Wednesday, September 26, 2012

C4SS - Energy and Transportation Issues: A Libertarian Analysis [V.1]


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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade sem Estado
building public awareness of left-wing market anarchism
na construção da consciência pública do anarquismo esquerdista de mercado
Energy and Transportation Issues: A Libertarian Analysis
Questões de Energia e de Transporte: Análise Libertária
by Kevin Carson
por Kevin Carson
Center for a Stateless Society Paper No. 14 (Winter-Spring 2012)
Paper No. 14 do Centro por uma Sociedade sem Estado (Inverno-Primavera de 2012)
Continued
Continuação
IV. The Solution
IV. A Solução
From what we've seen so far, it's clear that the American car culture, sprawl development, centralized truck-based distribution system, and the rest of its pattern of energy and transportation consumption are far from the spontaneous outcome of “free market” preferences that they're portrayed as being by apologists for all these things. On the contrary: They're the result of a decades-long social engineering project in reshaping America in the image of the automobile.
Do que vimos até agora, fica claro que a cultura estadunidense do carro, o desenvolvimento por alastramento, o sistema centralizado de distribuição baseado em caminhões, e o resto do padrão destes de consumo de energia e transporte estão longe de ser o resultado espontâneo de preferências do “livre mercado” como retratado pelos apologistas de todas essas coisas. Pelo contrário: Essas coisas são resultado de um projeto de engenharia social de décadas de existência visante a redelinear os Estados Unidos à imagem do automóvel.
It's hard not to conclude on this basis that the cumulative effect of all these direct and indirect subsidies to the extraction and consumption of fossil fuels, and to the overconsumption of transportation inputs, is so great that simply eliminating them would reduce total fossil fuels consumption far below Kyoto Accord protocols.
É difícil não concluir, a partir dessa base, que o efeito cumulativo de todos esses subsídios diretos e indiretos à extração e consumo de combustíveis fósseis, e ao superconsumo de insumos de transporte, sejam tão colossais que sua simples eliminação reduziria o consumo de combustíveis fósseis para muito abaixo dos protocolos do Acordo de Kyoto.
Indeed Fatih Birol, chief economist at the International Energy Agency, estimates the price effect of scrapping the $409 billion spent globally on fossil fuel subsidies (not actually all subsidies, as I explained earlier, but with an equivalent price-distorting effect) would by itself be enough to reduce total global fossil fuel consumption by almost half enough to reach the Kyoto targets.41 Bear in mind that Birol's figure doesn't even include the great majority of policies described above that make energy consumption artificially cheap.
Na verdade Fatih Birol, economista-chefe da Agência Internacional de Energia, avalia que o efeito-preço de eliminar os $409 biliões de dólares gastos globalmente em subsídios a combustível fóssil (não em realidade todos os subsídios, como expliquei antes, mas com equivalente efeito distorcedor de preços) seria per se suficiente para reduzir o consumo total global de combustível fóssil em quase a metade do suficiente para alcance dos alvos de Kyoto.41 Tenhamos em mente que a cifra de Birol sequer inclui a grande maioria das políticas descritas acima que tornam o consumo de energia artificialmente barato.
You may notice, despite all this, that I don't waste any space in this section discussing policy proposals for removing energy subsidies, sprawl-promoting regulations, or anything of the sort. That should be self-explanatory. While I feel I should tip my hat to the recommendation that governments do all these things, it should be obvious to anyone outside of Stepford why I regard any serious discussion of it as a waste of time.
Vocês poderão notar, a despeito de tudo isso, que não desperdiço nenhum espaço nesta secção discutindo propostas de políticas para remoção de subsídios à energia, de regulamentações fomentadoras de alastramento, ou qualquer coisa da espécie. Isso deveria ser autoexplicativo. Embora eu sinta que deva vênia para a recomendação de que os governos façam todas essas coisas, deveria ser óbvio para qualquer pessoa fora de Stepford o motivo pelo qual vejo qualquer discussão séria do assunto como perda de tempo.
Peak Oil.
Pico do Petróleo.
The basic idea of Peak Oil is that the rate of extraction of petroleum has peaked, or is about to peak. On the downside of the peak, the supply of oil will gradually contract year by year. Although the total amount of oil reserves in the ground may be roughly comparable to those extracted to date, they will be poorer in quality, and more expensive in both dollar terms and energy to extract.
A ideia básica do Pico do Petróleo é que a taxa de extração de petróleo atingiu pico, ou está prestes a atingir pico. O aspecto negativo do pico é que o suprimento de petróleo contrair-se-á gradualmente de ano para ano. Embora a quantidade total de reservas no subsolo possa ser toscamente comparável à extraida até agora, ela será de qualidade inferior, e mais dispendiosa tanto em temos de dólares quanto de energia necessária para extração.
All the panaceas commonly put forth for Peak Oil—oil shale, tar sands, offshore drilling, algae—turn out to be pipe dreams. The issue isn't the absolute amount of oil in offshore reserves or tar sands, but the cost of extracting them and the maximum feasible rate of extraction. In terms of the net energy surplus left over after the energy cost of extraction (Energy Return on Energy Investment, or EROEI), all the “drill baby drill” gimmicks are far more costly—cost far more BTUs per net BTU of energy produced—than did petroleum in the “good old days.” The maximum rate of extraction from all the newly discovered offshore oil bonanzas the press reports, and from unconventional sources like tar sands, doesn't begin to compensate for the daily output of old wells in places like the Persian Gulf that will go offline in the next few years. And the oil from such sources is far more costly to extract, with much less net energy surplus.42
Todas as panaceias comumente sugeridas para o Pico do Petróleo — xisto betuminoso, areias betuminosas, perfuração ao largo da costa, algas — revelam-se quiméricas. A questão não é a quantidade absoluta de petróleo em reservas ao largo ou em areias betuminosas, mas o custo de extraí-la e a taxa máxima de extração factível. Em termos do excedente líquido de energia restante depois do custo de energia para extração (Retorno em Energia em relação a Investimento de Energia, ou Taxa de Retorno Energético - EROEI), todos os esquemas tipo “perfure, meu bem, perfure” são muito mais dispendiosos — custam muito mais unidades térmicas britânicas BTUs por BTU líquida de energia produzida — do que o petróleo “nos bons tempos de outrora.” A taxa máxima de extração de todas as recentemente descobertas reservas de petróleo ao largo que a imprensa noticia, e de fontes não convencionais tais como areias betuminosas, nem começam a compensar a produção diária de petróleo de poços antigos em lugares como o Golfo Pérsico que pararão de produzir dentro de alguns anos. E o petróleo daquelas fontes é muito mais dispendioso para ser extraído, com muito menos excedente líquido de energia.42
The list of false panaceas includes coal, by the way. It's sometimes argued that Peak Coal is some time away, and that increased coal output (e.g. China's much-vaunted policy of building another coal-fired generator every week) will compensate for decreased oil output in the intermediate term. But estimates of coal reserves have been revised radically downward in the last two decades—by some 55%, as a matter of fact. In virtually every country where coal reserves have been reestimated since the 1990s, such a downward revision has recurred. Poland, the largest coal producer in the EU, had its reserve estimates downgraded by 50%, and Germany by 90%. UK reserve estimates were revised from 45 billion tons to 0.22 billion tons. And interestingly, the countries with some of the highest estimated coal reserves (e.g. China) are also the countries whose estimates are the oldest and most out of date. The most recent figures for China, for an estimated 55 years' reserves, date back all the way to 1992—and Chinese production since then has amounted to some 20% of those total reserves.
A lista de falsas panaceias, aliás, inclui a hulha. Argumenta-se por vezes que o Pico do Petróleo ainda está por acontecer, e o aumento da produção de hulha (por exemplo, a muito louvada política da China de construir um novo gerador alimentado a hulha por semana) compensará o decréscimo da produção de petróleo no período intermediário. Entretanto, estimativas de reservas de hulha têm sido revisadas radicalmente para baixo nas últimas duas décadas — em cerca de 55%, na verdade. Em praticamente todo país onde as reservas de hulha foram reavaliadas desde os anos 1990, ocorreu tal revisão para baixo. A Polônia, maior produtora de hulha da União Europeia, teve suas estimativas de reservas reduzidas em 50%, e a Alemanha em 90%. As estimativas de reservas do Reino Unido foram revisadas de 45 biliões de toneladas para 0,22 bilião de toneladas. E, interessante, os países com algumas das mais elevadas reservas estimadas de hulha (por exemplo a China) são também os países cujas estimativas são as mais antigas e obsoletas. As cifras mais recentes relativas à China, de estimativa de reservas para 55 anos, datam de 1992 — e a produção chinesa desde então equivaleu a cerca de 20% dessas reservas totais.
The Energy Watch Group report gives projected production profiles showing that China is likely to experience peak coal production in the next 10-15 years, followed by a steep decline. It should also be noted that these production profiles do not take into account uncontrolled coal fires which – according to satellite based estimates – add around 5-10% to regular consumption. Since China’s production dwarfs that of any other country (being almost double that of the second largest producer, the USA) the global coal production peak will be heavily influenced by China’s production profile.43
O relatório do Grupo de Observação Atenta da Energia oferece perfis de projeções de produção mostrando que a China provavelmente experimentará pico de produção de hulha nos próximos 10-15 anos, seguido de acentuado declínio. Deve ser notado também que esses perfis de produção não levam em consideração incêndios descontrolados de hulha que – de acordo com estimativas baseadas em satélite – acrescentam cerca de 5-10% ao consumo regular. Visto que a produção da China apouca a de qualquer outro país (sendo quase o dobro da do segundo maior produtor, os Estados Unidos) o pico global de produção de hulha será fortemente influenciado pelo perfil de produção da China.43
The Energy Watch Group's estimate for peak coal energy is 2025.44 And even assuming increased coal output for another decade or more, Richard Heinberg forecasts total fossil fuel energy production peaking around 2010 or so.45
A estimativa do Grupo de Observação Atenta da Energia para o pico de energia de hulha é 2025.44 E mesmo assumindo-se aumento da produção de hulha por outra década ou mais, Richard Heinberg prevê pico de produção de energia de combustível fóssil por volta de 2010 ou algo da espécie.45
Peak Oil skeptics frequently argue that a price spike like the one in 2008 is caused, not by Peak Oil, but “instead” by some special circumstance like a specific supply disruption or speculative bubble. But that misses the point.
Céticos quanto ao Pico do Petróleo argumentam amiúde que crista de preço como a de 2008 é causada não pelo Pico do Petróleo mas “em vez disso” por alguma circunstância especial tal como alguma interrupção específica do suprimento ou bolha especulativa. Essa argumentação, entretanto, negligencia o essencial.
The very fact that supply has reached its peak, and that price is entirely determined by the amount of demand bidding for a fixed supply, means that the price of oil is governed by the same speculative boom-bust cycle Henry George observed in land. Given the prospect of a fixed supply of land or oil, the rational interest of the oil industry, like that of real estate speculators, will lead them to hold greater or lesser quantities off the market, or dump them on the market, based on their estimate of the future movement of price. Hence the inconvenient fact, during the “drill here drill now” fever of the McCain-Palin campaign, that the oil companies were already sitting on large offshore oil reserves that they were failing to develop in anticipation of higher prices.
O próprio fato de a oferta ter atingido seu pico, e de o preço ser inteiramente determinado pela quantidade dos lances oferecidos pela procura diante de uma oferta fixa, significa que o preço do petróleo é governado pelo mesmo ciclo especulativo de alta-baixa que Henry George observou no tocante à terra. Dada a perspectiva de uma oferta fixa de terra ou de petróleo, o interesse racional da indústria do petróleo, assim como o dos especuladores imobiliários, levá-la-á a reter maiores ou menores quantidades fora do mercado, ou a despejá-las no mercado, com base em sua estimativa do futuro movimento dos preços. Donde o fato inconveniente, durante a febre do “perfure aqui e perfure agora” da campanha McCain-Palin, de as companhias de petróleo já àquela altura estarem retendo grandes reservas de petróleo ao largo sem explorá-las na antecipação de preços mais altos.
The oil companies already have access to some 34 billion barrels of offshore oil they haven't even developed yet, but ending the federal moratorium on offshore drilling would probably add only another 8 billion barrels (assuming California still blocks drilling off its coast). Who thinks adding under 100,000 barrels a day in supply sometime after 2020 -- some one-thousandth of total supply -- would be more than the proverbial drop in the ocean? Remember the Saudis couldn't stop prices from rising now by announcing that they will add 500,000 barrels of oil a day by the end of this year!
As companhia de petróleo já têm acesso a cerca de 34 biliões de barris de petróleo ao largo que ainda não exploraram, mas o fim da moratória federal da perfuração ao largo provavelmente acrescentará apenas mais 8 biliões de barris (assunmindo-que que a Califórnia continue a bloquear a perfuração ao largo de sua costa). Quem achará que acrescentar 100.000 barris por dia à oferta em algum momento depois de 2020 -- cerca de um milésimo da oferta total -- será mais do que a proverbial gota no oceano? Lembremo-nos de que os sauditas não conseguiram fazer cessar a alta atual dos preços ao anunciarem que acrescentariam 500.000 barris de petróleo por dia até o final deste ano!
Here is the key data from EIA:
Eis aqui dados decisivos oriundos da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos - EIA:
Look closely. As of 2003, oil companies had available for leasing and development 40.92 billion barrels of offshore oil in the Gulf of Mexico. I asked the EIA analyst how much of that (estimated) available oil had been discovered in the last five years. She went to her computer and said "about 7 billion barrels have been found." That leaves about 34 billion still to find and develop.
Olhemos atentamente. Em 2003, as companhias de petróleoi tinham disponíveis para arrendamento e exploração 40,92 biliões de barris de petróleo ao largo no Golfo do México. Perguntei à analista da EIA quanto desse petróleo (avaliado como) disponível havia sido descoberto nos últimos cinco anos. Ela foi a seu computador e disse "foram descobertos cerca de 7 biliões de barris." Isso deixa cerca de 34 biliões ainda por serem descobertos e explorados.
The federal moratorium only blocks another 18 billion barrels of oil from being developed.46
A moratória federal só impede que outros 18 biliões de barris de petróleo sejam explorados.46
End of [V.1]
Fim de [V.1]
To be continued
Continua
41 Brad Plumer, “Scrapping fossil fuel subsidies would get us halfway on climate change,” Washington Post, January 1, 2012  [Please see link in the original]
41 Brad Plumer, “Descartar subsídios a combustível fóssil nos colocaria a meio caminho no tocante a mudança climática,” Washington Post, 1o. de janeiro de 2012  [Por favor veja link no original]
42 Rob Hopkins, The Transition Handbook: From Oil Dependency to Local Resilience (Totnes: Green Books, 2008), p. 23.  
42 Rob Hopkins, O Manual de Transição: De Dependência de Petróleo a Elasticidade Local (Totnes: Livros Verdes, Books, 2008), p. 23.  
43 Chris Vernon, “Peak Coal—Coming Soon?” The Oil Drum: Europe, April 5, 2007  [Please see link in the original]
43 Chris Vernon, “Pico do Petróleo — Acontecerá Logo?” O Barril de Petróleo: Europa, 5 de abril de 2007 [Por favor veja link no original]
44 Ibid.  
44 Ibid.  
45 Richard Heinberg, Peak Everything: Waking Up to the Century of Declines (Gabriola Island, B.C.: New Society Publishers, 2007), p. 12.  
45 Richard Heinberg, Ponha Pico em Tudo: Acordar Para os Declínios do Século (Gabriola Island, B.C.: New Society Publishers, 2007), p. 12.  
46 Joseph Romm, “McCain's Cruel Offshore Drilling Hoax,” CommonDreams.Org, July 11, 2008  [Please see link in the original]
46 Joseph Romm, “O Cruel Boato da Perfuração ao Largo de McCain,” CommonDreams.Org, 11 de julho de 2008 [Por favor veja link no original]
C4SS (c4ss.org) Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political EconomyOrganization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS (c4ss.org) Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política MutualistaTeoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e  A Revolução Industrial Gestada em Casa: Manifesto de Baixo Overhead, todos livremente disponíveis online. Carson também tem escrito para publicações tais como: O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e diversos periódicos e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.


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