Monday, December 31, 2012

Americas South and North - On Brazil’s Involvement in Operation Condor


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Americas South And North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic
Olhar Lançado à História e às Questões da Terra do Fogo ao Ártico
On Brazil’s Involvement in Operation Condor
Do Envolvimento do Brasil na Operação Condor
December 17, 2012
17 de dezembro de 2012
Colin M. Snider
Colin M. Snider
Brazil’s Truth Commission continues to conduct hearings and accept testimony from a variety of witnesses as it investigates human rights violations during the military regime of 1964-1985. Much of this testimony has been helpful in further fleshing out details that were previously assumed or generally known, helping to further enrich our understanding of the regime’s repressive measures and their impacts on those who were tortured or suffered political persecution in both the short- and long-terms. However, some of the testimony has been a bit surprising, perhaps most notably the testimony of Jair Krischke, who claimed that Brazil’s military regime was the “mastermind” behind Operation Condor.
A Comissão da Verdade do Brasil continua a conduzir audiências e a aceitar depoimentos de diversas testemunhas em sua investigação de violações de direitos humanos durante o regime militar de 1964-1985. Grande parte desses depoimentos tem sido útil em acrescentar detalhes ao que antes era algo assumido ou conhecido de maneira geral, ajudando a enriquecer nosso entendimento das medidas repressivas do regime e seus impactos sobre aqueles que foram torturados ou sofreram perseguição política tanto no curto quanto no longo prazo. Entretanto, parte dos depoimentos tem sido um tanto surpreendente, talvez mais notavelmente o depoimento de Jair Krischke, o qual asseverou que o regime militar do Brasil era o “cérebro” por trás da Operação Condor.
Suffice to say, this is a somewhat surprising claim. Thanks to John Dinges’s excellent work, in which he worked in the (at the time) relatively-underutilized “Archives of Terror” in Paraguay, we know a good deal about Operation Condor. At its most basic level, the intelligence services from right-wing military regimes in Chile, Uruguay, Bolivia, Paraguay, Argentina, Brazil, and Peru collaborated in political repression, torture, and “disappearing” alleged “subversives” from the region in an attempt to stamp out what they viewed as the communist threat. Through Operation Condor, which formally (albeit secretly) began in 1975, these countries would trace exiles’ movement throughout the region, and assist one another either by arresting and extraditing political targets to their home countries, or by torturing, murdering, and disappearing exiles from other countries (e.g., Argentina’s repressive forces would arrest and torture a Chilean exile). Operation Condor took the repressive violence of these regimes into the international arena, including not just the torture and disappearances of political opponents in the region, but even the attempted assassination on Chilean Bernardo Leighton in Rome in 1976 or the successful assassination of Orlando Letelier in a car bomb in Washington D.C. in 1976. Though the military regimes of South America collaborated, scholarship suggests that Augusto Pinochet’s government played the central role in Operation Condor’s operation, from its creation in 1975 onward, something Dinges’s work compellingly argues.
Basta dizer, é asseveração consideravelmente surpreendente.  Graças à excelente obra de John Dinges, na qual ele incluiu os (à época) relativamente subutilizados “Arquivos do Terror” do Paraguai, sabemos bastante a respeito da Operação Condor. Em seu nível mais básico, os serviços de inteligência de regimes militares de direita em Chile, Uruguai, Bolívia, Paraguai, Argentina, Brasil e Peru colaboraram em repressão política, tortura e no “desaparecimento” de alegados “subversivos” da região numa tentativa de suprimir ativamente o que viam como ameaça comunista. Por meio da Operação Condor, que começou formalmente (embora em segredo) em 1975, esses países rastrearam o movimento de exilados na região, e prestaram assistência uns aos outros seja prendendo e extraditando alvos políticos para seus países de origem, seja torturando, assassinando e fazendo desaparecer exilados de outros países (por exemplo, as forças repressoras da Argentina prenderiam e torturariam um exilado chileno). A  Operaçã Condor levou a violência repressora daqueles regimes para o campo internacional, incluindo não apenas tortura e desaparecimento de opositores políticos na região, mas até a tentativa de assassínio do chileno Bernardo Leighton em Roma em 1976 ou o bem-sucedido assassínio de Orlando Letelier num carro-bomba em Washington D.C. em 1976. Embora os regimes militares da América do Sul tenham colaborado, a obra acadêmica sugere que o governo de Augusto Pinochet desempenhou o papel central no funcionamento da Operação Condor, da criação dela em 1975 em diante, algo a respeito do que a obra de Dinge argumenta convincentemente.
Which is why Krischke’s recent claims about Brazil’s role as a “mastermind” in Operation Condor are intriguing. Krischke points to Brazil’s use of torture and political repression in the immediate aftermath of the 1964 coup and in the increasing repression of the “years of lead” under Artur Costa e Silva (1967-1969) and Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) as setting the stage for broader international collaboration between the new right-wing dictatorships in Bolivia (1971), Chile (1973), Uruguay (1973), Argentina (1976), and Peru (which joined Condor in 1980).  Admittedly, Brazil did set the stage for many of the military regimes that followed (only Alfredo Stroessner’s dictatorship, begun in 1954, preceded Brazil’s), something that scholarship tends to overlook (too often, one sees phrases along the line of “the South American dictatorships of the 1970s”). Likewise, Brazil (and Paraguay) were among the first to use the types of repression and terror that would come to define the right-wing dictatorships throughout the region, albeit to varying degrees. But Krischke’s claim that Brazil “created” Operation Condor seems to stretch Brazil’s role to somewhat incredible degree. The mechanisms of repression and torture may have appeared in Brazil before in Chile and elsewhere, but Dinges’s work again does a very good job of showing just how involved Pinochet was, and how much the establishment of Operation Condor was a Chilean initiative. Indeed, by 1975, when these countries formed the secretive pact, Brazilian president Ernesto Geisel had already begun the process of “distensão,” or a gradual move away from the most repressive phase of the Brazilian dictatorship. Though Brazil was involved with Operation Condor, it was not nearly as dominant as Chile, Argentina, Uruguay, or Paraguay. That’s not to deny culpability or responsibility to Brazil’s regime, but it is to contextualize what we know about Operation Condor, and different member countries’ involvement in it. Either Krischke’s claims are overstated, or we will be forced to completely reevaluate Condor’s origins and history; given the detailed research from people like Dinges and Peter Kornbluh and the political context of Brazilian military politics at the time of Operation Condor, it seems likely that Krischke’s claims, while perhaps not-incorrect in some regards, are an overstatement of Brazil’s involvement in Condor.
Eis porque as recentes afirmações de Krischke acerca do papel do Brasil como “cérebro” da Operação Condor são extremamente interessantes. Krischke destaca o uso da tortura e da repressão política pelo Brasil na esteira imediata do golpe de 1964 e a crescente repressão nos “anos de chumbo” sob  Artur Costa e Silva (1967-1969) e Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) como preparando o terreno para colaboração internacional mais ampla entre as novas ditaduras direitistas na Bolívia (1971), Chile (1973), Uruguai (1973), Argentina (1976), e Peru (que se juntou à Condor em 1980).  Certamente o Brasil preparou o terreno para muitos dos regimes militares que se seguiram (apenas a ditadura de Alfredo Stroessner, iniciada em 1954, precedeu a do Brasil),  algo que os acadêmicos tendem a negligenciar (com demasiada frequência são encontradas frases na linha de “as ditaduras sul-americanas dos anos 1970”). Analogamente, o Brasil (e o Paraguai) estiveram entre os primeiros a usar os tipos de repressão e terror que viriam a definir as ditaduras de direita na região, embora em graus diferenciados. Contudo, a afirmativa de Krischke de que o Brasil “criou” a Operação Condor parece expandir o papel do Brasil para grau quase inacreditável. Os mecanismos de repressão e tortura podem ter aparecido no Brasil antes de surgirem no Chile e em outros lugares mas, repetindo, a obra de Dinge faz trabalho muito bom em mostrar o quanto Pinochet estava envolvido, e o quanto a criação da Operação Condor constituiu iniciativa chilena. Na verdade, em 1975, quando esses países formaram o pacto secreto, o presidente brasileiro Ernesto Geisel já havia começado o processo de “distensão,” ou mudança gradual com distanciamento da fase mais repressiva da ditadura brasileira. Embora o Brasil estivesse envolvido na Operação Condor,  não foi nem de longe tão dominante quanto Chile, Argentina, Uruguai, ou Paraguai.  Isso não significa negar culpabilidde ou responsabilidade do regime do Brasil, mas sim contextualizar o que sabemos acerca da Operação Condor, e do envolvimento dos diferentes países-membros nela. Ou as afirmações de Krischke são exageradas, ou seremos forçados a reavaliar completamente as origens e a história da Condor; dada a pesquisa minudente de pessoas como Dinges e Peter Kornbluh e o contexto político da política militar do Brasil à época da Operação Condor, parece provável que as afirmações de Krischke, embora talvez não incorretas sob certos aspectos, sejam um exagero a respeito do envolvimento do Brasil na Condor.


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