Sunday, November 25, 2012

C4SS - The Conflation Trap


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CENTER FOR A STATELESS SOCIEY
CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
building public awareness of left-wing market anarchism
na construção da consciência pública do anarquismo esquerdista de mercado
The Conflation Trap
A Cilada da Equivalência
The following article was written by Roderick T. Long and published with Bleeding Heart LibertariansNovember 7th, 2012.
O artigo a seguir foi escrito por Roderick T. Long e publicado no Libertários Confrangidos, 7 de novembro de 2012.
Left-libertarians differ from the (current) libertarian mainstream both in terms of what outcomes they regard as desirable, and in terms of what outcomes they think a freed market is likely to produce.
Os libertários de esquerda diferem da (atual) corrente majoritária libertária tanto em termos de que resultados veem como desejáveis quanto em termos do que acham que um mercado emancipado provavelmente produzirá.
With regard to the latter issue, left-libertarians regard the current domination of the economic landscape by large hierarchical firms as the product not of free competition but of government intervention –  including not only direct subsidies, grants of monopoly privilege, and barriers to entry, but also a regulatory framework that enables firms to socialise the scale costs associated with growth and the informational costs  associated with hierarchy, while pocketing the benefits – and leaving employees and consumers with a straitened range of options. In the absence of government intervention, we maintain, firms could be expected to be smaller, flatter, and more numerous, with greater worker empowerment.
No tocante à última questão, os libertários de esquerda veem a atual dominação do panorama econômico por grandes firmas hierárquicas como produto não de livre competição, e sim de intervenção do governo –  incluindo não apenas subsídios diretos, concessões de privilégio de monopólio e barreiras à entrada no mercado, mas também uma estrutura regulamentadora que permite às firmas socializarem os custos de escala relacionados com crescimento e os custos informacionais relacionados com hierarquia, enquanto embolsam os benefícios – deixando empregados e consumidores com espectro restrito de opções. Na ausência de intervenção do governo, afirmamos nós, poder-se-ia esperar das firmas serem menores, mais horizontais, e mais numerosas, com maior poder dos trabalhadores.
Thus we tend to wince when libertarians (or many of them, to varying degrees) rush to the defense of elite corporations and prevailing business models and practices as though these were free-market phenomena. First, we think this is factually inaccurate; and second, we think it’s strategically suicidal. Ordinary people generally know firsthand the petty tyranny and bureaucratic incompetence that all too often characterise the world of business; libertarians who try to glamourise that world as an arena of economic rationality and managerial heroism risk coming across as clueless at best, and shills for the ruling class at worse.
Assim, tendemos a retrair-nos quando libertários (ou muitos deles, em graus variados) acorrem em defesa de corporações de elite e de modelos e práticas prevalecentes de negócios como se eles fossem fenômenos de livre mercado. Primeiro, achamos que isso é factualmente inexato; e segundo, achamos que é algo estrategicamente suicida. As pessoas comuns geralmente conhecem em primeira mão a tirania mesquinha e a incompetência burocrática que com demasiada frequência caracterizam o mundo dos negócios; libertários que tentam romancear esse mundo como um lugar de racionalidade econômica e heroísmo gerencial arriscam-se a ver-se por fim, na melhor das hipóteses, perdidos e, na pior, como garotos-propaganda da classe dominante. 
This is also why we tend to be less than enthusiastic about the word ”capitalism” as the term for free-market society; as Friedrich Hayek notes, the term is “misleading,” since it “suggests a system which mainly benefits the capitalists,” whereas a genuine free market is “a system which imposes upon enterprise a discipline under which the managers chafe and which each endeavours to escape.” (Law, Legislation, and Liberty, vol.1, p. 62.)
Eis também por que tendemos a não ser nada entusiásticos diante da palavra ”capitalismo” como aplicável a uma sociedade de livre mercado; como observa Friedrich Hayek, essa palavra “é desencaminhadora,” visto “sugerir um sistema que beneficia principalmente os capitalistas,” quando um genuino livre mercado é “um sistema que impõe à empresa uma disciplina sob a qual os gerentes se esfolam e da qual cada um procura escapar.” (Lei, Legislação e Liberdade, vol.1, p. 62.)
But it is not only mainstream libertarians (and of course, to a far greater extent, conservatives) that tend to conflate the results of crony corporatism with those of free markets; such conflationism is all too common on the  traditional left as well. The difference is that the evaluations are reversed; where the right-wing version of conflationism treats the virtues of free markets as reason to defend the fruits of corporatism , the left-wing version of conflationism treats the objectionable fruits of corporatism as reason to condemn free markets.
Não são, porém, apenas os libertários convencionais (e, obviamente, em muito maior grau, os conservadores) que tendem a fazer equivaler os resultados do corporatismo de compadrio com aqueles dos livres mercados; tal equivalência também é demasiado comum na esquerda tradicional. A diferença é que as avaliações são invertids; onde a versão da direita da equivalência trata as virtudes dos livres mercados como motivo para defesa dos frutos do corporatismo, a versão da esquerda da equivalência trata os objetáveis frutos do corporatismo como motivo para condenar os livres mercados.
Central to both forms of conflationism is the myth that big business and big government are fundamentally at odds. As is often the case, the myth sustains itself by containing a kernel of truth; while big business and big  government are partners, each serving to prop up the other, each side would like to be the dominant partner (as with church and state in the Middle Ages, or Dooku and Palpatine in the Star Wars prequels), so much - though not, I think, most - of the conflict between them is genuine. But we should not allow these squabbles between different wings of the ruling class, essentially over how to divide up the loot, to obscure the far greater extent to which the political elite and the corporate elite work together. Conservative politicians, largely agents of the corporate wing, wrap their policies in anti-big-government rhetoric, while liberal politicians,  largely agents of the political wing, wrap their policies in anti-big-business rhetoric; the differences in policy often involve nudging the balance of power slightly in one direction or the other (will healthcare be mainly  controlled by government directly, or instead by the private beneficiaries of government-granted privilege like insurance companies and the AMA?), but both wings systematically benefit from most of the policies  propounded by each side. FDR’s presidency, for example, with its cartelising policies, gave a massive boost to corporate power, while the three chief indices of state power “taxes, spending, and debt” all skyrocketed under Reagan’s presidency.
Central para ambas as formas de equivalência é o mito de que as grandes empresas e o governo hipertrofiado estão fundamentalmente em desacordo. Como é amiúde o caso, o mito se mantém mediante conter um núcleo de verdade; embora as grandes empresas e o governo hipertrofiado sejam parceiros, cada um servindo para escorar o outro, cada lado gostaria de ser o parceiro dominante (como a igreja e o estado na Idade Média, ou Dooku e Palpatine nas prequelas de Guerra nas Estrelas), e pois muito - embora, penso eu, não a maior parte - do conflito entre eles é genuíno. Não devemos porém permitir que essas querelas entre alas diferentes da classe dominante, essencialmente a propósito de como dividir o botim, obscureça o grau muito maior no qual a elite política e a elite corporativa trabalham juntas. Políticos conservadores, em grande parte agentes da ala corporativa, dissimulam suas políticas com uma retórica de oposição ao governo hipertrofiado, enquanto políticos liberais, em grande parte agentes da ala política, disfarçam suas políticas numa retórica de oposição às grandes empresas; as diferenças de políticas amiúde envolvem deslocar levemente o equilíbrio do poder numa direção ou na outra (será a assistência de saúde controlada principalmente pelo governo diretamente ou, pelo contrário, pelos beneficiários privados do privilégio concedido pelo governo tais como empresas de seguro de saúde e a Associação Médica Estadunidense - AMA?), mas ambas as alas sistematicamente beneficiam-se da maior parte das políticas propostas por cada lado. A presidência de Franklin Delano Roosevelt - FDR, por exemplo, com suas políticas cartelizadoras, deu forte impulso ao poder corporativo, enquanto os três principais índices do poder do estadoimpostos, gastos e dívidatodos dispararam na presidência de Reagan.
But conflationism isn’t just a mistake about the prevailing system; it’s also a means by which that system perpetuates itself. People who are attracted to the idea of free markets are hoodwinked by conflationism into supporting big business, and thus becoming foot soldiers of the corporate wing of the ruling class; people who are repelled by the reality of corporatism on the ground are hoodwinked into supporting big government, and thus becoming foot soldiers of the political wing of the ruling class. Thus, thanks to the pincer-movement of right-conflationism and left-conflationism, those who seek to oppose the prevailing system end up in the ranks of its supporters – and the possibility of a radical challenge to the system as a whole is rendered effectively invisible. This is how conflationism functions.
A equivalência, porém, não é apenas um equívoco  acerca do sistema prevalecente; é também meio pelo qual esse sistema se perpetua. Pessoas atraídas pela ideia de livres mercados são enganosamente aliciadas pela equivalência, passando a apoiar as grandes empresas e tornando-se, desse modo, soldados de infantaria da ala corporativa da classe dominante; pessoas que sentem repulsa pelo corporatismo do mundo real são enganosamente aliciadas no sentido de apoiarem o governo hipertrofiado e se tornam, pois, soldados de infantaria da ala política da classe dominante. Assim, graças ao movimento de pinça da equivalência de direita e da equivalência de esquerda, aqueles que buscam opor-se ao sistema prevalecente acabam nas fileiras dos que o defendem – e a possibilidade de contestação radical do sistema como um todo é tornada na prática invisível. É assim que a equivalência funciona.
My talk of “functioning” is not meant to imply that conflationism is deliberately propagated in order to divert potential enemies of the system into the ranks of its supporters (though of course it sometimes in).
Minha menção a “funcionamento” não pretende implicar que a equivalência seja propagada  deliberadamente para canalizar potenciais inimigos do sistema para as fileiras dos que o defendem (embora, naturalmente, às vezes isso ocorra).
In a broader sense, whenever some feature A of a system B tends reliably to produce a certain result C, and A’s being such as to produce C helps to explain the existence and/or persistence of B, and thereby of A, then we may say that the function of A is to produce C. Thus the fact that thorns tend to protect roses from being eaten explains why roses, with their thorns, exist and persist. It’s in that sense that I say that the function of conflationism within the prevailing state/corporate system is to bewilder its foes into becoming supporters, and to render alternatives invisible. Conflationism is an instance of malign spontaneous order.
Num sentido mais amplo, sempre que alguma característica A de um sistema B tenda a seguramente produzir certo resultado C, e A seja tal que produzir C ajude a explicar a existência e/ou a persistência de B, e portanto de A, então poderemos dizer que a função de A é produzir C.  Assim, o fato de espinhos tenderem a proteger rosas de serem comidas explica por que rosas, com seus espinhos, existem e persistem. É nesse sentido que digo que a função da equivalência dentro do sistema estado/corporação prevalecente é desnortear opositores do sistema, levando-os a tornarem-se apoiadores, e tornar invisíveis alternativas. A equivalência é um exemplo de ordem espontânea perversa.
Philosopher of science Thomas Kuhn describes an intriguing experiment:
O filósofo da ciência Thomas Kuhn descreve interessante experimento:
Bruner and Postman asked experimental subjects to identify on short and controlled exposure a series of playing cards. Many of the cards were normal, but some were made anomalous, e.g., a red six of spades and a black  four of hearts. … For the normal cards these identifications were usually correct, but the anomalous cards were almost always identified, without apparent hesitation or puzzlement, as normal. The black four of hearts might, for example, be identified as the four of either spades or hearts. Without any awareness of trouble, it was immediately fitted to one of the conceptual categories prepared by prior experience. … With a further  increase of exposure to the anomalous cards, subjects did begin to hesitate and to display awareness of anomaly. Exposed, for example to the red six of spades, some would say: That’s the six of spades, but there’s something wrong with it – the black has a red border. … A few subjects … were never able to make the requisite adjustment of their categories. (Structure of Scientific Revolutions, pp. 62-63)
Bruner e Postman pediram a sujeitos do experimento que identificassem, em exposições curtas e controladas, uma série de cartas de baralho. Muitas das cartas eram normais, mas algumas foram tornadas anômalas, por exemplo um seis de espadas vermelho, e um quatro de copas preto. … Nos casos de cartas normais, as identificações foram usualmente corretas, mas as cartas anômalas foram quase sempre identificadas, sem aparente hesitação ou confusão, como normais. O quatro de copas preto poderia, por exemplo, ser identificado como o quatro ou de espadas ou de copas. Sem qualquer consciência ou problema, ele era imediatamente encaixado numa das categorias conceptuais preparadas pela experiência anterior. ... Com posterior aumento de exposição das cartas anômalas, os sujeitos começaram a hesitar e a mostrar consciência da anomalia. Expostos, por exemplo, ao seis de espadas vermelho, alguns diriam: Este é o seis de espadas, mas há algo de errado nele – o preto tem borda vermelha. … Alguns sujeitos … não foram capazes de proceder ao ajuste necessário de suas categorias. (Estrutura das Revoluções Científicas, pp. 62-63)
In short, people tend to have not only difficulty with, but even aversion to, recognising something that doesn’t fit their established categories. This creates a problem for libertarians generally; for many in the political mainstream, the first impulse is to assimilate libertarians to a more familiar “anti-government” category, namely conservatives. When, after longer exposure, mainstreamers realise that libertarians aren’t quite conservatives after all, then they begin to see libertarians as the equivalent of “black spades with red borders” – conventionally conservative on some issues, conventionally liberal on others, rather than representing a radical alternative to existing ideologies. (Libertarians’ use of the Nolan Chart as an outreach tool may contribute to this tendency.)
Em suma, as pessoas tendem não apenas a não ter dificuldade em, mas a ter até aversão a, reconhecerem algo que não se encaixe em suas categorias estabelecidas. Isso cria um problemas para os libertários em geral; para muitas pessoas da política convencional, o primeiro impulso é assimilar os libertários a uma categoria, que lhes é mais familiar, de “contrários ao governo,” isto é, conservadores. Quando, depois de longa exposição, as pessoas da política convencional percebem que os libertários não são muito conservadores afinal de contas, começam a vê-los como o equivalente de “espadas pretas com bordas vermelhas” – convencionalmente conservadores em algumas questões, convencionalmente liberais em outras, em vez de vê-los como representando uma alternativa radical às ideologias existentes. (O uso, pelos libertários, do Diagrama de Nolan como ferramenta de divulgação pode contribuir para essa tendência.)
What holds true for libertarians generally, holds to a still greater extent in the case of left-libertarians. The prevalence of conflationism tends to reinforce the impression that anyone who attacks (what we consider) the  fruits of corporatism must be anti-free-market, and that anyone who defends free markets must be undertaking a defense of (what we consider) the fruits of corporatism. Thus nonlibertarian leftists tend to see us as  corporate apologists in leftist camouflage, while nonleftist libertarians tend to see us as commies in libertarian guise.
O que é verdade a respeito dos libertários de modo geral é ainda mais verdade no tocante aos libertários de esquerda. A prevalência da equivalência tende a reforçar a impressão de que qualquer pessoa que ataque (aquilo que consideramos) os frutos do corporatismo só pode ser contra o livre mercado, e de que qualquer pessoa que defenda os livres mercados só pode estar empreendendo defesa daquilo (que consideramos) os frutos do corporatismo. Assim, esquerdistas não libertários tendem a ver-nos como apologistas das corporações camuflados de esquerdistas, enquanto os libertários não esquerdistas tendem a ver-nos como comunas disfarçados de libertários.
Even when mainstream libertarians acknowledge the existence (and badness) of corporatism, as most do, communication with left-libertarians still tends to come to grief. Left-libertarians are baffled when mainstream libertarians acknowledge cronyism in one breath, only to slide back in the next breath to into treating criticisms of big business as criticisms of free markets. More mainstream libertarians, for their part, are baffled as to  why left-libertarians keep raising the issue of corporatism when the mainstream libertarians have already acknowledged its existence and badness.
Mesmo quando libertários convencionais reconhecem a existência (e o mal) do corporatismo, como a maioria faz, a comunicação com os libertários de esquerda ainda assim tende a fracassar. Os libertários de esquerda ficam perplexos quando libertários convencionais reconhecem o compadrio num momento só para, no momento seguinte, resvalarem de volta tratando críticas às grandes empresas como críticas ao livre mercado. Libertários mais convencionais, por sua vez, ficam atônitos perguntando-se por que os libertários de esquerda continuam a suscitar a questão do corporatismo quando os libertários convencionais já reconheceram sua existência e o mal que representa.
Kuhn is helpful here too:
Kuhn também aqui é de valia:
Since remote antiquity most people have seen one or another heavy body swinging back and forth on a string or chain until it finally comes to rest. To the Aristotelians, who believed that a heavy body is moved by its own nature from a higher position to a state of natural rest at a lower one, the swinging body was simply falling with difficulty. Constrained by the chain, it could achieve rest at its low point only after a tortuous motion and a considerable time. Galileo, on the other hand, looking at the swinging body, saw a pendulum, a body that almost succeeded in repeating the same motion over and over again ad infinitum. … [W]hen Aristotle and Galileo looked at swinging stones, the first saw constrained fall, the second a pendulum …. (Ibid., pp. 118-121)
Desde a antiguidade remota a maioria das pessoas já viu um ou outro corpo pesado balançando-se na ponta de cordel ou cadeia até finalmente atingir estado de repouso. Para os aristotélicos, que acreditavam que um corpo pesado é movido por sua própria natureza de uma posição mais alta para um estado de repouso natural em posição mais baixa, o corpo balouçante estava simplesmente caindo com dificuldade. Restringido pela cadeia, só conseguia obter repouso em seu ponto mais baixo depois de tortuoso movimento e tempo considerável. Galileu, por outro lado, olhando o corpo balouçante, via um pêndulo, um corpo que quase conseguia repetir o mesmo movimento outra e outra vez ad infinitum. … [Q]uando Aristóteles e Galileu olhavam para pedras balouçantes, o primeiro via queda restringida, o segundo via um pêndulo …. (Ibid., pp. 118-121)
Aristotle and Galileo were observing the same two facts: the stone keeps swinging back and forth for a while, and then it eventually hangs straight down. But for Galileo the swinging was essential and the eventual cessation  accidental, a “friction” phenomenon; whereas for Aristotle, progress toward a state of rest was essential, and the sideways perturbations accidental.
Aristóteles e Galileu observaram os mesmos dois fatos: a pedra continua a balançar de um lado para outro por algum tempo e, depois, finalmente, pende diretamente embaixo. Para Galileu, porém, o balanço era essencial e a cessação final era acidental, fenômeno de “fricção;” enquanto que, para Aristóteles, o progresso rumo a um estado de repouso era essencial, e as perturbações laterais eram acidentais.
Likewise, for those operating within a conceptual framework that sees conservative opposition to big government and liberal opposition to big business as essential and deviations from these norms as accidental,  evidence that conservative policies promote big government or that liberal policies promote will be dismissed as inessential or anomalous or an excusable. (See, for example, this video in which Obama supporters condemn right-wing-sounding policies when they think they’re Romney’s, but either excuse them or go into denial  when told that the policies are actually Obama’s.)
Analogamente, para aqueles que funcionam com uma estrutura conceptual que vê a oposição conservadora ao governo hipertrofiado e a oposição liberal às grandes empresas como essenciais e desvios desses padrões como acidentais, a evidência de que as políticas conservadoras promovem o governo hipertrofiado ou de que as políticas liberais promovem as grandes empresas será descartada como não essencial ou anômala ou como algo desculpável. (Ver, por exemplo, este vídeo no qual partidários de Obama condenam políticas que soam como direitistas quando eles as supõem provenientes de Romney, mas ou as desculpam ou entram em negação quando lhes é dito que as políticas são realmente de Obama.)
Similarly, for many mainstream libertarians, free exchange is what essentially characterises the existing economy, while the corporatist policies are so much friction; and just as there’s no need for constant references to friction when talking about how a mechanism works, such mainstream libertarians don’t constantly bring up corporatism when discussing the working of the existing economy. For left-libertarians, by contrast, corporatism is a far more central feature of the existing economy, and leaving it out radically distorts our understanding. In such cases left-libertarians and more conventional libertarians are arguing from opposite sides of a Gestalt shift, where what looks essential to one side looks accidental to the other.
Similarmente, para muitos libertários convencionais, livre intercâmbio é o que essencialmente caracteriza a economia existente, enquanto as políticas corporatistas são apenas fricção; e visto simplesmente não haver necessidade de constantes referências à fricção quando se fala acerca do como um mecanismo funciona, tais libertários convencionais não trazem constantemente o corporatismo à tona quando discutem o funcionamento da economia existente. Para os libertários de esquerda, em contraste, o corporatismo é característica muito mais central da economia existente, e deixá-lo de fora distorce radicalmente nosso entendimento. Em tais casos os libertários de esquerda e os libertários mais convencionais argumentam de lados opostos da mudança de Gestalt, onde o que parece essencial para um lado parece acidental para o outro.
I don’t mean to suggest that these disputes are rationally irresoluble, however. In the playing-card experiments, subjects did eventually come to see the suits correctly after sufficiently long exposure. And sufficient exposure to the evidence marshaled by left-libertarians can prompt the relevant Gestalt shift, as indeed it frequently does; most left-libertarians once started out either less leftist or less libertarian or both. But the prevailing conceptual framework, through which so many (both libertarian and not) look at the economy without seeing what we see, is, I think, no accident; it’s part of the means by which the big-government/big-business partnership maintains itself.
Não pretendo, contudo, sugerir que essas disputas sejam racionalmente irresolúveis. Nos experimentos com cartas de baralho, os sujeitos, por fim, conseguiram ver as cartas corretamente após exposição suficientemente longa. E exposição suficiente à evidência apresentada pelos libertários de esquerda pode induzir a adequada mudança da Gestalt, como de fato amiúde faz; os libertários de esquerda, em sua maioria, começaram no passado ou como menos esquerdistas ou menos libertários ou ambos. Contudo, a estrutura conceptual prevalecente, através da qual tantas pessoas (tanto libertárias quanto não) olham para a economia sem ver o que vemos, não é, penso eu, acidente; é parte dos meios pelos quais a parceria governo hipertrofiado/grandes empresas mantém-se. 
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