Friday, November 16, 2012

C4SS - Libertarian Self-Marginalization


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CENTER FOR A STATELESS SOCIEY
CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
building public awareness of left-wing market anarchism
na construção da consciência pública do anarquismo esquerdista de mercado
Libertarian Self-Marginalization
Automarginalização Libertária
Afixado por Kevin Carson em 17 de agosto de  2012 em A Arte do Possível - Recuperado
Go to the average mainstream libertarian venue on any given day, and you’re likely to see elaborate apologetics for corporate globalization, Wal-Mart, offshoring, Nike’s sweatshops, rising CO2 levels, income inequality and wealth concentration, CEO salaries, Big Pharma’s profits, and Microsoft’s market share, all based on the principles of “the free market”–coupled with strenuous denials of all of the perceived evils of corporate power because (as Henry Hazlitt explained at some place or other in PDF - Economics in One Lesson) the principles of the “free market” won’t allow it.
Vá ao espaço libertário convencional em qualquer dia, e provavelmente você encontrará detalhada e complicada apologética favorável a globalização corporativa, Wal-Mart, externalização [offshoring], fábricas de trabalho escravo da Nike, níveis ascendentes de CO2, desigualdade de renda e concentração de riqueza, salários do Dirigente Executivo, lucros da grande indústria farmacêutica, e fatia de mercado da Microsoft, tudo com base nos princípios do “livre mercado”–juntamente com estrênua negação de todas as perversidades percebidas do poderio corporativo porque (como Henry Hazlitt explicou em algum lugar ou outro no  PDF - Economia em Uma Só Lição) os princípios do “livre mercado” não permitiriam que elas ocorressem.
The last item is what I call “vulgar libertarianism.” It refers to the inability of some libertarian commentators to remember, from one moment to the next, whether they’re defending free market principles as such, or simply making a cynical apology for the interests of big business and the plutocracy cloaked in phony “free market” rhetoric. The vulgar libertarian comentator will often tip his hat, in principle, to the existence of corporate-state collusion, and admit that the present economy deviates from a free market in many ways that work to the benefit of big business. But shortly after, he will switch gears and proceed to defend the existing size and wealth of big business on the basis of “how our free market system works.” The vulgar libertarian argument depends on taking an equivocal position as to whether or not the existing corporate economy is a free market, and then shifting ground back and forth in a such a way as to make the argument come out in big business’s favor.
O último item é o que chamo de “libertarismo vulgar.” Refere-se à incapacidade de alguns comentadores libertários de se lembrarem, de um momento para o seguinte, se estão defendendo princípios de livre mercado enquanto tais, ou simplesmente fazendo cínica apologia dos interesses das grandes empresas e da plutocracia disfarçada em retórica fraudulenta de “livre mercado.” O comentador libertário vulgar amiúde aplaudirá, em princípio, a existência do conluio corporativo-estatal, e admitirá que a presente economia se distancia do livre mercado de várias maneiras que militam em benefício das grandes empresas. Pouco depois, porém, ele mudará sua abordagem e passará a defender os atuais porte e riqueza das grandes empresas com base “no modo de funcionamento de nosso sistema de livre mercado.” A argumentação do libertário vulgar assenta-se no assumir uma posição equívoca no tocante a se ou não a economia corporativa tal como hoje existe é livre mercado e, em seguida, mudar de posição, indo e vindo, de tal maneira que a argumentação no fim acabe favorável às grandes empresas.
A good example of this appeared recently on Mises Blog: “A Marketplace to Loathe.” I should mention, up front, that the author himself (Christopher Westley) has acknowledged corporate rent-seeking in other posts. He acknowledged in the comment thread that corporations in league with the state could be a menace, and apologized for having possibly not made that clear in his post. He also explained to me, in a very civil email, that the target of his attack was the unquestioned liberal assumption that corporate power is the normal product of a free market, rather than of government intervention in the market. And he reassured me that, unlike many commenters in the discussion thread under the post, he did not regard my objections as nit-picking. So let me be clear that I don’t regard his argument as either malicious or deliberately dishonest (although I have considerable reservations about some of the commenters).
Bom exemplo disso apareceu recentemene no Blog de Mises: “Mercado Digno de Asco.” Devo mencionar, de saída, que o próprio autor (Christopher Westley) já reconheceu o rent-seeking(*) corporativo em outras postagens. Ele reconheceu, na parte de comentários, que as corporações, conspirando com o estado, podem representar ameaça, e penitenciou-se por possivelmente não ter deixado isso claro em sua postagem. Também me explicou, em email muito cortês, que o alvo de seu ataque era a assunção liberal não questionada de que o poder corporativo é produto normal do livre mercado, em vez de da intervenção do governo no mercado. E me assegurou que, diferentemente de muitos comentadores da parte de discussão abaixo da postagem, não via minhas objeções como tratando de detalhes insignificantes. Portanto permitam-me deixar claro que não vejo a argumentação dele como maliciosa ou deliberadamente desonesta (embora eu mantenha considerável reserva em relação a alguns dos comentadores).

(*) Conforme a Wikipedia, rent-seeking, ou busca de renda, é uma tentativa de derivar renda econômica mediante manipular o ambiente social ou político no qual as atividades econômicas ocorrem, em vez de por meio de criação de nova riqueza. Um exemplo é gastar dinheiro em lobby político para conseguir fatia de riqueza que já foi criada.
Nevertheless, his original article itself does not include any of the nuances that he stipulated to after the fact. It does not even raise the question of whether or not this is a free market, or treat it as the point at issue between libertarians and liberals. On its face, therefore, his original argument is a vulgar libertarian one.
Todavia, o artigo original dele, em si, não inclui quaisquer das nuances que ele estipulou após o fato. Sequer suscita a pergunta de se ou não temos um livre mercado, nem trata esse assunto como o ponto em questão entre libertários e liberais. Claramente, pois, a argumentação original dele é libertária vulgar.
The subject of his post was a commentary on NPR’s Marketplace program. Here is the bit he quoted:
O objeto da postagem dele foi um comentário acerca do programa Mercado da Rádio Pública Nacional - NPR. Eis o trecho que ele citou:
I have one plea. Could you please do what is necessary to restore our faith in the corporations of business, a faith that has been so damaged in recent years? The tall towers that house our corporations are the new palaces of our day, the places where real power resides, but those towers are full of paradoxes. Made of glass, you can’t see inside. They’re pillars of our democracy, but they are run as totalitarian states. Their names are reduced to a set of initials. Their leaders are unknown to those outside. They are accountable, for the most part, to other institutions that sit in similarly anonymous towers. To the average person, they are foreign entities shrouded in mystery. It is no wonder that we look at them with suspicion, touched with envy.
Tenho um pedido. Poderia você por favor fazer o que seja necessário para restaurar nossa fé nas corporações de negócios, fé que tem sido tão abalada nos anos recentes? As altas torres que abrigam nossas corporações são os novos palácios de nossos dias, os lugares onde o poder real reside, mas essas torres estão cheias de paradoxos. Feitas de vidro, você pode ver lá dentro. Elas são pilares de nossa democracia, mas são administradas como estados totalitários. Seus nomes são reduzidos a um conjunto de iniciais. Seus líderes são desconhecidos dos que estão de fora. Elas respondem, na maior parte, a outras instituições instaladas em torres similarmente anônimas. Para a pessoa média, elas são entidades estrangeiras envoltas em mistério. Não é de admirar que as olhemos com suspeita, com toques de inveja.
Westley’s response:
A resposta de Westley:
…[E]ven the largest corporation has no power over the individual unless the individual grants it, so… the consumer can thumb his nose at General Motors and GM can do nothing but try harder to please him in the future if it wants his business.
…[M]esmo a maior corporação não tem poder sobre o indivíduo, a menos que o indivíduo o conceda, portanto... o consumidor pode torcer o nariz para a General Motors e a GM nada pode fazer a não ser esforçar-se mais para agradá-lo no futuro se desejar tê-lo como cliente.
Even though it’s tangential, by the way, I can’t refrain from commenting on Westley’s characterization of Marketplace as a “Marxist business show” and his reference to the commentator–Charles Handy–as “commie-of-the-day.” According to the “Marketplace” homepage, Handy is a “London Business School founder and Claremont Graduate University’s Drucker School of Business Professor…” This leads me to believe that however much Handy may support the interventionist state, he’s not doing so from a Marxist perspective. (Just as the British propertied classes who argued for Enclosure, on the grounds that the laboring classes could only be forced to work harder if they were kicked off their land, probably weren’t Marxists either.) Roy Childs’ observation that liberal intellectuals have been, historically, the running dogs of Big Business, is probably closer to the mark. I think it’s safe to say that Handy views as normal a society in which large corporations are “the pillars of our democracy,” and simply wants to stabilize that corporate rule. And for all his no doubt sincere belief in his own progressive motivation, most of the “reform” measures he advocates amount in practice to what New Leftist Gabriel Kolko, in The Triumph of Conservatism, called “political capitalism”:
Embora algo tangencial, a propósito, não posso deixar de comentar a caracterização de Westley do Mercado como um “espetáculo marxista de negócios” e sua referência ao comentador–Charles Handy–como “o comuna do dia.” De acordo com a homepage do “Mercado,” Handy é “fundador da London Business School e Professor da Faculdade Drucker de Administração de Empresas da Claremont Graduate University…” Isso me leva a crer que por mais que Handy possa ser a favor do estado intervencionista, não o faz de uma perspectiva marxista. (Do mesmo modo que as classes latifundiária britânicas, que argumentaram em favor do Cerco, com base em que as classes trabalhadoras só poderiam ser forçadas a trabalhar mais arduamente se expulsas de suas terras, provavelmente também não eram marxistas). A observação de Roy Childs de que os intelectuais liberais têm sido, historicamente, lacaios da Grande Empresa está provavelmente mais perto da verdade. Creio ser seguro dizer que Handy vê como normal uma sociedade na qual grandes corporaçõe são “os pilares de nossa democracia,” e simplesmente deseja establizar essa ordem corporativa. E apesar de toda a sua sem dúvida sincera crença em sua própria motivação progressista, a maior parte das medidas de  “reforma” que ele defende acaba equivalendo, na prática, àquilo que Gabriel Kolko, da Nova Esquerda, em O Triunfo do Conservadorismo, chamou de “capitalismo político”:
Political capitalism is the utilization of political outlets to attain conditions of stability, predictability, and security–to attain rationalization–in the economy… [By rationalization] I mean… the organization of the economy and the larger political and social spheres in a manner that will allow corporations to function in a predictable and secure environment permitting reasonable profits over the long run.
Capitalismo político é a utilização de canais políticos para atingimento de condições de estabilidade, previsibilidade e segurança–para atingir racionalização–na economia… [Por racionalização] entendo… a organização da economia e das esferas mais largas política e social de maneira que permita às corporações funcionarem num ambiente previsível e seguro permitindo lucros razoáveis no longo prazo.
I’m sure Handy does see the bad aspects of corporate power as resulting from the unregulated marketplace (as opposed to seeing all corporate power, and the state intervention that causes it, as bad in themselves). But the issue didn’t even show up in Westley’s post. He simply quoted a reference to totalitarian corporate power, and then argued that it can’t exist because that’s not how the “free market” works (that’s works, present indicative, not would work). His later clarifications notwithstanding, his original post simply quoted a reference to corporate power and responded with a counter-assertion that corporate power cannot exist–because the “free market” won’t allow it.
Estou certo de que Handy sim vê os maus aspectos do poder corporativo como resultando do mercado não regulamentado (por oposição a ver todo poder corporativo, e a intervenção do estado que o causa, como maus em si próprios). Essa questão, entretanto, sequer aparece na postagem de Westley. Ele simplesmente citou uma referência ao poder corporativo totalitário e, em seguida, argumentou que tal poder não pode existir porque não é assim que o “livre mercado” funciona (isso é funciona, presente do  indicativo, não funcionaria). Apesar dos esclarecimentos posteriores dele, a postagem original simplesmente citou uma referência ao poder corporativo e respondeu com uma contra-asserção segundo a qual o poder corporativo não pode existir–porque o “livre mercado” não o permitiria.
At any rate, that was the gist of my comment under the post:
De qualquer forma, este é o cerne de meu comentário sob a postagem:
GM and other corporations can (and DO!) also act in collusion with the state, to erect market barriers and limit the range of competition.
A GM e outras corporações podem (e o FAZEM!) também agir em conluio com o estado para erigir barreiras à entrada no mercado e limitar o âmbito da competição.
So in fact what you should be saying is not that the largest corporation “has no power,” but that the largest corporation “WOULD have no power in a free market.”
Assim, na verdade, o que você deveria dizer não é que a maior das corporações “não tem poder,” mas que a maior das corporações “não TERIA poder num livre mercado.”
And since this isn’t a free market, but rather (as Rothbard said) a corporate state that subsidizes the accumulation of capital and the operating expenses of big business, the radio commentator was entirely correct about the power exercised in those corporate towers.
E visto não termos um livre mercado, e sim (como disse Rothbard) um estado corporativo que subsidia a acumulação de capital e as despesas operacionais das grandes empresas, o comentador da rádio estava inteiramente correto acerca do poder exercido naquelas torres corporativas.
You should figure out what your actual purpose is: defending free market principles as such, or just defending the profits and power of big business under the guise of “free market” principles.
Você deveria deixar claro qual é seu real objetivo: defender os princípios do livre mercado enquanto tais, ou apenas defender os lucros e o poder das grandes empresas sob o disfarce de princípios de “livre mercado.”
Several regular Mises Blog commenters immediately reacted to my criticism, in the same way they’d react to a turd in the punchbowl. One of them came up with this gem:
Diversos comentadores usuais do Blog de Mises imediatamente reagiram a minha crítica da mesma forma que reagiriam se encontrassem um pedaço de excremento na poncheira. Um deles saiu-se com esta pérola:
When are you going to get past this same, tired argument? Must the authors qualify every statement? Is this a scholarly journal or a blog article?
Quando você vai deixar de usar esse mesmo, batido argumento? Os autores têm de qualificar toda declaração? Isto aqui é uma publicação acadêmica ou um artigo de blog?
Yes, Kevin, we don’t live in a free market.
Sim, Kevin, não vivemos num livre mercado.
Yes, Kevin, many (if not all) corporations do lobby for and accept handouts.
Sim, Kevin, muitas (se não todas) as corporações fazem lobby e aceitam doações.
Oh wait, whats that? Its a Wal-Mart article you haven’t chastised for its lack of “this isn’t a free-market” qualifications. Go chase it Fido! Bye.
Oh espere, o que é isto aqui? É um artigo do Wal-Mart que você não criticou por sua falta de qualificações “este não é um livre mercado.” Vá pegá-lo, Totó! Até logo.
While I think it’s justifiable to credit Westley for his honesty and good intentions, the commenters are a different matter entirely.
Embora eu creia justificável creditar Westley por sua honestidade e boas intenções, os comentadores são caso inteiramente diverso.
I’m utterly amazed that 1) a commentator can make a reference to corporate power; 2) a critic can dismiss him as a “Marxist” on the grounds that corporate power can’t exist in a “free market”; and 3) the critic’s defenders can dismiss the question of whether a free market in fact exists as a quibble and distraction, and accuse the person raising it of marring the symmetry of the critic’s pretty argument with a bunch of nasty old facts. When Party A refers to the existence of corporate power, and Party B makes the counter-assertion that corporations can’t have (not “couldn’t have”) any power in a free market, the question of whether in fact a free market even exists is not a mere quibble. It is the central point at issue in determining whether Party A’s contention is right or wrong, and whether Party B owes him an apology.
Estou completamente pasmo por 1) um comentador poder fazer referência ao poder corporativo; 2) um crítico poder desqualificá-lo como “marxista” com base em que o poder corporativo não pode existir em um “livre mercado”; e 3) os defensores do crítico poderem desqualificar a pergunta de se um livre mercado realmente existe como se ela fosse ninharia ou fugir do assunto, e acusar a pessoa que a suscitou de arruinar a simetria da bela argumentação do crítico com uma penca de sórdidos velhos fatos. Quando a Parte A refere-se à existência do poder corporativo, e a Parte B faz a contra-asserção de que as corporações não podem ter (não “não poderiam ter”) qualquer poder num livre mercado, a questão de se de fato um livre mercado sequer existe não é mero detalhe. É o ponto central em questão na determinação de se a asserção da Parte A está certa ou errada, e de se a Parte B lhe deve desculpas.
But let’s look at all this in broader terms. Although Handy did not–in the passage quoted by Westley–explictly treat corporate power as the natural outcome of the market, or argue for state intervention as the only way to prevent it, he did strongly imply it in the full commentary from which it was excerpted. But Westley did not make the extent of government’s role in corporate power the subject of his post; he simply denied, flat-out, that corporate power existed, based on the way the market operates.
Olhemos para tudo isso, entretanto, em termos mais amplos. Embora Handy não tenha–na passagem citada por Westley–tratado explicitamente o poder corporativo como resultado natural do mercado, ou argumentado no sentido de intervenção do estado como única forma de impedi-lo, ele sim implicou fortemente isso no comentário completo do qual extraído o excerto. Contudo, Westley não tornou a extensão do papel do governo no poder corporativo  objeto de sua postagem; ele simplesmente negou, sem hesitação ou reserva, que o poder corporativo existisse, baseado no meio como o mercado funciona.
But what if Handy does, as I think likely, implicitly assume (what I regard as the typically vulgar liberal assumption) that the free market results in corporate power unless the state intervenes to prevent it: what, then is the most effective response, if our goal is to promote libertarian ideas in society at large? Not, as Westley did, to reflexively defend the honor of big business and deny that corporate power exists.
Mas e se Handy de fato, como me parece provável, assume implicitamente (o que vejo como a assunção tipicamente liberal vulgar) que o livre mercado resultará em poder corporativo a menos que o estado intervenha para impedir que isso aconteça: qual, então, será a resposta mais eficaz, se nossa meta é promover ideias libertárias na sociedade em geral? Não será, ao contrário do que Westley fez, defender reflexamente a honra das grandes empresas e negar que o poder corporativo exista.
The most effective response would be something like this:
A resposta mais eficaz seria algo do seguinte tipo:
I agree with you that corporate power exists, and share your concern with its evil effects, but I believe you’re mistaken about its causes and remedy. The evil effects of corporate power result, not from government’s failure to restrain big business, but from government propping it up in the first place: this government support includes subsidies to the operating costs of big business, and protection of big business from market competition through market entry barriers, regulatory cartels, and special privileges like so-called “intellectual property.”
Concordo com você nisto, em que o poder corporativo existe, e compartilho de sua preocupação com seus efeitos perversos, mas acredito você esteja equivocado acerca das causas e de como remediar a situação. Os efeitos perversos do poder corporativo resultam, não da impotência do governo para restringir as grandes empresas, mas do suporte que o governo proporciona a elas, antes de tudo: esse suporte do governo inclui subsídios para os custos operacionais das grandes empresas, e proteção das grandes empresas da competição do mercado, por meio de barreiras a entrada no mercado, cartéis regulamentadores e privilégios especiais tais como a assim chamada “propriedade intelectual.”
A libertarian movement that dismisses the public’s concerns about very real problems, apparent to anyone with eyes in their head, with doctrinaire denials that they exist or can exist, is a libertarian movement doomed to irrelevance.
Um movimento libertário que desqualifique as preocupações do público com problemas muito reais, visíveis a qualquer pessoa que tenha olhos na cara, recorrendo a negações doutrinárias quanto a eles existirem ou poderem existir, é um movimento libertário condenado à irrelevância.
Here’s what Mises wrote, in Epistemological Problems of Economics, about apparent conflicts of theory with experience:
Eis aqui o que Mises escreveu, em Problemas Epistemológicos da Economia, acerca de aparentes conflitos entre teoria e experiência:
If a contradiction appears between a theory and experience, we must always assume that a condition pre-supposed by the theory was not present, or else there is some error in our observation. The disagreement between the theory and the facts of experience frequently forces us to think through the problems of the theory again. But so long as a rethinking of the theory uncovers no errors in our thinking, we are not entitled to doubt its truth.
Caso surja contradição entre uma teoria e a experiência, temos de sempre assumir que uma condição pressuposta pela teoria não estava presente, ou então haverá algum erro em nossa observação. O desacordo entre a teoria e os fatos da experiência amiúde nos força a repensar o todo dos problemas da teoria. Na medida, porém, em que o repensamento da teoria não revele quaisquer erros em nosso raciocínio, não faz sentido duvidarmos de sua veracidade.
The vulgar libertarians, however, question neither their application of Mises’ theory nor their understanding of the facts. Instead they challenge us: “Who’re ya gonna believe: Mises or your lying eyes?”
Os libertários vulgares, porém, não questionam nem sua aplicação da teoria de Mises nem seu entendimento dos fatos. Em vez disso, eles nos desafiam: “Em quem você acreditará? Em Mises ou em seus próprios olhos enganadores?”
We all know that corporate power exists. Any libertarian movement that hopes for anything more than self-marginalization must directly address the common sense perception that corporate power exists, and the public concerns that stem from the fact, and explain why the market is the good guy and the state the bad guy on the issue.
Todos sabemos que o poder corporativo existe. Qualquer movimento libertário que espere mais do que automarginalização terá de visar diretamente a percepção de senso comum de que o poder corporativo existe, a preocupação pública que se origina desse fato, e explicar por que o mercado é o bom rapaz e o estado o mau caráter no tópico em debate. 
The approach I see in all too many mainstream libertarian venues is the moral equivalent of saying to someone whose house is burning down, “Your house can’t be burning down because houses can’t burn down without oxygen, you dirty commie!”–and then dismissing as “quibbling” the question of whether there is in fact oxygen in the air.
A abordagem que vejo em demasiados rincões libertários convencionais é o equivalente moral de dizer a alguém cuja casa se esteja incendiando: “Sua casa não pode estar-se incendiando porque casas não se incendeiam sem oxigênio, seu comuna torpe!”–e em seguida desqualificar como “ninharia” a questão de se de fato existe oxigênio no ar.
We live in a society where the evils of the state-corporate nexus, resulting directly from the corporate size and power it promotes, are the central issues of concern to the average person. Far too large a portion of the current libertarian movement dismisses these concerns as motivated by “economic illiteracy” (although their own pro-corporate apologetics are, if anything, more open to that charge), and then passes on to what it regards as the real problems of injustice crying out for solution: uppity union workers, welfare moms wallowing in luxury on their food stamps, and “trial lawyers.”
Vivemos numa sociedade onde as perversidades do nexo estado-corporação, diretamente resultantes do porte e poder das corporações que ele promove, são as questões centrais de preocupação para a pessoa média. Porção demasiado grande do atual movimento libertário desqualifica essas preocupações como motivadas por “analfabetismo econômico” (embora sua própria apologética pró-corporação seja, no mínimo, mais vulnerável a essa acusação), e em seguida passa a tratar do que considera os problemas reais de injustiça clamando por solução: arrogantes trabalhadores sindicalizados, mamães beneficiadas pelo bem-estar social espojando-se no fausto de seus cupons para compra de alimentos, e “advogados especializados em defender clientes no tribunal.”
For too many mainstream libertarians, the evils of corporate-state collusion are something to tip one’s hat to, and corporate welfare is kinda sorta bad, in principle, I guess, and maybe we oughta do something about it someday…. But welfare that helps the poor, instead of the rich, is Flaming Red Ruin on Wheels!
Para número demasiado grande de libertários convencionais, as perversidades do conluio corporação-estado são algo a ser aplaudido, e o assistencialismo em favor da corporação é um tanto ruim, em princípio, acredito, e talvez devamos fazer algo a respeito algum dia... Mas o assistencialismo que ajuda os pobres, em vez de os ricos, é a Ruína Flamante Vermelha sobre Rodas!
And as historically illiterate and illogical as some of the commenters at Daily Kos can be, when they make their facile “pot-smoking Republicans” dismissals of libertarianism, when you get right down to it mainstream libertarians have only themselves to blame. Rather than addressing the historical illiteracy and illogic with reasoned arguments along the lines I described above–the role the state has played in the creation and preservation of corporate power, and how the market threatens it–mainstream libertarianism simply denies that corporate power exists at all, and backs up that position with equal historical illiteracy and illogic of its own. If I thought “free markets” and “free trade” really meant what neoliberal talking heads mean by them, I’d hate them too.
E por historicamente analfabetos e ilógicos que alguns dos comentadores do site Daily Kos possam ser, ao fazerem suas simplistas desqualificações tipo “Republicanos fumantes de maconha” do libertarismo, quando você pensa bem, os libertários convencionais só têm a si próprios para responsabilizar. Em vez de endereçar-se ao analfabetisco histórico e à falta de lógica com argumentos ao longo das linhas que descrevi acima–o papel que o estado tem desempenhado na criação e preservação do poder corporativo, e como o mercado ameaça esse poder–o libertarismo convencional simplesmente nega que o poder corporativo exista em absoluto, e sustenta essa posição com igual analfabetismo histórico e falta de lógica próprios. Se eu achasse que “livres mercados” e “livre comércio” realmente significassem o que locutores neoliberais dizem significar essas expressões, eu também odiaria essas coisas.
Indeed, there is a great deal of mirror-imaging between the vulgar libertarian and vulgar liberal interpretation of history. Both the typical denizen of Mises Blog, and the typical Daily Kos commenter, would agree that the giant corporations of the twentieth century emerged from the “laissez-faire” market of the nineteenth, and that the twentieth century mixed economy emerged as an attempt to restrain big business. Their only area of disagreeement is over whether big business or big government is the “good guy.”
Na verdade, há muito de imagem invertida no espelho entre o libertário vulgar e a interpretação liberal vulgar da história. Tanto o frequentador típico do Blog de Mises quanto o típico comentador do Daily Kos concordariam com que as corporações gigantescas do século vinte surgiram do mercado “laissez-faire”  do século dezenove, e com que a economia mista do século vinte surgiu como tentativa de restringir as grandes empresas. A única área de desacordo entre eles é acerca de quem é o “bom rapaz/herói”–a grande empresa ou o governo hipertrofiado.
This entry was posted on Monday, March 10th, 2008 at 1:33 am.
Este item foi afixado na segunda-feira, 10 de março de 2008, à 1:33 hora.
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é integrante sênior do Centro por uma Sociedade sem Estado  (c4ss.org) e titular da Cadeira Karl Hess do Centro.  É anarquista mutualista e individualista cuja obra escrita inclui SEstudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária,  e  A Revolução Industrial Gestada em Casa:  Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade  e diversos periódicos e blogs na internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.

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