Sunday, July 15, 2012

Americas South and North - On Neoliberalism’s Inexorable Ties to Military Dictatorships (and Vice-Versa)/Neoliberalism and Military Regimes - A Follow-Up

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Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic.
Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico.
On Neoliberalism’s Inexorable Ties to Military Dictatorships (and Vice-Versa)
Dos Inexoráveis Vínculos entre Neoliberalismo e Ditaduras Militares (e Vice-Versa)
July 9, 2012
9 de julho de 2012
Corey Robin points to this excellent article detailing the extent to which in practice neoliberal economic theory is tied to authoritarianism rather than more democratic systems. The article's authors (Andrew Farrant, Edward McPhail, and Sebastian Berger) show that the sympathies of Friedrich Hayek, one of the key figures of neoliberalism from the Austrian school, with the Pinochet regime were much deeper and clearer than previous work had suggested. To be clear, the article doesn't necessarily reinvent the wheel - Hayek's connections (and neoliberalism's ties to Pinochet, best symbolized by the presence of the "Chicago Boys") have long been a significant part of the narrative on the Pinochet regime, even before scholars and writers like Greg Grandin or Naomi Klein brought that narrative to wider audiences. Indeed, as Brandi pointed out earlier this year, the legacies of Pinochet-era neoliberalism still loom large in social mobilizations in Chile today.  However, Farrant's, McPhail's, and Berger's article does show that Hayek's sympathies to the Pinochet regime that committed human rights abuses ran even deeper than previous works acknowledged, revealing just how deeply entangled neoliberalism policies/theories and authoritarian regimes that violated human rights were. Robin's post has some telling excerpts:
Corey Robin chama a atenção para  este excelente artigo o qual expõe em detalhe a medida na qual na prática a teoria econômica neoliberal está vinculada ao autoritarismo em vez de a sistemas mais democráticos.  Os autores do artigo (Andrew Farrant, Edward McPhail e Sebastian Berger) mostram que as simpatias de Friedrich Hayek, uma das figuras centrais do neoliberalismo da escola austríaca, pelo regime Pinochet foram muito mais profundas e claras do que obras anteriores haviam sugerido. Para ser claro, o artigo não necessariamente reinventa a roda - as conexões de Hayek (e os vínculos do neoliberalismo com Pinochet, melhor simbolizados pela presença dos "Rapazes de Chicago") há muito tempo eram parte importante da narrativa acerca do regime Pinochet, mesmo antes de acadêmicos e escritores como Greg Grandin ou Naomi Klein terem levado essa narrativa a plateias maiores. Na verdade, como destacou Brandi mais cedo este ano, os legados do neoliberalismo da era Pinochet ainda desempenham papel importante nas mobilizações no Chile nos dias de hoje. Entretanto, o artigo de Farrant, McPhail e Berger mostra que as simpatias de Hayek pelo regime de Pinochet que cometeu abusos de direitos humanos foram mais profundas do que obras anteriores haviam reconhecido, revelando o quanto estavam profundamente imbricados as políticas/teorias do neoliberalismo e os regimes autoritários violadores de direitos humanos. A postagem de Robin tem alguns excertos reveladores:
Hayek—writing to The Times in 1978 and explicitly invoking Pinochet by name—noted that under certain “historical circumstances,” an authoritarian government may prove especially conducive to the long-run preservation of liberty: There are “many instances of authoritarian governments under which personal liberty was safer than under many democracies.”
Hayek—escrevendo para The Times em 1978 e explicitamente invocando Pinochet pelo nome—observou que sob certas “circunstâncias históricas” um governo autoritário pode revelar-se especialmente apropriado para a preservação da liberdade no longo prazo: Há “muitos exemplos de governos autoritários nos quais a liberdade pessoal ficou mais segura do que em muitas democracias.”
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As Hayek notes, “democracy needs ‘a good cleaning’ by strong governments.”
Como Hayek observa, “a democracia precisa ‘de uma boa limpeza’ feita por governos fortes.”
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The Pinochet junta “enacted a new constitution in September 1980. . . . The constitution was not only named after Hayek’s book The Constitution of Liberty, but also incorporated significant elements of Hayek’s thinking.”
A junta de Pinochet “promulgou uma nova constituição em setembro de 1980. . . . A constituição não apenas recebeu nome de acordo com o livro de Hayek A Constituição da Liberdade, como também incorporou importantes elementos do pensamento de Hayek.”
These comments tap into a broader rethinking of neoliberalism's ties to authoritarianism that not only make clear they are closely tied; they shatter any understanding of neoliberalism as being inherently "small government." As Hayek makes clear, and as scholars such as Michel Foucault discussed as early as the 1970s, the project of a "free market" inherently implies the presence of a heavy-handed government that actually imposes itself on the lives of its citizens in a variety of ways in order to ensure that a particular economic model can operate.
Esses comentários se abeberam de um repensamento mais amplo dos vínculos do neoliberalismo com o autoritarismo, não apenas mostrando estarem esses dois intimamente ligados; põem por terra qualquer entendimento do neoliberalismo como constituindo inerentemente "governo de pequeno porte." Como Hayek deixa claro, e como acadêmicos como Michel Foucault discutiram tão precocemente quanto nos anos 1970, o projeto de um "livre mercado" implica inerentemente na presença de um governo de mão forte que na realidade se impõe às vidas de seus cidadãos de diversas maneiras para assegurar que um modelo econômico específico possa funcionar.
Robin himself emphasizes this contradiction of neoliberal's alleged theoretical inclinations to "democracy" in the midst of decreasingly democratic states:
Robin ele próprio enfatiza essa contradição nas alegadas inclinações teóricas neoliberais para a "democraccia" em meio a estados cada vez menos democráticos:
[I]n the course of defending Pinochet and Salazar—and the whole idea of temporary dictatorship— Hayek was prepared to entertain an even deeper betrayal of his own stated beliefs. As he said to Sallas in 1981, when any “government is in a situation of rupture, and there are no recognized rules, rules have to be created.” That is what a dictator does: create the rules of social and political life. (Again, Hayek is not referring to a situation of civil war or anarchy; he’s talking about a social democracy in which the government pursues “the mirage of social justice” through administrative and increasingly discretionary means.)
[N]o curso da defesa de Pinochet e Salazar—e da ideia toda de ditadura temporária— Hayek mostrou-se disposto a efetuar traição ainda mais profunda de suas próprias crenças professadas. Como ele disse a Sallas em 1981, quando qualquer “governo está numa situação de ruptura, e não há regras reconhecidas, precisam ser criadas regras.” Isso é o que o ditador faz: cria as regras da vida social e política. (Repetindo, Hayek não está-se referindo a uma situação de guerra civil ou anarquia; está falando de uma democracia social na qual o governo persegue “a miragem da justiça social” através de meios administrativos e cada vez mais discricionários.)
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Hayek was hardly the first conservative intellectual to write paeans to the slow accumulated wisdom of the ages by day, only to  praise Jacobin interventions of the right by night. Edmund Burke, I’ve argued, did much the same thing. Hayek even went so far as to defend his preferred brand of politics as a kind of dogmatic utopianism.
Hayek dificilmente foi o primeiro intelectual conservador a escrever loas à vagarosamente acumulada sabedoria dos tempos durante o dia, para depois elogiar intervenções jacobinas da direita durante a noite. Edmund Burke, já argumentei, fez em grande parte a mesma coisa. Hayek chegou ao ponto de defender seu tipo favorito de política como uma espécie de utopismo dogmático.
Robin doesn't provide any immediate answers about how to reconcile neoliberalism's very contradictory positions of politics in theory vs. politics in practice, but his comments highlight the broader reconceptualization and understanding of neoliberalism's theoretical and practical failures that historians have been tracing for several decades. That neoliberal economists like Hayek and Milton Friedman made no qualms about supporting regimes that were willing to commit widespread human rights abuses and violations has long been known within historical scholarship, but new work on neoliberalism and its thinkers is reinforcing just how deeply those ties ran. Far from leading to a more democratic society, neoliberalism had the exact opposite effect, decreasing social equality and supporting authoritarian regimes that displayed little regard for human rights. Military regimes didn't necessarily need neoliberalism - with Brazil's military dictatorship provides a useful counterpoint to Chile - but neoliberalism did need military regimes. And thinkers like Hayek and Friedman had no problem supporting these undemocratic regimes, so long as they adopted the neoliberal economic policies and theories that the Austrian and Chicago schools advocated.
Robin não oferece quaisquer respostas imediatas acerca de como conciliar as posições muito contraditórias do neoliberalismo em política em teoria em comparação com política na prática, mas seus comentários salientam a reconceptualização e o entendimento mais amplo dos fracassos teóricos e práticos do neoliberalismo que os historiadores vêm rastreando há diversas décadas. Que economistas neoliberais como Hayek e Milton Friedman não tenham tido pruridos em apoiar regimes dispostos a cometer abusos disseminados de direitos humanos é algo há muito conhecido nos círculos eruditos de história, mas novas obras acerca de neoliberalismo e seus pensadores vêm reforçando o quanto foram profundos esses vínculos. Longe de levar a uma sociedade mais democrática, o neoliberalismo teve o efeito exatamente oposto, diminuindo a igualdade social e apoiando regimes autoritários que exibiam pouca consideração para com direitos humanos. Os regimes militares não necessariamente precisaram do neoliberalismo - a ditadura militar do Brasil oferece útil contraponto à do Chile - mas o neoliberalismo precisa de regimes militares. E pensadores como Hayek e Friedman não tiveram problema em apoiar esses regimes não democráticos, desde que estes adotassem as políticas e teorias econômicas neoliberais que as escolas austríaca e de Chicago defendiam.
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Neoliberalism and Military Regimes – A Follow-Up
Neoliberalismo e Regimes Militares – Seguimento
July 9, 2012
9 de julho de 2012
To follow today’s earlier post on Friedrich Hayek and the Pinochet Regime, Corey Robin adds even more evidence of just how inextricable the ties between neoliberalism and restrictions on democracy in favor of unfettered capitalism. His new post includes favorable quotations regarding apartheid-era South Africa from Hayek, as well as quotations from Ludwig von Mieses, who was also a member of the Austrian school, a severe economic liberal, and a major influence among today’s libertarian movement in the US, and who generally praised Fascism for its refusal to completely break with liberalism (in contrast to Soviet Russia). Perhaps the best summarization/giveaway of neoliberalism’s distaste for political democracy comes from a Hayek quote regarding Margaret Thatcher’s England:
Dando seguimento a postagem de hoje mais cedo acerca de Friedrich Hayek e do Regime Pinochet, Corey Robin acrescenta ainda mais evidência a respeito do quanto inextricáveis os vínculos entre neoliberalismo e restrições à democracia em favor de capitalismo desenfreado. A nova postagem dele inclui citações favoráveis acerca da África do Sul do tempo do apartheid por parte de Hayek, bem como citações de Ludwig von Mises, que também foi membro da escola austríaca, severo liberal econômico, e influência maior no movimento libertário atual nos Estados Unidos, e que geralmente elogiava o fascismo por sua recusa a romper completamente com o liberalismo (em contraste com a Rússia Soviética). Talvez o melhor resumo/flagrante da aversão do neoliberalismo por democracia política proceda de uma citação de Hayek acerca da Inglaterra de Margareth Thatcher:
If Mrs. Thatcher said that free choice is to be exercised more in the market place than in the ballot box, she has merely uttered the truism that the first is indispensable for individual freedom, while the second is not.
Se a Sra. Thatcher disse que livre escolha deve ser exercida mais no mercado do que nas urnas, ela terá meramente proferido o truísmo de que o primeiro é indispensável para a liberdade individual, enquanto as últimas não o são.
As Robin points out:
Como Robin destaca:
That statement is certainly in keeping with much of what Hayek wrote throughout his career, but I don’t think I’ve ever seen him state quite so pungently his belief that capitalism is more important to freedom than democracy.
Essa declaração certamente casa-se com muito do que Hayek escreveu ao longo de sua carreira, mas não acredito tê-lo antes visto enunciar de maneira tão pungente a crença que acalentava, de que o capitalismo é mais importante para a liberdade do que a democracia.
Indeed, and that point cannot be stressed strongly or regularly enough. Chile, Apartheid-era South Africa, Fascist Europe, even Thatcher’s England – in every case, neoliberal theorists favored heavy-handed right-wing governments that regularly violated human rights, so long as they adopted some semblance of neoliberalism. In applied theory, neoliberalism has no room for human rights or for political democracy.
De fato, e não há como enfatizar demasiado ou repetidamente demais esse ponto. O Chile, a África do Sul do tempo do apartheid, a Europa Fascista, até a Inglaterra de Thatcher – em todos esses casos, os teóricos neoliberais foram favoráveis a governos direitistas opressores que regularmente violavam direitos humanos, desde que adotassem algum tipo de neoliberalismo. Na teoria aplicada, o liberalismo não tem espaço para direitos humanos ou para democracia política.


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