Thursday, July 26, 2012

C4SS - Roderick T. Long - Invisible Hands and Incantations: Mystification of State Power

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PORTUGUESE
Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
building awareness of the market anarchist alternative
na construção da consciência da alternativa anarquista de mercado
Roderick T. Long – Invisible Hands and Incantations: The Mystification of State Power
Roderick T. Long – Mãos Invisíveis e Sortilégios: A Mistificação do Poder do Estado
Posted by Roderick Long on Jul 20, 2012 in Mutual Exchange
Afixado por Roderick Long em 20 de julho de 2012 em Intercâmbio
Mutual Exchange is the Center’s goal in two senses — we favor a society rooted in peaceful, voluntary cooperation, and we seek to foster understanding through ongoing dialogue.
Intercâmbio é o objetivo do Centro em dois sentidos — somos a favor de uma sociedade baseada em cooperação pacífica voluntária e buscamos promover o entendimento por meio de diálogo permanente.
Mutual Exchange will provide opportunities for conversation about issues that matter to the Center’s various publics. A lead essay, deliberately provocative, will be followed by responses from inside and outside of C4SS. Contributions and comments from readers are enthusiastically encouraged.
Intercâmbio proporciona oportunidades para intercâmbio de ideias acerca de questões importantes para os diversos públicos do Centro. Um ensaio importante, deliberadamente provocativo, será seguido de respostas de pessoas de dentro e de fora do C4SS. Contribuições e comentários de leitores são entusiasticamente estimulados.
The following Mutual Exchange began as a Molinari Society Symposium on Spontaneous Order scheduled for the December 2010 meeting of the Eastern Division of the American Philosophical Association in Boston; when that was snowed out, the venue was shifted, by the kind invitation of the Ludwig von Mises Institute, to the March 2011 Austrian Scholars Conference in Auburn, Alabama.
O Intercâmbio a seguir começou como Simpósio da Sociedade Molinari acerca de Ordem Espontânea programado para o encontro de dezembro de 2012 da Divisão Leste da Associação Filosófica Estadunidense em Boston; quando o evento foi cancelado por causa da neve, o local foi mudado, por amável convite do Instituto Ludwig von Mises, para a Conferência de Acadêmicos Austríacos de março de 2011 em Auburn, Alabama.
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When invisible-hand or spontaneous-order mechanisms are invoked in libertarian social theory, it is customarily as a benign alternative to state power. Yet there are reasons for thinking that state power itself likewise depends for its maintenance on spontaneous-order mechanisms.
Quando, na teoria social libertária, são invocados mecanismos de mão invisível ou ordem espontânea, eles são apresentados, costumeiramente, como uma alternativa benigna ao poder do estado. No entanto, há motivos para acreditar que o próprio poder do estado igualmente depende, para sua manutenção, de mecanismos de ordem espontânea.
On the one hand, as we have learned from Hayek, there are informational constraints on the ability to organize any complex system through conscious control alone; and while the state’s greater reliance on constructivist rationalism may explain its comparative inefficiency, if this reliance were total we would expect the state to be even less efficient than it is.
De um lado, como já aprendemos de Hayek, há restrições informacionais à capacidade de organizar qualquer sistema complexo por meio de controle consciente apenas; e embora a dependência maior do estado do racionalismo construtivista possa explicar sua ineficiência relativa, se essa dependência fosse total haveria motivo para esperar que o estado fosse ainda mais ineficiente do que é.
On the other hand, as we have learned from La Boétie and Hume, state power does not and cannot maintain itself by force alone; as rulers are typically outnumbered by those whom they rule, states of any kind — democratic or otherwise — can maintain their claim to authority only so long as most of their subjects continue to act in ways that reinforce that claim.1 Hence while all states do in fact make threats of violence against their subjects (as is entailed by their status as territorial monopolists of the use and/or authorisation of force), the survival of the state system requires inducing acquiescence in the subject populace by means other than such threats alone.
Por outro lado, como já aprendemos de La Boétie and Hume, o poder do estado não se mantém e não pode manter-se apenas pela força; como os governantes são tipicamente superados em número por aqueles a quem governam, os estados de todo tipo — democráticos ou não — só podem manter sua reivindicação de autoridade na medida em que a maioria de seus súditos continue a agir de maneiras que reforcem essa reivindicação.1 Assim sendo, embora todos os estados com efeito façam ameaça de violência contra seus súditos (como isso é implicado por sua condição de monopolistas territoriais de uso e/ou autorização da força), a sobrevivência do estado requer a indução de aquiescência por parte da população a ele subordinada por meios outros que apenas tais ameaças.
Now as we shall see, the force/nonforce distinction does not by any means line up neatly with the distinction between constructed and spontaneous orders; so the state system’s reliance on nonviolent means of self-maintenance does not per se entail a reliance on invisible-hand mechanisms. And indeed the state stratagems to which La Boétie himself points — mainly patronage and ideological propaganda — aren’t obviously cases of spontaneous order. Nevertheless, the state’s dependence on nonviolent means makes the potential role of invisible-hand mechanisms more salient.
Ora bem, como veremos, a distinção força/não força de modo nenhum se alinha claramente com a distinção entre ordens construídas e espontâneas; assim pois a dependência do estado de meios não violentos de manter-se a si próprio não implica, de per si, dependência de mecanismos de mão invisível. E na verdade os estratagemas do estado para os quais aponta o próprio La Boétie — principalmente patronagem e propaganda ideológica — não são, obviamente, casos de ordem espontânea. Todavia, a dependência do estado de meios não violentos torna mais saliente o papel dos mecanismos de mão invisível.
The inadequacy of violent means for the state’s maintenance might be doubted, of course. After all, while La Boétie blithely tells us “resolve to serve no more, and you are at once freed,” this advice might seem to run up against a collective action problem: if only a few individuals withdraw their support while most of their fellow subjects maintain their compliance, the force of the state will ordinarily be quite sufficient to bring them in line. It might thus seem as though the state could compel all by force, simply by compelling each. While this mode of state maintenance would arguably count as an invisible-hand mechanism, it would hardly be a nonviolent one. But the effectiveness of collective action problems by themselves in preventing mass disobedience is probably overstated; when the public mood is strong enough, collective-action constraints seem to melt away, as for example with mass resistance to the Ceauşescu regime in Romania in 1989. When oppression does not lead to mass resistance, then, that is when some additional explanatory factor is called for.
O caráter inadequado dos meios violentos para a manutenção do estado poderia ser objeto de dúvida, obviamente. Afinal de contas, embora La Boétie displicentemente nos diga: “decida não mais servir, e você imediatamente estará emancipado,” esse conselho pareceria colidir com um problema de ação coletiva: se apenas uns poucos indivíduos suprimirem seu apoio enquanto a maioria de seus companheiros vassalos mantiver sua conformidade, a força do estado normalmente será bastante suficiente para colocar aqueles primeiros na linha. Poderia parecer pois o estado poder compelir a todos pela força, simplesmente mediante compelir a cada um. Embora esse modo de manutenção do estado pudesse defensavelmente ser visto como mecanismo de mão invisível, dificilmente consistiria num mecanismo não violento. Entretanto a efetividade dos problemas de ação coletiva neles próprios no tocante a inviabilizarem a desobediência em massa é provavelmente exagerada; quando a disposição do público é forte o bastante, as limitações à ação coletiva parecem evaporar-se, como por exemplo na resistência maciça ao regime Ceauşescu na Romênia em 1989. Quando a opressão não leva a resistência generalizada, pois, é que se torna necessário algum fator explanatório adicional.
I propose to make some suggestions about the role of invisible-hand mechanisms in the means by which the state system maintains itself — both the state system in general, and the specific form of state system that prevails in most industrialised nations.
Proponho-me fazer algumas sugestões acerca do papel dos mecanismos de mão invisível nos meios pelos quais o sistema de estado se mantém — tanto o sistema de estado em geral, quanto a forma específica de sistema de estado que prevalece nas nações mais industrializadas.
Let’s begin with the latter. I take the following two propositions to be fairly well established by the economic, historical, and sociological research of the past half-century or so:2
Comecemos pela última. Considero as seguintes duas proposições como razoavelmente bem estabelecidas pela pesquisa econômica, histórica e sociológica do meio século passado ou em torno disso:2
1. The form of state system that prevails, and historically has prevailed, in most industrialised nations is corporatism, understood here as a partnership between big government and big business. (When government and private business stand in such a relation of mutual support, I take private business to be part of the state system even if it is not literally part of the state.)
1. A forma de sistema de estado que prevalece, e historicamente tem prevalecido, na maior parte das nações industrializadas é o corporatismo, aqui entendido como parceria entre o governo hipertrofiado e as grandes empresas. (Quando o governo e as empresas privadas apresentam-se em tal relação de apoio mútuo, considero as empresas privadas como parte do sistema de estado mesmo que não sejam literalmente parte do estado.)
2. Most government policies and successful political movements, even if marketed and widely interpreted as anti-big-business (e.g. the Progressive Movement, the New Deal, the Wagner Act, the Great Society, the current Democratic administration, and most policies labeled “regulation” or “taxation”) or as anti-big-government (e.g. the Reagan Revolution, the Thatcher Revolution, the 1994 Republican Revolution, the most recent Republican administration, and most policies labeled “deregulation” or “privatisation”) serve to advance the interests and power of both big government and big business at the expense of ordinary people, and are, in the main, demonstrably selected for that reason.
2. Na maior parte, políticas do governo e movimentos políticos bem-sucedidos, mesmo quando alardeados e amplamente interpretados como contrários às grandes empresas (por exemplo o Movimento Progressista, o Novo Pacto, a Lei Wagner, a Grande Sociedade, a atual administração Democrata, e a maior parte das políticas rotuladas de “regulamentação” ou “tributação”) ou como contrários ao governo hipertrofiado (por exemplo a Revolução de Reagan, a Revolução de Thatcher, a Revolução Republicana de 1994, a mais recente administração Republicana, e a maioria das políticas rotuladas de “desregulamentação” ou “privatização”) servem para promover os interesses e o poder de ambos, do governo hipertrofiado e das grandes empresas, a expensas das pessoas comuns e são, geralmente, demonstravelmente selecionados por esse motivo.
For example, supposedly progressive “regulation” typically creates hoops that are easier for large established firms to jump through than for smaller or newer firms (or less affluent individuals or cooperatives) to do so, thus consolidating the position of the corporate elite — and enabling their firms to grow inefficiently large and hierarchical — by insulating them from competition; likewise, supposedly free-market “deregulation” typically involves removing legal constraints on corporate recipients of government privileges and subsidies, thus magnifying the effect of such privileges and subsidies.
Por exemplo, “regulamentação” pretensamente progressista tipicamente cria aros através dos quais grandes empresas estabelecidas podem pular com maior facilidade do que firmas menores ou mais novas (ou indivíduos ou cooperativas menos afluentes), consolidando assim a posição da elite corporativa  — e permitindo que suas firmas se tornem ineficientemente grandes e hierárquicas  — mediante isolá-las da competição; analogamente, “desregulamentação” pretensamente de livre mercado envolve tipicamente a remoção de restrições legais a recebedores corporativos de privilégios e subsídios do governo, potencializando assim o efeito de tais privilégios e subsídios.
This is not to say that the perceived hostility between big government and big business is entirely illusory. As with church and monarchy in the Middle Ages, each side would prefer to be the dominant partner, and even policies that advance the power of both partners rarely do so in equal degree or on terms equally acceptable to both; hence it is only to be expected that there should be quite genuine squabbling over the spoils between the two sides (as well as within each side, since neither big government nor big business is monolithic). The recent debate in the u.s. over whether to raise taxes on the wealthiest 2% of the population is a case in point: while each side marketed its own position as one from which ordinary people would benefit (with conservatives insisting that money left in the hands of billionaires would eventually trickle down to the masses, and liberals insisting that money transferred to the swollen Leviathan state would eventually trickle down to the masses), the issue essentially concerned the distribution of resources (mostly the ill-gotten products of exploitation) between two wings of the ruling class. The popular perception that liberals favour a higher degree of government intervention than conservatives is no longer tenable; such disputes as exist concern only the beneficiaries of intervention, not the amount of it.
Isto não quer dizer que a hostilidade visível entre governo hipertrofiado e grandes empresas seja inteiramente ilusória. Como entre a igreja e a monarquia na Idade Média, cada lado gostaria de ser o parceiro dominante, e mesmo políticas que promovem o poder de ambos os parceiros raramente o fazem em grau idêntico ou em termos igualmente aceitáveis para ambos; portanto é de esperar que haja discussão enérgica bastante genuína, entre os dois lados, a propósito das pilhagens (bem como dentro de cada um dos lados, visto que nem o governo hipertrofiado nem as grandes empresas são monolíticos). O recente debate nos estados unidos acerca de se elevar os tributos incidentes sobre os 2% mais ricos da população é um caso ilustrativo: embora cada lado tenha divulgado sua própria posição como benéfica para as pessoas comuns (com os conservadores insistindo em que dinheiro deixado nas mãos dos milionários no final fluiria para as massas, e os liberais insistindo em que dinheiro transferido para o estado Leviatã inchado finalmente fluiria para as massas), a questão essencialmente dizia respeito à distribuição de recursos (em sua maioria os desonestamente amealhados produtos de exploração predatória) entre duas alas da classe dominante. A percepção popular de que os liberais são favoráveis a maior grau de intervenção do governo do que os conservadores não mais é defensável; as disputas entre eles, do modo como hoje existem, dizem respeito apenas aos beneficiários da intervenção, não à dimensão dela.
Although left-wing and right-wing political factions, to the extent that they achieve mainstream influence at all, tend to promote only slightly different versions of the same corporatist policies, they would hardly win much popular support if it were obvious that they were doing this. Hence left-corporatist policies, to succeed, must be marketed as protecting ordinary people against big business, while right-corporatist policies must be marketed as protecting ordinary people against big government; through a strategy I’ve elsewhere called “left cop, right cop,” those who find one face of the corporatist establishment unappealing are lured into supporting the other face.
Embora as facções políticas da esquerda e da direita, na medida em que porventura obtenham influência majoritária, tendam a promover versões apenas ligeiramente diferentes das mesmas políticas corporatistas, elas dificilmente obteriam muito apoio popular se ficasse óbvio estarem agindo assim. Portanto as políticas corporatistas de esquerda, para terem sucesso, têm de ser apresentadas como protegendo das grandes empresas as pessoas comuns, enquanto as políticas corporatistas de direita precisam ser apresentadas como protegendo do governo hipertrofiado as pessoas comuns; por meio de uma estratégia que alhures chamei de “policial da esquerda, policial da direita,” aqueles que acham não atraente uma face do establishment corporatista são levados a apoiar a outra face.
And this is precisely what we see. Take for example another recent debate in the u.s., that over health care. It was in the interest of both sides to present the choice of policy as one between an unregulated free market in healthcare and a governmental takeover of the healthcare industry, even though nothing like either of those options was on the table, and both sides in fact favoured some variant of government-corporate alliance in control of healthcare. This is not to say that the dispute was unreal; while the Democrats’ healthcare proposal advanced the interests of both big government and big business (for how could a law requiring everyone to buy insurance not be a boon to the insurance industry?), it shifted the balance of power slightly farther in the direction of statocracy than of plutocracy and so was unacceptable to the Republicans. (Note that while the individual mandate was far more of an affront to free-market principles than was the public option, it was against the public option, rather than against the individual mandate, that Republicans initially directed most of their attacks. Surely it is no coincidence that the individual mandate was a provision that specifically assists big business, while the public option would in effect have diluted that assistance.)
E é precisamente isso o que vemos. Tomemos  por exemplo outro recente debate nos estados unidos, o a propósito dos serviços de saúde. Era do interesse de ambos os lados apresentar a escolha de política como uma escolha entre livre mercado desregulamentado e um açambarcamento, pelo governo, da indústria de serviços de saúde, embora nada parecido com qualquer uma das duas opções estivesse em consideração, e ambos os lados, em realidade, favorecessem alguma variante da aliança governo-corporações controladora dos serviços de saúde. Isso não quer dizer que a disputa fosse irreal; embora a proposta de serviços de saúde dos Democratas promovesse os interesses tanto do governo hipertrofiado quanto das grandes empresas (pois como poderia uma lei exigindo que todo mundo pague seguro não ser benéfica para a indústria de seguros?), ela modificava ligeiramente a quantidade de poder em favor da estatocracia e em desfavor da plutocracia, e portanto era inaceitável para os Republicanos. (Notem que embora a estipulação individual [a determinação de obrigação de pagamento de plano de saúde pelas pessoas individuais, n.do t.] – constituísse afronta muito maior aos princípios de livre mercado do que a opção pública [órgão público de saúde competindo com empresas privadas, n.do t.], foi contra a opção pública, em vez de contra a estipulação individual, que os Republicanos inicialmente dirigiram a maior parte de seus ataques. Seguramente não é coincidência a estipulação individual ter sido uma estipulação que especificamente beneficia as grandes empresas, enquanto a opção pública teria na prática diluído tal benefício.)
If conservatives were genuine defenders of free-market healthcare, and if liberals were genuine champions of healthcare for the less affluent, one would expect to see them unite in repealing those laws that a) work to cartelise the medical industry (e.g., the licensure monopoly granted to the A.M.A.), thus artificially boosting the cost of medical care; b) render the labour market oligopsonistic, thus artificially lowering people’s ability to pay for (and collectively negotiate for) medical care; c) shift healthcare funds from the 25%-devoured-by-overhead voluntary sector to the 75%-devoured-by-overhead coercive sector, thus decreasing the amount of healthcare that gets to needy recipients; d) transfer the power to make medical decisions for individuals from those individuals to centralised bodies, thus increasing the impact and scope of fatally bad decisions and suppressing the competitive signals that allow the identification of better and worse policies; e) wiped out the old mutual-insurance systems (basically HMOs run by the patients instead of by corporations) and empowered insurance companies at the expense of patients; and f) suppress innovation and distribution in the pharmaceutical industry in the name of “intellectual property.” Instead, both parties firmly support the corporatist agenda.
Se os conservadores fossem defensores genuínos dos serviços de saúde de livre mercado, e se os liberais fossem genuínos partidários dos serviços de saúde para os menos aquinhoados, seria de esperar que os víssemos unidos para rejeitar aquelas leis que a) atuam para cartelizar a indústria médica (por exemplo, o monopólio de licenciamento concedido à Associação Médica Estadunidense -  A.M.A.), fazendo assim disparar artificialmente o custo dos serviços médicos; b) tornam o mercado de trabalho oligopsonístico, [com menor número de compradores e maior número de vendedores, n.do t.] diminuindo assim, artificialmete, a capacidade das pessoas de pagar (e de negociar coletivamente) serviços médicos); c) deslocam os fundos dos serviços de saúde do 25% consumido-por-despesas gerais setor voluntário para o 75%-consumido-por-despesas-gerais setor coercitivo, diminuindo assim a quantidade de serviços de saúde que alcança os recebedores necessitados; d) transferem o poder de tomar decisões médicas dos indivíduos desses indivíduos para órgãos centralizados, aumentando assim o impacto e a abrangência de decisões fatalmente equivocadas e suprimindo os sinais competitivos que permitem a identificação de políticas melhores e piores; e) acabaram com os antigos sistemas de seguro mútuo (basicamente Organizações de Manutenção de Saúde - HMO administradas pelos pacientes em vez de pelas corporações) e deram poder às empresas de seguros a expensas dos pacientes; e f) suprimiram a inovação e a distribuição na indústria farmacêutica em nome da “propriedade intelectual.” Em vez disso, ambos os partidos apoiam firmemente a agenda corporatista.
Moreover, while each side portrays the other as insidious and all-pervasive, in order to stress the magnitude of the opponent’s perfidy, yet on the other hand each side needs to portray the threat posed by the other as relatively novel, in order to avoid casting the status quo in too questionable a light. Flip on any random news channel, for example, and you will hear Republicans moaning that Barack Obama is destroying the free market (as though there existed anything remotely resembling a free market for Obama to destroy) or Nancy Pelosi warning that the Supreme Court’s feeble gesture on behalf of free speech in Citizens United will turn the u.s. into a “plutocracy” and an “oligarchy” (as if the u.s. has ever been anything else). The terrain of mainstream political debate is a phantasmagoric landscape radically disconnected from the underlying reality.
Ademais, embora cada lado retrate o outro como insidioso e onipresente, para enfatizar a dimensão da perfídia do oponente, nada obstante cada lado precisa retratar o outro como relativamente novel, para evitar colocar o statu quo em luz muito questionável. Dê uma olhada em qualquer canal de notícias aleatoriamente, por exemplo, e você ouvirá Republicanos resmungando que Barack Obama está destruindo o livre mercado (como se existisse qualquer coisa remotamente parecida com livre mercado para Obama destruir) ou Nancy Pelosi advertindo que o débil gesto do Supremo Tribunal em favor da liberdade de expressão no caso Citizens United tornará os estados unidos uma “plutocracia” e uma “oligarquia” (como se os estados unidos tivessem alguma vez sido algo diferente). O terreno do debate político majoritário é um panorama fantasmagórico radicalmente desconexo da realidade subjacente.
The Star Wars prequels, whatever their failings in other respects, dramatise the corporatist dynamic rather well. Their central plot concerns a civil war between two factions — one the central galactic government led by Chancellor Palpatine, and the other a collection of corporate interests (the Trade Federation, the Commerce Guild, the Banking Clan) led by Count Dooku. But while Palpatine’s and Dooku’s interests are by no means harmonious (each attempts to stab the other in the back, and one eventually succeeds), they are actually in collusion with each other for the most part, and the civil war is largely a hoax whereby each partner seeks to aggrandise his own side, and thereby the partnership as a whole, by portraying the other partner as a bogey (as when Palpatine invokes the need to defend the Republic against Dooku’s pseudo-rebellion as an excuse for claiming expanded powers for himself).
Os antecedentes da Guerra nas Estrelas, quaisquer suas deficiências sob outros aspectos, dramatizam a dinâmica corporatista bastante bem. Sua trama central diz respeito a uma guerra civil entre duas facções — uma, o governo central da galáxia, liderado pelo Chanceler Palpatine, e a outra uma coleção de interesses corporativos (a Federação do Comércio, a Guilda Comercial, o Clã Bancário) liderada pelo Conde Dooku. Contudo, embora os interesses de Palpatine e de Dooku de modo algum sejam harmônicos (cada um tenta esfaquear o outro pelas costas, e um por fim consegue), estão na verdade em conluio mútuo a maior parte do tempo, e a guerra civil é em grande parte um embuste por meio do qual cada parceiro busca enaltecer seu próprio lado, e desse modo a parceria como um todo, mediante retratar o outro parceiro como fonte de problemas (como quando Palpatine invoca a necessidade de defender a República contra a pseudo-rebelião de Dooku como desculpa para reivindicar expansão de poderes para si próprio).
But the Palpatine-Dooku partnership is a conspiracy; and to the extent that the libertarian analysis of corporatism resembles the plot of the Star Wars prequels, it might thus seem to be a conspiracy theory, which is surely the opposite of an analysis in terms of invisible-hand mechanisms. Or even if “conspiracy” is not quite the right word (since conspiracy implies secrecy, while much of the collusion between the governmental and corporate elites is done quite in the open, as for example in the case of corporate interests’ publicly lobbying and campaigning for the supposedly anti-big-business regulations of the Progressive Era), still it may be wondered what role there could be for spontaneous order in libertarian class analysis.
Entanto, a parceria Palpatine-Dooku é uma conspiração; e, na medida em que a análise libertária do corporatismo se assemelha à trama dos antecedentes da Guerra nas Estrelas, ela poderia pois parecer-se com uma teoria da conspiração, que é seguramente o oposto de uma análise em termos de mecanismos de mão invisível. Ou mesmo que “conspiração” não seja exatamente a palavra correta (visto que conspiração implica em segredo, enquanto que grande parte do conluio entre as elites governamental e empresarial seja feito de modo bastante aberto, como por exemplo no caso de interesses corporativos fazendo publicamente lobby e campanha em favor das regulamentações pretensamente contrárias às grandes empresas da Era Progressista), ainda assim fará sentido indagar que papel poderia existir para a ordem espontânea na análise de classes libertária.
Yet while the role of conscious collusion in the maintenance of corporatism is well-documented, there are (in addition to the Hayekian grounds previously mentioned) a couple of reasons to expect invisible-hand mechanisms to be at work as well. First, a system of oppression will be more stable to the extent that it is possible — if not with complete sincerity, then at least via plausible self-deception — for the oppressors to regard their actions as morally justified, which will more easily be the case if the official justifications for their policies are not such as to appear obviously false to the perpetrators. I don’t mean to claim, of course, that wielders of power are typically innocent; on the contrary, the skills needed, first to rise to positions of power in corporate or governmental hierarchies, and then to exercise the functions of such offices once in them, tend to require a certain flexibility of conscience. But such flexibility requires self-deception in all but the most hardened villains; thus at least a substantial percentage of those in power need to take their own anti-big-business or anti-big-government rhetoric at face value, which will be more easily achieved to the extent that the coordination between the interests of big government and big business is accomplished by spontaneous-order mechanisms rather than by conscious conspiracy.
Não obstante, embora o papel do conluio consciente na manutenção do corporatismo esteja bem documentado, há (além das bases hayekianas previamente mencionadas) um par de motivos para esperar-se que estejam em ação também mecanismos de mão invisível. Primeiro, um sistema de opressão será mais estável na medida em que seja possível — se não com completa sinceridade, pelo menos via plausível autoengano — aos opressores verem suas ações como moralmente justificadas, o que mais facilmente será o caso se as justificativas oficiais para suas políticas não forem de molde a parecer obviamente falsas para os perpetradores. Não pretendo afirmar, obviamente, que os detentores do poder sejam normalmente inocentes; pelo contrário, as habilidades necessárias, primeiro para ascensão a posições de poder em hierarquias corporativas ou governamentais, e em seguida para exercer as funções de tais cargos uma vez neles, tendem a requerer certa flexibilidade de consciência. Tal flexibilidade, contudo, requer autoengano exceto da parte dos mais consumados vilãos; assim, pois, pelo menos percentagem substancial das pessoas no poder precisa aceitar pelo valor nominal sua própria retórica contrária às grandes empresas ou ao governo hipertrofiado, o que será mais facilmente conseguido na medida em que a coordenação entre os interesses do governo hipertrofiado e os das grandes empresas seja efetuada por mecanismos de ordem espontânea mais do que por meio de conspiração consciente.
Second, we need to account not only for cooperation among the ruling parties but cooperation on the part of the governed as well — which requires, as La Boétie notes, the ideological indoctrination of the populace. The combination of corporate control of the media and government control of the education system can accomplish much of this, but again, the system could hardly succeed if it required most journalists and educators to be conscious collaborators in a conspiracy — especially a conspiracy from which most journalists and educators derive comparatively little benefit. Here too, then, we need invisible-hand mechanisms to take up the slack.
Segundo, precisamos dar conta não apenas da cooperação entre as partes dominantes mas também da cooperação por parte dos governados — o que requer, nota La Boétie, a doutrinação ideológica da população. A combinação de controle corporativo da mídia e controle governamental do sistema de educação pode conseguir grande parte disso mas, repetindo, o sistema dificilmente poderia ter sucesso se exigisse que a maioria dos jornalistas e educadores fosse colaboradora consciente numa conspiração — especialmente uma conspiração da qual a maioria dos jornalistas e educadores deriva benefício relativamente pequeno. Aqui também, pois, precisamos de os mecanismos de mão invisível pegarem o bastão.
Hence, in short, we need to explain how those in power on the one hand, and journalists and educators on the other, could be brought to advance the interests of a big-government/big-business partnership without necessarily seeing themselves as doing so — as well as how they are able to get away with it.
Portanto, em suma, precisamos explicar como as pessoas no poder, de um lado, e jornalistas e educadores, de outro, podem ser levados a promover os interesses de uma parceria entre governo hipertrofiado e grandes empresas sem necessariamente se verem fazendo tal — e também como conseguem fazê-lo impunemente.
Let’s start with the fact that, in Jefferson’s words, “the natural progress of things is for liberty to yield and government to gain ground.” To see how the mere need for government to be perceived as “doing something” about problems can lead to indefinite expansion of government power, consider the ratchet effect on display in recent airline security policy:
Comecemos com o fato de, nas palavras de Jefferson, “a tendência natural das coisas é a liberdade ceder terreno e o governo ganhar terreno.” Para ver como a mera necessidade do governo de ser percebido como “fazendo alguma coisa” acerca de problemas pode levar a expansão indefinida do poder do governo, consideremos o efeito catraca visível na recente política de segurança das linhas aéreas:
A would-be terrorist makes a failed attempt to detonate explosives in his shoes, and millions of airline passengers are compelled henceforth to remove their shoes at security checkpoints.
Um sujeito metido a terrorista faz uma tentativa fracassada de detonar explosivos em seus sapatos, e milhões de passageiros de linhas aéreas são obrigados a doravante tirar seus sapatos em pontos de controle de segurança.
A group of would-be terrorists hatches a failed plot to smuggle explosives on board in shampoo bottles, and millions of passengers are compelled henceforth to confine themselves to tiny shampoo bottles in transparent baggies.
Um grupo de sujeitos metidos a terroristas concebe um plano fracassado para contrabandear explosivos a bordo em vidros de xampu, e milhões de passageiros são obrigados a restringirem-se a pequeninos vidros de xampu em embalagens transparentes.
Another would-be terrorist makes a failed attempt to detonate explosives in his underpants, and millions of airline passengers are compelled henceforth to have their genitals irradiated or groped.
Outra pessoa metida a terrorista faz uma tentativa fracassada de detonar explosivos em suas roupas de baixo, e milhões de passageiros de linhas aéreas são obrigados a, doravante, ter seus órgãos genitais atingidos por radiação ou apalpados.
Whenever the state’s attention shifts to the most recent threat, the response to the previous threat remains in place; the system has a mechanism for escalation but no mechanism for de-escalation — since the costs of government policies are socialised rather than internalised (in other words, because purchase of its services cannot be declined). Politicians and bureaucrats thus need have no general plan to expand government power across the board (though of course they may); instead, even in the absence of such a plan the incentive structure inherent in the state system leads political actors to take individual decision after individual decision whose cumulative effect is such an expansion.
Sempre que a atenção do estado se desloca para a ameaça mais recente, a reação à ameaça anterior permanece vigente; o sistema tem um mecanismo de escalada, mas não tem nenhum mecanismo de desescalada — visto que os custos das políticas do governo são socializados e não internalizados (em outras palavras, porque não se pode declinar da compra dos serviços oferecidos pelo governo). Portanto, os políticos e os burocratas não precisam ter qualquer plano geral para expandir o poder do governo de alto a baixo (embora, obviamente, possam tê-lo); em vez disso, mesmo na ausência de tal plano a estrutura de incentivo inerente ao sistema de estado leva agentes políticos a tomar decisão individual após decisão individual, tendo como efeito cumulativo tal expansão.
What of the state’s tendency to legislate and rule in the interests of the corporate elite? Here too no conscious plan is necessary (though there may of course be one — as the “revolving door” between government and industry suggests); even if we were to imagine that the government issues its legislation and regulations at random, with no bias on behalf of big business, the result would still be much as it is now. Imagine that half of the government’s regulations run contrary to the interests of the rich and the other half run contrary to the interests of the poor; what will be the result? The rich are a concentrated interest with the resources to hire lawyers and lobbyists (or make campaign contributions) in order to combat these laws; the poor are not. So when these (for the sake of argument) randomly chosen laws hit the filter of socioeconomic inequality, the laws that hurt the rich face pressure for repeal or lax enforcement while the laws that hurt the poor do not; thus the “fit” regulations are selected for and the “unfit” regulations are weeded out.
E o que dizer da tendência do estado de legislar e regulamentar no interesse da elite corporativa? Nesse caso, igualmente, nenhum plano consciente é necessário (embora obviamente possa havê-lo — como sugere a “porta giratória” entre governo e indústria); mesmo que imaginássemos que o governo baixasse sua legislação e sua regulamentação aleatoriamente, sem viés em favor das grandes empresas, o resultado seria muito parecido com o que acontece hoje. Imagine que metade das regulamentações do governo fosse contrária aos interesses dos ricos e a outra metade contrária aos interesses dos pobres; qual seria, pois, o resultado? Os ricos são um grupo concentrado detentor de recursos para contratar advogados e lobistas (ou com condições de fazerem contribuições de campanha) para combaterem tais leis; os pobres não têm como. Então, quando tais (para efeito de argumentação) leis aleatoriamente selecionadas atingem o filtro da desigualdade econômica, as leis que prejudicam os ricos enfrentam pressão por revogação ou cumprimento indulgente, enquanto as leis que prejudicam os pobres não; assim, pois, regulamentações “adequadas” são selecionadas e regulamentações “inadequadas” são descartadas.
Moreover, government actors are disproportionately responsive to bribes because the funds they expend on behalf of the bribers are not their own; if you want to motivate me to direct a million dollars of my own money to your favoured project, you’ll need to offer me more than a million, but if you want to motivate me to direct a million dollars of someone else’s money to your favoured project, you’ll only need to offer me a few thousand. Thus the government’s taxing power and territorial monopoly status magnify the power of the wealthy (thus enhancing their ability to bribe, thus magnifying their power still further, in a self-reinforcing cycle).
Ademais os agentes do governo são desproporcionalmente receptivos a suborno porque os fundos que despendem em favor dos que os subornam não pertencem a eles próprios; se você quiser motivar-me a direcionar um milhão de dólares de meu próprio dinheiro para seu projeto favorito, precisará oferecer-me mais de um milhão, mas se quiser motivar-me a direcionar um milhão de dólares do dinheiro de outra pessoa para seu projeto favorito, bastará dar-me alguns milhares de dólares. Portanto o poder de tributação e a condição de monopólio territorial potencializam o poder dos ricos (aumentando assim a capacidade deles de subornar, aumentando assim o poder deles ainda mais, num círculo de autorreforço).
What of the corporate elite’s propensity to lobby for privileges and subsidies in the first place? Here too we need not assume any adherence to an overall corporatist program; imagine, instead, that every major corporate player is a sincere and ardent proponent of free competition in general, but just wants a few exceptions in favour of his or her own company — because one’s own projects always seem exceptionally important and deserving of protection. The result would be the same as that of intentional collusion to promote corporatist policies. (Moreover, such policies are self-reinforcing, since they extend the privileges of the corporate elite and thus render them still more effective lobbyists — another ratchet effect.)
O que dizer da propensão da elite corporativa para, antes de tudo, fazer lobby por privilégios e subsídios? Aqui, também, precisamos não assumir nenhuma aderência a qualquer programa geral corporatista; imagine, pelo contrário, que todo agente corporativo importante é sincero e ardoroso proponente da competição livre em geral, mas apenas deseja umas poucas exceções em favor de sua empresa — porque seus próprios projetos sempre parecem excepcionalmente importantes e merecedores de proteção. O resultado seria o mesmo de conluio intencional para promover as políticas corporatistas. (Ademais, tais políticas são autorreforçadoras, visto que aumentam os privilégios da elite corporativa e assim a tornam lobista ainda mais eficaz — outro efeito de catraca.)
Of course we know — because they’re on the record — that many among the corporate elite do favour, and historically have favoured, a systematic corporatist agenda. My point is that this factor is not strictly necessary (and probably is not doing all the work); even in the absence of an intentional commitment to corporatism, the incentive structure of the state system has a natural tendency to produce corporatist policies.
Obviamente sabemos — pois é de domínio público — que muitas pessoas da elite corporativa são a favor, e historicamente foram a favor, de uma agenda corporatista sistemática. Defendo é que esse fator não é estritamente necessário (e provavalmente não está fazendo todo o trabalho); mesmo na ausência de um compromisso intencional com o corporatismo, a estrutura de incentivo do sistema de estado tem natural tendência de produzir políticas corporatstas.
What about the tendency of the mainstream news media to support the corporatist system? Mainstream journalists like to insist that, despite corporate ownership of their media outlets, they face little or no pressure to slant their news. Although in some cases this claim seems fairly risible, I have no doubt that it is true much of the time. The selection process is more subtle than that. To be successful, journalists must get important stories; and since whatever the powerful say is important, a successful journalist needs access to governmental and corporate spokespersons. No one who routinely challenges the press releases of the ruling class is going to enjoy the access needed to become a major journalist. Hence there is seldom any need to pressure mainstream journalists to toe the establishment line; journalists who are not inclined to toe that line will not have made it very far up the ladder of mainstream journalism in the first place. (To be sure, a mainstream journalist can frequently get away with challenging this or that governmental or corporate policy; after all, the ruling class is not monolithic, so what offends one of its factions may gratify another. But journalists with a propensity to challenge not some particular abuse but the system as such are effectively selected against.)
E quanto à tendência da mídia majoritária de apoiar o sistema corporatista? Os jornalistas da mídia majoritária insistem em que, a despeito de propriedade empresarial de seus veículos de comunicação, sofrem pequena ou nenhuma pressão de censura indireta de suas notícias. Embora em certos casos essa afirmação soe bastante risível, não tenho dúvida de ser verdadeira grande parte do tempo. O processo de seleção é mais sutil do que isso. Para serem bem-sucedidos, os jornalistas têm de noticiar coisas importantes; e visto qualquer coisa que os poderosos dizem ser importante, o jornalista bem-sucedido precisará ter acesso a porta-vozes do governo e das corporações. Ninguém que sistematicamente questione os comunicados à imprensa da classe dominante gozará do acesso indispensável para tornar-se jornalista importante. Portanto, raramente haverá qualquer necessidade de pressionar jornalistas da grande mídia para que se perfilem na linha do establishment; os jornalistas não inclinados a perfilar-se em tal linha não subirão muito na carreira do jornalismo, antes de tudo. (Verdade, um jornalista majoritário poderá amiúde não ser censurado nem punido por questionar esta ou aquela política governamental ou corporativa; afinal, a classe dominante não é monolítica, e portanto aquilo que ofende a uma de suas facções poderá gratificar outra. Entretanto, jornalistas com propensão para questionar não algum abuso específco, e sim o sistema enquanto tal, são efetivamente podados.)
The prevailing journalistic conception of objectivity also tends to put the media at the service of the establishment. As an example: a recent study has shown that the u.s. media routinely referred to waterboarding as a form of torture until it was announced that waterboarding was an official policy of the u.s. government, whereupon such references ceased. Does this mean that journalists were consciously shilling for u.s. civil rights abuses? I don’t think so (well, Fox News aside). Rather, as soon as people that journalists regard as important start defending waterboarding, then it becomes officially controversial whether waterboarding is a form of torture, and so to continue to refer to it as such would violate the ideal of objectivity as journalists conceive of it. Of course their idea of who counts as important simply tracks the command posts of the corporatist system, and so this vaunted “objectivity” works out in practice as arrant pro-establishment bias. But the insistence on identifying journalistic objectivity with a refusal to pick sides in a controversy among important people is vigorously promoted by government itself. (Notice the recent eagerness of government officials to explain that Julian Assange’s political agenda renders him “not a journalist.”)
A concepção prevalecente de objetividade jornalística também tende a colocar a mídia a serviço do establishment. Como exemplo: estudo recente mostrou que a mídia dos estados unidos referia-se sistematicamente ao waterboarding [derramamento de água nas vias respiratórias do torturado tendo como efeito, simultaneamente, sensação de afogamento e ânsia de vômito] como forma de tortura até ser anunciado que o waterboarding era política oficial do governo dos estados unidos, a partir de quando tais referências cessaram. Significaria isso que os jornalistas estavam conscientemente exaltando as virtudes dos abusos em direitos civis perpetrados pelos estados unidos? Não acho (bem, exceto o Notícias da Fox). O que acontece é que, logo que pessoas que os jornalistas consideram importantes começam a defender o waterboarding, torna-se oficialmente controvertido se o waterboarding é forma de tortura e, pois, continuar a referir-se a ele como tal violaria o ideal de objetividade tal como o concebem os jornalistas. Naturalmente a ideia deles de quem deve ser considerado importante simplesmente rastreia os postos de comando do sistema corporatista, e portanto essa decantada “objetividade” na prática funciona como viés pró-establishment da pior espécie. Contudo, a insistência em identificar a objetividade jornalística com recusa a tomar partido numa controvérsia entre pessoas importantes é vigorosamente promovida pelo próprio governo. (Notem a recente avidez das autoridades do governo para explicarem que a agenda política de Julian Assange faz dele um “não jornalista.”)
As for educators: at the grade school level, textbooks tend to be selected by politically connected committees. While some may lean more toward the Guelphs and others more toward the Ghibellines, a text that challenges both is unlikely to be accepted. Matters are better at the college and university level, where — thanks to hard-won and always imperiled academic freedom — governmental and corporate interests have a harder time determining the curriculum. But even here, the influence of state accreditation committees and wealthy trustees is hardly minimal.
Quanto aos educadores: na escola primária, os livros escolares tendem a ser selecionados por comissões com conexões políticas. Embora alguns possam pender mais para os Guelfos e outros mais para os Gibelinos, um texto que questione ambos improvavelmente será aceito. As coisas ficam melhores em nível de faculdade e universidade, onde — graças à duramente conquistada e sempre ameaçada liberdade acadêmica — os interesses governamentais e corporativos têm maior dificuldade para determinar o programa. Mesmo assim, porém, a influência de comissões governamentais de credenciamento e de ricos curadores dificilmente é mínima.
Such explanations can take us only so far, however. There is an ideological mystification at work here that goes beyond what can be explained by institutional selection pressure alone. As we’ve seen, right-wing and left-wing versions of corporatist policies, though differing only minimally so far as the interests of those outside the ruling class are concerned, are marketed as anti-big-government and anti-big-business respectively, and those repelled by one side are offered the other as antidote. But the obvious question is: how are the governed led to fall for it? How do conservatives continue to maintain their reputation as foes of big government no matter how massively the state swells under their leadership? How do liberals continue to maintain their reputation as foes of big business no matter how many subsidies, bailouts, and monopoly privileges they disburse to their corporate cronies? Or, in a related question, how do liberals continue to maintain their reputation as the antiwar faction no matter how many civilians they bomb to smithereens? Why do so few people notice the discrepancy between rhetoric and actual conduct, on both sides?
Tais explicações, contudo, só nos levam até certo ponto. Há uma mistificação ideológica em ação aqui que vai além do que pode ser explicado só pela pressão institucional de seleção. Como já vimos, versões de direita e de esquerda de políticas corporativas, embora diferindo apenas minimamente no tocante aos interesses daqueles fora da classe dominante, são alardeadas como contrárias ao governo hipertrofiado e às grandes empresas, respectivamente, e para os que não se agradam de um lado é oferecido o outro como antídoto. A pergunta óbvia, contudo, é: como são os governados levados a irem na conversa? Como os conservadores continuam a manter sua reputação como adversários do governo hipertrofiado por mais maciçamente que o estado inche sob sua liderança? Como os liberais continuam a manter sua reputação de adversários das grandes empresas por mais subsídios, socorros financeiros e privilégios de monopólio que concedam a seus compadres corporativos? Ou, numa pergunta conexa, como os liberais continuam a manter sua reputação de facção contrária à guerra não importa quantos civis eles bombardeiem até reduzi-los a frangalhos? Por que tão poucas pessoas notam a discrepância entre a retórica e a conduta real, de ambos os lados?
Contemporary political discourse in general has a surreal, Alice-in-Wonderland quality. Conservatives label Obama a Marxist for pursuing policies virtually indistinguishable from those of his Republican predecessor. He moreover receives a Nobel Peace Prize from one side, and accusations of being an Islamist sympathiser from the other, even as he wades up to his metaphorical elbows in the blood of Pakistani children. Sarah Palin calls for the assassination of Julian Assange while continuing to position herself as a defender of individual freedom against threats from big government. Governmental redistribution of wealth is attacked or defended as though such redistribution were invariably downward, despite the fact that the vast majority of such redistribution is manifestly upward. Ronald Reagan, who pushed through what was then the largest tax increase in history, is lauded by the right and vilified by the left as a foe of high taxes. John F. Kennedy, whose chief political accomplishments were tax cuts and nuclear chicken games with the Soviet Union, whose main legacy was the Vietnam War, and who had to be dragged kicking and screaming into action on behalf of civil rights, becomes a liberal icon. Libertarians warn at the top of their lungs that government policies are creating a housing bubble — only to be told, when the bubble bursts, both that the bubble was unforeseeable and that libertarians are to blame for causing it. If this were a science-fiction movie we’d have to assume that all these people were under some sort of mind control. What’s the explanation for all this bizarre behaviour?
O discurso político contemporâneo em geral tem uma qualidade surreal, de Alice no País das Maravilhas. Conservadores rotulam Obama de marxista por ele perseguir políticas praticamente indistinguíveis das de seu predecessor Republicano. Ele, ademais, recebe um Prêmio Nobel da Paz de um lado, e acusações de ser simpatizante dos islamistas do outro, ao mesmo tempo em que vadeia até seus cotovelos metafóricos no sangue de crianças paquistanesas. Sarah Palin pede o assassínio de Julian Assange enquanto continua a posicionar-se como defensora da liberdade individual contra ameaças do governo hipertrofiado. A redistribuição de riqueza pelo governo é atacada ou defendida como se tal redistribuição fosse invariavelmente de cima para baixo, a despeito do fato de a vasta maioria de tal redistribuição ser manifestamente de baixo para cima. Ronald Reagan, que compeliu a aceitação do até então maior aumento de impostos da história, é louvado pela direita e vilificado pela esquerda como inimigo de altos impostos. John F. Kennedy, cujas principais realizações políticas foram cortes de impostos e jogos da galinha com a União Soviética, cujo principal legado foi a Guerra do Vietnã, e que teve de ser arrastado esperneando e berrando para fazer algo em favor dos direitos civis, torna-se um ícone liberal. Os libertários advertem, a plenos pulmões, que as políticas do governo estão criando uma bolha habitacional — só para lhes dizerem, quando a bolha explode, tanto que a bolha era imprevisível quanto que os libertários é que têm a culpa por causá-la. Se isso fosse filme de ficção científica, teríamos de assumir que todas essas pessoas estavam sob algum tipo de controle da mente. Qual é a explicação para todo esse comportamento grotesco?
Earlier I described the terrain of mainstream political debate as a “phantasmagoric landscape radically disconnected from the underlying reality.” Yet that phantasmagoric landscape is transparent; the underlying reality is, or should be, perfectly visible through it. While spying on secret conversations or ferreting out classified documents might bring important details to light, it’s not really necessary; the basic functioning of the corporatist system is mainly out in the open. Nothing crucial is hidden. What preserves the illusion is not a cover-up but rather a habit of mind.
Mais cedo descrevi o terreno do debate político majoritário como “panorama fantasmagórico radicalmente desconexo da realidade subjacente.” No entanto esse panorama fantasmagórico é transparente; a realidade subjacente é, ou deveria ser, perfeitamente visível através dele. Embora espionar conversas secretas ou garimpar documentos secretos possa trazer importantes detalhes à luz, isso não é, em realidade, necessário; o funcionamento básico do sistema corporatista está, em sua maior parte, à vista. Nada crucial está oculto. O que preserva a ilusão não é um encobrimento e sim um hábito da mente.
Wittgenstein famously pointed out that when otherwise sensible people say crazy, obviously false things — such as that only part of me exists at this instant, or that we can’t directly perceive tables and chairs — it’s because they are in the grip of a picture. This is as true in politics as it is in metaphysics or epistemology. The following passage from Thomas Kuhn’s Structure of Scientific Revolutions is helpful here:
Wittgenstein famosamente destacou que, quando pessoas normalmente sensatas dizem coisas malucas, obviamente falsas — tal como apenas parte de mim existe neste instante, ou não podemos perceber diretamente mesas e cadeiras — é porque elas estão sendo prisioneiras de uma imagem. Isso é tão verdade em política quanto em metafísica ou epistemologia. A seguinte passagem de A Estrutura das Revoluções Científicas, de Thomas Kuhn, é útil neste ponto:
Bruner and Postman asked experimental subjects to identify on short and controlled exposure a series of playing cards. Many of the cards were normal, but some were made anomalous, e.g., a red six of spades and a black four of hearts. … For the normal cards these identifications were usually correct, but the anomalous cards were almost always identified, without apparent hesitation or puzzlement, as normal. The black four of hearts might, for example, be identified as the four of either spades or hearts. Without any awareness of trouble, it was immediately fitted to one of the conceptual categories prepared by prior experience. … With a further increase of exposure to the anomalous cards, subjects did begin to hesitate and to display awareness of anomaly. Exposed, for example to the red six of spades, some would say: That’s the six of spades, but there’s something wrong with it — the black has a red border. … A few subjects … were never able to make the requisite adjustment of their categories.3
Bruner e Postman pediram a sujeitos de experimento que identificassem em exposição curta e controlada uma série de cartas de baralho. Muitas das cartas eram normais, mas algumas foram tornadas anômalas, por exemplo, um seis de espadas vermelho e um quatro de copas preto. … No caso das cartas normais essas identificações foram usualmente corretas, mas as cartas anômalas foram quase sempre identificadas, sem aparente hesitação ou perplexidade, como normais. O quatro de copas preto poderia, por exemplo, ser identificado como o quatro ou de espadas ou de copas. Sem qualquer percepção de problema, a carta era imediatamente encaixada numa das categorias conceptuais preparadas por experiência prévia. … Com aumento adicional de exposição às cartas anômalas, os sujeitos começaram a hesitar e a mostrar consciência da anomalia. Expostas, por exemplo, ao seis de espadas vermelho, algumas pessoas diziam: Esse é o seis de espadas, mas há algo errado nele — o preto tem borda vermelha. … Alguns sujeitos … nunca foram capazes de efetuar o ajuste necessário de suas categorias.3
In other words, a mind accustomed to functioning within a certain conceptual framework will have trouble recognising deviations from the categories of such a framework; if one expects conservatives to oppose big government and liberals to oppose big business, that is what one will see. And even if contrary evidence is detected, it will be dismissed as inessential.
Em outras palavras, uma mente acostumada a funcionar dentro de certo arcabouço conceptual terá dificuldade para reconhecer desvios em relação às categorias desse arcabouço; se a expectativa é a de os conservadores se oporem ao governo hipertrofiado e os liberais às grandes empresas, isso será o que a pessoa verá. E mesmo se detectada evidência em contrário, será desqualificada como inessencial.
Consider another passage from Kuhn:
Considere outra passagem de Kuhn:
Since remote antiquity most people have seen one or another heavy body swinging back and forth on a string or chain until it finally comes to rest. To the Aristotelians, who believed that a heavy body is moved by its own nature from a higher position to a state of natural rest at a lower one, the swinging body was simply falling with difficulty. Constrained by the chain, it could achieve rest at its low point only after a tortuous motion and a considerable time. Galileo, on the other hand, looking at the swinging body, saw a pendulum, a body that almost succeeded in repeating the same motion over and over again ad infinitum. … [W]hen Aristotle and Galileo looked at swinging stones, the first saw constrained fall, the second a pendulum ….4
Desde a antiguidade remota a maioria das pessoas viu um ou outro objeto pesado balançando de um lado para o outro numa corda ou corrente até finalmente ficar imóvel. Para os aristotélicos, que acreditavam os objetos pesados serem movidos por sua própria natureza de uma posição mais alta até chegarem a um estado de repouso natural mais abaixo, o corpo balouçante estava simplesmente caindo com dificuldade. Constrangido pela corrente, ele só conseguia atingir o estado de repouso em seu ponto baixo depois de tortuoso movimento e tempo considerável. Galileu, por outro lado, olhando para o corpo balouçante, viu um pêndulo, um corpo que quase conseguia repetir o mesmo movimento outra e outra vez ad infinitum. … [Q]uando Aristóteles e Galileu olhavam para pedras balouçantes, o primeiro via uma queda dificultada, o segundo via um pêndulo ….4
Aristotle and Galileo both observed the same two facts — that the stone keeps swinging back and forth for a while, and that it eventually hangs straight down. But for Galileo the swinging was the essential thing, and its cessation was merely accidental, a friction phenomenon; while for Aristotle the process toward a state of rest was the essential thing, and the sideways perturbations on the way were the accident. In the same way, for those operating within the conceptual framework that sees conservative opposition to big government and liberal opposition to big business as essential and deviations from these norms as accidental, evidence of conservative support for big government and liberal support for big business, no matter how extensive, will be dismissed as inessential — something to be noticed occasionally, and commented on as “ironic” or “anomalous” (or excused as an emergency measure, as though it were exceptional) before being forgotten.
Aristóteles e Galileu observaram, ambos, os mesmos dois fatos — que a pedra continua a balançar durante certo tempo, e que finalmene ela fica pendurada diretamente no ponto mais baixo. Para Galileu, contudo, o balanço era a coisa essencial, e sua cessação era meramente acidental, um fenômeno de fricção; enquanto para Aristóteles o processo rumo a um estado de repouso era a coisa essencial, e as perturbações laterais no caminho eram o acidente. Do mesmo modo, para as pessoas que funcionam dentro do arcabouço conceptual que vê a oposição conservadora ao governo hipertrofiado e a oposição liberal às grandes empresas como o essencial, e os desvios dessa normalidade como acidentais, evidência de apoio conservador ao governo hipertrofiado e apoio liberal às grandes empresas, não importa quão extenso, será desprezado como inessencial — algo a ser notado ocasionalmente, e comentado como “irônico” ou “anômalo” (ou desculpado como medida de emergência, como se fosse algo excepcional) antes de ser esquecido.
There’s a popular and amusing internet cartoon, “The Free Market Clapper,”5 that portrays big business as pro-market in good times and pro-intervention in bad times. Such a portrayal is the equivalent of seeing a red six of spades as a black six of spades with a red border; it represents an only partial emergence from the delusive narrative of business/government conflict. For the truth revealed by economic and historical analysis is that big business is pro-intervention in good times and bad — that it owes its privileged position to ongoing, systematic state violence.
Há um popular e divertido desenho animado na internet, “O Aplaudidor do Livre Mercado,”5 que retrata as grandes empresas como pró-mercado em momentos favoráveis e pró-intervenção em momentos desfavoráveis. Tal modo de retratar é o equivalente de ver um seis de espadas vermelho como seis de espadas preto com borda vermelha; representa consciência apenas parcial da narrativa falaz do conflito empresas/governo. Pois a verdade revelada pela análise econômica e histórica é que as grandes empresas são pró-intervenção nos momentos favoráveis e nos desfavoráveis — que elas devem sua posição privilegiada a contínua e sistemática violência do estado.
The obscuration I’m describing can succeed even with those one might expect to be least susceptible to it. Consider how, from the non-mainstream right, a professed free-marketer like Ayn Rand can call big business a “persecuted minority,” or how, from the non-mainstream left, a professed anarchist like Noam Chomsky can insist on the short-term necessity of the state as a bulwark against corporate power, even though Rand and Chomsky have each documented through their own scholarship the dependence of business power on state-granted privilege.6 It’s as though with one part of their minds they’re pointing with horror to governmental grants of privilege to business, even as in another part of their minds the myth of opposition between big business and big government is reasserting itself, leading them to dismiss such favouritism as an insignificant friction phenomenon and so allowing either business power (for Rand) or state power (for Chomsky) to take on the relatively benign aspect that their own work belies.
A ofuscação que estou descrevendo pode ser bem-sucedida até no tocante àqueles que se poderia esperar serem menos susceptíveis a ele. Considere como, a partir da direita não-majoritária, pessoa professadamente partidária do livre mercado como Ayn Rand pode chamar as grandes empresas de “minoria perseguida,” ou como, a partir da esquerda não-majoritária,  um anarquista professo como Noam Chomsky pode insistir na necessidade de curto prazo do estado como baluarte contra o poder corporativo, embora Rand e Chomsky tenham cada um documentado por meio de sua própria pesquisa a dependência do poderio das empresas do privilégio concedido pelo estado.6 É como se com uma parte de suas mentes eles estejam apontando com horror para a concessão, pelo governo, de privilégios para as empresas, ao mesmo tempo em que em outra parte de suas mentes o mito da oposição entre grandes empresas e governo hipertrofiado esteja-se reafirmando, levando-os a desprezar tal favoritismo como fenômeno insignificante de fricção e portanto permitindo que ou o poder das empresas (para Rand) ou o poder do estado (para Chomsky) assuma aspecto relativamente benigno que a própria obra deles contradiz.
Yet in explaining the invisibility of corporatism by appealing to a delusive conceptual framework we are merely pushing the question back: whence this conceptual framework? To take it as arising solely from the conscious inculcation of false ideological consciousness on the part of journalists and educators would be to attribute to the mainstream journalism and education professions as a whole the clear-eyed fiendishness of a Fu Manchu. Indeed, radicals of various political stripes have often tended to find this a tempting hypothesis. But it won’t do; there aren’t enough Fu Manchus in the world to make it work.7 The mechanism for the maintenance of corporatist ideological mystification cannot depend solely on constructivist rationalism.
Contudo, ao explicarmos a invisibilidade do corporatismo mediante apelo a um arcabouço conceptual falaz, estamos apenas adiando a pergunta: qual é a origem desse arcabouço conceptual? Vê-lo como surgindo unicamente da inculcação consciente de falsa consciência ideológica por parte de jornalistas e educadores seria atribuir às profissões do jornalismo e da educação majoritários como um todo a lucidez diabólica de um Fu Manchu. Na verdade, radicais de diversas cores políticas amiúde tenderam a achar essa uma hipótese tentadora.  Ela, porém, não se sustenta; não há no mundo Fu Manchus bastantes para fazê-la funcionar.7 O mecanismo para manutenção da mistificação ideológica corporatista não pode depender unicamente do racionalismo construtivista.
How, then, is the hoax to be perpetrated, if the hoaxers are to be largely unaware of perpetrating it? Here it is helpful to distinguish between primary and secondary regulation. By primary regulation I mean the basic pattern of state violence that is essential to creating and sustaining the corporatist system as a whole; by secondary regulation I mean an additional, optional layer of intervention on top of that. Secondary regulation often has the effect of redirecting the benefits of primary regulation; for example, a piece of primary regulation may endow a nominally private business with special privileges (as when deposit insurance allows banks to socialise their investment risks; or zoning laws, licensure fees, and capitalisation requirements crowd less affluent competitors out of the market; or tax-funded highways and other transportation subsidies give big-box stores a competitive advantage over local producers), and then a secondary regulation may be introduced to place a check on the powers thus granted to the corporate elite. Such secondary restraints are marketed as being in the interests of ordinary people; sometimes they are and sometimes they are not, depending on the circumstances, but they function primarily to shift a bit of power from the plutocratic to the statocratic wing of the ruling class.
Como, então, consegue o embuste ser perpetrado, se os embusteiros estiverem em grande parte não cônscios de o perpetrarem? A esta altura é de valia distinguir entre regulamentação primária e secundária. Por regulamentação primária denoto o padrão básico de violência do estado essencial para criar e sustentar o sistema corporatista como um todo; denomino regulamentação secundária uma camada adicional, opcional, de intervenção por sobre aquela primeira. A regulamentação secundária amiúde tem o efeito de redirecionar os benefícios da regulamentação primária; por exemplo, uma regulamentação primária pode conceder a empresa nominalmente privada privilégios especiais (como quando fundos de garantia de depósitos permitem a bancos socializar seus riscos de investimento; ou leis de zoneamento, taxas de licenciamento, e exigências de capitalização segregam competidores menos afluentes fora do mercado; ou rodovias financiadas por impostos e outros subsídios ao transporte dão às superlojas vantagem competitiva em relação a produtores locais), e em seguida uma regulamentação secundária pode ser introduzida para colocar restrição aos poderes assim concedidos à elite corporativa. Tais restrições secundárias são alardeadas como no interesse das pessoas comuns; por vezes o são e por vezes não, dependendo das circunstâncias, mas funcionam precipuamente para deslocar um pouco de poder da ala plutocrática para a estatocrática da classe dominante.
When liberals and conservatives clash over regulation, it is nearly always secondary regulation that is at issue; and it is conservatives’ relative (though by no means exceptionless) tendency to oppose secondary regulation that gives them the reputation of being anti-regulation. Primary regulation is largely invisible because it is part of the ordinary background conditions; it is as unnoticeable as air. Thus no conscious design is needed to disguise the nature and effects of primary regulation.
Quando liberais e conservadores embatem-se a propósito de regulamentação, é quase sempre a regulamentação secundária que está em questão; e é a tendência relativa dos conservadores (embora de modo nenhum sem exceções) de oporem-se a regulamentação secundária que lhes rende a reputação de contrários à regulamentação. A regulamentação primária é em grande parte invisível por ser parte das condições ordinárias do plano de fundo; ela é tão imperceptível quanto o ar. Assim, nenhum projeto consciente é necessário para disfarçar a natureza e os efeitos da regulamentação primária.
How, for example, is George W. Bush not laughed off the podium when he proclaims solemnly that the recent financial crisis compelled him to set aside his free-market principles — as if, rhetoric aside, he had ever shown any evidence of having such principles, and as if distributing governmental largess to corporate cronies were some sort of departure from business as usual? How is Alan Greenspan not likewise laughed off the podium when he says that the same financial crisis has shaken his faith in free-market principles — when he has spent his entire career directing aggressive government intervention into the economy, and when the financial crisis in question was driven by an oligopolistic banking system over which he presided, and a housing bubble his own policies of interest-rate manipulation played a direct role in creating?8 The answer is that in contemporary political culture and discourse the terms “free market,” “laissez faire,” and “capitalism” just mean — both to their opponents and to their putative advocates — a preference for relying on primary regulation largely unconstrained by secondary regulation. This discourse offers no means of so much as referring to a position that opposes primary regulation itself. So Bush’s and Greenspan’s sudden embrace of secondary regulation can only appear — to the average person, and possibly even to Bush and Greenspan themselves (who knows?) — as a departure from free-market policies previously favoured.
Como, por exemplo, George W. Bush não é expulso do pódio de tanta chacota ao proclamar solenemente que a recente crise financeira compeliu-o a pôr de lado seus princípios de livre mercado — como se, retórica à parte, ele jamais tivesse mostrado qualquer evidência de ter tais princípios, e como se distribuir recursos do governo a compadres corporativos fosse alguma espécie de desvio da rotina? Como Alan Greenspan não é igualmente expulso do pódio de tanta chacota ao dizer que a mesma crise financeira abalou sua fé nos princípios de livre mercado  — quando ele passou a carreira inteira dirigindo intervenção agressiva na economia, e quando a crise financeira em questão foi provocada por um sistema bancário oligopolista por ele superintendido, e por uma bolha habitacional que suas próprias políticas de manipulação das taxas de juros desempenharam papel direto em criar?8 A resposta é que, na cultura e no discurso político contemporâneo as expressões  “livre mercado,” “laissez faire,” e “capitalismo” significam apenas — tanto para seus opositores quanto para seus putativos defensores — preferência em recorrer a regulamentação primária largamente não restringida por regulamentação secundária. Esse discurso não oferece nenhum meio de dirigir a atenção para uma posição que se oponha à regulamentação primária ela própria. Assim, a súbita adesão de Bush e de Greenspan à regulamentação secundária só pode aparecer — para a pessoa média, e possivelmente até para Bush e Greenspan eles próprios (quem sabe?) — como distanciamento das políticas de livre mercado a favor das quais eles eram anteriormente.
The invisibility of primary regulation likewise enables the “left cop, right cop” dynamic to maintain itself without the necessity of conscious deception on anyone’s part. (Again, I am not denying the existence of such deception; I deny only that it is necessary or by itself sufficient.) Those who dislike the idea of government regulation and find the idea of a voluntary social order ethically or pragmatically superior will be drawn to the “free market” position — but when this position has been made indistinguishable from a support for primary regulation relatively unconstrained by secondary regulation, that is the cause in which they will inadvertently enlist, and so they will end up as foot soldiers for the right or plutocratic wing of the ruling class. On the other hand, those who are repelled by the reality of corporate privilege and the suffering and inequity it entails will identify the “free market” as the primary culprit, and so will end up as foot soldiers for the left or statocratic wing of the ruling class. Thus dissent against any aspect of the system is channeled into support for the system as a whole, and political options lying outside the system are rendered both invisible and unsayable.
A invisibilidade da regulamentação primária analogamente permite à dinâmica “policial da esquerda, policial da direita” manter-se sem a necessidade de tapeação consciente da parte de qualquer pessoa. (Repetindo, não estou negando a existência de tal tapeação; nego apenas que ela seja necessária ou suficiente em si.) Aqueles a quem não agrada a ideia de regulamentação do governo e acham a ideia de uma ordem social voluntária ética ou pragmaticamente superior serão tangidos para a posição de “livre mercado” — mas quando essa posição for tornada indistinguível de apoio a regulamentação primária relativamente não restringida por regulamentação secundária, essa será a causa na qual eles inadvertidamente se alistarão, e assim terminarão como soldados rasos da ala direita ou plutocrática da classe dominante. Por outro lado, aqueles que repudiam a realidade do privilégio corporativo e o sofrimento e a desigualdade que ele acarreta identificarão o “livre mercado” como o principal culpado, e assim terminarão como soldados rasos da ala esquerda ou estatocrática da classe dominante. Portanto a dissidência em relação a qualquer aspecto do sistema é canalizada para apoio ao sistema como um todo, e opções políticas fora do sistema são tornadas tanto invisíveis quanto indizíveis.
I’ve been discussing the means by which a particular form of state system — the corporatist system under which we live — maintains itself. But there are broader questions about how any form of state system maintains itself. What are the tasks that statist ideology needs to perform?
Até agora discuti os meios pelos quais uma forma particular de sistema de estado — o sistema corporatista no qual vivemos — mantém-se. Há porém perguntas mais amplas acerca de como qualquer forma de sistema de estado consegue manter-se. Quais são as tarefas que a ideologia estatista tem de desempenhar?
To begin with, state officials claim rights which they deny to their subjects, and enforce this claim by violence and the threat thereof. (Any organisation of which this was not true would lack the monopoly status essential to counting as a state.) As such conduct is prima facie at odds with ordinary standards of morality — particularly in cultures that reject doctrines of inherent inequality between rulers and ruled (such as the divine right of kings) — the violence of the state must be rendered invisible, in order to disguise the affront to human equality that it represents. It is not surprising, then, that statists so often treat “governmental edicts as though they were incantations, passing directly from decree to result, without the inconvenience of means.”9
Para começar, as autoridades do estado reivindicam direitos que negam a seus súditos, e potenciam essa reivindicação por meio de violência e ameaça de violência. (Qualquer organização a respeito da qual isso não for verdade não deterá a condição de monopólio essencial à condição de estado.) Como tal conduta é prima facie incompatível com os padrões ordinários de moralidade — particularmente em culturas que rejeitam doutrinas de desigualdade inerente entre governantes e governados (como o direito divino dos reis) — a violência do estado terá de ser tornada invisível, para disfarçar a afronta à igualdade humana que ela representa. Não é de surpreender, pois, que os estatistas tão amiúde tratem “os éditos governamentais como se eles fossem sortilégios, passando diretamente do decreto ao resultado, sem a inconveniência dos meios.”9
Cloaking state decrees and their violent implementation in the garb of incantation, and so ignoring the messy path from decree to result, accomplishes two purposes. First, as we’ve seen, it disguises the immorality of statism. But second, it also disguises the inefficiency of statism. There is a tendency within statist cultures to think, first, that enacting a governmental policy decreeing that X shall be the case automatically counts as doing something on behalf of X, and second, that not enacting a governmental policy decreeing that X shall be the case automatically counts as not doing something on behalf of X. This mindset, which obviously tends to promote statist over voluntary solutions to social problems, is strengthened by the incantational conception of state action.
Disfarçar os decretos do estado e sua implementação violenta com o traje do sortilégio e, assim, ignorar o desagradável trajeto do decreto até chegar ao resultado atende a dois propósitos. Primeiro, como já vimos, isso disfarça a imoralidade do estatismo. Segundo, porém, também disfarça a ineficiência do estatismo. Há, nas culturas estatistas, uma tendência de pensar, primeiro, que promulgar uma política governamental decretando que X acontecerá, automaticamente conta como fazer algo em favor de X e, segundo, que não promulgar uma política governamental decretando que X acontecerá, automaticamente conta como não fazer algo em favor de X. Essa postura mental, que obviamente tende a promover soluções estatistas em detrimento de soluções voluntárias para problemas sociais, é reforçada pela concepção sortilegial da ação do estado.
Yet although on the one hand state violence needs to be rendered invisible in order to disguise its immorality and inefficiency, on the other hand its effectiveness depends precisely on the state’s subjects being all too aware of the appeal to violence backing up the state’s edicts. How can these two demands be reconciled? As I’ve written elsewhere:
No entanto, embora, por um lado, a violência do estado precise ser tornada invisível para disfarçar sua imoralidade e sua ineficiência, por outro lado sua eficácia depende precisamente de os súditos do estado estarem totalmente conscientes do apelo à violência que escora os éditos do estado. Como podem essas duas exigências ser conciliadas? Como escrevi alhures:
[S]tatism can maintain its plausibility only by implicitly projecting a kind of grotesque parody of the Catholic doctrine of transubstantiation: just as bread and wine must be transformed in their essence into the body and blood of Christ in order to play their necessary spiritual role, whilst at the same time they must retain the external accidents of bread and wine in order to play their necessary practical role, so the violence of the state, to be justified, must be transubstantiated in its essence into peaceful incantation, yet at the same time, to be effective, it must retain the external accidents of violence. (This sacralization of state violence explains how proponents of gun control, for example, can regard themselves as opponents of violence whilst at the same time threatening massive and systematic violence against peaceful citizens.)10
[O] estatismo só pode manter sua plausibilidade mediante implicitamente projetar uma espécie de grotesca paródia da doutrina católica da transubstanciação: do mesmo modo que pão e vinho precisam ser transformados em sua essência no corpo e sangue de Cristo a fim de desempenharem seu necessário papel espiritual, enquanto ao mesmo tempo precisam conservar seus acidentes externos de pão e vinho para desempenharem seu indispensável papel prático, assim também a violência do estado, para ser justificada, tem de ser transubstanciada em sua essência em sortilégio pacífico, embora ao mesmo tempo, para ser eficaz, precisa conservar os acidentes externos de violência. (Essa sacralização da violência do estado explica como proponentes do controle de armas, por exemplo, podem ver a si próprios como opositores da violência, quando ao mesmo tempo estão ameaçando cidadãos pacíficos com violência maciça e sistemática.)10
Moreover, even the state’s use of violence itself gets its effectiveness exaggerated by the incantational model; there is a tendency to forbear from innocent illegality on the assumption that the state’s decreeing that such activity is to be punished means that such activity really will be punished — even though most illegality, innocent or otherwise, escapes state punishment entirely.
Ademais, até o próprio uso da violência pelo estado tem sua eficácia exagerada pelo modelo sortilegial; há a tendência de ser leniente com a ilegalidade inocente com base na assunção de que se o estado decretar que tal ilegalidade deva ser punida isso significará que tal atividade realmente será punida — embora a maior parte da ilegalidade, inocente ou não, escape inteiramente da punição do estado.
But how — by what means — is this ideological mystification achieved, if we wish to avoid explanations appealing solely to intentional indoctrination? How does something quite simple and straightforward — some people constraining the life options of other people by systematically threatening violence against them — take on this aura of incantation and transubstantiation?
Como, porém — por que meios — é essa mistificação ideológica conseguida, se desejarmos evitar explicações que apelem unicamente para a doutrinação intencional? Como pode algo bastante simples e direto — algumas pessoas restringindo as opções de vida de outras pessoas mediante ameaçarem-nas sistematicamente de violência — assumir essa aura de sortilégio e transubstanciação?
Here I suspect the chief culprit is simply the common human desire to avoid facing a conflict between what one takes to be pragmatically necessary and what one takes to be morally right. Most people, most of the time, deal with one another according to libertarian principles; in day to day life we generally do not rob our neighbours, impose our ideas of personal morality on them, tell them where we will permit them to shop or what we will permit them to read, or otherwise conscript them into our projects. But the state, as a territorial monopoly with taxing power, necessarily violates this everyday libertarian morality. On the other hand, if we believe the state to be necessary, we will be reluctant to accept the straightforward application of our morality to the actions of our rulers. The desire to justify coercion that everyday morality would ordinarily condemn — to convince ourselves that this theft is not really theft, that this murder is not really murder — lies at the root of a wide variety of political myths: myths of racial and gender inferiority, myths of a collective mystical social body, myths of democratic legitimation, myths of punishment for imagined offenses, and myths of “social contracts” to which no one has actually consented. (The “social contract” has indeed the same transubstantiational character as state incantations do; it purports to convey all the spiritual effects of actual consent without the inconvenience of having to achieve such consent in physical reality.)
Aqui, suspeito de o principal culpado ser simplesmente o desejo humano comum de evitar enfrentar o conflito entre o que a pessoa acha ser pragmaticamente necessário e o que acha ser moralmente correto. A maior parte das pessoas, a maior parte do tempo, lida com as demais pessoas com base em princípios libertários; na vida cotidiana geralmente não assaltamos nossos vizinhos, não impomos nossas ideias ou moralidade pessoal a eles, não dizemos a eles onde permitiremos que eles façam compras ou o que permitiremos que eles leiam, nem de qualquer outro modo os recrutamos para nossos projetos. O estado, porém, como monopólio territorial com poder de tributação, necessariamente viola essa moralidade libertária cotidiana. Por outro lado, se acreditarmos que o estado é necessário, relutaremos em aceitar a aplicação direta de nossa moralidade às ações de nossos governantes. O desejo de justificar a coerção que a moralidade cotidiana ordinariamente condena — de convencer a nós próprios de que este furto não é realmente furto, de que este assassínio não é realmente assassínio — está na raiz de ampla variedade de mitos políticos: mitos de inferioridade racial e de gênero, mitos de corpo social místico, mitos de legitimação democrática, mitos de punição por ofensas imaginadas, e mitos de “contratos sociais” sem na verdade ter havido o consentimento de ninguém. (O “contrato social” tem com efeito o mesmo caráter transubstanciacional que os sortilégios do estado têm; ele visa a veicular todos os efeitos espirituais do consentimento real sem a inconveniência de ter-se de obter tal consentimento na realidade física.)
But if the incantational/transubstantiational justification of state violence depends on the need to reconcile the putative necessity of the state with the morality that would condemn it, this only pushes the question still further back: whence this belief in the necessity of the state? Every service for which the state is supposedly needed has been successfully supplied historically by nonviolent, voluntary means; indeed, even when the services are officially state-provided, the state’s role is generally parasitic on, rather than a substitute for, normal nonviolent provision.11 So what — apart from intentional indoctrination, which we’re putting aside — creates the illusion of the state’s necessity?
Se porém a justificativa sortilegial/transubstanciacional da violência do estado assenta-se na necessidade de conciliar a necessidade putativa do estado com a moralidade que o condenaria, isso apenas posterga ainda mais a pergunta: de onde nasce essa crença na necessidade do estado? Todo serviço para o qual o estado pretensamente seria necessário já foi historicamente prestado por meios não violentos e voluntários; na verdade, mesmo quando os serviços são oficialmente prestados pelo estado, o papel do estado é geralmente de parasita, em vez de substituto, da prestação normal não violenta.11 Assim sendo, o que — à parte a doutrinação intencional, que estamos pondo de lado — cria a ilusão da necessidade do estado?
I think part of the answer is Hayek’s: the illusion of constructivist rationalism.12 Order is one of the cues whereby we recognise the presence of intention, and so we are easily led to the assumption that conscious purpose is required wherever we find order. (This is the same dynamic that drives creationism.) The problem with invisible hands is that they are, well, invisible.
Creio que parte da resposta vem de  Hayek: a ilusão do racionalismo construtivista.12 A ordem é uma das deixas pelas quais reconhecemos a presença de intenção e, pois, somos facilmente levados à assunção de que onde quer que encontremos ordem necessariamente haverá propósito consciente. (Essa é a mesma dinâmica que impele o criacionismo.) O problema das mãos invisíveis é que elas são, ora, invisíveis.
Another part of the answer is our own long childhoods. Smarter organisms have a greater ability to learn, and hence a higher learning-to-instinct ratio (since having one pattern of behaviour hardwired interferes with one’s ability to acquire another). Hence smarter organisms have fewer instincts, and so need more time to learn, and hence require longer childhoods — i.e., a longer period of relative helplessness during which they require protection and training from their parents. The result is that the most intelligent organisms necessarily begin life with the greatest reliance on paternalistic authority and so are especially susceptible to nostalgia for it.
Outra parte da resposta é nossas próprias longas infâncias. Organismos mais inteligentes têm maior capacidade de aprender, e portanto relação aprendizado-instinto mais elevada (visto que ter um padrão de comportamento embutido de nascença interfere na capacidade de adquirir outro). Portanto os organismos mais inteligentes têm menos instintos, e portanto precisam de mais tempo para aprender, e portanto requerem infâncias mais prolongadas — isto é, período mais longo de desamparo durante o qual precisam de proteção e treinamento proporcionados por seus pais. O resultado é que os organismos mais inteligentes necessariamente começam a vida com maior dependência de autoridade paternalista e portanto são especialmente susceptíveis de nostalgia dela.
A third part of the answer is Bastiat’s distinction between the “seen” and the “not seen.” Since a large part of the case for a voluntary social order is based on what the state prevents rather than on what it causes, much of what libertarians and anarchists must appeal to will in the nature of the case be invisible.
Uma terceira parte da resposta é a distinção de Bastiat entre o “visto” e o “não visto.” Pois que grande parte da argumentação em favor de uma ordem social voluntária está baseada no que o estado proíbe mais do que no que ele causa, muito daquilo para o que apelam libertários e anarquistas ficará, no centro da argumentação, invisível.
Finally there is a tempting mistake analysed by Wittgenstein. Again, as I’ve written elsewhere:
Finalmente há um tentador equívoco analisado por Wittgenstein. Repetindo, como já escrevi alhures:
The opponent of anarchy has … fallen into the same error as the one Wittgenstein diagnoses in his rule-following paradox: the error of supposing the possibility, and/or the necessity, of a self-applying rule. Just as one may initially be thrown into intellectual vertigo by the failure to locate some mental item that all by itself guarantees its own meaning regardless of how one goes about applying it in practice, so the opponent of anarchy is thrown into vertigo at the thought of a legal system lacking any component that all by itself guarantees social order regardless of how it is applied by human agents. Just as it’s tempting to think that my grasp of a rule is something independent of my actions, something that makes me behave in a certain way, so it’s equally tempting to think that a society’s legal system is something external to that society that makes it orderly.13
O opositor da anarquia … incorre no mesmo erro que Wittgenstein diagnostica em seu paradoxo da observância de regras: o erro de supor a possibilidade, e/ou a necessidade, de uma regra autoaplicável. Do mesmo modo que alguém pode inicialmente ser lançado em vertigem intelectual por não conseguir localizar algum item mental que por si só garanta seu próprio significado independentemente de como seja aplicado por esse alguém na prática, o opositor da anarquia é lançado em vertigem diante do pensamento de um sistema legal destituído de qualquer componente que, por si próprio, garanta ordem social independentemente de como seja aplicado por agentes humanos. Do mesmo modo que é tentador pensar que minha compreensão de uma regra é algo independente de minhas ações, algo que me faz comportar-me de determinada maneira, é igualmente tentador pensar que um sistema legal social seja algo externo a essa sociedade que a torna ordeira.13
The metaphysical illusion … is the habit of thinking of constitutional restraints (checks and balances, separation of powers, etc.) as though these structures existed in their own right, as external limitations on society as a whole. But in fact those structures exist only insofar as they are continually maintained in existence by human agents acting in certain systematic ways. A constitution is not some impersonal, miraculously self-enforcing robot. It’s an ongoing pattern of behavior, and it persists only so long as human agents continue to conform to that pattern in their action.14
A ilusão metafisica … é o hábito de pensar acerca das restrições constitucionais (controle mútuo dos poderes, separação dos poderes etc.) como se essas estruturas existissem em si próprias, como limitações externas sobre a sociedade como um todo. Em realidade, porém, essas estruturas só existem na medida em que são continuamente mantidas em existência por agentes humanos agindo de certas maneiras sistemáticas. Uma constituição não é qualquer robô impessoal, miraculosamente capaz de impor-se por si próprio. É um padrão de comportamento em andamento, e só persiste na medida em que agentes humanos continuem a conformar-se a esse padrão em suas ações.14
I’ve offered a number of suggestions as to the spontaneous-order mechanisms whereby state systems in general and corporatist ones in particular maintain themselves. Do these explanations provide any basis for strategies of resistance?
Venho de oferecer algumas sugestões acerca dos mecanismos de ordem espontânea pelos quais sistemas de estado em geral e os corporatistas em particular mantêm-se a si próprios. Será que essas explanações proporcionam qualquer base para estratégias de resistência?
I think so. Anarchism is the only political philosophy that does not require for its implementation the seizure of the state apparatus by either electoral or revolutionary means — since the point is to withdraw popular support from the state, not to put new personnel in charge of it. It makes more sense to use voluntarist means to combat the state than to use governmental means to combat the state; after all, voluntary exchange is the arena of benign spontaneous order, which we might as well have on our side. In the words of Paul Goodman: “A free society cannot be the substitution of a ‘new order’ for the old order; it is the extension of spheres of free action until they make up most of social life.”15 Or as Gustav Landauer puts it: “The state is a relationship between human beings, a way by which people relate to one another; and one destroys it by entering into other relationships, by behaving differently to one another.”16 Hence the first task of the libertarian must be counter-economics (i.e., roughly, building alternative institutions to displace the state) rather than electoral politics.17
Creio que sim. O anarquismo é a única filosofia política que não requer, para sua implementação, o açambarcamento do aparato do estado por meios quer eleitorais quer revolucionários — pois a intenção é subtrair apoio popular ao estado, e não colocar novo pessoal encarregado dele. Faz mais sentido usar meios voluntaristas para combater o estado do que usar meios governamentais para combater o estado; afinal de contas, o intercâmbio voluntário é a área da ordem espontânea benigna, que não há porque não ficar do nosso lado. Nas palavras de Paul Goodman: “Uma sociedade livre não pode ser a substituição de uma ordem antiga por uma ‘nova ordem;’ ela é a extensão de esferas de ação livre até que constituam a maior parte da vida social.”15 Ou como expressa Gustav Landauer: “O estado é um relacionamento entre os seres humanos, uma forma pela qual as pessoas se relacionam umas com as outras; e o destruímos ao entrarmos em outros relacionamentos, ao nos comportarmos diferentemente uns em relação aos outros.”16 Portanto a primeira tarefa do libertário tem de ser a contraeconomia (isto é, toscamente, criar instituições alternativas para desalojar o estado) em vez de política eleitoral.17
Moreover, since the existing patterns of activity are sustained by conceptual frameworks that render crucial information invisible, the second task of the libertarian must be education, and specifically education that draws attention to the invisible. Recall the experimental subjects described by Kuhn, who at brief exposures unhesitatingly classified anomalous cards as normal, and at slightly longer exposures recognised the presence of anomaly but could not make sense of it (identifying red spades as black spades with red borders, for example). Happily this was not the whole story. While some subjects were indeed “never able to make the requisite adjustment of their categories,” this result was not typical. Instead:
Ademais, visto que os padrões de atividade hoje existentes são sustentados por arcabouços conceptuais que tornam informações cruciais invisíveis, a segunda tarefa do libertário tem de ser a educação, e especificamente educação que chame a atenção para o invisível. Lembre-se dos sujeitos de experimento descritos por Kuhn, os quais submetidos a exposição curta classificaram cartas anômalas como normais, e em exposições ligeiramente mais longas reconheceram a presença da anomalia mas não conseguiram entendê-la (identificando espadas vermelhas como espadas pretas com bordas vermelhas, por exemplo). Felizmente essa não foi a história toda. Embora alguns dos sujeitos na verdade “nunca foram capazes de fazer o ajuste necessário de suas categorias,” esse resultado não foi típico. Em vez disso:
Further increase of exposure resulted in still more hesitation and confusion until finally, and sometimes quite suddenly, most subjects would produce the correct identification without hesitation. Moreover, after doing this with two or three of the anomalous cards, they would have little further difficulty with the others.18
Aumento adicional da exposição resultou em ainda maior hesitação e confusão até que finalmente, e por vezes muito subitamente, a maioria dos sujeitos efetuou a identificação correta sem hesitação. Ademais, depois de fazer isso com duas ou três das cartas anômalas, teve pouca dificuldade adicional com as outras.18
Hence what is rendered invisible by a dominant conceptual framework can become visible if attention is drawn to it with sufficient frequency.
Portanto aquilo que é tornado invisível por um arcabouço conceptual dominante pode tornar-se visível se for chamada a atenção para ele com frequência suficiente.
How well have libertarians done on these two tasks? I would say that the approach recommended here remains a minority position within the movement, albeit a growing one. With regard to the first task, too many libertarians continue to place a heavier focus on electoral politics than on direct action and building alternative institutions. With regard to the second task, too many libertarians continue to cling to minarchism rather than anarchism, thus helping to reinforce the state system in general; furthermore, too many libertarians likewise continue to cling to an oppositional picture of the relationship between big business and big government, thus helping to reinforce the corporatist state system in general. Every time a free-market libertarian goes into Randian mode, singing the praises of Walmart or Microsoft — to name two especially egregious beneficiaries of state privilege — the effect is to augment the corporatist system through its plutocratic wing. (Likewise, every time a social anarchist goes into Chomskyan mode and defends the state as a bulwark against corporate power and a rapacious “free market,” the effect is to augment the corporatist system through its statocratic wing. Indeed, those of us on the libertarian left19 tend to be categorised by our ideological neighbours in much the same way that Bruner and Postman’s subjects categorised the anomalous cards, forcing the unfamiliar to fit into more familiar boxes; thus we are frequently denounced as anti-market socialists by right-wing libertarians, and as apologists for capitalist bosses by social anarchists.)
Como é que os libertários se têm saído no tocante a essas duas tarefas? Eu diria que a abordagem aqui recomendada representa uma posição minoritária dentro do movimento, embora crescente. No tocante à primeira tarefa, excessivo número de libertários continua a focalizar mais fortemente a política eleitoral do que ação direta e a construção de instituições alternativas. Com relação à segunda tarefa, demasiado número de libertários continua a aferrar-se ao minarquismo em vez de ao anarquismo, ajudando assim a reforçar o sistema de estado em geral; além disso, demasiados libertários continuam a, analogamente, aferrar-se a um quadro oposicional do relacionamento entre grandes empresas e governo hipertrofiado, ajudando assim a reforçar o sistema de estado corporatista em geral. Toda vez que um libertário de livre mercado entra em modo randiano, entoando loas ao Walmart ou à Microsoft — para nomear dois especialmente odiosos beneficiários de privilégio estatal — o efeito é expandir o sistema corporatista via sua ala plutocrática. (Analogamente, toda vez que um anarquista social entra em modo chomskyano e defende o estado como baluarte contra o poder corporativo e um ganancioso “livre mercado,” o efeito é expandir o sistema corporatista por meio de sua ala estatocrática. Na verdade, nós os da esquerda libertária19 tendemos a ser categorizados por nossos vizinhos ideológicos de modo muito parecido com aquele que os sujeitos de Bruner e Postman categorizaram as cartas anômalas, forçando o não familiar a caber em caixas com as quais mais familiarizados; assim somos amiúde denunciados pelos libertários de direita como socialistas contrários ao mercado, e pelos anarquistas sociais como apologistas dos chefes capitalistas.)
But such libertarian failures are actually good news. What they mean is that there is more reason for optimism than there might initially seem to be. It’s not as though we’ve been using our most powerful weapons against statism and still getting our butts kicked. It is rather that our most powerful weapons have remained largely in reserve.
Tais fracassos dos libertários, porém, são em verdade boa notícia. Pois significam que há mais motivo para otimismo do que inicialmente parecia haver. As coisas não se passam como se viéssemos usando nossas armas mais poderosas contra o estatismo e mesmo assim estivéssemos levando pontapés no traseiro. Pelo contrário, nossas armas mais poderosas têm permanecido, em sua maioria, no arsenal.
Roderick T. Long is Professor of Philosophy at Auburn University, and President of the Molinari Institute; he blogs at Austro-Athenian Empire.
Roderick T. Long é Professor de Filosofia na Universidade Auburn, e Presidente do Instituto Molinari; ele bloga em Império Austro-Ateniense.
Notes
Notas
1. La Boétie [1576] 2003, Hume [1758] 1985; cf. Pierre Bourdieu: “All symbolic domination presupposes, on the part of those who submit to it, a form of complicity which is neither passive submission to external constraint nor a free adherence to values” (Bourdieu 1991, pp. 50-51; quoted in Butler 1997, pp. 134-5).
1. La Boétie [1576] 2003, Hume [1758] 1985; cf. Pierre Bourdieu: “Toda dominação simbólica pressupõe, da parte daqueles que se submetem a ela, uma forma de cumplicidade que não é nem submissão passiva a constrangimento externo nem adesão livre a valores” (Bourdieu 1991, pp. 50-51; citado em Butler 1997, pp. 134-5).
2. See, for example: Beito 2000; Bernstein 1968; Brecher 1977; Buhle 1999; Carney 2006; Carson 2001, 2004, 2007, 2008, 2009, 2010a, 2010b; Chartier 2011; Chartier and Johnson 2011; Childs 1971; Domhoff 1970, 1990; Ekirch 1967; Grinder and Hagel 1977; Herman and Chomsky 1988; Higgs 1987, 2006; Horowitz 1967, 1969; Hughes 1977; Johnson 2007b; Kolko 1963, 1965, 1969, 1988; Martin 1975; Oglesby and Schaull 1967; Richman 2010; Rothbard 1972, 2007; Rothbard and Radosh 1972; Ruwart 2003; Sciabarra 2003; Shaffer 1996; Sklar 1988; Stromberg 2001; Weaver 1988; and Weinstein 1968; as well as the materials at the website of the Alliance of the Libertarian Left (all-left.net) and the Center for a Stateless Society (c4ss.org). The analysis in the present essay depends heavily on this research. Those seeking an entry point into this scholarship could do worse than to start with Chartier and Johnson 2011, and Part 2 (chapters 4-8) of Carson 2007.
2. Ver, por exemplo: Beito 2000; Bernstein 1968; Brecher 1977; Buhle 1999; Carney 2006; Carson 2001, 2004, 2007, 2008, 2009, 2010a, 2010b; Chartier 2011; Chartier and Johnson 2011; Childs 1971; Domhoff 1970, 1990; Ekirch 1967; Grinder and Hagel 1977; Herman and Chomsky 1988; Higgs 1987, 2006; Horowitz 1967, 1969; Hughes 1977; Johnson 2007b; Kolko 1963, 1965, 1969, 1988; Martin 1975; Oglesby and Schaull 1967; Richman 2010; Rothbard 1972, 2007; Rothbard and Radosh 1972; Ruwart 2003; Sciabarra 2003; Shaffer 1996; Sklar 1988; Stromberg 2001; Weaver 1988; e Weinstein 1968; bem como o material no website da Aliança da Esquerda Libertária (all-left.net) e do Centro por uma Sociedade sem Estado (c4ss.org). A análise do presente ensaio assenta-se fortemente nessa pesquisa. Aqueles que estejam procurando um ponto de partida para se aprofundarem no tema poderão fazer pior do que começarem por Chartier e Johnson 2011, e Parte 2 (capítulos 4-8) de Carson 2007.
3. Kuhn [1962] 1996, pp. 62-63.
3. Kuhn [1962] 1996, pp. 62-63.
4. Ibid., pp. 118-121.
4. Ibid., pp. 118-121.
5. Fiore 2008.
5. Fiore 2008.
6. Cf. Long 1998, 2008b.
6. Cf. Long 1998, 2008b.
7. And even Fu Manchu, if one reads between the lines of the original novels, comes across primarily as quite understandably trying to protect Asia from Western imperialism.
7. E até Fu Manchu, se alguém ler nas entrelinhas das histórias originais, dá a impressão de bastante compreensivelmente tentar proteger a Ásia do imperialismo ocidental.
8. Cf. Long 2008c.
8. Cf. Long 2008c.
9. Long 2001.
9. Long 2001.
10. Ibid.
10. Ibid.
11. “[A]n anarchist society, a society which organises itself without authority, is always in existence, like a seed beneath the snow, buried under the weight of the state and its bureaucracy, capitalism and its waste, privilege and its injustices, nationalism and its suicidal loyalties, religious differences and their superstitious separatism. … [F]ar from being a speculative vision of a future society, [anarchism] is a description of a mode of human organisation, rooted in the experience of everyday life, which operates side by side with, and in spite of, the dominant authoritarian trends of our society.” (Ward [1973] 1992, p. 14; cf. Beito 2000; Bell 1992; Benson 1990; Stringham 2007; Wooldridge 1970.)
11. “[U]ma sociedade anarquista, uma sociedade que se organiza sem autoridade, está sempre em existência, como uma semente debaixo da neve, sepultada sob o peso do estado e de sua burocracia, do capitalismo e seu lixo, do privilégio e suas injustiças, do nacionalismo e suas lealdades suicidas, das diferenças religiosas e seu separatismo supersticioso. … [L]onge de ser visão especulativa de uma sociedade futura, [o anarquismo] é descrição de um modo de organização humana, enraizada na experiência da vida diária, que funciona lado a lado com, e a despeito das, tendências autoritárias dominantes de nossa sociedade.” (Ward [1973] 1992, p. 14; cf. Beito 2000; Bell 1992; Benson 1990; Stringham 2007; Wooldridge 1970.)
12. Hayek 1948, 1973, 1979.
12. Hayek 1948, 1973, 1979.
13. Long 2006, pp. 44-45; cf. Long 2010.
13. Long 2006, pp. 44-45; cf. Long 2010.
14. Long 2008a, p. 140.
14. Long 2008a, p. 140.
15. Quoted in Ward [1973] 1992, p. 14.
15. Citado em Ward [1973] 1992, p. 14.
16. “Weak Statesmen, Weaker People,” Der Sozialist, 1910; quoted in Graham 2005, p. 165.
16. “Estadistas Fracos, Povo Fraco,” Der Sozialist, 1910; citado em Graham 2005, p. 165.
17. Konkin 1980.
17. Konkin 1980.
18. Kuhn, op. cit., p. 63.
18. Kuhn, op. cit., p. 63.
19. I refer to the range of positions associated originally with the Konkin-influenced Movement of the Libertarian Left and more recently its Konkin-and-Carson-influenced successor, the Alliance of the Libertarian Left, as well as the Center for a Stateless Society, and not to the distinct neo-Georgist position defended under that label by Peter Vallentyne and others.
19. Refiro-me ao espectro de posições relacionado originalmente com o Movimento da Esquerda Libertária de Konkin e mais recentemente com seu sucessor influenciado por Konkin e Carson, a Aliança da Esquerda Libertária, bem como ao Centro por uma Sociedade sem Estado, e não à posição diferente, neo-georgista, defendida sob esse rótulo por Peter Vallentyne e outros.
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