Thursday, August 9, 2012

Americas South and North - Get to Know a Brazilian - João Guimarães Rosa

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Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic.
Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico.
Get to Know a Brazilian – João Guimarães Rosa
Conheça um Brasileiro – João Guimarães Rosa
August 5, 2012 5 de agosto de 2012
Since last week we looked at one of Brazil’s best and most-translatable authors in Clarice Lispector, this week focuses on João Guimarães Rosa one of Brazil’s least translatable authors and, in my opinion, the greatest writer Brazil ever produced (sorry, Machado de Assis).
Visto termos, na semana passada, considerado um dos autores melhores e mais traduzíveis do Brasil em  Clarice Lispector, esta semana concentra-se em João Guimarães Rosa, um dos menos traduzíveis autores do Brasil e, em minha opinião, o maior escritor jamais surgido no Brasil (sinto muito, Machado de Assis).
Photo - João Guimarães Rosa (1908-1967), one of the most remarkable innovators of narrative and language in Portuguese and arguably Brazil’s greatest fiction writer.
Foto - João Guimarães Rosa (1908-1967), um dos mais notáveis inovadores em narrativa e linguagem em português e defensavelmente o maior escritor de ficção do Brasil.
Guimarães Rosa was born in the small town of Cordisburgo in the interior southeast state of Minas Gerais. From an early age, he showed a remarkable intellect, and moved to live with his grandparents in the large capital city of Belo Horizonte, where he had better access to education than in Cordisburgo. Guimarães Rosa demonstrated a particularly incredible mind for language. By the age of seven, he had already begun teaching himself French, and he claimed to know how to speak at least eight languages (including Esperanto and German, alongside other romance languages); he also said he could  read in another four (including Greek and Latin), and that studied the grammar of another ten diverse languages ranging from Tupi (an indigenous language in Brazil) to Sanskrit, from Japanese to Hebrew, among others.
Guimarães Rosa nasceu na pequena cidade de Cordisburgo no estado sem mar, situado no sudeste, de Minas Gerais. Desde muito cedo revelou notável intelecto, e mudou-se para morar com seus avós na grande capital de Belo Horizonte, onde tinha melhor acesso a educação do que em Cordisburgo. Guimarães Rosa revelou vocação particularmente incrível para línguas. Com sete anos de idade, já havia começado a iniciar-se por si próprio no francês, e afirmava ser capaz de falar pelo menos oito línguas (inclusive esperanto e alemão, ao lado de outras línguas românicas); também afirmava ser capaz de ler em outras quatro (inclusive grego e latim), e haver estudado a gramática de outras dez diferentes línguas, desde Tupi (língua indígena do Brasil) até sânscrito, de japonês a hebraico, entre outras.
Although Guimarães Rosa proved adept at languages, he went to medical school at what would eventually be known as the Federal University of Minas Gerais. Upon completing his degree in 1930, he opened a practice in the town of Itaguara, Minas Gerais, located in the sertão, a semi-arid expanse in Brazil that stretches from near the Atlantic coast toward the interior of Northeast Brazil. He also volunteered as a doctor in the Força Pública, or Public Force in São Paulo, during Brazil’s Constitutionalist Revolution of 1932. In that civil conflict, the state of São Paulo rose up against the government of Getúlio Vargas, who had been ruling by decree and outside of the Constitution since assuming the presidency in 1930. Ultimately, the fighting ended with over 900 official deaths and as many as 2,200; though the paulista forces were defeated, Vargas agreed to a new Constitution by which he would govern for another five years before establishing the Estado Novo dictatorship. For his part, Guimarães Rosa became a medical officer in the 9th Infantry Battalion in the mineiro city of Barbacena. However, the time he spent in the sertão, combined with his amazing facility with language, set the stage for the fiction that would distinguish him in the 20th century.
Embora Guimarães Rosa se tivesse revelado vocacionado para línguas, ingressou na faculdade de medicina daquela que no final seria conhecida como Universidade Federal de Minas Gerais. Ao formar-se em 1930, abriu consultório na pequena cidade de Itaguara, Minas Gerais, situada no sertão, área semiárida do Brasil que se estende de perto da costa do Atlântico rumo ao interior do Nordeste do Brasil. Também ofereceu-se voluntariamente como médico da Força Pública, em São Paulo, durante a Revolução Constitucionalista do Brasil em 1932. Naquele conflito civil, o estado de São Paulo ergueu-se contra o governo de Getúlio Vargas, que vinha governando por decreto e à margem da Constituição desde a assunção da presidência em 1930. Por fim, a luta terminou com mais de 900 mortes reconhecidas oficialmente e com em realidade em torno de 2.200; embora as forças paulistas tivessem sido derrotadas, Vargas concordou com uma nova Constituição segundo a qual ele governaria por mais cinco anos antes de criar a ditadura do Estado Novo. De sua parte, Guimarães Rosa tornou-se oficial médico no Nono Batalhão de Infantaria da cidade mineira de Barbacena. Entretanto, o tempo que ele despendeu no sertão, conjugado com sua espantosa facilidade para linguagem, estabeleceu o cenário para a ficção que o distinguiria no século 20.
Photo - A not-atypical view of the sertão, a semi-arid region in Brazil’s northeastern interior.
Foto - Vista não atípica do sertão, região semiárida no interior do nordeste do Brasil.
Although he was trained as a doctor, by the mid-1930s, Guimarães Rosa began to look elsewhere, commenting on the medical profession that “I don’t think I was born to do this.” He began to prepare for the diplomatic exams through Itamaraty, Brazil’s renowned Ministry of Foreign Relations. Upon completing his work, Guimarães Rosa became an official diplomat, serving Brazil throughout Europe and Latin America. This service included a stint in Germany from 1938 to 1942, during which time Guimarães Rosa provided visas to Jewish people living in Germany in an attempt to help them flee the Nazis. Guimarães Rosa’s efforts went beyond his government’s wishes, as he provided more visas than Brazilian quotas at the time officially allowed, and for his humanitarian efforts, Holocaust survivors and the newly-formed Israeli state would later honor him.
Embora treinado para ser médico, ao chegar meado anos 1930 Guimarães Rosa começou a olhar para outros lugares, comentando, acerca da profissão médica, que “não acho que tenha nascido para fazer este tipo de coisa.” Começou a preparar-se para exames diplomáticos do Itamaraty, o renomado Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Ao completar esse empreendimento, Guimarães Rosa tornou-se diplomata oficial, servindo ao Brasil na Europa e na América Latina. Esse serviço incluiu período na Alemanha, de 1938 a 1942, durante o qual Guimarães Rosa forneceu visto a judeus que viviam na Alemanha tentando ajudá-los a fugir dos nazistas. Os esforços de Guimarães Rosa foram além dos desejos de seu governo, pois ele deu mais vistos do que as quotas do  Brasil à época oficialmente permitiam e, graças a seus esforços humanitários, sobreviventes do Holocausto e o recém-formado estado de Israel posteriormente o elogiariam.
Even while serving as a diplomat, however, Guimarães Rosa had begun writing, drawing on his experiences in Minas Gerais. In 1946, his first work, Sagarana, was officially published [he had previously written a collection of poetry in 1936, but it was not published until after his death and was notably different in style, content, and quality than the later fiction that made him a renowned author]. Sagarana gathered twelve short stories (pared down to nine stories in later editions). Some of these stories exceeded fifty pages in length, but they shared similar themes and styles; indeed, the title itself combined the words “Saga” (as in the English sense of “story”) and “rana,” a Tupi word that roughly means “showing similarities”. That the title itself had this type of wordplay and drew on both Portuguese and indigenous Brazilian words foreshadowed the very “Brazilian” nature and types of neologisms and inventiveness with language that would distinguish Guimarães Rosa’s works from his contemporaries. As for the stories in Sagarana themselves, the environment and ambiance of the sertão looms large, almost becoming a character itself, even while the stories themselves showed a remarkable degree of fable and metaphor. Sagarana also saw the use of rhetorical devices such as anacolouthon and syllepsis, demonstrating a particularly innovative method of story-telling that made Guimarães Rosa’s style almost conversational even while it relied on Portuguese words and neologisms that would make later translations of his works into other languages extremely difficult.
Mesmo enquanto atuava como diplomata, contudo, Guimarães Rosa começara a escrever, abeberando-se de suas experiências em Minas Gerais. Em 1946, sua primeira obra, Sagarana, foi oficialmente publicada  [ele havia previamente escrito uma coleta de poesia em 1936, a qual contudo só foi publicada após sua morte e era notavelmente diferente em estilo, conteúdo e qualidade em relação à ficção posterior que o tornou autor renomado]. Sagarana era composta de doze pequenos contos (reduzidos a nove histórias em edições posteriores). Algumas dessas histórias tinham mais de cinquenta páginas de extensão, mas compartiam temas e estilos similares; na verdade, o próprio título combinava as palavras “Saga” (como no sentido inglês de “história”) e “rana,” palavra tupi que toscamente significa “mostrar similaridades”. Que o próprio título tivesse esse tipo de jogo de palavras e recorresse a palavras tanto do português quanto de língua indígena prenunciava a natureza muito “brasileira” e tipos de neologismo e de inventividade em linguagem que distinguiria as obras de Guimarães Rosa das de seus contemporâneos. Quantos às histórias de Sagarana elas próprias, o ambiente e a atmosfera do sertão são de grande importância, quase tornando-se eles próprios um personagem, embora as histórias elas próprias mostrassem notável grau de fábula e metáfora. Sagarana também assiste ao uso de recursos retóricos tais como anacoluto  e silepse, revelando método particularmente inovador de contar histórias que tornou o estilo de Guimarães Rosa quase conversacional embora ele recorresse a palavras e neologismos do português que tornariam traduções posteriores de suas obras para outras línguas extremamente difíceis.
Ten years after Sagarana’s publication, another lengthy publication of two volumes made up of seven novellas titled Corpo de Baile was published. As with Sagarana, the sertão continued to loom large as a force of nature and as a pseudo-character in tales of the rural poor attempting to live in the region. At the same time, however, Guimarães Rosa avoided any directly political statement, instead continuing to rely upon metaphor and fable to provide a far more complex and personal narrative of the lives of (fictional) people in Brazil’s interior.
Dez anos depois da publicação de Sagarana, outra extensa obra em dois volumes composta de sete narrativas intitulada Corpo de Baile foi publicada. Do mesmo modo que em Sagarana, o sertão continuou a ocupar amplo espaço como força da natureza e como pseudopersonagem em lendas dos pobres rurais que tentavam viver na região. Ao mesmo tempo, contudo, Guimarães Rosa evitou qualquer declaração política direta, continuando, em vez disso, a recorrer a metáfora e a fábula para proporcionar narrativa muito mais complexa e pessoal das vidas das pessoas (ficcionais) do interior do Brasil.
As impressive as Corpo de Baile was, it could not prepare Brazil for what would be not only Guimarães Rosa’s most impressive work, but one of the most incredible works published in any language in the world in the twentieth century: Grande Sertão: Veredas, a work that in some ways is to Brazilian Portuguese what Ulysses is to English. Although Grande Sertão: Veredas was translated into English in 1963 as The Devil to Pay in the Backlands, much of the originality and flavor of the book was lost in translation, and few of Guimarães Rosa’s books were ever translated. Grande Sertão was in every way an incredible and controversial work. Structurally, it is a remarkably crafted story, told in the first person across 608 pages without any chapters or even any breaks in the narrative. Linguistically, Guimarães Rosa pushed Portuguese to places it had never been, employing a highly-conversational and localized (and in many ways imagined) language that drew on both historical and contemporaneous Portuguese even while giving the language a regional dialect that makes the book difficult even to Brazilians. This inventiveness is apparent from the first word of the book, “Nonada,” which is designed to read like the written version of somebody rapidly saying “Não é nada” (“It’s nothing”). The opening not only shows Guimarães Rosa’s inventiveness with language, but also his playfulness, as made clear by the fact that he starts off a detailed, lengthy, 608-page narrative with the declaration that “it’s nothing.”
Por mais notável que fosse Corpo de Baile, não tinha como preparar o Brasil para aquela que seria não apenas a obra mais impressionante de Guimarães Rosa, como também uma das mais incríveis obras publicadas em qualquer língua do mundo no século vinte: Grande Sertão: Veredas, obra que, sob certos aspectos, é para o português o que Ulysses é para o inglês. Embora Grande Sertão: Veredas tivesse sido traduzida para o inglês em 1963 como The Devil to Pay in the Backlands, muito da originalidade e do intangível do livro foram perdidos na tradução, e poucos livros de Guimarães Rosa foram jamais traduzidos. Grande Sertão foi, sob todos os aspectos, obra incrível e controversa. Estruturalmente, é uma história notavelmente urdida, contada na primeira pessoa ao longo de 608 páginas sem capítulos ou sequer rupturas na narrativa. Linguisticamente, Guimarães Rosa levou o português a locais onde nunca havia estado, empregando uma linguagem altamente conversacional e localizada (e sob diversos aspectos imaginada) que recorre tanto ao português histórico quanto ao contemporâneo, emprestando ao mesmo tempo à linguagem um dialeto regional que torna o livro difícil até para brasileiros. Essa inventividade é visível desde a primeira palavra do livro, “Nonada,” concebida para ser lida como a versão escrita de alguém dizendo rapidamente “Não é nada” (“It’s nothing”). A abertura não apenas mostra a inventividade de Guimarães Rosa com a linguagem, como também seu modo galhofeiro, como tornado claro pelo fato de ele começar uma narrativa detalhada e extensa de 608 páginas com a declaração de que “não é nada.”
Photo - The title page of an early edition of Guimarães Rosa’s masterpiece, “Grande Sertão: Veredas,” originally published in 1956.
Foto - Página de título de uma edição precoce da obra-prima de Guimarães Rosa, “Grande Sertão: Veredas,” publicada originalmente em 1956.
Grande Sertão: Veredas would be an incredible work on the structure and language alone, but it’s the story itself that gives it even more heft and adds a remarkable degree of controversy. It is the tale of the rancher Riobaldo, who is an old man looking back and relating his history as a jagunço, or bandit, to an anonymous listener/the reader. Riobaldo looks back on his time fighting with different groups allied to various ranchers, portraying the local power struggles and competition of life in the sertão. In the process, he becomes extremely close friends with Diadorim, with whom he shares a highly-emotional homoerotic bond (though nothing physical ever takes place between the two). Riobaldo also becomes the leader of a band of bandits, and at a key point of the book, he heads to a crossroads in an attempt to make a deal with the devil for his success, though it is clear through the remainder of the book that he’s not certain if the deal was completed or not. Ultimately, the book ends with a climactic battle between Riobaldo’s band and the rival band, led by Hermogenes. Although Hermogenes ultimately dies, so does Diadorim, and Riobaldo is devastated. However, in the final ten pages [spoilers ahead], as Riobaldo’s men wash Diadorim’s body for burial, Diadorim’s grand secret is finally revealed: Diadorim was a woman. However, this “reveal” could not undo the highly homeroticized relationship between Diadorim and Riobaldo throughout the preceding 600 pages of the book, and the fact that Diadorim had cross-dressed to enter the world of the jagunço only further pushed traditional understandings of gender at a time (the 1950s) when such ideas and narratives were shocking.
Grande Sertão: Veredas seria obra incrível só pela estrutura e linguagem, mas é a história em si própria que lhe empresta mais peso e acrescenta notável grau de controvérsia. É a história do fazendeiro Riobaldo, homem velho recordando e contando seu passado de jagunço, ou bandoleiro, para um ouvinte/o leitor anônimo. Riobaldo recorda seu tempo de luta em diferentes grupos aliados a diversos fazendeiros, descrevendo as lutas locais de poder e competição da vida no sertão. No processo, ele se torna amigo muito estreito de Diadorim, com quem compartilha ligação homoerótica muito emocional (embora nada físico jamais ocorra entre os dois). Riobaldo torna-se também líder de uma quadrilha de bandidos e, a certa altura decisiva do livro, encaminha-se para uma encruzilhada numa tentativa de fazer um pacto com o diabo em favor de seu sucesso, embora fique claro, no restante do livro, que ele não está certo quanto a o pacto ter-se consumado ou não. Por fim, o livro termina com uma batalha apoteótica entre o bando de Riobaldo e o bando rival, liderado por Hermógenes. Embora Hermógenes por fim  morra, também morre Diadorim, e Riobaldo fica destruído. Entretanto, nas dez páginas finais [sumários adiante], ao os homens de Riobaldo lavarem o corpo de Diadorim para o sepultamento, o grande segredo de Diadorim é finalmente revelado: Diadorim era mulher. Entretanto, essa “revelação” não consegue desfazer a relação altamente homoerotizada entre Diadorim e Riobaldo ao longo das 600 páginas precedentes do livro, e o fato de Diadorim ter-se vestido de homem para entrar no mundo dos jagunços só fomentou a mudança do entendimento tradicional dos sexos à época (anos 1950), quando tais ideias e narrativas eram chocantes.
“Genius” is a word that is often carelessly thrown about; however, Grande Sertão: Veredas is one of those works where the term is entirely apt narratively, linguistically, and structurally, and the book made Guimarães Rosa a renowned and celebrated figure in Brazil specifically and the Lusophone world more generally. Indeed, Brazil even created a national park in the region where the book is thought to have perhaps fictionally taken place. In the wake of its critical success, Guimarães Rosa was unanimously elected to the Brazilian Academy of Letters in 1963, one year after another collection of short stories, Primeiras estórias, was released, although he did not personally accept the position until 1967, the same year Noites do sertão, another collection of two novellas, was released. In his acceptance speech into the Academy, he commented that “a person dies to prove that he lived;” three days later, on 19 November 1967, Guimarães Rosa himself suddenly passed away from a heart attack at the age of 59.
“Gênio” é palavra amiúde usada sem cuidado; entretanto, Grande Sertão: Veredas é uma das obras em relação às quais o termo é inteiramente adequado narrativa, linguística e estruturalmente, e o livro tornou Guimarães Rosa figura renomada e celebrada no Brasil especificamente e no mundo lusófono mais geralmente. Na verdade, o Brasil inclusive criou um parque nacional na região em que se acredita o livro tenha talvez ficcionalmente acontecido. Na esteira de seu sucesso de crítica, Guimarães Rosa foi unanimemente eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1963, um ano depois de outra coleção de contos, Primeiras estórias, ter sido lançada, embora ele só tenha aceito pessoalmente a posição em 1967, o mesmo ano em que Noites do sertão, outra coleção de duas narrativas, foi lançada. Em seu discurso de aceitação na Academia ele comentou que “uma pessoa morre para provar que viveu;” três dias depois, em 19 de novembro de 1967, Guimarães Rosa ele próprio morreu subitamente de ataque cardíaco com a idade de 59 anos.
In one way, that Guimarães Rosa died so young was a tragedy; yet the work he left behind is some of the most incredible fiction put to paper, in Portuguese or any other language, and the quality of that work dulls the loss somewhat. His inventiveness in multiple areas makes him one of those “should have won the Nobel Prize in Literature” figures, alongside Leo Tolstoy, Jorge Luis Borges, James Joyce, Marcel Proust, Philip Roth, and others (though it’s hard to see how his work could have been effectively translated for the prize). To this date, his work is among the most challenging and rewarding of all Portuguese writing. While many rightly celebrate the originality and style of Machado de Assis, Guimarães Rosa’s work is on par if not more remarkable than the man Susan Sontag called “the greatest writer ever produced in Latin America.” Opinions vary on matters like this, but to me, that title belongs and will likely always belong to Guimarães Rosa, not just for Grande Sertão, but for his other works as well.
Sob certo aspecto, Guimarães Rosa ter falecido tão jovem foi uma tragédia; contudo, a obra que deixou é uma das mais incríveis obras de ficção colocadas no papel, em português ou qualquer outra língua, e a qualidade dessa obra de certo modo suaviza a perda. A inventividade dele em múltiplas áreas torna-o uma dessas figuras que “deveriam ter ganho o Prêmio Nobel de Literatura” ao lado de Leo Tolstoy, Jorge Luis Borges, James Joyce, Marcel Proust, Philip Roth, e outros (embora seja difícil imaginar como sua obra poderia ter sido traduzida eficazmente para efeito do prêmio). Até hoje sua obra está entre as mais desafiadoras e gratificantes de todas as jamais escritas em português. Embora muitas pessoas com razão elogiem a originalidade e o estilo de Machado de Assis, a obra de Guimarães Rosa é tão ou mais notável do que a do homem que Susan Sontag chamou de “o maior escritor jamais surgido na América Latina.” Opiniões variam em assuntos desse tipo mas, para mim, esse título pertence e provavelmente sempre pertencerá a Guimarães Rosa, não apenas por causa de Grande Sertão, mas também de suas outras obras.
Photo - An enlarged copy of a page from the original manuscript of “Grande Sertão: Veredas.” An interactive exhibit on the book, including historical background and examples of the manuscript, toured Brazil from at least 2007 to 2008.
Foto - Cópia ampliada de página do manuscrito original de “Grande Sertão: Veredas.” Exposição interativa do livro, incluindo o plano de fundo histórico e amostras do manuscrito, viajou pelo Brasil pelo menos de 2007 a 2008.


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