Wednesday, September 26, 2012

C4SS - Energy and Transportation Issues: Análise Libertária [I.2]

ENGLISH
PORTUGUÊS
Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade sem Estado
building public awareness of left-wing market anarchism
na construção da consciência pública do anarquismo esquerdista de mercado
Energy and Transportation Issues: A Libertarian Analysis
Questões de Energia e de Transporte: Análise Libertária
by Kevin Carson
por Kevin Carson
Center for a Stateless Society Paper No. 14 (Winter-Spring 2012)
Paper No. 14 do Centro por uma Sociedade sem Estado (Inverno-Primavera de 2012)
Continued
Continuação
Introduction
Introdução
George Monbiot, writing three decades later, framed the issue in much the same way: as stated in his appropriately worded subtitle, “Climate change’s unprecedented moral challenge demands that we restrict market freedom.”
George Monbiot, escrevendo três décadas depois, formulou a questão de maneira muito parecida: como declara em seu subtítulo apropriadamente posto em palavras,  “O desafio moral sem precedentes da mudança climática exige que restrinjamos a liberdade do mercado.”
By way of precedent, Monbiot refers to—brace yourself—the Enclosures as an example of the runaway free market, and the workhouses as an unintended consequence. Anyone who's at all familiar with my past work, or that of any of the other free market anti-capitalist comrades at C4SS, knows our position on the “free market” nature of the Enclosures.
Falando de precedente, Monbiot refere-se a — segurem-se — os Cercos como exemplo de livre mercado desenfreado, e os asilos para pobres com casa e comida em troca de trabalho como consequência não premeditada. Qualquer pessoa que esteja de qualquer modo familiarizada com minha obra passada, ou com a de qualquer outro parceiro anticapitalista de livre mercado do C4SS, conhece nossa posição a respeito da natureza de “livre mercado” dos Cercos.
After that bit of unintentional hilarity, Monbiot goes on:
Após esse lapso de hilaridade não intencional, Monbiot prossegue:
It is not just that we are free to kill other people; market freedom constrains us to do so. The economy is so organised as to make it almost impossible to do the right thing. If your village isn’t served by public transport and there is nowhere safe to cycle, you have, for all the talk of freedom to drive, no choice. If the superstores have shut down all the small shops, you must give your money to a company whose purchasing and distribution networks look like a plan for maximum environmental impact....
Não se trata apenas de termos liberdade para matar outras pessoas; a liberdade do mercado nos constrange a fazê-lo. A economia fica organizada de maneira a tornar quase impossível agirmos de maneira correta. Se nossa vila não for servida por transporte público e não houver lugar algum seguro para bicicletas, não teremos escolha, por mais que falemos de liberdade para dirigir. Se as superlojas tiverem fechado todas as pequenas lojas, teremos de dar nosso dinheiro a uma empresa cujas redes de compras e de distribuição pareçam-se com um plano concebido para impacto ambiental máximo....
We can deal with climate change only with the help of governments, restraining the exertions of our natural liberties.2
Só podemos lidar com mudança climática com a ajuda dos governos, restringido o exercício de nossas formas naturais de liberdade.2
Illich was entirely right that transportation, as an economic input, has been adopted far beyond its threshold of counter-productivity. And he was entirely correct that over-adoption of transportation actually generated distance between things, and created led a situation in which most people were less mobile.
Illich estava inteiramente certo ao dizer que o transporte, como insumo econômico, tem sido adotado muito além de seu limiar de contraprodutividade. E estava inteiramente correto ao dizer que a superutilização do transporte com efeito gerava distâncias entre as coisas, e criava/levava a uma situação na qual a maioria das pessoas ficava com a mobilidade reduzida.
High speed capitalizes a few people’s time at an enormous rate but, paradoxically, it does this at a high cost in time for all.... The compounded, transport-related time expenditure within a society grows much faster than the time economies made by a few people on their speedy excursions. Traffic grows indefinitely with the availability of high-speed transports. Beyond a critical threshold, the output of the industrial complex established to move people costs a society more time than it saves. The marginal utility of an increment in the speed of a small number of people has for its price the growing marginal disutility of this acceleration for the great majority....
A alta velocidade capitaliza o tempo de algumas pessoas em altos índices mas, paradoxalmente, o faz com alto custo de tempo para todos.... Os gastos compostos de tempo relacionado com transporte dentro de uma sociedade aumentam muito mais depressa do que as economias de tempo de algumas pessoas em suas rápidas excursões. O tráfego aumenta indefinidamente com a disponibilidade de transporte de alta velocidade. Além de um limiar crítico, o produto [output, resultado da combinação de fatores de produção] do complexo industrial criado para transportar as pessoas custa à sociedade mais tempo do que o que economiza. A utilidade marginal de um incremento na velocidade de pequeno número de pessoas tem como preço crescente desutilidade marginal dessa aceleração para a grande maioria....
Beyond a certain speed, motorized vehicles create remoteness which they alone can shrink.3
Além de certa velocidade, veículos motorizados criam distanciamentos que só eles podem encurtar.3
Where he went wrong was in assuming that this was an inevitable state of affairs resulting from the nature of the technology itself, in the absence of coercive measures to prevent it. The truth is that only subsidized traffic “grows indefinitely with the availability of high-speed transports.”
Onde ele errou foi ao assumir que esse era um estado de coisas inevitável resultante da natureza da própria tecnologia, na ausência de medidas coercitivas voltadas para impedi-lo. A verdade é que apenas tráfego subsidiado “aumenta indefinidamene com a disponibilidade de transporte de alta velocidade.”
In fact a technology or input will only be adopted—can only be adopted—when some form of privilege intrudes in the market mechanism to shift the costs and benefits of the technology to different parties. The car culture has grown exponentially because the state has intervened to shift its costs off of its primary beneficiaries—the urban real estate developers and the automobile industry—and onto the general public. If all benefits and costs of a technology or input are born by those who consume them, and costs are fully internalized in the price of that technology or input, it will cease to be adopted any further once its costs equal its benefits.
Com efeito, tecnologia ou insumo só serão adotados — poderão ser adotados — quando alguma forma de privilégio se insinue no mecanismo de mercado para canalizar custos e benefícios da tecnologia para participantes diferentes. A cultura do carro alastrou-se exponencialmente porque o estado interveio para desviar seus custos de modo a estes não serem arcados por seus beneficiários principais  — as imobiliárias urbanas e a indústria automobilística — canalizando-os para o público em geral. Quando todos os benefícios e custos de tecnologia ou insumo ficarem vinculados àqueles que os consomem, e os custos forem plenamente internalizados no preço da tecnologia ou do insumo, a tecnologia ou o insumo deixarão de ser adotados a  partir de quando seus custos igualem seus benefícios.
As for Monbiot's comments, I will attempt to show in the body of this paper that the truth is directly contrary to his assertions. It is the state's constraints on market freedom that have created an economy centered on long-distance shipping and the automobile-highway complex, and led to the geometrically snowballing consumption of subsidized energy inputs with declining net benefit. And it is market freedom—simply put, a society in which big business operates on its own nickel instead of the taxpayer teat—that will deliver us from our enslavement to this unholy monoculture.
Quanto aos comentários de Monbiot, tentarei mostrar, no corpo deste paper, que a verdade é diretamente contrária às asserções dele. São as restrições impostas pelo estado à liberdade do mercado que criaram uma economia centrada em embarques de longa distância e no complexo automóvel-rodovia, e levaram ao consumo de bola de neve em progressão geométrica de insumos de energia subsidiada com benefício líquido declinante. E será a liberdade de mercado — dizendo de modo simples, uma sociedade na qual as grandes empresas funcionem com seus próprios recursos em vez de recorrerem à teta do contribuinte — que nos libertará de nossa escravização a essa monocultura perversa.
End of [I.2]
Fim de [I.2]
End of [I]
Fim de [I]
To be continued
Continua
2 George Monbiot, “A Restraint of Liberty,” The Guardian, May 24, 2005 .  
2 George Monbiot, “Restrição à Liberdade,” The Guardian, 24 de maio de 2005 . 
3 Illich, Energy and Equity
3 Illich, Energia e Equidade
C4SS (c4ss.org) Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political EconomyOrganization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS (c4ss.org) Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política MutualistaTeoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e  A Revolução Industrial Gestada em Casa: Manifesto de Baixo Overhead, todos livremente disponíveis online. Carson também tem escrito para publicações tais como: O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e diversos periódicos e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.

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