Wednesday, November 14, 2012

C4SS - Contract Feudalism


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PORTUGUÊS
Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
building public awareness of left-wing marke anarchism
na construção da consciência pública do anarquismo esquerdista de mercado
Contract Feudalism
Feudalismo de Contrato
Posted by Kevin Carson on Sep 15, 2012 in Left-Libertarian - Classics
Afixado por Kevin Carson em 15 de setembro de 2012 em Libertário de Esquerda - Clássicos
Contract Feudalism (PDF) was originally published in the 2006 issue of Economic Notes No. 105 by the Libertarian Alliance, written by Kevin Carson.
Feudalismo de Contrato (PDF) foi originalmente publicado na edição de 2006 de Notas Econômicas No. 105 pela Aliança Libertária, escrito por Kevin Carson.
What is “Contract Feudalism”?
O que é “Feudalismo de Contrato”?
Elizabeth Anderson recently coined the term “contract feudalism” to describe the increasing power of employers over employees’ lives outside the workplace.
Recentemente, Elizabeth Anderson cunhou a expressão “feudalismo de contrato” para descrever o crescente poder dos empregadores sobre as vidas dos empregados fora do local de trabalho.
According to Anderson, one of the benefits that the worker traditionally received in return for his submission to the bosses’ authority on the job was sovereignty over the rest of his life in the “real world” outside of work.  Under the terms of this Taylorist bargain, the worker surrendered his sense of craftsmanship and control over his own work in return for the right to express his “real” personality through consumption in the part of his life  that still belonged to him. This bargain assumed,
De acordo com Anderson, um dos benefícios que o trabalhador tradicionalmente recebia em troca de sua submissão à autoridade dos chefes no emprego era soberania sobre o resto de sua vida no “mundo real” fora do trabalho. Nos termos dessa barganha taylorista, o trabalhador abria mão de seu senso de perícia profissional e controle de sua própria obra em troca do direito de expressar sua personalidade “real” por meio de consumo na parte de sua vida que ainda pertencia a ele. Essa barganha assumia
the separation of work from the home. However arbitrary and abusive the boss may have been on the factory floor, when work was over the workers could at least escape his tyranny… [T]he separation of work from home made a big difference to workers’ liberty from their employers’ wills.[1]
a separação do trabalho em relação ao lar. Por mais arbitrário e abusivo que o chefe pudesse ter sido no chão de fábrica, quando o trabalho acabava os trabalhadores podiam pelo menos escapar da tirania dele... [A] separação de trabalho e lar fazia grande diferença na liberdade dos trabalhadores em relação aos desejos de seus empregadores.[1] 
Wage labor, traditionally, has involved a devil’s bargain in which you “ sell your life in order to live” : you cut off the eight or twelve hours you spend at work and flush them down the toilet, in order to get the money you need  to support your real life in the real world, where you’re treated like an adult human being. And out in the real world, where your judgment and values actually matter, you try to pretend that that other hellhole doesn’t exist.
O trabalho assalariado, tradicionalmente, tem envolvido um pacto com o diabo no qual você “vende sua vida para poder viver”: você extirpa as oito ou doze horas que passa no trabalho jogando-as na privada e dando a descarga, a fim de obter o dinheiro de que precisa para manter sua vida real no mundo real, onde é tratado como ser humano adulto. E no mundo real, onde sua opinião e seus valores realmente importam, você tenta fingir que aquele outro lugar opressivo não existe.
At the same time, Anderson points out, this separation of work from home depends entirely on the relative bargaining power of labor for its enforcement. (I’ll return to this, the central issue, later on.)
Ao mesmo tempo, destaca Anderson, essa separação de trabalho e lar depende inteiramente do poder de barganha relativo da força de trabalho para que sua observância seja compelida. (Voltarei a este ponto, a questão central, mais tarde.)
The Shift in Power
O Deslocamento do Poder
But it’s apparent that the bargaining power of labor is shifting radically away from workers. For all too many employers, the traditional devil’s bargain is no longer good enough. Employers (especially in the service sector) are coming to view not only the employee’s laborpower during work hours, but the employee himself as their property. White collar and service workers are expected to live on-call 24 hours a day: that thing they used to call  “home” is just the shelf they’re stored on when their owner isn’t using them at the moment. And the boss has a claim on what they do even during the time they’re not on the clock: the political meetings you attend, whether you smoke, the things you write on your blog— nothing is really yours. Most people who blog on political or social issues, probably, fear what might turn up if the Human Resources Gestapo do a Google on them. As for the job search itself— good God! You’ve got to account for every week you’ve ever spent unemployed, and justify what use you made of your time without a master. If you were ever selfemployed, you might be considered “overqualified” : That is, there’s a danger you might not quite have your mind right, because you don’t need the job badly enough. Not to mention the questions about why you left your past job, the personality profiling to determine if you’re concealing any non-Stepford Wife opinions behind a facade of obedience, etc… It’s probably a lot like the tests of “ political reliability” to join the old Soviet Communist Party.
É porém óbvio que o poder de barganha da força de trabalho está sendo radicalmente alijado dos trabalhadores. Para demasiados trabalhadores, o tradicional pacto com o diabo não mais basta. Os empregadores (especialmente no setor de serviços) estão cada vez mais vendo como sua propriedade não apenas a capacidade de trabalho do empregado durante as horas de labor, como também o próprio empregado. Espera-se que trabalhadores de escritório e de serviços estejam de plantão 24 horas por dia: aquela coisa que eles costumavam chamar de “lar” é apenas a prateleira onde ficam guardados quando seu dono não os está usando no momento. E o chefe tem ascendência sobre o que eles fazem mesmo durante o tempo fora do horário de trabalho: as reuniões políticas das quais você participa, se você fuma, as coisas que você escreve em seu blog — nada é realmente seu. A maior parte das pessoas que bloga acerca de questões políticas ou sociais teme o que possa acontecer se a Gestapo de Recursos Humanos googlá-la. Quanto à procura de emprego ela própria — bom Deus! Você tem de descrever cada semana durante a qual ficou desempregado, e justificar que uso fez de seu tempo sem patrão. Se você alguma vez foi autônomo, poderá ser considerado “superqualificado” : Isto é, há o perigo de você não estar realmente firme em sua decisão, já que não precisa do emprego tão ardentemente. Para não mencionar as perguntas acerca de por que você saiu do emprego anterior, o delineamento de perfil para determinar se você não estará escondendo qualquer opinião diferente das de uma Esposa de Stepford por trás de uma fachada de obediência, etc… É algo provavelmente muito parecido com os testes de “fidedignidade política” para ingressar no antigo Partido Comunista Soviético.
Examples of contract feudalism have been especially prominent in the news lately. The example Anderson herself provided was of Michigan-based Weyco, whose president forbade his workers to smoke “not just at work but  anywhere else.” The policy, taken in response to rising cost of health coverage, required workers to submit to nicotine tests.[2]
Exemplos de feudalismo de contrato têm aparecido com especial destaque no noticiário recentemente. O exemplo que a própria Anderson ofereceu foi o da Weyco, com sede em Michigan, cujo presidente proibiu seus trabalhadores de fumar “não apenas no trabalho mas em qualquer outro lugar.” Essa política, adotada como resposta ao custo ascendente da cobertura de saúde, exigia que os trabalhadores se submetessem a testes de nicotina.[2]
Another recent example of “contract feudalism” is the saga of Joe Gordon, owner of the Woolamaloo Gazette blog, who was fired from the Waterstone’s bookstore chain when it came to his bosses’ attention that he’d made  the occasional venting post after a particularly bad day at work.[3]
Outro recente exemplo de “feudalismo de contrato” é a saga de Joe Gordon, dono do blog Woolamaloo Gazette, demitido da rede de livrarias Waterstone quando chegou ao conhecimento de seus chefes que ele havia afixado o ocasional texto de desabafo depois de um dia particularmente difícil no trabalho.[3]
Yet another is a National Labor Relations Board (NLRB) ruling that allowed employers to prohibit employees from hanging out off the job. Here is the gist of it, from a Harold Meyerson piece at the Washington Post:
Outro caso ainda é o da Junta Nacional de Relações do Trabalho (NLRB) ao decidir que os empregadores tinham permissão para proibir empregados de se descontraírem fora do local de trabalho. Eis aqui a essência da coisa, de um artigo de Harold Meyerson no Washington Post:
On June 7 the three Republican appointees on the five-member board that regulates employer/employee relations in the United States handed down a remarkable ruling that expands the rights of employers to muck  around in their workers’ lives when they’re off the job. They upheld the legality of a regulation for uniformed employees at Guardsmark, a security guard company, that reads, “[Y]ou must NOT… fraternize on duty or off  duty, date or become overly friendly with the client’s employees or with co-employees.”[4]
Em 7 de junho três Republicanos nomeados para a junta de cinco membros que regulamenta as relações empregador/empregado nos Estados Unidos baixaram notável estipulação que expande os direitos dos empregadores de interferir nas vidas de seus trabalhadores quando fora do emprego. Eles confirmaram a legalidade de uma regulamentação para empregados uniformizados da Guardsmark, empresa de guardas de segurança, que reza:  “[V]ocê NÃO pode… associar-se/criar amizade, quando em serviço ou de folga, encontrar-se social/romanticamente, ou tornar-se excessivamente afável para com os empregados do cliente ou para com colegas empregados.”[4]
The “ Vulgar Libertarian” Response and its Errors
A Reação do “Libertarismo Vulgar” e Seus Erros
Many free market libertarians instinctively respond to complaints about such policies by rallying around the employer. One commenter, for example, said this in response to Elizabeth Anderson’s post at Left2Right blog: “It’s a free market. If you don’t like your employer’s rules, then work somewhere else.” One of the most common libertarian defenses of sweatshops, likewise, is that they must be better than the available alternatives, since nobody is forced to work there.
Muitos libertários de livre mercado reagem instintivamente a reclamações acerca de políticas dessa espécie cerrando fileiras em torno do empregador. Um comentador, por exemplo, diz o seguinte em resposta à postagem de Elizabeth Anderson no blog EsquerdaADireita: “Trata-se de um livre mercado. Se você não gosta das regras de seu empregador, vá trabalhar em outro lugar.” Uma das defesas libertárias mais comuns de locais de trabalho em condições aviltantes, analogamente, é a de que eles só podem ser melhores do que as alternativas disponíveis, visto que ninguém é forçado a trabalhar ali.
Well, yes and no. The question is, who sets the range of available alternatives? If the state limits the range of alternatives available to labor and weakens its bargaining power in the labor market, and it acts in collusion with employers in doing so, then the “free market” defense of employers is somewhat disingenuous.
Bem, sim e não. A questão é, quem estabelece o espectro das alternativas disponíveis? Se o estado limita o espectro das alternativas disponíveis para a força de trabalho e debilita o poder de barganha dela no mercado de trabalho, e age em conluio com os empregadores ao fazê-lo, então a defesa de “livre mercado” dos empregadores torna-se um tanto não cândida.
I use the term “vulgar libertarian” to describe this “What’s good for General Motors” understanding of “free market” principles, which identifies the free market with the interests of employers against workers, big business against small, and the producer against the consumer. As I described it in Studies in Mutualist Political Economy:[5]
Uso a expressão “libertário vulgar” para descrever aquele entendimento dos princípios do “livre mercado” do tipo “O que é bom para a General Motors,” que identifica o livre mercado com os interesses dos empregadores contra os trabalhadores, das grandes empresas contra as pequenas, e do produtor contra o consumidor. Como descrevi em Estudos em Economia Política Mutualista:[5]
Vulgar libertarian apologists for capitalism use the term “free market” in an equivocal sense: they seem to have trouble remembering, from one moment to the next, whether they’re defending actually existing capitalism  or free market principles. So we get [a] standard boilerplate article… arguing that the rich can’t get rich at the expense of the poor, because “that’s not how the free market works”— implicitly assuming that this is a free market. When prodded, they’ll grudgingly admit that the present system is not a free market, and that it includes a lot of state intervention on behalf of the rich. But as soon as they think they can get away with it, they go  right back to defending the wealth of existing corporations on the basis of “free market principles.”
Os apologistas libertários vulgares do capitalismo usam a expressão “livre mercado” de maneira equívoca: parecem ter dificuldade em lembrar-se, de um momento para o seguinte, de se estão defendendo na realidade o capitalismo hoje existente ou princípios do livre mercado. Assim tomamos [um] artigo de gabarito padrão… argumentando que os ricos não podem ficar ricos a expensas dos pobres, porque “não é assim que o livre mercado funciona”— assumindo implicitamente que temos um livre mercado. Quando questionados, eles admitem de má vontade que o presente sistema não é um livre mercado, e que inclui muita intervenção do estado no interesse dos ricos. Logo porém que acham que podem safar-se impunes, voltam a defender a riqueza das corporações hoje existentes com base nos “princípios do livre mercado.”
The fact is, this is not a free market. It’s a state capitalist system in which (as Murray Rothbard put it in “The Student Revolution”) “our corporate state uses the coercive taxing power either to accumulate corporate capital or to lower corporate costs.”[6] As Benjamin Tucker wrote over a century ago:
O fato é, não temos livre mercado. É um sistema capitalista de estado no qual (como disse Murray Rothbard em “A Revolução dos Estudantes”) “nosso estado corporativo usa o poder coercitivo da tributação ou para acumular capital corporativo ou para diminuir os custos corporativos.”[6] Como Benjamin Tucker escreveu há mais de um século:
… It is not enough, however true, to say that, “if a man has labor to sell, he must find some one with money to buy it”; it is necessary to add the much more important truth that, if a man has labor to sell, he has a right to a  free market in which to sell it,— a market in which no one shall be prevented by restrictive laws from honestly obtaining the money to buy it. If the man with labor to sell has not this free market, then his liberty is violated and his property virtually taken from him. Now, such a market has constantly been denied, not only to the laborers at Homestead, but to the laborers of the entire civilized world. And the men who have denied it are the  Andrew Carnegies. Capitalists of whom this Pittsburgh forgemaster is a typical representative have placed and kept upon the statute-books all sorts of prohibitions and taxes (of which the customs tariff is among the least harmful) designed to limit and effective in limiting the number of bidders for the labor of those who have labor to sell…
… Não é bastante, por mais que seja verdade, dizer que “se um homem tiver força de trabalho para vender, terá de encontrar alguém com dinheiro para comprá-la”; é indispensável acrescentar que, muito mais importante do que isso, se um homem tem força de trabalho para vender, tem o direito a um livre mercado onde vendê-la — um mercado onde ninguém seja impedido, por leis restritivas, de obter honestamente o dinheiro para comprá-la. Se o homem com força de trabalho para vender não tiver esse livre mercado, então sua liberdade é violada e sua propriedade virtualmente tomada dele. Ora, tal mercado tem sido constantemente negado, não apenas aos trabalhadores em Homestead, mas aos trabalhadores de todo o mundo civilizado. E os homens que o têm negado são os Andrew Carnegies. Capitalistas dos quais esse senhor das forjas é representante típico colocaram e mantiveram nos códices legais todos os tipos de proibições e tributos (dos quais a tarifa alfandegária conta-se entre os menos danosos) projetados para limitar, e eficazes em limitar, o número de ofertantes em busca da força de trabalho daqueles que têm força de trabalho para vender...
… Let Carnegie, Dana and Co. first see to it that every law in violation of equal liberty is removed from the statute-books. If, after that, any laborers shall interfere with the rights of their employers, or shall use force upon  inoffensive “scabs,” or shall attack their employers’ watchmen, whether these be Pinkerton detectives, sheriff’s deputies, or the State militia, I pledge myself that, as an Anarchist and in consequence of my Anarchistic  faith, I will be among the first to volunteer as a member of a force to repress these disturbers of order and, if necessary, sweep them from the earth. But while these invasive laws remain, I must view every forcible conflict  that arises as the consequence of an original violation of liberty on the part of the employing classes, and, if any sweeping is done, may the laborers hold the broom! Still, while my sympathies thus go with the under dog, I  shall never cease to proclaim my conviction that the annihilation of neither party can secure justice, and that the only effective sweeping will be that which clears from the statute-book every restriction of the freedom of  the market…[7]
… Que Carnegie, Dana e Companhia primeiro assegurem toda lei em violação da igualdade de liberdade ter sido retirada dos códices legais. Se, depois disso, quaisquer trabalhadores interferirem com os direitos de seus empregadores, ou usarem a força contra inofensivos “fura-greves,” ou atacarem vigias de seus empregadores, sejam esses detetives da Pinkerton, assistentes de xerifes, ou a milícia do Estado, eu próprio prometo que, como anarquista e em consequência de minha fé anarquista, estarei entre os primeiros a voluntariar-me como membro de uma força para reprimir esses perturbadores da ordem e, se necessário, varrê-los da terra. Enquanto porém essas leis invasivas permanecerem, terei de ver todo conflito envolvendo uso de força que surja como consequência de uma violação original da liberdade por parte das classes empregadoras e, se alguma varredura for feita, que possam ser os trabalhadores quem empunhe a vassoura! Ainda assim, embora minhas simpatias se dirijam pois para o oprimido, nunca deixarei de proclamar minha convicção de que nenhum aniquilamento de uma das partes poderá assegurar justiça, e que a única varredura eficaz será aquela que apague dos códices legais toda restrição à liberdade do mercado...[7]
But whatever restrictions could he possibly have been talking about? To read mainstream “free market” defenses of existing employment relations, you’d get the idea that the only restrictions on the freedom of the market  are those that hurt the owning classes and big business (you know, the “last persecuted minority” ).
De que restrições, entretanto, poderia ele estar falando? Ao ler defesas convencionais do “livre mercado” no tocante às relações de emprego hoje existentes, você ficaria com a ideia de que as únicas restrições à liberdade do mercado são aquelas que prejudicam as classes proprietárias e as grandes empresas (você sabe, a “derradeira minoria perseguida” ).
In fact, such vulgar libertarian apologetics share a very artificial set of assumptions: see, laborers just happen to be stuck with this poor set of options— the employing classes have absolutely nothing to do with it. And the owning classes just happen to have all these means of production on their hands, and the laboring classes just happen to be propertyless proletarians who are forced to sell their labor on the owners’ terms. The possibility that the employing classes might be directly implicated in state policies that reduced the available options of laborers is too ludicrous even to consider.
Na verdade, tal apologética libertária vulgar partilha de um conjunto muito artificial de assunções: veja, simplesmente ocorre os trabalhadores se verem diante desse conjunto escasso de opções — as classes empregadoras não têm nada a ver com isso. E simplesmente acontece as classes proprietárias terem todos esses meios de produção nas próprias mãos, e simplesmente acontece as classes trabalhadoras serem formadas de proletários sem propriedade forçados a vender sua força de trabalho nas condições dos proprietários. A possibilidade de as classes empregadoras poderem estar diretamente implicadas em políticas do estado que reduziram as opções disponíveis para os trabalhadores é ridícula demais para sequer ser cogitada.
It’s the old nursery-tale of primitive accumulation. “ Lenin” of Lenin’s Tomb blog recalls being exposed to it in the government schools:
É a velha história para crianças da acumulação primitiva. “Lenin,” do blog Túmulo de Lenin, recorda-se de ter sido exposto a ela nas escolas do governo:
The illusion of a free and equal contract between employee and employer is one that exerts considerable hold, particularly given the paucity of industrial conflict over the last fifteen years. The thought that the situation  might be rigged in advance, by virtue of the capitalists control of the means of production, is so obvious that it eludes many people who otherwise place themselves on the Left.
A ilusão de um contrato livre e igualitário entre empregado e empregador exerce forte influência, particularmente dada a escassez de conflito industrial nos últimos quinze anos. A ideia de que a situação possa ter sido manipulada de antemão, em virtude do controle dos meios de produção pelos capitalistas, é tão óbvia que escapa à atenção de muitas pessoas que sob outros aspectos se posicionam na Esquerda.
In part, this is because people are prepared from an early age to expect and accept this state of affairs. In high school Business Studies class, I was shown along with my class mates a video sponsored by some bank which purported to demonstrate how the division of labour came about. It all took place, it seemed, in a relatively benign and peaceful fashion, with no intruding political questions or economic phases. From the cavemen to  cashcards, it was really all about work being broken down into separate tasks which would be undertaken by those most able to do them. Then, finding contact with nearby villages, they would trade things that they were  good at making for the things that the other villages were good at making… The only interesting thing about this propaganda video is that it raised not a single eyebrow — as how could it? One is led to expect to work for a  capitalist without seeing anything necessarily unjust about it, and one has nothing to compare it to. The worker is taught to sell herself (all those job interview training schemes) without perceiving herself as a commodity.[8]
Em parte isso ocorre porque as pessoas são preparadas, desde tenra idade, para esperar e aceitar esse estado de coisas. Nas aulas de Estudos de Negócios do curso médio, foi mostrado a mim, e a meus colegas de classe, um vídeo patrocinado por algum banco, o qual procurava mostrar como veio a acontecer a divisão do trabalho. Tudo havia acontecido, parecia, de maneira relativamente benigna e pacífica, sem a interferência de questões políticas ou fases econômicas. Do homem das cavernas aos cartões de débito, tudo em realidade se limitou a o trabalho ser decomposto em tarefas separadas que seriam empreendidas pelos mais capazes de desempenhá-las. Em seguida, entrando em contato com vilas próximas, eles trocariam os bens para cuja feitura eram hábeis pelas coisas para feitura das quais as outras vilas eram hábeis. A única coisa interessante acerca daquele vídeo de propagando é que ele não fez levantar nenhum sobrolho — como era possível? É-se levado a trabalhar para um capitalista sem ver nada necessariamente errado a respeito, e a pessoa não tem nada com que comparar aquilo. O trabalhador aprende a vender-se (todos aqueles esquemas de treinamento para entrevistas de emprego) sem perceber-se a si próprio como mercadoria.[8]
I had a similar reaction to all those passages on time-preference in Bohm-Bawerk and Mises that just accepted, as a matter of course, that one person was in a position to “contribute” capital to the production process, while another for some mysterious reason needed the means of production and the labor-fund that were so graciously “provided.”
Tive reação semelhante diante de todas as passagens acerca de preferência de tempo em Bohm-Bawerk e Mises que simplesmente aceitaram, como coisa natural/esperada, que uma pessoa estava em posição de “contribuir” com capital para o processo de produção, enquanto outra, por algum motivo misterioso, precisava dos meios de produção e do financiamento do trabalho tão generosamente “proporcionados.”
The most famous critic of this nursery-tale, of course, was the state socialist Karl Marx:
O mais famoso crítico dessa história para crianças, naturalmente, foi o socialista de estado Karl Marx:
In times long gone-by there were two sorts of people; one, the diligent, intelligent, and, above all, frugal elite; the other, lazy rascals, spending their substance, and more, in riotous living. The legend of theological original sin tells us certainly how man came to be condemned to eat his bread in the sweat of his brow; but the history of economic original sin reveals to us that there are people to whom this is by no means essential. Never mind! Thus it came to pass that the former sort accumulated wealth, and the latter sort had at last nothing to sell except their own skins. And from this original sin dates the poverty of the great majority that, despite all its  labour, has up to now nothing to sell but itself, and the wealth of the few that increases constantly although they have long ceased to work.[9]
Em tempos de há muito idos havia dois tipos de pessoas; um, o da elite diligente, inteligente e, acima de tudo, frugal; o outro, biltres preguiçosos, gastando sua subsistência, e mais ainda, em vida desregrada. A lenda do pecado original teológico certamente conta-nos como o homem veio ser condenado a comer seu pão com o suor de seu rosto; mas a história do pecado original econômico revela-nos haver pessoas para as quais isso de modo algum é essencial. Pouco importa! Assim veio a ocorrer que o primeiro tipo acumulou riqueza, e o último tipo por fim nada mais tinha para vender a não ser seu próprio couro. E desse pecado original data a pobreza da grande maioria que, a despeito de todo o seu trabalho, até agora nada mais tem para vender senão a si própria, e a riqueza dos poucos que aumenta constantemente embora desde há muito eles tenham parado de trabalhar.[9]
But the criticism was by no means limited to statists. The free market advocate Franz Oppenheimer wrote:
A crítica, porém, de modo algum é feita só pelos estatistas. O defensor do livre mercado Franz Oppenheimer escreveu:
According to Adam Smith, the classes in a society are the results of “natural” development. From an original state of equality, these arose from no other cause than the exercise of the economic virtues of industry,  frugality and providence…
De acordo com Adam Smith, as classes numa sociedade são resultado de desenvolvimento “natural.” A partir de um estado original de igualdade, elas surgiram sem outra causa a não ser o exercício das virtudes econômicas da industriosidade, frugalidade e previdência…
[C]lass domination, on this theory, is the result of a gradual differentiation from an original state of general equality and freedom, with no implication in it of any extra-economic power…
[A] dominação de classe, nessa teoria, é o resultado de uma diferenciação gradual a partir de um estado original de igualdade e liberdade, sem implicação nele de qualquer poder extraeconômico…
This assumed proof is based upon the concept of a “primitive accumulation,” or an original store of wealth, in lands and in movable property, brought about by means of purely economic forces; a doctrine justly derided  by Karl Marx as a “fairy tale.” Its scheme of reasoning approximates this:
Essa prova assumida está baseada no conceito de uma “acumulação primitiva,” ou um suprimento original de riqueza, em terras e propriedade móvel, surgida de forças puramente econômicas; doutrina com razão escarnecida por Karl Marx como “conto de fadas.” Seu esquema de raciocínio aproxima-se do seguinte:
Somewhere, in some far-stretching, fertile country, a number of free men, of equal status, form a union for mutual protection. Gradually they differentiate into property classes. Those best endowed with strength, wisdom,  capacity for saving, industry and caution, slowly acquire a basic amount of real or movable property; while the stupid and less efficient, and those given to carelessness and waste, remain without possessions. The well-to-do lend their productive property to the less well-off in return for tribute, either ground-rent or profit, and become thereby continually richer, while the others always remain poor. These differences in possession gradually develop social class distinctions; since everywhere the rich have preference, while they alone have the time and the means to devote to public affairs and to turn the laws administered by them to their own  advantage. Thus, in time, there develops a ruling and property-owning estate, and a proletariat, a class without property. The primitive state of free and equal fellows becomes a class-state, by an inherent law of development, because in every conceivable mass of men there are, as may readily be seen, strong and weak, clever and foolish, cautious and wasteful ones.[10]
Em algum lugar, em algum país espaçoso e fértil, determinado número de homens livres, de condição igual, formam uma associação para proteção mútua. Gradualmente eles se diferenciam em classes do ponto de vista da propriedade. Aqueles melhores dotados de energia, descortínio, capacidade de poupar, industriosidade e cautela vagarosamente adquirem quantidade básica de propriedade real ou móvel; enquanto os estúpidos e menos eficientes, e aqueles dados a incúria e desperdício, permanecem sem posses. Os abastados emprestam sua propriedade produtiva aos de menos recursos em troca de tributo, em forma de aluguel do solo ou de lucro, e tornam-se em decorrência continuamente mais ricos, enquanto que os outros sempre continuam pobres. Essas diferenças de posse gradualmente desenvolvem distinções de classe social; visto que em toda parte os ricos têm preferência, na medida em que só eles dispõem do tempo e dos meios para dedicarem-se aos assuntos públicos e para moldar as leis por eles administradas em proveito próprio. Assim, ao longo do tempo, desenvolve-se uma classe dominante e dona de propriedades, e um proletariado, uma classe sem propriedades. O estado primitivo de confrades livres e iguais torna-se um estado de classes, por lei inerente de desenvolvimento porque, em toda massa concebível de homens há, como facilmente se pode ver, fortes e fracos, ajuizados e insensatos, precavidos e desperdiçadores.[10]
How We Got Where We Are Now
Como Chegamos A Onde Estamos Hoje
In the real world, of course, things are a little less rosy. The means of production, during the centuries of the capitalist epoch, have been concentrated in a few hands by one of the greatest robberies in human history. The peasants of Britain were deprived of customary property rights in the land, by enclosures and other state sanctioned theft, and driven into the factories like cattle. And the factory owners benefited, in addition, from near-totalitarian social controls on the movement and free association of labor; this legal regime included the Combination Acts, the Riot Act, and the law of settlements (the latter amounting to an internal passport system).
No mundo real, obviamente, as coisas são um pouco menos róseas. Os meios de produção, durante os séculos da época capitalista, têm-se concentrado em poucas mãos graças a um dos maiores assaltos da história humana. Os camponeses da Grã-Bretanha foram privados de direitos consuetudinários de propriedade da terra, por meio de cercos e outros furtos sancionados pelo estado, e tangidos para as fábricas como gado. E os donos de fábricas beneficiaram-se, adicionalmente, de controles sociais próximos do totalitarismo em relação ao movimento e à livre associação dos trabalhadores; esse regime legal incluiu as Leis da Coalizão, a Lei do Tumulto, e a lei dos assentamentos (esta última equivalendo a um sistema de passaporte interno).
By the way: if you think the above passages are just Marxoid rhetoric, bear in mind that the ruling class literature of the early industrial revolution was full of complaints about just how hard it was to get workers into the  factories: not only were the lower classes not flocking into the factories of their own free will, but the owning classes used a great deal of energy thinking up ways to force them to do so. Employers of the day engaged in  very frank talk, as frank as that of any Marxist, on the need to keep working people destitute and deprive them of independent access to the means of production, in order to get them to work hard enough and cheaply  enough.
A propósito: se você acha que as passagens acima são apenas retórica marxoide, tenha em mente que a literatura da classe dominante do início da revolução industrial estava cheia de queixas acerca do quanto era difícil obter trabalhadores para as fábricas: não apenas as classes mais baixas não afluíam para as fábricas por vontade própria, como as classes proprietárias gastaram muita energia pensando em maneiras de forçá-las a fazer isso. Os empregadores da época lançavam-se a conversa muito franca, tão franca quanto a de qualquer marxista, acerca da necessidade de manter as pessoas trabalhadoras destituídas e de destituí-las de acesso independente aos meios de produção, a fim de fazê-las trabalhar arduamente o bastante por preço módico o suficiente.
Albert Nock, surely nobody’s idea of a Marxist, dismissed the bourgeois nursery-tale with typical Nockian contempt:
Albert Nock, que seguramente ninguém sonhará pudesse ser marxista, desqualificou a história para crianças burguesa com típico menosprezo nockiano:
The horrors of England’s industrial life in the last century furnish a standing brief for addicts of positive intervention. Child-labour and woman-labour in the mills and mines; Coketown and Mr. Bounderby; starvation wages; killing hours; vile and hazardous conditions of labour; coffin ships officered by ruffians— all these are glibly charged off by reformers and publicists to a regime of rugged individualism, unrestrained competition,  and laissez-faire. This is an absurdity on its face, for no such regime ever existed in England. They were due to the State’s primary intervention whereby the population of England was expropriated from the land; due to  the State’s removal of the land from competition with industry for labour. Nor did the factory system and the “industrial revolution” have the least thing to do with creating those hordes of miserable beings. When the  factory system came in, those hordes were already there, expropriated, and they went into the mills for whatever Mr. Gradgrind and Mr. Plugson of Undershot would give them, because they had no choice but to beg,  steal or starve. Their misery and degradation did not lie at the door of individualism; they lay nowhere but at the door of the State. Adam Smith’s economics are not the economics of individualism; they are the economics  of landowners and mill-owners. Our zealots of positive intervention would do well to read the history of the Enclosures Acts and the work of the Hammonds, and see what they can make of them.[11]
Os horrores da vida industrial da Inglaterra no último século dão azo a permanente argumentação por parte dos viciados em intervenção positiva. Trabalho infantil e trabalho de mulheres nas moendas e minas; Coketown e o Sr. Bounderby; salários de inanição; horas assassinas; condições de trabalho aviltantes e perigosas; navios segurados excessivamente, de tal maneira que valiam mais afundados do que flutuando, tripulados por rufiões — tudo isso eloquente mas insinceramente atribuído a um regime de escabroso individualismo, competição desabrida, e laissez-faire. Isso é óbvio absurdo, pois tal regime nunca existiu na Inglaterra. Tudo se deveu à precípua intervenção do Estado por meio da qual a população da Inglaterra foi expropriada da terra; devido à remoção, pelo Estado, da terra da competição com a indústria em busca de força de trabalho. Nem tiveram o sistema de fábricas e a “revolução industrial” qualquer coisa a ver com criar aquelas hordas de seres miseráveis. Quando o sistema de fábricas surgiu, aquelas hordas já estavam lá, expropriadas, e foram para as moendas em troca de qualquer coisa que o Sr. Gradgrind e o Sr. Plugson de Undershot lhes desse, porque não tinham escolha a não ser mendigar, furtar ou morrer de inanição. Sua miséria e degradação não eram de ser encontradas à porta do individualismo; eram de ser encontradas em nenhum outro lugar que à porta do Estado. A economia de Adam Smith não é a economia do individualismo; é a economia dos donos de terras e de moendas. Nossos entusiastas da intervenção positiva farão bem em ler a história das Leis dos Cercos e a obra dos Hammonds, e em tirar suas conclusões a partir daí.[11]
Even in the so-called “free market” that supposedly ensued by the mid-19th century, the owners of capital and land were able to exact tribute from labor, thanks to a general legal framework that (among other things)  restricted workers’ access to their own cheap, self-organized capital through mutual banks. As a result of this “money monopoly,” workers had to sell their labor in a “buyer’s market” on terms set by the owning classes,  and thus pay tribute (in the form of a wage less than their labor-product) for access to the means of production. Thus the worker has been robbed doubly: by the state’s initial use of force to forestall a producer-owned market economy; and by the state’s ongoing intervention that forces him to sell his labor for less than his product. The vast majority of accumulated capital today is the result, not of the capitalist’s past labor and abstention, but of robbery.
Mesmo no assim chamado “livre mercado” que pretensamente se teria seguido em meado século 19, os donos de capital e terra conseguiam cobrar tributo da força de trabalho, graças a uma estrutura legal geral que (entre outras coisas) restringia o acesso dos trabalhadores a seu pequeno capital auto-organizado por meio de bancos mútuos. Como resultado desse “monopólio do dinheiro,” os trabalhadores tiveram de vender sua força de trabalho num “mercado de compradores” em condições estabelecidas pelas classes proprietárias e pois pagar tributo (em forma de salário inferior ao produto de seu trabalho) para acesso aos meios de produção. Portanto o trabalhador foi assaltado duplamente: pelo uso inicial da força pelo estado para impedir uma economia de mercado centrada no produtor; e pela permanente intervenção do estado que o obriga a vender sua força de trabalho por menos do que seu produto. A vasta maioria do capital acumulado hoje é resultado, não do trabalho e da frugalidade do capitalista no passado, e sim de assalto.
So even in the so-called “laissez-faire” 19th century, as Tucker described the situation, the level of statist intervention on behalf of the owning and employing classes was already warping the wage system in all sorts of authoritarian directions. The phenomenon of wage labor existed to the extent that it did only as a result of the process of primitive accumulation by which the producing classes had, in previous centuries, been robbed of their property in the means of production and forced to sell their labor on the bosses’ terms. And thanks to the state’s restriction of self-organized credit and of access to unoccupied land, which enabled the owners of  artificially scarce land and capital to charge tribute for access to them, workers faced an ongoing necessity of selling their labor on still more disadvantageous terms.
Ora pois, mesmo no assim chamado século 19 do “laissez-faire,” como Tucker descreveu a situação, o nível de intervenção estatista no interesse das classes proprietárias e empregadoras já distorcia o sistema de salários encaminhando-o para todo tipo de rumos autoritários. O fenômeno do trabalho assalariado só existiu na medida em que resultado do processo de acumulação primitiva por meio do qual as classes produtoras haviam, em séculos anteriores, sido roubadas de sua propriedade em termos de meios de produção e forçadas a vender sua força de trabalho nos termos dos chefes. E graças à restrição do estado ao crédito auto-organizado e ao acesso a terra não ocupada, que permitiu aos donos de terra e capital artificialmente escassos cobrar tributo para acesso a eles, os trabalhadores viram-se diante da permanente necessidade de vender sua força de trabalho em condições ainda mais desvantajosas.
The problem was exacerbated during the state capitalist revolution of the 20th century, by still higher levels of corporatist intervention, and the resulting centralization of the economy. The effect of government  subsidies and regulatory cartelization was to conceal or transfer the inefficiency costs of large-scale organization, and to promote a state capitalist model of business organization that was far larger, and far more hierarchical and bureaucratic, than could possibly have survived in a free market.
O problema foi exacerbado durante a revolução capitalista de estado do século 20, por níveis ainda mais altos de intervenção corporatista, e pela resultante centralização da economia. O efeito dos subsídios do governo e da cartelização regulamentadora foi o de disfarçar ou transferir os custos de ineficiência da organização de larga escala, e promover um modelo de organização de negócios capitalista de estado muito maior, e muito mais hierárquico e burocrático, do que aquele que teria conseguido sobreviver num livre mercado.
The state’s subsidies to the development of capital-intensive production, as the century wore on, promoted deskilling and ever-steeper internal hierarchies, and reduced the bargaining power that came with labor’s  control of the production process. Many of the most powerfully deskilling forms of production technology were created as a result of the state’s subsidies to research and development. As David Montgomery wrote in Forces of Production: A Social History of Industrial Automation,
Os subsídios do estado para desenvolvimento da produção capital-intensiva, à medida que o século avançava, promoveram desqualificação profissional e hierarquias internas cada vez maiores, e reduziram o poder de barganha que advinha do controle, pela força de trabalho, do processo de produção. Muitas das mais poderosamente profissionalmente desqualificadoras formas de tecnologia de produção foram criadas como resultado dos subsídios do estado para pesquisa e desenvolvimento. Como escreveu David Montgomery em Forças da Produção: História Social da Automação Industrial,
[I]nvestigation of the actual design and use of capital-intensive, labor-saving, skill-reducing technology has begun to indicate that cost reduction was not a prime motivation, nor was it achieved. Rather than any such  economic stimulus, the overriding impulse behind the development of the American system of manufacture was military; the principal promoter of the new methods was not the self-adjusting market but the extra-market  U.S. Army Ordnance Department… The drive to automate has been from its inception the drive to reduce dependence upon skilled labor, to deskill necessary labor and reduce rather than raise wages.[12]
[I]nvestigação do real projeto e uso de tecnologia capital-intensiva, poupadora de trabalho, redutora de qualificação profissional, tem começado a indicar que a redução de custos não era motivação precípua, e nem era conseguida. Em vez de tal estímulo econômico, a mais importante motivação por trás do desenvolvimento do sistema estadunidense de manufatura era militar; o principal promotor dos novos métodos não era o mercado capaz de ajustar-se a si próprio, mas o extramercado Departamento de Artilharia/Arsenal do Exército dos Estados Unidos... O empuxo para automatizar foi, desde o início, o empuxo para reduzir dependência de mão-de-obra qualificada, para desqualificar profissionalmente a mão-de-obra necessária, e não o para aumentar os salários.[12]
Finally, the decision of neoliberal elites in the 1970s to freeze real wages and transfer all productivity increases into reinvestment, dividends, or senior management salaries, led to a still more disgruntled work force, and the need for internal systems of surveillance and control far beyond anything that had existed before. David M. Gordon’s Fat and Mean[13] refers, in its subtitle, to the “ Myth of Managerial Downsizing.” Gordon  demonstrates that, contrary to public misperception, most companies employ even more middle management than they used to; and a major function of these new overseers is enforcing management control over an  increasingly overworked, insecure, and embittered workforce. The professional culture in Human Resources departments is geared, more and more, to detecting and forestalling sabotage and other expressions of  employee disgruntlement, through elaborate internal surveillance mechanisms, and to spotting potentially dangerous attitudes toward authority through intensive psychological profiling.
Finalmente, a decisão das elites neoliberais nos anos 1970 de congelar os salários reais e transferir todos os aumentos de produtividade para reinvestimento, dividendos ou salários de gerência superior levou a uma força de trabalho ainda mais insatisfeita, e à necessidade de sistemas internos de vigilância e controle muito além de qualquer coisa que existira antes. Gordo e Mesquinho, de David M. Gordon[13], refere-se, em seu subtítulo, ao “Mito do Enxugamento Gerencial.” Gordon mostra que, contrariamente à percepção equivocada do público, as empresas, em sua maioria, empregam ainda mais gerência intermediária do que antes; e uma das principais funções desses novos supervisores é aumentar o controle da gerência sobre uma força de trabalho cada vez mais sobrecarregada de trabalho, insegura, e ressentida. A cultura profissional nos departamentos de Recursos Humanos está, cada vez mais, engrenada para detectar e sustar sabotagem e outras expressões de insatisfação do empregado, por meio de sofisticados mecanismos de vigilância interna, e para identificar atitudes potencialmente perigosas em relação à autoridade por meio de delineamento intensivo de perfil psicológico.
The state capitalists, since adopting their new neoliberal consensus of the Seventies, have been hell-bent on creating a society in which the average worker is so desperate for work that he’ll gratefully take any job offered, and do whatever is necessary to cling to it like grim death.
Os capitalistas de estado, desde a adoção de seu novo consenso liberal dos anos Setenta, resolveram a todo custo criar uma sociedade na qual o trabalhador médio esteja tão desesperado por trabalho que gratamente aceite qualquer emprego oferecido, e faça o que for necessário para agarrar-se a ele como a uma tábua de salvação.
To summarize…
Para resumir…
… things didn’t just “ get” this way. They had help. The reduced bargaining power of labor, the resulting erosion of the traditional boundaries between work and private life, and increasing management control even of time  off the clock, are all the result of concerted political efforts.
… as coisas não simplesmente “ocorreram” desse modo. Elas tiveram ajuda. O poder de barganha reduzido da força de trabalho, a resultante erosão dos limites tradicionais entre trabalho e vida privada, e o crescente controle da gerência mesmo sobre o tempo de folga são, todos, resultado de esforços políticos concertados.
The fact that we accept as natural a state of affairs in which one class has “ jobs” to “ give” and another class is forced to take them, for want of independent access to the means of productions, is the result of generations of  ideological hegemony by the owning classes and their vulgar libertarian apologists.
O fato de aceitarmos como natural um estado de coisas no qual uma classe tem “empregos” para “ dar” e outra classe é forçada a aceitá-los, por falta de acesso independente aos meios de produção, é resultado de gerações de hegemonia ideológica pelas classes proprietárias e seus apologistas libertários vulgares.
Nothing in the present situation is a natural implication of free market principles. As Albert Nock wrote,
Nada na presente situação é implicação natural dos princípios do livre mercado. Como escreveu Albert Nock,
Our natural resources, while much depleted, are still great; our population is very thin, running something like twenty or twenty-five to the square mile; and some millions of this population are at the moment  “unemployed,” and likely to remain so because no one will or can “give them work.” The point is not that men generally submit to this state of things, or that they accept it as inevitable, but that they see nothing irregular  or anomalous about it because of their fixed idea that work is something to be given.[14]
Nossos recursos naturais, embora muito exauridos, ainda são abundantes; nossa população é muito escassa, algo entre vinte a vinte e cinco pessoas por milha quadrada; e alguns milhões dessa população estão no momento “desempregados,” e com probabilidade de assim permanecerem porque ninguém irá ou poderá “dar-lhes trabalho.” O ponto não é que os homens generalizadamente se submetam a esse estado de coisas, ou que o aceitem como inevitável, e sim que eles nada veem de irregular ou anômalo nisso por causa da ideia neles instilada de que o trabalho é algo a ser dado.[14]
Claire Wolfe pointed out, in her brilliant article “Dark Satanic Cubicles,” that there’s nothing libertarian about the existing culture of job relations:
Claire Wolfe destacou, em seu brilhante artigo “Sombrios Cubículos Satânicos,” nada haver de libertário na cultura hoje existente de relações de emprego:
In a healthy human community, jobs are neither necessary nor desirable. Productive work is necessary — for economic, social, and even spiritual reasons. Free markets are also an amazing thing, almost magical in their  ability to satisfy billions of diverse needs. Entrepreneurship? Great! But jobs— going off on a fixed schedule to perform fixed functions for somebody else day after day at a wage— aren’t good for body, soul, family, or society.
Numa comunidade humana saudável, os empregos nem são necessários nem desejáveis. Trabalho produtivo é necessário – por razões econômicas, sociais e até espirituais. Os livres mercados são também algo estupendo, quase mágicos em sua capacidade de satisfazer biliões de necessidades diversas. Empreendedorismo? Excelente! Mas empregos – partir para um cronograma fixo para desempenhar funções fixas para outrem, dia após dia, por um salário – não são bons para corpo, alma, família ou sociedade.
Intuitively, wordlessly, people knew it in 1955. They knew it in 1946. They really knew it when Ned Ludd and friends were smashing the machines of the early Industrial Revolution (though the Luddites may not have  understood exactly why they needed to do what they did).
Intuitivamente, sem palavras, as pessoas sabiam disso em 1955. Elas sabiam disso em 1946. Elas realmente sabiam disso quando Ned Ludd e amigos despedaçavam as máquinas do início da Revolução Industrial (embora os Ludditas possam não ter entendido exatamente por que precisavam fazer o que fizeram).
Jobs suck. Corporate employment sucks. A life crammed into 9-to-5 boxes sucks. Gray cubicles are nothing but an update on William Blake’s “dark satanic mills.” Granted, the cubicles are more bright and airy; but they’re different in degree rather than in kind from the mills of the Industrial Revolution. Both cubicles and dark mills signify working on other people’s terms, for other people’s goals, at other people’s sufferance. Neither type of work usually results in us owning the fruits of our labors or having the satisfaction of creating something from start to finish with our own hands. Neither allows us to work at our own pace, or the pace of the  seasons. Neither allows us access to our families, friends, or communities when we need them or they need us. Both isolate work from every other part of our life…
Empregos são maçantes. O emprego corporativo é fastidioso. Passar a vida enfiado em caixas das 9 às 5 é uma porcaria. Cubículos cinzentos são apenas uma versão atualizada dos “sombrios moinhos satânicos” de William Blake. Certo, os cubículos são mais iluminados e arejados; são porém diferentes mais em grau do que em natureza dos moinhos da Revolução Industrial. Ambos, cubículos e moinhos sombrios, significam trabalhar nos termos de outras pessoas, para os objetivos de outras pessoas, com sujeição ao arbítrio de outras pessoas. Nenhum desses dois tipos de trabalho usualmente resulta em tomarmos posse dos frutos de nosso trabalho ou termos a satisfação de criar algo do começo ao fim com nossas próprias mãos. Nenhum dos dois nos permite trabalhar em nosso próprio ritmo, ou ao ritmo das estações. Nenhum dos dois nos permite acesso a nossas famílias, amigos ou comunidades quando necessitamos deles ou eles necessitam de nós. Ambos isolam o trabalho de todas as outras partes de nossa vida... 
We’ve made wage-slavery so much a part of our culture that it probably doesn’t even occur to most people that there’s something unnatural about separating work from the rest of our lives. Or about spending our entire  working lives producing things in which we can often take only minimal personal pride— or no pride at all…
Tornamos a escravatura dos salários parte tão inconsútil de nossa cultura que provavelmente nem ocorre à maior parte das pessoas haver algo de anormal em separar o trabalho do resto de nossas vidas. Ou em passar nossas vidas de trabalho inteiras produzindo coisas que nos dão apenas satisfação pessoal mínima – ou nenhuma satisfação...
Take a job and you’ve sold part of yourself to a master. You’ve cut yourself off from the real fruits of your own efforts.
Arranje um emprego, e você terá vendido parte de você próprio a um dono. Você terá acabado de excluir-se dos reais frutos de seus próprios esforços.
When you own your own work, you own your own life. It’s a goal worthy of a lot of sacrifice. And a lot of deep thought.
Quando você é dono de seu próprio trabalho, é dono de sua própria vida. É objetivo digno de muito sacrifício. E de muita reflexão profunda.
[A]nybody who begins to come up with a serious plan that starts cutting the underpinnings from the state-corporate power structure can expect to be treated as Public Enemy Number One.[15]
[Q]ualquer pessoa que comece a apresentar algum plano sério que comece por derruir os alicerces da estrutura de poderio estado-corporação pode esperar ser tratada como Inimiga Pública Número Um [15]
The chief obstacle to the latter process, she wrote, was “government and its heavily favored and subsidized corporations and financial markets…”
O principal obstáculo para esse último processo, escreveu ela, eram “o governo e seus fortemente favorecidos e subsidiados corporações e mercados financeiros …”
How Bad Do the Options Have to Be?
O Quanto Têm de Ser Ruins as Opções?
Now before we go on, as a market anarchist, I have to stipulate that there’s nothing inherently wrong with wage labor. And in a free market, employers would be within their rights to make the kinds of demands associated with contract feudalism.
Antes de prosseguirmos, como anarquista de mercado tenho de deixar claro não haver nada inerentemente errado no trabalho assalariado. E, num livre mercado, os empregadores estariam dentro de seus direitos ao fazerem os tipos de exigência relacionados com o feudalismo de contrato.
The problem, from my standpoint, is that the reduced bargaining power of labor in the present labor market lets employers get away with it. What deserves comment is not the legal issue of whether the state should “allow” employers to exercise this kind of control, but the question of what kind of allegedly free marketplace would allow it.
O problema, de meu ponto de vista, é que o poder reduzido de barganha da força de trabalho no presente mercado de trabalho permite aos empregadores tirarem proveito indevido disso. O que merece comentário não é a questão legal de se o estado deveria “permitir” aos empregadores exercerem esse tipo de controle, e sim a questão de que tipo de mercado pretensamente livre permitiria isso.
The question is, just how godawful do the other “options” have to be before somebody’s desperate enough to take a job under such conditions? How do things get to the point where people are lined up to compete for jobs  where they can be forbidden to associate with coworkers away from work, where even squalid, low-paying retail jobs can involve being on-call 24/7, where employees can’t attend political meetings without keeping an  eye out for an informer, or can’t blog under their own names without living in fear that they’re a web-search away from termination?
A questão é, o quanto terão de ser execráveis as outras “opções” para que a pessoa fique desesperada o bastante para aceitar emprego nessas condições? Como é que as coisas chegam ao ponto de as pessoas fazerem fila para competir por empregos onde elas poderão ser proibidas de convívio com colegas fora do trabalho, onde até empregos reles de vendedor, com baixa remuneração, poderão envolver ficar disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, onde os empregados não podem participar de reuniões políticas sem ficar de olho para ver se não há algum informante, ou não podem blogar usando o próprio nome sem viver com medo de estarem à distância de uma pesquisa na web da demissão?
I’m not a friend of federal labor regulations. We shouldn’t need federal regulations to stop this sort of thing from happening. In a free market where land and capital weren’t artificially scarce and expensive compared to  labor, jobs should be competing for workers. What’s remarkable is not that contract feudalism is technically “ legal,” but that the job market is so abysmal that it could become an issue in the first place.
Não sou amigo das regulamentações federais do trabalho. Não deveríamos precisar de regulamentações para impedir que esse tipo de coisa acontecesse. Num livre mercado onde terra e capital não fossem artificialmente escassos e dispendiosos em comparação com o trabalho, os empregos deveriam estar competindo por trabalhadores. O surpreendente não é que o feudalismo de contrato seja tecnicamente “legal,” e sim que o mercado de trabalho seja tão execrável que se torna o primeiro problema carente de resolução.
As Elizabeth Anderson already suggested in the quote above, the key to contract feudalism is the reduced bargaining power of labor. Timothy Carter puts the alternatives in very stark terms:
Como Elizabeth Anderson já sugeriu na citação acima, o segredo do feudalismo de contrato é o poder reduzido de barganha da força de trabalho. Timothy Carter coloca as alternativas em termos bem nítidos:
where the real power to gain a lion’s share of the mutual benefit lies: with the power to walk away. If one side can walk away from the table and the other side cannot, the party that can leave can get almost anything they  want as long as they leave the other party only slightly better off than if there was no deal at all…
onde reside o real poder de ganhar uma parte do leão do benefício mútuo: no poder de levantar e sair. Se um lado tem o poder de sair da mesa e o outro lado não tem, a parte que tem o poder de sair pode obter quase tudo o que deseje desde que deixe a outra parte apenas ligeiramente melhor do que se não houvesse acordo nenhum…
What creates an imbalance in the power to walk away? One situation is need. If one side has to make the exchange, their power to walk away is gone.
O que cria desequilíbrio no poder de sair da sala? Uma das situações é a necessidade. Se um dos lados precisa de chegar a um acordo, seu poder de sair da sala acabou.
… For most people, a job is the ultimate need. It from the earnings of job that all other needs are satisfied.
… Para a maior parte das pessoas, um emprego é a necessidade máxima. É a partir do que ganham graças ao emprego que todas as outras necessidades são satisfeitas.
So how can we make the exchange more fair?… The liberal answer is to have the government meddle in the labor-capital exchange…
Assim, pois, como podemos tornar o acordo mais justo?… A resposta dos liberais é o governo intervir na negociação trabalho-capital…
There is another way. The need for government meddling could end if the balance of negotiating power between labor and capital were equalized. Currently, the imbalance exists because capital can walk away, but labor  cannot.[16]
Há outro caminho. A necessidade do governo se intrometer desapareceria se o equilíbrio do poder de negociação entre trabalho e capital fosse equalizado. Atualmente, o desequilíbrio existe porque o capital pode abandonar a mesa, mas o trabalho não pode.[16]
For a Genuine Free Market
Por um Genuíno Livre Mercado
Contrast the present monstrous situation with what would exist in a genuine free market: jobs competing for workers, instead of the other way around. Here’s how Tucker envisioned the worker-friendly effects of such a  free market:
Contrastemos a presente monstruosa situação com aquela que existiria num genuíno livre mercado: empregos competindo por trabalhadores, em vez do contrário. Eis como Tucker concebeu os efeitos favoráveis ao trabalhador de tal livre mercado:
For, say Proudhon and Warren, if the business of banking were made free to all, more and more persons would enter into it until the competition should become sharp enough to reduce the price of lending money to the  labor cost, which statistics show to be less than three-fourths of once per cent. In that case the thousands of people who are now deterred from going into business by the ruinously high rates which they must pay for  capital with which to start and carry on business will find their difficulties removed… Then will be seen an exemplification of the words of Richard Cobden that, when two laborers are after one employer, wages fall, but  when two employers are after one laborer, wages rise. Labor will then be in a position to dictate its wages, and will thus secure its natural wage, its entire product…[17]
Para, digamos, Proudhon e Warren, se a atividade bancária fosse livre para todos, cada vez mais pessoas a desenvolveriam, até que a competição se tornasse aguda o suficiente para reduzir o preço de emprestar dinheiro até o custo do trabalho, que as estatísticas mostram ser menos de três quartos de um por cento. Nesse caso os milhares de pessoas que hoje são dissuadidos de desenvolverem negócios pelas ruinosamente altas taxas que precisam pagar pelo capital com o qual começar e conduzir negócios veriam suas dificuldades removidas... Então se veria um exemplo das palavras de Richard Cobden que, quando dois trabalhadores procuram um empregador, os salários caem, mas quando dois empregadores saem à cata de um empregado, os salários sobem. O trabalhador estará então em posição de ditar seu salário e, portanto, assegurará seu salário natural, seu produto inteiro…[17]
The authors of the Anarchist FAQ described the libertarian socialist consequences of Tucker’s free market, in even more expansive terms, in this passage:
Os autores de Perguntas Frequentes Anarquistas descreveram as consequências socialistas libertárias do livre mercado de Tucker em termos ainda mais amplos, na seguinte passagem:
It’s important to note that because of Tucker’s proposal to increase the bargaining power of workers through access to mutual credit, his individualist anarchism is not only compatible with workers’ control but would in fact promote it (as well as logically requiring it). For if access to mutual credit were to increase the bargaining power of workers to the extent that Tucker claimed it would, they would then be able to: (1) demand and get  workplace democracy; and (2) pool their credit to buy and own companies collectively. This would eliminate the top-down structure of the firm and the ability of owners to pay themselves unfairly large salaries as well as reducing capitalist profits to zero by ensuring that workers received the full value of their labour. Tucker himself pointed this out when he argued that Proudhon (like himself) “would individualise and associate” workplaces by mutualism, which would “place the means of production within the reach of all.”[18]
É importante observar que, devido à proposta de Tucker de aumento do poder de barganha dos trabalhadores por meio de acesso ao crédito mútuo, seu anarquismo individualista não só é compatível com o controle pelos trabalhadores como, na verdade, o promoveria (bem como o requereria logicamente). Pois se o acesso ao crédito mútuo aumentasse o poder de barganha dos trabalhadores até o ponto que Tucker disse aumentaria, eles conseguiriam: (1) exigir e obter democracia no local de trabalho; e (2) juntar seu crédito para comprar e ter a propriedade de empresas coletivamente. Isso eliminaria a estrutura de cima para baixo da empresa e a capacidade dos proprietários de pagarem-se a si próprios salários injustamente altos, bem como reduziria os lucros do capitalista a zero mediante assegurar que os trabalhadores recebessem o valor pleno de seu trabalho. O próprio Tucker destacou isso quando argumentou que Proudhon (como ele próprio) “individualizaria e associaria” locais de trabalho por meio de mutualismo, o que “colocaria os meios de produção ao alcance de todos.”[18]
So instead of workers living in fear that bosses might discover something “ bad” about them (like the fact that they have publicly spoken their minds in the past, like free men and women), bosses would live in fear lest workers think badly enough of them to take their labor elsewhere. Instead of workers being so desperate to hold onto a job as to allow their private lives to be regulated as an extension of work, management would be so desperate to hold onto workers as to change conditions on the job to suit them. Instead of workers taking more and more indignities to avoid bankruptcy and homelessness, bosses would give up more and more control  over the workplace to retain a workforce. In such an economy, associated labor might hire capital instead of the other way around, and the natural state of the free market be cooperative production under the control of the producers.
Portanto, em vez de os trabalhadores viverem com medo de os chefes poderem descobrir algo “ruim” acerca deles (como o fato de eles terem dito publicamente o que pensavam no passado, como homens e mulheres livres), os chefes viveriam com medo de os trabalhadores pensarem coisas más a respeito deles a ponto de levarem sua força de trabalho para outro lugar. Em vez de os trabalhadores ficarem desesperados para manter o emprego a ponto de permitir suas vidas privadas serem regulamentadas como extensão do trabalho, a gerência estaria tão desesperada para manter os trabalhadores que mudaria as condições do emprego para adaptá-las a eles. Em vez de os trabalhadores aceitarem cada vez mais humilhações para evitarem falência e falta de teto, os chefes abririam mão cada vez mais de controle sobre o local de trabalho a fim de reterem a força de trabalho. Em tal economia, os trabalhadores associados poderiam contratar capital em vez do contrário, e o estado natural do livre mercado poderia ser a produção cooperativa sob controle dos produtores.
Notes:
Notas:
[Please check links in the original]
[Por favor veja os links no original]
[1] Elizabeth Anderson, ‘Adventures in Contract Feudalism’, Left2Right, February 10 2005
[1] Elizabeth Anderson, ‘Aventuras em Feudalismo de Contrato’, EsquerdaADireita, 10 de fevereiro de 2005
[2] ‘Company’s Smoking Ban Means Off-Hours, Too’, New York Times, February 8 2005
[2] ‘Proibição de Fumo na Empresa Significa Nas Horas de Folga, Também’, New York Times, 8 de fevereiro de 2005
[3] Patrick Barkham, ‘Blogger Sacked for Sounding Off’, The Guardian, January 12 2005
[3] Patrick Barkham, ‘Blogador Demitido por Expressar Opiniões Abertamente’, The Guardian, 12 de janeiro de 2005
[4] Harold Meyerson, ‘Big Brother On and Off the Job’, Washington Post, August 10 2005
[4] Harold Meyerson, ‘O Grande Irmão No e Fora do Emprego’, Washington Post, 10 de agosto de 2005
[5] Self-published. Fayetteville, Ark., 2004
[5] Autopublicado. Fayetteville, Ark., 2004
[6] The Libertarian, May 1 1969
[6] O Libertário, 1o. de maio de 1969
[7] ‘The Lesson of Homestead’, Liberty, July 23 1892, in Instead of a Book (Gordon Press facsimile of Second Edition, 1897, 1972), pp. 453-54.
[7] ‘A Lição de Homestead’, Liberdade, 23 de julho de 1892, em Em Vez de um Livro (Gordon Press facsímile da Segunda Edição, 1897, 1972), pp. 453-54.
[8] ‘Capitalism and Unfreedom’, Lenin’s Tomb, April 1 2005
[8] ‘Capitalismo e Falta de Liberdade’, Túmulo de Lenin, 1o. de abril de 2005
[9] Karl Marx and Friedrich Engels, Capital vol. 1, vol. 35 of Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1996) pp. 704-5.
[9] Karl Marx e Friedrich Engels, Capital vol. 1, vol. 35 das Obras Escolhidas de Marx e Engels (New York: International Publishers, 1996) pp. 704-5.
[10] Franz Oppenheimer, The State, trans. by John Gitterman (San Francisco: Fox and Wilkes, 1997), pp. 5-6.
[10] Franz Oppenheimer, O Estado, tradução de John Gitterman (San Francisco: Fox and Wilkes, 1997), pp. 5-6.
[11] Albert Nock, Our Enemy, the State (Delavan, Wisc. Hallberg Publishing Company, 1983), p. 106n.
[11] Albert Nock, Nosso Inimigo, o Estado (Delavan, Wisc. Hallberg Publishing Company, 1983), p.106n.
[12] (Knopf, 1984)
[12] (Knopf, 1984)
[13] (Free Press, 1996)
[13] (Free Press, 1996)
[14] Our Enemy, The State, p. 82.
[14] Nosso Inimigo, o Estado, p. 82.
[15] Claire Wolfe, ‘Dark Satanic Cubicles’, Loompanics Unlimited 2005 Main Catalog
[15] Claire Wolfe, ‘Sombrios Cubículos Satânicos’, Loompanics Unlimited 2005 Catálogo Principal
[16] Timothy Carter, Alternatives to the Minimum Wage’, Free Liberal, April 11 2005
[16] Timothy Carter, Alternativas ao Salário Mínimo’, Liberal Livre, 11 de abril de 2005
[17] “State Socialism and Anarchism,” Instead of a Book, p. 11.
[17] “Socialismo de Estado e Anarquismo,” Em Vez de um Livro, p. 11.
[18] “G.5 ‘Benjamin Tucker: Capitalist or Anarchist?’” Anarchist FAQ
[18] “G.5 ‘Benjamin Tucker: Capitalista ou Anarquista?’” Perguntas Frequentes Anarquistas
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é integrante sênior do Centro por uma Sociedade sem Estado  (c4ss.org) e titular da Cadeira Karl Hess do Centro.  É anarquista mutualista e individualista cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária , e A Revolução Industrial Gestada em Casa:  Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade  e diversos periódicos e blogs na internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.



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