Wednesday, August 1, 2012

Americas South and North - Contextualizing “Electoral Authoritarianism” in Latin America


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Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic
Olhar Voltado para Questões da Terra do Fogo ao Ártico
Contextualizing “Electoral Authoritarianism” in Latin America
Contextualização do “Autoritarismo Eleitoral” na América Latina
July 30, 2012
30 de julho de 2012
I’m a bit late to this (I’ve been spending the past two weeks moving from one home to another), but the Washington Post recently ran a lengthy post on what it described as “Latin America’s new authoritarians,” with a focus falling heavily on Hugo Chávez, though it also includes Ecuador’s Rafael Correa, Bolivia’s Evo Morales, and Nicaragua’s Daniel Ortega in the group of “new authoritarians.” Right off the bat, the tenor is pretty clear:
Estou um pouco atrasado quanto a este assunto (passei as duas últimas semanas mudando-me de uma casa para outra), mas o Washington Post recentemente afixou longa postagem acerca do que descreveu como “os novos autoritários da América Latina,” com foco recaindo fortemente em Hugo Chávez, embora incluindo também Rafael Correa, do Equador, Evo Morales, da Bolívia, e Daniel Ortega, da Nicarágua, no grupo dos “novos autoritários.” Desde o início o teor é bastante claro:
More than two decades after Latin America’s last right-wing dictatorships dissolved, a new kind of authoritarian leader is rising in several countries: democratically elected presidents who are ruling in increasingly undemocratic ways.
Mais de duas décadas depois das últimas ditaduras de direita da América Latina haverem-se dissolvido, um novo tipo de líder autoritário está surgindo em diversos países: presidentes democraticamente eleitos que governam de maneiras cada vez menos democráticas.
Unlike the iron-fisted juntas of a generation ago, these leaders do not assassinate opposition figures or declare martial law.
Diferentemente das juntas despóticas de há uma geração, esses líderes não assassinam figuras da oposição ou declaram lei marcial.
But in a handful of countries, charismatic populists are posing the most serious challenge to democratic institutions in Latin America since the 1980s, when rebel wars and dictators were the norm. In Venezuela, Ecuador, Nicaragua and other countries, leaders have amassed vast powers that they use to control courts while marginalizing their opponents and the media, human rights groups and analysts say.
Num punhado de países, porém, populistas carismáticos representam o mais sério desafio às instituições democráticas da América Latina desde os anos 1980, quando guerras de rebeldes e ditadores eram a norma. Em Venezuela, Equador, Nicarágua e outros países, líderes acumularam vastos poderes que usam para controlar os tribunais enquanto marginalizam seus opositores e a mídia, dizem grupos de direitos humanos e analistas.
Both Jay Ulfelder and Greg Weeks do a great job of pointing out some of the complexities that the Washington Post overlooks in this narrative. Ulfelder rightly comments that “this is not a ‘new kind of authoritarian leader,’” and while he takes a more comparative, political-scientist approach, I’d add some more historical contextualization. He is, of course, correct – this is nothing new. Indeed, if one looks at South America in the 1930s and 1940s, one sees a wave of leaders swept into power through democratic elections and then consolidating their hold on power, most notably in the figures of Juan Perón, who was elected in 1946 and ruled until 1955 in Argentina, and Getúlio Vargas in Brazil, who was elected in 1930, formed the “Estado Novo” dictatorship in 1937, and remained in power until 1945 (he also was re-elected in 1950 and served as president until committing suicide in 1954). These leaders were certainly dealing with different contexts – in particular, Vargas was attempting to create a more centralized nation-state after the federative First Republic of 1889-1930 – but the fact remains that they display an historical precedent for what the Post‘s article describes as “new.”
Tanto Jay Ulfelder quanto Greg Weeks fazem excelente trabalho ao destacar algumas das complexidades que o Washington Post não leva em conta nessa narrativa. Ulfelder comenta, corretamente, que “não se trata de um ‘novo tipo de líder autoritário,’” e embora ele adote abordagem mais comparativa, de cientista político, eu acrescentaria alguma contextualização histórica. Ele está, obviamente, correto – isso não é nada de novo. Na verdade, se olharmos para a América do Sul nos anos 1930 e 1940, veremos um séquito de líderes levado ao poder por meio de eleições democráticas que em seguida consolidou sua manutenção do poder, mais notavelmente nas figuras de Juan Perón que, eleito em 1946, governou a Argentina até 1955, e Getúlio Vargas no Brasil que, eleito em 1930, formou a ditadura do “Estado Novo” em 1937, e permaneceu no poder até 1945 (foi reeleito também em 1950 e foi presidente até cometer suicídio em 1954). Esses líderes certamente lidavam com contextos diferentes – em particular, Vargas tentava criar um estado-nação mais centralizado depois da Primeira República federativa de 1889-1930 – mas permanece o fato de eles exibirem um precedente histórico daquilo que o artigo do Post caracteriza como “novo.”
Both Ulfelder and Weeks do a great job of also pointing out that the narrative of the article endows entirely too much power/agency in the supposedly “new authoritarians” by focusing on their alleged “charisma” while disregarding the not-insignificant social groups that either support or oppose such leaders. Greg in particular does a great job of adding context, pointing out that the opposition to these “new authoritarians” is often weak and disorganized, has its own history of undermining democracy, or both, meaning that ultimately, there is no “truly democratic end-game” on the part of the “new authoritarians” or their opposition. As Greg contextualizes it:
Tanto Ulfelder quanto Weeks fazem também excelente trabalho ao destacar que a narrativa do artigo atribui inteiramente exagerado poder/agência aos pretensos “novos autoritários” ao enfatizar seu alegado “carisma” enquanto ignora os não insignificantes grupos sociais que ou apoiam ou se opõem a tais líderes. Greg em particular faz ótimo trabalho de adicionar contexto, destacando que a oposição a esses “novos autoritários” é amiúde fraca e desorganizada, tem sua própria história de solapar a democracia, ou ambos, significando que em última análise não há “cenário final realmente democrático” da parte dos “novos autoritários” nem dos que se opõem a eles. Como contextualiza Greg:
[C]onsolidation of power is not solely a matter of using the machinery of the state, but also is tied to the failures of the opposition. In the countries most commonly cited–Venezuela, Bolivia, and Ecuador–the right is in shambles, deeply discredited for past failed policies. In small countries with weak institutions like Honduras and Paraguay, the right refused even to wait for the next presidential election.
A consolidação do poder não é simplesmente uma questão de uso da máquina do estado, mas também está ligada aos fracassos da oposição. Nos países mais comumente citados – Venezuela, Bolívia e Equador – a direita está em frangalhos, profundamente desacreditada por causa de políticas passadas fracassadas. Em países pequenos com instituições fracas como Honduras e Paraguai a direita recusou-se até a esperar até a próxima eleição para presidente.
I agree with both of these critiques. From a historical perspective, I’d add that the Post once again glosses over or ignores very complex historical processes that led to the popularity and support for these leaders (to say nothing of equating Venezuela, Nicaragua, Ecuador, and Bolivia with “Latin America,” a characterization I’m sure Brazil, Argentina, Chile, Peru, Colombia, Mexico, Costa Rica, El Salvador, etc. etc. etc. would at least challenge). And as Greg says, it’s not like we don’t have very-very recent evidence of the right undermining democratic processes.
Concordo com ambos esses comentários críticos. De perspectiva histórica, eu diria que o Post mais uma vez evita falar acerca de, ou ignora, processos históricos muito complexos que levaram à popularidade e ao apoio a esses líderes (para não dizer nada de igualar Venezuela, Nicarágua, Equador e Bolívia com “América Latina,” caracterização que, estou certo, Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia, México, Costa Rica, El Salvador, etc. etc. etc. no mínimo questionariam). E como diz Greg, as coisas não se passam como se não tivéssemos evidência muito - muito recente da direita solapando processos democráticos.
Additionally, the actions and policies of these leaders are not happening in a vacuum; rather, as Greg alludes to, these men are dealing with a long line of social and economic inequalities and are often working to undo the equally-undemocratic histories of right-wing governments from the mid-nineteenth century onward up to the late-20th century.  At the most general level (and there are very real problems with and caveats to the most general level), to presume that there’s some new history of authoritarianism in a region that has enjoyed a long history of widespread popular democracy is, to put it concisely, bunk. That is not to say that these “new authoritarians” are taking the right path; but to treat them as a unified bloc is to again fall back on a narrative in which the “left” is out of control and undermining democratic processes, a highly-problematic narrative the Post has advocated before. One can certainly make an argument that some governments are consolidating power in the hands of the executive and judge whether or not that is worthwhile. But to presume a similarity and to equate Chávez, Morales, Correa, and Ortega without any understanding of the current or historical political and social contingencies that differentiate the individual countries and leaders leads to the kind of flawed reasoning that gives the leaders far more agency and power than they have without considering the ways in which societies and people themselves play a direct role in shaping the politics and histories of their countries.
Adicionalmente, as ações e políticas desses líderes não estão acontecendo num vácuo; pelo contrário, como alude Greg, esses homens estão lidando com uma longa linha de desigualdades sociais e econômicas e trabalham amiúde para desfazer as igualmente não democráticas histórias de governos de direita da metade do século dezenove em diante, até o final do século 20. No nível mais geral (e há problemas muito reais e ressalvas no tocante ao nível mais geral), presumir haver alguma nova história de autoritarismo numa região que vem gozando de longa história de disseminada democracia popular é, para dizê-lo de modo conciso, besteira. Isso não é dizer que esses “novos autoritários” estejam trilhando o caminho certo; contudo, tratá-los como um bloco unificado é de novo recorrer a uma narrativa na qual a “esquerda” está fora de controle e solapando processos democráticos, narrativa altamente problemática que o Post já defendeu no passado. Certamente é possível alguém argumentar que alguns governos estão consolidando poder nas mãos do executivo, e ponderar se isso vale ou não a pena. Presumir, contudo, similaridade que iguale Chávez, Morales, Correa e Ortega sem qualquer entendimento das atuais contingências históricas, políticas e sociais que diferenciam os países e os líderes individuais leva ao tipo de raciocínio falho que dá aos líderes muito maior agência e poder do que eles têm, sem levar em conta as maneiras pelas quais as sociedades e as próprias pessoas desempenham papel direto no delineamento das políticas e das histórias de seus países.

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