Thursday, August 23, 2012

C4SS - Communal Property: A Libertarian Analysis [VI.2.1]


ENGLISH
PORTUGUÊS
Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
building awareness of the market anarchist alternative
na construção da consciência da alternativa anarquista de mercado
Communal Property: A Libertarian Analysis
Propriedade Comunal: Análise Libertária
By Kevin A. Carson
Por Kevin A. Carson
England is not a free people, till the poor that have no land, have a free allowance to dig and labour the commons... – Gerrard Winstanley, 1649
A Inglaterra não é povo livre, porém os pobres que não têm terra têm livre permissão para amanhar e trabalhar as [terras] comuns... – Gerrard Winstanley, 1649
Center for a Stateless Society Paper No. 13 (Summer/Fall 2011)
Centro por uma Sociedade sem Estado Paper Nº 13 (Verão/Outono de 2011)
Appendix: The Debates on Enclosure
Apêndice: Os Debates Relativos ao Cerco
The Question of Efficiency in the Enclosures.
A Questão da Eficiência nos Cercos.
Apologists for the Enclosures in England argue that they were necessary for the introduction of efficient new agricultural techniques like improved crop rotation, the use of clover to improve wasteland, and the wintering of livestock.146
Apologistas dos Cercos na Inglaterra argumentam estes terem sido indispensáveis para a introdução de novas técnicas agrícolas tais como melhor rodízio de culturas, uso do trevo para melhorar terra inculta, e para a alimentação dos animais da fazenda no inverno.146
Chambers and Mingay enumerated a long bill of indictments against the open fields and common pastures in The Agricultural Revolution. The particulars included
Chambers e Mingay, em A Revolução Agrícola, desenvolvem longo auto de acusação contra os campos abertos e as pastagens comuns. Os pontos específicos incluíram
the dispersal and fragmentation of the holdings and the time wasted in journeying with implements from one part of the field to another; the unimproved nature of the soil, and the waste of the land in balks (although these served as additional pieces of pasture as well as paths between lands and headlands for turning the plough); the rigid rotation of two crops and a fallow; the impossibility of improving the livestock, and the risks of wildfire spread of disease among beasts herded together on the commons and fields....
dispersão e fragmentação das propriedades e o tempo desperdiçado em viajar com implementos de uma parte do campo para outra; a natureza não melhorada do solo, e o desperdício da terra de faixas não lavradas (embora estas servissem como pedaços adicionais de pasto bem como de caminhos entre terras e projeções de final de campo para virada do arado); a rígida rotação de duas culturas e uma porção de terra em descanso; a impossibilidade de melhorar os animais, e os riscos de disseminação rápida de doença entre rebanhos presentes nas comuns e nos campos....
Perhaps the most striking weakness of the system... was the annual fallowing of a proportion, generally from a quarter to a third, of the arable land. This was necessary in order to restore fertility after two or three years of cropping....147
Talvez o mais notável ponto fraco do sistema... fosse a proporção de terra em descanso anual, geralmente entre um quarto a um terço, da terra arável. Isso era indispensável a fim de ser restaurada a fertilidade depois de dois ou três anos de ceifa....147
According to subsequent critics of Chambers and Mingay, pro-Enclosure writers of the eighteenth century greatly exaggerated the extent of misgovernment and presented a deliberately one-sided picture out of self-interest; and modern writers like Mingay swallowed it because it was exactly what they wanted to hear.
De acordo com críticos subsequentes de Chambers e Mingay, os autores favoráveis ao Cerco do século dezoito exageraram grandemente a extensão do desgoverno e apresentaram um retrato deliberadamente tendencioso motivado por interesse próprio; e autores modernos como Mingay engoliram isso porque era exatamente o que desejavam ouvir.
For example, J.M. Neeson presents evidence that cottagers didn't “graze the commons bare”: “[t]hey were unlikely to overstock their rights, they might not even stock them fully.”148 She also presents numerous examples of effective commons management from manorial records. Far from overrunning the commons or grazing them bare, in most places commoners regulated the commoning of livestock by strictly stinting their commons—restricting the amount of stock which each commoner might graze. Neeson refers to many cases in which village juries introduced stints and carefully enforced them. Even in villages where commons were unstinted, common rights were not unlimited. The stocking, rather, was limited by “the common rights immemorially attached to land or cottage or residency: the original, unabated level of stocking.”149
Por exemplo, J.M. Neeson apresenta evidência de que os cottagers não “exauriam as pastagens das comuns”: “[e]les improvavelmente encheriam de animais seus direitos, eles talvez nem sequer pusessem a quantidade limite de animais.”148 Ela também apresenta numerosos exemplos de gerência eficaz das comuns tirados dos registros senhoriais. Longe de lotarem as comuns ou deixarem que fossem pastadas até ficarem nuas, na maioria dos lugares os commoners regulavam os animais nas comuns mediante restringirem estritamente suas comuns — restringindo a quantidade de animais que cada commoner podia deixar pastar. Neeson refere-se a muitos casos nos quais júris de vila criaram limitações e as fizeram cumprir. Mesmo em vilas onde isso não era feito, os direitos relativos às comuns não eram ilimitados. Pelo contrário, a quantidade de animais é que era limitada pelos “direitos às comuns imemorialmente atrelados à terra ou cottage ou residência: o nível original, permanente, de animais.”149
On the other hand, the rich land-grabbing interests—e.g. “[f]armers who could afford to buy up cottages in order to engross their rights”—were typically owners of large flocks and herds who “might overstock, certainly they would stock the full stint.” “The threat to common pasture came less from the
clearly defined rights of cottagers than from the larger flocks and herds of richer men.”150 Where village institutions were unable to enforce strict regulations, or stints were too generous, it frequently resulted from the political influence of a few large farmers who overran the commons with their own livestock and left no room for the majority of small owners.151 And once Enclosure proceedings had begun, large farmers and lords of manors often deliberately overstocked the commons in order to drive down the value of the cottagers' common rights, and thereby reduce the amount of their compensation.152 Although pro-Enclosure writers took such overstocking as evidence of mismanagement of the commons, in fact it was a side-effect of Enclosure itself.153
Por outro lado, os ricos interesses dos açambarcadores de terras — por exemplo “[f]azendeiros que tinham como comprar cottages para absorver seus direitos” — eram tipicamente donos de grandes manadas e rebanhos que “podiam ter animais em demasia, e certamente completavam o nível total de limitação.” “A ameaça à pastagem comum veio menos dos direitos claramente definidos dos cottagers do que das grandes manadas e rebanhos de homens mais ricos.”150 Quando as instituições de vila não conseguiam impor controles estritos, ou quando as restrições eram demasiado generosas, isso frequentemente resultava da influência política de uns poucos grandes fazendeiros que superlotavam as comuns com seus próprios animais e não deixavam espaço para a maioria de pequenos proprietários.151 E uma vez iniciados os procedimentos do Cerco, grandes fazendeiros e senhores de solares amiúde deliberadamente superlotavam as comuns com animais a fim de fazerem cair o valor dos direitos às comuns dos cottagers, reduzindo assim o montante da indenização deles.152 Embora autores favoráveis ao Cerco tomassem tal superlotação de animais como evidência de má gerência das comuns, na verdade ela era um efeito colateral do próprio Cerco.153
Assertions by Enclosure advocates and apologists in regard to the spread of disease were similarly slipshod. In this as in other things, Chambers and Mingay uncritically repeated interest-driven accusations by writers two centuries earlier. Besides starvation and malnourishment, pro-Enclosure writers have asserted that “common pasture led to promiscuous breeding and the spread of disease.” In particular, “unregulated mixing of animals in large common pastures caused contagion and made control difficult.” These writers assume with little ground that “little intelligent attempt was made to control animal diseases in common pasture.”154
Asserções de defensores e apologistas do Cerco a respeito da disseminação de doenças foram similarmente desleixadas. Aqui, como em outras coisas, Chambers e Mingay de modo não crítico repetiram acusações motivadas por interesses de autores de há dois séculos. Além de inanição e má nutrição, os autores favoráveis ao Cerco afirmaram que “a pastagem comum levava a cruzamentos promíscuos e a disseminação de doenças.” Em particular, “mistura desregulada de animais em grandes pastagens comuns causava contágio e tornava o controle difícil.” Esses escritores assumiam, com pouco fundamento, que “pouca tentativa inteligente foi feita para controlar doenças de animais na pastagem comum.”154
In fact, though, village juries “used by-laws and fines to prevent the spread of disease.” Just as much as enclosers, they believed that contagion from proximity was the source of infection. Grazing diseased livestock like mangy horses or sheep with the scab carried high fines. “Paid herdsmen and women almost constantly supervised common cattle and sheep,” which made it extremely difficult to graze a diseased animal without detection. The intense economic interest of commoners in preserving the health of their livestock, and the ease of detection facilitated by “the very public assembly, movement and supervision of common flocks and herds,” were powerful safeguards against infection. It was still possible to graze diseased animals for a short time in “partially supervised pastures where horses or cows could be tethered,” but they were only in contact with only small numbers of other
animals.155
Na verdade, entretanto, os júris de vila “usavam normas e multas para impedir a disseminação de doença.” Do mesmo modo que os cercadores, eles acreditavam que o contágio decorrente de proximidade era a fonte da infecção. Levar a pastar animais doentes tais como cavalos ronhosos ou carneiros com sarna era algo punido com altas multas. “Pastores e mulheres pagos quase constantemente supervisavam gado e carneiros na comum,” o que tornava extremamente difícil levar a pastar um animal doente sem detecção. O intenso interesse econômico dos commoners em preservaer a saúde de seus animais, e a facilidade de detecção facilitada pelos “muito públicos ajuntamento, movimento e supervisão de manadas e rebanhos nas comuns,” constituíam poderosas salvaguardas contra a infecção. Ainda era possível pôr a pastar animais doentes por curto tempo em “pastagens parcialmente supervisadas onde cavalos ou vacas podiam ser amarrados,” mas estes só ficavam em contato com pequeno número de outros animais.155
What's more, contemporary and modern advocates of Enclosure indicted the livestock management practices of commoners completely out of any context. The most important comparison—to livestock management practices after Enclosure—was almost never made. “Perhaps the most important point to make is that the limited understanding of how many diseases spread made prevention difficult both before and after enclosure.” The enclosers, as much as the commoners, mistakenly believed that all
disease was caused by contagion and were unaware of other vectors—like clothing—for transmitting disease.
Ademais, defensores contemporâneos e modernos do Cerco criticaram as práticas de gerência de animais dos commoners completamente fora de qualquer contexto. A mais importante comparação — com práticas de gerência de animais depois do Cerco — quase nunca foi feita. “Talvez o mais importante ponto a considerar é que o limitado entendimento acerca de como muitas doenças se disseminavam tornou a prevenção difícil tanto antes quanto depois do cerco.” Os cercadores, tanto quanto os commoners, acreditavam equivocadamente que toda doença era casada por contágio e ignoravam outros vetores — como as roupas — de transmissão de doenças.
Clearly most of these sources of infection were not affected by separation into herds after enclosure; and the long incubation period of the disease (30-60 days, and up to six months in some cases) made it very difficult to prevent the introduction of diseased animals into uncontaminated herds either before or after enclosure.156
Claramente, a maioria dessas fontes de infecção não foram afetadas pela separação de rebanhos depois do cerco; e o longo período de incubação da doença (30-60 dias, e até seis meses em alguns casos) tornava muito difícil impedir a introdução de animais doentes em rebanhos não contaminados tanto antes quanto depois do cerco.156
The fences of enclosed farms, likewise, could not prevent the transmission of diseases like leptospirosis through contaminated watercourses or rodents.157 Diseases associated with wet commons and poor drainage were managed as well by commoners as by enclosers; “post-enclosure
improvements in drainage came fifty years after most enclosures were complete.”158
As cercas de fazendas cercadas, analogamente, não conseguiam impedir a transmissão de doenças como a leptospirose por meio de cursos de água ou roedores contaminados.157 Doenças associadas a comuns úmidas e a fraca drenagem eram geridas tão bem pelos commoners quanto pelos cercadores; “melhoramentos posteriores ao cerco em drenagem ocorreram cinquanta anos depois da maioria dos cercos estarem completos.”158
End of [VI.2.1]
Fim de [VI.2.1]
To be continued
Continua
146 Hill, Century of Revolution, p. 150.
146 Hill, Século de Revolução, p. 150.
147 Chambers and Mingay, Agricultural Revolution, pp. 48-49.
147 Chambers e Mingay, A Revolução Agrícola, pp. 48-49.
148 Neeson, Commoners, p. 86.
148 Neeson, Commoners, p. 86.
149 Ibid., pp. 113-117.
149 Ibid., pp. 113-117.
150 Ibid., p. 86.
150 Ibid., p. 86.
151 Ibid., p. 155.
151 Ibid., p. 155.
152 Ibid., pp. 87-88, 156.
152 Ibid., pp. 87-88, 156.
153 Ibid., p. 156.
153 Ibid., p. 156.
154 Ibid., p. 124.
154 Ibid., p. 124.
155 Ibid., pp. 124-125.
155 Ibid., pp. 124-125.
156 Ibid., pp. 126-128.
156 Ibid., pp. 126-128.
157 Ibid., p. 128.
157 Ibid., p. 128.
158 Ibid., p. 129.
158 Ibid., p. 129.
C4SS (c4ss.org) Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS (c4ss.org) Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e  A Revolução Industrial Gestada em Casa: Manifesto de Baixo Overhead, todos livremente disponíveis online. Carson também tem escrito para publicações tais como: O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e diversos periódicos e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.


No comments:

Post a Comment