Sunday, August 12, 2012

Americas South and North - August 11, 1937: Brazil's National Student Union (UNE) Is Formed

ENGLISH
PORTUGUÊS
Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic
Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico
On This Date in Latin America – August 11, 1937: Brazil’s National Student Union (UNE) Is Formed
Nesta Data na América Latina – 11 de agosto de 1937: Criada a União Nacional dos Estudantes (UNE)
August 11, 2012
11 de agosto de 2012
Seventy-five years ago today, Brazil’s União Nacional dos Estudantes (National Students’ Union, UNE) officially began in the city of Rio de Janeiro, then Brazil’s capital.
Há setenta e cinco anos começou oficialmente, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, a União Nacional dos Estudantes (National Students’ Union, UNE).
Picture - The symbol for Brazil’s National Students Union (União Nacional dos Estudantes – UNE), a major voice for political, economic, and social change in Brazil for 75 years.
Símbolo - O símbolo da União Nacional dos Estudantes - UNE, há 75 anos voz importante por mudança política, econômica e social no Brasil.
Brazilian students had been active in politics since before the country had become independent; in the late 1780s, a Brazilian student who studied in Portugal traveled to Paris, where he approached Thomas Jefferson, seeking the Declaration of Independence’s author’s support for a planned independence movement in Brazil (Jefferson allegedly declined, and the movement would fail). Throughout the 1800s, law students played key roles in shifts in national politics and were a not-insignificant part of the push for abolition of slavery in the late-1800s (slavery was finally abolished in 1888). In 1901, the grandfather of UNE, the Federação dos Estudantes Brasileiros (Federation of Brazilian Students) formed, but it soon faded away. Again in 1910, students even met in the First National Congress with the hopes of creating a broader movement representing students, but nothing came of the meeting. In 1937, a small group of university students gathered at the newly-created Brazilian Student House in Rio de Janeiro to create a national organization that represented their interests. The meeting had the blessings of Minister of Education Gustavo Capanema, who inaugurated the meeting. One year later, with nearly 80 universities, colleges, and high schools attending the organization’s Second Congress (though it was the first, they named it the second in a nod to the failed 1910 Congress), students settled on the name União Nacional dos Estudantes, and Brazil’s student organization was born.
Os estudantes brasileiros foram ativos em política desde quando o país se tornou independente; ao final dos anos 1780, estudante brasileiro que estudava em Portugal viajou a Paris onde acercou-se de Thomas Jefferson, buscando apoio do autor da Declaração da Independência para movimento planejado de independência do Brasil (Jefferson teria declinado, e o movimento fracassaria). Durante os anos 1800, estudantes de Direito desempenharam papel fundamental em mudanças na política nacional e foram parte não insignificante do empuxo pela abolição da escravatura no final dos anos 1800 (a escravidão foi finalmente abolida em 1888). Em 1901, avó da UNE, a Federação dos Estudantes Brasileiros (Federation of Brazilian Students) foi criada, mas logo se desapareceu. Em nova tentativa em 1910, os estudantes se reuniram no Primeiro Congresso Nacional na esperança de criar um movimento mais amplo representando os estudantes, mas nada surgiu do encontro. Em 1937, pequeno grupo de estudantes universitários reuniu-se na recém-criada Casa do Estudante Brasileiro para criar uma organização nacional que representasse seus interesses. A reunião teve as bênçãos do Ministro da Educação Gustavo Capanema, que fez a abertura do encontro. Um ano depois, com cerca de 80 universidades, faculdades e colégios presentes ao Segundo Congresso da organização (embora fosse o primeiro, deram-lhe o nome de segundo como vênia ao fracassado Congresso de 1910), os estudantes entraram em acordo quanto ao nome União Nacional dos Estudantes, e a organização estudantil do Brasil nasceu.
UNE itself immediately revealed a clear concern with a variety of issues confronting not just students, but Brazilians more generally. In the early 1940s, students played a central role in demonstrating in favor of the Allied forces in World War II, ultimately helping to push Getúlio Vargas into joining the Allies over the Axis Powers in World War II and even sending the Brazilian Expeditionary Force to fight in Italy, making Brazil the only South American country to have troops fight in World War II. As the war wound down, students again took to the streets, this time demanding Vargas, who had governed for 15 years as president/dictator, step down, arguing that if Brazil was going to send troops to die in the name of liberty and democracy in Europe, it was time Brazil returned to democracy. Part of a growing democratic movement, students again played no small part in pressuring the government, and Vargas stepped down in 1945.
A UNE ela própria imediatamente revelou clara preocupação com diversas questões enfrentadas não apenas pelos estudantes, mas pelos brasileiros mais geralmente. No início dos anos 1940, os estudantes desempenharam papel central manifestando-se a favor das forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial, ajudando, assim, a pressionar Getúlio Vargas a juntar-se aos Aliados em vez de às Potências do Eixo na Segunda Guerra Mundial e a até mandar a Força Expedicionária Basileira para lutar na Itália, tornando o Brasil o único país sul-americano a ter tropas combatendo na Segunda Guerra Mundial. Ao a guerra arrefecer, os estudantes de novo saíram às ruas, desta vez exigindo que Vargas, que havia governado por 15 anos como presidente/ditador, deixasse o poder, pois argumentaram que se o Brasil mandava tropas para morrer em nome da liberdade e da democracia na Europa, era hora de o país voltar à democracia. Parte de crescente movimento democrático, os estudantes de novo desempenharam papel não pequeno em pressionar o governo, e Vargas foi deposto em 1945.
Vargas’s removal and the end of World War II did not bring an end to student mobilization, however. In the late-1940s, UNE led a large protest against an increase in bus prices, arguing such hikes would hurt students who were dependent on public transportation to attend high school and college; in response, the government sent police to invade UNE’s headquarters, marking the first (but far from the last) time that the government dispatched police against the movement. Although conservative students made up UNE’s leadership from 1950-1956, that did not stop the movement from pushing for the nationalization of oil production in the “O Petróleo É Nosso!” (“The Oil Is Ours!”) campaign that ultimately led to the creation of Petrobras, Brazil’s state-run oil company that still operates today.
A deposição de Vargas e o fim da Segunda Guerra Mundial não levaram, porém, ao fim da mobilização estudantil. No final dos anos 1940, a UNE liderou vasto protesto contra aumento das passagens de ônibus, argumentando que tais aumentos prejudicariam estudantes dependentes de transporte público para frequentarem o secundário e a faculdade; o governo, reagindo, mandou a polícia invadir a sede da UNE, o que marcou a primeira vez (mas não a última) em que o governo despachou a polícia contra o movimento. Embora estudantes conservadores tenham exercido a liderança da UNE no período 1950-1956, isso não impediu o movimento de pressionar pela nacionalização da produção de petróleo na campanha “O Petróleo É Nosso!” (“The Oil Is Ours!”) que por fim levou à crição da Petrobrás, companhia estatal de petróleo do Brasil que ainda funciona hoje.
In 1957, progressive students returned to UNE’s leadership, marking a broader shift in the politics and actions of UNE. That year, for the first time in the organization’s history, it began to push for the issue of university reform, demanding changes to Brazil’s young university system and poor infrastructure (unlike Spanish America countries, who had universities as early as the 1550s, the first official university to survive in Brazil, the University of Rio de Janeiro (later the University of Brazil and then, today, the Federal University of Rio de Janeiro) was not created until 1920, and even then, it was merely the formal joining of the already-extant law, medical, and engineering colleges in the city. By the late-1950s and early-1960s, within the context of Cold War politics, UNE leadership was taking an increasingly anti-imperialist stance, with protests against John Foster Dulles’ visit to Brazil in 1958.
Em 1957, estudantes progressistas voltaram à liderança, provocando mudança mais ampla na política e nas ações da UNE. Naquele ano, pela primeira vez na história da organização, ela começou a pressionar na questão da reforma universitária, demandando mudanças no jovem sistema universitário do Brasil e em sua deficiente infraestrutura (diferentemente dos países da América Espanhola, que tinham universidades desde tão cedo quanto 1550, a primeira universidade oficial a sobreviver no Brasil, a Universidade do Rio de Janeiro (mais tarde Universidade do Brasil e, hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro) só foi criada em 1920, e mesmo então era apenas a junção formal das já então existentes faculdades de direito, medicina e engenharia da cidade. Ao final dos anos 1950 e início dos anos 1960, dentro do contexto da política da Guerra Fria, a liderança da UNE foi tomando posição crescentemente anti-imperialista, com protestos contra a visita de John Foster Dulles ao Brasil em 1958.
Photo - UNE’s headquarters in Rio de Janeiro, draped in black and with a clear message for US Secretary of State John Foster Dulles, who visited Brazil in 1958. [Found in Maria Paula Nascimento Araujo's "Memórias Estudantis: Da Fundação da UNE aos Nossos Dias."
[Please check reference to Google Books on the author's post]
Sede da UNE no Rio de Janeiro, drapejada em preto com clara mensagem para o Secretário de Estado dos Estados Unidos John Foster Dulles, que visitou o Brasil em 1958. [Encontrada no livro de Maria Paula Nascimento Araújo "Memórias Estudantis: Da Fundação da UNE aos Nossos Dias." [Por favor confira referência ao Google Books na postagem do autor]
By the early-1960s, students were increasingly pushing for social reforms in Brazil. UNE created “Centers of Popular Culture,” in which students would go around the country performing plays, skits, songs, and giving speeches to the rural poor and to urban workers in a paternalist attempt to educate and mobilize Brazil’s lower classes. Student members of UNE throughout the country also increasingly went on strike in this period, demanding a broader role in university administration, greater access to education for Brazil’s population, and protesting against US involvement in the region, principally through the Alliance for Progress. When President Jânio Quadros resigned in 1961, student mobilization helped Vice President João Goulart assume office, against the military’s wishes. While students found themselves frustrated with Goulart’s hesitancy to shift further left, they still supported him. Indeed, at Goulart’s massive rally in Rio de Janeiro in March 1964, UNE president José Serra spoke before a crowd of roughly 150,000 people before Goulart took the stage.
No início dos anos 1960, os estudantes pressionaram cada vez mais por reformas sociais no Brasil. A UNE criou “Centros de Cultura Popular,” nos quais estudantes percorriam o país apresentando peças de teatro, pequenas peças cômicas e canções, e davam palestras para os pobres rurais e trabalhadores urbanos numa tentativa paternalista de instruir e mobilizar as classes mais humildes do Brasil. Estudantes membros da UNE em todo o país também cada vez mais entravam em greve nesse período, demandando papel mais amplo na administração da universidade e maior acesso à educação por parte da população brasileira, e protestavam contra o envolvimento dos Estados Unidos na região, principalmente por meio da Aliança para o Progresso. Quando o Presidente Jânio Quadros renunciou em 1961, a mobilização estudantil ajudou o Vice-Presidente João Goulart a assumir o cargo, contra o desejo dos militares. Embora os estudantes se flagrassem frustrados com a hesitação de Goulart em mover-se mais para a esquerda, ainda assim o apoiaram. Na verdade, no grande comício de Goulart no Rio de Janeiro em março de 1964, o presidente da UNE José Serra falou perante uma multidão de aproximadamente 150.000 pessoas antes de Goulart subir ao palanque.
Photo - João Goulart, in a lighter moment while speaking to over 150,000 Brazilians in Rio de Janeiro in a speech where he demanded land reform, electoral reform, and other constitutional reforms.
Foto - João Goulart, num momento mais descontraído, falando a mais de 150.000 brasileiros no Rio de Janeiro num discurso no qual demandava reforma agrária, reforma eleitoral e outras reformas constitucionais.
Less than three weeks after the March 13 rally, Brazil’s military rose up in a coup, overthrowing Goulart and establishing a dictatorship that would last 21 years. While students had been supportive of Goulart during his presidency, they failed to rally to his defense with the coup, save for a handful of students who armed themselves and were quickly arrested or sent home without further action. Additionally, in the wake of the coup, conservative civilians gathered at UNE’s headquarters in Rio de Janeiro, burning it down.
Menos de três semanas depois do comício de 13 de março, os militares brasileiros deram golpe, depondo Goulart e estabelecendo ditadura que duraria 21 anos. Embora os estudantes tivessem apoiado Goulart durante sua presidência, não se agruparam em defesa dele no golpe, exceto uns poucos estudantes que se armaram e foram rapidamente presos ou mandados para casa sem ação posterior. Além disso, na esteira do golpe, civis conservadores reuniram-se na sede da UNE no Rio de Janeiro, incendiando-a.
Photo - Civilians standing around as they burn down the UNE headquarters at 132 Praia do Flamengo, Rio de Janeiro, in April 1964.
Foto - Civis parados enquanto incendeiam a sede da UNE na Praia do Flamengo 132, Rio de Janeiro, em abril de 1964.
The loss of their building and the failure of students to rise up and defend the constitutional president led to a crisis of identity in UNE. Many were left wondering why the support for a president that more closely represented UNE’s platforms had failed to materialize. Additionally, many of those tied to UNE were forced into hiding or went into exile. In spite of the military government’s efforts to reduce UNE’s power, by late-1965, a new generation of leaders had emerged that successfully tied the leadership’s and the student masses’ interests together. By the following year, students were taking to the streets demanding both university reform for an increasingly-inadeuqate system of higher education and an end to the military regime. These protests continued to increase in size around the country in 1967 and 1968, even while the military increased its repression and use of police violence to suppress student voices. In March of 1968, one confrontation resulted in the police shooting Edson Luís de Lima Souto, a poor high school student who worked at a student restaurant. With Edson Luís’s death, UNE had a martyr, and by June 1968, 100,000 people, including not just students, but parents, opposition politicians, and artists like Gilberto Gil and Caetano Veloso, were taking to the streets to protest against the military regime.
A perda de seu prédio e o fracasso dos estudantes em se levantarem e defenderem o presidente constitucional levaram a uma crise de identidade na UNE. Muitos ficaram cogitando por que o apoio a um presidente que mais proximamente representara as plataformas da UNE havia deixado de materializar-se. Além disso, muitos dos vinculados à UNE foram forçados a esconder-se ou a ir para o exílio. A despeito dos esforços do governo militar para reduzir o poder da UNE, no final de 1965 uma nova geração de líderes havia surgido, a qual com sucesso costurou juntos os interesses da liderança e das massas de estudantes. No ano seguinte, os estudantes tomaram as ruas demandando tanto reforma universitária do sistema de educação superior cada vez mais inadequado quanto fim do regime militar. Esses protestos continuaram a aumentar em tamanho pelo país em 1967 e 1968, mesmo enquanto os militares aumentavam sua repressão e uso de violência policial para abafar as vozes dos estudantes. Em março de 1968 um confronto resultou em a polícia disparar contra Edson Luís de Lima Souto, estudante colegial pobre que trabalhava num restaurante de estudantes. Com a morte de Edson Luís, a UNE tinha um mártir e, em junho de 1968, 100.000 pessoas, incluindo não apenas estudantes mas pais, políticos de oposição e artistas como Gilberto Gil e Caetano Veloso, tomaram as ruas para protestar contra o regime militar.
Photo - As student protests grew and intensified in Brazil in 1966-1968, so did police violence.
Foto - À medida que os protestos de estudantes aumentavam e intensificavam-se no Brasil, o mesmo acontecia com a violência da polícia.
Photo - Students standing over the body of high school student Edson Luís de Lima Souto, who police shot during student protests. Among the signs are two that read “This is a Putrid Democracy” (top left) and “Here Lies the Body of a Student, Murdered by the Dictatorship” (on Edson Luís’s body).
Foto - Estudantes velando o corpo do estudante de colégio Edson Luís de Lima Souto, que a polícia atingiu durante protestos estudantis. Entre os cartazes há dois onde se lê “Eis a Democracia Podre” (alto à esquerda) e “Aqui Está o Corpo de um Estudante Morto pela Ditadura” (sobre o corpo de Edson Luís).
Photo - In the wake of Edson Luís’s death, protests against the dictatorship throughout Brazil brought together hundreds of thousands, including the March of the 100,000 in Rio de Janeiro (above), up to that point Brazil’s largest political protest ever. The banner reads “Down with the Dictatorship.”
Foto - Na esteira da morte de Edson Luís, protestos contra a ditadura em todo o Brasil agruparam centenas de milhares de pessoas, inclusive na Marcha dos 100.000 no Rio de Janeiro (acima), até então o maior protesto político acontecido no Brasil. Na faixa lê-se: “Abaixo a Ditadura.”
In this context, the hardliners within the regime decided to act. In October, they arrested more than 900 UNE members at the organization’s congress in São Paulo. By December, the hardliners within the dictatorship had won out over the moderates, and they issued Institutional Act Number 5, ushering in Brazil’s most repressive phase. The regime cracked down fiercely on all political opposition movements, with UNE and student activists a particular target. By 1970s, many student leaders had gone underground, joined guerrilla movements, or fled into exile; those who were caught, including future-president Dilma Rousseff, were brutally tortured, with some dying during torture. By the early-1970s, UNE’s last president, Honestino Guimarães, was “disappeared” (his fate and the location of his remains are unknown even today), and UNE was virtually extinct.
Nesse contexto, os da linha dura dentro do regime resolveram agir. Em outubro, prenderam mais de 900 membros da UNE no congresso da organização em São Paulo. Em dezembro, os da linha dura dentro da ditadura haviam sobrepujado os moderados, e baixaram o Ato Institucional Número 5, dando início à fase mais repressora do Brasil. O regime reprimiu ferozmente todos os movimentos de oposição política, com UNE e ativistas estudantis como alvo particular. Em 1970, muitos líderes estudantis haviam entrado na clandestinidade, ou se juntado a movimentos de guerrilha, ou ido para o exílio; os que foram apanhados, inclusiva a futura presidenta Dilma Rousseff, foram brutalmente torturados, tendo alguns morrido durante a tortura. No início dos anos 1970, o último presidente da UNE, Honestino Guimarães, foi “desaparecido” (o que aconteceu a ele e o local de seus restos mortais são desconhecidos até hoje), e a UNE foi praticamente extinta.
However, students continued to find ways to organize in the new repressive context throughout the 1970s, and by the end of the decade, with the moderates’ return to power in the military regime, political openings were on the rise. By 1979, students tested this opening by holding a (still-illegal) meeting in which UNE was re-established. Although the dictatorship continued to officially consider the movement illegal, it did little to repress it. Throughout the early-1980s, students were part of a growing chorus of voices, including university professors, white-collar professionals, workers, and new political parties like the Partido dos Trabalhadores (Workers Party, PT) of union leader (and future president) Luís Inácio “Lula” da Silva, demanding a return to democracy amidst an increasingly tumultuous economy. Although the “Diretas Já!” (“Direct Elections Now!”) movement fell short, Brazil still returned to a democratic government in 1985; throughout the 21 years of military rule, it was UNE and the students it represented that was the most consistent voice of opposition to military rule, and students were a vital part of the return to democracy.
Entretanto, os estudantes continuaram a encontrar maneiras de organizar-se no novo contexto de repressão ao longo dos anos 1970 e, ao final da década, com o retorno dos moderados ao poder no regime militar, aberturas políticas estavam em ascensão. Em 1979 os estudantes testaram a abertura ao promoverem uma reunião (ainda legal) na qual a UNE foi restabelecida. Embora a ditadura continuasse oficialmente a considerar o movimento ilegal, pouco fez para reprimi-lo. Durante os primeiros anos da década de 1980, os estudantes foram parte de crescente coro de vozes, inclusive professores universitários, profissionais de colarinho branco, trabalhadores e novos partidos políticos como o Partido dos Trabalhadores (Workers Party, PT) do líder sindical (e futuro presidente) Luís Inácio “Lula” da Silva, demandando retorno à democracia em meio a economia crescentemente tumultuosa. Embora o movimento “Diretas Já!” (“Eleições Diretas Agora!”) tenha ficado aquém do desejado, ainda assim o Brasil retornou a governo democrático em 1985; ao longo dos 21 anos de regime militar, a UNE e os estudantes que ela representava foram a mais consistente voz de oposição ao governo militar, e os estudantes foram parte vital do retorno à democracia.
With the end of military rule, the tenor of student mobilization changed, but the movement itself did not disappear. As Brazil prepared a new constitution to replace the military’s 1967 constitution, students heavily lobbied for at least 10% of the national budget to be dedicated to education, and the politicians writing the constitution, aware of students’ importance in the 1960s, 1970s, and 1980s, ultimately agreed. When a corruption scandal engulfed Brazil’s first popularly-elected president, Fernando Collor, in the early-1990s, UNE again at the forefront of protests, as the “Caras Pintadas” (“Painted Faces”) movement took to the streets and rallied in front of Brazil’s Congress, demanding impeachment. As the scandal worsened, many Brazilians agreed with the students, and Collor was forced to step down and was stripped of political rights for 15 years (he returned to the Senate in 2008).
Com o fim do governo militar, o tom da mobilização estudantil mudou, mas o movimento ele próprio não desapareceu. Ao o Brasil elaborar uma nova constituição para substituir a constituição da instituição militar de 1967, os estudantes fizeram lobby intenso para que pelo menos 10% do orçamento nacional fosse destinado à educação, e os políticos que escreveram a constituição, cientes da importância dos estudantes nos anos 1960, 1970 e 1980, por fim concordaram. Quando um escândalo de corrupção engolfou o primeiro presidente eleito pelo povo, Fernando Collor, ao início dos anos 1990, a UNE de novo ficou à frente dos protestos, com o movimento dos “Caras Pintadas” (“Painted Faces”) tomando as ruas e reunindo-se na frente do Congresso do Brasil, demandando impeachment. Com o escândalo piorando, muitos brasileiros concordaram com os estudantes, e Collor foi forçado a deixar o cargo e teve cassados seus direitos políticos por 15 anos (ele voltou ao Senado em 2008).
Photo - The “Caras-Pintadas” movement revealed student mobilization outlived the dictatorship. Here, students with their faces painted demand “Fora Collor!” (“Out with Collor!”) as President Fernando Collor was caught in a corruption scandal that led to outrage, protest, and eventually, Collor’s resignation from office in 1992.
Foto - O movimento dos “Caras-Pintadas” revelou que a mobilização dos estudantes sobreviveu à ditadura. Aqui, estudantes com o rosto pintado exigem  “Fora Collor!” (“Out with Collor!”) ao o Presidente Fernando Collor ser apanhado num escândalo de corrupção que levou a indignação, protesto, e finalmente à renúncia de Collor ao cargo em 1992.
In the 2000s, UNE has continued to mobilize even while it struggles with its identity. Many former UNE members, especially those from the 1960s, are critical of the organization for not being “involved” enough, though certainly UNE is not contending with a right-wing military regime the way those 1960s leaders were. UNE has continued to demand educational reforms, opposing President Fernando Henrique Cardoso’s (ultimately failed) efforts to privatize higher education in the 1990s. More recently, they have protested against increases in public transportation fees (a recurring problem that has led to protests throughout the organization’s history), been involved in Brazil’s own “Occupy” movement, and pushed for greater access to higher education for all Brazilians, demands that sound familiar only because the issues continue to be relevant to Brazil today. Additionally, they’ve been engaged not only in social change, but in addressing their own history, creating a memory project to trace Brazilian student activism and to contextualize the present and future of UNE in its past, a past that began 75 years ago today.
Nos anos 2000 a UNE continuou a mobilizar-se, embora lutando com sua identidade. Muitos antigos membros da UNE, especialmente aqueles dos anos 1960, criticam a organização por não estar suficientemente “envolvida,” embora certamente a UNE não esteja contendendo com um regime militar de direita do modo como o faziam aqueles líderes dos anos 1960. A UNE continuou a exigir reformas educacionais, opondo-se aos esforços do Presidente Fernando Henrique Cardoso’s (por fim fracassados) de privatizar a educação superior nos anos 1990. Mais recentemente, protestou contra aumento das passagens de transporte público (problema recorrente que levou a protestos no curso da história da organização), envolveu-se no movimento “Occupy” do Brasil, e pressionou por maior acesso de todos os brasileiros à educação superior, demandas que soam famiiares só porque essas questões continuam a ser relevantes para o Brasil hoje. Além disso, tem-se envolvido não apenas em mudança social, mas em tratar de sua própria história, criando um projeto de memória para rastrear o ativismo estudantil e contextualizar o presente e o futuro da UNE em seu passado, passado que começou no dia de hoje, há 75 anos.
This is part of an ongoing series on important dates in Latin American history. Previous posts have included the Battle of Puebla (Cinco de Mayo), the El Mozote Massacre, and Haitian Independence, among others.
Este texto é parte de série em andamento de datas importantes na história latino-americana. Textos anteriores incluíram a Batalha de Puebla (Cinco de Mayo), o Massacre de El Mozote, e Independência do Haiti, entre outros.

No comments:

Post a Comment