados  – não temos um livre mercado, e o modelo dominante atualmente existente é (como já admitimos) dominante precisamente por causa da redistribuição regressiva da riqueza e das restrições políticas que o capitalismo de estado tem imposto. 
The boldness of the bold predictive claim comes, I’d argue, from the combination of two distinct elements of the left-libertarian position. The first – the economic tendency claim – involves a cluster of empirical observations and theoretical developments in economics. It is, really, not so much a single critical claim or a unified theory, as a sort of research programme for a mutualistic market economics, drawing attention to a number of areas for study and discussion. If the modest explanatory claim demonstrates some ceteris paribus tendency towards a weaker and more unstable position for corporations, and towards greater roles for anti-capitalist, non-commercial, informal-sector or independent alternatives, then the stronger economic tendency claim would draw attention to factors affecting the strength of the tendency, and the strength or weakness of countervailing factors that might keep ceteris from staying paribus after all. Areas it marks out for attention include principal-agent problems and knowledge problems in large organizations or hierarchical relationships; the assumption of risk, time horizons, transaction costs and other factors in conventional corporate forms and also in alternative, non-corporate models of ownership, management and financing; the possible shifts in risk tolerance, consumption spending, or interest in social capital under conditions of greater freedom and less precarious material conditions; and many other questions for detailed empirical research that I can only hint at within the scope of this essay.
O caráter ousado da asserção preditiva vem, eu argumentaria, da combinação de dois elementos distintos da posição libertária de esquerda. O primeiro – asserção da tendência econômica – envolve um conjunto de observações empíricas e de desdobramentos teóricos em economia. Ela é, em realidade, nem tanto uma única asserção crítica ou teoria unificada, quanto uma espécie de programa de pesquisa para uma economia de mercado mutualista, dirigindo a atenção para certo número de áreas para efeito de estudo e discussão. Se a asserção explanatória modesta mostra certa tendência, ceteris paribus, rumo a posição mais fraca e mais instável das corporações, e rumo a maior papel para alternativas anticapitalistas, não comerciais, de setor informal ou independentes, então a mais forte asserção de tendência econômica chamaria a atenção para fatores que afetam a força da tendência, e a força ou fraqueza de fatores de efeito igual mas oposto que poderiam impedir, afinal, que ceteris se mantivessem paribus. Áreas que ela destaca para atenção incluem problemas do agente principal e problemas de conhecimento em grandes organizações ou em relacionamentos hierárquicos; a assunção de risco, horizontes de tempo, custos de transação e outros fatores em formas corporativas convencionais e também em modelos alternativos não corporativos de propriedade, gerência e financiamento; as possíveis mudanças em tolerância a risco, gastos de consumo, ou interesse em capital social sob condições de maior liberdade e condições materiais menos precárias; e muitas outras questões relativas a pequisa empírica detalhada que, dentro do âmbito deste ensaio, só posso indicar indiretamente.
But in addition to the empirical research programme the economic tendency claim suggests, left-libertarians also defend a second, normative claim, drawing on the possibility of less hierarchical, less formalized, and less commercialized social relationships, and the desirability of conscious, concerted, campaigns of stateless social activism to bring about the social conditions we value. Left-libertarians do not only suggest that employers, management hierarchies, or conventional commercial enterprises will tend to face certain ready-made economic difficulties and instabilities in a freed market; we aim to make ourselves and our neighborhoods more difficult to deal with, by consciously organizing and becoming the alternatives we hope to see emerge. Our leftism is not a research programme only, but an activist manifesto.
Contudo, além do programa de pesquisa empírica que a asserção de tendência econômica sugere, os libertários de esquerda defendem também uma segunda, asserção/pretensão normativa, baseada na possibilidade de relações sociais menos hierárquicas, menos formalizadas e menos comercializadas, e na desejabilidade de campanhas cônscias e concertadas de ativismo social sem estado para provocar as condições sociais que prezamos. Os libertários de esquerda não apenas sugerem que empregadores, hierarquias gerenciais ou empresas comerciais convencionais tenderão a enfrentar certas dificuldades e instabilidades econômicas bem típicas num mercado emancipado; procuramos tornar nós próprios e nossos vizinhos pessoas mais difíceis de lidar, mediante consciamente organizar-nos e nos tornarmos nas alternativas que esperamos ver surgir. Nosso esquerdismo não é apenas um programa de pesquisa, mas um manifesto ativista.
The shape of a free society is formed not only by anonymous economic tendencies and “market forces,” but also by conscious social activism and community organizing. “Market forces” are not superhuman entities that push us around from the outside; they are a conveniently abstracted way of talking about the systematic patterns that emerge from our own economic choices. We are market forces, and in markets broadly understood as spaces of freewheeling social experimentation, it is in our hands, and up to us, to make different choices; or shift the range of choices available, through the creative practice of hard-driving social activism, culture jamming, workplace organizing, strikes, boycotts, sit-ins, divestiture, the development of humane alternatives, counter-institutions, and the practice of grassroots solidarity and mutual aid.
A forma de uma sociedade livre é formada não apenas por tendências e “forças de mercado” anônimas mas também por ativismo social consciente e organização comunitária. “Forças de mercado” não são entidades acima do humano que nos tratam sem consideração a partir de fora; elas são uma forma tornada convenientemente abstrata de falar dos padrões sistemáticos que surgem de nossas próprias escolhas econômicas. Nós somos forças de mercado e, em mercados entendidos amplamente como espaços de experimentação social livre de livre curso, está em nossas mãos, e compete a nós, fazer escolhas diferentes; ou mudar a abrangência das escolhas disponíveis, por meio da prática criativa de ativismo social diligente, emperramento cultural, organização no local de trabalho, greves, boicotes, manifestações imóveis mediante ocupação de área, desinvestimento/descarte, desenvolvimento de alternativas humanas, contrainstituições e prática de solidariedade de comunidade/bases e ajuda mútua.
This is, of course, simply to state the normative claim; I’ve only outlined the conclusion, not (yet, here) given an argument in its favor. Left-libertarians’ case for stateless social activism rests on a set of arguments that I can only hint at within the space of this essay, but the normative defense of a broadly leftist programme of social and economic activism may draw support from (1) independent ethical or social considerations in favor of greater autonomy, less hierarchical, less privileged, less rigid, more participatory and more co-operative social relationships. And it may draw support also from (2) arguments in favor of a “thick” conception of libertarianism, drawing from and mutually reinforcing integrated commitments to a radical anti-authoritarianism, and to concerns about broad social dynamics of deference, privilege, participation and autonomy.
Isto, obviamente, é apenas enunciar a asserção normativa; apenas esbocei a conclusão, não (ainda, aqui) desenvolvi argumentação em seu favor. A argumentação dos libertários de esquerda favorável ao ativismo social sem estado assenta-se num conjunto de argumentos que só posso tanger de leve no espaço deste ensaio, mas a defesa normativa de um programa esquerdista amplo de ativismo social e econômico pode extrair apoio de (1) considerações éticas ou sociais independentes em favor de maior autonomia e de relações sociais menos hierárquicas, menos privilegiadas, menos rígidas, mais participativas e mais cooperativas. E pode extrair apoio também de  (2) argumentos em favor de uma concepção “espessa” de libertarismo, que se abebera e se reforça mutuamente de compromissos integrados com antiautoritarismo radical, e de preocupações acerca de ampla dinâmica social de deferência, privilégio, participação e autonomia.
At any rate, the normative and activist element of left-libertarian claims about freed markets may help explain the strength of the bold predictive claim, as follows. Market anarchists’ inquiries under the economic tendency claim give us reasons to suggest, more or less strongly, that getting rid of rigged markets and interlocking radical monopolies would be sufficient to bring about a sort of laissez-faire socialism – the natural tendency of freed markets may well be for ownership to be more widely dispersed and for many forms of concentrated social or economic privilege, stripped of the bail-outs and monopolies that sustained them, to collapse under their own weight. But left-libertarians see freed markets as characterized not only bylaissez-faire socialism, but also entrepreneurial anti-capitalism: whatever reasons we may have to predict that some concentrations of economic or social power may not simply collapse on their own, left-libertarians, drawing on the resources of grassroots, nonviolent social activism, intend to knock them over. The strength of the predictive claim, then, comes from its double origins: it is both a prophecy about the likely effects of market freedom; and a radical proposal about what to do with what remains.
De qualquer forma, o elemento normativo e ativista das asserções/pretensões libertárias de esquerda acerca de mercados emancipados pode ajudar a explicar a força da asserção ousada preditiva, como segue. As investigações dos anarquistas de mercado debaixo da asserção de tendência econômica dão-nos razões para sugerir, mais ou menos fortemente, que livrar-nos dos mercados manipulados e de monopólios radicais interconexos seria suficiente para trazer à existência certo tipo de socialismo de laissez-faire a tendência natural dos mercados emancipados bem poderá ser a de a propriedade ficar mais amplamente dispersa e de muitas formas de privilégio social ou econômico concentrado, destituídas dos socorros financeiros e monopólios que as sustinham, desmoronarem em virtude do próprio peso. Contudo, os libertários de esquerda veem os mercados emancipados como caracterizados não apenas por socialismo de laissez-faire, mas também por anticapitalismo empresarial: quaisquer motivos que tenhamos para prever que algumas concentrações de poder econômico ou social possam não simplesmente entrar em colapso por conta própria, o recurso dos libertários de esquerda a ativismo não violento junto às pessoas comuns visa a destruí-las. A força da asserção preditiva, pois, provém de suas duplas origens: ela é tanto uma profecia acerca dos prováveis efeitos da liberdade de mercado quanto proposta radical acerca do que fazer com o que restar.
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A pedido dos Libertários Confrangidos, os comentários serão desligados aqui a fim de poderem ser redirecionados para o artigo original.

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