Thursday, August 23, 2012

C4SS - Communal Property: A Libertarian Analysis [III.2]


ENGLISH
PORTUGUÊS
Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
building awareness of the market anarchist alternative
na construção da consciência da alternativa anarquista de mercado
Communal Property: A Libertarian Analysis
Propriedade Comunal: Análise Libertária
By Kevin A. Carson
Por Kevin A. Carson
England is not a free people, till the poor that have no land, have a free allowance to dig and labour the commons... – Gerrard Winstanley, 1649
A Inglaterra não é povo livre, porém os pobres que não têm terra têm livre permissão para amanhar e trabalhar as [terras] comuns... – Gerrard Winstanley, 1649
Center for a Stateless Society Paper No. 13 (Summer/Fall 2011)
Centro por uma Sociedade sem Estado Paper Nº 13 (Verão/Outono de 2011)
II. Destruction of the Peasant Commune by the State.
II. Destruição da Comuna Camponesa pelo Estado.
The Enclosures in England.
Os Cercos na Inglaterra.
Fairly early in Medieval times, there had been a modest amount of land ownership in severalty. Lords of manors, who had originally interstripped their domains with the
rest of the holdings in the open fields, had early on consolidated them into closes. As the village expanded the area under cultivation into the waste, newly broken ground was usually incorporated into existing open fields. But some families developed waste land independently and enclosed it as private holdings. Nevertheless, a decided majority of land was held communally in the open fields.33
Bastante cedo, nos tempos medievais, havia modesta quantidade de propriedade privada da terra. Senhores de solares, que haviam originalmente intercalado seus domínios com o resto das propriedades nos campos abertos, cedo os consolidaram em forma de cercados. Ao a vila expandir a área cultivada avançando para a terra inculta, terreno recentemente arado era usualmente incorporado aos campos abertos já existentes. Algumas famílias, porém, desenvolviam terra inculta independentemente e cercavam-na como propriedade privada. Todavia, decisiva maioria da terra era possuída comunalmente nos campos abertos.33
There were early complaints by tenants in the thirteenth century of lords enclosing parts of common lands without consent, and reducing villagers' rights of pasture. The Statute of Merton in 1235 recognized the paramount authority of the lord of the manor over the waste, and authorized lords to enclose the commons at their own descretion, so long as they left a “sufficiency” of land to meet the commoning needs of the free tenants (although the burden of proof fell on the lords).34
Houve reclamações precoces de arrendatários no século treze, relativas a lordes que cercavam partes de terras comuns sem seu consentimento, e reduziam os direitos de pastagem dos habitantes da vila. O Estatuto de Merton, em 1235, reconhecia a autoridade suprema do lorde do solar sobre a terra inculta, e autorizava os lordes a cercarem as terras comuns à sua discrição, desde que deixassem “suficiência” de terra para atender às necessidades comuns dos arrendatários livres (embora o ônus da prova recaísse sobre os lordes).34
The first large-scale assault on the village commune was the Tudor seizure of monastic lands—entailing around a fifth of the arable land in England—followed by the distribution of it to royal favorites among the nobility. The subsequent Tudor era was also characterized by large-scale enclosure of open fields for sheep pasturage for the lucrative textile markets.
A primeira agressão em larga escala à comuna de vila foi o confisco, pelos Tudor, de terras monásticas — envolvendo em torno de um quinto da terra arável da Inglaterra — seguido da distribuição dela a favoritos da realeza dentro da nobreza. O Tudor subsequente também caracterizou-se por cerco em larga escala de campos abertos para pastagem de ovelhas para os lucrativos mercados têxteis.
The estates seized with the suppression of the monasteries, and those seized of which the Church was feudal proprietor, “were to a large extent given away to rapacious feudal favourites, or sold at a nominal price to speculating farmers and citizens, who drove out, en masse, the hereditary sub-tenants and threw their holdings into one.”35
As propriedades confiscadas com a supressão dos mosteiros, e aquelas confiscadas das quais a Igreja era proprietária feudal, “foram, em grande parte, doadas a rapaces favoritos feudais, ou vendidas por preço simbólico, a fazendeiros e cidadãos especuladores, que desalojaram, en masse, os subarrendatários hereditários e fundiram suas propriedades em uma só.”35
The king's men to whom the monastic lands were distributed engaged in wholesale “[r]ack-renting, evictions, and... conversions of arable to pasture. The new landlords were less than sympathetic to complaints from their tenants:
Os homens do rei aos quais as terras monásticas foram distribuídas lançaram-se, por atacado, a aluguéis/arrendamentos exorbitantes, despejos, e... conversões de terra arável em pastos. Os novos senhorios não davam a menor atenção às reclamações de seus arrendatários:
“Do ye not know,” said the grantee of one of the Sussex manors of the monastery of Sion, in answer to some peasants who protested at the seizure of their commons, “that the King's grace hath put down all the houses
of monks, friars and nuns? Therefore is the time come that we gentlemen will pull down the houses of such poor knaves as ye be.”36
“Não sabem vocês,” disse o beneficiado com um dos solares de Sussex do mosteiro de Sion, em resposta a alguns camponeses que protestavam contra o confisco de suas terras comuns, “que a graça do Rei derrubou todas as casas dos monges, frades e freiras? Portanto é chegada a hora de nós gentis-homens derrubarmos as casas de servos pobres como vocês são.”36
The dissolution of the monasteries dispossessed some 50,000 tenants, and the ensuing enclosures for pasturage through the early seventeenth century involved around half a million acres (almost a thousand square miles) and 30-40,000 tenants. Maurice Dobb argues that this might have represented
over ten percent of “all middling and small landholders and 10 and 20 per cent of those employed at wages...; in which case the labour reserves thereby created would have been of comparable dimensions to that which existed in all but the worst months of the economic crisis of the 1930s.”37
A dissolução dos mosteiros desalojou cerca de 50.000 arrendatários, e os cercos subsequentes para pastagem ao longo do início do século dezessete envolveram cerca de um milhão de acres (quase mil milhas quadradas) e 30-40.000 arrendatários. Maurice Dobb argumenta que isso pode ter representado mais de dez por cento de “todos os detentores de terra médios e pequenos e entre 10 e 20 por cento dos empregados ganhando ordenado...; caso em que as reservas de labor assim criadas teriam sido de dimensões comparáveis àquelas que existiram em todos exceto os piores meses da crise econômica dos anos 1930.”37
Tenants not subject to enclosure under the Tudors were instead victimized by rack-renting and arbitrary fines, which frequently resulted in their being driven off the land—“land,” in Marx's words, to which the peasantry “had the same feudal rights as the lord himself”—when unable to pay them.38
Arrendatários não sujeitados a cercos no governo dos Tudor foram, por sua vez, vitimados por aluguéis extorsivos e penas pecuniárias arbitrárias, o que frequentemente redundou em serem expulsos da terra —“terra,” nas palavras de Marx, à qual os camponeses “tinham os mesmos direitos feudais que o próprio lorde” — quando sem condições de pagar por ela.38
Nevertheless the land that remained under peasant control, though much diminished in extent, persisted under the open-field system. And many of the “vagabonds” dispossessed by the Tudor expropriations found a safety net in the common lands, migrating into “such open-field villages as would allow them to squat precariously on the edge of common or waste.”39
Nada obstante, a terra que restou sob controle dos camponeses, embora muito diminuída em extensão, persistiu sob o sistema de campo aberto. E muitos dos “andarilhos” desalojados pelas expropriações dos Tudor encontraram uma tábua de salvação nas terras comuns, migrando para “tais vilas de campo aberto que lhes permitiam se acocorassem precariamente à beira das terras comuns ou da terra inculta.”39
The pace of enclosure slowed considerably under James I and Charles I. The Stuarts, up until the Civil War, sporadically attempted—with only mixed success at best—to counter the depopulation and
impoverishment of the countryside. The availability of access to the common lands in open-field villages, and the proliferation of unauthorized cottagers(*) squatting on the common, was a thorn in the side to landlords who could not obtain sufficient wage labor at low enough wages so long as alternative means of subsistence existed. One seventeenth century pamphleteer complained of “upstart intruders” and “loyterers,” “ inhabitants of unlawful cottages(*) erected contrary to law” wherever “the fields lie open and are used in common....” The result was that such people “will not usually be got to work unless they may have such excessive wages as they themselves desire.”40
O ritmo do cerco tornou-se consideravelmente mais vagaroso sob James I e Charles I. Os Stuarts, até à Guerra Civil, tentaram esporadicamente — com sucesso apenas relativo na melhor das hipóteses — contrapor-se ao despovoamento e ao empobrecimento do campo. A disponibilidade de acesso às terras comuns em vilas de campo aberto e a proliferação de cottagers(*) não autorizados instalando-se nas terras comuns eram uma pedra no sapato dos lordes fundiários, que não conseguiam obter trabalho suficiente com ordenados suficientemente baixos enquanto existissem meios alternativos de subsistência. Um panfletário do século dezessete reclamou de “invasores em boa situação” e “perambuladores,” “habitantes de cottages(*) ilegais erigidas contrariamente à lei” onde quer que “os campos permaneçam abertos e sejam usados em comum....” O resultado era que tais pessoas  “usualmente só podem ser persuadidas a trabalhar se ganhando ordenados excessivos como elas próprias desejam.”40

(*) Cottage é uma casa de trabalhador rural. Cottager é morador de cottage. Ver oxforddictionaries.com
With the deposition of Charles I and the triumph of the Presbyterian party in Parliament, the gentry faced considerably less in the way of obstacles to its rapacity.
Com a deposição de Charles I e o triunfo do partido presbiteriano no Parlamento, a aristocracia passou a enfrentar consideravelmente menos obstáculos à sua rapacidade.
The so-called land reform of 1646 (which was confirmed by the Convention Parliament in 1660) abolished feudal tenures. It abolished the Court of Wards, and with it the death duties, and “[gave] landowners, whose rights in their estates had hitherto been limited, an absolute power to do what they would with their own, including the right to settle the inheritance of all their lands by will.” It converted all military tenures into freehold.41
A assim chamada reforma agrária de 1646 (a qual foi confirmada pelo Parlamento da Convenção de 1660) aboliu as posses feudais de terra. Aboliu o Tribunal dos Guardiães e, com ele, o tributo de transmissão, e “[deu] aos donos de terras, cujos direitos sobre suas propriedades havia sido até então limitado, poder absoluto para fazer o que quisessem com elas, inclusive o direito de estabelecer a herança de todas as suas terras por testamento..” Converteu todas as posses militares em domínio definitivo.41
...[F]eudal tenures were abolished upwards only, not downwards.... Copyholders obtained no absolute property rights in their holdings, remaining in abject dependence on their landlords, liable to arbitrary death
duties which could be used as a means of evicting the recalcitrant. The effect was completed by an act of 1677 which ensured that the property of small freeholders should be no less insecure than that of copyholders, unless supported by written legal title.42
...[A]s posses feudais foram abolidas só para cima, não para baixo.... Os detentores de títulos provisórios não obtinham direitos absoluto de propriedade de suas posses, permanecendo em abjeta dependência de seus senhores de terras, sujeitos a tributos arbitrários de transmissão que podiam ser usados como meio de despejar o recalcitrante. O efeito foi completado por uma lei de 1677 a qual assegurava que a propriedade de pequenos proprietários com domínio definitivo só deveria ser menos insegura do que a de detentores de títulos provisórios se apoiada em título legal por escrito.42
Parliament rejected two bills which would limit the entry fees for tenants in copyhold, and rein in enclosures, on the grounds that they would “destroy property.”43 Landlords gained absolute ownership of their estates against previous obligations to the monarchy and aristocracy, but the peasantry secured no corresponding guarantee in the royal courts of their own customary property rights against the landlord. This essentially eliminated all legal barriers to rack-renting, eviction and enclosure.44 Marx described the “act of usurpation” which the landed proprietors “vindicated for themselves the rights of modern private property in estates to which they had only a feudal title....”45
O Parlamento rejeitou dois projetos de lei que limitariam a taxa de admissão para arrendatários com título provisório, e limitariam os cercos, com base no argumentando que isso “destruiria a propriedade.”43 Os senhores fundiários ganharam propriedade absoluta de suas propriedades em contraste com obrigações anteriores em relação à monarquia e à aristocracia, mas os camponeses não obtiveram garantia correspondente nas cortes reais no tocante a seus próprios direitos consuetudinários de propriedade contra o senhor de terras. Isso, essencialmente, eliminou todas as barreiras legais ao aluguel extorsivo, ao despejo e ao cerco.44 Marx descreveu a “lei de usurpação” segundo a qual os proprietários fundiários “vindicavam para si próprios os direitos da moderna propriedade privada no tocante a imóveis em relação aos quais detinham apenas título feudal....”45
Royalist land expropriated during the Interregnum was typically purchased by men on the make, “anxious to secure quick returns. Those of their tenants who could not produce written evidence of their titles were liable to eviction.”46 Tenants of these new landlords complained that they “wrest from the poor Tenants all former Immunities and Freedoms they formerly enjoyed....”47
Terra Royalista expropriada durante o Interregono foi tipicamente comprada por homens em busca de ganho pessoal, “ansiosos por obter retorno rápido. Aqueles dos arrendatários que não pudessem produzir evidência por escrito de seus títulos eram passíveis de despejo.”46 Arrendatários sujeitos a esses novos senhores de terra reclamaram que eles “arrancam dos pobres Ocupantes todas as antigas Imunidades e Formas de Liberdde de que estes antes desfrutavam....”47
None of this passed without opposition, of course. Although Chesterton called the Civil War the “Rebellion of the Rich,” it was in fact contested terrain. Although republican, egalitarian and libertarian rhetoric may have been used by the Parliamentary side to whitewash what were actually rather venal purposes, the rhetoric filtered downward and was taken up seriously by the laboring classes. During the Civil War, popular resistance in the countryside often checked the enclosure of commons and waste. Some of the Leveller writers sought an alliance with the countryside and called for the tearing down of enclosures. In 1649 William Everard (“a cashiered army officer 'who termeth himself a prophett'”48), Gerrard Winstanley and their followers broke down enclosures and attempted to cultivate the waste land communally—for which they earned the name “Diggers.” But the left wing of the republican forces never secured a broad alliance with the peasantry, or managed to instigate a fullscale uprising in the countryside, and the restoration of central authority put an end to what resistance there was and gave the landlords a free hand. If anything, the Diggers' travelling missionaries in the countryside hardened local landowners against any proposal that smacked even of modest land reform.49
Nada disso ocorreu sem oposição, obviamente. Embora Chesterton tenha chamado a Guerra Civil de a “Rebelião dos Ricos,” ela foi na verdade terreno contestado. Embora retórica republicana, igualitária e libertária possa ter sido usada pelo lado Parlamentar para caiar o que era na realidade propósitos bastante venais, a retórica filtrou-se para baixo e foi levada a sério pelas classes trabalhadoras. Durante a Guerra Civil, resistência popular no campo amiúde conteve o cerco de terras comuns e de terra inculta. Alguns dos escritores Niveladores buscaram aliança com o campo e defenderam o desmonte dos cercados. Em 1649 William Everard (“oficial expulso do exército 'que se autodenominava profeta'”48), Gerrard Winstanley e seus seguidores derrubaram cercados e tentaram cultivar a terra comunalmente — donde obtiveram o nome “Diggers [Cavadores].” Entretanto, a esquerda das forças republicanas nunca firmou aliança ampla com os camponeses, nem se movimentou para instigar levante de escala total no campo, e a restauração da autoridade central pôs fim a qualquer resistência existente e deu aos senhores de terra liberdade de ação e decisão. No máximo os missionários Diggers itinerantes nos campos tornaram os senhores de terras locais mais obstinados contra qualquer proposta que cheirasse mesmo a modesta reforma agrária.49
During the Glorious Revolution in 1688-1689, the great landlords took advantage of the power vacuum left by James II's departure to seize Crown lands on a large scale, either by acting quasi-legally through the state by giving them away or selling them at sweetheart prices, or “even annexed to private estates by direct seizure.”50
Durante a Revolução Gloriosa de 1688-1689, os grandes senhores de terra tiraram proveito do vácuo de poder deixado pela partida de James II para se apossarem de terras da Coroa em larga escala, ou mediante agirem quase-legalmente por meio do estado que as dava de graça ou vendia-as a preços camaradas, ou “até as anexavam a imóveis privados por tomada direta.”50
The Whig Parliament under William and Mary also passed Game Laws in order to further restrict independent subsistence by the laboring classes. Hunting, for the rural population, had traditionally been a supplementary source of food. The enclosure of common forests and abrogation of access rights put an end to this. As the 1692 law stated in its preamble, it was intended to remedy the “great mischief” by which “inferior tradesmen, apprentices, and other dissolute persons neglect their trades and employments” in favor of hunting and fishing.51
O Parlamento Whig, no governo de William e Mary, também aprovou Leis de Caça para restringir ainda mais a subsistência independente das classes trabalhadoras. Caçar, para a população rural, havia sido tradicionalmente fonte suplementar de alimento. O cerco de florestas comuns e a ab-rogação dos direitos de acesso puseram fim a isso. Como a lei de 1692 declarava em seu preâmbulo, ela visava a reparar o  “grande mal” de “comerciantes inferiores, aprendizes e outras pessoas dissolutas negligenciarem seus ofícios e empregos” em favor de caçar e pescar.51
The enclosure of open fields under the Tudors (and on a smaller scale under the Stuarts) had taken place largely “by means of individual acts of violence against which which legislation, for a hundred and fifty years, fought in vain....” With the Parliamentary Enclosures of the eighteenth century, in contrast, “the law itself becomes now an instrument of the theft of the people's land....” In practical terms, Parliamentary Acts of Enclosure amounted to a “parliamentary coup d'etat,” through “decrees by which the landlords grant themselves the people's land as private property....”52 “From the beginning of the eighteenth century the reins are thrown to the enclosure movement, and the policy of enclosure is emancipated from all these checks and afterthoughts.”53
O cerco dos campos abertos sob os Tudor (e, em menor escala, sob os Stuart) havia tido lugar em grande parte “por meio de atos individuais de violência contra os quais a legislação, por cento e cinquenta anos, lutara em vão....” Com os Cercos Parlamentares do século dezoito, em contraste, “a própria lei torna-se agora instrumento para furto da terra do povo....” Em termos práticos, as Leis Parlamentares de Cerco equivaleram a um “coup d'etat parlamentar,” por meio de “decretos por meio dos quais os senhores fundiários dão-se a si próprios a terra do povo como propriedade privada....”52 “Desde o início do século dezoito as rédeas são entregues ao movimento dos cercos, e a política de cerco é emancipada de todas aquelas restrições e reconsiderações.”53
Just as with Stolypin's and Stalin's policies toward the mir, and the destruction of the Indian village communes by the British Permanent Settlement, in Britain “[t]he agricultural community... was taken to pieces in the eighteenth century and reconstructed in the manner in which a dictator reconstructs a free government....”54
Exatamente do mesmo modo que as políticas de Stolypin e Stalin em relação à mir, e a destruição das comunas de vila indianas pelo Assentamento Permanente Britânico, na Grã-Bretanha “[a] comunidade agrícola... foi reduzida a pedaços no século dezoito e reconstruída do modo como um ditador reconstrói um governo livre....”54
The goal, as in the other cases, was legibility—“the simplifying appetites of the landlords”55—not only for purposes of central taxation, but perhaps more importantly for the ease of the landed classes in extracting a surplus from rural labor.
O objetivo, como nos outros casos, era a legibilidade —“os apetites simplificadores dos senhores fundiários”55 — não apenas para propósitos de tributação central mas, talvez mais importante, para facilitar às classes fundiárias a extração de excedente do trabalho rural.
The landlords saw themselves as the backbone of the British way of life, and the imposition of more effective control on village society as a general benefit to the peace and order of society. Given their assumption that “order would be resolved into its original chaos, if they ceased to control the lives and destinies of their neighbours,” they concluded “that this old peasant community, with its troublesome rights, was a public encumbrance.”56 The customary rights of the peasantry hindered the landlord's power to unilaterally introduce new farming techniques.57 The goal of the “governing class,” in language that might just as easily have described Stalin's motives in collectivization, was
“extinguishing the old village life and all the relationships and interests attached to it, with unsparing and unhesitating hand.”58
Os donos de terras viam-se a si próprios como a espinha dorsal do estilo britânico de vida, e viam a imposição de controle mais efetivo à sociedade de vila como benefício geral para a paz e a ordem da sociedade. Dada sua assunção de que “a ordem descambaria para o caos original se eles cessassem de controlar as vidas e destinos de seus vizinhos,” eles concluíram “que essa velha comunidade de camponeses, com seus direitos causadores de distúrbios, era um estorvo público.”56 Os direitos consuetudinários dos camponeses tolhiam o poder do senhor fundiário de introduzir unilateralmente novas técnicas de produção agrícola.57 O objetivo da “classe governante,” em linguagem que poderia descrever com a mesma facilidade os motivos de Stalin na coletivização, era “extinguir a vida da vila antiga e todos os relacionamentos e interesses a ela atrelados, com mão inclemente e resoluta.”58
But the extraction of a larger surplus from the agricultural labor force was also very much a conscious—and explicitly avowed—part of their motivation. The landed classes bore a powerful animus against the common lands because they rendered the rural population less dependent on wage labor, so that rural laborers were uninterested in accepting as much work from the landlords as the latter saw fit to offer.
Contudo, a extração de maior excedente de trabalho da força de trabalho agrícola era também parte muito consciente — e explicitamente declarada — da motivação dela. As classes fundiárias nutriam disposição muito animosa contrária às terras comuns porque estas tornavam a população rural menos dependente do trabalho assalariado, de tal modo que os trabalhadores rurais não se interessavam em aceitar tanto trabalho dos senhores fundiários quanto estes achavam que deveriam oferecer.
A pamphleteer in 1739 argued that “the only way to make the lower orders temperate and industrious... was 'to lay them under the necessity of labouring all the time they can spare from rest and sleep, in order to procure the common necessities of life'.”59
Um panfletário de 1739 argumentou que “o único modo de fazer as ordens inferiores equilibradas e industriosas... era 'forçá-las à necessidade de trabalhar o tempo todo de que elas possam dispor exceto para descanso e sono, a fim de satisfazerem às necessidades comuns da vida'.”59
A 1770 tract called “Essay on Trade and Commerce” warned that “[t]he labouring people should never think themselves independent of their superiors.... The cure will not be perfect, till our manufacturing poor are contented to labour six days for the same sum which they now earn in four days.”60
Um panfleto de 1770 chamado “Ensaio acerca de Transações e Comércio” advertiu que “[a]s pessoas que trabalham nunca deveriam pensar em si próprias como independentes de seus superiores.... A solução só será perfeita quando nossos pobres que trabalham na manufatura contentarem-se com trabalhar seis dias pela mesma soma que hoje ganham em quatro dias.”60
Arbuthnot, in 1773, denounced commons as “a plea for their idleness; for, some few excepted, if you offer them work, they will tell you, that they must go to look up their sheep, cut furzes, get their cow out of the pound, or perhaps, say they must take their horse to be shod, that he may carry them to a horse-race or cricket match.”61
Arbuthnot, em 1773, denunciou as terras comuns como “uma garantia da ociosidade deles; pois, excetuados uns poucos, se você lhes oferecer trabalho, eles dirão a você que precisam ir cuidar de suas ovelhas, cortar tojo, tirar suas vacas do açude ou, talvez, dizer que precisam levar seu cavalo para ser ferrado, que assim este poderá levá-los para uma corrida de cavalos ou para um jogo de críquete.”61
John Billingsley, in his 1795 Report on Somerset to the Board of Agriculture, wrote of the pernicious effect of the common on a peasant's character:
John Billingsley, em seu Relatório acerca de Somerset de 1795 para a Junta de Agricultura, escreveu do efeito pernicioso da terra comum sobre o caráter do camponês:
In sauntering after his cattle, he acquires a habit of indolence. Quarter, half, and occasionally whole days are imperceptibly lost. Day labour becomes disgusting; the aversion increases by indulgence; and at length the sale of a half-fed calf, or hog, furnishes the means of adding intemperance to idleness.62
Saracoteando atrás de seu gado, ele adquire hábito de indolência. Um quarto, metade, e ocasionalmente dia inteiros são imperceptivelmente perdidos. O trabalho do dia torna-se abjeto; a aversão aumenta com a indulgência; e por fim a venda de um bezerro semialimentado, ou porco, fornece os meios de somar intemperança à ociosidade.62
Bishton, in his 1794 Report on Shropshire, was among the most honest in stating the goals of Enclosure. “The use of common land by labourers operates upon the mind as a sort of independence.” The result of their enclosure would be that “the labourers will work every day in the year, their children will be put out to labour early, ... and that subordination of the lower ranks of society which in the present times is so much wanted, would be thereby considerably secured.”63
Bishton, em seu Relatório acerca de Shropshire, de 1794, esteve entre os mais honestos em declarar os objetivos do Cerco. “O uso de terra comum pelos trabalhadores provoca na mente uma espécie de independência.” O resultado do cerco das terras deles seria que “os trabalhadores trabalharão todos os dias do ano, os filhos deles serão postos para trabalhar cedo, ... e essa subordinação das classes mais baixas da sociedde que, nos tempos atuais, é tão desejada, será assim consideravelmente assegurada.”63
John Clark of Herefordshire wrote in 1807 that farmers in his county were “often at a loss for labourers: the inclosure of the wastes would increase the number of hands for labour, by removing the means of subsisting in idleness.”64
John Clark of Herefordshire escreveu, em 1807, que os lavradores em seu condado eram “amiúde indisponíveis como trabalhadores: o cerco das terras incultas aumentaria o número de mãos para o trabalho, medinte remover os meios de subsistir na ociosidade.”64
The 1807 Gloucestershire Survey warned that “the greatest of evils to agriculture would be to place the labourer in a state of independence,” and another writer of that time wrote that “Farmers... require constant labourers—men who have no other means of support than their daily labour....”65
A Pesquisa de Gloucestershire de 1807 advertia que “o maior dos males para a agricultura seria colocar o trabalhador em estado de independência,” e outro autor da época escreveu que “Os fazendeiros... precisam constantemente de trabalhadores — homens que não tenham outro meio de subsistência que seu trabalho diário....”65
Of course such motives were frequently expressed in the form of concern for the laborers' own welfare, lest being able to feed oneself too easily lead to irreparable spiritual damage from idleness and dissolution. The words of Cool Hand Luke come to mind: “You shouldn't be so good to me, Cap'n.”
Obviamente tais motivos foram amiúde expressados na forma de preocupação com o bem-estar dos próprios trabalhadores, visto que o não conseguirem alimentar-se facilmente levaria a dano espiritual irreparável decorrente de ociosidade e vida dissoluta. Vêm à mente as palavras do filme Rebeldia Indomável: “O senhor não deveria ser tão bom para mim, Capitão.”
The Hammonds estimated the total land enclosed between a sixth and a fifth of the remaining unenclosed arable land (i.e. that not already enclosed before 1700).66 According to the higher estimate of E.J. Hobsbawm and George Rude, “something like one quarter of the cultivated acreage from open field, common land, meadow or waste” were transformed into private fields between 1750 and 1850.67 And Maurice Dobb's figure was a quarter to a half of the land in the fourteen counties most affected by Enclosure.68 W.E. Tate estimates the total land enclosed in the eighteenth and nineteenth century at seven million acres, or an area over a hundred miles square—the equivalent of eight English counties.69 About two-thirds of the four thousand Private Acts of Enclosure involved “open fields belonging to cottagers,” and the other third involved common woodland and heath.”70
Os Hammonds avaliaram a terra total cercada representar entre um sexto e um quinto da terra arável não cercada remanescente (isto é, sem contar a já cercada antes de 1700).66 De acordo com a estimativa mais alta de E.J. Hobsbawm e George Rude, “algo como um quarto da área de campo aberto, terra comum, prado ou terra inculta” foi transformado em campos privados entre 1750 e 1850.67 E a cifra de Maurice Dobb foi de um quarto a metade da terra nos quatorze condados mais afetados pelo Cerco.68 W.E. Tate estima o total de terra cercado nos séculos dezoito e dezenove em sete milhões de acres, ou área superior a cem milhas quadradas — o equivalente a oito condados ingleses.69 Cerca de dois terços das quatro mil Leis de Cerco Privado envolveram “campos abertos pertencentes cottagers,” e o outro terço envolveu bosques e charnecas comuns.”70
End of [III.2]
Fim de [III.2]
33 Tate, The Enclosure Movement, p. 59.
33 Tate, O Movimento de Cerco, p. 59.
34 Ibid., p. 60.
34 Ibid., p. 60.
35 Karl Marx and Friedrich Engels, Capital vol. I, vol. 35 of Marx and Engels Collected Works (New York: International Publishers, 1996), p. 711.
35 Karl Marx e Friedrich Engels, Capital vol. I, vol. 35 das Obras Escolhidas (New York: International Publishers, 1996), p. 711.
36 R. H. Tawney, Religion and the Rise of Capitalism (New York: Harcourt, Brace and Company, Inc., 1926), p. 120.
36 R. H. Tawney, A Religião e a Ascensão do Capitalismo (New York: Harcourt, Brace and Company, Inc., 1926), p. 120.
37 Maurice Dobb, Studies in the Development of Capitalism (New York: International Publishers, 1947), pp. 224-225, 224-225n.
37 Maurice Dobb, Estudos em Desenvolvimento do Capitalismo (New York: International Publishers, 1947), pp. 224-225, 224-225n.
38 Immanuel Wallerstein, The Modern World System, Part I (New York: Academic Press, 1974), p. 251n; Marx quote is from Capital vol. I, p. 709.
38 Immanuel Wallerstein, O Moderno Sistema Mundial, Parte I (New York: Academic Press, 1974), p. 251n; a citação de Marx é do Capital vol. I, p. 709.
39 Dobb, Studies in the Development of Capitalism, p. 226.
39 Dobb, Estudos em Desenvolvimento do Capitalismo, p. 226.
40 Dobb, Studies in the Development of Capitalism, p. 226.
40 Dobb, Estudos em Desenvolvimento do Capitalismo, p. 226.
41 Christopher Hill, The Century of Revolution: 1603-1714 (New York: W. W. Norton and Co., Inc., 1961), p. 148.
41 Christopher Hill, O Século da Revolução: 1603-1714 (New York: W. W. Norton and Co., Inc., 1961), p. 148.
42 Christopher Hill, Reformation to Industrial Revolution: A Social and Economic History of Britain 1530-1780 (London: Weidenfeld and Nicholson, 1967), pp. 115-116.
42 Christopher Hill, Da Reforma à Revolução Industrial: História Social e Econômica da Grã-Bretanha 1530-1780 (London: Weidenfeld and Nicholson, 1967), pp. 115-116.
43 Hill, Century of Revolution, p. 149.
43 Hill, Século de Revolução, p. 149.
44 Christopher Hill, Reformation to Industrial Revolution: A Social and Economic History of Britain 1530-1780 (London: Weidenfeld and Nicholson, 1967), pp. 115-116.
44 Christopher Hill, Reforma da Revolução Industrial: História Social e Econômica da Grã-Bretanha 1530-1780 (London: Weidenfeld and Nicholson, 1967), pp. 115-116.
45 Marx and Engels, Capital vol. 1, p. 713.
45 Marx e Engels, Capital vol. 1, p. 713.
46 Hill, The Century of Revolution, p. 147.
46 Hill, O Século da Revolução, p. 147.
47 Dobb, Studies in the Development of Capitalism, p. 172.
47 Dobb, SEstudos em Desenvolvimento do Capitalismo, p. 172.
48 Tate, The Enclosure Movement, p. 148.
48 Tate, O Movimento de Cerco, p. 148.
49 Ibid., p. 149.
49 Ibid., p. 149.
50 Marx and Engels, Capital vol. 1, p. 714.
50 Marx e Engels, Capital vol. 1, p. 714.
51 Michael Perelman, Classical Political Economy: Primitive Accumulation and the Social Division of Labour (Totowa, N.J.: Rowman & Allanheld; London: F. Pinter, 1984, c 1983), pp. 48-49.
51 Michael Perelman, Economia Política Clássica: Acumulação Primitiva e Divisão Social do Trabalho (Totowa, N.J.: Rowman and Allanheld; London: F. Pinter, 1984, c 1983), pp. 48-49.
52 Marx and Engels, Capital vol. I, p. 715.
52 Marx e Engels, Capital vol. I, p. 715.
53 J. L. and Barbara Hammond, Village Labourer, p. 35.
53 J. L. e Barbara Hammond, Assalariado da Vila, p. 35.
54 Ibid., p. 35.
54 Ibid., p. 35.
55 Ibid., p. 40.
55 Ibid., p. 40.
56 Ibid., p. 35.
56 Ibid., p. 35.
57 Ibid., pp. 36-37.
57 Ibid., pp. 36-37.
58 Ibid., p. 97.
58 Ibid., p. 97.
59 Hill, Reformation to Industrial Revolution, p. 225.
59 Hill, Reforma da Revolução Industrial, p. 225.
60 Marx and Engels, Capital vol. I, p. 231.
60 Marx e Engels, Capital vol. I, p. 231.
61 J. L. and Barbara Hammond, Village Labourer, p. 37.
61 J. L. e Barbara Hammond, Trabalhador de Vila, p. 37.
62 Ibid., p. 37.
62 Ibid., p. 37.
63 Ibid., p. 38.
63 Ibid., p. 38.
64 Neeson, Commoners, p. 28.
64 Neeson, Commoners, p. 28.
65 Dobb, Studies in the Development of Capitalism, p. 222.
65 Dobb, Estudos em Desenvolvimento do Capitalismo, p. 222.
66 J. L. and Barbara Hammond, Village Labourer, p. 42.
66 J. L. e Barbara Hammond, Trabalhador de Vila, p. 42.
67 E. J. Hobsbawm and George Rude, Captain Swing (New York: W. W. Norton and Company Inc., 1968), p. 27.
67 E. J. Hobsbawm e George Rude, Capitão Swing (New York: W. W. Norton and Company Inc., 1968), p. 27.
68 Dobb, Studies in the Development of Capitalism, p. 227.
68 Dobb, Estudos em Desenvolvimento do Capitalismo, p. 227.
69 Tate, The Enclosure Movement, p. 88.
69 Tate, O Movimento de Cerco, p. 88.
70 “Development as Enclosure: The Establishment of the Global Economy,” The Ecologist (July/August 1992), p. 133.
70 “Desenvolvimento como Cerco: O Estabelecimento da Economia Global,” The Ecologist (julho/agosto de 1992), p. 133.
C4SS (c4ss.org) Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS (c4ss.org) Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e  A Revolução Industrial Gestada em Casa: Manifesto de Baixo Overhead, todos livremente disponíveis online. Carson também tem escrito para publicações tais como: O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e diversos periódicos e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.

No comments:

Post a Comment