Thursday, August 23, 2012

C4SS - Communal Property: a Libertarian Analysis [VI.1.1]


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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
building awareness of the market anarchist alternative
na construção da consciência da alternativa anarquista de mercado
Communal Property: A Libertarian Analysis
Propriedade Comunal: Análise Libertária
By Kevin A. Carson
Por Kevin A. Carson
England is not a free people, till the poor that have no land, have a free allowance to dig and labour the commons... – Gerrard Winstanley, 1649
A Inglaterra não é povo livre, porém os pobres que não têm terra têm livre permissão para amanhar e trabalhar as [terras] comuns... – Gerrard Winstanley, 1649
Center for a Stateless Society Paper No. 13 (Summer/Fall 2011)
Centro por uma Sociedade sem Estado Paper Nº 13 (Verão/Outono de 2011)
Appendix: The Debates on Enclosure
Apêndice: Os Debates Relativos ao Cerco
Starting in the 1960s, there was a reaction—centered on The Agricultural Revolution and other work by J.D. Chambers and G.E. Mingay—against the dominant radical critique of Enclosure inherited from Marx's account of primitive accumulation in volume one of Capital and leftist writers like J.L. and Barbara Hammond or E.P. Thompson. Since then, it's been standard practice for anyone on the Right grasping for a defense of the “property rights” of the landed classes to fall back on Chambers as having “disproved” the radical historians.
A partir da década de 1960 houve reação — centrada em A Revolução Agrícola e outras obras de J.D. Chambers e G.E. Mingay — contra a crítica radical dominante do Cerco, herdada da descrição de Marx acerca da acumulação primitiva no volume um do  Capital e de escritores esquerdistas como J.L. e Barbara Hammond ou E.P. Thompson. Desde então, tornou-se prática padrão das pessoas da Direita mencionarem, na defesa dos “direitos de propriedade” das classes fundiárias, Chambers como havendo “refutado” os historiadores radicais.
It's quite similar to claims that Jeavons, Menger, Bohm-Bawerk, Mises, or some other thinker(s) from the marginalist-subjectivist tradition “disproved” Ricardian classical political economy—claims typically coming from people whose understanding of both the classical political economists and the marginalists is entirely second-hand, and who have little or no understanding of the actual points at issue between them.
É algo muito parecido com alegações de que Jeavons, Menger, Bohm-Bawerk, Mises, ou outros pensadores da tradição subjetivista-marginalista “refutaram” a economia política clássica ricardiana — alegações que procedem tipicamente de pessoas cujo entendimento tanto dos economistas políticos clássicos quanto dos marginalistas é inteiramente de segunda mão, e que têm pouca ou nenhuma compreensão dos reais pontos de controvérsia entre eles.
A good recent example is Thomas Woods of the Ludwig von Mises Institute, who dismissed as “socialist” any arguments that the Industrial Revolution and wage system were shaped in any way, and particularly made more exploitative than they otherwise would have been, by the Enclosures.
Bom exemplo recente é o de Thomas Woods, do Instituto Ludwig von Mises, que desqualificou como “socialistas” quaisquer argumentos no sentido de que a Revolução Industrial e o sistema de salários tenham sido moldados, sob qualquer aspecto, pelos Cercos, e particularmente tornados mais exploradores do que teriam sido não fora aqueles.
This was a central socialist theme: the people must not be viewed as having chosen to abandon the land for the factory, having made a rational assessment of what was best for them. They must have been tricked or forced into it.... [I]t is how nearly all social-democratic historians, until the weight of the evidence began to overwhelm them, tried to portray matters....
Esse foi um tema central socialista: as pessoas têm de não ser vistas como tendo escolhido abandonar a terra pela fábrica, a partir de avaliação racional do que seria melhor para elas. Elas têm de ter sido enganadas ou forçadas a fazê-lo.... [Foi] assim que a quase totalidade dos historiadores social-democráticos, até o peso da evidência começar a esmagá-la, tentou retratar as coisas....
Whether the process of enclosure satisfies libertarian standards of justice is not the issue before us here, although much injustice is probably concealed beneath many modern scholars’ assurances that the process (which, although it sought substantial consensus, stopped short of unanimity) made agriculture more efficient…. The question, rather, is whether the process was responsible for systematic dispossession, the depopulation of the countryside, or rural poverty. It caused none of these outcomes.
Se o processo de cerco satisfaz a padrões libertários de justiça não é a questão diante de nós aqui, embora muita injustiça esteja provavelmente ocultada por baixo de muita asseguração, da parte de eruditos modernos, de que o processo (que, apesar da busca de consenso substancial, ficou aquém da unanimidade) tornou a agricultura mais eficiente.... A questão é, antes, se o processo foi responsável por destituição sistemática, despovoamento do campo, ou pobreza rural. Ele não causou nenhum desses resultados.
In Woods' version of things, the older left-wing history was “propaganda,” in contrast to “modern research.”102 Woods' overwhelming “weight of the evidence,” otherwise known as “the past 50 years of scholarship,” turns out to refer almost entirely to the work of Mingay. For Woods, apparently, historiography stopped with the groundbreaking scholarship of Mingay. He displays no awareness whatsoever that the “revisionism” of Mingay has since become the new orthodoxy, or that subsequent critics like J.M. Neeson have administered the equivalent of a curb-stomping to Mingay's reading of the history of Enclosure.
Na versão das coisas de Woods, a história esquerdista mais antiga foi “propaganda,” em contraste com “pesquisa moderna.”102 O esmagador “peso da evidência” de Woods, também conhecido como “os últimos 50 anos de estudos acadêmicos,” revela-se dizendo respeito quase inteiramente à obra de Mingay. Para Woods, aparentemente, a historiografia parou com o inovador estudo acadêmico de Mingay. Ele não exibe qualquer consciência de que o “revisionismo” de Mingay tornou-se desde então a nova ortodoxia, ou de que críticos subsequentes como J.M. Neeson já administraram o equivalente a um curb-stomping(*) à leitura da história do Cerco por Mingay.

(*) O Urban Dictionary dá várias definições afins para esse método que, diz, foi amplamente usado pelos nazistas, de obrigarem os judeus a morderem o meio-fio da calçada e então pisarem na cabeça do judeu com botas, sob o pretexto de fazer sair a titica que havia no cérebro dele, com o resultado de os dentes irem parar no cérebro, matando a vítima. Ver Urban Dictionary, curb stomp.
Chambers and Mingay, in The Agricultural Revolution, argued that only a minority of the rural population held commoning rights, that they were only marginally important to the rural population, that they were of little benefit to most, that the stock fed on commons was poorly feed and disease-ridden, and that the English landed peasantry had already disappeared by 1750.103
Chambers e Mingay, em A Revolução Agrícola, argumentaram que apenas uma minoria da população rural detinha direitos às terras comuns, que essas terras eram apenas marginalmene importantes para a população rural, e eram de pequeno benefício para a maioria, que os animais alimentados nas comuns eram mal alimentados e infestados de doenças, e que os camponeses ingleses usuários comunais de terras já haviam desaparecido em 1750.103
Very little of this stands up to close examination. For example the extent of common rights was seriously undercounted in official records, according to J.M. Neeson, because they did not include rights under the custom of the manor:
Muito pouco disso resiste a exame cuidadoso. Por exemplo, a extensão dos direitos comuns era seriamente subcomputada nos registros oficiais, de acordo com J.M. Neeson, porque não incluía direitos advindos do costume na herdade:
The number of common-right cottages counted by enclosure commissioners or lords of manors at enclosure gives us an estimate of the number of common-right cottagers, but it is almost certainly an underestimate. For only narrowly defined legal right was acknowledged at enclosure; more widely enjoyed customary right was sometimes ignored.
O número de cottages com direitos comuns contado por comissários ou donos de herdades no cerco dá-nos estimativa do número de cottagers com direitos comuns, mas trata-se, quase certamente, de subestimativa. Pois só direitos legais definidos estritamente eram levados em conta no cerco; direitos consuetudinários mais amplamente fruídos eram por vezes ignorados.
Customary rights based on residence alone, rather than ownership of cottages with common rights attached, went unrecognized by Enclosure commissioners.104 Chambers and Mingay conceded as much in principle, although arguing in other passages that Enclosure commissions sometimes recognized customary right.
Direitos consuetudinários baseados exclusivamente na residência, em vez de na propriedade das cottages com direitos comuns a elas atrelados, não foram reconhecidos pelos comissários do Cerco.104 Chambers e Mingay concedem isso em princípio, embora argumentando, em outras passagens, que as comissões do Cerco por vezes reconheciam o direito consuetudinário.
The legal owners of common rights were always compensated by the commissioners with an allotment of land. (The occupiers of common right cottages, it should be noticed, who enjoyed common rights by virtue of their tenancy of the cottage, received no compensation because they were not, of course, the owners of the rights. This was a perfectly proper distinction between owner and tenant, and involved no fraud or disregard for cottagers on the part of the commissioners.)105
Os detentores legais de direitos comuns eram sempre indenizados pelos comissários com aquinhoamento de terra. (Os ocupantes de cottages com direitos comuns, deve ser notado, que gozavam de direitos comuns em virtude de sua condição de arrendamento da cottage, não recebiam compensação porque não eram, obviamente, os detentores dos direitos. Essa era uma distinção perfeitamente adequada entre dono e arrendatário, e não envolvia fraude ou desconsideração para com os cottagers por parte dos comissários.)105
End of [VI.1.1]
Fim de [VI.1.1]
To be continued
Continua
102 Tom Woods, “Propaganda, Meet Modern Research,” Tom Woods, July 18, 2011
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102 Tom Woods, “Propaganda, Veja a Pesquisa Moderna,” Tom Woods, 18 de julho de 2011
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103 J.D. Chambers and G.E. Mingay, The Agricultural Revolution 1750-1880 (New York: Schocken Books, 1966)
103 J.D. Chambers e G.E. Mingay, A Revolução Agrícola 1750-1880 (New York: Schocken Books, 1966)
104 Neeson, Commoners, p. 77.
104 Neeson, Commoners, [detentores de direitos fundiários comuns] p. 77.
105 Chambers and Mingay, The Agricultural Revolution, p. 97.
105 Chambers e Mingay, A Revolução Agrícola, p. 97.
C4SS (c4ss.org) Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS (c4ss.org) Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e  A Revolução Industrial Gestada em Casa: Manifesto de Baixo Overhead, todos livremente disponíveis online. Carson também tem escrito para publicações tais como: O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e diversos periódicos e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.

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