Saturday, November 10, 2012

C4SS - Dark Satanic Cubicles – It’s time to smash the job culture!


Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade sem Estado
building public awareness of left-wing market anarchism
na construção da consciência pública do anarquismo esquerdista de mercado
Dark Satanic Cubicles – It’s time to smash the job culture!
Sombrios Cubículos Satânicos – É hora de acabar com a cultura do emprego!
Posted by James Tuttle on Sep 20, 2012 in Left-Libertarian - Classics
Afixado por James Tuttle em 20 de setembro de 2012 em Libertário de Esquerda - Clássicos
Dark Satanic Cubicles was originally published in 2005 on Loompanics Unlimited, written by Claire Wolfe.
Dark Satanic Cubicles foi originalmente publicado em 2005 em Loompanics Unlimited, escrito por Claire Wolfe.
You load sixteen tons, and what do you get?
Another day older and deeper in debt.
St. Peter don’t you call me, ’cause I can’t go.
I owe my soul to the company store.
Merle Travis, chorus of the song Sixteen Tons
Você carrega dezesseis toneladas, e o que ganha com isso?
Outro dia mais velho e mais afundado em dívidas.
São Pedro, não me chame, porque não posso ir.
Devo minha alma à loja da empresa.
Merle Travis, refrão da canção Dezesseis Toneladas

Back in 1955, thunder-voiced Tennessee Ernie Ford recorded that song as the B-side of a single. Soon, nobody could even remember what the A-side was. DJ’s all over the country began flipping the disc – and within two months of its release Sixteen Tons had become the biggest single ever sold in America.
Em 1955, o voz-de-trovão Tennessee Ernie Ford gravou essa canção como lado B de um disco. Logo, ninguém conseguia lembrar qual era o lado A. Disc jockeys do país inteiro começaram a tocar o disco – e dentro de dois meses de seu lançamento Dezesseis Toneladas havia-se tornado o maior disco de lado de música única jamais vendido nos Estados Unidos.
Sixteen Tons is a John Henry style fable about a coal miner whos tough as nails one fist of iron, the other of steel. Hes able to do the most back-breaking job and slaughter any opponent. But even though he’s been working in the mines since the day he was born, he can’t get ahead. Merle Travis wrote and recorded the song in 1946. But until Ford covered it, Sixteen Tons hadn’t done Travis a bit of good.
Dezesseis Toneladas é uma fábula no estilo de John Henry acerca de um mineiro de hulha forte e determinado  um punho de ferro, o outro de aço. Ele é capaz de fazer o trabalho fisicamente mais pesado e derrotar qualquer oponente. Contudo, embora trabalhe nas minas desde o dia em que nasceu, não consegue ir para a frente. Merle Travis escreveu e gravou a canção em 1946. Até entretanto Ford tê-la interpretado, Dezesseis Toneladas não havia rendido nada a Travis.
Far from it. Although Travis was a patriotic Kentucky boy, the U.S. government thought any song complaining about hard work and hopeless debt was subversive. The song got Travis branded a communist sympathizer (a dangerous label in those days). A Capitol record exec who was a Chicago DJ in the late 40s remembers an FBI agent coming to the station and advising him not to play Sixteen Tons.
Longe disso. Embora Travis fosse um patriótico jovem do Kentucky, o governo dos Estados Unidos achava que qualquer canção que reclamasse de trabalho duro e de dívida insolvível era subversiva. A canção rendeu a Travis ser rotulado de simpatizante do comunismo (rótulo perigoso naquele tempo). Um executivo da gravadora Capitol que fora disc jockey em Chicago ao final dos anos 1940 lembra-se de um agente do FBI ter ido à estação e adverti-lo para não tocar Dezesseis Toneladas.
Pretty big fuss over one little song.
Muita agitação por causa de uma pequena canção.
By 1955, when the song finally became a mega-hit, most Americans had already moved away from coal-mine type jobs. It was the era of The Man in the Gray Flannel Suit, the corporation man, the efficiency expert, and brokenhearted distress about conformity – from people who continued helplessly to commute, consume, cooperate, conform – and gobble their Milltown tranquilizers and beg doctors to treat their tension-spawned ulcers. This was a world far, far, far from the coal mines, with a seemingly very different set of tribulations.
Em 1955, quando a canção finalmente alcançou enorme sucesso, a maioria dos estadunidenses já não tinha empregos do tipo mina de hulha. Era a época do Homem de Terno Cinzento, o homem da corporação, o especialista em eficiência, e de tremenda angústia devido à necessidade de conformidade – por parte de pessoas que continuavam impotentemente a viajar de casa para o trabalho e vice-versa, a consumir, a cooperar, a enquadrar-se – e a engolir seus calmantes Milltown e a procurar médicos para tratar suas úlceras geradas por tensão. Era um mundo distante, muito distante das minas de hulha, com um conjunto de tribulações aparentemente muito diverso.
Yet somehow that chorus still resonated: Another day older and deeper in debt.
Contudo, de algum modo aquele coro ainda ressoava: Outro dia mais velho e mais afundado em dívidas.
Beyond all the fantasy lyrics about being raised in the cane-brake by an old mama lion, Sixteen Tons still resonates.
Além de toda a letra fantasiosa acerca de ter sido criado no canavial por uma velha mamãe leoa, Dezesseis Toneladas ainda ressoa.
We don’t work for mining companies that pay in scrip redeemable only at the company store. But we work our asses off and end up with credit cards that hit us with 19.99 percent interest, $40 late fees, and other hidden charges so heavy it’s possible – even common – to pay for years and actually owe more than you started with.
Não trabalhamos para companhias de mineração que pagam em papéis só resgatáveis na loja da empresa. Trabalhamos como mouros, porém, e acabamos com cartões de crédito que nos atingem com 19,99 por cento de juros, $40 dólares por pagamento atrasado de taxas, e outras cobranças ocultas tão pesadas que é possível – comum, até – pagar durante anos e na realidade dever mais do que no início.
We work even longer hours than our fathers, pay higher taxes, depend on two salaries to keep one household together, shove our alienated children into daycare and government education camps, watch our money steadily inflate away, and suffer mightily from a raft of job-related mental and physical ills.
Trabalhamos horas ainda mais longas do que nossos pais, pagamos tributos mais altos, dependemos de dois salários para manter uma casa, empurramos nossos filhos alienados para creches ou acampamentos educacionais do governo, vemos nosso dinheiro ser sistematicamente consumido pela inflação, e sofremos enormemente de uma penca de doenças mentais e físicas relacionadas com o emprego.
We may not do manual labor. But we work even longer hours than our fathers, pay higher taxes, depend on two salaries to keep one household together, shove our alienated children into daycare and government education camps, watch our money steadily inflate away (while the TV tells us the consumer price index is holding steady) and suffer mightily from a raft of job-related mental and physical ills.
Podemos não fazer trabalho manual. Trabalhamos, porém, mais horas do que nossos pais, pagamos tributos mais altos, dependemos de dois salários para manter uma casa, empurramos nossos filhos alienados para creches ou acampamentos educacionais do governo, vemos nosso dinheiro ser sistematicamente consumido pela inflação (enquanto a TV nos diz que o índice de preços ao consumidor está-se mantendo estável) e sofremos enormemente de uma penca de doenças mentais e físicas relacionadas com o emprego. 
What’s changed but the details? For all our material possessions, we’re in the same old cycle of working, hurting, and losing.
O que mudou, senão os detalhes? Apesar de todas as nossas posses materiais, estamos no mesmo velho ciclo de trabalho, ansiedade, e perda.
And even though the FBI may not pay us a visit for complaining about it, rebelling against jobs is still a threat to the powers that be.
E embora o FBI possa não nos visitar para reclamar a respeito, rebelar-se contra empregos ainda é uma ameaça para as autoridades.
The government doesn’t have to worry about rebellion much, though. Because today we’re programmed from the moment we wake up to the moment we go to bed to value jobs, big corporations – and the things jobs buy us – over the real pleasures – and real necessities – of being human.
O governo não tem muito com que se preocupar no tocante a rebelião, porém. Pois hoje estamos programados, desde o momento em que acordamos até o momento em que vamos dormir, para valorizar empregos, grandes corporações – e as coisas que os empregos nos compram – acima dos reais prazeres – e das reais necessidades – do ser humano.
The news says it every day:
O noticiário diz-nos, todos os dias:
130,000 jobs were created in July. Jobs = Good.
130.000 empregos foram criados em julho. Empregos = Bom.
We’re losing jobs overseas. Losing jobs = Bad.
Estamos perdendo empregos no exterior. Perder empregos = Ruim.
Leading economic indicators say. Economic indicators (whatever the hell they may be) = Important.
Os principais indicadores econômicos dizem. Indicadores econômicos (que diabo possa ser isso) = Importante.
The Dow-Jones industrial average rose… The stock market = Vital.
A média industrial Dow-Jones subiu… O mercado de ações = Vital.
Every day in the media, the health of the nation is measured – sometimes almost exclusively measured – in jobs and stocks, employment and corporations.
Todo dia, na mídia, a saúde da nação é medida – por vezes medida quase exclusivamente – em empregos e ações, emprego e corporações.
I don’t mean to imply that income, production, and other such measures aren’t important. They are important – in their place. In perspective. But why do we (via our media) believe these very few factors are so vitally and exclusivelyimportant when it comes to determining the economic health of our society?
Não pretendo implicar que renda, produção e outras medidas da espécie não sejam importantes. São importantes – em seu lugar. Em perspectiva. Entretanto, por que nós (via nossa mídia) acreditamos que esses poucos fatores sejam tão vitalmente e exclusivamente importantes quando se trata de determinar a saúde econômica de nossa sociedade?
We take it as a given that jobs = good, that high stocks = good, and that working harder and spending lots of money = more jobs and higher stocks.
Tomamos como dados que empregos = bom, que ações em alta = bom, e que trabalhar arduamente e gastar muito dinheiro = mais empregos e ações em maior alta.
Then we go off to jobs we mostly detest. Or jobs we enjoy, but that stress us out, take us away from our families, and turn our home hours into a frenzied burden, in which we have to struggle to do everything from entertain ourselves to making artificial quality time with kids who barely know us.
Então disparamos para empregos que, na maior parte dos casos, detestamos. Ou dos quais gostamos, mas que nos tornam ansiosos, nos furtam de nossas famílias, e tornam nossas horas no lar num fardo fora de controle, no qual temos de lutar para fazer tudo, desde entreter-nos até criar tempo para afeição artificial com filhos que mal nos conhecem.
There’s something wrong with this picture.
Há alguma coisa errada nesse cenário.
In our current economic setup, which is an evolutionary, not revolutionary, development from 250 years ago, when the Industrial Revolution got started, yes, jobs are important. But that’s like saying that puke-inducing chemotherapy is important when you’ve got cancer.
Em nossa atual organização econômica, a qual é um desdobramento evolucionário, não revolucionário, de há 250 anos, quando começou a Revolução Industrial, sim, os empregos são importantes. Contudo, isso é algo semelhante a dizer que a quimioterapia indutora de vômito é importante quanto você tem câncer.
Uh, yeah. But better not to get cancer in the first place, right?
Oh, sim. Melhor, porém, não ter câncer, certo?
In a healthy human community, jobs are neither necessary nor desirable. Productive work is necessary – for economic, social, and even spiritual reasons. Free markets are also an amazing thing, almost magical in their ability to satisfy billions of diverse needs. Entrepreneurship? Great! But jobs – going off on a fixed schedule to perform fixed functions for somebody else day after day at a wage – aren’t good for body, soul, family, or society.
Numa comunidade humana saudável, os empregos nem são necessários nem desejáveis. Trabalho produtivo é necessário – por razões econômicas, sociais e até espirituais. Os livres mercados são também algo estupendo, quase mágicos em sua capacidade de satisfazer biliões de necessidades diversas. Empreendedorismo? Excelente! Mas empregos – partir para um cronograma fixo para desempenhar funções fixas para outrem, dia após dia, por um salário – não são bons para corpo, alma, família ou sociedade.
Intuitively, wordlessly, people knew it in 1955. They knew it in 1946. They really knew it when Ned Ludd and friends were smashing the machines of the early Industrial Revolution (though the Luddites may not have understood exactly why they needed to do what they did).
Intuitivamente, sem palavras, as pessoas sabiam disso em 1955. Elas sabiam disso em 1946. Elas realmente sabiam disso quando Ned Ludd e amigos despedaçavam as máquinas do início da Revolução Industrial (embora os Ludditas possam não ter entendido exatamente por que precisavam fazer o que fizeram).
Jobs suck. Corporate employment sucks. A life crammed into 9-to-5 boxes sucks. Gray cubicles are nothing but an update on William Blake’s dark satanic mills. Granted, the cubicles are more bright and airy; but theyre different in degree rather than in kind from the mills of the Industrial Revolution. Both cubicles and dark mills signify working on other people’s terms, for other people’s goals, at other people’s sufferance. Neither type of work usually results in us owning the fruits of our labors or having the satisfaction of creating something from start to finish with our own hands. Neither allows us to work at our own pace, or the pace of the seasons. Neither allows us access to our families, friends, or communities when we need them or they need us. Both isolate work from every other part of our life.
Empregos são maçantes. O emprego corporativo é fastidioso. Passar a vida enfiado em caixas das 9 às 5 é uma porcaria. Cubículos cinzentos são apenas uma versão atualizada dos sombrios moinhos satânicos de William Blake. Certo, os cubículos são mais iluminados e arejados; são porém diferentes mais em grau do que em natureza dos moinhos da Revolução Industrial. Ambos, cubículos e moinhos sombrios, significam trabalhar nos termos de outras pessoas, para os objetivos de outras pessoas, com sujeição ao arbítrio de outras pessoas. Nenhum desses dois tipos de trabalho usualmente resulta em tomarmos posse dos frutos de nosso trabalho ou termos a satisfação de criar algo do começo ao fim com nossas próprias mãos. Nenhum dos dois nos permite trabalhar em nosso próprio ritmo, ou ao ritmo das estações. Nenhum dos dois nos permite acesso a nossas famílias, amigos ou comunidades quando necessitamos deles ou eles necessitam de nós. Ambos isolam o trabalho de todas as outras partes de nossa vida. 
And heck, especially if you work for a big corporation, you can be confident that Ebenezer Scrooge cared more about Bob Cratchett than your employer cares about you.
E, puxa vida, especialmente se você trabalha para uma grande corporação, pode ter certeza de que Ebenezer Scrooge se importava mais com Bob Cratchett do que seu empregador se importa com você.
The powers-that-be have feared for the last 250 years that we’d figure all that out and try to do something about it. Why else would the FBI try to suppress an obscure faux folk song? American history is full of hidden tales of private or state militias being used to smash worker rebellions and strikes. In the day of the Luddites, the British government went so far as to make industrial sabotage a capital crime. At one point crown and parliament put more soldiers to work smashing the Luddites than it had in the field fighting Napoleon Bonaparte.
No decurso dos últimos 250 anos, as autoridades sempre temeram que entendêssemos isso tudo e tentássemos fazer algo a respeito. Por que outro motivo tentaria o FBI suprimir uma obscura pretensa canção folclórica? A história estadunidense está cheia de histórias veladas de milícias privadas ou do estado usadas para reprimir rebeliões e greves de trabalhadores. No dia dos Ludditas, o governo britânico chegou ao ponto de tornar sabotagem industrial crime capital. Em determinado momento coroa e parlamento puseram mais soldados para trabalhar massacrando os Ludditas do que tinham tido no campo combatendo contra Napoleão Bonaparte.
Now, that’s fear for you.
Agora, seria o caso de temer por você.
But today, no worry. We’ve made wage-slavery so much a part of our culture that it probably doesn’t even occur to most people that there’s something unnatural about separating work from the rest of our lives. Or about spending our entire working lives producing things in which we can often take only minimal personal pride – or no pride at all.
Nos dias de hoje, porém, não há motivo de preocupação. Tornamos a escravatura dos salários parte tão inconsútil de nossa cultura que provavelmente nem ocorre à maior parte das pessoas haver algo de anormal em separar o trabalho do resto de nossas vidas. Ou em passar nossas vidas de trabalho inteiras produzindo coisas que nos dão apenas satisfação pessoal mínima – ou nenhuma satisfação.
We’re happy! We tell ourselves. We’re the most prosperous! free! happy! people ever to live on earth! We’re longer-lived, healthier, smarter, and just generally better off than anybody, ever, at any time on planet Earth. So we go on telling ourselves as we dash off to our counseling appointments, down our Prozac, or stare into the dregs of that latest bottle of wine.
Somos felizes! É o que dizemos a nós próprios. Somos as mais prósperas! livres! felizes! pessoas a viver na Terra! Temos vidas mais longas, somos mais saudáveis, mais inteligentes, e de modo geral vivemos em melhores condições materiais do que qualquer pessoa, em qualquer época, no planeta Terra. Continuamos a dizer isso para nós próprios enquanto nos abalamos para nossos compromissos de aconselhamento profissional, tomamos nosso Prozac, ou fitamos os sedimentos no fundo da última garrafa de vinho.
Horsefeathers! You know what we sound like, assuring ourselves of our good fortune? We sound like the mechanized voices whispering to the pre-programmed bottle babies in Aldous Huxley’s Brave New World:
Ora essa! Vocês sabem como soamos, quando afiançamos a nós próprios nossa boa sorte? Soamos como as vozes mecanizadas sussurrando para os bebês de proveta pré-programados no Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley:
Alpha children… work much harder than we do, because they’re so frightfully clever. I’m really awfully glad I’m a Beta, because I don’t work so hard. And then we are much better than the Gammas and Deltas.
Crianças Alfa… trabalham muito mais arduamente do que nós, porque são extremamente inteligentes. Estou realmente muito feliz por ser Beta, porque não trabalho tão arduamente. E somos muito melhores do que os Gamas e Deltas.
To believe how happy we are we have to ignore our rising rates of drug abuse, our soaring rates of depression, our backaches, our carpal tunnel syndromes, and our chronic fatigue syndrome. We have to ignore the billions of dollars and billions of hours we spend on mood-altering pharmaceuticals, drug-abuse counseling, headache remedies, mindless escape entertainment, day-care centers, status purchases, unhealthy comfort foods, shop-a-holic sprees, and doctor’s care for all our vague, non-specific physical and mental ills.
Para acreditar no quanto somos felizes temos de ignorar nossos índices ascendentes de abuso de drogas, nossos índices em disparada de depressão, nossas dores nas costas, nossas síndromes do túnel carpal, e nossa síndrome de fadiga crônica. Temos de ignorar os biliões de dólares e biliões de horas que passamos sob o efeito de drogas psicoativas, aconselhamento profissional relativo a abuso de drogas, remédios para dor de cabeça, entretenimento voltado para escapar da realidade, creches para crianças, compra de status, pratos nostálgicos não saudáveis, acessos de compras descontroladas, e tratamentos com médicos para todas as nossas doenças vagas, não específicas, físicas e mentais.
You think that’s how a happy person spends his time and money? Gimme a break!
Você acha que é dessa maneira que uma pessoa feliz gasta seu tempo e dinheiro? Tenha paciência!
Quit listening to that little mechanical corporate-state whisper that tells you what you’re supposed to consider important – that tells you jobs are supposed to be the central focus of your life. Quit listening to that voice that tells you you’re happy when your entire body and soul are screaming at you that you’re unhappy.
Pare de ouvir aquele pequeno sussurro mecânico corporativo-estatal que diz a você o que você deveria considerar importante – que diz a você que os empregos deveriam ser o foco central de sua vida. Pare de ouvir aquela voz que diz a você que você é feliz, quando seu corpo e sua alma inteiros estão berrando para você que você é infeliz.
Here’s something to shout to yourself: Jobs suck! Jobs are bad for you!
Eis aqui algo para você gritar para si próprio: Empregos são uma porcaria! Empregos fazem mal a você!
Shout it until you really hear yourself shouting it – then get out of the job madness, out of wage slavery, out of the grind that keeps you indebted to government, the boss, the bank, and the credit-card company.
Grite isso até realmente ouvir-se gritando-se isso – em seguida caia fora da loucura do emprego, da escravidão dos salários, da moenda que mantém você devendo ao governo, ao chefe, ao banco, e à empresa de cartão de crédito. 
Oh, but wait! You’ll die if you don’t have a job, just like a cancer patient might die without chemo. In our society, if you don’t have a job, you’re on the skids. You’re a poor unfortunate. You’re a lazy bum. You’re a leech. You’re a loser. And really, truly, if you don’t have regular employment of some kind, you’re in danger of going down life’s drain.
Oh, mas espere! Você morrerá se não tiver um emprego, do mesmo modo que um paciente de câncer poderá morrer sem quimioterapia. Em nossa sociedade, se você não tiver emprego, estará às portas da miséria. Será um pobre infeliz. Um parasita preguiçoso. Será um sanguessuga. Um perdedor. E, realmente, na verdade, se você não tiver um emprego fixo de algum tipo, poderá acabar completamente falido.
As an individual, of course you can escape the job trap to a certain extent. As a freelance writer, I have. I still have to work for other people, but I get to do it at an organic pace. When the sun is shining, I can often sit on the deck or go for a walk.
Como indivíduo, obviamente você poderá escapar da armadilha do emprego, em certa medida. Como escritora autônoma, tenho conseguido. Ainda tenho de trabalhar para outras pessoas, mas consigo fazê-lo em ritmo natural. Quando o sol brilha, amiúde posso sentar-me no deque ou dar uma caminhada.
The man who sometimes mows my lawn has escaped somewhat. He can schedule his own day without having to ask permission or without screwing up anybody’s production line.
O homem que por vezes corta minha grama em certa medida escapou. Ele pode programar seu próprio dia sem ter de pedir permissão ou sem subverter a linha de produção de ninguém. 
My ex-boyfriend the software engineer has escaped, too. He works out of his spare bedroom and gets to live and work in the computer dream world he most enjoys.
Meu ex-namorado o engenheiro de software também escapou. Ele trabalha em seu quarto de dormir extra e consegue viver e trabalhar no mundo de fantasia de computador que é do que ele mais gosta. 
That’s the way it was for most people, prior to the Industrial Revolution. They may have worked hard and may not have had much. As in every age, they had to put up with the savageries of rulers’ power struggles, rulers’ wars, and rulers’ property confiscation. But generally they could move through their days as the seasons and their own needs (and the needs of their families and communities) dictated. They had a direct, personal connection to the goods they made and the services they performed.
Eram assim as coisas para a maioria das pessoas, antes da Revolução Industrial. Talvez elas trabalhassem arduamente e não ganhassem muito. Como em toda época, elas tinham de conviver com a selvageria das lutas de poder da elite, com as guerras dos governantes, e com o confisco de propriedade pelos poderosos. De maneira geral, porém, elas podiam atravessar seus dias da maneira que as estações e suas próprias necessidades (e as necessidades de suas famílias e comunidades) ditassem. Mantinham conexão direta e pessoal com os bens que produziam e os serviços que prestavam.
Avon ladies, self-employed carpenters, security consultants, people who earn their living selling goods on eBay, reflexology practitioners, swap-meet sellers, self-employed gardeners, contract loggers, drug dealers, home-knitters, psychics – today they’ve all made a partial, personal escape from the job trap.
Revendedoras Avon, carpinteiros autônomos, consultores de segurança, pessoas que ganham a vida vendendo bens no eBay, profissionais de reflexologia, vendedores em reuniões de troca e venda de produtos, jardineiros autônomos, lenhadores que trabalham por contrato, traficantes de drogas, tricotadores domésticos, médiuns – nos dias de hoje todos eles conseguiram escapar parcialmente da armadilha do emprego.
But escape can be perilous. When you’re self-employed, you often can’t afford to provide yourself the 'safety net' that comes with a job (health insurance, vacations, sick pay, unemployment insurance, etc.). And the even deeper problem is that society – that hard-to-pin-down, but vitally important abstraction – still inflicts its values and its problems even upon those of us who make our best personal efforts to escape from them.
O escape, porém, poderá ser perigoso. Quando você é autônomo, amiúde não tem como proporcionar-se a 'rede de segurança' que vem com o emprego (seguro-saúde, férias, subsídio de doença, seguro-desemprego etc.). E o problema ainda mais profundo é que a sociedade essa abstração difícil de definir de modo preciso, mas vitalmente importante – ainda inflige seus valores e seus problemas a aqueles dentre nós que desenvolvemos nossos melhores esforços pessoais para escapar deles.
You and I may be smart and lucky enough to create for ourselves hand-crafted employment that doesn’t force us into gray cubicles, 9-to-5 routine, ghastly commutes, indigestion-inducing lunches gobbled at our desks, co-workers and bosses who grate on our nerves, three-piece suits, pantyhose, and total exhaustion at the end of the day.
Você e eu podemos ser inteligentes e ter sorte suficiente para criar para nós próprios emprego sob medida que não nos force a cubículos cinzentos, a rotina das 9 às 5, a deprimentes viagens de casa ao trabalho e vice-versa, a almoços indutores de indigestão engolidos em nossas mesas de trabalho, colegas e chefes que escangalham nossos nervos, ternos com colete, meias-calças, e total exaustão ao fim do dia.
But you and I, the cagey self-employed, are still stuck dealing with the consequences of a system that produces neglected, ill-bred kids, frantic consumer culture, impersonal corporations, television and drug abuse as a means of numbing the pain, unhappy and unfulfilled neighbors and family members and many, many more problems that hurt us as bad as they hurt the job holders.
Você e eu, porém, os cautelosos autônomos, ainda assim somos aguilhoados pelas consequências de um sistema que produz crianças negligenciadas e defeituosamente criadas, uma cultura de consumo desenfreado, corporações impessoais, abuso de televisão e de drogas como meio de amortecer a dor, vizinhos e membros da famílias infelizes e não realizados e muitos, muitos problemas mais que nos atingem com tanta força quanto a com que atingem detentores de empregos.
Is it possible, then, to create a society in which work is more personally fulfilling and fits more organically into the rest of our lives? Is it possible to create such a choice for all who want to take it?
Será possível, pois, criar uma sociedade na qual o trabalho seja mais satisfatório pessoalmente e se insira de maneira mais natural no resto de nossas vidas? Será possível criar tal escolha para todos aqueles que quiserem fazê-la?
Nearly every writer who advocates the abolition of jobs and the celebration of leisure repeats the same handful of interesting, but slightly unhelpful messages.
Praticamente todo escritor que defende a abolição dos empregos e o elogio do lazer repete o mesmo punhado de mensagens interessantes, mas ligeiramente inúteis.
First, they look back to hunter-gatherer societies (who work, on average, 3-to-4 hours a day) and say, If they can do it, why can’t we? They fail to note that hunter gatherers, whatever their other virtues, dont invent vaccines, construct high-tech devices, or have such amenities as indoor plumbing.
Primeiro, eles chamam a atenção para sociedades de caçadores-extrativistas (trabalhando, em média, 3 a 4 horas por dia) e dizem: Se eles podem, por que não nós? Deixam de observar que caçadores-extrativistas, quaisquer sejam suas outras virtudes, não inventam vacinas, não constroem dispositivos de alta tecnologia, nem gozam de amenidades tais como canalizações dentro de casa.
Writers against jobs also talk about making work into a species of fun. That’s another great trait of hunter-gatherer societies. It’s easy to have fun when you’re harvesting berries or chasing deer with a group of friends. But nobody builds precision medical equipment for fun. Nor do they plunge a mile underground to “load sixteen tons of number nine coal” for amusement.
Os escritores contra empregos também falam de tornar o trabalho numa espécie de divertimento. Esse outro grande traço das sociedades de caçadores-extrativistas. É fácil divertir-se colhendo amoras ou caçando veados com um grupo de amigos. Ninguém, porém, constrói equipamento médico de precisão por diversão. Nem desce uma milha abaixo do solo para 'carregar dezesseis toneladas de hulha número nove' por diversão.
Finally, anti-job writers are big on utopian theory: Society could work so well, if only, if only. Utopian proposals are inevitably lite on key details. They fail to consider how to wean ourselves away from corporate job culture without coercion. They fail to note how modern goods and services could be produced without the large, well-funded – and job-based – institutions that provide so much of modern life. (You cannot splice genes, split atoms, or build computer chips in your quaint Amish workshop.)
Finalmente os escritores contrários ao emprego são entusiastas da teoria utópica: A sociedade poderia funcionar muito bem se, apenas, se, somente. As propostas utópicas são inevitavelmente deficientes no tocante a detalhes fundamentais. Elas deixam de levar em consideração como nos desmamar da cultura de empregos corporativos sem coerção. Elas deixam de notar como os modernos bens e serviços poderiam ser produzidos sem as grandes, bem-financiadas – e alicerçadas em empregos – instituições que proporcionam tanto da vida moderna. (Você não consegue combinar genes, cindir átomos ou fabricar chips de computador em sua graciosamente antiquada oficina Amish.)
So the questions are:
Portanto as perguntas são:
1. Is it possible to have an organic, work-and-leisure culture without slipping back to subsistence-level survival?
1. Será possível ter-se uma cultura natural de trabalho e lazer sem resvalar para sobrevivência em nível de subsistência?
2. And is it possible to have the benefits of advanced technology without having to sacrifice so much of our time, our individuality, and our sanity, to get them?
2. E será possível termos os benefícios da tecnologia avançada sem ter de sacrificar tanto de nosso tempo, nossa individualidade e nossa sanidade para obtê-los?
As long as government and its heavily favored and subsidized corporations and financial markets rule our work days, the answers to these questions will never come. We can find our way to a humane work-and-leisure society only through experiment and experience. And we’ll be able to make those experiments only in conjunction with (pardon my using the cliched-but-accurate expression) a paradigm shift. The current job culture, which imprisons us in the silver chains of benefits and the iron shackles of debt, looms blackly in our way.
Na medida em que o governo e seus fortemente favorecidos e subsidiados corporações e mercados financeiros governam nossos dias de trabalho, as respostas a essas perguntas nunca virão. Só poderemos encontrar nosso caminho rumo a uma sociedade de trabalho e lazer humana por meio de experimento e experiência. E seremos capazes de levar a cabo esses experimentos apenas em conjunção com (perdoem-me usar a expressão lugar-comum, mas precisa) mudança de paradigma. A atual cultura do emprego, que nos aprisiona nos grilhões de prata dos benefícios e nas cadeias da dívida, espreita sinistramente em nosso caminho.
The necessary sea-change seems far away now. Yet paradigms do shift. Institutions do fall. And often they fall just when the old paradigms seem most entrenched or the old institutions seem most immovable.
A indispensável transformação profunda parece, hoje, muito longínqua. No entanto, paradigmas mudam. Instituições desabam. E amiúde caem exatamente quando o velho paradigma parece mais entranhado ou as antigas instituições parecem mais imutáveis.
Some of the machinery of change may already be in place. For instance:
Parte do maquinário da mudança já pode estar assestada. Por exemplo:
Although automation hasn’t yet put us out of jobs, as it was supposed to, it still has the potential to eliminate many types of drudgery.
Embora a automação ainda não tenha nos alijado dos empregos, ao contrário do que se supunha faria, ainda assim ela tem o potencial de eliminar muitos tipos de trabalho tipo escravo.
Although computer-based knowledge work hasnt enabled millions of us to leave the corporate world and work at home (as, again, it was supposed to), that’s more a problem of corporate power psychology than of technology. Our bosses fear to let us work permanently at home; after all, we might take 20-minute coffee breaks, instead of 10! But what if, say, a fuel crisis or epidemic made it imperative for more of us to stay home to do our work? The paradigm could shift so fast our bosses would fall over.
Embora o trabalho relacionado com o conhecimento não tenha capacitado milhões de nós a sair do mundo corporativo e trabalhar em casa (ao contrário do que, repetindo, acreditava-se que faria), esse é mais um problema de psicologia do poderio corporativo do que de tecnologia. Nossos chefes temem deixar-nos trabalhar permanentemente em casa; afinal de contas, nós poderíamos tomar pausa para café de 20 minutos, em vez de 10! Mas e se, digamos, uma crise de combustíveis ou epidemia tornasse imperativo que a maioria de nós ficasse em casa para fazer nosso trabalho? O paradigma poderia mudar tão depressa que nossos chefes cairiam.
A wide-scale attitude change could also topple the traditional job structure. And that, too, may already be happening. How many parents are looking around and saying, This two-job crap isn’t getting us anywhere? Its only a short leap from there to the real truth: one-job crap doesnt satisfy our real needs, either. How many of us have spent 10 or 20 or 30 years buying into the jobs = good; spending = good hype only to decide to walk away from the rat maze and do something less lucrative but more gratifying?
Uma atitude de larga escala também poderia subverter a estrutura tradicional de emprego. E isso, também, poderá já estar acontecendo. Quantos pais e mães não estão olhando e dizendo: Essa porcaria de dois empregos não está-nos levando a lugar nenhum? É apenas um pequeno salto dali à verdade real: a porcaria de um emprego só também não satisfaz nossas necessidades reais. Quantos de nós gastamos 10 ou 20 ou 30 anos investindo no engodo empregos = bom; gastar = bom, só para no fim decidir distanciar-nos do labirinto do rato e fazer algo menos lucrativo mas mais gratificante?
Do you hear many people wailing with sorrow after walking away from the job world and establishing a more home-centered, family-centered, adventure-centered, spirit-centered, community-centered life? Only those few who, through bad planning or extreme bad luck, tried and didn’t make it.
Vocês veem muitas pessoas choramingando pesarosamente depois de se distanciarem do mundo do emprego e de criarem uma vida mais centrada no lar, na família, na aventura, no espírito, na comunidade? Apenas aquelas poucas que, por planejamento falho e muito má sorte, tentaram e não conseguiram. 
Until the larger job = good illusion shatters, it’s certainly possible for millions of individuals to live more organic lives, without job-slavery. As more people declare their independence, more support networks rise to help them (for example, affordable health insurance for the self-employed, or health care providers opting to provide more affordable services through cash-only programs like Simple Care.)
Mesmo antes de a ilusão maior emprego = bom se despedaçar, é certamente possível que milhões de pessoas vivam vidas mais naturais sem a escravidão do emprego. À medida que mais pessoas declaram sua independência, mais redes de apoio surgem para ajudá-las (por exemplo, seguro de saúde acessível para os autônomos, ou proporcionadores de cuidados de saúde optando por proporcionar serviços mais acessíveis por meio de programas de pagamento unicamente em dinheiro como o Simple Care.)
And we can begin to consider: What types of technology let us live more independently, and what types of independence still enable us to take advantage of life-enhancing technologies while keeping ourselves out of the life-degrading job trap?
E podemos começar a cogitar: Que tipos de tecnologia nos permitem viver mais independentemente, e que tipos de independência nos permitem tirar proveito de tecnologias de enriquecimento da vida mantendo-nos ao mesmo tempo fora da armadilha do emprego degradante de nossa vida?
Take a job and you’ve sold part of yourself to a master. You’ve cut yourself off from the real fruits of your own efforts.
Arranje um emprego, e você terá vendido parte de você próprio a um dono. Você terá acabado de excluir-se dos reais frutos de seus próprios esforços.
When you own your own work, you own your own life. It’s a goal worthy of a lot of sacrifice. And a lot of deep thought.
Quando você é dono de seu próprio trabalho, é dono de sua própria vida. É objetivo digno de muito sacrifício. E de muita reflexão profunda.
In the meantime, unfortunately, anybody who cries, Jobs aren’t needed! Jobs aren’t healthy for adults and other living things! is crying in the wilderness. We Elijahs and Cassandras can be counted on to be treated like fringe-oid idiots. And anybody who begins to come up with a serious plan that starts cutting the underpinnings from the state-corporate power structure can expect to be treated as Public Enemy Number One and had better watch his backside. Because like Merle Travis and Ned Ludd, he threatens the security of those who hold power over others.
No entretempo, infelizmente, qualquer pessoa que grite Os empregos não são necessários! Os empregos não são saudáveis para adultos e outras coisas viventes! estará gritando no vazio. Nós os Elias e Cassandras podemos ter a certeza de que seremos tratados como idiotas minoritários. E qualquer pessoa que comece a apresentar algum plano sério que comece por derruir os alicerces da estrutura de poderio estado-corporação pode esperar ser tratada como Inimiga Pública Número Um e melhor fará em olhar por cima do próprio ombro. Porque, como Merle Travis e Ned Ludd, ela ameaça a segurança daqueles que têm poder sobre os outros.




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