Monday, November 19, 2012

C4SS - “Public” vs. “Private” Sector

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PORTUGUÊS
CENTER FOR A STATELESS SOCIEY
CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
building public awareness of left-wing market anarchism
na construção da consciência pública do anarquismo esquerdista de mercado
“Public” vs. “Private” Sector
Setor “Público” versus “Privado”
Afixado por Kevin Carson em 21 de setembro de  2012 em A Arte do Possível - Recuperado
The distinction between the state, or “public” sector, and the “private” sector economy, is universal in commentary and policy analysis. But in the case of the corporate economy, it’s almost meaningless. First of all, the large corporation cannot be called “private property” in any meaningful sense. And second, the relationship between the corporate economy and the state resembles nothing so much as an interlocking directorate.
A distinção entre o estado, ou setor “público,” e a economia do setor “privado” é universal em comentário e análise de políticas. No caso da economia corporativa, porém, quase não faz sentido. Em primeiro lugar, a grande corporação não pode ser chamada de “propriedade privada” em nenhum sentido significativo. E, segundo, o relacionamento entre a economia corporativa e o estado se assemelha, mais que tudo, a diretorias diferentes formadas pelos mesmos integrantes.
1. The idea of the large corporation as the “private property” of its shareholders is, in most cases, utter nonsense. 
1. A ideia da grande corporação como “propriedade privada” de seus acionistas é, na maior parte dos casos, completo disparate. 
Berle and Means, in The Modern Corporation and Private Property, pointed this out as long ago as 1932. Even right-leaning libertarian defenders of the corporation are forced, against their instincts, to minimize the shareholder’s real ownership ties to the corporation.
Berle e Means, em A Corporação Moderna e a Propriedade Privada, apontaram isso já em 1932. Até libertários de direita defensores da corporação são forçados, contra seus instintos, a minimizar os reais vínculos de propriedade real dos acionistas com a corporação.
The orthodox teaching among Mises’ followers is that of the “entrepreneurial corporation”: the corporation is not a managerial bureaucracy, but a simple extension of the entrepreneur’s will, subject to his absolute control through the magic of double-entry bookkeeping. For instance, in “Sean Gabb’s Thoughts on Limited Liability,” Stephan Kinsella started out by citing Hessen’s defense of the corporation as a simple contractual device by which the owners of capital manage their joint property, no different in principle from a partnership.
O ensinamento ortodoxo entre os seguidores de Mises é o da “corporação empresarial”: a corporação não é uma burocracia gerencial, e sim simples extensão da vontade do empresário, sujeita a seu absoluto controle por meio da mágica das partidas dobradas da escrituração contábil/mercantil. Por exemplo, em “O Pensamento de Sean Gabb acerca de Limitação de Imputabilidade,” Stephan Kinsella começou por citar a defesa de Hessen da corporação como simples dispositivo contratual por meio do qual os donos do capital gerem sua propriedade conjunta, não diferente, em princípio, de uma parceria.
But in the same article Kinsella, in order to justify shareholder limited liability, suggested that the difference between shareholder and lender was only one of degree, and that the shareholder was simply another class of contractual claimant (as opposed to residual claimant, or owner). He was forced, in fact, to retreat to an argument very like that of Berle and Means: that the shareholder’s “property” in the corporation is largely fictitious, and that real ownership is associated with control.
No mesmo artigo, porém, Kinsella, para justificar a imputabilidade limitada do acionista, sugeriu que a diferença entre acionista e emprestador era apenas de grau, e que o acionista era simplesmente outra classe de requerente contratual (por oposição a requerente residual, ou dono). Ele foi forçado, de fato, a refugiar-se numa argumentação muito parecida com a de Berle e Means: a de que a “propriedade” da corporação pelo acionista é em grande parte fictícia, e a real propriedade está relacionada com o controle.
What are the basic rights of a shareholder? What is he “buying” when he buys the “share”? Well, he has the right to vote–to elect directors, basically. He has the right to attend shareholder meetings. He has the right to a certain share of the net remaining assets of the company in the event it winds up or dissolves, after it pays off creditors etc. He has the right to receive a certain share of dividends paid IF the company decides to pay dividends–that is, he has a right to be treated on some kind of equal footing with other shareholders–he has no absolute right to get a dividend (even if the company has profits), but only a conditional, relative one. He has (usually) the right to sell his shares to someone else. Why assume this bundle of rights is tantamount to “natural ownership”–of what? Of the company’s assets? But he has no right to (directly) control the assets. He has no right to use the corporate jet or even enter the company’s facilities, without permission of the management. Surely the right to attend meetings is not all that relevant. Nor the right to receive part of the company’s assets upon winding up or upon payment of dividends–this could be characterized as the right a type of lender or creditor has.
Quais são os direitos básicos de um acionista? O que “compra” ele quando compra a “ação”? Bem, ele tem direito de votar–de eleger diretores, basicamente. Ele tem o direito de participar de reuniões de acionistas. Ele tem direito a certa parcela dos ativos líquidos remanescentes da empresa na eventualidade de esta encerrar suas atividades ou se dissolver, depois de pagar seus credores etc. Ele tem o direito de receber certa parcela de dividendos pagos SE a empresa decidir pagar dividendos–isto é, ele tem direito a ser tratado em algum tipo de pé de igualdade com outros acionistas–ele não tem direito absoluto de ganhar dividendos (mesmo se a empresa tiver lucro), e sim apenas direito condicional, relativo. Ele tem (usualmente) o direito de vender sua ações a outrem. Por que assumir que esse punhado de direitos é equivalente a “propriedade natural”–do quê? Dos ativos da empresa? Mas ele não tem direito de controlar (diretamente) os ativos. Ele não tem direito de usar o jato da empresa e nem mesmo de entrar nas dependências da empresa sem permissão da gerência. Seguramente o direito de participar de reuniões não é tão relevante. Nem o direito de receber parte dos ativos da empresa ao esta encerrar suas atividades ou quando do pagamento de dividendos–isso poderia ser caracterizado como o direito que uma espécie de emprestador ou credor possui.
In the comments below, he added:
Nos comentários, ele acrescentou:
I think the manager is more analogous to a sole proprietor. They have similar control in making policy, hiring and directing employees. You [quasibill] think the shareholder and proprietor have more in common–because they are both “owners”.
Acredito que o gerente é mais análogo ao proprietário único. Ele tem controle similar na elaboração de políticas, no contratar e gerir empregados. Já você [quasibill] acha que o acionista e o proprietário têm mais em comum–porque os dois são “donos”.
And in a comment at my blog, he wrote:
E num comentário em meu blog, ele escreveu:
It is bizarre that there is this notion that owners of property are automatically liable for crimes done with their property… Moreover, property just means the right to control. This right to control can be divided in varied and complex ways. If you think shareholders are “owners” of corporate property just like they own their homes or cars–well, just buy a share of Exxon stock and try to walk into the boardroom without permission.
É grotesco existir a noção de que os donos de propriedade são automaticamente imputáveis por crimes cometidos mediante uso de sua propriedade... Ademais, propriedade significa tão somente o direito de controlar. Esse direito de controlar pode ser dividido de maneiras variadas e complexas. Se você achar que os acionistas são “donos” de propriedade corporativa do mesmo modo que são donos de suas casas ou carros–bem, apenas compre uma ação do capital da Exxon e tente entrar na sala da diretoria sem permissão.
In fact even the right to elect the Board of Directors, the only real right of control possessed by shareholders, is largely symbolic. Corporations are generally controlled by inside directors who engage in mutual logrolling with the CEO, and a proxy fight by shareholders is usually doomed from the outset.
Na verdade até o direito de eleger a Diretoria, o único direito real de controle possuído pelos acionistas, é, em grande parte, simbólico. As corporações em geral são controladas por diretores de dentro que trocam favores com o Dirigente Executivo Principal - CEO, e uma tentativa de derrubada/troca da diretoria pelos acionistas está geralmente fadada a acontecer desde o começo.
The threat of hostile takeover, of which corporate defenders have made so much in their arguments for “a market in corporate control,” was in fact a significant threat only for a limited time in the early- and mid-80s, immediately following the junk bond innovation in corporate finance. Even then, arguably, the hostile takeover was the action, not of investors, but of the management of the acquiring corporation acting in their own interests. In any case, corporate management quickly altered the internal rules of corporate governance to make hostile takeover extremely difficult through such devices as “poison pills,” “greenmail,” and “shark repellent.” As a result, from the late ’80s on, most takeovers were friendly actions, made in collusion with the management of the acquired firm.
A ameaça de aquisição hostil, à qual os defensores da corporação dedicam tanta atenção em sua argumentação favorável a “um mercado de controle corporativo,” foi na verdade ameaça signicativa apenas durante tempo limitado em início e meado anos 80, imediatamente depois da inovação dos títulos podres na finança corporativa. Mesmo então, defensavelmente, a aquisição hostil era ação não de investidores, mas da gerência da corporação adquirente atuando em seu próprio interesse. De qualquer forma, a gerência corporativa rapidamente alterou as regras internas de governança corporativa para tornar a aquisição hostil extremamente difícil, por meio de dispositivos tais como “pílulas envenenadas,” “greenmail,” e “repelente de tubarão.” Em decorrência, a partir do final dos anos 80, a maior parte das aquisições foram ações amigáveis, levadas a efeito em conluio com a gerência da firma adquirida.
The dominant model of MBA behavior since the 1980s, arguably, amounts to management promoting its own interests at the expense of the shareholder: starving, milking, and asset-stripping, and generally gutting the long-term productivity of the enterprise, in order to inflate artificially high short-term numbers, and game their own bonuses and stock options.
O modelo dominante de comportamento do Mestre em Administração de Empresas - MBA desde os anos 1980, defensavelmente, equivale a a gerência promover seus próprios interesses a expensas do acionista: matar de inanição, isto é, levar a empresa à lona, ordenhar, isto é, lançar mão do que pertence à empresa em proveito próprio, alienar partes isoladas do patrimônio sem preocupação para com o futuro da empresa e, de maneira geral, eviscerar a produtividade de longo prazo da empresa, para inflar artificialmente para cima números de curto prazo, e manipular inescrupulosamente suas próprias bonificações e opções de ações.
That’s why the big retailers have essentially stripped themselves of human capital. Thirty years ago if you walked into a store, you were likely to be served by career employees who knew the product lines and customer tastes inside and out. Today if you go into Lowe’s and need help, the likely response from the minimum-wage high school kid is “I dunno. I guess if you don’t see it, we ain’t got it.” That’s why, when you go into a hospital, your nurse is likely to have eight patients (and your orderly ten, fifteen, or even thirty patients), and you can expect to go five days without a bath or linen change, and shit the bed waiting 45 minutes for a bedpan. And you’d better count on getting an MRSA infection before you get out. An MBA is someone who would break up all the furniture in his house and burn it in the fireplace, and then brag about how much he’d saved on the heating bill this month.
Eis porque as grandes varejistas essencialmente descartaram seu capital humano. Há trinta anos, se você entrasse numa loja, provavelmente seria atendido por empregados de carreira que conheciam as linhas de produtos e as preferências do consumidor de fio a pavio. Hoje, se você entrar na Lowe's e precisar de ajuda, a reação provável da pessoa de curso secundário que ganha o salário mínimo será “Não sei. Acho que, se você não está vendo, é porque não tem.” É por isso que, quando você é internado num hospital, sua enfermeira provavelmente terá oito pacientes (e seu assistente hospitalar dez, quinze ou até trinta pacientes), e você pode esperar passar cinco dias sem banho ou troca da roupa de cama, e sujar a cama enquanto espera 45 minutos por um urinol. E é bom ter como certo apanhar uma infecção de staphylococcus aureus resistente à meticilina antes de sair de lá. Um Mestre em Administração de Empresas - MBA é alguém que quebraria toda a mobília da casa dele e a queimaria na lareira, para depois vangloriar-se do quanto economizou na conta de aquecimento este mês.
Generally speaking, Michels’ Iron Law of Oligarchy operates in the corporation: corporate management will always have an advantage over those on the outside it allegedly “represents,” in gaming the internal rules to thwart outside control.
Falando de modo geral, a Lei Férrea da Oligarquia de Michel funciona na corporação: a gerência corporativa sempre terá vantagem sobre aqueles de fora que ela pretensamente “representa,” na manipulação das regras internas para inviabilizar o controle externo.
To summarize this portion, the corporation in practice is simply a free-floating aggregation of unowned capital, controlled by a self-perpetuating managerial oligarchy which exercises all the material rights of control without ever having acquired an “ownership” right by any legitimate means (i.e., by actually buying into the equity it controls and uses to feather its own nest).
Para resumir esta parte, a corporação, na prática, é simplesmente um agregado neutro de capital sem dono, controlado por uma oligarquia gerencial autoperpetuadora que exerce todos os direitos importantes de controle sem nunca ter adquirido direito de “propriedade” por quaisquer meios legítimos (isto é, mediante efetivamente comprar as ações que controla e usa para forrar o próprio ninho).
The obvious comparison is to the thousands of industrial enterprises in the Soviet state economy. They were theoretically the “property” of the people or the workers, who exercised no actual control over them. In practice, they were controlled by the upper levels of the Party and state apparatus, a self-perpetuating managerial oligarchy which milked the state economy to support their lavish lifestyle of dachas, fancy cars and GUM department store privileges.
A comparação óbvia é com os milhares de empresas industriais na economia de estado soviética. Elas eram teoricamente “propriedade” do povo ou dos trabalhadores, que não exerciam controle real sobre elas. Na prática, elas eram controladas pelos níveis mais altos do Partido e do aparato do estado, uma oligarquia gerencial autoperpetuadora que ordenhava a economia do estado para sustentar seus privilégios de estilo pródigo de dachas, carros sofisticados e loja de departamentos GUM.
The modern corporate enterprise is not the legitimate property of anyone. It isn’t the “property” of the shareholders at all, in any meaningful sense. And although it’s the de facto property of the managers who loot it for their own benefit, it doesn’t belong to them in any legitimate sense.
A moderna empresa corporativa não é propriedade legítima de ninguém. Não é “propriedade” dos acionistas em absoluto, em qualquer sentido identificável. E embora seja propriedade de facto dos gerentes que a pilham em benefício próprio, não pertence a eles em nenhum sentido legítimo.
2. The boundary between the corporate economy and the centralized state, likewise, is largely fictitious.
2.  A divisa entre a economia corporativa e o estado centralizado, analogamente, é em grande parte fictícia.
If we went back in time seven hundred years, it would be meaningless to ask whether some great feudal lord was a “private” landowner, or part of the state. In that society, the landowning classes were the state, and the state was the landowning classes’ rent collection agency. The great landlords, under the Old Regime, controlled the commanding heights of the state apparatus; the king and his nobles owned the land of the entire realm in feudal legal theory, and used the state’s coercive power to extract rents from the people actually living on and working the land.
Se recuássemos no tempo setecentos anos, não faria sentido perguntar se algum grande senhor feudal era dono “privado” de terras, ou se era parte do estado. Naquela sociedade, as classes donas de terras eram o estado, e o estado era o órgão de coleta de renda para as classes donas de terras. Os grandes donos de terras, no Antigo Regime, controlavam os altos escalões de comando do aparato do estado; o rei e seus nobres, na teoria legal feudal, eram donos da terra do reino inteiro, e usavam o poder coercitivo do estado para extrair renda das pessoas que de fato viviam na, e trabalhavam a, terra.
Under modern state capitalism, likewise, the management of the corporate economy and the management of the state apparatus consist largely of the same rotating pool of personnel.
No moderno capitalismo de estado, analogamente, a gerência da economia corporativa e a gerência do aparato do estado consistem em grande parte o mesmo grupo de pessoas em rodízio.
A typical pattern is for the same individual to go from being a director or vice president in some large corporation, to being an under-sectetary or assistant secretary or deputy agency chief appointed under some administration, and then back to being a director or senior manager in a large corporation. The interlocking directorate system, that ties together the large banks and industrial corporations, also includes the state. It’s hard not to think of Marx’s catchy little phrase: “executive committee of the ruling class.”
Padrão típico é o mesmo indivíduo ir de diretor ou vice-presidente de grande corporação a subsecretário ou secretário-assistente ou chefe adjunto de órgão do governo, nomeado por alguma administração, e depois de novo a diretor ou gerente sênior de uma grande corporação. O sistema de diretorias com os mesmos membros, que vincula uns aos outros os grandes bancos e as corporações industriais, também inclui o estado. É difícil não lembrar da atraente curta expressão de Marx:  “comissão executiva da classe dominante.”
At the same time, the several hundred dominant firms in the corporate economy, and the structure of power they constitute, depend on ongoing state intervention for their continued existence. The state subsidizes their operating costs, to the extent that for many of the Fortune 500 the total sum of direct and indirect corporate welfare exceeds their profit margin; if state subsidies and differential tax advantages were eliminated, they would immediately start bleeding red ink and sell off subsidiary enterprises at fire sale prices until we had a Fortune 50,000. And with the collapse of profitability and share value that would result from the extraction of the government teat, it’s likely that many of those enterprises would be bought up at pennies on the dollar by their own workers, or simply abandoned to workers (like the recuperated enterprises of Argentina).
Ao mesmo tempo, as diversas centenas de firmas dominantes na economia corporativa, e a estrutura de poder que elas formam, dependem, para continuação de sua existência, de permanente intervenção do estado. O estado subsidia seus custos operacionais, até o ponto de para muitas das 500 da Fortune a soma total de assistencialismo corporativo direto e indireto exceder sua margem de lucro; se subsídios do estado e vantagens diferenciais tributárias fossem eliminados, elas começariam imediatamente a sangrar tinta vermelha e a vender suas empresas subsidiárias a preços de queima total até termos 50.000 da Fortune. E com o colapso da lucratividade e do valor acionário que resultaria da extirpação da teta do governo, é provável que muitas dessas empresas fossem compradas por centavos por dólar por seus próprios trabalhadores, ou simplesmente entregues aos trabalhadores (como as empresas recuperadas da Argentina).
The stability of corporate oligopoly markets, and the administered (or “cost-plus markup”) pricing that they makes possible, depend on the cartelizing effect of state regulations in protecting the large corporations from full-blown market competition.
A estabilidade dos mercados oligopolistas corporativos, e os preços administrados (ou “cost-plus markup” [cálculo do custo e, em seguida, acréscimo, a ele, de um percentual fixo para chegar ao preço de venda]) que estes tornam possível, dependem do efeito cartelizador das regulamentações do estado na proteção das grandes corporações contra competição plena de mercado.
This is true, especially, of so-called “intellectual property,” which is the biggest single tool for cartelizing industry. ATandT was built on the foundation of the Bell Patent Association. Numerous industries have created cartels by the exchange or pooling of patents (for example, Westinghouse and GE cartelized the home appliance industry in the 1920s by pooling their patents). The American chemical industry was created almost from scratch during WWI, when the Justice Department seized German chemical patents and distributed them among the fledgling American chemical firms. Alfred Chandler’s account of the dominant firms in the early consumer electronics industry consists almost entirely of which patents were owned by which firm.
Isso é verdade, especialmente, da assim chamada “propriedade intelectual,” que, isoladamente, é o maior instrumento de cartelização da indústria. A ATeT foi construída sobre os alicerces da Associação Bell de Patentes. Numerosas indústrias criaram cartéis por meio de troca ou agregação [pooling] de patentes (por exemplo, a Westinghouse e a GE cartelizaram a indústria de eletrodomésticos nos anos 1920 mediante agregação de suas patentes). A indústria química estadunidense foi criada quase do zero durante a Primeira Guerra Mundial, quando o Departamento de Justiça confiscou patentes químicas alemãs e as distribuiu entre as incipientes firmas químicas estadunidenses. A descrição de Alfred Chandler das firmas dominantes na primeira indústria de produtos de consumo eletrônicos consiste quase inteiramente de que patentes eram detidas por que firma.
The dominant sectors in the global corporate economy depend almost entirely on a business model based not just on copyright and patent ownership, but on the draconian upward ratcheting of IP law under the Uruguay Round of GATT and the Digital Millennium Copyright Act: entertainment, software, electronics, biotech, and pharmaceuticals. They would not exist in a remotely recognizable form without these state-enforced monopolies.
Os setores dominantes da economia corporativa global dependem quase inteiramente de um modelo de negócios baseado não apenas em copyright e propriedade de patentes, mas na draconiana catraca ascendente da lei da Propriedade Intelectual - IP na Rodada do Uruguai do GATT e na Lei de Copyright do Milênio Digital: entretenimento, software, eletrônica, biotecnologia e produtos farmacêuticos. Eles não existiriam em qualquer forma remotamente identificável sem esses monopólios de observância compelida pelo estado.
International IP law, specifically the long terms of patents, locks transnational corporations into control of the latest generation of production technology, and effectively relegates Third World countries to the supply of sweatshop labor for Western-owned capital.
A lei internacional de propriedade intelectual - IP, especificamente os longos prazos das patentes, estabiliza as corporações transnacionais no controle da mais recente geração de tecnologia de produção, e na prática relega os países do Terceiro Mundo ao fornecimento de trabalho em condições de escravatura para o capital de propriedade do Ocidente.
Intellectual property plays the same central protectionist role in today’s corporate global economy that tariffs did for the old national corporate economies.
A propriedade intelectual desempenha o mesmo papel central protecionista na economia global corporativa de nossos dias que as tarifas desempenhavam nas antigas economias corporativas nacionais.
Most safety and quality regulations serve in practice to limit competition in terms of the features covered by those regulations. The minimum standards enforced by the regulations usually become a maximum. Their effect is exactly the same as if all the firms in an industry got together to formulate an industry quality and safety code in order to reduce quality and safety competition to a manageable level, except that by acting through the state they avoid the destabilizing possibility of defection by individual firms. And in practice, safety and quality regulations absolve the corporation from meeting any standard of civil liability higher than the state’s dumbed-down, lowest common denominator regulatory standard. Under the common law of nuisance, as it existed into the early nineteenth century before the courts eviscerated it to make it more “business-friendly,” a firm was liable for any harm it caused–period. Today, if a firm pollutes the air or water in a manner that causes objective harm, but falls within the limits set by the EPA, it can use those limits as a fig-leaf to escape tort liability for the harm it does. Monsanto has attempted to use FDA standards as a club to suppress commercial free speech, arguing that it should be illegal to advertise milk as free from recombinant Bovine Growth Hormone; it is libelous, they say with a straight face, to suggest there is something deficient in practices which fully meet FDA standards.
A maioria das regulamentações de segurança e qualidade serve, na prática, para limitar a competição em termos dos atributos/aspectos cobertos por essas regulamentações. Os padrões mínimos de observância compelida pela regulamentação usualmente tornam-se num máximo. O efeito é exatamente o mesmo que se todas as firmas de um ramo se juntassem para formular um código de qualidade e segurança daquele ramo visante a reduzir a competição em qualidade e segurança a nível administrável, exceto que, agindo por meio do estado, é eliminada a possibilidade desestabilizadora de defecção de firmas individuais. E, na prática, regulamentações de segurança e qualidade isentam a corporação de obedecer a qualquer padrão de imputabilidade civil superior ao do padrão regulatório nivelado por baixo, de menor denominador comum, do estado. Segundo a lei consuetudinária do incômodo, como existia no início do século dezenove antes de os tribunais eviscerarem-na para torná-la mais “camarada para com as empresas,” uma empresa era imputável por qualquer dano causado–ponto final. Hoje, se uma firma poluir ar ou água de maneira que cause dano objetivo, mas dentro dos limites estabelecidos pela Agência de Proteção Ambiental - EPA, ela pode usar esses limites como expediente para escapar de imputabilidade por delito civil pelo dano que causou. A Monsanto já tentou usar padrões da Administração de Alimentos e Medicamentos - FDA como arma para reprimir liberdade de expressão comercial, argumentando que deveria ser ilegal anunciar leite como livre de Hormônio do Crescimento Bovino recombinante; é calunioso, disse aquela empresa com desfaçatez, sugerir haver algo deficiente em práticas que atendem plenamente aos padrões da FDA.
On the most general scale, Gabriel Kolko argued that it was the Clayton Antitrust Act which first made stable oligopoly markets possible. Its prohibition of “unfair competition” made destabilizing price wars illegal for the first time, and for all intents and purposes placed each industry under a government-sponsored trade association.
Em escala a mais geral, Gabriel Kolko argumentou ter sido a Lei Antitruste Clayton que primeiro tornou possível mercados oligopolistas estáveis. Sua proibição de “competição iníqua” tornou pela primeira vez ilegais desestabilizantes guerras de preços e, para todos os intentos e propósitos, colocou cada ramo da indústria sob uma associação comercial patrocinada pelo governo.
The best analogy I’ve ever seen for understanding the close ties between the state and the corporate economy, and their conjunction in a single state capitalist ruling class, was thought up by Brad Spangler, in “Recognizing Faux Private Interests that are Actually Part of the State“:
A melhor analogia que já vi para entendermos os estreitos vínculos entre o estado e a economia corporativa, e sua conjunção numa única classe dominante capitalista de estado, foi concebida por Brad Spangler, em “Reconhecimento de Falsos Interesses Privados que são Em Realidade Parte do Estado“:
Let’s postulate two sorts of robbery scenarios.
Postulemos dois tipos de cenários de roubo.
In one, a lone robber points a gun at you and takes your cash. All libertarians would recognize this as a micro-example of any kind of government at work, resembling most closely State Socialism.
Num, um assaltante solitário aponta arma de fogo para você e toma seu dinheiro. Todos os libertários reconhecerão isso como microexemplo de algum tipo de governo em funcionamento, assemelhando-se, mais de perto, ao Socialismo de Estado.
In the second, depicting State Capitalism, one robber (the literal apparatus of government) keeps you covered with a pistol while the second (representing State-allied corporations) just holds the bag that you have to drop your wristwatch, wallet and car keys in. To say that your interaction with the bagman was a “voluntary transaction” is an absurdity. Such nonsense should be condemned by all libertarians. Both gunman and bagman together are the true State.
No segundo, retratando o Capitalismo de Estado, um assaltante (o literal aparato do governo) mantém você imóvel diante de uma pistola enquanto o segundo (representando as corporações aliadas do Estado) apenas seguram a sacola dentro da qual você terá de colocar seu relógio de pulso, sua carteira e as chaves do seu carro. Dizer que sua interação com o homem que segura a sacola foi uma “transação voluntária” é um absurdo. Tal disparate deveria ser condenado por todos os libertários. Tanto o homem que segura a arma de fogo quanto o que segura a bolsa, juntos, constituem o verdadeiro Estado.
The implication of this, he followed up elsewhere, is that “the true state is the entire political class, the parasitic net beneficiaries of the coercive apparatus of government.” And more specifically, “corrupt government ‘privatization’ schemes that benefit large corporations are thus seen as mere transfer of assets to a different arm of the political class…” In fact he cited Murray Rothbard’s argument, which I plan to treat more fully in a future post, that corporations that get the majority of their profits from state intervention should simply be regarded as state enterprises and expropriated by their own workers, transformed into genuine private property in the form of worker cooperatives.
A implicação disso, prosseguiu ele em outro lugar, é que “o verdadeiro estado é a classe política inteira, os beneficiários finais do aparato coercitivo do governo.” E, mais especificamente, “esquemas de ‘privatização’ de governo corrupto que beneficiam grandes corporações são, assim, entendidos como mera transferência de ativos para ala diferente da classe política...” Na verdade ele citou o argumento de Murray Rothbard, que planejo tratar mais plenamente em postagem futura, de que as corporações que obtêm a maioria de seus lucros da intervenção do estado deveriam simplesmente ser vistas como empresas do estado e expropriadas por seus próprios trabalhadores, transformadas em genuína propriedade privada na forma de cooperativas de trabalhadores.
Update:  TGGP, in a comment to another thread, posted a link to an excellent piece at 2Blowhards I’d forgotten about:  ”The New Class and Its Government Nexus, Part I.” It described the New Middle Class as  a collection of,
Atualização:  TGGP, num comentário de outra sequência, afixou um link para excelente artigo em 2Blowhards do qual me havia esquecido:  ”A Nova Classe e Seu Nexo de Governo, Parte I.” O qual descreveu a Nova Classe Média como uma coleção de
financiers, senior corporate and government bureaucrats, and professionals (doctors, lawyers, accountants, etc.), all of whom collect high incomes without being required to put their own money at risk. These people make up most of the people in the top 10% of the income distribution, and a very high percentage indeed of people in the top 1% of the income distribution. (Another, much smaller chunk, of the people in the top 10% and the top 1% are entrepreneurs, who are assuredly not members of the New Class; they are economic experimenters and risk takers, as their high bankruptcy rate demonstrates.)
financistas, burocratas de alto nível corporativos e do governo, e profissionais (médicos, advogados, contabilistas etc.) todos os quais coletam alta renda sem que deles se requeira colocarem em risco o próprio dinheiro. Representam a maioria das pessoas nos 10% superiores da distribuição de renda, e percentagem com efeito muito alta das pessoas no 1% mais alto da distribuição de renda. (Outra parcela, muito menor, das pessoas nos 10% e no 1% superiores são empresários, os quais seguramente não são membros da Nova Classe; são experimentadores econômicos e tomadores de risco, como sua taxa de falência deixa claro.)
This ties in with what I said above.  Corporate management, through its control of organizations, collects all the benefits of actual property ownership.  But because what it exercises is mere control over property that really isn’t owned by anybody, it has none of the risk of personal loss that comes from having actually invested their own resources by buying into the property (holding, at best, stock options that are a tiny fraction of the equity they control).
Isso se liga com o que eu disse acima. A gerência corporativa, por meio de seu controle das organizações, coleta todos os benefícios da propriedade real. Pelo fato, porém, de o que ela exerce ser mero controle da propriedade que realmente não é de propriedade de ninguém, ela não assume nada do risco de prejuízo pessoal que advém de investir os próprios recursos mediante comprar a propriedade (mantendo, no máximo, opções de ações que são fração mínima da totalidade acionária que controla).
I believe this was one of Mises’ criticisms of the Lange model of market socialism:  the manager of a state-owned enterprise was not a genuine entrepreneur, even when he had administrative incentives to maximize the profits of the enterprise, because all he risked was loss of future income; he didn’t risk the value of the enterprise itself, because he hadn’t invested his personal wealth in it.
Acredito seja esta uma das críticas de Mises ao modelo de Lange de socialismo de mercado: o gerente de uma empresa de propriedade do estado não era genuíno empresário, nem mesmo quanto tinha incentivos administrativos para maximizar os lucros da empresa, porque tudo o que arriscava era a perda de receita futura; ele não arriscava o valor da empresa ele próprio, porque não havia investido seus recursos pessoais na empresa.
This entry was posted on Thursday, March 27th, 2008 at 2:21 pm
Este item foi afixado na quinta-feira, 27 de março de 2008, às 14:21 horas.
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é integrante sênior do Centro por uma Sociedade sem Estado  (c4ss.org) e titular da Cadeira Karl Hess do Centro.  É anarquista mutualista e individualista cuja obra escrita inclui  SEstudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa:  Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade  e diversos periódicos e blogs na internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.


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